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domingo, 14 de abril de 2024

Irã contra-ataca Israel com mais de 300 drones e mísseis

Em resposta ao bombardeio ao Consulado Iraniano em Damasco, na Síria, em 1º de abril, o Irã disparou neste sábado mais de 300 drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro contra o território israelense. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que 99% foram abatidos. Só há notícia de uma pessoa gravemente ferida, uma criança de 7 anos.

É o primeiro ataque direto do território iraniano contra Israel. Pode transformar a guerra indireta entre os dois países que vem desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979 numa guerra aberta capaz de atrair os Estados Unidos e levar a uma conflagração geral no Oriente Médio com forte impacto sobre a economia mundial.

Nem os EUA nem o Irã tem interesse numa guerra direta que abalaria as chances de reeleição do presidente Joe Biden e colocaria um risco a ditadura teocrática dos aiatolás e da Guarda Revolucionária Iraniana. 

A missão do Irã nas Nações Unidas anunciou o fim do ataque na noite de ontem pelo horário de Brasília, mas, com certeza, Israel vai retaliar. O objetivo é restaurar a dissuasão e evitar novos ataques. Os possíveis alvos são milícias aliadas ao Irã no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen e o território iraniano

O governo israelense decide neste domingo sua próxima ação. Como o território de Israel foi atacado, o novo ataque tende a incluir o território iraniano. Se for maximalista, ataca as instalações nucleares do Irã, já que uma bomba atômica iraniana é considerada hoje a maior ameaça à existência de Israel. Mesmo que não seja, há o risco de uma escalada no conflito rumo a uma guerra que possivelmente envolveria os EUA.

Leia mais em Quarentena News ou veja no meu canal no YouTube.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

EUA e Reino Unido voltam a bombardear hutis no Iêmen

Os Estados Unidos e o Reino Unido bombardeiam mais de 30 alvos da milícia xiita zaidita huti Ansar Alá (Partidários de Deus) em território do Iêmen um dia depois que os EUA atacaram 85 alvos da Guarda Revolucionária Iraniana e milícias aliadas no Iraque e na Síria. 

Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mantém a disposição de negociar uma trégua para a troca de reféns por presos palestinos. Israel exige a libertação de todos os reféns de uma vez só. O Hamas não cede. Quer um cessar-fogo definitivo, o fim da guerra e a retirada total de Israel da Faixa de Gaza.

Mais de 120 palestinos foram mortos em Gaza em 24 horas, elevando o total de palestinos mortos no território para 27.635. O Exército de Israel avança para Rafá, no extremo sul do território palestino, na fronteira com o Egito.

Aos gritos de “você é o responsável pelo 7 de outubro”, manifestantes pediram neste fim de semana em várias cidades de Israel a libertação dos reféns e a queda do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

EUA e Reino Unido bombardeiam hutis no Iêmen

Em resposta a 27 ataques à navegação no Mar Vermelho nos últimos dois meses, os Estados Unidos e o Reino Unido bombardearam mais de 10 alvos da milícia huti, apoiada pelo Irã na guerra civil iemenita. Foi o primeiro ataque aos hutis em território do Iêmen desde o início da guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

O presidente Joe Biden justificou o bombardeio aos hutis sob o argumento de que ameaçam militares dos EUA e aliados e marinheiros civis, põem em risco a liberdade de navegação e prejudicam o comércio. 

No Reino Unido, a oposição trabalhista apoiou o ataque, mas o Partido Liberal-Democrata cobrou uma declaração do primeiro-ministro Rishi Sunak e alegou que os aliados árabes como o Egito e a Arábia Saudita deveriam ter sido consultado.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução proposta pelos EUA condenando os ataques à navegação comercial e exigindo a suspensão imediata. 

Os EUA e o Reino Unido atacaram com aviões, navios e submarinos. Os alvos foram bases aéreas e navais, sistemas de defesa antiaérea como radares, arsenais e plataformas de lançamento de mísseis e drones na capital, Saná, e Dhamar, Hodeida, Saada, Taís e Zabide. A ação militar teve o apoio de oito países: Alemanha, Austrália, Bahrein, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Holanda e Nova Zelândia. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 12 de Outubro

 COLOMBO DESCOBRE AMÉRICA

    Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa a Espanha, chega às ilhas Bahamas pensando estar na Índia e reivindica as terras para os reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participou das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 e descreveu o continente como Novo Mundo.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data é comemorada como Dia dos Povos Indígenas.

PRIMEIRA OKTOBERFEST

    Em 1810, o príncipe herdeiro da Baviera, futuro rei Luís I, casa com a princesa Therese von Sachsen Hildburghausen e a família real convida o povo de Munique para a festa, que inclui corridas de cavalos.

A comemoração é repetida no ano seguinte, dando origem à Oktoberfest, celebrada anualmente do fim de setembro ao primeiro domingo de outubro, com consumo anual estimado de 3,79 milhões de litros de cerveja.

Blumenau, em Santa Catarina, faz a maior Oktoberfest fora da Alemanha.

URSS LIDERA CORRIDA ESPACIAL

    Em 1964, depois de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik e de enviar o primeiro homem (Yuri Gagarin) e a primeira mulher ao espaço (Valentina Tereshkova), a União Soviética põe em órbita a primeira nave espacial, a Voshkod 1, com mais de uma pessoa a bordo: Vladimir Komarov, Konstantin Feoktistov e Boris Yegorov.

A missão dura dois dias e é a primeira realizada sem trajes espaciais. Komarov seria a primeira vítima da corrida espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas principal de amortecimento da queda da Soyuz 1 não abre e a nave se espatifa no solo.

TERROR CONTRA O USS COLE

    Em 2000, dois terroristas suicidas ligados à rede Al Caeda vão numa lancha de borracha até o navio norte-americano USS Cole, ancorado no porto de Áden, no Iêmen, e detonam uma bomba que mata 17 marinheiros e deixa outros 38 feridos.

O Cole para em Áden, na ponta sul da  Península Arábica, para reabastecer e voltar a patrulhar as sanções contra o Iraque de Saddam Hussein. Fica apenas quatro horas no porto, o que indica que os terroristas tinham informações precisas sobre o navio.

Os peritos norte-americanos que investigam o atentado buscam ligações dos terroristas com Ossama ben Ladeu, acusado pelos Estados Unidos pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, que mataram 224 pessoas, inclusive 22 norte-americanos.

INFERNO NO PARAÍSO

    Em 2002, um ano, um mês e um dia depois dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, três bombas abalam a paz da paradisíaca ilha de Báli, na Indonésia, matando 202 pessoas e ferindo outras 200.

A primeira explosão, de uma bomba de 1,2 mil quilos, é diante da boate Sari Club. Aparentemente, tem como alvo turistas australianos. A Austrália deu a maioria da força de paz que garantiu a independência do Timor Leste da Indonésia em 1999, despertando a ira dos extremistas muçulmanos.

Outra bomba, escondida numa mochila, explode num bar. A terceira é detonada diante do consulado norte-americano.

O grupo terrorista Jemaah Islamiah reivindica autoria das três explosões. O mesmo grupo ataca o Hotel Marriott em Jacarta, a capital indonésia, em 2003, a Embaixada da Austrália na Indonésia em 2004 e atentados terroristas suicidas contra três restaurantes de Báli em 1º de outubro de 2005, quando morrem 22 pessoas.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 12 de Outubro

 COLOMBO DESCOBRE AMÉRICA

    Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa a Espanha, chega às ilhas Bahamas pensando estar na Índia e reivindica as terras para os reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Colombo nasceu em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam depois das primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios - Santa Maria, Pinta e Niña - saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participou das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 e descreveu o continente como Novo Mundo.

ORIGEM DA OKTOBERFEST

    Em 1810, o príncipe herdeiro da Baviera, futuro rei Luís I, casa com a princesa Therese von Sachsen Hildburghausen e a família real convida o povo de Munique para a festa, que inclui corridas de cavalos.

A comemoração é repetida no ano seguinte, dando origem à Oktoberfest, celebrada anualmente do fim de setembro ao primeiro domingo de outubro, com consumo anual estimado de 3,79 milhões de litros de cerveja.

URSS LIDERA CORRIDA ESPACIAL

    Em 1964, depois de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik e de enviar o primeiro homem (Yuri Gagarin) e a primeira mulher ao espaço (Valentina Tereshkova), a União Soviética põe em órbita a primeira nave espacial, a Voshkod 1, com mais de uma pessoa a bordo: Vladimir Komarov, Konstantin Feoktistov e Boris Yegorov.

A missão dura dois dias e é a primeira realizada sem trajes espaciais. Komarov seria a primeira vítima da corrida espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas principal de amortecimento da queda da Soyuz 1 não abre e a nave se espatifa no solo.

TERROR CONTRA O USS COLE

    Em 2000, dois terroristas suicidas ligados à rede Al Caeda vão numa lancha de borracha até o navio norte-americano USS Cole, ancorado no porto de Áden, no Iêmen, e detonam uma bomba que mata 17 marinheiros e deixa outros 38 feridos.

O Cole para em Áden, na ponta sul da  Península Arábica, para reabastecer e voltar a patrulhar as sanções contra o Iraque de Saddam Hussein. Fica apenas quatro horas no porto, o que indica que os terroristas tinham informações precisas sobre o navio.

Os peritos norte-americanos que investigam o atentado buscam ligações dos terroristas com Ossama ben Ladeu, acusado pelos Estados Unidos pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, que mataram 224 pessoas, inclusive 22 norte-americanos.

INFERNO NO PARAÍSO

    Em 2002, um ano, um mês e um dia depois dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, três bombas abalam a paz da paradisíaca ilha de Báli, na Indonésia, matando 202 pessoas e ferindo outras 200.

A primeira explosão, de uma bomba de 1,2 mil quilos, é diante da boate Sari Club. Aparentemente, tem como alvo turistas australianos. A Austrália deu a maioria da força de paz que garantiu a independência do Timor Leste da Indonésia em 1999, despertando a ira dos extremistas muçulmanos.

Outra bomba, escondida numa mochila, explode num bar. A terceira é detonada diante do consulado norte-americano.

O grupo terrorista Jemaah Islamiah reivindica autoria das três explosões. O mesmo grupo ataca o Hotel Marriott em Jacarta, a capital indonésia, em 2003, a Embaixada da Austrália na Indonésia em 2004 e atentados terroristas suicidas contra três restaurantes de Báli em 1º de outubro de 2005, quando morrem 22 pessoas.

sábado, 22 de maio de 2021

Hoje na História do Mundo: 22 de maio

 Em 1455, as forças de York derrotaram o rei Henrique VI, da dinastia de Lancastre, em Saint Albans, a 32 quilômetros ao norte de Londres, na batalha que deu início à Guerra das Duas Rosas. O conflito entre as descendentes da Eduardo III durou 30 anos e terminou com a derrota de Ricardo III e a ascensão do trono de Henrique Tudor como Henrique VI, fundador da dinastia Tudor. É o marco do fim da Idade Média na Inglaterra.

Em 1859, nasce Sir Arthur Conan Doyle, escritor escocês que criou o personagem Sherlock Holmes, o detetive mais famoso da história da literatura, mestre na "ciência da dedução", um reflexo do cientificismo da era vitoriana.

Em 1917, com a fome e o descontentamento no Império Austro-Húngaro durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o primeiro-ministro húngaro Istvan Tisza pediu demissão a pedido do imperador austríaco Carlos I. Com a derrota na guerra, os impérios alemão, austro-húngaro, otomano (turco) e russo desapareceram.

Em 1939, a Alemanha de Adolf Hitler e a Itália de Benito Mussolini assinam o Pacto de Aço, formando o Eixo, que enfrentraria o aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-45). O Pacto de Amizade e Aliança entre Alemanha e Itália era uma aliança para garantir ajuda imediata e apoio militar em caso de guerra. Nenhuma parte poderia assinar um acordo de paz sem o consentimento da outra. Com a adesão do Japão, virou o Pacto Tripartite.

Em 1972, três meses depois de ir à República Popular da China, o presidente Richard Nixon chega a Moscou no início de uma visita histórica à União Soviética. Já havia visitado o país inimigo como vice-presidente no governo Dwight Eisenhower (1953-61). A détente (distensão) com os grandes países comunistas foi uma das maiores realizações do governo Nixon (1969-74). Permitiu a assinatura de um acordo de paz em 1973 para pôr fim à participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

Em 1990, depois de 150 anos separados, o Iêmen do Norte e o Iêmen do Sul se unificam e formam a República do Iêmen. Ali Abdullah Saleh, presidente norte-iemenita se tornou presidente do país, que governou até 2012, quando caiu na revolta da Primavera Árabe. Saleh apoiou os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, que tomaram a capital, Saná, em 21 de setembro de 2014, na guerra civil do Iêmen, um dos piores conflitos em andamento hoje no mundo. Em 25 de março de 2015, a Arábia Saudita e aliados entraram na guerra contra o Iêmen, mas não conseguiram obter uma vitória militar.

Em 2017, um atentado terrorista suicida no fim de um show da cantora americana Ariana Grande na Arena de Manchester, na Inglaterra, matou 22 pessoas e feriu outras 116. Foi o pior ataque terrorista no Reino Unido desde a explosão de bombas no sistema de transportes de Londres em 7 de julho de 2005, que matou 52 pessoas. O responsável foi Salman Abedi, de origem líbia. A milícia extremista Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

EUA matam líder da rede terrorista Al Caeda na Península Arábica

Os Estados Unidos anunciaram hoje a morte num ataque de drones no Iêmen do líder da rede Al Caeda na Península Arábica, Kassim al-Raymi. O grupo terrorista reivindicou no domingo a responsabilidade por um ataque a tiros na base aeronaval de Pensacola, na Flórida, em 6 de dezembro, quando um oficial da Força Aérea da Arábia Saudita matou três marinheiros americanos.

Para o Departamento da Defesa dos EUA, a rede na Península Arábica, com sede no Iêmen, é o ramo mais perigoso d'al Caeda. Por causa do aumento da repressão ao jihadismo na Arábia Saudita, há alguns anos seus líderes se refugiaram na vizinho Iêmen, aproveitando a guerra civil neste país.

"Sob a liderança de Raymi, Al Caeda cometeu atos de uma violência bárbara contra civis no Iêmen e tentou realizar e inspirar numerosos ataques contra os EUA e suas forças", declarou o presidente Donald Trump na Casa Branca. "Sua morte degrada ainda mais Al Caeda e seu movimento global, e nos deixa mais perto da eliminar a ameaça que estes grupos representam para nossa segurança nacional."

A alegação é falsa. O Departamento da Defesa acaba de reconhecer que a morte do líder do Estado Islâmico, Abu Baker al-Baghdadi, não reduziu em nada a capacidade militar de sua organização terrorista. Trump cantou vitória e retirou os soldados americanos da Síria, mas o Estado Islâmico ainda tem cerca de 30 mil milicianos no Iraque e na Síria.

Cerca de 850 sauditas estão entre os 5 mil militares estrangeiros em treinamento nos EUA.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Etiópia foi o país que mais cresceu nos anos 2010

Segundo país mais populoso da África, com 112 milhões de habitantes, atingido por uma fome em massa nos anos 1980, a Etiópia foi o país que mais cresceu na década. Desde 2009, o produto interno bruto etíope aumentou 146,7%, enquanto a renda por pessoa subiu 149%, noticiou o jornal inglês Financial Times.

A Etiópia é um dos países que dobrou sua produção e renda nesses dez anos, ao lado de gigantes como a China e a Índia e pequenos países. Em segundo lugar no ranking do crescimento ficou o Turcomenistão, seguido de Nauru, Mongólia, China, Laos, Índia, Ruanda, Gana e Camboja.

Sob guerras civis, a produção da Líbia caiu 71% e a do Iêmen 36%. Na Síria e na Venezuela, a situação é tão dramática que o Fundo Monetário Internacional (FMI) parou de coletar dados. A queda no PIB da Venezuela é estimada em pelo menos 50%.

A renda média também caiu na Grécia, na Guiné Equatorial, na República Centro-Africana, no Sudão, no Timor Leste e em Trinidad-Tobago.

Todos os países vencedores "têm ligações com a China ou adotaram o modelo de desenvolvimento chinês", observa Charles Robertson, economista do banco de investimentos Renaissance Capital, um fundo de investimento especializado em mercados emergentes.

É um modelo de desenvolvimento baseado em governos autoritários e grandes investimentos estatais em infraestrutura como estradas, aeroportos, geração e transmissão de energia, e na indústria manufatureira.

Com investimentos públicos de 40% do PIB, a Etiópia explorou o potencial hidrelétrico dos rios Nilo Azul e Omo. Também usa as barragens para irrigação e aumento da produção agrícola.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019, está fazendo reformas liberais e privatizações para atrair capital estrangeiros que enfrentam forte resistência interna.

Também na África, Gana, a antiga Costa do Ouro, descobriu o ouro negro em 2007, com o campo de petróleo Jubileu, mas o excesso de gastos públicos elevou a dívida interna para 60% do PIB, o que já começa a travar a economia.

Ruanda, onde um genocídio matou 800 mil pessoas em 1994, adotou um modelo de crescimento autoritário favorável ao capital estrangeiro comparável ao de Cingapura.

"Eles usaram cada dólar para construir um centro de conferências, hotéis, um bom aeroporto e boas estradas", comentou Robertson. Também melhoram o ambiente de negócios, cortando as taxas de juros e a burocracia.

Há suspeitas sobre as estatísticas de países como Ruanda e o Turcomenistão. Esta antiga república soviética teve um salto de 130% no PIB. Só ficou atrás da Etiópia, o que se atribui à exploração de jazidas de gás natural importado pela China com sua demanda crescente por energia.

O Camboja e o Laos ampliaram a produção industrial, seguindo o exemplo do vizinho Vietnã, e se beneficiam do aumento do turismo.

Bangladesh progrediu com o desenvolvimento da indústria têxtil com o mesmo modelo de crescimento com base num Estado autoritário e investimento público. O problema seria o excesso de endividamento, mas o país tem um bom nível de poupança.

Para Bangladesh, o desafio é ir além da indústria têxtil, que não tem o poder de mercado de setores de maior valor agregado, especialmente de alta tecnologia. Talvez possa avançar com o desenvolvimento da Índia no setor.

Apesar de ter duplicado o PIB, a Índia poderia ter crescido mais, adverte George Sterne, diretor de pesquisa macroeconômica global da Oxford Economics: "A Índia tem problemas bancários e institucionais, mas tem um nível de educação decente. O setor de centros de atendimento telefônico e os invisíveis vão bem, mas há um enorme potencial que só está meio-realizado."

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Assassinato de jornalista desmascarou príncipe-herdeiro saudita

O assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi, há exatamente um ano, mostrou a verdadeira face do príncipe-herdeiro e homem-forte da ditadura da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman.

Em 2 de outubro de 2018, Jamal Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul, na Turquia. Precisava de um documento para se casar. A noiva ficou esperando do lado de fora. Ele nunca mais saiu. Foi detido, torturado, esquartejado e morto.

A primeira versão saudita foi que Khashoggi havia saído normalmente. Depois, que havia sido morto numa briga dentro do consulado. Logo, apareceu uma gravação atribuída à espionagem da Turquia que desmascarou a farsa, revelando detalhes da tortura e da brutal execução. Khashoggi teve os dados da mão amputados antes de morrer num festival de barbáries.

A responsabilidade pelo crime foi atribuída ao príncipe herdeiro. Afinal, o esquadrão da morte era formado por seus seguranças e chegou a Istambul em dois aviões usados pela equipe de MbS, como o príncipe também é conhecido. Ditador implacável, é impossível que não soubesse de nada. Meu comentário:

sábado, 28 de setembro de 2019

Hutis anunciam captura de milhares de soldados

Os rebeldes hutis que lutam na guerra civil do Iêmen com o apoio do Irã afirmaram hoje ter capturado milhares de inimigos, inclusive soldados e oficiais da Arábia Saudita, que apoia o governo do presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, noticiou a televisão árabe Al Jazira.

A ação militar foi realizada perto da fronteira com a região saudita de Najrã. Um porta-voz huti declarou à televisão pública britânica BBC que três brigadas sauditas se renderam. O governo saudita não confirmou.

Nos últimos meses, com o apoio aéreo da coalizão saudita, os soldados leais ao governo do Iêmen estão combatendo os hutis perto da fronteira com a Arábia Saudita. A ofensiva huti foi uma resposta. A nova batalha pode frustrar os esforços das Nações Unidas para reduzir as tensões e abrir caminho para um diálogo pela paz.

Os hutis, xiitas zaiditas, reivindicaram a autoria dos bombardeios que atingiram um campo de petróleo e a maior refinaria do mundo na Arábia Saudita em 14 de setembro. Seis dias depois, os rebeldes iemenitas declararam que suspenderiam os ataques à Arábia Saudita se a aliança cessar suas operações no Iêmen.

A Arábia Saudita estaria de acordo com um cessar-fogo parcial.

sábado, 21 de setembro de 2019

EUA enviam tropas e sistemas antimísseis para proteger petróleo saudita

A pedido da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos vai enviar centenas de soldados e sistemas de defesa antiaérea para suas instalações petrolíferas, por causa de "uma escalada espetacular da agressão iraniana".

Em entrevista no Pentágono, o secretário da Defesa, Mark Esper, afirmou ontem que a operação será "defensiva e primariamente focada em defesa aérea e antimísseis". Os soldados americanos irão somente para a Arábia Saudita.

Na manhã de ontem, o presidente Donald Trump decretou novas sanções contra o banco central do Irã em resposta aos bombardeios contra o refinaria de Akbaik, a maior do mundo, e o campo de exploração de petróleo de Khurais, o segundo maior da Arábia Saudita.

Como o Congresso aprovou uma resolução bipartidária proibindo a venda de armas à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos por causa da guerra civil no Iêmen, a presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, criticou a decisão.

"Mais uma vez, o presidente Trump está ignorando a violência continuada da Arábia Saudita contra iemenitas inocentes, bem como o terrível assassinato do jornalista Jamal Khashoggi e as grosseiras violações dos direitos humanos, o que caracteriza uma crise moral e humanitária. Os EUA não podem colaborar com mais brutalidade e derramamento de sangue", declarou Pelosi.

Os rebeldes hutis do Iêmen, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria dos ataques, anunciando terem disparado dez drones contra alvos sauditas. Tanto os EUA quanto a Arábia Saudita contestaram esta versão, alegando que os ataques partiram do norte, o que significa do Irã ou do Iraque, e não do sul, onde fica o Iêmen.

domingo, 15 de setembro de 2019

Petróleo sobe 20% com ataques e queda da produção saudita

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão do centro financeiro de Londres, subiu 20%, de US$ 60 para US$ 71, na reabertura dos negócios depois dos ataques de drones ontem contra um campo de exploração de petróleo e a maior refinaria do mundo, na Arábia Saudita, segundo maior produtor e maior exportador mundial. 

Com os ataques, a produção saudita caiu pela metade. O empresa estatal de petróleo Aramco promete restaurar na segunda-feira um terço da capacidade perdida, de 5,7 milhões de barris por dia, 6% da produção mundial. Seriam 2 milhões de barris por dia de volta ao mercado. Antes, falara em retomar toda a produção no início da semana.

"Foi definitivamente pior do que avaliamos nas primeiras horas depois do ataque, mas vamos assegurar que o mercado não enfrente nenhuma escassez até que estejamos plenamente de volta", declarou um alto funcionário saudita. Os Estados Unidos podem usar seus estoques para evitar um choque maior no mercado.

O ataque foi reivindicado pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã que lutam na guerra civil do Iêmen contra o presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã, dizendo não haver certeza que os drones saíram do Iêmen.

Em pronunciamento na televisão, o presidente Hassan Rouhani negou qualquer responsabilidade do Irã. Ele acusou os EUA, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos de armar e financiar o outro lado na guerra civil do Iêmen, a pior tragédia humanitária hoje no mundo.

Uma investigação recente das Nações Unidas constatou que os hutis têm drones com alcance de quase 1,5 quilômetro. Portanto, poderiam ter atingido as instalações petrolíferas sauditas, que ficam a 800 km da fronteira iemenita.

De acordo com a televisão americana CNN, pelo ângulo do ataque, os EUA acreditam que possa ter partido do Irã ou do Iraque. O governo iraquiano negou que seu território tenha sido usado para lançar a revoada de drones.

O incidente atinge em cheio, tornando mais difícil um possível encontro entre os presidentes Donald Trump e Hassan Rouhani durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no fim deste mês. Trump declarou que os EUA estão "carregados e engatilhados" para responder ao ataque militarmente.

sábado, 14 de setembro de 2019

Rebeldes xiitas atacam instalações de petróleo na Arábia Saudita

Um bombardeio de drones atingiu hoje duas grandes instalações de petróleo, inclusive a maior refinaria do mundo, paralisando metade da produção da Arábia Saudita, segundo maior produtor e maior exportador mundial, com 10% do mercado. Os rebeldes hutis, do Iêmen, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria do ataque. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã pelo que chamou de "um ataque sem precedentes contra o suprimento mundial de energia" e alegou que "não há evidências de que os ataques vieram do Iêmen". A Arábia Saudita não responsabilizou o Irã.

As instalações atacadas têm capacidade de processar 8,45 milhões de barris de petróleo bruto por dia. A empresa estatal Aramco, maior companhia de petróleo do mundo, anunciou um corte de produção de 5,7 milhões de barris por dia. Os Estados Unidos podem usar suas reservas para estabilizar o mercado.

Se realmente foram os hutis, será o maior ataque ao reino desde a intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen em favor do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, iniciada em 25 de março de 2015.

Os bombardeios aéreos dos sauditas e seus aliados do Conselho de Cooperação do Golfo arrasaram o mais pobre dos países árabes. Com um bloqueio naval, provocou a pior crise humanitária hoje no mundo, com milhões ameaçados pela fome.

A milícia huti faz parte de uma rede de grupos xiitas alinhados ao Irã, que disputa a liderança regional e do islamismo com Arábia Saudita, sunita. Os EUA e a Arábia Saudita acusam o Irã de enviar técnicos para treinar os hutis em tecnologias de mísseis e de drones.

Um inquérito das Nações Unidas constatou que os hutis têm drones com raio de ação de quase 1,5 quilômetro. Os alvos atingidos na Arábia Saudita estão a cerca de 800 km da fronteira iemenita. Os hutis atacaram a infraestrutura saudita anteriormente, mas com mísseis balísticos de pouca precisão.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Reino Unido proíbe venda de armas para a Arábia Saudita e aliados

O governo britânico não vai conceder novas licenças de exportação de armas para a Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Kuwait, noticiou hoje a televisão árabe especializada em notícias Al Jazira. A medida atende a uma determinação da Justiça do Reino Unido, que proibiu a venda de armas para países envolvidos na guerra civil do Iêmen.

O Reino Unido é o segundo maior fornecedor da armas à monarquia absolutista saudita e uma parte importante da cadeia europeia de produção de equipamentos de defesa comprados por países do Oriente Médio. A proibição só se aplica a novos contratos

Vários movimentos da sociedade civil se opõem à venda de armas à Arábia Saudita e aliados por causa da crise humanitária no Iêmen e do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em 2 de outubro do ano passado no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

Na semana passada, um relatório das Nações Unidos acusou o príncipe-herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, pela morte de Khashoggi. Em 20 de junho, o Senado dos Estados Unidos aprovou resolução proibindo a venda de armas à Arábia Saudita, mas o presidente Donald Trump deve vetar.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Ataque a dois navios petroleiros aumenta tensão no Oriente Médio

Dois navios-tanque foram alvo de bombas hoje no Golfo de Omã perto do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, forçando suas tripulações a abandoná-los, um mês depois de ataques a quatro petroleiros num porto dos Emirados Árabes Unidos. 

Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Arábia Saudita, de um lado, e do Irã, do outro, que já estava em alta com um ataque de míssil de rebeldes apoiados pelo Irã contra um aeroporto saudita, e o risco de guerra no Oriente Médio, adverte o jornal The New York Times.

Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos ataques de hoje e do mês passado. Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, aliados da Arábia Saudita, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, afirmou estar "quase certo" de que foi o Irã ou aliados.

Um dos navios atacados pertence à empresa norueguesa Frontline e estava fretado pela companhia estatal de petróleo de Taiwan para transportar nafta. Todos os 23 tripulantes foram resgatados.

O outro navio era do Panamá e transportava metanol do porto de Jubail, na Arábia Saudita, para Cingapura. Os 21 tripulantes eram filipinos. Eles deixaram o navio e foram resgatados por um barco que passava.

Ontem, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi a Teerã, onde se reuniu com o presidente Hassan Rouhani. Hoje, encontra-se com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, para tentar intermediar um alívio de tensão entre EUA e Irã - e reduzir o risco de guerra.

Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, rejeitou qualquer possibilidade de diálogo com o governo Donald Trump. O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, declarou que os ataques são uma jogada para impedir o diálogo e provocar uma agressão.

No mês passado, o ministro da Defesa do Reino Unido, Jeremy Hunt, candidato a líder do Partido Conservador e próximo primeiro-ministro britânico, declarou estar "preocupado com o risco de um conflito deflagrado por acidente".

Os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen fizeram ataques recentes a alvos sauditas, inclusive oleodutos. Ontem, bombardearam o aeroporto de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, com um míssil de cruzeiro, ferindo 26 pessoas.

Em 8 de maio de 2018, o presidente Trump retirou os EUA de um acordo negociado pelas cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

Meses depois, o governo Trump reimpôs duras sanções econômicas para tentar impedir o Irã de exportar petróleo. No mês passado, os EUA enviaram um grupo naval liderado por um porta-aviões e mais 1,5 mil soldados para a região do Golfo Pérsico.

Trump alega não querer guerra com o Irã, mas sua estratégia de "pressão máxima" cria uma situação de altíssimo risco.

Um terço do petróleo exportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo subiram hoje mais de 3%.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Rebeldes do Iêmen apoiados pelo Irã atacam aeroporto saudita com míssil


O ataque com míssil de cruzeiro hoje ao aeroporto internacional de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, mostra o aumento da capacidade ofensiva dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen. Mísseis de cruzeiro são mais precisos do que mísseis balísticos e os sistema de lançamento têm maior mobilidade.

Vai aumentar a tensão entre a Arábia Saudita e o Irã e entre os Estados Unidos e o Irã, que é grande desde que o presidente Trump rompeu o acordo nuclear com o regime fundamentalista iraniano e reimpôs duras sanções econômicas para pressionar os aiatolás a negociar. Meu comentário:

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Marrocos abandona coalizão saudita na guerra civil do Iêmen

O reino do Marrocos não vai mais participar as operações militares da aliança liderada pela Arábia Saudita na guerra civil do Iêmen, noticiou ontem a agência Associated Press (AP), citando como fonte um alto funcionário marroquino.

A saída do Marrocos não representa uma grande perda de capacidade militar para a aliança saudita, mas revela a dificuldade para manter o apoio diplomático à intervenção iniciada em 25 de março de 2015 em apoio ao governo deposto do Iêmen na luta contra os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã.

O Marrocos participa desde o início da intervenção, mas reduz sua participação gradualmente, em especial desde que a Arábia Saudita decidiu isolar o emirado do Catar dentro do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, que reúne as grandes monarquias petroleiras da região.

A intervenção militar saudita é considerada desastrosa. Não conseguiu retomar a capital iemenita, Saná, ocupada pelos rebeldes desde setembro de 2014, nem restaurar a legitimidade do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi. O bloqueio de meses ao porto de Hodeida provocou uma grande fome nas áreas dominadas pelos rebeldes.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Programa Mundial de Alimentos acusa hutis de roubar comida no Iêmen

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas acusou os rebeldes hutis de roubar comida e ameaça suspender as remessas para 3 milhões de pessoas ameaçadas pela fome pela guerra civil só na capital do Iêmen, noticiou ontem a televisão árabe especializada em notícias Al Jazira.

Uma suspensão da ajuda de alimentos pode desestabilizar o controle dos hutis sobre Saná, a capital iemenita, que tomaram em setembro de 2014. A cidade tem sido palco de protestos frequentes por falta de combustíveis e alimentos.

Cerca de 12 milhões pessoas, pouco menos de metade da população do Iêmen, correm risco de passar fome, de acordo com a ONU. Até agora, as maiores críticas recaíam sobre a Arábia Saudita e aliados, que intervém militarmente na guerra civil iemenita desde 25 de março de 2015 e bloqueavam o porto de Hodeida.

Tanto o governo deposto e seus aliados sauditas, de um lado, e os hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, tentam se eximir da culpa pela tragédia humanitária causada pela guerra civil.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Rebeldes hutis entregam porto do Iêmen sob supervisão da ONU

Sob a supervisão das Nações Unidas, os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, cederam hoje o controle de Hodeida, o principal porto do Iêmen no Mar Vermelho, à Marinha e à Guarda Costeira do país, informou a agência Associated Press (AP).

A entrega é um passo importante do acordo feito durante negociações de paz na Suécia para acabar com a guerra civil iemenita, que já dura mais de cinco anos e é considerada a pior tragédia humanitária hoje no mundo.

Há mais de uma semana, os hutis e o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita e outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, respeitam uma trégua em Hodeida.

Cerca de 70% das importações do Iêmen entram por Hodeida. O bloqueio do porto pela aliança sunita liderada pela Arábia Saudita provocou uma tragédia humanitária no Iêmen, com fome em massa. Por isso, o desbloqueio de Hodeida era uma das prioridades das negociações realizadas na Suécia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Quatro suspeitos do assassinato são ligados a príncipe saudita

Um dos 15 agentes da Arábia Saudita que mataram o jornalista dissidente Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul, na Turquia, foi visto com frequência na equipe de segurança do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do assassinato político. Outros três foram apontados por testemunhas como parte do esquema de segurança do princípe, revelou o jornal The New York Times.

Mohamed ben Salman, o homem-forte da monarquia absolutista saudita, guardiã das cidades sagradas de Meca e Medina, nega ter qualquer conhecimento prévio da operação, mas num regime ditatorial desta natureza nada acontece sem o conhecimento dos donos do poder.

Khashoggi desapareceu em 2 de outubro, depois de entrar no Consulado Saudita em Istambul para pegar um documento para se casar. Ex-assessor da família real, ele era contra uma mudança de regime. Defendia uma liberalização. Seu último artigo, em defesa da liberdade de expressão no mundo árabe, foi publicado hoje no jornal The Washington Post.

Um quinto suspeito é um médico forense que faz parte do alto escalão do Ministério do Interior. Hoje foram revelados detalhes do crime bárbaro. De acordo com uma gravação vazada pelo governo turco, foi um crime bárbaro.

Em sete minutos de gravação, ouve-se que primeiro serraram os dedos das mãos, com o jornalista ainda vivo. Depois cortaram os pés. Serraram e esquartejaram Khashoggi. Por fim, ele foi decapitado.

MbS, como o príncipe é chamado popularmente, tornou-se o homem-forte do reino ao atropelar a linha sucessória. Ele se apresentava como um reformista com um programa amplo para modernizar o país, moderar o islamismo radical e preparar o país para a era pós-petróleo com o plano Arábia Saudita 2030. Para tanto, precisa atrair capital estrangeiro.

O príncipe enfrentou o clérigo ultraconservador, uma das bases do regime saudita, que segue o wahabismo, a corrente ultraconservadora do islamismo que inspirou Ossama ben Laden e a organização terrorista Estado Islâmico. Em junho deste ano, finalmente, as mulheres sauditas foram autorizadas a dirigir.

Ele também lançou uma campanha anticorrupção que prendeu príncipes e magnatas, vista como um abuso de poder para consolidar seu golpe palaciano.

Na política externa, seu maior erro foi a intervenção militar na guerra civil do Iêmen, hoje o pior conflito do mundo, com milhões de pessoas ameaçadas de morrer de fome porque sauditas e aliados bloqueiam o porto de Hodeida.

Ainda liderou um boicote ao Catar, acusando-o de fazer negócios com o Irã, grande rival da Arábia Saudita na disputa pela liderança regional no Oriente Médio. E criou uma crise diplomática com o Canadá quando a ministra do Exterior, Christya Freeland, pediu a libertação de Samar Badawi, mulher do jornalista liberal Raif Badawi, condenado em 2014 a 10 anos de prisão e 10 mil chibatadas por "insultar o Islã através de meios eletrônicos".

Por verem o Irã como inimigo, tanto os Estados Unidos quanto Israel abraçaram o novo príncipe-herdeiro como uma esperança de reforma no mundo árabe, esquecendo o papel ativo da Arábia Saudita e aliados como os Emirados Árabes Unidos na sabotagem da chamada Primavera Árabe, que acabou só levando a democracia à Tunísia.

A Arábia Saudita foi o primeiro país a ser visitado por Donald Trump como presidente dos EUA. Por si só, isso revelou a admiração de Trump por líderes autoritários. Até o momento, o presidente americano tem feito tudo para contemporizar. Nega-se a cancelar contratos de vendas de armas que afirma que podem chegar a US$ 110 bilhões.

Se o crime for confirmado, o governo dos EUA tem a obrigação legal de aplicar sanções à Arábia Saudita. A estratégia de Trump e Israel para isolar o Irã fica prejudicada. O petróleo saudita é fundamental para manter a estabilidade do mercado sem o petróleo do Irã.

Já se forma uma grande pressão internacional para que Mohamed ben Salman jamais se torne sultão da Arábia Saudita. Seus inimigos internos, inclusive o clérigo mais radical, festejam.