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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Califórnia condena Monsanto a pagar US$ 289 milhões a vítima de câncer

Na primeira condenação por causa de herbicida a base de glifosato nos Estados Unidos, um júri de São Francisco, no estado da Califórnia, condenou a empresa transnacional de produtos transgênicos Monsanto a pagar uma indenização de US$ 289 milhões (R$ 1,115 bilhão) a Dwayne Johnson, um jardineiro americano de 46 anos com câncer linfático.

Em 2016, Johnson processou a Monsanto alegando que seu linfoma não hodgkiniano é resultado do uso do herbicida Roundup, que contém glicofosato, supostamente cancerígeno. A Justiça lhe deu ganho de causa, responsabilizando a Monsanto por esconder informações a respeito dos riscos de seus produtos.

Maior produtora mundial de sementes transgênicas, a Monsanto, comprada recentemente pela alemã Bayer, é alvo de inúmeras críticas por manobras monopolistas como a obrigação de quem usa suas sementes de usar também seu herbicida, sem falar nos riscos à saúde humana e à natureza dos organismos geneticamente modificados e num passado que remete à Guerra do Vietnã.

A Monsanto era a fabricante do Agente Laranja, o desfolhante usado pelas Forças Armadas dos EUA no Sudeste Asiático. Em comunicado citado pelo jornal Los Angeles Times, a empresa manifestou "toda nossa simpatia ao Sr. Johnson e sua família". Alegou a decisão judicial "não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos afirmam que o glifosato não é cancerígeno".

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA, totalmente servil a grandes empresas no governo Donald Trump, com chefes que rejeitam o aquecimento global e protegem a indústria do carvão, considera o glifosato inofensivo. Mas a Califórnia o colocou na lista de substâncias cancerígenas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que "provavelmente seja cancerígeno para seres humanos".

O veredito histórico da Califórnia deve firmar jurisprudência. Deve ser o primeiro de muitos processos de indenização. Vai muito além da Monsanto, com consequências para todo o setor de biotecnologia.

De acordo com a televisão americana CNN, mais de 800 doentes acionaram a Monsanto na Justiça em 2017 declarando haver contraído câncer provocado pelo herbicida Roundup. Ao todo, há 4 mil casos similares em tribunais dos EUA.

sábado, 18 de março de 2017

Monsanto sabia de toxicidade de pesticida desde 1999

A empresa transnacional americana Monsanto sabia desde 1999 do potencial mutagênico do pesticida mais vendido no mundo, o glifosato, princípio ativo do agrotóxico Roundup, seu principal produto ao lado das sementes transgênicas, revelou a correspondência interna da firma, divulgada há dois dias pela Justiça Federal dos Estados Unidos.

São mais de 250 páginas de mensagens. Elas mostram a inquietação e as preocupações da companhia. Na véspera da divulgação do que era até anteontem segredo de justiça, a Agência Europeia de Produtos Químicos declarou que não considera o glifosato nem cancerígeno nem mutagênico, capaz de provocar mutações genéticas.

Para a Monsanto, a revelação ameaça o modelo de negócios, baseado na venda de sementes transgênicas e do agrotóxico Roundup, que as plantas geneticamente modificadas toleram.

O processo começou com uma ação coletiva de agricultores da Califórnia atingidos pelo linfoma não hodgkienano, uma espécie de câncer do sangue. Tem base num alerta feito em março de 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), uma instituição intergovernamental com sede em Lyon, na França, fundada em 1965 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão do sistema Nações Unidas.

A documentação desclassificada como secreta em 17 de março de 2017 desmascara ainda a conivência da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que o presidente Donald Trump está esvaziando, com a Monsanto.

Em 1999, a companhia estava atrás de um cientista de renome para tentar convencer as autoridades reguladoras da União Europeia de que o glifosato não é tóxico nem mutagênico.

"Vamos recuar um pouco e ver o que queremos fazer realmente", disse na época um funcionário da Monsanto em comunicação interna. "Vamos procurar qualquer um que tenha familiaridade com o perfil genotóxico do glifosato/Roundup e que possa influenciar os reguladores ou realizar operações de comunicação científica ao grande público sobre a questão da genotoxicidade."

Pelos dados da Consultoria Céleres, especializada em análises do agronegócio, em 2016-17, as sementes transgênicas responderam por 93,4% das plantações de soja (96,5%), milho (88,4%) e algodão (78,3%). São 49 milhões de hectares cultivados com transgênicos, sendo 32,7 milhões de ha de soja, 15,7 milhões de ha de milho e 789 mil ha de algodão.

Os transgênicos entraram no Brasil pela porta dos fundos, por contrabando vindo da Argentina quando ainda eram proibidos no país, numa estratégica da Monsanto de criar um fato consumado. Quando os produtores gaúchos estavam prontos para exportar a soja transgênica, o governo Lula foi pressionado a liberou os transgênicos e o fez em 2003. No ano seguinte, o Brasil tinha 5 milhões de hectares plantados com transgênicos.

Em dez anos, a Monsanto faturou mais de R$ 1 bilhão só com a venda do Roundup no Rio Grande do Sul, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura  do (Fetag-RS).

Enquanto os EUA promovem suas empresas de biotecnologia, a União Europeia adota uma posição defensiva com base no princípio da cautela, alegando que as consequências do consumo de transgênicos a longo prazo ainda são desconhecidas.

O processo contra a Monsanto abala duramente a indústria de transgênicos e o agronegócio brasileiro, atingido ontem pelo escândalo das carnes deterioradas vendidas pelas empresas transnacionais brasileiras JBS Friboi e Brazil Foods (BRF).

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Bayer compra Monsanto por US$ 66 bilhões no maior negócio do ano

A empresa química e farmacêutica alemã Bayer anunciou hoje a compra por US$ 66 bilhões da americana Monsanto, fabricante de sementes e produtos transgênicos, para formar uma das maiores companhias agroquímicas do mundo. É o maior negócio do ano e a maior compra feita até hoje por uma empresa da Alemanha no exterior.

A Bayer vai pagar US$ 128 por ação da Monsanto em dinheiro, num total de US$ 57 bilhões, 6% acima da oferta inicial apresentada em maio, e assumir dívidas da Monsanto de US$ 9 bilhões.

Daqui a três anos, a Bayer espera que a aquisição gere sinergias de US$ 1,5 bilhão. "A combinação vai criar um líder global no setor agrícola", declarou em Nova York o diretor executivo da Bayer, Werner Baumann.

O negócio ainda depende da aprovação das autoridades reguladoras na União Europeia e nos Estados Unidos. Pelos dados atuais, a nova empresa terá 34% do mercado mundial de herbicidas e 23% do mercado de inseticidas.

A divisão de agroquímica da Bayer faturou no ano passado 10,37 bilhões de euros (US$ 11,64 bilhões) e a empresa como um todo 46,3 bilhões de euros, enquanto a Monsanto registrou um faturamento de US$ 15 bilhões.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Índia processa Monsanto por "biopirataria"

A Índia denunciou a empresa transnacional americana Monsanto por “biopirataria” por produzir uma beringela geneticamente modificada a partir de variedades locais sem pedir autorização, revela o jornal francês Le Monde.

É o primeiro processo na Índia por biopirataria, delito punível com pena de até três anos de prisão.

Desde 2005, a Monsanto faz pesquisas de biotecnologia na Índia em sociedade com a empresa indiana Mahyco e universidades do país.

Das cerca de 2,5 mil variedades de beringelas que o país produz, cerca de 10 espécies nativas dos estados de Karnataka e Tamil Nadu foram utilizadas para criar a primeira beringela transgênica da Índia.

A lei da biodiversidade indiana, de 2002, exige autorização do governo para a realização de pesquisas. Desde fevereiro de 2010, a venda de beringela alterada geneticamente está proibida.

terça-feira, 4 de maio de 2010