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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Iraque e Líbano se rebelam contra sectarismo religioso

Além da estagnação econômica, da miséria e do desemprego, as manifestações de protestos das últimas semanas em países árabes querem mudar sistemas constitucionais que institucionalizam o sectarismo religioso.

No Iraque, as manifestações de massa das últimas semanas partiram principalmente da classe operária num país onde um quarto da população vive na miséria. No Líbano, os protestos começaram pela classe média alta. No centro de Beirute na semana passada, havia mulheres com óculos e roupas de grife. 

Apesar deste contraste evidente, há algo em comum além da questão econômica. O Iraque e o Líbano enfrentam a paralisia, a corrupção e a incompetência de sistemas políticos que dividem o poder entre os principais grupos étnico-religiosos, observa um artigo de Anchal Vohra na revista Foreign Policy.

Os protestos no Líbano começaram em dezembro do ano passado. Com a paralisia do sistema político, o país estava sem governo enquanto as condições de vida da população pioravam. Faltam empregos, faltam 100 milhões de empregos nos países árabes, os cortes de energia elétrica são frequentes e a dívida pública chegou a 150% do produto interno bruto. Proporcionalmente, é a terceira maior do mundo. O Líbano está falido.

Desde que tomou posse, o atual primeiro-ministro, o sunita Saad Hariri, tentou cortar gastos, mas recuou diante de greves. Quando o governo anunciou a cobrança de impostos pelo uso do WhatsApp, uma multidão de até 1 milhão de pessoas, um sexto da população total do Líbano, saiu às ruas.Meu comentário:

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Coalizão saudita ataca importante porto do Iêmen

A aliança sunita liderada pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU) atacou hoje os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, no porto de Hodeida, uma cidade de 60 mil habitantes por onde entra a maior parte da ajuda humanitária internacional para a população civil atingida pela guerra civil do país.

A coalizão sunita apoia o governo do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, exilado na Arábia Saudita, e acusa os rebeldes de usar o porto para contrabandear armas. Quer tomar a cidade.

Os Estados Unidos tinham bases militares no Iêmen para combater a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica. Com o avanço dos hutis, retiraram suas tropas do país. Agora, apoiam a aliança sunita.

A Arábia Saudita entrou na guerra em 25 de março de 2015 com bombardeios aéreos aos rebeldes, com a esperança de obter uma vitória rápida sobre os hutis. Ao atacar Hodeida, o objetivo é isolar os rebeldes, cortando o suprimento de armas, munição, comida e outros utensílios necessários.

Em vez de encorajar a volta ao diálogo e à negociação, a batalha vai "aprofundar ainda mais o que já é a pior tragédia humanitária hoje no mundo", advertiu o International Crisis Group, uma organização não governamental dedicada à paz mundial.

A polarização entre sunitas e xiitas, Arábia Saudita e Irã, sempre cria o risco de uma conflagração maior no Oriente Médio.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Hutis fazem exigências para entregar o porto de Hodeida

Os rebeldes que dominam parte do Iêmen apresentaram ao mediador das Nações Unidas uma série de exigências para a rendição de suas forças no porto de Hodeida e entrega do controle do porto à ONU, noticiou ontem a televisão saudita Al Arabiya.

Para entregar Hodeida, os hutis querem que o governo do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi pague os salários de funcionários públicos civis e militares iemenitas, reabra o aeroporto da capital, Saná, acabe com os bombardeios aéreos às forças rebeldes e o fim do bloqueio aos portos do país.

O governo Hadi, apoiado pela Arábia Saudita e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, rejeitou as demandas dos hutis, apoiados pelo Irã, no momento em que a coalizão liderada pelos sauditas está prestes a tomar Hudaida. A cidade é o início de uma linha de suprimento vital para Saná e o principal porto de entrada de ajuda humanitária.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Hesbolá acusa Arábia Saudita de declarar guerra ao Líbano

A Arábia Saudita declarou guerra ao Líbano, detém o primeiro-ministro Saad Hariri e está pressionando Israel a atacar a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), acusou hoje o líder do grupo, xeique Hassan Nasrallah.

Em pronunciamento na televisão al-Manar, do Hesbolá, o xeique considerou o que chamou de prisão de Hariri um insulto ao povo libanês. Hariri anunciou sua demissão em discurso na TV durante visita à Arábia Saudita no sábado e acusou o Irã e o Hesbolá de tentar assassiná-lo. Ainda não voltou ao Líbano.

Ontem, a Arábia Saudita pediu a seus súditos que deixem o Líbano. O Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait fizeram o mesmo.

Hoje, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez uma visita de surpresa à Arábia Saudita, onde se reuniu com o príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman ou MbS, o novo homem-forte do país. A crise do Líbano é vista como mais uma manobra do príncipe numa guerra indireta contra o Irã, patrocinador do Hesbolá.

"Vamos falar as coisas como são: o homem está detido na Arábia Saudita e proibido até o momento de voltar ao Líbano", protestou o xeque Nasrallah, denunciando uma "intervenção saudita sem precedentes" no Líbano. "Está claro que a Arábia Saudita declarou guerra ao Hesbolá e ao Líbano."

Na sua opinião, o governo Hariri ainda é legítimo porque a renúncia "forçada" foi obtida "sob coação". Nasrallah desafiou os rivais: "Os sauditas devem fracassar no Líbano como têm fracassado em todas as frentes." Ele não acredita que Israel aproveite a oportunidade para atacar o Hesbolá.

Israel teme que o Hesbolá tenha se tornado uma força mais temível depois de ser a principal força terrestre ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria. Desde o início deste conflito, bombardeou várias vezes em território sírio comboios e depósitos de armas que supostamente iriam para o Hesbolá.

Mohamed ben Salman passou de segundo para primeiro príncipe herdeiro em junho do ano passado num golpe palaciano dentro do regime saudita. Como ministro da Defesa, é o principal responsável pela intervenção militar na guerra civil do Iêmen, uma tragédia humanitária.

O bloqueio saudita a regiões sob o controle dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, está provocando fome em massa. Seis dias atrás, a defesa antiaérea da Arábia Saudita interceptou um míssil que ia rumo à capital saudita, Riade, e o país acusou o Irã, que forneceu o míssil aos hutis, de um "ato de guerra".

Com o apoio do presidente Donald Trump, MbS impôs um boicote ao Catar por causa das boas relações deste emirado com o Irã, dividindo o Conselho de Cooperação do Golfo, até agora sem qualquer resultado positivo.

A demissão de Hariri no Líbano é mais um lance muito criticado do príncipe herdeiro, que promete modernizar a Arábia Saudita até 2030 para preparar o país para a era pós-petróleo, depois da intervenção no Iêmen e da tentativa de isolar o Catar. A modernização conservadora quer recriar o país à imagem dos Emirados Árabes Unidos.

Na semana passada, o governo saudita prendeu mais de 500 pessoas, inclusive 11 príncipes e quatro ministros, numa campanha anticorrupção suspeita de ser uma jogada para consolidar o poder do novo homem-forte do país.

O conflito entre a monarquia da Arábia Saudita, sunita, e a República Islâmica do Irã, xiita, se manifesta no Bahrein, no Iraque, no Líbano e na Síria. O Irã domina o governo iraquiano de maioria xiita, apoia a ditadura de Bachar Assad na Síria e controla o Hesbolá, que faz parte do governo de união nacional do Líbano e é a maior força armada do país, mais poderoso que o próprio Exército.

Por causa do avanço do Irã, que é persa, sobre o mundo árabe nos últimos anos, o jovem príncipe quer dar o troco. Afoito e apressado no xadrez da política internacional, MbS ataca em várias frentes. Pode ficar vulnerável.

Arábia Saudita pede a seus súditos que deixem o Líbano

Em mais um lance de sua guerra indireta contra o Irã, a Arábia Saudita pediu ontem a seus súditos que deixem o Líbano. No sábado passado, durante visita a Riade, a capital saudita, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, renunciou denunciando tentativas de assassiná-lo. Ele acusou o Irã e a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), que faz parte do governo do Líbano.

O ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, fez um apelo à comunidade internacional em entrevista ao canal americano de notícias econômicas CNBC pela aprovação de "sanções contra o Irã por seu apoio ao terrorismo e por violar resoluções das Nações Unidas sobre mísseis balísticos".

Cinco dias atrás, a defesa antiaérea da Arábia Saudita interceptou um míssil com destino a Riade disparado do Iêmen, onde os rebeldes hutis, xiitas zaiditas sustentados pelo Irã, lutam contra o governo apoiado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O governo saudita considerou o ataque um "ato de guerra".

Desde 25 de março de 2015, a Arábia Saudita intervém na guerra civil do Iêmen. Sua Força Aérea é acusada de vários ataques com mortes de civis. No momento, os sauditas apoiam um cerco que está causando fome em massa em populações sitiadas.

Al-Jubeir descreveu a situação do Líbano como "desafortunada". Acusou o Hesbolá de "sequestrar o sistema" e de bloquear a ação de Hariri na chefia do governo.

"Devido às circunstâncias na República do Líbano, o reino pede a seus cidadãos que estejam visitando o país ou nele residindo" para saírem o mais rapidamente possível, declarou em nota o Ministério do Exterior saudita.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Catar restabelece relações plenas com o Irã

Numa medida que deve irritar ainda mais a Arábia Saudita e as outras monarquias petroleiras do Oriente Médio, o Catar restabeleceu hoje relações diplomáticas plenas com o Irã. O Ministério do Exterior catarino anunciou o envio de um embaixador a Teerã depois de um ano e dez meses.

O Catar havia retirado seu embaixador de Teerã em janeiro de 2016 em resposta a ataques contra instalações diplomáticas sauditas no Irã. A retirada do embaixador é o último passo antes do rompimento total

Não houve explicação oficial para o reatamento. É uma retaliação ao boicote ao Catar declarado em junho pela Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, sob a alegação de que o Catar apoia o terrorismo e é próximo do Irã, o arqui-inimigo das monarquias petroleiras sunitas do Golfo Pérsico.

Esses países cortaram as ligações com o Catar por terra, mar e ar. A Alemanha, os Estados Unidos e o Kuwait tentaram intermediar um acordo, sem sucesso. O Catar rejeitou as 13 exigências dos vizinhos, que incluíam uma ruptura total com o Irã e o fechamento do canal de telejornalismo Al Jazira.

A crise se agravou com a visita de um membro do ramo da família real do Catar derrubado num golpe de Estado em 1972 à mansão do sultão da Arábia Saudita perto de Tânger, no Marrocos. O encontro foi visto como um possível desafio aos atuais governantes catarinos.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Estado Islâmico reivindica ataque com 48 mortos no Iêmen

Um terrorista suicida disfarçado como deficiente detonou hoje os explosivos que trazia junto ao corpo no meio de uma fila de recrutas do Exército do Iêmen no porto de Áden, a segunda maior cidade iemenita e sede do governo reconhecido internacionalmente, informou o jornal The New York Times. Pelo menos 48 pessoas morreram e outras 84 saíram feridas.

Foi o segundo grande ataque terrorista do Estado Islâmico no país desde o início do mês, sinal de que o governo não consegue garantir a segurança das regiões sob seu controle. Em 10 de dezembro, outro atentado contra a mesma base militar deixou 57 mortos

A capital, Saná, foi tomada pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, em setembro de 2014.

A Arábia Saudita, que disputa a liderança regional do Oriente Médio com o Irã, recebeu o presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, e intervém na guerra civil iemenita desde 25 de março de 2015.

O Iêmen está dividido. Os hutis e unidades militares que os apoiam dominam o Noroeste do país, enquanto o governo reconhecido internacionalmente contra o Sul e o Leste.

Os terroristas do Estado Islâmico aproveitam a situação caótica para realizar ações terroristas. Inicialmente seus alvos eram os hutis, que o grupo considera traidores do Islã. Ultimamente passaram a atacar o governo sunita aliado dos sauditas.

sábado, 10 de setembro de 2016

Cerca de 1,5 milhão de muçulmanos peregrinam a Meca

Cerca de 1,5 milhões de muçulmanos de 180 países participam da peregrinação anual à cidade sagrada de Meca, realizada em 2016 de 9 a 14 de setembro. A maior preocupação das autoridades da Arábia Saudita é evitar tumultos e correrias como os que esmagaram, sufocaram e causaram a morte de pelo menos 2.236 peregrinos no ano passado.

Peregrinar a Meca pelo menos uma vez na vida é obrigação de todo muçulmano que tiver condições financeiras e de saúde para fazer isso. As outras são: crer que Alá é o único deus e Maomé seu profeta; rezar cinco vezes por dia voltado para Meca; fazer caridade; e jejuar durante o dia no mês sagrado do Ramadã.

A peregrinação anual a Meca é em princípio uma maneira de dar unidade à umma, o conjunto de todos os muçulmanos, mas às vezes serve para aprofundar as divisões.

Há hoje uma crescente rivalidade entre a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, que alimenta os conflitos sectários entre as duas correntes do islamismo no Bahrein, no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen.

No fim de semana passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, acusou as autoridades sauditas de "homicídio" por causa da morte de 474 iranianos atropelados e sufocados em meio ao tumulto.

A resposta veio nesta semana. O Grande Múfti, a maior autoridade no direito islâmico na Arábia Saudita, declarou que os iranianos não são muçulmanos, são "filhos de Mago", numa referência ao zoroastrismo, uma religião anterior ao Islã praticada no Irã.

A meta das autoridades sauditas é aumentar o número de peregrinos em 13% ao ano até chegar a 2,5 milhões em 2020. Quando a família real saudita assumiu o controle das cidades sagradas de Meca e Medina, depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial, a Grande Mesquita de Meca tinha capacidade para 50 mil pessoas. Com a ampliação, hoje cabem um milhão de pessoas.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Iraque suspende ofensiva em Faluja para poupar civis

O Exército do Iraque e milícias aliadas, sunitas e xiitas, deram uma trégua na ofensiva para retomar Faluja, em poder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde janeiro de 2014, para proteger civis que não fugiram da cidade, anunciou hoje o primeiro-ministro Haider al-Abadi, citado pela agência Reuters.

As Nações Unidas estima que haja cerca de 50 mil civis em Faluja. Os milicianos do Estado Islâmico dificultam a fuga para usá-los como escudos humanos. Depois de meses de cerco por forças governistas, há uma escassez de comida e medicamentos na cidade

Faluja fica a meia hora de carro de Bagdá, a capital iraquiana. Durante a invasão americana, duas grandes batalhas foram travadas na cidade em 2004 entre os Estados Unidos e a rede terrorista Al Caeda no Iraque, que se transformou no Estado Islâmico do Iraque e, com a guerra civil na Síria, no Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A Segunda Batalha de Faluja durou de 7 de novembro a 23 de dezembro de 2004 foi uma das mais sangrentas da invasão americana. Terminou com as mortes 107 soldados da aliança liderada pelos EUA e de pelo menos 1,2 mil rebeldes e civis iraquianos.

Desde a Batalha de Hué, na Guerra do Vietnã, em 1968, os fuzileiros navais dos EUA não enfrentavam um combate urbano tão intenso.

domingo, 29 de maio de 2016

Curdos lançam ofensiva contra o Estado Islâmico perto de Mossul

Cerca de 5,5 mil guerrilheiros curdos iniciaram uma nova ofensiva hoje no Norte do Iraque para retomar vilas a leste à cidade de Mossul dominadas pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informou a agência Reuters.

Num sinal de envolvimento crescente com as operações terrestres contra o Estado Islâmico, soldados da aliança liderada pelos Estados Unidos foram visto perto da linha de frente.

Mossul, que está na origem da palavra muçulmano, é a segunda maior cidade do Iraque e a maior em poder do Estado Islâmico. Foi tomada há dois anos, em 10 de junho de 2014.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, espera reconquistar Mossul ainda em 2016, mas o comando militar americano não compartilha este otimismo. Os recentes protestos em Bagdá do aiatolá xiita Muktada al-Sader enfraqueceram a coalizão de governo, abalando a união necessária na luta contra os extremistas sunitas.

Enquanto isso, o Exército do Iraque e milícias aliadas, com o apoio da coalizão aérea liderada pelos EUA, está fechando o cerco sobre a cidade de Faluja, iniciado em 23 de maio, noticiou hoje a televisão estatal. Quando o cerco estiver fechado, forças antiterroristas devem desfechar ataques dentro da cidade.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Aiatolá xiita retira milícia das ruas de Bagdá

O aiatolá xiita Muktada al-Sader ordenou hoje a retirada de centenas de milicianos das ruas da capital do Iraque, um dia depois do início de patrulhas para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, responsável por uma série de ataques terroristas suicidas que deixaram centenas de mortos nas últimas semanas.

Com metralhadoras montadas em veículos, combatentes da milícia Saraya al-Salam, o antigo Exército Mehdi, saíram às ruas do bairro conhecido como Cidade de Sáder e outras áreas de maioria xiita de Bagdá revistando veículos e pessoas que faziam compras em mercados públicos.

Em comunicado a seus seguidores, Muktada afirmou que os atentados terroristas comprovam que o governo do Iraque não consegue proteger os civis dos ataques do Estado Islâmico.

Sob pressão nos campos de batalha, perdendo territórios, o Estado Islâmico regride cada vez mais a grupo terrorista. Os ataques contra os xiitas visam a fomentar um conflito sectário para se apresentar como defensor dos sunitas.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Carros-bomba do Estado Islâmico matam 93 em Bagdá

Três atentados a bomba deixaram pelo menos 93 mortos e 165 feridos hoje na capital do Iraque. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria dos ataques.

Com a perda de territórios no Iraque e na Síria, o protoestado está encolhendo e a milícia volta cada vez mais a ser apenas um grupo terrorista. Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris foram um sinal de fraqueza.

Mais de 1,7 mil pessoas foram mortas em março e abril de 2016 pela estimativa das Nações Unidas. No atentado mais violento, uma caminhonete bomba deixou 63 mortos e 85 feridos ao explodir perto de um salão de beleza da Cidade de Sader, no Sul de Bagdá, onde havia várias noivas que se preparavam para casar.

O segundo alvo foi uma delegacia no distrito de Kadimia, no Noroeste da cidade, onde 18 pessoas morreram e outras 34 saíram feridas. Um terceiro-carro bomba explodiu em Jamia, no Norte da capital, matando 12 pessoas e feriu outras 46.

O Estado Islâmico é sunita e ataca sistematicamente os xiitas, que considera infiéis, para fomentar um conflito sectário.

sábado, 30 de abril de 2016

Caminhão-bomba do Estado Islâmico mata 21 pessoas em Bagdá

Um caminhão-bomba explodiu hoje perto de um mercado público da capital do Iraque que fica na rota de uma peregrinação de xiitas matando pelo menos 21 pessoas, noticiou a televisão pública britânica BBC

Em nota divulgada na Internet, a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu a autoria do atentado em que disse ter usado três toneladas de explosivos. O alvo era um posto de controle de uma milícia xiita.

Mais de 40 civis foram mortos em atentados a bomba em Bagdá nos últimos 30 dias. Os peregrinos xiitas iam para o santuário de Cadímia.

O Estado Islâmico ataca sistematicamente os muçulmanos xiitas, que considera infiéis, para atiçar um conflito com a minoria sunita, que mandava no Iraque durante a ditadura de Saddam Hussein (1979-2003), e se apresentar como defensor dos sunitas.

domingo, 24 de abril de 2016

Curdos e xiitas se enfrentam no Norte do Iraque

Pelo menos dez pessoas morreram em confrontos entre guerrilheiros curdos e forças paramilitares turcomenas xiitas no Norte do Iraque. O combate fechou a rodovia estratégica entre Bagdá e Kirkuk, noticiou a agência Reuters citando fontes das forças de segurança iraquianas.

Uma explosão em Tuz Khurmatu perto das sedes de dois partidos políticos rivais deflagrou o conflito armado entre as duas comunidades. Por ordem do primeiro-ministro Haider al-Abadi, o Exército do Iraque reforçou sua presença na área enquanto delegações das duas partes iniciaram negociações para resolver a disputa.

A tensão e o conflito entre xiitas e curdos aumenta o risco de fragmentação do Iraque. O país luta para retomar territórios conquistados pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que se aproveitou da revolta sunita contra o governo central majoritariamente xiita para tomar há dois anos Mossul, a segunda maior cidade iraquiana.

O governo regional do Curdistão iraquiano já tem autonomia e as políticas discriminatórias contra os sunitas diminuem a confiabilidade do governo Abadi, que negocia uma reforma ministerial. A retomada de Mossul é considerada essencial para o governo central de Bagdá reafirmar sua autoridade.

domingo, 3 de abril de 2016

Força aérea bombardeia campo d'al Caeda no Iêmen

Aviões de guerra realizaram hoje quatro missões de ataque à rede terrorista Al Caeda no Sul do Iêmen, noticiou a agência Reuters citando como fontes funcionários públicos da região. O alvo foi um campo de treinamento de milicianos da Caeda na Península Arábica situado na cidade portuária de de Mukala.

O funcionário iemenita disse que os aviões era da coalizão liderada pela Arábia Saudita, que intervém na guerra civil do Iêmen desde 25 de março de 2015 para impedir o controle total do país pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã. Mas não foi possível confirmar a informação.

Nas últimas semanas, a Força Aérea dos Estados Unidos atacou várias vezes Al Caeda no Iêmen. A rede terrorista aproveitou a guerra civil no Iêmen para aumentar a região sob seu controle e recrutar mais voluntários.

Até agora, as tentativas de negociar a paz fracassaram. A guerra civil iemenita foi enquadrada no conflito maior entre sunitas apoiados pela Arábia Saudita e xiitas apoiados pelo Irã.

quarta-feira, 2 de março de 2016

O Terrorismo e os Desafios da Globalização*

Boa noite a todos! É um prazer e uma honra estar aqui para dar esta aula inaugural. Agradeço aos professores desta faculdade, especialmente ao professor Regis Burmeister, meu amigo pessoal, a quem devo esta honra, e a vocês todos pela presença.

Fui convidado porque este é um curso eminentemente técnico e científico, e os professores querem dar a vocês uma visão generalista. Nada mais generalista do que um jornalista de noticiário internacional, que num dia fala da fome da Etiópia e no outro dia tenta explicar a estagnação da economia japonesa.

Meu primeiro recado é: viajem, conheçam o mundo. Na Inglaterra, onde fiz minha pós-graduação tardia, aos 40 anos, a maioria dos estudantes tranca a matrícula, geralmente no início da faculdade, e tira um ano sabático. Sai pelo mundo explorando o antigo Império Britânico e países aliados. Vai pra Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Índia, África…

São experiências de vida que enriquecem, seja qual for a profissão. Pensem desde logo onde vão fazer pós-graduação.

Então vamos ao tema desta aula, o terrorismo e os desafios da globalização.Quando a gente vê na televisão aquelas atrocidades horríveis, degolas, execuções em massa, o piloto jordaniano queimado vivo numa jaula, parece algo distante, mas neste ano teremos a Olimpíada do Rio e, embora o Brasil não seja alvo, as delegações estrangeiras podem ser.

GLOBALIZAÇÃO
Vou começar pela globalização, o fenômeno maior que rege nossas vidas. A globalização é o resultado do desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transportes – e neste sentido é irreversível, a não ser que haja uma guerra nuclear e o mundo regrida à Idade da Pedra.

Sempre ensinei que a globalização econômica começa com a Revolução Comercial, que vai de 1400 a 1700 e marca o início do capitalismo. Mas alguns autores, como Parag Khanna, alegam que começou com o Caminho da Seda, a rota de comércio inaugurada no ano 130 depois de Cristo que levou o italiano Marco Polo à China no século 13. Além da seda, ele trouxe a massa da China. Há uma série no Netflix sobre sua história.

De certa forma, é um argumento para incluir a China e a China hoje pretende reconstruir o Caminho da Seda com estradas modernas para acelerar seu comércio.

Com a queda de Constantinopla para os turcos e o fim do Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, em 29 de maio de 1453, o marco do fim da Idade Média, o Império Otomano bloqueou o Caminho da Seda.

A expansão colonial marítima europeia em busca de especiarias e metais preciosos marca a primeira onda de globalização da economia no sentido de explorar todos os continentes. Isso significa que o Brasil já nasceu globalizado, uma economia colonial, periférica e dependente do sistema global dominado pelas potências europeias.

O açúcar era vendido a 8,3 gramas de ouro por arroba de 15 quilos na Europa em 1430. Quando Portugal passou a cultivar cana nas ilhas dos Açores e da Madeira, multiplicou a produção mundial.

Com o Brasil, o açúcar foi a mercadoria dominante no comércio internacional, o que provocou as invasões holandesas ao Nordeste no século 17. Em 1654, quando a Insurreição Pernambucana expulsou os holandeses, os judeus que fugiram do Recife foram para Nova York. Na época, o Recife era mais rico do que Nova York.

A segunda onda de globalização começa com a Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século 18 na Inglaterra com a invenção da máquina a vapor. No século 19, a indústria chega ao resto da Europa e aos Estados Unidos, aumentando a competição por matérias-primas e colônias.

Em 1884 e 1885 houve a chamada Partilha da África, no que o historiador britânico Eric Hobsbawm chamou de Era dos Impérios. O choque desses impérios levou à Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, e depois à Segunda Guerra Mundial com o revanchismo alemão, de 1939 a 1945, na grande guerra civil europeia.

Depois de 500 anos em que a Europa foi o centro do mundo, os donos do mundo cometeram suicídio coletivo ou homicídio coletivo e perderam sua preeminência. Começava a Guerra Fria.

Durante a Guerra Fria, começa a terceira onda de globalização. Em 1947, o comércio internacional era de apenas US$ 57 bilhões. Em 2014, chegou a US$ 23,874 trilhões.

A partir de 1945, as empresas transnacionais dos países centrais do sistema passaram a produzir em filiais no Terceiro Mundo, beneficiando-se de energia, recursos naturais e mão de obra baratas. Começava a desterritorialização, outro desafio da globalização, que tirou os empregos de trabalhadores não qualificados nos países ricos. As empresas montam suas fábricas fora dos países de origem.

Com a queda do Muro de Berlim e o fim dos regimes comunistas, o capitalismo cumpriu a profecia de Karl Marx e chegou a todos os cantos da Terra, completando o processo de globalização.

Então temos a globalização da economia a partir do Caminho da Seda – existe até um livro Da Seda ao Silício – ou da expansão colonial marítima europeia, a globalização da guerra a partir da Primeira Guerra Mundial e a globalização do terrorismo a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e no Pentágono.

TERRORISMO
O terrorismo como tática de guerra talvez seja tão antigo quanto o homem. É o ataque indiscriminado contra civis inocentes escolhidos ao acaso para aterrorizar e quebrar a fibra moral do inimigo. A questão do alvo é importante. O que é um alvo legítimo numa guerra?

Os métodos mais comuns são bombas, assassinatos seletivos ou em massa, sequestros e sequestros aéreos, mas podem incluir o envenenamento da água ou da comida.

Ivã, o Terrível, da Rússia, era um terrorista, um dos pioneiros da polícia política no país. Gêngis Khan teria mandado arrasar a cidade de Herat, hoje no Afeganistão, onde um afilhado favorito e possível sucessor foi morto. De 160 mil habitantes, sobraram 40 sobreviventes.

A guerra era considerada algo inseparável da espécie humana e o terror era uma das táticas favoritas dos poderosos. Os mongóis construíram em 25 anos um império maior do que os romanos em 400 anos.

O terrorismo como arma política, o chamado banho de sangue purificador, surge na segunda fase da Revolução Francesa, o período da Convenção (1792-94), quando o Comitê de Salvação Nacional manda milhares de pessoas para a guilhotina, inclusive o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta, e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

O terrorismo político começa então como terrorismo de Estado, e os grandes Estados terroristas foram a Alemanha de Hitler e a União Soviética de Stalin, sem esquecer da China de Mao e dos crimes do imperialismo e do capitalismo.

Nos anos 1960s e 1970s, vários movimentos de libertação nacional usaram táticas terroristas, como os palestinos ou os republicanos na Irlanda do Norte. Era uma tática de guerra para lutas nacionalistas. No Oriente Médio, tornou-se endemic. Todos os grupos e governos podem ser acusados de terrorismo.

Em 11 de setembro de 2001, ao atacar o coração do Império, os terroristas da rede Al Caeda levaram as guerras do Oriente Médio para os Estados Unidos matando quase 3 mil pessoas.

Foi o maior ataque a território norte-americano desde o bombardeio japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, que levou os Estados Unidos à Segunda Guerra Mundial. No território continental dos EUA, foi o maior ataque desde a Batalha de El Álamo, em 1836.

Foi também a globalização do terrorismo, uma organização terrorista com um programa de ação global. Apesar da guerra dos Estados Unidos e aliados contra o terrorismo dos jihadistas, o número de vítimas do terrorismo só aumentou.

Em 2014, o último ano sobre o qual vi estatísticas consolidadas, foram mais de 32 mil mortes em mais de 13 mil ataques em 93 países. O total de mortos aumentou nove vezes desde o ano 2000.

O autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a milícia nigeriana Boko Haram, que agora se apresenta como a província do Estado Islâmico na África Ocidental, lideram a matança.

ESTADO ISLÂMICO
O Estado Islâmico é hoje o inimigo público número um, embora o maior terrorista na guerra civil da Síria, o pior conflito hoje no mundo, seja o ditador Bachar Assad, que bombardeia seu próprio povo há cinco anos, sendo o maior responsável pelas mais de 260 mil mortes na Síria.

O Estado Islâmico é a antiga Al Caeda no Iraque, que se transformou em Estado Islâmico do Iraque.

Al Caeda foi criada por Ossama ben Laden em 1988. É um detrito que ficou da Guerra Fria, quando os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se aliaram aos extremistas muçulmanos para derrotar a invasão soviética no Afeganistão.

Depois de derrotar a União Soviética, Ben Laden decidiu enfrentar os Estados Unidos, especialmente depois que tropas norte-americanas foram enviadas à Arábia Saudita para proteger o reino do ditador iraquiano Saddam Hussein. Saddam ocupara o Kuwait, em agosto de 1990.

As duas cidades mais sagradas do Islã, Meca e Medina, ficam na Arábia Saudita, berço também do wahabismo e do salafismo, as correntes ultraconservadoras e puritanas da religião que querem recriar a Arábia do século 7, no tempo do profeta Maomé.

A rede terrorista atacou o World Trade Center em 1993 e as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, em 1998, quando o presidente Bill Clinton mandou bombardear as bases d’al Caeda no Afeganistão sem concluir a tarefa, o que levou aos atentados de 2001.

Um mês depois, os Estados Unidos e aliados invadiram o Afeganistão e estão lá até hoje. É a mais longa guerra da história dos Estados Unidos.

INVASÃO DO IRAQUE
Quando Ben Laden escapou na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, as atenções do governo George W. Bush se voltaram para o Iraque. Praticamente não havia movimentos jihadistas quando os Estados Unidos derrubaram a ditadura secularista de Saddam Hussein.

É verdade que Saddam usou a religião com motivos politicos a partir da derrota de 1991 na Primeira Guerra do Golfo, mas combateu ferozmente o jihadismo.

Quando Saddam caiu, logo Al Caeda se infiltrou no Iraque para combater a invasão norte-americana. Um grupo antecessor do Estado Islâmico atacou a sede da ONU em Bagdá e matou o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, em agosto de 2003.

Os Estados Unidos cometeram o erro crucial de dissolver as forças de segurança de Saddam Hussein, deixando sem emprego milhares de homens com formação militar. Eles formam hoje as tropas mais eficientes do Estado Islâmico.

Ao dar o poder à maioria xiita, os Estados Unidos marginalizaram a minoria sunita, uns 20% da população que mandavam no país há mais de 300 anos, desde que o Império Otomano superou o Império Persa, em 1638.

A revolta sunita fomentada pela Caeda esteve no centro da luta contra a invasão norte-americana.

O Estado Islâmico do Iraque, sucessor d’al Caeda no Iraque, criado em 2006, foi derrotado pelo reforço de tropas ordenado por Bush a partir de 2007. Renasceu com a guerra civil na Síria.

Durante toda a ocupação norte-americana, a Síria deu ajuda, armas e livre passagem a grupos extremistas interessados em atacar as forças dos Estados Unidos.

GUERRA CIVIL NA SÍRIA
Em 2011, depois da queda dos ditadores da Tunísia em 14 de janeiro e do Egito em 11 de fevereiro, a chamada Primavera Árabe chegou em 15 de marco à Síria, onde os protestos populares foram violentamente reprimidos pelo governo, deflagrando a guerra civil.

Assad anistiou então todos os jihadistas presos na Síria para justificar sua alegação de estar combatendo terroristas. Além de 260 mil mortes – e há estimativas de 470 mil mortes –, 5 milhões de pessoas fugiram da Síria e há milhões de desalojados que saíram de casa mas não do país.

O Estado Islâmico do Iraque ajudou a criar a Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria. Em 2013, passou a se chamar Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Em fevereiro de 2014, rompeu com Al Caeda por querer unificar as operações no Iraque e na Síria, ignorando as fronteiras nacionais traçadas pelo imperialismo franco-britânico no fim da Primeira Guerra Mundial.

É hoje uma organização terrorista com um proto-Estado do tamanho do Reino Unido onde vivem 8 milhões de pessoas, com rendas do petróleo e gás das regiões que domina, suborno, chantagem, cobrança de impostos e venda de tesouros históricos.
No mundo globalizado, imaginar que tamanho banho de sangue como a guerra civil na Síria não vá respingar no resto do mundo é uma ilusão.

ESTADOS COLAPSADOS
Um dos maiores desafios do mundo globalizado está nos países onde o Estado entrou em colapso, como é o caso do Líbano e do Afeganistão desde os anos 1970s, a Somália desde 1991, o Iraque desde 2003 e a Síria desde 2011.

Nessas terras sem lei, prolifera o terrorismo. A anarquia é pior do que a ditadura. Onde a anarquia é generalizada e impera a lei da selva, qualquer grupo que imponha a ordem acaba sendo aceito por bem ou por mal.

A Europa enfrenta uma crise de refugiados como não via desde a Segunda Guerra Mundial e recebeu mais ou menos o mesmo número de refugiados que o pequeno Líbano. Na Turquia, são mais de 2,5 milhões.

Se a crise dos refugiados é mais um fator a colocar em cheque a União Europeia, os atentados da sexta-feira, 13 de novembro, que deixaram 130 mortos em Paris, chocaram o mundo.

Atacar um estádio de futebol, um concerto de rock e bares e restaurantes numa sexta-feira à noite em Paris é uma covardia e uma afronta à liberdade e à civilização ocidental.

Não tem outra utilidade além de fazer propaganda para tentar atrair mais recrutas e voluntários para o martírio – e colocar a França na guerra contra o terrorismo.

Na realidade, diante dos bombardeios da coalizão aérea liderada pelos Estados Unidos e da Rússia, o Estado Islâmico está na defensiva. Está perdendo territórios no Oriente Médio. Tenta se instalar na Líbia, para onde parte da liderança teria fugido.

Primeiro, é preciso retomar o território que dá ao Estado Islâmico a pretensão de se apresentar como um Estado Nacional. Quando isto acontecer, o grupo deixará de ser um Exército para ser um grupo guerrilheiro. O recurso ao terrorismo, no caso, é a arma dos fracos.

Assim, o Estado Islâmico está perdendo a guerra e espaço no Oriente Médio, e suas bases econômicas estão sob o ataque. Isso não o torna menos perigoso. Pelo contrário. Seu prestígio pode depender da realização de atentados espetaculares nas cidades mais cosmopolitas do planeta.

OLIMPÍADA
Por isso, é impossível descartar a possibilidade de um ataque à Olimpíada do Rio de Janeiro. É da natureza do terrorismo atacar os alvos mais fracos e desprotegidos, dar golpes abaixo da linha da cintura, como se diz no boxe, o chamado golpe baixo.

Em 1972, durante a Olimpíada de Munique, na Alemanha Ocidental, o grupo palestino Setembro Negro sequestrou e matou 11 atletas da delegação de Israel, no momento mais triste da história dos Jogos Olímpicos.

Não estou dizendo que vai haver um atentado, mas que pode haver. É da natureza do jihadismo não avisar para causar o maior número de mortes. No terrorismo globalizado, na “guerra santa” contra os infiéis, o agressor não se sente parte da comunidade atacada.

Sob pressão dos Estados Unidos e de outras potências mundiais que vêm aos Jogos, o Brasil acaba de aprovar uma lei antiterrorismo criticada pela própria ONU por ser muito vaga e genérica, deixando ampla margem ao Judiciário para interpretar a lei e enquadrar manifestações de protesto como terrorismo.

LUTA IDEOLÓGICA
Um dos maiores desafios da luta contra o terrorismo é a batalha por corações e mentes. O primeiro passo é negar território ao Estado Islâmico ao mesmo tempo em que se atacam as finanças do grupo. Se os voluntários do martírio saírem aí pelo mundo cometendo atentados, não basta

A maior luta é a guerra ideológica contra o jihadismo. O fundamentalismo religioso é uma releitura dos livros sagrados. No caso do islamismo, foi uma tentativa de reislamizar o mundo islâmico depois do choque do imperialismo europeu.

Sua manifestação violenta, o jihadismo, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual a verdadeira interpretação do Corão. É um populismo político e uma resposta violenta aos desafios da globalização e da modernidade em sociedades sem liberdade política.

Essa luta ideológica só pode ser vencida pelos próprios muçulmanos. São eles que precisam impor a interpretação do Islã como uma religião de paz isolando e negando espaço aos extremistas.

Isso nos remete à Arábia Saudita, aquele imenso buraco negro nadando em 268 bilhões de barris petróleo, que desde a crise de 1973 usa a riqueza dos petrodólares para difundir sua versão radical do islamismo, o wahabismo, que não está muito distante do salafismo do Estado Islâmico.

Essa identidade comum faz com que muitos príncipes e magnatas sauditas e de outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico financiem grupos extremistas muçulmanos.

A Arábia Saudita é um país-chave, uma monarquia medieval sem Constituição, centro do conservadorismo no mundo árabe. É difícil imaginar qualquer mudança profunda, e o Ocidente não vai pressioná-la. O temor é que uma mudança possa levar a um governo extremista no maior produtor mundial de petróleo.

Como não há expectativa de uma solução em breve para os problemas do Oriente Médio, ao contrário, há um conflito crescente entre sunitas e xiitas, será preciso conviver com o jihadismo por pelo menos mais uma década, talvez mais.

DESEMPREGO
A estimativa é que faltam cem milhões de empregos no mundo árabe. Com as guerras, a situação econômica não vai melhorar.

O desemprego é um dos grandes desafios da globalização. O Oriente Médio tem dinheiro de sobra, mas grande parte está no exterior para escapar da instabilidade política da região.

Diante da crise permanente e dos desafios da modernidade, uma parte da classe média urbana olha para o Ocidente, o pessoal que fez a revolução no Egito, mas, sobretudo nos países do Golfo, parte de juventude procura soluções num suposto purismo perdido do Islã. E os moradores do interior apoiam o islamismo politico.

MOTIVAÇÃO
O que motiva os jovens a aderir a uma ideologia assassina? No Oriente Médio, o desejo de ser alguém na vida ou na morte. Para um jovem desempregado e ignorante, sem qualificação profissional nem futuro, sem dinheiro para casar e ter uma família, o Estado Islâmico oferece um salário de US$ 400 por mês, armas, mulheres e poder.

Mas o que motiva 30 mil jovens do resto do mundo a aderir ao Estado Islâmico?

Primeiro, o aventureirismo próprio dos jovens. Em segundo lugar, há o sonho de um paraíso ideológico onde o “verdadeiro Islã” seria praticado com rigor 24 horas por dia, uma sociedade modelar. Quem esteve lá, especialmente as mulheres, sofreu na carne a violência terrorista do Estado Islâmico.

Há um ensaio acadêmico feito por dois psicólogos do FBI publicado na revista Violence and Gender (Violência e Gênero) sobre os traumas de mulheres submetidas à escravidão sexual pelo Estado Islâmico, estupradas regularmente e vendidas por um cacho de bananas.

A revista Dabiq, a publicação em inglês do Estado Islâmico, justificou a escravidão sexual alegando que há um hádice (leis, ditos e histórias da vida de Maomé reunidas na Suna) que diz que “a redenção virá quando um herói nascer do ventre de uma escrava”. Assim, sem escravas sexuais, não haverá redentor.

Por fim, o terceiro motiva que leva os jovens a aderir ao terrorismo é o desejo de matar, o mais primitivo dos instintos animais.

O Estado Islâmico é uma seita milenarista que sonha com uma batalha épica contra os cruzados na cidade de Dabiq, no Norte da Síria. Por isso, tenta atrair o Ocidente para sua guerra. Os diferentes interesses dos países vizinhos que alimentam o conflito na Síria não permitem uma união para derrotar os jihadistas.

CRISE DO PETRÓLEO
Nossa primeira sensação, aqui à distância, é imaginar que não passa de um bando de fanáticos matando uns aos outros. Mas a história econômica do Brasil nos lembra que foi uma guerra no Oriente Médio, a Guerra do Yom Kippur, que levou ao boicote árabe à venda de petróleo ao Ocidente, em 1973, que causou a primeira crise do petróleo.

O barril custava 2, 3 dólares. Eu botava cinco cruzeiros num fusquinha com os amigos e rodava a noite inteira. O barril logo subiu para US$ 12 e o modelo econômico da ditadura militar, baseado em energia e mão de obra baratas, afundou.

A taxa de crescimento tinha chegado a 14% ao ano “milagre econômica” da ditadura militar. Com a alta no petróleo, o Brasil enfrentou inflação e crise na balança de pagamentos que se acumularam até a crise da dívida em 1982. Caiu a ditadura em 1985, Sarney decretou a moratória em 1987 e a inflação só caiu com o Plano Real, a partir de 1994. Mas o Brasil nunca mais retomou a média do crescimento histórico do pós-guerra, de 7% a 8% ao ano.

Cada guerra no Oriente Médio pesava no bolso na hora de encher o tanque. Hoje o petróleo está em queda livre. É um sinal de fraqueza da economia mundial. Há um excesso de oferta, com graves prejuízos aos países dependentes das exportações.

OPORTUNIDADES
Voltando à globalização, os países que mais crescem e se desenvolvem no mundo são aqueles que aproveitam as oportunidades oferecidas pela economia internacional: Japão, Coreia do Sul, China, Cingapura.

O capitalismo venceu a Guerra Fria e a questão é se queremos ou não capital estrangeiro. A experiência desses países mostra que o capital estrangeiro é útil na estrada para o desenvolvimento.

A globalização cria tremendas oportunidades, mas ao mesmo tempo traz riscos para setores obsoletos e para os empregos, ameaçados pela corrida tecnológica e pela desterritorialização. Nos EUA, robôs e computadores vão acabar com 47% dos empregos existentes hoje. Para ser competitivo, é preciso usar a última tecnologia, o que significa substituir homens por máquinas.

A globalização nos deu Elvis Presley, os Beatles e os Rolling Sones, mas traz a crise financeira internacional, a zika e a ameaça do Estado Islâmico.

SUBCLASSE
O maior problema da globalização e o maior risco para a segurança hoje é o surgimento de uma subclasse social de excluídos, de pessoas inempregáveis por falta de educação e qualificação. É dessa massa de deserdados que se aproveitam as organizações criminosas para recrutar soldados do tráfico e o Estado Islâmico para recrutar voluntários para o martírio. É essa turma que assalta e mata.

O grande centro de radicalização de muçulmanos na França hoje não é mais a mesquita. É a prisão.

A inclusão social de culturas estrangeiras é outro desafio do mundo globalizado. Para terminar com uma nota otimista, neste sentido, o Brasil sempre recebeu estrangeiros e deu oportunidades, com muita luta.

Muitos de vocês provavelmente tem sobrenomes italianos, alemães, poloneses, espanhóis, portugueses, podem ter origem africana ou asiática... mas somos todos brasileiros e se houver estrangeiros, vocês são brasileiros honorários enquanto morarem aqui. Vocês venceram. Bem-vindos à universidade.

* (Aula inaugural proferida em 2 de março de 2016 na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

domingo, 31 de janeiro de 2016

Ataque terrorista do Estado Islâmico mata 45 pessoas em Damasco

Acuado nos campos de batalha do Oriente Médio, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante recorre mais uma vez ao terrorismo para mostrar que está na luta. Pelo menos 45 pessoas foram mortas e 110 saíram feridas de um ataque com carro-bomba e dois terroristas suicidas perto da mesquita xiita de Saidah Zaynab, em Damasco,  noticiou a agência Reuters.

O Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque. A área densamente povoada do Sul da capital da Síria é um local de peregrinação de muçulmanos xiitas do Líbano, Irã e outros países do Oriente Médio. Uma das estratégias do EI é atacar os muçulmanos xiitas para deflagrar um conflito sectário e se apresentar como defensor do sunismo.

Um repórter da televisão pública britânica BBC disse que o alvo poderia ser um alojamento de soldados do Exército da Síria.

As explosões acontecem no momento em que as Nações Unidas iniciam negociações em Genebra, na Suíça, para tentar acabar com a guerra civil na Síria, que matou mais de 250 mil pessoas nos últimos quatro anos e dez meses.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Terrorista mata três em ataque a mesquita xiita na Arábia Saudita

Um terrorista matou a tiros pelo menos três pessoas e feriu várias outras ao atacar uma mesquita xiita na Província Oriental da Arábia Saudita, rica em petróleo, onde vive a maioria dos xiitas sauditas, informou a televisão árabe Al Jazira.

Os fiéis presentes atacaram o atirador, impedindo-o de detonar um cinturão de explosivos. A mesquita fica na cidade de Mahassen, na região de Ahsa.

A tensão entre sunitas e xiitas aumentou na província com a execução pela monarquia saudita de um clérigo xiita, Nimir al-Nimir, o que provocou fortes protestos do Irã e um ataque à embaixada saudita em Teerã.

Nesta disputa entre a Arábia Saudita sunita e o Irã sunita pela liderança regional no Oriente Médio, o regime iraniano usa os xiitas da Província Oriental para desestabilizar a estratégia de segurança da monarquia saudita, enquanto a organização terrorista sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante aproveita para atacar xiitas para fomentar o conflito sectário.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Deputados sunitas boicotam governo e parlamento do Iraque

O Parlamento do Iraque suspendeu a sessão hoje depois que os deputados e ministros sunitas decidiram boicotar as reuniões do governo e do Poder Legislativo em protesto contra a violência contra a minoria sunita no Leste do país, noticiou a agência Reuters.

Um atentado terrorista suicida cometido pela milícia sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade de Mikdadia em 11 de janeiro deflagrou uma onda de violência sectária com retaliações de milícias xiitas contra mesquitas e civis.

A alienação da minoria sunita pelo governo central de maioria xiita em Bagdá é uma das razões do sucesso do Estado Islâmico em ocupar vastas regiões do Iraque.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Arábia Saudita rompe relações com Irã após executar clérigo xiita

A Arábia Saudita anunciou ontem o rompimento de relações diplomáticas com o Irã, depois que manifestantes atacaram a embaixada saudita em Teerã em protesto contra a execução do clérigo Nimr al-Nimr e outros ativistas xiitas condenados por "terrorismo".

Hoje o o Bahrein e o Sudão romperam com o Irã em apoio à posição saudita.

A execução de 47 pessoas "só aumenta as manchas da problemática relação saudita com os direitos humanos", deplorou Sarah Leah, diretora de Oriente Médio da organização não governamental americana Human Rights Watch. A Anistia Internacional também condenou as execuções, acusando a Arábia Saudita de "usar o antiterrorismo para resolver diferenças políticas".

Nunca a monarquia petroleira da Arábia Saudita, sunita, e a República Islâmica do Irã, xiita, estiveram tão perto de uma guerra capaz de conflagrar o Oriente Médio.