Em resposta ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais da China anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira passada, o governo chinês decidiu hoje parar de comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos e pode impor tarifas aos que já comprou.
"Esta foi uma séria violação do [que ficou acertado no] encontro dos chefes de Estado dos EUA e da China", declarou o Ministério do Comércio em Beijim, ao justificar a medida, mais uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas.
Terceiro maior país do mundo em área e primeiro em população, a China teve dificuldade para alimentar sua população, hoje de 1,4 bilhão de habitantes. Com o desenvolvimento econômico, tornou-se a maior importadora mundial de alimentos.
Os Estados Unidos são o maior exportador mundial de alimentos e o Brasil é o segundo. Em curto prazo, o Brasil pode se beneficiar da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. A longo prazo, é melhor para a economia mundial que americanos e chineses se entendam.
Neste caso, uma das exigências dos EUA será que a China compre mais produtos agrícolas americanos. Por isso mesmo, a agricultura foi escolhida como arma da retaliação chinesa. Os produtores agrícolas e as zonas rurais são bases eleitorais importantes para a reeleição de Trump em 2020.
A China tem paciência estratégica. Decidiu não ceder diante do blefe de Trump. Está disposta a bancar o jogo pesado e arrastar as negociações. Parece pronta a desistir de Trump e a apostar na vitória do candidato do Partido Democrata na próxima eleição.
O comportamento errático do presidente americano irritou os chineses, que exigem o tratamento como parceiros do mesmo nível. Não aceitam mais se curvar diante de outras potências.
Para agravar ainda mais o conflito, o Tesouro dos EUA acusou a China de manipular o câmbio, por causa de uma desvalorização de 1,9% no yuan, a moeda chinesa, o que Trump considerou uma desvalorização competitiva para dar vantagens comerciais ao país.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 6 de agosto de 2019
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
EUA acusam China de manipular o câmbio
A guerra comercial corre o risco de degenerar numa guerra cambial. O Tesouro dos Estados Unidos acusou hoje à noite o governo chinês de manipular o yuan, depois que o Banco Popular da China deixou a moeda cair abaixo de sete por dólar.
O Tesouro argumentou que a China tem "uma longa história de permitir a desvalorização da moeda" através da intervenção estatal no mercado. "Nos últimos dias, a China deu passos concretos para desvalorizar sua moeda, enquanto mantém reservas cambiais substanciais, embora tenha feito uso ativo destes instrumentos no passado."
Horas antes, o presidente Donald Trump apontou a desvalorização do yuan como uma forma de criar uma vantagem no comércio ao tornar os produtos chineses mais baratos no mercado internacional. Os economistas chamam isso de desvalorização competitiva.
A pressão de Trump sobre o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central americano, para reduzir ainda mais a taxa básica de juros visava a desvalorizar o dólar e estimular a economia para neutralizar o impacto da guerra comercial com a China.
Se os países começam a proteger seu mercado com tarifaços, é uma guerra comercial. Se manipulam as taxas de câmbio, é uma guerra cambial. Quando travadas pelas maiores economias do mundo, podem ter consequências desastrosas para a economia internacional.
Parte da reação da China ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais anunciado por Trump na sexta-feira passada, o yuan caiu 1,9%, sendo cotado a 7,1087 no centro financeiro de Hong Kong.
"A designação pelo Tesouro dos EUA da China como manipuladora do câmbio é um sinal de que a guerra comercial está se expandindo para uma guerra econômica aberta e total", comentou Eswar Prasad, especialista no sistema financeiro da China na Universidade Cornell, nos EUA.
Depois da trégua anunciada em Osaka, no Japão, durante a reunião do Grupo dos 20, pelo presidente Trump e o ditador Xi Jinping, havia esperança de um acordo entre EUA e China para evitar o agravamento do conflito. Mas não houve avanço no encontro de Xangai, na semana passada, e Trump anunciou o novo tarifaço.
A China tem US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA em suas reservas cambiais. Em caso de um conflito extremo, poderia usar mais esta arma.
O mercado financeiro sentiu o impacto da escalada na guerra comercial entre EUA e China. A Bolsa de Valores de Nova York caiu 1,9% antes do anúncio do Tesouro nesta noite acusam Beijim de manipular o câmbio.
O Tesouro argumentou que a China tem "uma longa história de permitir a desvalorização da moeda" através da intervenção estatal no mercado. "Nos últimos dias, a China deu passos concretos para desvalorizar sua moeda, enquanto mantém reservas cambiais substanciais, embora tenha feito uso ativo destes instrumentos no passado."
Horas antes, o presidente Donald Trump apontou a desvalorização do yuan como uma forma de criar uma vantagem no comércio ao tornar os produtos chineses mais baratos no mercado internacional. Os economistas chamam isso de desvalorização competitiva.
A pressão de Trump sobre o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central americano, para reduzir ainda mais a taxa básica de juros visava a desvalorizar o dólar e estimular a economia para neutralizar o impacto da guerra comercial com a China.
Se os países começam a proteger seu mercado com tarifaços, é uma guerra comercial. Se manipulam as taxas de câmbio, é uma guerra cambial. Quando travadas pelas maiores economias do mundo, podem ter consequências desastrosas para a economia internacional.
Parte da reação da China ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais anunciado por Trump na sexta-feira passada, o yuan caiu 1,9%, sendo cotado a 7,1087 no centro financeiro de Hong Kong.
"A designação pelo Tesouro dos EUA da China como manipuladora do câmbio é um sinal de que a guerra comercial está se expandindo para uma guerra econômica aberta e total", comentou Eswar Prasad, especialista no sistema financeiro da China na Universidade Cornell, nos EUA.
Depois da trégua anunciada em Osaka, no Japão, durante a reunião do Grupo dos 20, pelo presidente Trump e o ditador Xi Jinping, havia esperança de um acordo entre EUA e China para evitar o agravamento do conflito. Mas não houve avanço no encontro de Xangai, na semana passada, e Trump anunciou o novo tarifaço.
A China tem US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA em suas reservas cambiais. Em caso de um conflito extremo, poderia usar mais esta arma.
O mercado financeiro sentiu o impacto da escalada na guerra comercial entre EUA e China. A Bolsa de Valores de Nova York caiu 1,9% antes do anúncio do Tesouro nesta noite acusam Beijim de manipular o câmbio.
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quinta-feira, 27 de junho de 2019
G-20 inicia com ameaça de guerra comercial virar guerra cambial
A reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) será realizada nesta sexta-feira e no sábado em Osaka, no Japão, sob o risco de que as guerras comerciais deflagradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, degenerem em guerras cambiais com grandes prejuízos para a economia global e forte impacto político.
A esperança é que um encontro paralelo de Trump com o ditador da China, Xi Jinping, encaminhe uma solução para o conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo. Mas há várias nuvens negras pairando sobre a economia mundial.
O principal comentarista econômico do jornal inglês Financial Times aponta sete grandes riscos para a economia global: o excesso de endividamento, a chamada estagnação secular, o populismo, a fraqueza da economia europeia, a fricção entre as grandes potências, o protecionismo e a incerteza. Meu comentário:
A esperança é que um encontro paralelo de Trump com o ditador da China, Xi Jinping, encaminhe uma solução para o conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo. Mas há várias nuvens negras pairando sobre a economia mundial.
O principal comentarista econômico do jornal inglês Financial Times aponta sete grandes riscos para a economia global: o excesso de endividamento, a chamada estagnação secular, o populismo, a fraqueza da economia europeia, a fricção entre as grandes potências, o protecionismo e a incerteza. Meu comentário:
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Japão tem terceiro trimestre seguido de contração
O Japão não saiu da recessão no fim de 2012, registrando uma queda de 0,1% no produto interno bruto no quarto trimestre em relação ao terceiro e de 0,4% na comparação anual. A expectativa média de 32 economistas ouvidos pela agência Bloomberg era de um crescimento de 0,4%.
Para combater a estagnação e a deflação, o primeiro-ministro Shinzo Abe, do Partido Liberal-Democrata pressionou o Banco do Japão a elevar a meta de inflação para 2% ao ano e a aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. Desde que o conservador Partido Liberal-Democrata voltou ao poder em novembro, a moeda japonesa, o iene, perdeu 16% do valor.
Em uma reunião do Grupo dos Vinte (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) que começa amanhã em Moscou, o governo japonês será pressionado por causa dessa desvalorização, denunciada em ocasiões similares anteriores pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, como "guerra cambial".
Essas políticas de expansão monetária, aumento da quantidade de dinheiro em circulação, adotadas pelos Estados Unidos e o Reino Unido, são acusadas de funcionar na prática como desvalorizações para aumentar a competitividade das exportações, tornando-as mais baratas.
Para combater a estagnação e a deflação, o primeiro-ministro Shinzo Abe, do Partido Liberal-Democrata pressionou o Banco do Japão a elevar a meta de inflação para 2% ao ano e a aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. Desde que o conservador Partido Liberal-Democrata voltou ao poder em novembro, a moeda japonesa, o iene, perdeu 16% do valor.
Em uma reunião do Grupo dos Vinte (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) que começa amanhã em Moscou, o governo japonês será pressionado por causa dessa desvalorização, denunciada em ocasiões similares anteriores pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, como "guerra cambial".
Essas políticas de expansão monetária, aumento da quantidade de dinheiro em circulação, adotadas pelos Estados Unidos e o Reino Unido, são acusadas de funcionar na prática como desvalorizações para aumentar a competitividade das exportações, tornando-as mais baratas.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Dilma mostra provincianismo ao rejeitar Economist
A presidente Dilma Rousseff não gostou do conselho da revista inglesa The Economist. Diante da estagnação da economia brasileira, a mais importante revista semanal de notícias do mundo sugeriu a demissão do ministro Guido Mantega. Resposta da chefe: "Em hipótese alguma, o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto do povo brasileiro, vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira".
Quanto provincianismo, presidenta! Dilma enrola-se na bandeira a pretexto de proteger a nação, mas, como dizia Samuel Johnson, "o nacionalismo é o último refúgio dos velhacos".
Que tal discutir o mérito da questão, a queda nos investimentos e na produção industrial, as taxas de crescimento abaixo do crescimento populacional, ou seja, negativas no mundo real, mesmo sem descontar a inflação superior a 5%?
Se o produto interno bruto cresce menos do que a população e a inflação, os brasileiros estão ficando mais pobres, presidenta! A queda nos juros é positiva, mas tem sido insuficiente para movimentar uma economia ineficiente, submetida a uma carga de impostos de país rico (em troca de serviços de Terceiro Mundo), que reprime o investimento, a produção e o consumo.
Neste ritmo, o Brasil continuará sendo um país de renda média, abaixo do seu potencial lá por 2050, prevê um estudo recente do banco HSBC. Corre o risco de envelhecer antes de enriquecer, desperdiçando o talento de sua juventude mal educada.
Já que Dilma lembrou a falência do banco Lehman Brothers, Mantega revelou-se um ministro incompetente naquela época, no fim de 2008.
Como contou reportagem do jornal Valor, com a brusca desvalorização do real, várias empresas do setor exportador se ferraram no mercado de derivativos. Tinham apostado na valorização do real. O mercado ia no sentido contrário. Precisavam cobrir suas posições no mercado de câmbio.
Enquanto o presidente Lula autorizava o então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a usar as reservas cambiais para impedir a falência do setor exportador, Mantega dava declarações demagógicas afirmando que o governo não diria dinheiro para a especulação.
No auge da crise, suscitou uma dúvida: o governo iria mesmo socorrer as empresas em dificuldades? Estimulou a especulação quando o BC realizava uma delicada operação em sintonia com a Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, que ofereceu dólares a países em dificuldades para obter a moeda americana no mercado.
Mantega sabia da operação do BC e fingiu não saber de nada? Na prática, sua declaração só atrapalhou.
Nos últimos dois anos, o ministro Mantega perdeu o que ainda tinha de credibilidade ao fazer previsões de crescimento sempre otimistas e exageradas, de 4% ao ano. Em 2011, o Brasil avançou apenas 2,7% e, em 2012, as expectativas estão em torno de 1%.
Apesar da crise internacional, é muito pouco. Pior do que isso, só na União Europeia, mas não dá para se comparar com a Grécia, Portugal ou a Espanha. O Brasil é muito maior.
Para responsabilizar a crise externa, como aliás também faz a presidente Dilma Rousseff, Mantega criou a expressão "guerra cambial". Ao jogar mais moeda em circulação para estimular a recuperação dos EUA, o Fed estaria solapando as outras economias, como se a recuperação mais rápida da maior economia do mundo não fosse do interesse de todos.
As críticas à manipulação do câmbio para dar vantagem competitiva à China sempre foram veladas, dentro da política terceiro-mundista de solidariedade Sul-Sul que marca a política externa dos governos do Partido dos Trabalhadores. Os alvos preferenciais são sempre os EUA e a Europa.
Mas os dados oficiais indicam que não há uma enxurrada de dólares tentando entrar no Brasil. Com a justificada queda nos juros e as injustificáveis taxas de crescimento medíocres, o capital estrangeiro não está entrando no país.
O governo reage com medidas pontuais como cortes de impostos e encargos aqui e ali, mas não tem uma estratégia clara para promover o investimento e o desenvolvimento científico e tecnológico, fundamentais para aumentar a produtividade e a competitividade da economia brasileira.
O que faz Dilma? Reúne-se com a presidente Cristina Kirchner (a presidenta original) e elogia as políticas que estão afundando cada vez mais um país rico como a Argentina. Pior ainda: acredita que está certa. O risco, adverte The Economist, é a economia dar munição às oposições em 2014.
Quanto provincianismo, presidenta! Dilma enrola-se na bandeira a pretexto de proteger a nação, mas, como dizia Samuel Johnson, "o nacionalismo é o último refúgio dos velhacos".
Que tal discutir o mérito da questão, a queda nos investimentos e na produção industrial, as taxas de crescimento abaixo do crescimento populacional, ou seja, negativas no mundo real, mesmo sem descontar a inflação superior a 5%?
Se o produto interno bruto cresce menos do que a população e a inflação, os brasileiros estão ficando mais pobres, presidenta! A queda nos juros é positiva, mas tem sido insuficiente para movimentar uma economia ineficiente, submetida a uma carga de impostos de país rico (em troca de serviços de Terceiro Mundo), que reprime o investimento, a produção e o consumo.
Neste ritmo, o Brasil continuará sendo um país de renda média, abaixo do seu potencial lá por 2050, prevê um estudo recente do banco HSBC. Corre o risco de envelhecer antes de enriquecer, desperdiçando o talento de sua juventude mal educada.
Já que Dilma lembrou a falência do banco Lehman Brothers, Mantega revelou-se um ministro incompetente naquela época, no fim de 2008.
Como contou reportagem do jornal Valor, com a brusca desvalorização do real, várias empresas do setor exportador se ferraram no mercado de derivativos. Tinham apostado na valorização do real. O mercado ia no sentido contrário. Precisavam cobrir suas posições no mercado de câmbio.
Enquanto o presidente Lula autorizava o então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a usar as reservas cambiais para impedir a falência do setor exportador, Mantega dava declarações demagógicas afirmando que o governo não diria dinheiro para a especulação.
No auge da crise, suscitou uma dúvida: o governo iria mesmo socorrer as empresas em dificuldades? Estimulou a especulação quando o BC realizava uma delicada operação em sintonia com a Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, que ofereceu dólares a países em dificuldades para obter a moeda americana no mercado.
Mantega sabia da operação do BC e fingiu não saber de nada? Na prática, sua declaração só atrapalhou.
Nos últimos dois anos, o ministro Mantega perdeu o que ainda tinha de credibilidade ao fazer previsões de crescimento sempre otimistas e exageradas, de 4% ao ano. Em 2011, o Brasil avançou apenas 2,7% e, em 2012, as expectativas estão em torno de 1%.
Apesar da crise internacional, é muito pouco. Pior do que isso, só na União Europeia, mas não dá para se comparar com a Grécia, Portugal ou a Espanha. O Brasil é muito maior.
Para responsabilizar a crise externa, como aliás também faz a presidente Dilma Rousseff, Mantega criou a expressão "guerra cambial". Ao jogar mais moeda em circulação para estimular a recuperação dos EUA, o Fed estaria solapando as outras economias, como se a recuperação mais rápida da maior economia do mundo não fosse do interesse de todos.
As críticas à manipulação do câmbio para dar vantagem competitiva à China sempre foram veladas, dentro da política terceiro-mundista de solidariedade Sul-Sul que marca a política externa dos governos do Partido dos Trabalhadores. Os alvos preferenciais são sempre os EUA e a Europa.
Mas os dados oficiais indicam que não há uma enxurrada de dólares tentando entrar no Brasil. Com a justificada queda nos juros e as injustificáveis taxas de crescimento medíocres, o capital estrangeiro não está entrando no país.
O governo reage com medidas pontuais como cortes de impostos e encargos aqui e ali, mas não tem uma estratégia clara para promover o investimento e o desenvolvimento científico e tecnológico, fundamentais para aumentar a produtividade e a competitividade da economia brasileira.
O que faz Dilma? Reúne-se com a presidente Cristina Kirchner (a presidenta original) e elogia as políticas que estão afundando cada vez mais um país rico como a Argentina. Pior ainda: acredita que está certa. O risco, adverte The Economist, é a economia dar munição às oposições em 2014.
terça-feira, 6 de março de 2012
Guerra cambial de Mantega e Dilma é tiro n'água
Ao insistir no argumento de que os países em desenvolvimento estão sendo afogados numa "tsuname financeira", a presidente Dilma Rousseff ouviu ontem da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, criticas do protecionismo do governo brasileiro, que aumentou o imposto de importação sobre automóveis.
O crescimento medíocre do produto interno bruto, de 2,7% em 2011, anunciado hoje, só comprova o equívoco da política econômica brasileira, que nada faz para reduzir a perda de competitividade da indústria nacional.
Em entrevista ao conta corrente da GloboNews, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega destruiu o argumento furado do atual ministro, Guido Mantega, um economista medíocre, de que o Brasil é vítima de uma guerra cambial.
Pelos cálculos citado pelo jornal O Estado de S. Paulo, os países ricos lançaram US$ 8,8 trilhões no mercado nos últimos anos. Mas seus objetivos foram estimular suas economias e evitar um novo colapso do sistema de crédito interbancário como aconteceu em setembro de 2008.
Sem essas medidas, o risco de uma nova grande depressão seria enorme, com impacto negativo sobre toda a economia mundial.
O Brasil sofre um processo de desindustrialização por falta de competitividade do setor manufatureiro, sobretudo diante da China, que pode ser atribuída ao tripé câmbio, juros e impostos. O Banco Central intervém regularmente no mercado de câmbio para tentar sustentar a moeda, na maioria das vezes em vão, dado o volume de dinheiro disponível hoje no sistema financeiro internacional.
Desde que assumiu, Dilma mostra determinação de reduzir as taxas de juros, admitindo uma inflação mais alta, de 6,5%, longe do centro da meta, de 4,5%. Mas a carga fiscal não cai, e a presidente e seu ministro da Fazenda ficam atacando moinhos de vento, no pior estilo Dom Quixote.
Para todos os efeitos práticos, é uma infantilidade.
O crescimento medíocre do produto interno bruto, de 2,7% em 2011, anunciado hoje, só comprova o equívoco da política econômica brasileira, que nada faz para reduzir a perda de competitividade da indústria nacional.
Em entrevista ao conta corrente da GloboNews, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega destruiu o argumento furado do atual ministro, Guido Mantega, um economista medíocre, de que o Brasil é vítima de uma guerra cambial.
Pelos cálculos citado pelo jornal O Estado de S. Paulo, os países ricos lançaram US$ 8,8 trilhões no mercado nos últimos anos. Mas seus objetivos foram estimular suas economias e evitar um novo colapso do sistema de crédito interbancário como aconteceu em setembro de 2008.
Sem essas medidas, o risco de uma nova grande depressão seria enorme, com impacto negativo sobre toda a economia mundial.
O Brasil sofre um processo de desindustrialização por falta de competitividade do setor manufatureiro, sobretudo diante da China, que pode ser atribuída ao tripé câmbio, juros e impostos. O Banco Central intervém regularmente no mercado de câmbio para tentar sustentar a moeda, na maioria das vezes em vão, dado o volume de dinheiro disponível hoje no sistema financeiro internacional.
Desde que assumiu, Dilma mostra determinação de reduzir as taxas de juros, admitindo uma inflação mais alta, de 6,5%, longe do centro da meta, de 4,5%. Mas a carga fiscal não cai, e a presidente e seu ministro da Fazenda ficam atacando moinhos de vento, no pior estilo Dom Quixote.
Para todos os efeitos práticos, é uma infantilidade.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
China adverte EUA para risco de guerra comercial
A China ameaçou hoje deflagrar uma guerra
comercial, se o Congresso dos Estados Unidos aprovar um projeto de lei em
discussão no Senado para sobretaxar as importações de países que manipulem o
câmbio.
Diante da reação de Beijim, o presidente da Câmara,
o deputado republicano John Boehner, considerou "extremamente perigoso
aprovar legislação no Congresso dos EUA forçando outros países a mexer no valor
de sua moeda", noticia a agência Reuters.
Num sinal que os EUA abandonaram sua postura imperial em relação a seu
maior concorrente estratégico, Boehner admitiu que, "embora tenha
preocupações com a maneira como a China administra o câmbio, não estou certo de
que esta seja a maneira correta de corrigir o problema".
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Presidente do BCE não vê guerra cambial
O presidente do Banco Central da Europa (BCE), Jean-Claude Trichet, não acredita que os bancos centrais estejam envolvidos em uma guerra cambial para desvalorizar suas moedas e assim aumentar a competitividade das exportações do país.
Trichet tentou desarmar os espíritos, declarando que os bancos centrais estão apenas tentando resolver problemas econômicos domésticos.
Desde que a Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou que vai injetar mais US$ 600 bilhões na economia americana nos próximos oito meses, a Alemanha, o Brasil, a China e hoje a Rússia protestaram. Mas o Fed está preocupado em reinflar a economia dos EUA e tem o direito soberano de fazê-lo.
O presidente do Fed, Ben Bernanke, defende o chamado alívio quantitativo, a compra de títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, argumentando que a recuperação americana vai beneficiar o mundo inteiro.
Trichet tentou desarmar os espíritos, declarando que os bancos centrais estão apenas tentando resolver problemas econômicos domésticos.
Desde que a Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou que vai injetar mais US$ 600 bilhões na economia americana nos próximos oito meses, a Alemanha, o Brasil, a China e hoje a Rússia protestaram. Mas o Fed está preocupado em reinflar a economia dos EUA e tem o direito soberano de fazê-lo.
O presidente do Fed, Ben Bernanke, defende o chamado alívio quantitativo, a compra de títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, argumentando que a recuperação americana vai beneficiar o mundo inteiro.
sábado, 9 de outubro de 2010
FMI não reduz divergências entre EUA e China
A reunião anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional entra no segundo dia sem a perspectiva de resolver as divergências entre EUA e China sobre câmbio.
O objetivo central é evitar uma rodada de desvalorizações competitivas para compensar o declínio do dólar, o que poderia deflagrar uma guerra cambial, com sérias consequências para o comércio mundial.
Outra questão importante é a reforma do FMI para aumentar o poder de decisão dos países em desenvolvimento. Os EUA querem que a Europa ceda parte de seus votos, mas não abrem mão do direito de veto (as decisões do Fundo exigem 85% dos votos, e os EUA têm 16%, o que lhes dá poder de veto).
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