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quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Lula fala em desigualdade, paz e reforma da ONU

 Num discurso de 21 minutos na segunda-feira, 19 de setembro, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou as principais metas da política externa brasileira: o combate à desigualdade, a transição energética para conter o aquecimento global, o multilateralismo e a reforma do sistema internacional. Ontem, Lula se encontrou pela primeira vez com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

O presidente apresentou o Brasil como um país que sai do isolamento imposto pela política externa do governo Jair Bolsonaro, na vanguarda da transição energética para uma economia de baixo carbono, que reduziu o desmatamento, combate a desigualdade, respeita os direitos das mulheres e minorias, e defende uma ordem mundial baseada na paz e no direito internacional.

Lula criticou a concentração da riqueza, o Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, o protecionismo dos países ricos e a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC). Disse que dos "escombros do neoliberalismo surgem aventureiros de extrema direita", tentando substituir um "neoliberalismo falido por um nacionalismo primitivo".

 Ao condenar a guerra, não mencionou a agressão da Rússia contra a Ucrânia. Falou que "a guerra escancara a incapacidade de fazer prevalecer os propósitos e princípios da Carta da ONU". Mas não reconheceu que a Rússia viola a soberania nacional e a integridade territorial da Ucrânia.

Ao sair da reunião com Zelensky, Lula reiterou a proposta de formar um grupo de países para intermediar a paz, que ainda não se materializou. Mas as posições são inconciliáveis e o ditador Vladimir Putin aposta na fadiga do apoio dos EUA e da Europa à Ucrânia. Meu comentário:

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

G-20 dá ênfase à economia em vez das questões de segurança

 Apesar do boicote dos ditadores da China e da Rússia, a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no fim de semana em Nova Déli confirma o status da Índia como uma grande potência mundial comprometida com um mundo multipolar e o multilateralismo, que rejeita a ideia de mundo bipolar dominado pelos Estados Unidos e a China.

A Declaração de Nova Déli, Uma Terra, Uma Família, um Futuro, reflete as preocupações econômicas do Sul Global com o desenvolvimento, o combate à fome e à desigualdade social, o financiamento à transição para uma economia verde e a reforma das instituições internacionais para criar um mundo multipolar, em vez das questões geopolíticas e de segurança. Promete triplicar a geração de energia limpa até 2030.

Como os ditadores da China e da Rússia não foram, o Ocidente teve de ceder na linguagem sobre a guerra para garantir o sucesso da reunião, uma vitória da Índia. Com a ausência de seus maiores rivais, o presidente Joe Biden aproveitou para consolidar a parceria estratégica com a Índia, mas os países em desenvolvimento nunca tiveram uma voz tão forte no G-20.

O Brasil assume a presidência do G-20 em novembro e vai sediar a próxima reunião de cúpula de 12 a 14 de julho de 2024 no Rio de Janeiro. Deve manter a orientação adotada em Nova Déli. Em mais uma gafe internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o ditador Vladimir Putin pode vir ao Brasil sem correr o risco de ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI). Depois, recuou. Meu comentário:

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Lula retoma diplomacia presidencial

Com a visita aos Estados Unidos depois de ter ido à Argentina e uma viagem à China prevista para março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta restaurar a política externa que seu ex-ministro Celso Amorim define como "ativa e altiva", partindo do princípio de que o Brasil deve participar de todos os debates internacionais.

A reunião com o presidente Joe Biden teve pontos de grande concordância, como a necessidade de defender a democracia diante do avanço da extrema direita em escala global, de preservar a Floresta Amazônica para reduzir o impacto do aquecimento global, e de combater a pobreza e a desigualdade social. O pomo da discórdia foi a invasão da Rússia na Ucrânia. Meu comentário:

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Biden volta à OMS e ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima

 Em 17 decretos para desmontar políticas do governo anterior, o presidente Joe Biden levou os Estados Unidos de volta ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e à Organização Mundial da Saúde (OMS), suspendeu a construção de um gasoduto vindo do Canadá e do muro na fronteira com o México, e renovou a esperança dos "sonhadores", jovens que entraram no país ilegalmente quando era menores de idade. Os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA terão um caminho para tentar regularizar a situação.

Biden também tornou obrigatório o uso de máscaras em todas as propriedades do governo federal. Seu discurso proclamou a vitória da democracia e a reconciliação nacional. Talvez a marca mais importante da volta à normalidade é que a posse não foi organizada em torno dele. O destaque foi para a democracia e a coalizão multiétnica e multirracial que derrotou o supremacismo branco de Trump.

Além da união nacional, o vírus, a desigualdade social, o racismo e o aquecimento global serão os maiores desafios do governo Biden-Harris. Meu comentário:

sábado, 15 de agosto de 2020

Depressão da Pandemia é ameaça secular à economia mundial

Desde a Grande Depressão (1929-39), não havia tantas nações em recessão ao mesmo tempo. O comércio internacional, o desemprego e a desigualdade social dentro dos países e entre os países são indicadores da crise. 

A pandemia do novo coronavírus é uma ameaça secular, comparada à Gripe Espanhola de 1918 e à Grande Depressão de 1929-39, principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial. 

Os esforços de mitigação incluíram confinamento e proibições de viagem. Para sustentar a economia, os governos mobilizaram mais de US$ 11 trilhões, cerca de R$ 59 trilhões.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Pandemia não será o fim da globalização

Sob o impacto da pandemia, uma tragédia de escala mundial, deve haver uma depressão, um aumento do nacionalismo econômico e do Estado Nacional, elemento central no combate à doença do novo coronavírus. Mas as previsões apocalípticas sobre o fim da globalização são prematuras.

A cooperação e o comércio internacional serão importantes para superar uma nova depressão. Os governos terão de investir pesadamente para evitar uma destruição maior do aparelho produtivo e do emprego. 

A carga fiscal terá de aumentar. Os ricos terão de pagar mais impostos. O coronavírus acelerou revolução tecnológica. Uma garantia de renda mínima pode ser uma solução permanente para a destruição de empregos que seria inevitável com o aumento da automação e da inteligência artificial.

O coronavírus não vai matar a globalização, que é fruto do desenvolvimento das tecnologias de comunicação e de transportes, e de uma busca por maior eficiência econômica. Isso não vai desaparecer.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), um clube de países ricos e em desenvolvimento, previu nesta quarta-feira uma queda de 6% no produto mundial bruto. Pode ser de 7,6% se houver nova onda de contaminação. 

No Brasil, a perda será de 7,4% a 9,1%. Para 2021, a previsão é de um crescimento 2,4% a 4,1%. O desemprego deve chegar a 15,4%. A Argentina pode recuar 10% e o México, 8%. 

Na Europa: a contração será de 9,1% a 10,1% por cento. No próximo ano, crescimento de 6,5%, se pandemia for controlada. A recessão na França será de 11% a 14%. 

A Índia, a grande economia que mais cresceu nos últimos anos, encolhe 7% em 2020, mas deve crescer 5,1% em 2021.

As previsões mais otimistas dependem um controle da pandemia, que já contaminou 7 milhões 453 mil pessoas e matou 419 mil pessoas. 

No Brasil, com mais de 1.300 mortes registradas em 24 horas, o total de óbitos chegou perto de 40 mil. Houve mais 33.100 casos novos, elevando o total de casos confirmados para mais de 775 mil. Meu comentário:

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Brasil chega perto de 15 mil mortes e ministro da Saúde cai

O Brasil registrou mais 15.305 novos casos e 824 mortes pela pandemia do novo coronavírus nas últimas 24 horas. É o segundo país em novos casos e em mortes por dia. O total de casos confirmados passou de 220 mil e o de mortes chegou a 14.962. 

Com menos de um mês no cargo, o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão depois de ser desautorizado e humilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, que insiste no uso da cloroquina nos estágios iniciais da doença e na retomada das atividades econômicas.

Os Estados Unidos tiveram mais 23.572 casos confirmados, chegando a um total de 1,481 milhão de casos, e mais 1.397 mortes, totalizando mais de 88 mil óbitos. 

O presidente Donald Trump anunciou que os EUA terão uma vacina até o fim do ano, mas a maioria dos cientistas estimam que isso só vai acontecer dentro de um ano e um ano e meio.

No mundo inteiro, já são quase 4,630 milhão de casos, 308.645 mortes e quase 1,76 milhão de pacientes curados.

A Suécia, um dos países que não adotaram o confinamento, foi citado como exemplo por Bolsonaro. Teve um aumento de 30 por cento nas mortes em comparação com o ano passado e um total oficial de 3.646 mortes pela covid-19. 

O país tem 10 milhões de habitantes e não evitou a recessão econômica. Os outros países da Escandinávia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, com uma população somada de 16 milhões e 701 mil habitantes, 67 por cento maior, registram mil e 62 mortes, 69 por cento menos. 

É uma mortalidade 5,7 vezes menor sem que a Suécia tenha ganho grande vantagem econômica. O consumo na Dinamarca caiu 29 por cento e na Suécia, 25 por cento, uma diferença de apenas quatro pontos percentuais. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Revoltas populares contra desigualdade atingem quatro continentes

Uma onda de manifestações de protestos que por fundo o aumento da desigualdade de renda, a miséria e o desemprego, abala governos em quatro continentes. É mais um reflexo da Grande Recessão mundial de 2008 e 2009.

Talvez a situação mais grave no momento seja no Chile, onde pelo menos 11 pessoas morreram, mais de 150 saíram feridas e mil e 500 foram presas desde sexta-feira, quando começou uma violenta onda de protestos contra um aumento de 17 centavos de real no preço do metrô. 

Pela primeira vez desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990, o Exército está nas ruas. Sob intensa pressão popular, o presidente conservador Sebastián Piñera cancelou o aumento, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno na região metropolitana de Santiago e em mais de dez outras cidades. 

Também houve protestos recentemente no Equador, no Peru, na Nicarágua, na América Central, no Egito, no Iraque, no Líbano, na Catalunha e em Hong Kong. Meu comentário:

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Megaempresas dos EUA prometem maior responsabilidade social

Os objetivos das empresas vão muito além de dar lucro aos acionistas. Elas devem investir em seus funcionários, agregar valor para os consumidores, negociar com os fornecedores de maneira ética e justa, e apoiar as comunidades locais. 

A Recomendação é da Mesa Redonda dos Negócios, que reúne os diretores-gerais e executivos, entre elas a Apple, a Amazon, a General Motors, a Black Rock, o Bank of America e o banco J P Morgan, noticiou o jornal The New York Times.

É um reconhecimento do papel social das empresas e do escrutínio cada vez maior da sociedade sobre as atividades empresariais. E uma tentativa de mudar a filosofia empresarial que dominou o mundo dos negócios nos últimos 50 anos.

Em 1970, Milton Friedman, o economista mais influente da segunda metade do século 20, professor da Universidade de Chicago e guru do neoliberalismo, afirmou que "a responsabilidade social das empresas e aumentar os lucros."

O espírito desta época foi cristalizado em filmes de Hollywood como Wall Street: Cobiça e Poder, em que o personagem principal repetia que "a ganância é boa", enquanto gerações de investidores ativistas defendiam cortes de custos e demissões para maximizar os lucros.

"Esta ideologia da primazia dos acionistas contribuiu para a desigualdade econômica", comentou o presidente da Fundação Ford, Darren Walker.

Enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos, a renda da classe média no mundo ocidental está estagnada desde os anos 1980s. Uma classe média próspera e satisfeita é a principal base social de apoio da democracia liberal. Assim, não admira um fenômeno como o presidente Donald Trump. Meu comentário:

quinta-feira, 9 de maio de 2019

CNA ganha eleições sem emoção na África do Sul

Com 70% dos votos apurados, o Congresso Nacional Africano (CNA) recebeu 57% votos nas eleições de 8 de maio na África do Sul. Ficou abaixo dos 62% das eleições anteriores, de 2014, noticiou a televisão pública britânica BBC

O partido mantém o poder desde o fim do regime segregacionista branco do apartheid, em 1994, quando Nelson Mandela virou presidente. Mas esse foi o pior resultado.

Em segundo lugar, ficou a Aliança Democrática (AD), com 22%. Em terceiro lugar, vem os Combatentes pela Liberdade Econômica (EEF, do inglês), com 10%.

O índice de comparecimento às urnas foi de 65%, abaixo dos 73% de 2014. Cerca 26,7 milhões de eleitores votaram em 48 partidos. Seis milhões de pessoas não se registraram para votar desta vez. Os resultados finais saem no sábado.

Vinte e cinco anos depois do fim do apartheid, a África do Sul ainda é um dos países mais desiguais do mundo. Os 10% mais ricos ficam com dois terços da renda e mais da metade dos 57 milhões de habitantes vive na miséria.

O desemprego, hoje em 27%, a situação econômica da maioria negra e a corrupção generalizada do governo Jacob Zuma (2009-17) diminuíram o prestígio do CNA.

A ascensão ao poder de Cyril Ramaphosa, que seria o vice-presidente preferido por Mandela, no ano passado, deu uma esperança de recuperação da economia e da política sul-africanas, mas o longo tempo de monopólio do poder criou muitas oportunidades de enriquecimento ilícito para a burocracia do partido.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Sanders pede união dos democratas para derrotar Trump

Horas antes do início da convenção nacional do Partido Democrata para oficializar a candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos, seu rival nas eleições primárias, o senador socialista Bernie Sanders pediu união para derrotar o candidato republicano, Donald Trump, apesar do vazamento de e-mails indicando favorecimento da cúpula do partido a Hillary.

Cerca de 20 mil mensagens de correio eletrônico do comitê executivo nacional democrata foram reveladas pelo sítio WikiLeaks, especializado em piratear segredos políticos e empresariais. Neles, fica evidente a intenção de prejudicar a candidatura Sanders, com críticas inclusive em relação à religião. Sanders é judeu e ateu.

O escândalo ameaça a unidade do Partido Democrata, especialmente depois que Hillary escolheu o senador conservador Tim Kaine para candidato a vice-presidente. Ela ignorou a ala mais à esquerda do partido, que votou em massa em Sanders nas eleições prévias, seduzida pelas críticas à desigualdade social e às grandes empresas, especialmente financeiras, e acordos comerciais.

Em discurso no início da tarde, o senador socialista insistiu em propostas como um salário mínimo de US$ 15 por hora e pediu o voto para a chapa Clinton-Kane, apesar da reação negativa de seus aliados.

Depois de uma convenção republicana marcada pela clara rejeição de amplos setores do partido a Trump, na semana passada, os democratas esperavam dar uma demonstração de unidade. Sanders fala hoje à noite. Vai insistir que o verdadeiro inimigo é Trump.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Bernie Sanders endossa candidatura de Hillary à Casa Branca

Em um discurso em que apontou a desigualdade social como principal tema da campanha e acusou o pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, o senador socialista Bernie Sanders apoiou oficialmente a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

Os dois prometeram unir esforços para impedir a vitória de Donald Trump, descrito por Sanders como um candidato que explora o medo e o preconceito numa campanha marcada por insultos contra negros, mulheres, latinos e imigrantes. Para ganhar em 8 de novembro, a ex-secretária precisa especialmente dos votos dos jovens mobilizados pela campanha de Sanders.

Hillary está estudando com Sanders meios de tornar a universidade mais acessível ao americano de classe média. Ela defendeu uma nova polícia comunitária para acabar com o racismo institucionalizado responsável pelas mortes de tantos negros registradas nas últimos anos por câmeras.

"A situação muda quando as pessoas respeitam a lei e são respeitadas pelos agentes da lei", declarou Hillary, citando como exemplo a polícia de Dallas, que enfrentou Micah Johnson no fim de semana mesmo depois dele afirmar que queria matar brancos, especialmente policiais brancos.

Em outra questão polêmica, a pré-candidata democrata insistiu que "não deve haver armas de guerra nas ruas dos EUA" para que a polícia não tenha de enfrentá-las quando caírem nas mãos de algum desequilibrado.

A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama acenou ainda com a maior geração de bons empregos desde a Grande Depressão (1929-39). "O senador Sanders e eu acreditamos que todas as pessoas que trabalham duro merecem um salário justo", alegando que "US$ 7,50 são um salário de fome que não permite alimentar uma família". Ela também defendeu o direito à livre organização sindical.

Outro tema em que propôs uma ação decidida foi o aquecimento global para tornar os EUA uma economia de baixo carbono.

"Vamos garantir que o centro financeiro de Wall Street e os bilionários paguem sua parte nos impostos", acrescentou Hillary, acusando Trump de reduzir a arrecadação em US$ 1 trilhão com cortes de impostos para as grandes empresas e os super-ricos numa "economia vudu".

As mulheres devem ganhar salários iguais aos homens e os EUA devem oferecer licença-maternidade e licença-paternidade como os demais países ricos, argumentou a ex-secretária de Estado.