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sábado, 28 de setembro de 2024

Israel usa 83 toneladas de bombas para matar líder do Hesbolá

Um bombardeio maciço de 83 toneladas de bombas contra o quartel-general da milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), no bairro de Dahiya, no Sul de Beirute, a capital do Líbano, matou ontem o líder da organização, xeique Hassan Nasrallah, mas a notícia só foi confirmada hoje.

Israel declarou que o chefe do Comando Sul do Hesbolá, o comandante da Força Quds, braço da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, no Líbano e na Síria, e o subcomandante da guarda iraniana também foram mortos. Com medo de ser o próximo alvo, o Supremo Líder Espiritual da República Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei foi levado para um lugar seguro.

O Hesbolá nasceu em 1982 como uma reação à invasão israelense ao Líbano naquele ano. Com uma onda de atentados terroristas suicidas, conseguiu forçar a retirada de Israel em 1985, menos do Sul do país, onde o Estado judeu apostou numa milícia cristã aliada, o Exército do Sul do Líbano, para controlar a região da fronteira. Este exército foi derrotado pelo Hesbolá em 2000.

Depois de uma invasão de milicianos do Hesbolá com o sequestro de dois israelenses, em 12 de julho de 2006, Israel entra em guerra com a milícia xiita. O conflito vai até 14 de agosto. Foi a sexta guerra árabe-israelense e a segunda entre Israel e o Líbano. Pelo menos 731 milicianos e 1.191 civis libaneses e 121 soldados e 44 civis israelenses morreram.

A tensão na fronteira entre o Sul do Líbano e o Norte de Israel era constante e se agravou com a guerra na Faixa de Gaza, levando a uma escalada da violência depois que uma explosão de equipamentos de comunicação sabotados por Israel matou vários membros do Hesbolá. A milícia xiita libanesa disparou um míssil contra Telavive. Isto teria levado à decisão de bombardear o QG do grupo em Beirute.

Nasrallah tinha 64 anos. Era secretário-geral do Hesbolá desde 1992, quando seu predecessor, Abbas al- Musawi, foi morto por um bombardeio israelense.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

 TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985,  é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, quando saía de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidente, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais 1 milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controlava a região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos foram mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Em outubro de 2022, o Conselho de Segurança a prorrogou até 31 de outubro de 2023. No momento, uma seca causa escassez de alimentos e fome no Quênia, na Etiópia e da Somália.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

 TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americana Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985,  é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Duas explosões matam 178 pessoas e ferem 6 mil em Beirute

Uma pequena explosão seguida de outra muito maior na área portuária abalou hoje a capital do Líbano com a força de um terremoto. Pelo menos 178 pessoas morreram e mais de 6 mil saíram feridas, anunciou o Ministério da Saúde. Cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas. É a maior tragédia desde a Guerra Civil (1975-90) num país marcado pela tragédia.

No local da explosão, havia um depósito de 2.750 toneladas do explosivo nitrato de amônia confiscado pelo Exército estocado há mais de seis anos numa área central da cidade. É um fertilizante que explode com o calor. Um incêndio numa área próxima do porto teria causado a detonação. O choque foi sentido a 240 quilômetros de distância na ilha de Chipre.

O primeiro-ministro Hassan Diab, um muçulmano sunita, prometeu punir os responsáveis "sejam quem forem". Israel, que considera a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) um de seus maiores inimigos, negou qualquer participação nas explosões e ofereceu ajuda humanitária. Não há indícios de ação terrorista.

O presidente cristão Michel Aoun decretou estado de emergência por duas semanas. A Arábia Saudita observa os acontecimentos com "grande preocupação". A França, antiga potência colonial, enviou ajuda de emergência, anunciou o presidente Emmanuel Macron.

A nova tragédia acontece num momento em que o país está falido, com dívida pública de 150% do produto interno bruto, que elevou o desemprego para 25% e jogou um terço da população na miséria, deflagrando uma onda de manifestações desde outubro do ano passado contra a corrupção generalizada e a incompetência política.

Esta crise econômica tem origem na Guerra Civil. Nos anos 1960, o Líbano era chamado de Suíça do Oriente Médio e suas praias no Leste do Mediterrâneo uma atração turística anunciada nas agências de viagem do Brasil.

Depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém, e a Faixa de Gaza, houve uma grande fuga de refugiados palestinos para os países vizinhos, entre eles a Jordânia e o Líbano.

Com a grande repressão do Setembro Negro na Jordânia, uma tentativa da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) de tomar o poder no país em 1970, quando morreram 3,4 mil palestinos e 537 soldados do Exército jordaniano, mais palestinos fugiram para o Líbano.

A diáspora palestina rompeu o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos no Líbano, provocando a Guerra Civil, na qual a Síria interveio em 1976. A Guerra Fria também pesou, com os cristãos se aliando ao Ocidente e os muçulmanos a países árabes aliados da União Soviética. Cerca de 120 mil pessoas foram mortas no conflito.

Vários líderes foram assassinados durante o conflito, como o presidente cristão Bachir Gemayel, em 1982, e o primeiro-ministro muçulmano sunita Rachid Karame, em 1987. Por um acordo quando o país se tornou independente da França, em 1943, o poder é dividido entre os grupos religiosos. O presidente é cristão maronita, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento, muçulmano xiita.

Tal divisão do poder é outro motivo para a crise política permanente que assola o país. Em 1982, Israel invadiu o Líbano sob o pretexto de acabar com os ataques terroristas lançados pela OLP a partir do território libanês. Em 18 de setembro de 1982, falangistas cristãos apoiados por Israel invadiram os acampamentos de refugiados de Sabra e Chatila, em Beirute, matando pelo menos 1,2 mil palestinos.

Os Estados Unidos e a França intervieram no Líbano para tentar acabar com a Guerra Civil. Em 18 de abril de 1983, um atentado à embaixada americana em Beirute causou mais de 60 mortes. Em 23 de outubro do mesmo ano, duas explosões de caminhões-bomba destruíram os quartéis-generais das potências ocidentais, matando 307 soldados, inclusive 241 fuzileiros navais americanos.

Esses atentados foram atribuídos ao Hesbolá, criado em 1982 no Vale do Becá, um reduto xiita, sob a orientação do Irã e da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1979, principalmente para combater a invasão israelense. As forças dos dois países ocidentais deixaram o Líbano.

Israel se retirou em 1985 para uma "faixa de segurança" no Sul do Líbano, de onde saiu em 24 de maio de 2000.

Depois da Guerra Civil, o governo tentou reconstruir o país com dinheiro dos libaneses residentes no exterior, na base de juros altos e câmbio fixo, com a lira libanesa atrelada ao dólar. Quando a dolarização entrou em colapso, a exemplo do aconteceu com a Argentina em 2001, a economia libanesa afundou numa crise não superada até hoje.

A destruição do porto de Beirute, por onde entravam 80% das importações do Líbano, agrava ainda mais a situação. O país importa 40% dos alimentos que consome e a desvalorização da lira libanesa tornou a comida cara demais para muita gente.

O Exército da Síria deixou o país em 2005, depois do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, o homem mais rico do Líbano, num atentado a bomba com uma tonelada de explosivos em que 22 pessoas morreram ao todo.

A milícia do Hesbolá foi acusada pela morte de Hariri. O Tribunal Especial para o Líbano anunciaria a sentença do julgamento na próxima sexta-feira. Adiou para 18 de agosto. O nitrato de amônia é um explosivo usado nos atentados do grupo terrorista. Foi confiscado de navios e estava armazenado no porto de Beirute.

Em 12 de junho de 2006, depois de sequestro de soldados israelenses ao longo da fronteira e de um ataque de foguetes do Hesbolá a posições militares israelenses, Israel iniciou uma guerra que durou até 14 de agosto daquele ano e destruiu mais uma vez a infraestrutura do Líbano. Cerca de 1,2 mil civis libaneses, dois quais pelo menos 250 eram milicianos do Hesbolá, 121 militares israelenses e 43 soldados do Exército do Líbano foram mortos.

Durante a Guerra Civil Síria, deflagrada pela ditadura de Bachar Assad em resposta às manifestações de protesto da chamada Primavera Árabe, em março de 2011, o Hesbolá, financiado, treinado e armado pelo Irã, foi a principal força terrestre aliada do Exército sírio. Pelo menos 400 mil pessoas morreram no conflito, que ainda não acabou. O Líbano, um país de 6,85 milhões de habitantes, recebeu 1,1 milhão de refugiados sírios, mais do que a Alemanha.

Um aspecto importante da tragédia libanesa é o envolvimento do país nas disputas de poder entre grandes potências e as potências regionais. Em dezembro de 2017, durante visita à Arábia Saudita, o então primeiro-ministro Saad Hariri, filho de Rafik Hariri, foi obrigado pelo príncipe Mohamed ben Salman, o homem-forte da monarquia absolutista saudita, a fazer uma declaração de renúncia na televisão responsabilizando o Irã.

Desde o início da guerra síria, Israel bombardeou a Síria mais de 100 vezes para atacar posições do Hesbolá e do Irã, carregamentos de armas e arsenais da milícia libanesa. Em 27 de julho deste ano, na semana passada, o governo israelense anunciou ter impedido uma tentativa de infiltração de militantes do Hesbolá em seu território.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Iraque e Líbano se rebelam contra sectarismo religioso

Além da estagnação econômica, da miséria e do desemprego, as manifestações de protestos das últimas semanas em países árabes querem mudar sistemas constitucionais que institucionalizam o sectarismo religioso.

No Iraque, as manifestações de massa das últimas semanas partiram principalmente da classe operária num país onde um quarto da população vive na miséria. No Líbano, os protestos começaram pela classe média alta. No centro de Beirute na semana passada, havia mulheres com óculos e roupas de grife. 

Apesar deste contraste evidente, há algo em comum além da questão econômica. O Iraque e o Líbano enfrentam a paralisia, a corrupção e a incompetência de sistemas políticos que dividem o poder entre os principais grupos étnico-religiosos, observa um artigo de Anchal Vohra na revista Foreign Policy.

Os protestos no Líbano começaram em dezembro do ano passado. Com a paralisia do sistema político, o país estava sem governo enquanto as condições de vida da população pioravam. Faltam empregos, faltam 100 milhões de empregos nos países árabes, os cortes de energia elétrica são frequentes e a dívida pública chegou a 150% do produto interno bruto. Proporcionalmente, é a terceira maior do mundo. O Líbano está falido.

Desde que tomou posse, o atual primeiro-ministro, o sunita Saad Hariri, tentou cortar gastos, mas recuou diante de greves. Quando o governo anunciou a cobrança de impostos pelo uso do WhatsApp, uma multidão de até 1 milhão de pessoas, um sexto da população total do Líbano, saiu às ruas.Meu comentário:

domingo, 1 de setembro de 2019

Hesbolá dispara mísseis contra base militar do Norte de Israel

A milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) reivindicou a autoria de um ataque de mísseis disparados do Sul do Líbano contra um quartel da Forças de Defesa de Israel (FDI) e uma ambulância militar por volta das 16h pela hora local (10h em Brasília). Foi uma retaliação a um ataque de drones contra alvos do Hesbolá em Beirute, a capital libanesa, uma semana atrás. Ninguém saiu ferido.

Em resposta, Israel disparou mais de cem tiros de artilharia pesada e fez um bombardeio aéreo contra a célula do grupo terrorista de onde partiu o ataque. Quem mora até uma distância de quatro quilômetros da fronteira recebeu a orientação governo israelense de ficar em casa. Os abrigos antiaéreos foram abertos.

As FDI estão de prontidão para realizar novas ações defensivas ou ofensivas. O comandante da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) entrou em contato com as duas partes pedindo que se contenham.

Mais cedo, o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, advertiu que "o Líbano vai pagar o preço" por permitir ataques partindo de seu território e afirmou que "o Estado de Israel está pronto para qualquer eventualidade."

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, adversário político do Hesbolá, apelou aos Estados Unidos e à França para que evitem uma escalada militar na fronteira.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Primeiro-ministro Saad Hariri volta ao Líbano e suspende demissão

Dezoito dias depois de anunciar sua demissão pela TV na Arábia Saudita denunciando tentativas de assassinato, o primeiro-ministro Saad Hariri anunciou hoje que suspende sua decisão para discutir o futuro do Líbano com outros líderes políticos.

Hariri voltou ontem a Beirute para participar hoje das comemorações da independência do Líbano, em 1943. A percepção no Líbano é que ele pediu demissão a pedido do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, para pressionar a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, armada e treinada pelo Irã.

A demissão aumentou a tensão no Líbano, apesar da luta constante do país para não ser contaminado pela guerra civil na vizinha Síria. O líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, e seu aliado, o presidente Michel Aoun, acusaram o regime saudita de sequestrá-lo.

Antes de voltar, Saad Hariri foi à França, a antiga potência colonial, e ao Egito.

Por um acordo para a divisão do poder no Líbano, o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Atentados terroristas no Líbano têm a marca do Estado Islâmico

Dois atentados terroristas suicidas mataram pelo menos 43 pessoas e feriram outras 200 hoje numa área de maioria xiita no Sul de Beirute, a capital do Líbano. Nenhum grupo reivindicou a autoria das ações. A maior suspeita recai sobre o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seguido de outras milícias extremistas sunitas envolvidas na guerra civil na vizinha Síria.

Eram cerca de seis da tarde pela hora local (14h em Brasília) quando um homem detonou os explosivos que trazia sob as roupas diante de um centro comercial. O segundo homem-bomba se detonou sete minutos depois, quando o local estava cheio de gente que socorria os feridos na primeira explosão. Um terceiro terrorista cuja bomba não explodiu teria sido detido e confessado pertencer ao Estado Islâmico.

O Sul de Beirute é a base da milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que luta ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria com apoio financeiro e militar do Irã. Em janeiro deste ano, a Frente al-Nusra, braço da Al Caeda no conflito sírio, cometeu atentados que deixaram nove mortos e 35 feridos na capital libanesa.

É parte da estratégia do Estado Islâmico fomentar o conflito sectário entre sunitas e xiitas para se apresentar como defensor legítimo do sunismo e do que considera o verdadeiro Islã. O grupo faz isso há uma década no Iraque, desde quando se chamava Al Caeda no Iraque e Estado Islâmico do Iraque.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Bomba contra alvo do Irã mata dois em Beirute

Duas pessoas morreram e outras dez saíram feridas com a explosão de uma bomba diante da sede a Agência de Notícias República Islâmica (IRNA, do inglês) em Beirute, no Líbano. A agência ficou sem energia elétrica e conexão com a Internet.

As Brigadas Abdullah Azzam, um grupo extremista muçulmano ligado à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a autoria do atentado e ameaçou continuar atacando até que a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), apoiada pelo regime fundamentalista iraniano, retire suas forças da guerra civil na Síria.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ataque a Embaixada do Irã mata 23 no Líbano

Duas explosões que tiveram como alvo a Embaixada do Irã no Líbano mataram pelo menos 23 pessoas, inclusive o adido cultural iraniano em Beirute, hodjatoleslã Ebrahim Ansari, informou hoje a Agência de Notícias República Islâmica (ANRI). Outras 146 pessoas saíram feridas.

Foi o terceiro atentado contra alvos xiitas em Beirute desde junho. O primeiro terrorista suicida chegou de moto e detonou os explosivos que trazia junto ao corpo diante do portão principal da embaixada iraniana às 9h42, uma hora de grande movimento. A segunda explosão, de uma caminhonete Renault Rapid, muito mais forte, de uma bomba de cerca de 50 quilos, ocorreu há 50 metros de distância.

As Brigadas Abdullah Azzam, um grupo jihadista sunita à rede terrorista Al Caeda, reivindicaram a autoria do ataque realizado por dois homens-bomba em protesto contra a intervenção do Irã e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), sua aliada, na guerra civil na Síria. Os jihadistas exigem a retirada do Hesbolá do Líbano.

Na prática, o atentando deve aumentar a determinação do Irã e da ditadura de Bachar Assad de controlar a região estratégica de Calamum, na Síria. Neste momento, uma ofensiva do Hesbolá com apoio iraniano prejudicaria as negociações do Irã com os Estados Unidos e os outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas para desarmar o programa nuclear do país.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

CIA avisa Hesbolá de ataque d'al Caeda

A rede terrorista Al Caeda planeja uma série de atentados terrorista contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) em resposta à sua intervenção na guerra civil da Síria ao lado da ditadura de Bachar Assad. O estranho é que o alerta tenha vindo da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos.

Oficialmente, os funcionários do governo dos EUA estão proibidos de manter contato direto com o Hesbolá, considerado uma organização terrorista pelo Departamento de Estado americano. A informação foi passada pelo chefe do escritório da CIA em Beirute aos serviços secretos libaneses na expectativa de que chegasse à milícia xiita.

Com a interceptação de ligações telefônicas, a CIA conseguiu mapear as células d'al Caeda ao longo da fronteira com o Líbano do lado sírio e até mesmo em Beirute, pintando um quadro ao mesmo tempo realista e assustador, revela a empresa jornalísta McClatchy Newspapers, editora do jornal The Miami Herald.

Na Síria, um dos grupos jihadistas mais ativos na luta contra o governo Assad é a Frente al-Nusra, que sofreu grandes perdas com a derrota dos rebeldes na Batalha de Kussair, uma cidade estratégica junto à fronteira do Líbano.

Quando um carro-bomba explodiu num bairro xiita do Sul de Beirute controlado pelo Hesbolá, em 9 de julho de 2013, a ação foi vista como uma resposta dos grupos jihadistas sunitas derrotados em Kussair, onde a intervenção da milícia libanesa foi decisiva. A julgar pelo alerta da CIA, não será um ato isolado.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Hesbolá é alvo de ataque por atuação na Síria

Em mais um sinal de que a guerra civil na Síria está atingindo o Líbano, um carro-bomba explodiu hoje num bairro do Sul de Beirute dominado pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que participa diretamente da luta ao lado da ditadura de Bachar Assad. Mais de 50 pessoas saíram feridas.

Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado. A opinião generalizada é que se trata de uma reação ao envolvimento cada vez maior do Hesbolá na guerra civil síria. Depois de perder a Batalha de Kussair, o Exército da Síria Livre, principal grupo rebelde do país, prometeu se vingar da milícia xiita libanesa.

A bomba de hoje tinha cerca de 35 quilos de explosivos. Estava dentro de um carro parado num estacionamento. Em 26 de maio de 2013, dois foguetes foram disparados contra o Sul da capital libanesa, uma área pobre da maioria xiita dominada pelo Hesbolá.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Hesbolá reabre acesso ao aeroporto de Beirute

Um acordo negociado pela Liga Árabe entre o governo e a oposição do Líbano permitiu hoje a reabertura dos caminhos de acesso ao aeroporto de Beirute, bloqueados há oito dias pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá.

O governo recuou, atendendo às exigências do mais poderoso exército privado libanês. A milícia xiita mantém sua rede de telecomunicações particular e a chefia da segurança do aeroporto da capital do Líbano.

Em troca, todas as milícias devem sair das ruas, a serem ocupadas pelo Exército do Líbano.

Imediatamente, retroescavadeiras começaram a remover montanhas de areia que bloqueavam as estradas e avenidas de acesso ao aeroporto.

sábado, 10 de maio de 2008

Hesbolá se retira de Beirute

A milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) se retirou hoje do setor oeste de Beirute, ocupado em seguida pelo Exército do Líbano, depois de um conflito de três dias entre partidários do governo e da oposição que terminou com pelo menos 37 mortes. Mas deixou claro que pode voltar quando quiser.

O conflito começou há quatro dias, quando o governo mandou desmantelar o sistema de telecomunicações do Hesbolá e mudar o chefe de segurança do aeroporto do capital libanesa, dois atos considerados uma declaração de guerra pelo líder da milícia, xeque Hassan Nasrallah.

Agora, a oposição muçulmana liderada pelo Hesbolá e apoiada pela Síria e pelo Irã promete manter uma campanha de "desobediência civil" como tática para pressionar o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora a pedir demissão.

Esse impasse entre governo e oposição já dura um ano e meio. Há seis, o Líbano não tem presidente. O governo e a oposição não se entendem para eleger um novo chefe de Estado indiretamente no Parlamento.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Morre homem que expulsou os EUA do Líbano

A explosão de uma bomba em seu carro matou em Damasco, na Síria, nesta quarta-feira Imad Mughnia, o mais procurado dos comandantes da milícia fundamentalista libanesa Hesbolá, o Partido de Deus xiita.

Entre outros atentados terroristas, Mughnia era acusado de ser o responsável pela expulsão dos Estados Unidos do Líbano em 1983, acabando com uma intervenção militar na guerra civil libanesa ordenada pelo então presidente Ronald Reagan.

Um caminhão-bomba enviado por ele destruiu o quartel-general dos fuzileiros navais americanos em Beirute, matando 241 soldados americanos. Reagan chamou os sobreviventes de volta para casa.

Também atacou a Legião Estrangeira da França, matando 58 militares. E a França caiu fora.

Foi denunciado pela Argentina pelos atentados contra a embaixada israelense em Buenos Aires, matando 29 pessoas em 1992, e contra AMIA, a sociedade israelita argentina, que deixou 84 mortos, em 1994.

Seus partidários o descreveram como mártir e acusaram Israel. Em entrevista, um ex-diretor do Mossad, o serviço secretro israelense, que virou deputado declarou que esse é um bom dia para a humanidade.

As maiores suspeitas recaem sobre o Mossad. Mughnia estava na lista. Um dia foi encontrado e executado. O assassinato seletivo é uma das técnicas usadas por Israel na guerra contra seus inimigos árabes.

O assassinato político é uma das formas de terrorismo ou intimidação. As principais formas de ação terrorista são o assassinato seletivo, o seqüestro e a explosão de bombas, o assassinato em massa. Mas a questão central é a legitimidade do alvo.

Atacar o quartel-general de uma força de intervenção estrangeira pode ser considerado um ato de guerra legítimo, de autodefesa. Mas atentados contra transportes públicos, bares e restaurantes e quaisquer civis inocentes são claramente contrários a qualquer princípio de direito. É o terror.

Mughnia era um guerreiro feroz e morre como herói. Usava o terror como arma e ontem chegou sua vez.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Deputado anti-Síria é morto no Líbano

O deputado Walid Eido, que lutava contra a influência Síria no Líbano, foi assassinado hoje em Beirute junto com seu filho Khaled e outras oito pessoas por um carro-bomba jogado que explodiu durante a passagem de sua comitiva perto da beira-mar na capital libanesa.

Eido fazia parte do movimento 14 de março, criado em 2005 para lutar contra a presença militar síria no Líbano depois do assassinato, em condições semelhantes, do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, em 14 de fevereiro de 2005.

O primeiro-ministro pró-ocidental Fouad Siniora decretou luto oficial no país. A morte aumenta ainda mais a tensão no Líbano, onde o Exército enfrenta há semanas um grupo fundamentalista palestino, Fatah al-Islam, num campo de refugiado na cidade de Trípoli.

Leia mais no jornal libanês Daily Star.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

ONU aprova tribunal para julgar morte de Hariri

Por 10 a 0, com cinco notáveis abstenções, inclusive da Rússia e da China, que têm direito de veto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou ontem a criação de um tribunal internacional para julgar os acusados pelo assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, morto em Beirute em 14 de fevereiro de 2005. As principais suspeitas recaem sobre agentes sírios.

O problema é que o tribunal ameaça dividir ainda mais a sociedade libanesa. A oposição, liderada pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), apoiada pela Síria, denuncia a Resolução 1.757 como "uma violação da soberania nacional". Representantes do governo pró-ocidental do Líbano observaram que a oposição da Síria à instalação do tribunal é um indício a mais do envolvimento sírio.

A resolução foi baseada no capítulo 7 da Carta da ONU, que permite a aplicação de sanções e até o uso da força. Pelas regras do Conselho de Segurança, para ser aprovada, uma resolução precisa dos votos de pelo menos nove dos 15 países-membros e de nenhum voto contrário das cinco grandes potências com poder de veto: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

Não houve nenhum voto contra mas cinco países se abstiveram e a resolução foi aprovada com apenas um voto além do mínimo necessário.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Siniora: solução pacífica exige fim do Fatah al-Islam

A solução pacífica da crise no campo de refugiados de Nahr al-Bared, em Trípoli, no Norte do Líbano, exige a erradicação do grupo armado Fatah al-Islam, afirmou o hoje o primeiro-ministro Fouad Siniora. Seus integrantes precisam se render e enfrentar a Justiça, disse ele. Isto é altamente improvável.

Durante um encontro com embaixadores em Beirute de países árabes e das potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidos, Siniora defendeu a ofensiva contra os militantes fundamentalistas, dizendo que o Exército "é plenamente apoiado por toda a população, continua sendo a única entidade com o direito de usar a força legitimamente, como último recurso, na defesa de segurança de seus cidadãos".

"O Líbano não será uma terra sem lei, de impunidade", acrescentou o primeiro-ministro. "Seremos firmes para que nosso país continue sendo uma terra de liberdade, soberania e estabilidade. Estamos combatendo terroristas para proteger o Líbano e a segurança de todos os que vivem aqui".

Na sua opinião, "esta não é uma guerra entre o Líbano e os palestinos, uma guerra lançada tanto contra libaneses quanto palestinos. Os povos libanês e palestinos são vítimas dos atos maliciosos e da ideologia da Fatah al-Islam, que não tem nada a ver nem com o Islã nem com a Palestina".