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sábado, 18 de março de 2017

Monsanto sabia de toxicidade de pesticida desde 1999

A empresa transnacional americana Monsanto sabia desde 1999 do potencial mutagênico do pesticida mais vendido no mundo, o glifosato, princípio ativo do agrotóxico Roundup, seu principal produto ao lado das sementes transgênicas, revelou a correspondência interna da firma, divulgada há dois dias pela Justiça Federal dos Estados Unidos.

São mais de 250 páginas de mensagens. Elas mostram a inquietação e as preocupações da companhia. Na véspera da divulgação do que era até anteontem segredo de justiça, a Agência Europeia de Produtos Químicos declarou que não considera o glifosato nem cancerígeno nem mutagênico, capaz de provocar mutações genéticas.

Para a Monsanto, a revelação ameaça o modelo de negócios, baseado na venda de sementes transgênicas e do agrotóxico Roundup, que as plantas geneticamente modificadas toleram.

O processo começou com uma ação coletiva de agricultores da Califórnia atingidos pelo linfoma não hodgkienano, uma espécie de câncer do sangue. Tem base num alerta feito em março de 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), uma instituição intergovernamental com sede em Lyon, na França, fundada em 1965 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão do sistema Nações Unidas.

A documentação desclassificada como secreta em 17 de março de 2017 desmascara ainda a conivência da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que o presidente Donald Trump está esvaziando, com a Monsanto.

Em 1999, a companhia estava atrás de um cientista de renome para tentar convencer as autoridades reguladoras da União Europeia de que o glifosato não é tóxico nem mutagênico.

"Vamos recuar um pouco e ver o que queremos fazer realmente", disse na época um funcionário da Monsanto em comunicação interna. "Vamos procurar qualquer um que tenha familiaridade com o perfil genotóxico do glifosato/Roundup e que possa influenciar os reguladores ou realizar operações de comunicação científica ao grande público sobre a questão da genotoxicidade."

Pelos dados da Consultoria Céleres, especializada em análises do agronegócio, em 2016-17, as sementes transgênicas responderam por 93,4% das plantações de soja (96,5%), milho (88,4%) e algodão (78,3%). São 49 milhões de hectares cultivados com transgênicos, sendo 32,7 milhões de ha de soja, 15,7 milhões de ha de milho e 789 mil ha de algodão.

Os transgênicos entraram no Brasil pela porta dos fundos, por contrabando vindo da Argentina quando ainda eram proibidos no país, numa estratégica da Monsanto de criar um fato consumado. Quando os produtores gaúchos estavam prontos para exportar a soja transgênica, o governo Lula foi pressionado a liberou os transgênicos e o fez em 2003. No ano seguinte, o Brasil tinha 5 milhões de hectares plantados com transgênicos.

Em dez anos, a Monsanto faturou mais de R$ 1 bilhão só com a venda do Roundup no Rio Grande do Sul, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura  do (Fetag-RS).

Enquanto os EUA promovem suas empresas de biotecnologia, a União Europeia adota uma posição defensiva com base no princípio da cautela, alegando que as consequências do consumo de transgênicos a longo prazo ainda são desconhecidas.

O processo contra a Monsanto abala duramente a indústria de transgênicos e o agronegócio brasileiro, atingido ontem pelo escândalo das carnes deterioradas vendidas pelas empresas transnacionais brasileiras JBS Friboi e Brazil Foods (BRF).

domingo, 21 de setembro de 2014

Preço do leite sobe até 279% na Venezuela

A Superintendência Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos da Venezuela aprovou novos aumentos nos preços oficiais de leite, café, arroz, milho branco e amarelo. O país enfrenta a pior inflação do mundo, acima de 60% ao ano, e uma crise de desabastecimento.

O litro de leite fresco na granja subiu 279%, de 3,60 para 13,65 bolívares. O leite pasteurizado em embalagens de 200 mililitros passou de 1,45 para 4,58 bolívares, uma alta de 215,8%. Na embalagem de 400 ml, o aumento foi de 213%. Na quantidade mais procurada, 900 ml, houve um reajuste de 172,7%, de 6,60 para 18 bolívares.

Apesar dos níveis elevados de aumento, a indústria de leite e laticínios afirma que os preços ainda estão muito abaixo dos custos reais. O leite estaria sendo vendido no curral a 25 bolívares o litro e o pasteurizado em embalagem de 900 ml, pelos cálculos dos produtores, deveria estar em 37 bolívares, pouco mais do dobro do novo limite.

O milho branco subiu 218,8%; o arroz, 244%; e o café, 69,3% para os produtores.

Para agravar a situação, o preço médio do petróleo vendido pela Venezuela caiu na semana que terminou em 19 de setembro de 2014 para US$ 88,39 por barril, US$ 1,80 abaixo da semana anterior, a menor cotação em três anos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Carne de porco gera inflação e fica em falta na China

É uma boa oportunidade para os exportadores brasileiros. A carne de porco, principal fonte de proteínas de uma população que era vegetariana durante a escassez e o racionamento da era de Mao Tsé-tung, puxa a inflação de alimentos na China e os estoques devem cair em seis meses, informa o jornal The New York Times.

A alta nos preços é resultado da seca nos Estados Unidos, que arrasou as plantações americanas de soja e milho, as maiores do mundo. Com os animais gordos e prontos para abate num momento de fraca demanda doméstica, os criadores estão sendo obrigados a vendê-los.

Com o custo de produção em nível recorde, o risco é de um aumento da inflação em 2013. Por causa da desaceleração do crescimento chinês, hoje em 7,6% ao ano, a inflação caiu e hoje está sob controle. O preço da carne de porco pesa como um item importante da cesta de alimentos do consumidor chinês.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Inflação nos preços os alimentos foi de 6% em julho

Depois de três meses consecutivos da baixa, os preços dos alimentos tiveram inflação de 6% em julho de 2012, especialmente por causa das altas do açúcar e de cereais decorrentes de problemas climáticos em países produtores, informou hoje a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Nos EUA, a seca que atinge 63% do país arrasou as plantações de milho e soja, elevando o índice de preços dos alimentos em 23%. Com a queda na expectativa de safra na Rússia, o trigo subiu 19%.

O preço do arroz ficou praticamente estável em julho, enquanto o açúcar subiu em razão de problemas climáticos no Brasil, maior produtor e maior exportador mundial, na Austrália e na Índia. A chuva abaixo do previsto na temporada das monções na Índia deve reduzir a safra mundial de arroz.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Seca nos EUA aumenta preços de produtos agrícolas

A seca e a forte onda de calor que atingem a região central dos Estados Unidos estão causando um forte aumento nos preços dos produtos agrícolas no mercado internacional. É uma boa notícia para o Brasil, cada vez mais dependente das exportações de produtos primários.

Com as exportações americanas no menor nível em oito anos, a saca de cerca de 25 quilos de milho para entrega em julho subiu ontem de US$ 7,4325 para US$ 7,7525. O trigo subiu de US$ 7,9125 para US$ 8,10, e a soja de US$ 16,1975 para US$ 16,65.

As plantações dos EUA de milho e soja, as maiores do mundo, estão na pior situação desde 1988, observa a agência de notícias Reuters.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Seca atinge a agricultura na Argentina

A seca causada pelo fenômeno climático La Niña, que esfria a água do Oceano Pacífico já afeta a agricultura da Argentina, segundo maior exportador mundial de milho e terceiro maior de soja.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Escassez de alimentos ameaça ajuda internacional

A diretora do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, Josette Sheeran, admite que pode racionar a ajuda alimentar a países necessitados por causa da inflação mundial nos preços dos alimentos, de 40% ano ano passado, e a falta de recursos.

Em entrevista à rádio e televisão pública britânica BBC, a ex-subsecretária de Estado americana fez um apelo aos países ricos para que aumentem sua contribuição. Entre os países em dificuldades, Josette citou o Afeganistão, onde o povo não tem dinheiro para comprar comida.

Ela considera urgente distribuir sementes e fertilizantes a agricultores de países pobres para evitar a fome.

Em países como o Iêmen, a Indonésia e o México, advertiu Josette, a classe média está economizando em educação e saúde para não prejudicar a nutrição. Depois de duas décadas, o Egito reintroduziu um sistema de racionamento de comida. O mesmo fez o Paquistão.

Enquanto a China, a Rússia e a Venezuela impuseram controles de preços, a Argentina e o Vietnã taxaram ou proibiram a exportação de alguns alimentos.

No início do mês, a Organização para Alimentos e Agricultura da ONU (FAO) advertiu que a alta nos preços de cereais como trigo e milho tornaram-se "uma grande preocupação mundial". Em alguns países em desenvolvimento, o preço de alimentos básicos subiu 80%.

Depois dos 40% de inflação no ano passado, a ONU prevê um aumento de pelo menos um terço na conta dos alimentos importados em 2008. No caso da África, a expectativa é de um crescimento de quase 50% nos gastos.

Outra questão importante é o impacto que uma crise mundial de alimentos teria sobre as negociações de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC), estagnadas por causa da relutância dos países ricos em cortar os subsídios agrícolas.