A presidente Dilma Rousseff não gostou do conselho da revista inglesa The Economist. Diante da estagnação da economia brasileira, a mais importante revista semanal de notícias do mundo sugeriu a demissão do ministro Guido Mantega. Resposta da chefe: "Em hipótese alguma, o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto do povo brasileiro, vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira".
Quanto provincianismo, presidenta! Dilma enrola-se na bandeira a pretexto de proteger a nação, mas, como dizia Samuel Johnson, "o nacionalismo é o último refúgio dos velhacos".
Que tal discutir o mérito da questão, a queda nos investimentos e na produção industrial, as taxas de crescimento abaixo do crescimento populacional, ou seja, negativas no mundo real, mesmo sem descontar a inflação superior a 5%?
Se o produto interno bruto cresce menos do que a população e a inflação, os brasileiros estão ficando mais pobres, presidenta! A queda nos juros é positiva, mas tem sido insuficiente para movimentar uma economia ineficiente, submetida a uma carga de impostos de país rico (em troca de serviços de Terceiro Mundo), que reprime o investimento, a produção e o consumo.
Neste ritmo, o Brasil continuará sendo um país de renda média, abaixo do seu potencial lá por 2050, prevê um estudo recente do banco HSBC. Corre o risco de envelhecer antes de enriquecer, desperdiçando o talento de sua juventude mal educada.
Já que Dilma lembrou a falência do banco Lehman Brothers, Mantega revelou-se um ministro incompetente naquela época, no fim de 2008.
Como contou reportagem do jornal Valor, com a brusca desvalorização do real, várias empresas do setor exportador se ferraram no mercado de derivativos. Tinham apostado na valorização do real. O mercado ia no sentido contrário. Precisavam cobrir suas posições no mercado de câmbio.
Enquanto o presidente Lula autorizava o então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a usar as reservas cambiais para impedir a falência do setor exportador, Mantega dava declarações demagógicas afirmando que o governo não diria dinheiro para a especulação.
No auge da crise, suscitou uma dúvida: o governo iria mesmo socorrer as empresas em dificuldades? Estimulou a especulação quando o BC realizava uma delicada operação em sintonia com a Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, que ofereceu dólares a países em dificuldades para obter a moeda americana no mercado.
Mantega sabia da operação do BC e fingiu não saber de nada? Na prática, sua declaração só atrapalhou.
Nos últimos dois anos, o ministro Mantega perdeu o que ainda tinha de credibilidade ao fazer previsões de crescimento sempre otimistas e exageradas, de 4% ao ano. Em 2011, o Brasil avançou apenas 2,7% e, em 2012, as expectativas estão em torno de 1%.
Apesar da crise internacional, é muito pouco. Pior do que isso, só na União Europeia, mas não dá para se comparar com a Grécia, Portugal ou a Espanha. O Brasil é muito maior.
Para responsabilizar a crise externa, como aliás também faz a presidente Dilma Rousseff, Mantega criou a expressão "guerra cambial". Ao jogar mais moeda em circulação para estimular a recuperação dos EUA, o Fed estaria solapando as outras economias, como se a recuperação mais rápida da maior economia do mundo não fosse do interesse de todos.
As críticas à manipulação do câmbio para dar vantagem competitiva à China sempre foram veladas, dentro da política terceiro-mundista de solidariedade Sul-Sul que marca a política externa dos governos do Partido dos Trabalhadores. Os alvos preferenciais são sempre os EUA e a Europa.
Mas os dados oficiais indicam que não há uma enxurrada de dólares tentando entrar no Brasil. Com a justificada queda nos juros e as injustificáveis taxas de crescimento medíocres, o capital estrangeiro não está entrando no país.
O governo reage com medidas pontuais como cortes de impostos e encargos aqui e ali, mas não tem uma estratégia clara para promover o investimento e o desenvolvimento científico e tecnológico, fundamentais para aumentar a produtividade e a competitividade da economia brasileira.
O que faz Dilma? Reúne-se com a presidente Cristina Kirchner (a presidenta original) e elogia as políticas que estão afundando cada vez mais um país rico como a Argentina. Pior ainda: acredita que está certa. O risco, adverte The Economist, é a economia dar munição às oposições em 2014.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 8 de dezembro de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
J P Morgan tem US$ 100 bi em papéis de alto risco
A unidade do banco J P Morgan Chase responsável pelo prejuízo recente de US$ 2 bilhões no mercado de derivativos tem US$ 100 bilhões em títulos de alto risco como os causadores da crise financeira mundial em 2008.
Esta unidade tem sido nos últimos três a maior compradora de títulos de dívida hipotecária da Europa e outros instrumentos financeiros complexos como obrigações colateralizadas de crédito em todos os mercados, afirma o jornal inglês Financial Times citando com fontes corretores e especialistas em crédito.
Desde que o prejuízo foi anunciado, as operações especulativas do banco estão sob investigação nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Esta unidade tem sido nos últimos três a maior compradora de títulos de dívida hipotecária da Europa e outros instrumentos financeiros complexos como obrigações colateralizadas de crédito em todos os mercados, afirma o jornal inglês Financial Times citando com fontes corretores e especialistas em crédito.
Desde que o prejuízo foi anunciado, as operações especulativas do banco estão sob investigação nos Estados Unidos e no Reino Unido.
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terça-feira, 9 de março de 2010
UE quer regulamentar derivativos
A União Europeia quer uma regulamentação mais rígida para os derivativos negociados no setor financeiro, especialmente as chamadas obrigações colateralizadas de crédito (credit default swaps), que estariam sendo usadas por especuladores para atacar o euro.
Como essas obrigações funcionam como uma espécie de seguro, os beneficiários desse seguro podem ganhar com o calote de dívidas de países ou empresas. No momento, há cerca de 40 trilhões de dívidas assesurados por operações com derivativos.
Um comentarista do jornal inglês Financial Times chegou a dizer que é como se alguém fosse beneficiário do seguro da casa do vizinho e assim ganhasse uma indenização do seguro se a casa do vizinho pegasse fogo sem ter nenhum ônus ou prejuízo com isso.
Como essas obrigações funcionam como uma espécie de seguro, os beneficiários desse seguro podem ganhar com o calote de dívidas de países ou empresas. No momento, há cerca de 40 trilhões de dívidas assesurados por operações com derivativos.
Um comentarista do jornal inglês Financial Times chegou a dizer que é como se alguém fosse beneficiário do seguro da casa do vizinho e assim ganhasse uma indenização do seguro se a casa do vizinho pegasse fogo sem ter nenhum ônus ou prejuízo com isso.
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