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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 27 de Setembro

COMPANHIA DE JESUS

    Em 1540, o papa Paulo III dá a Inácio de Loyola a carta reconhecendo a criação da Companhia de Jesus ou Ordem dos Jesuítas, que teria um papel fundamental na Contrarreforma, a reação da Igreja Católica à Reforma Protestante, e na colonização da América Latina.

Inácio de Loyola, um ex-soldado do Exército da Espanha, funda o movimento em agosto de 1534 com seis estudantes. Eles fazem votos de castidade e pobreza, e fazem planos para converter os muçulmanos.

Como na Terra Santa o Império Bizantino está em guerra com o Império Otomano, sem poder chegar em Jerusalém, Inácio de Loyola vai a Roma e pede autorização ao papa para criar a ordem.

Logo, os jesuítas vão para a América Latina, onde fundam São Paulo e criam a chamada República Comunista Cristã dos Guaranis, para o Congo, a Etiópia e a Índia. Santo Inácio de Loyola foi canonizado.

PAZ AMERICANA

    Em 1779, durante a Guerra da Independência (1775-83), o Congresso Continental nomeia John Adams, seria o segundo presidente dos Estados Unidos (1797-1801), como ministro plenipotenciário para ir à França negociar tratados de paz e de comércio com o Império Britânico.

A guerra começa em abril de 1775 sem o objetivo de proclamar a independência, o que acontece em 4 de julho de 1776. Até então, era uma guerra civil dentro do Império Britânico, com os colonos americanos reivindicando mais direitos.

O navio de Adams não chega a Brest, na França. Aporta em El Ferrol, no Noroeste da Espanha. Os americanos atravessam os Montes Pirineus no lombo de mulas e chegam a Paris em fevereiro de 1780.

RENDIÇÃO DA POLÔNIA

    Em 1939, a Polônia se renda à Alemanha Nazista, que prende 140 mil militares poloneses e começa uma campanha de terror contra a elite do país, executando empresários, fazendeiros, médicos e intelectuais na chamada Ação Extraordinária de Pacificação.

Numa única diocese, 214 padres são mortos porque os nazistas temem que a Igreja Católica seja um foco de resistência. A perseguição aos judeus levou à instalação do campo de concentração de Auschwitz num antigo quartel do Exército da Polônia.

EIXO DO MAL

    Em 1940, a Alemanha Nazista e a Itália Fascista assinam o pacto tripartite com o Império do Japão, formando o Eixo, que se opunha aos aliados (Reino Unido e depois Estados Unidos e União Soviética) na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Os objetivos do Eixo são a expansão territorial, com a formação de impérios com base na conquista militar, acabar com a ordem mundial pós-Primeira Guerra Mundial e com o comunismo soviético.

Em 1º de novembro de 1936, uma semana depois de firmar um tratado de amizade, a Alemanha e a Itália anunciam a criação do Eixo Roma-Berlim. 

Em 25 de novembro de 1936, a Alemanha nazista e o Japão imperial assinam o Pacto Anti-Internacional Comunista (Comintern) em oposição à URSS. A Itália adere em 6 de novembro de 1937. 

Em 22 de maio de 1939, a Alemanha e a Itália firmam um tratado conhecido como Pacto de Aço, formalizando a aliança do Eixo através de provisões militares. 

Depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, a Alemanha, a Itália e o Japão assinam o Pacto Tripartite, mais conhecido como o Eixo.

PRIMAVERA EM SILÊNCIO

    Em 1962, Rachel Carson lança o livro Primavera Silenciosa, um marco do início do movimento ecológico nos Estados Unidos, publicado inicialmente na revista The New Yorker, para alertar sobre o impacto dos agrotóxicos sobre a natureza.

Carson conclui um mestrado em zoologia na Universidade Johns Hopkins em 1932. Nas próximas décadas, pesquisa os ecossistemas da Costa Oeste.

No fim dos anos 1950, manifesta preocupação com a ação pesticidas sobre o ambiente natural. A Sociedade Audubon lhe pediu então que escrevesse um livro com foco principal no DDT.

A indústria química reagiu com dureza, acusando-a se ser "uma defensora fanática do culto do equilíbrio da natureza" e "provavelmente comunista". Ela morreu de câncer dois anos depois da publicação do livro.

Os EUA criaram a Agência de Proteção Ambiental em 1970 e o DDT começou a deixar de ser usado a partir de 1972.

sábado, 10 de novembro de 2018

Mais de 80% dos solos europeus têm resíduos de agrotóxicos

Uma análise de 317 amostras de solos onde são cultivados milho, trigo, legumes e uvas em 11 países da União Europeia constatou a presença de resíduos de pesticidas em mais de 80% dos casos, revelou uma pesquisa da Universidade de Wageningen, na Holanda, publicada na revista científica Science of the Total Environment.

A presença de pesticidas é a norma, não a exceção, concluiu o estudo. Foi testada a existência de 76 substâncias de combate a pragas da lavoura. Cerca de 58% das amostras tinham múltiplos resíduos de pesticidas até um máximo de 13 produtos químicos diferentes, enquanto 25% tinham um pesticida.

Entre os produtos químicos potencialmente perigosos encontrados, estão o glifosato, resíduos de DDT, proibido na Europa há décadas, e fungicidas como boscalida, epoxiconazol e tebuconazol. A maior concentração foi de 2,87 miligramas de pesticida por quilo de solo.

"Até agora, não existe uma legislação impondo limites ou padrões de qualidade para a presença de pesticidas aprovados no solo, ameaçando micro-organismos essenciais", declarou a professora Violette Geissen, do Grupo de Manejo da Terra e do Solo.

A professora advertiu: "É urgente adequar as políticas de proteção do solo a nível da UE. Além disso, os procedimentos atuais de aprovação de pesticidas devem ser reavaliados para cobrir os efeitos potenciais de misturas de resíduos de pesticidas sobre os organismos do solo."

Esta aí uma discussão importante no Brasil, o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, no momento em que um projeto de lei de autoria do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi tenta facilitar o licenciamento temporário e a aprovação definitiva de defensivos agrícolas, com amplo apoio dos fazendeiros e da bancada ruralista, uma das bases de apoio do futuro governo federal.

sábado, 18 de março de 2017

Monsanto sabia de toxicidade de pesticida desde 1999

A empresa transnacional americana Monsanto sabia desde 1999 do potencial mutagênico do pesticida mais vendido no mundo, o glifosato, princípio ativo do agrotóxico Roundup, seu principal produto ao lado das sementes transgênicas, revelou a correspondência interna da firma, divulgada há dois dias pela Justiça Federal dos Estados Unidos.

São mais de 250 páginas de mensagens. Elas mostram a inquietação e as preocupações da companhia. Na véspera da divulgação do que era até anteontem segredo de justiça, a Agência Europeia de Produtos Químicos declarou que não considera o glifosato nem cancerígeno nem mutagênico, capaz de provocar mutações genéticas.

Para a Monsanto, a revelação ameaça o modelo de negócios, baseado na venda de sementes transgênicas e do agrotóxico Roundup, que as plantas geneticamente modificadas toleram.

O processo começou com uma ação coletiva de agricultores da Califórnia atingidos pelo linfoma não hodgkienano, uma espécie de câncer do sangue. Tem base num alerta feito em março de 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), uma instituição intergovernamental com sede em Lyon, na França, fundada em 1965 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão do sistema Nações Unidas.

A documentação desclassificada como secreta em 17 de março de 2017 desmascara ainda a conivência da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que o presidente Donald Trump está esvaziando, com a Monsanto.

Em 1999, a companhia estava atrás de um cientista de renome para tentar convencer as autoridades reguladoras da União Europeia de que o glifosato não é tóxico nem mutagênico.

"Vamos recuar um pouco e ver o que queremos fazer realmente", disse na época um funcionário da Monsanto em comunicação interna. "Vamos procurar qualquer um que tenha familiaridade com o perfil genotóxico do glifosato/Roundup e que possa influenciar os reguladores ou realizar operações de comunicação científica ao grande público sobre a questão da genotoxicidade."

Pelos dados da Consultoria Céleres, especializada em análises do agronegócio, em 2016-17, as sementes transgênicas responderam por 93,4% das plantações de soja (96,5%), milho (88,4%) e algodão (78,3%). São 49 milhões de hectares cultivados com transgênicos, sendo 32,7 milhões de ha de soja, 15,7 milhões de ha de milho e 789 mil ha de algodão.

Os transgênicos entraram no Brasil pela porta dos fundos, por contrabando vindo da Argentina quando ainda eram proibidos no país, numa estratégica da Monsanto de criar um fato consumado. Quando os produtores gaúchos estavam prontos para exportar a soja transgênica, o governo Lula foi pressionado a liberou os transgênicos e o fez em 2003. No ano seguinte, o Brasil tinha 5 milhões de hectares plantados com transgênicos.

Em dez anos, a Monsanto faturou mais de R$ 1 bilhão só com a venda do Roundup no Rio Grande do Sul, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura  do (Fetag-RS).

Enquanto os EUA promovem suas empresas de biotecnologia, a União Europeia adota uma posição defensiva com base no princípio da cautela, alegando que as consequências do consumo de transgênicos a longo prazo ainda são desconhecidas.

O processo contra a Monsanto abala duramente a indústria de transgênicos e o agronegócio brasileiro, atingido ontem pelo escândalo das carnes deterioradas vendidas pelas empresas transnacionais brasileiras JBS Friboi e Brazil Foods (BRF).

segunda-feira, 30 de março de 2015

Pesticidas diminuem quantidade de espermatozoides

O consumo de frutas e legumes com resíduos de agrotóxicos altera a qualidade do sêmen humano, diminuindo a quantidade de espermatozoides, concluiu um estudo pioneiro publicado hoje na revista científica Human Reproduction, publicação oficial da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia.

Na pesquisa inédita, 155 homens de 18 a 55 anos deixaram 338 amostras de sêmen num centro de fertilidade entre 2007 e 2012 dentro de um programa de estudos sobre meio ambiente e reprodução humana. A dieta era avaliada com base em questionários preenchidos regularmente. Os níveis de pesticida foram os determinados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos: alto, moderado e baixo.

Quem comeu muitas frutas e legumes com altos níveis de contaminação por pesticidas teve uma contagem de espermatozoides até 49% menor e 32% menos espermatozoides bem formados do que homens que consumiram vegetais não envenenados.

"Estas descobertas não devem desencorajar o consumo de frutas e legumes em geral", observou o médico Jorge Navarro, professor assistente de nutrição e epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, um dos coordenadores do estudo. "Ele indica que estratégias com objetivo específico de evitar os resíduos de pesticidas, como consumir produtos orgânicos ou evitar vegetais com grande quantidade de resíduos, são o caminho a seguir."

Os homens foram divididos em quatro grupos: quem comia mais ou menos vegetais com altos níveis de pesticidas, e dois grupos com quem comia mais ou menos vegetais com nível de pesticidas baixo ou moderado.

No grupo que comia mais frutas e legumes com alto nível de agrotóxicos, os homens emitiam em média 86 milhões de espermatozoides por ejaculação, enquanto a média nos sujeitos a menos pesticidas era de 171 milhões de espermatozoides.