Uma análise de 317 amostras de solos onde são cultivados milho, trigo, legumes e uvas em 11 países da União Europeia constatou a presença de resíduos de pesticidas em mais de 80% dos casos, revelou uma pesquisa da Universidade de Wageningen, na Holanda, publicada na revista científica Science of the Total Environment.
A presença de pesticidas é a norma, não a exceção, concluiu o estudo. Foi testada a existência de 76 substâncias de combate a pragas da lavoura. Cerca de 58% das amostras tinham múltiplos resíduos de pesticidas até um máximo de 13 produtos químicos diferentes, enquanto 25% tinham um pesticida.
Entre os produtos químicos potencialmente perigosos encontrados, estão o glifosato, resíduos de DDT, proibido na Europa há décadas, e fungicidas como boscalida, epoxiconazol e tebuconazol. A maior concentração foi de 2,87 miligramas de pesticida por quilo de solo.
"Até agora, não existe uma legislação impondo limites ou padrões de qualidade para a presença de pesticidas aprovados no solo, ameaçando micro-organismos essenciais", declarou a professora Violette Geissen, do Grupo de Manejo da Terra e do Solo.
A professora advertiu: "É urgente adequar as políticas de proteção do solo a nível da UE. Além disso, os procedimentos atuais de aprovação de pesticidas devem ser reavaliados para cobrir os efeitos potenciais de misturas de resíduos de pesticidas sobre os organismos do solo."
Esta aí uma discussão importante no Brasil, o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, no momento em que um projeto de lei de autoria do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi tenta facilitar o licenciamento temporário e a aprovação definitiva de defensivos agrícolas, com amplo apoio dos fazendeiros e da bancada ruralista, uma das bases de apoio do futuro governo federal.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 10 de novembro de 2018
Mais de 80% dos solos europeus têm resíduos de agrotóxicos
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segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Califórnia condena Monsanto a pagar US$ 289 milhões a vítima de câncer
Na primeira condenação por causa de herbicida a base de glifosato nos Estados Unidos, um júri de São Francisco, no estado da Califórnia, condenou a empresa transnacional de produtos transgênicos Monsanto a pagar uma indenização de US$ 289 milhões (R$ 1,115 bilhão) a Dwayne Johnson, um jardineiro americano de 46 anos com câncer linfático.
Em 2016, Johnson processou a Monsanto alegando que seu linfoma não hodgkiniano é resultado do uso do herbicida Roundup, que contém glicofosato, supostamente cancerígeno. A Justiça lhe deu ganho de causa, responsabilizando a Monsanto por esconder informações a respeito dos riscos de seus produtos.
Maior produtora mundial de sementes transgênicas, a Monsanto, comprada recentemente pela alemã Bayer, é alvo de inúmeras críticas por manobras monopolistas como a obrigação de quem usa suas sementes de usar também seu herbicida, sem falar nos riscos à saúde humana e à natureza dos organismos geneticamente modificados e num passado que remete à Guerra do Vietnã.
A Monsanto era a fabricante do Agente Laranja, o desfolhante usado pelas Forças Armadas dos EUA no Sudeste Asiático. Em comunicado citado pelo jornal Los Angeles Times, a empresa manifestou "toda nossa simpatia ao Sr. Johnson e sua família". Alegou a decisão judicial "não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos afirmam que o glifosato não é cancerígeno".
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA, totalmente servil a grandes empresas no governo Donald Trump, com chefes que rejeitam o aquecimento global e protegem a indústria do carvão, considera o glifosato inofensivo. Mas a Califórnia o colocou na lista de substâncias cancerígenas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que "provavelmente seja cancerígeno para seres humanos".
O veredito histórico da Califórnia deve firmar jurisprudência. Deve ser o primeiro de muitos processos de indenização. Vai muito além da Monsanto, com consequências para todo o setor de biotecnologia.
De acordo com a televisão americana CNN, mais de 800 doentes acionaram a Monsanto na Justiça em 2017 declarando haver contraído câncer provocado pelo herbicida Roundup. Ao todo, há 4 mil casos similares em tribunais dos EUA.
Em 2016, Johnson processou a Monsanto alegando que seu linfoma não hodgkiniano é resultado do uso do herbicida Roundup, que contém glicofosato, supostamente cancerígeno. A Justiça lhe deu ganho de causa, responsabilizando a Monsanto por esconder informações a respeito dos riscos de seus produtos.
Maior produtora mundial de sementes transgênicas, a Monsanto, comprada recentemente pela alemã Bayer, é alvo de inúmeras críticas por manobras monopolistas como a obrigação de quem usa suas sementes de usar também seu herbicida, sem falar nos riscos à saúde humana e à natureza dos organismos geneticamente modificados e num passado que remete à Guerra do Vietnã.
A Monsanto era a fabricante do Agente Laranja, o desfolhante usado pelas Forças Armadas dos EUA no Sudeste Asiático. Em comunicado citado pelo jornal Los Angeles Times, a empresa manifestou "toda nossa simpatia ao Sr. Johnson e sua família". Alegou a decisão judicial "não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos afirmam que o glifosato não é cancerígeno".
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA, totalmente servil a grandes empresas no governo Donald Trump, com chefes que rejeitam o aquecimento global e protegem a indústria do carvão, considera o glifosato inofensivo. Mas a Califórnia o colocou na lista de substâncias cancerígenas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que "provavelmente seja cancerígeno para seres humanos".
O veredito histórico da Califórnia deve firmar jurisprudência. Deve ser o primeiro de muitos processos de indenização. Vai muito além da Monsanto, com consequências para todo o setor de biotecnologia.
De acordo com a televisão americana CNN, mais de 800 doentes acionaram a Monsanto na Justiça em 2017 declarando haver contraído câncer provocado pelo herbicida Roundup. Ao todo, há 4 mil casos similares em tribunais dos EUA.
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sábado, 18 de março de 2017
Monsanto sabia de toxicidade de pesticida desde 1999
A empresa transnacional americana Monsanto sabia desde 1999 do potencial mutagênico do pesticida mais vendido no mundo, o glifosato, princípio ativo do agrotóxico Roundup, seu principal produto ao lado das sementes transgênicas, revelou a correspondência interna da firma, divulgada há dois dias pela Justiça Federal dos Estados Unidos.
São mais de 250 páginas de mensagens. Elas mostram a inquietação e as preocupações da companhia. Na véspera da divulgação do que era até anteontem segredo de justiça, a Agência Europeia de Produtos Químicos declarou que não considera o glifosato nem cancerígeno nem mutagênico, capaz de provocar mutações genéticas.
Para a Monsanto, a revelação ameaça o modelo de negócios, baseado na venda de sementes transgênicas e do agrotóxico Roundup, que as plantas geneticamente modificadas toleram.
O processo começou com uma ação coletiva de agricultores da Califórnia atingidos pelo linfoma não hodgkienano, uma espécie de câncer do sangue. Tem base num alerta feito em março de 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), uma instituição intergovernamental com sede em Lyon, na França, fundada em 1965 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão do sistema Nações Unidas.
A documentação desclassificada como secreta em 17 de março de 2017 desmascara ainda a conivência da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que o presidente Donald Trump está esvaziando, com a Monsanto.
Em 1999, a companhia estava atrás de um cientista de renome para tentar convencer as autoridades reguladoras da União Europeia de que o glifosato não é tóxico nem mutagênico.
"Vamos recuar um pouco e ver o que queremos fazer realmente", disse na época um funcionário da Monsanto em comunicação interna. "Vamos procurar qualquer um que tenha familiaridade com o perfil genotóxico do glifosato/Roundup e que possa influenciar os reguladores ou realizar operações de comunicação científica ao grande público sobre a questão da genotoxicidade."
Pelos dados da Consultoria Céleres, especializada em análises do agronegócio, em 2016-17, as sementes transgênicas responderam por 93,4% das plantações de soja (96,5%), milho (88,4%) e algodão (78,3%). São 49 milhões de hectares cultivados com transgênicos, sendo 32,7 milhões de ha de soja, 15,7 milhões de ha de milho e 789 mil ha de algodão.
Os transgênicos entraram no Brasil pela porta dos fundos, por contrabando vindo da Argentina quando ainda eram proibidos no país, numa estratégica da Monsanto de criar um fato consumado. Quando os produtores gaúchos estavam prontos para exportar a soja transgênica, o governo Lula foi pressionado a liberou os transgênicos e o fez em 2003. No ano seguinte, o Brasil tinha 5 milhões de hectares plantados com transgênicos.
Em dez anos, a Monsanto faturou mais de R$ 1 bilhão só com a venda do Roundup no Rio Grande do Sul, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do (Fetag-RS).
Enquanto os EUA promovem suas empresas de biotecnologia, a União Europeia adota uma posição defensiva com base no princípio da cautela, alegando que as consequências do consumo de transgênicos a longo prazo ainda são desconhecidas.
O processo contra a Monsanto abala duramente a indústria de transgênicos e o agronegócio brasileiro, atingido ontem pelo escândalo das carnes deterioradas vendidas pelas empresas transnacionais brasileiras JBS Friboi e Brazil Foods (BRF).
São mais de 250 páginas de mensagens. Elas mostram a inquietação e as preocupações da companhia. Na véspera da divulgação do que era até anteontem segredo de justiça, a Agência Europeia de Produtos Químicos declarou que não considera o glifosato nem cancerígeno nem mutagênico, capaz de provocar mutações genéticas.
Para a Monsanto, a revelação ameaça o modelo de negócios, baseado na venda de sementes transgênicas e do agrotóxico Roundup, que as plantas geneticamente modificadas toleram.
O processo começou com uma ação coletiva de agricultores da Califórnia atingidos pelo linfoma não hodgkienano, uma espécie de câncer do sangue. Tem base num alerta feito em março de 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), uma instituição intergovernamental com sede em Lyon, na França, fundada em 1965 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão do sistema Nações Unidas.
A documentação desclassificada como secreta em 17 de março de 2017 desmascara ainda a conivência da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que o presidente Donald Trump está esvaziando, com a Monsanto.
Em 1999, a companhia estava atrás de um cientista de renome para tentar convencer as autoridades reguladoras da União Europeia de que o glifosato não é tóxico nem mutagênico.
"Vamos recuar um pouco e ver o que queremos fazer realmente", disse na época um funcionário da Monsanto em comunicação interna. "Vamos procurar qualquer um que tenha familiaridade com o perfil genotóxico do glifosato/Roundup e que possa influenciar os reguladores ou realizar operações de comunicação científica ao grande público sobre a questão da genotoxicidade."
Pelos dados da Consultoria Céleres, especializada em análises do agronegócio, em 2016-17, as sementes transgênicas responderam por 93,4% das plantações de soja (96,5%), milho (88,4%) e algodão (78,3%). São 49 milhões de hectares cultivados com transgênicos, sendo 32,7 milhões de ha de soja, 15,7 milhões de ha de milho e 789 mil ha de algodão.
Os transgênicos entraram no Brasil pela porta dos fundos, por contrabando vindo da Argentina quando ainda eram proibidos no país, numa estratégica da Monsanto de criar um fato consumado. Quando os produtores gaúchos estavam prontos para exportar a soja transgênica, o governo Lula foi pressionado a liberou os transgênicos e o fez em 2003. No ano seguinte, o Brasil tinha 5 milhões de hectares plantados com transgênicos.
Em dez anos, a Monsanto faturou mais de R$ 1 bilhão só com a venda do Roundup no Rio Grande do Sul, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do (Fetag-RS).
Enquanto os EUA promovem suas empresas de biotecnologia, a União Europeia adota uma posição defensiva com base no princípio da cautela, alegando que as consequências do consumo de transgênicos a longo prazo ainda são desconhecidas.
O processo contra a Monsanto abala duramente a indústria de transgênicos e o agronegócio brasileiro, atingido ontem pelo escândalo das carnes deterioradas vendidas pelas empresas transnacionais brasileiras JBS Friboi e Brazil Foods (BRF).
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segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Carnes vermelhas e processadas causam câncer, alerta OMS
A consumo de carnes processadas, como linguiça, salsicha, salame e bacon, aumenta significativamente o risco de câncer de intestino grosso e as carnes vermelhas são uma causa provável da doença, advertiu hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS), informa a agência Reuters.
Em documento divulgado nesta segunda-feira, a Agência Internacional para Pesquisas sobre o Câncer colocou as carnes processadas no grupo 1 da lista de agentes carcinogênicos, ao lado do tabaco, do álcool e do amianto. A carne fresca está no grupo 2A, no qual neste ano entrou o glifosato, substância usada em herbicidas.
O consumo de 50 gramas por dia de carnes processadas eleva em 18% o risco de câncer no intestino grosso, afirmou a agência da OMS depois de 22 especialistas examinarem 800 pesquisas sobre o assunto durante reunião realizada em Paris. Também foi analisada a relação entre carnes processadas e câncer no estômago, mas não foram encontradas provas conclusivas de uma relação causal.
A indústria da carne reagiu alegando que seu consumo fornece proteínas, vitaminas e minerais essenciais à saúde. "O relatório desafia o senso comum", alegou o Instituto Norte-Americano da Carne.
"Sabemos há algum tempo de uma provável ligação entre carnes vermelhas e processadas e o câncer de intestino grosso", comentou o professor Tim Key, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. "Comer bacon de vez em quando não vai fazer muito mal. Ter uma dieta saudável é acima de tudo uma questão de moderação."
Pela estimativa do Projeto Peso Global das Doenças, cerca de 34 mil mortes de câncer por ano podem ser atribuídas a dietas ricas em carnes processadas. O tabaco causa 1 milhão de mortes por ano e o álcool, 600 mil.
Em documento divulgado nesta segunda-feira, a Agência Internacional para Pesquisas sobre o Câncer colocou as carnes processadas no grupo 1 da lista de agentes carcinogênicos, ao lado do tabaco, do álcool e do amianto. A carne fresca está no grupo 2A, no qual neste ano entrou o glifosato, substância usada em herbicidas.
O consumo de 50 gramas por dia de carnes processadas eleva em 18% o risco de câncer no intestino grosso, afirmou a agência da OMS depois de 22 especialistas examinarem 800 pesquisas sobre o assunto durante reunião realizada em Paris. Também foi analisada a relação entre carnes processadas e câncer no estômago, mas não foram encontradas provas conclusivas de uma relação causal.
A indústria da carne reagiu alegando que seu consumo fornece proteínas, vitaminas e minerais essenciais à saúde. "O relatório desafia o senso comum", alegou o Instituto Norte-Americano da Carne.
"Sabemos há algum tempo de uma provável ligação entre carnes vermelhas e processadas e o câncer de intestino grosso", comentou o professor Tim Key, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. "Comer bacon de vez em quando não vai fazer muito mal. Ter uma dieta saudável é acima de tudo uma questão de moderação."
Pela estimativa do Projeto Peso Global das Doenças, cerca de 34 mil mortes de câncer por ano podem ser atribuídas a dietas ricas em carnes processadas. O tabaco causa 1 milhão de mortes por ano e o álcool, 600 mil.
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