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domingo, 5 de março de 2023

Putin precisa cair para evitar Terceira Guerra Mundial, diz opositor preso

 Da cela onde cumpre prisão por denunciar o Massacre de Bucha, o oposicionista Ilya Yashin adverte: enquanto o ditador Vladimir Putin estiver no poder na Rússia, vai haver guerra e ameaça de guerra, até mesmo guerra nuclear. Ele se nega a fugir do país para ser a voz contra a guerra, como declarou em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Em discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), o ex-presidente Donald Trump prometeu acabar com a guerra antes de voltar à Casa Branca, se for reeleito em 2024. Mais uma vez, Trump descreveu os Estados Unidos como um país assolado pela violência e o caos para se apresentar como salvador da pátria.

O Congresso Nacional do Povo da China inicia sua sessão anual, que deve referendar as políticas impostas pela cúpula do Partido Comunista e reeleger o ditador Xi Jinping para um terceiro e inédito mandato presidencial. A meta de crescimento da segunda maior economia do mundo para este ano foi fixada em 5%.

Ao contrário de outros países da América Latina, o Brasil ignora os crimes da ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua e não oferece asilo aos oposicionistas deportados, como acusam reportagem de Janaína Figueiredo no jornal O Globo e artigo de Eric Nepomuceno no jornal argentino Página 12.

Depois de duas décadas, a maioria dos países das Nações Unidas chegou a um acordo para proteger a vida e a biodiversidade dos oceanos. A meta é transformar 30% dos oceanos em áreas de preservação ambiental, sem pesca e outras atividades humanas predatórias, sem plásticos. Meu comentário:

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Um milhão de espécies correm risco de extinção, alerta a ONU

A expansão da sociedade humana é responsável pela sexta grande era de extinção de espécies vivas da história da Terra, denuncia hoje um relatório das Nações Unidas produzido por mais de 450 cientistas e diplomatas. Um milhão de espécies de animais e vegetais, 25% do total, correm o risco de desaparecer.

A natureza selvagem perdeu metade de sua área. A biomassa dos mamíferos selvagens caiu em 82%. Mais de 40% das espécies de anfíbios, um terço dos corais, mais de um terço de todos os mamíferos marinhos e pelo menos um décimo dos insetos estão ameaçados. A queda na polinização ameaça a produção agrícola de uma perda de US$ 577 bilhões por ano e a degradação do solo reduziu a produtividade agrícola em 23%.

Durante três anos, os cientistas examinaram 15 mil relatórios e pesquisas para redigir esta advertência. O impacto sobre a humanidade é visível na escassez de água potável e na crescente instabilidade do clima causada pelo agravamento do efeito estufa em consequência da poluição industrial.

Três quartos de todas as terras foram transformadas em plantações, cobertas de concreto ou engolidas por barragens. Dois terços do ambiente marinho foram alterados por fazendas de piscicultura, rotas de navios, minas submarinas e outras intervenções. Três quartos dos rios e lagos são usados para a produção agropecuária.

Assim, mais de 500 mil espécies não encontram mais um ambiente adequado à sobrevivência a longo prazo e devem ser extintas nas próximas décadas.

"A saúde dos ecossistemas de que nós e outros espécies dependemos está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo os alicerces de nossas economias, vidas, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida no mundo inteiro", declarou o presidente da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas, Robert Watson. "Perdemos tempo. Temos de agir já."

Uma "mudança transformadora" exige alterações profundas na ação governamental, nas regras do comércio internacional, um investimento maciço em florestas e mudança no comportamento individual como a redução no consumo de carnes e bens materiais.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Brasil, Espanha e Austrália monitoram biodiversidade da Amazônia

Uma equipe de cientistas do Brasil, da Espanha e da Austrália desenvolveram em conjunto o sistema de controle remoto mais sofisticado usado até hoje para monitorar a perda da diversidade biológica na Floresta Amazônica. 

O projeto de alta tecnologia Providência, iniciado nesta semana, reúne o Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha, da Espanha; o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e a Universidade Federal do Amazonas, do Brasil; e a Organização Federal para Pesquisa Industrial e Científica (CSIRO), da Austrália.

Uma rede sem fio de sensores distribuídos por toda a Amazônia vai vigiar constantamente a vida sob a cobertura vegeral da floresta. A Fundação Gordon e Betty Moore, criada por Gordon Moore, fundador da empresa de informática Intel, deu um financiamento de US$ 1,4 milhão.

As espécies amazônicas estão desaparecendo num ritmo mais rápido do que os cientistas conseguem catalogá-las. "Os satélites e os drones fornecem uma grande quantidade de dados sobre as principais mudanças na cobertura florestal, o desmatamento e o uso da terra, mas estes métodos pouco revelam sob o que acontece sob a copa das árvores", declarou Emiliano Ramalho, coordenador do projeto e de biodiversidade no Instituto Mamirauá.

"A avaliação da biodiversidade é difícil em zonas distantes utilizando os métodos tradicionais. Os investigadores devem viajar fisicamente através da selva e percorrer áreas perigosas para identificar as espécies que veem e ouvem. O resultado não é muito confiável nem exaustivo e muito limitado em termos de coleta de informações", explicou Alberto Elfes, pesquisador do CSIRO e diretor do projeto na Austrália.

Ramalho acrescentou que a experiência poderá ser reproduzida em outras regiões: "Nossa inovação tecnológica para monitorar a biodiversidade na Amazônia se inscreve numa escala nunca alcançada: combina várias tecnologias, inclusive sons, imagens visuais e imagens térmicas para levar a cabo a detecção e a identificação dos animais. Além da Amazônia, estas tecnologias serão de grande valor para pesquisas a diversidade em bosques tropicais no mundo."

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Mais da metade dos vertebrados morreu nos últimos 40 anos

Com a destruição de seus ambientes naturais pela agricultura, desmatamento, mineração e urbanização, mais metade dos animais vertebrados morreu nas úlltimas décadas no mundo inteiro, revela uma pesquisa divulgada hoje pela organização de defesa do meio ambiente Fundo Mundial pela Natureza (WWF).

O relatório Planeta Vivo é um grande balanço da saúde do planeta e da biodiversidade baseado num estudo realizado a cada dois anos pela Sociedade Zoológica, de Londres, e a organização não governamental Global Footprint Network (Rede Pegada Ecológica Global).

O índice Planeta Vivo observou 14.152 populações de 3.706 espécies de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Não pesquisa os invertebrados.

De 1970 a 2012, último ano de que há dados consolidados, as populações de vertebrados diminuíram 58%. No relatório anterior, a mortandade estava em 52%. Os mais afetados são os animais de água doce (81%), à frente das espécies terrestres (38%) e marinhas 36%.

Neste ritmo, o percentual de vertebrados mortos deve subir para 67% até 2020, adverte o WWF.

Em 2012, o consumo humano, a pegada ecológica, a marca que deixamos no planeta, superou em 61% a capacidade de recuperação da Terra. Essa ultrapassagem ecológica começou no início dos anos 1970s.

Os homens cortam mais árvores do que crescem, pescam mais peixes do que nascem e lançam mais gases carbônicos na atmosfera que as florestas e os oceanos conseguem absorver. E a cada ano, o dia da ultrapassagem, em que os humanos consumiram tudo o que o planeta produz num ano, acontece mais cedo.

Em 1986, foi 1º de novembro. Em 1992, 14 de outubro. Neste ano de 2016, foi 8 de agosto.

"A agricultura é responsável por 80% do desflorestamento e por 70% do consumo de água", observa Arnaud Gauffier, responsável pelo programa de agricultura do WWF na França. "Cerca de 30% de pegada de carbono da França está ligada à alimentação."

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Metade das árvores da Amazônia corre risco de extinção

Uma em cada duas espécies de árvores da Floresta Amazônica está ameaçada de desaparecer, adverte o consórcio internacional Rede de Diversidade das Árvores da Amazônia, do qual fazem parte 160 cientistas e o Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento, um órgão público da França.

De acordo com diferentes previsões sobre o desmatamento da Amazônia, de 36% a 57% das espécies de árvores da floresta correm perigo, cerca de 8,7 mil das 15 mil espécies registradas num primeiro inventário sobre a vida na Bacia Amazônica, publicado há dois anos. Entre elas, está a imponente castanheira.

Se essa mesma proporção de espécies ameaçadas for projetada para a escala planetária, são cerca de 40 mil espécies de árvores tropicais e 22% das espécies vegetais do planetas ameaçadas.

Os pesquisadores estimam que 20% da Floresta Amazônica foram destruídos desde 1970. Até 2050, a maior floresta tropical do planeta pode perder mais 30%.

A expectativa é que seja possível preservar a Amazônia em parques nacionais e reservas indígenas, mas é uma floresta tropical úmida assentada sobre um solo pobre. Se o desmatamento diminuir a massa de umidade que a floresta produz, talvez não possível sustentar a vida com a mesma exuberância.

Sem umidade abundante, a vegetação rasteira pode secar tornando-se combustível para incêndios florestais.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Grandes parques nacionais da África Oriental estão ameaçados

Todos os anos 2 a 3 milhões de gnus cruzam a fronteira entre o Quênia e a Tanzânia, na maior migração de animais superiores do planeta, entre zebras, gazelas, antílopes, elefantes e crocodilos que os atacam na travessia dos rios. 

Um dos ambientes característicos da África está ameaçado, advertem cientista da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (UNCT). Sob pressão do crescimento populacional e da caça ilegal, o parque nacional do Serenguéti, na Tanzânia, corre risco de desaparecer.


Serenguéti signica planície sem fim na língua do povo massai e continua na Quênia com o nome de Massai Mara. Com os limites do parque sendo violados, a União Europeia está financiando um projeto para fazer uma avaliação clara dos problemas.

No Quênia, o parque vai até até a Floresta Mau, a maior floresta virgem de montanha de todo o continente africano. O Rio Mara, que nasce na floresta, é a artéria que irriga todo o ecossistema do Massai Mara e do Serenguéti.

Juntos, o rio, a floresta e o parque nacional formam um dos ecossistemas mais complexos da Terra, que sustenta uma enorme variedade de formas de vida, de grandes mamíferos como leões, elefantes, búfalos, rinocerontes, hipopótamos e girafas até plantas raras e especiais.

"O Serenguéti é em muitos sentidos uma imagem icônica da África e será o centro do nosso projeto de pesquisa", comentou o biólogo Eivin Roskaft professor da UNCT. "Tudo o que tiramos da natureza são serviços que o ecossistema presta. Estes recursos estão se deteriorando pouco a pouco. O que nós vemos no Serenguéti são pressões tão grandes que o ecossisema pode deixar de ser sustentável. Na pior das hipóteses, o Serenguéti pode desaparecer em poucas décadas."

Em 1961, a Tanzânia tinha 8 milhões de habitantes. Hoje, são 50 milhões. Esta população pode dobrar em 20 anos aumentando a caça ilegal para garantir a subsistência, com o cultivo de pastagens. A maior parte da comida é cozinhada em fogueiras a céu aberto com lenha tirada das florestas.

A região tem problemas com malária e a doença do sono que podem se agravar com o aquecimento global. Os especialistas em saúde temem que a abertura, a melhoria e o aumento do tráfego nas estradas aumente a incidência de aids.

Cerca de 100 cientistas de 13 instituições do Quênia, Tanzânia, Alemanha, Dinamarca, Escócia e Noruega estão envolvidos no projeto Relacionando a biodiversidade e os serviços e funções do ecossistema na região do Serenguéti-Mara, na África Oriental. Mais mestrandos e doutorandos devem se juntar ao grupo.

"O mais importante é fortalecer a especialização na Tanzânia. Minha maior meta e motivação é formar bons especialistas e profissionais tanzanianos", observou Roskaft. "Especialmente em países como o Quênia e a Tanzânia, que têm recursos naturais abundantes, é importante que os cidadãos locais tenham o conhecimento necessário para fazer suas próprias avaliações e julgamentos profissionais."

Desde pequeno, o professor tinha uma fascinação pela África, colecionava cartões postais e lia livros sobre o Serenguéti. É uma "honra indescritível", disse ele, poder fazer esta pesquisa financiada pela UE.

sábado, 15 de novembro de 2014

Museu da Biodiversidade de Frank Gehry é obra de arte

CIDADE DO PANAMÁ - À beira do Oceano Pacífico, na boca do Canal do Panamá, fica a construção mais impressionante deste pequeno país depois da passagem interoceânica. O Bio Museu ou Museu da Biodiversidade é uma admirável obra de arte multicolorida e psicodélica do arquiteto canadense-americano Frank Gehry para exaltar a diversidade biológica do Panamá, que tem mais
espécies de plantas e animais do que os Estados Unidos e o Canadá juntos.

O prédio tem várias aberturas para o entorno, onde está sendo cultivado um jardim botânico, para a cidade e para o mar. Lá dentro, estão em obras dois aquários, um com espécies do Atlântico e outro do Pacífico, unidos ali pelo canal de 80 quilômetros, aberto à navegação em 15 de agosto de 1914.

Desde o fim de 1999, quando assumiu o controle do canal, construído e operado até então pelos EUA, o Panamá passa por uma ampla modernização, que inclui a ampliação da passagem interoceânica por onde passaram 1 milhão de navios até 2010.

Uma ala do museu é dedicada ao surgimento do istmo centro-americano por força de erupções vulcânicas, há 45 milhões de anos. Essa ponte entre as Américas do Norte e do Sul só foi concluída há cerca de 20 milhões de anos.

Como se acredita que o homem chegou à América atravessando da Rússia para o Alasca pelo que hoje é o Estreito de Behring, congelado durante a Era Glacial, veio para o Sul pelo istmo centro-americano. A América Central dividiu os dois maiores oceanos da Terra e também permitiu a migração de animais.

Há ainda um setor de fósseis encontrados durante as obras de ampliação do canal, que incluem um megatubarão de até 30 metros de comprimento e pequenas espécies de camelos e cavalos hoje extintas.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Megaerupções vulcânicas causaram extinção em massa

Uma série de grandes erupções vulcânicas mudou o clima da Terra e pode ter causado uma onda de extinção que acabou com a metade dos seres vivos do planeta há cerca de 200 milhões de anos, abrindo espaço para o domínio dos dinossauros, aponta um novo estudo da Instituição Carnagie para a Ciência, nos Estados Unidos.

A grande quantidade de gases jogada na atmosfera pelos vulcões teria alterado o clima. Naquele tempo, a Terra só tinha um enorme continente, Pangea, de onde saíram todos os que existem hoje.

Os grandes vulcões ficavam na Província Magmática Central do Atlântico, que se estendia de onde hoje é a Nova Escócia, no Canadá, e Nova Jérsei, nos EUA, até o Marrocos. As megaerupções duraram 600 mil anos e abriram a fenda onde se formou o Oceano Atlântico.

Quando a grande extinção do fim do Período Triássico ocorreu, há 201,56 milhões de anos, os vulcões estavam em plena atividade, conclui a pesquisa. As primeiras erupções em massa aconteceram no Marrocos. Três mil anos depois, começaram na Nova Escócia. Outros dez mil mais tarde, em Nova Jérsei.

Ao examinar a formação geológica desses lugares, os cientistas encontraram fósseis de animais e plantas, pólen e esporos, abaixo das camadas de lavas das grandes erupções vulcânicas, mas não acima delas. Desapareceram para sempre peixes semelhantes a enguias, espécies primitivas de crocodilos, lagartos que viviam em árvores e vegetais de folhas largas, reporta o jornal digital americano The Huffington Post.

Começava então a Era dos Dinossauros, que reinariam sobre a Terra até 65 milhões de anos atrás, quando outra grande onda de extinção acabou com eles. Supõe-se que tenha sido causada pelo impacto de um grande meteoro que teria atingido a região do Golfo do México.

A explosão teria jogado no ar uma grande quantidade de partículas capaz de envolver o planeta numa névoa que bloqueava a luz solar. O clima mudou, e os dinossauros desapareceram.

Neste momento, vivemos a sexta grande onda de extinção, causada principalmente pela destruição da natureza pela ocupação humana com a agravante do aquecimento da atmosfera pela queima de combustíveis fósseis pelo homem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Extinção de espécies agrava efeito estufa

Quando espécies sensíveis são extintas, os ecossistemas perdem um pouco a capacidade de se reajustar e resistir à mudança do clima, concluiu uma pesquisa realizada por biólogos do Departamento de Biologia e Ciências Ambientais da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, publicada hoje na revista acadêmica Ecology Letters.

Para os pesquisadores, uma biodiversidade grande é um seguro para a natureza e a sociedade humana porque pelo menos algumas das espécies sobreviventes serão capazes de realizar funções importantes como a purificação da água ou a polinização das plantas.

"É o mesmo princípio usado para fazer uma carteira de investimentos - seria uma loucura colocar todos os seus ovos na mesma cesta", comentou o chefe da pesquisa, o biólogo Johan Eklöf.

A experiência incluiu observações no litoral da Suécia e a criação de miniecossistemas em aquário ao ar livre para examinar a relação entre as algas filamentosas e a chamada crina marinha. Os matagais de crina marinha são locais de reprodução do bacalhau, uma espécie ameaçada pela pesca excessiva.

Com a presença de menos bacalhaus, há uma proliferação de peixes pequenos predatórios que reduzem as populações de Grammarus locusta, um crustáceo herbívoro que come algas filamentosas. A proliferação destas algas sufoca a crina marinha. Este efeito cascata é um fenômeno cada vez mais comum, na medida em que predadores ficam perto da extinção por causa da caça e da pesca excessivas.

Ao reduzir populações capazes de controlar a proliferação de plantas que se beneficiam com o aumento do calor, isso acaba agravando o efeito estufa.

A conclusão da pesquisa é clara: é a diversidade de algas herbívoras que determina em que medida o ecossistema é afetado pelo aquecimento global e pela acidificação dos mares.

"Com uma biodiversidade elevada, nem o aquecimento nem a acidificação tem efeito real porque as algas filamentosas são comidas antes que possam crescer suficientemente para sufocar a crina marinha",  declarou o chefe da equipe da Universidade de Gotemburgo.

O temor dos cientistas é que a perda de biodiversidade enfraqueça ainda mais ecossistemas frágeis e ameaçados. Eklöf acredita que ainda há tempo, se a sociedade tomar as medidas necessárias: "Se protegermos a biodiversidade local que ainda temos e recuperarmos parte da que perdemos, por exemplo, protegendo os estoques de peixes ameaçados nas zonas costeiras, provavelmente seremos capazes de aumentar a resiliência dos ecossistemas à mudança do clima".

sábado, 30 de outubro de 2010

Conferência faz acordo sobre biodiversidade

Mais de 190 países chegaram a um acordo histórico ontem em Nagoia, no Japão, no fim da Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, para proteger espécies ameaçadas e o patrimônio natural dos países ricos em recursos naturais.

Um plano estratégico de 20 pontos vai tentar conter o ritmo alarmante de desaparição de espécies. Também foi criado um protocolo para garantir que os países biodiversos recebam parte dos lucros de produtos desenvolvidos a partir de seu patrimônio genético.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um quinto das espécies vivas está ameaçado

Um quinto das espécies de animais e plantas, 26 mil ao todo, está ameaçado de desaparecer, adverte um estudo divulgado hoje pela União Internacional pela Preservação da Natureza. 

Mas, na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que se realiza em Nagoia, no Japão, até sexta-feira, não há acordo entre ricos e emergentes sobre como preservar a diversidade biológica do planeta, que enfrenta sua sexta grande onda de extinção.

Os objetivos da conferência são estabelecer metas de preservação para 2020, criar um protocolo sobre a exploração de recursos genéticos e meios para financiar a proteção da natureza.

Não há acordo entre países ricos e em desenvolvimento. Estes temem a chamada privatização da natureza, correndo o risco de ter seus próprios recursos patenteados por empresas multinacionais,

Diante do impasse, o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, ofereceu US$ 2 bilhões para preservar a biodiversidade de países em desenvolvimento.

Para justificar sua participação na conferência, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, declarou que "a preservação da natureza e da biodiversidade são elementos fundamentais do desenvolvimento".

terça-feira, 11 de maio de 2010

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Destruição da Amazônia ameaça agronegócio

Além do efeito catastrófico para o aquecimento global, a destruição da Floresta Amazônica ameaça a agricultura brasileira e o suprimento de energia hidrelétrica para o Centro-Sul do Brasil, advertiu hoje o ecologista americano Thomas Lovejoy, consultor da Fundação das Nações Unidas e assessor da presidência do Banco Mundial, em palestra sobre A Máquina de Chuva na Amazônia, a Mudança do Clima e o Desmatamento Evitado, realizada no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro.
 
Com mapas animados da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional (NOAA) do governo dos Estados Unidos, Lovejoy, que também preside o Centro Heinz para Ciência, Economia e Meio Ambiente e o Instituto Yale para Estudos da Biosfera, mostrou que a água que evapora na Amazônia forma nuvens responsáveis pela chuvas no Centro-Sul.

“Se o Brasil estiver interessado em manter o agronegócio no Centro-Sul e suas hidrelétricas, precisa manter o ciclo da água intacto”, alertou o cientista. “Uma queda de 20% na precipitação criará sérios problemas para a agricultura no Sul”. 

Na Amazônia, as correntes de ar movem as nuvens na direção oeste até esbarrarem na Cordilheira dos Andes, de onde parte vai para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do país. Como “75% do vapor d’água da Amazônia vêm da transpiração de árvores e plantas, à medida em que as florestas são derrubadas, há menos água para evaporar. Com menos árvores, a chuva diminui, a estação seca será longa e a temperatura aumentará”, previu Lovejoy. 

Outra observação importante: o desmatamento e o fenômeno El Nino (aquecimento das águas do Oceano Pacífico) provocaram a impressionante seca de 2005 na Amazônia. É preciso, defendeu o cientista que criou o conceito de diversidade biológica, “manter a integridade do ciclo da água”. 

A floresta tropical amazônica depende da umidade do ar que a envolve, como destaca outro cientista americano especializado na região, Daniel Nepstad. Ele teme que a queda na umidade relativa do ar seque a vegetação rasteira da floresta, transformando ervas e arbustos em combustível para incêndios potencialmente devastadores. Um risco adicional é que a mudança do clima pode impedir o reflorestamento da Amazônia. 

Nos anos 70, quando os primeiros alertas sobre a devastação da floresta foram feitos, Irwin e Goodland defenderam essa tese no livro Amazônia: do Inferno Verde ao Deserto Vermelho? Como o solo da Amazônia é relativamente recente, a camada fértil é pequena e frágil, protegida e alimentada pela cobertura florestal. Com o desmatamento, o sol esterilizaria a terra nua. A mata e o vapor d’água que ela gera protegem o solo frágil, mantendo o equilíbrio de um dos ecossistemas mais ricos do planeta. 

Qual é o ponto-limite, a partir do qual a degradação da Floresta Amazônica será irreversível? “Essa é a questão que não queremos saber”, disse Lovejoy no Cebri. 

Nos últimos 10 mil anos, acrescentou o cientista, o clima da Terra apresentou uma “estabilidade incomum”. Isso contribuiu para o desenvolvimento da sociedade humana que, com a Revolução Industrial, começou a interferir na mudança do clima. 

Neste equilíbrio instável que sustenta a vida, a maioria da umidade do ar é produzida perto do Equador, constata o professor americano. Então a floresta brasileira é fundamental para o futuro do planeta: “Não se pode avaliar a importância da Amazônia sem pensar na mudança do clima”. 

Na opinião de Lovejoy, “é hora de acabar com o desmatamento. É difícil fazer, a presença do governo é tímida numa região enorme. Como criar incentivos para a preservação da floresta?” 

A realidade, revelada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, da sigla em inglês), é que 23% do aumento da concentração de gases carbônicos na atmosfera vêm de florestas tropicais, sobretudo de queimadas, uma prática pré-histórica que sobrevive devido ao subdesenvolvimento e ao atraso. 

Em 23 de agosto de 1997, um ano em que o fenômeno El Niño foi especialmente forte, lembrou o cientista, “uma enorme nuvem de fumaça formou-se sobre a América do Sul”. Para combater as queimadas, Lovejoy considera importantes tanto a regulamentação quanto incentivos para que a floresta seja vista como fonte de riqueza. 

“Depois de 42 anos observando a ação dos governos estaduais e municipais na Amazônia, noto uma transformação notável, realmente impressionante”, ponderou o cientista americano. “Há consciência de que não é um recurso inesgotável. Eles querem coisas que realmente funcionem”. 

Lovejoy acredita que o Sudeste Asiático será duramente afetado pela destruição recentes de suas florestas tropicais e não se mostrou muito otimista em relação ao acordo que começa a ser negociado para substituir o Protocolo de Quioto, que expira em 2012, recordando que as metas de Quioto são fracas. 

Os Estados Unidos, a China e a Rússia resistem em aceitar metas definidas de redução nas emissões dos gases que provocam o efeito estufa, sob a alegação de que prejudicaria suas economias. Em breve, a China vai superar os EUA como maior poluidor do mundo. Tem baixa eficiência energética e uma matriz energética suja. Das 10 cidades mais poluídas do mundo hoje, seis são chinesas. 

“É preciso fazer uma grande parceria energética com a China”, propôs Lovejoy. “Os EUA não podem fazer isso sozinhos. E a China sabe como um de seus recursos mais escassos, a água, é sensível à mudança do clima”. 

Sem a participação das duas economias mais importantes do mundo, qualquer acordo pós-Quioto terá efeitos limitados. A era pós-Quioto será também a era pós-George W. Bush: “Quando o legado deste governo for examinado, talvez o pior aspecto, depois da política para o Oriente Médio, seja a questão ambiental”, alfinetou o professor. 

O ecologista vê um bom momento para reativar o Programa Piloto do Grupo dos Sete para a Floresta Amazônica, já que a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, está liderando a articulação das negociações do acordo pós-Quioto. Quer reduzir as emissões em 50% até 2050. 

O Brasil tem interesse especial nestas negociações. Pode captar recursos para projetos de preservação da floresta, de desmatamento evitado. Mas precisa fazer a sua parte, especialmente acabando com as queimadas, que representam 75% da contribuição brasileira ao efeito estufa. 

“Entre o Brasil e o meio ambiente, não houve um amor à primeira vista”, reconheceu o embaixador Marcos Azambuja, secretário-geral do Itamaraty durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), ao abrir o evento. A questão ambiental era vista como um entrave ao desenvolvimento. 

No encerramento, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Roberto Abdenur alertou para o risco de uma nova crise energética, por falta de chuva, e Azambuja concluiu: “Queremos tratamento eqüitativo. O Brasil não ganha nada com o desmatamento”. 

A posição da diplomacia brasileira ainda parece defensiva em questões ambientais. O país tem a maior floresta tropical do planeta e a maior biodiversidade; 30% de todas as espécies vivas estão no Brasil. É um patrimônio genético que dá um cacife especial ao Brasil em negociações internacionais. É a matéria-prima da próxima revolução tecnológica, da biotecnologia, para a qual o país ainda não definiu uma política clara. 

A cada ameaça de catástrofe ambiental, ressurge o fantasma da internacionalização da Amazônia e o país adota uma posição defensiva, quando na realidade não se compara aos grandes poluidores. Acabar com as queimadas resolveria o problema, e ainda teria créditos e incentivos a receber. 

No final dos anos 90, em conferência no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, o ecologista norte-americano Philip Fearnside, pesquisador do Instituto de Pesquisas de Amazônia (INPA) defendeu a tese de que o Brasil deveria cobrar pelos “serviços ambientais” da Floresta Amazônica. Calculou o valor anual desses serviços em mais de US$ 700 bilhões de dólares por ano. 

O valor parece exagerado, mas o princípio está correto. Como esse valor será calculado depende do acordo pós-Quioto. 

 “Nada de biocombustíveis na Amazônia!”, advertiu Lovejoy. “A máquina de fazer chuva da Amazônia é muito mais importante do que se percebeu até agora”.