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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça a União Europeia

Ao decidir que o banco central alemão (Bundesbank) não deve seguir a determinação da presidente do Banco Central Europeu (BCE) de comprar tantos títulos de divida pública de países da Zona do Euro quanto for necessário para sustentar a economia em tempos de pandemia, o Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça o projeto de integração da Europa.

Em 1963, uma sentença da Corte Europeia de Justiça estabeleceu que a legislação europeia tem precedência sobre as leis nacionais. Ao contrariar esta decisão, o tribunal de Karlsruhe ameaça derrubar um dos pilares da União Europeia, que nasceu em 1958 como Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma, de 1957.

A Polônia, um dos países que mais se beneficiou da integração à UE depois da queda dos regimes comunistas na Europa Oriental, tem hoje um governo extremista de direita que mina a independência do Poder Judiciario. Aplaudiu a posição do Tribunal Constitucional da Alemanha.

Se outros países fizerem o mesmo em meio a uma emergência de saúde pública e uma crise econômica como não se vê desde a Grande Depressão (1929-39), todo o projeto construído no pós-guerra para garantir a paz e a prosperidade na Europa corre o risco de desabar.

Em entrevista ao jornal francês Libération, o franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, Dani Le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de maio de 1968, hoje um deputado da bancada verde do Parlamento Europeu, declarou que, "se a Europa desabar, será um suicídio alemão." O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já advertiu que a falta de solidariedade nesta hora será um golpe fatal na UE.

Maior economia do continente e quarta do mundo, a Alemanha é o país que mais se beneficia do mercado único europeu. Ao reafirmar a primazia das leis nacionais, o tribunal coloca em risco a reconstrução econômica da Europa depois da pandemia.

A Itália e a Espanha, os países da UE mais abalados pelo novo coronavírus, pediram a demissão de um bônus pan-europeu para o financiamento conjunto da retomada do crescimento. Como aconteceu na Crise do Euro, depois da Grande Recessão, quando Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda não conseguiram honrar suas dívidas, países ricos do Norte da Europa, como a Alemanha, a Finlândia e a Holanda, se negaram a mutualizar a dívida.

Nessa crise anterior, com o veto à emissão de bônus pan-europeus, o então presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, prometeu em 2015 comprar tantos títulos de dívida pública dos países da Eurozona quantos fossem necessários para sustentar as economias endividadas e a união monetária europeia.

Agora, a nova presidente do BCE, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), tomou a mesma decisão e promete mantê-la apesar da decisão da Justiça alemã. Mas os ministros do tribunal de Karlsruhe vetaram a participação do Bundesbank.

Mais uma vez, a solidariedade econômica e financeira é fundamental para manter em pé o projeto de integração da Europa, ameaçado pelo ultranacionalismo de extrema direita dos governos periféricos da Hungria e da Polônia e de partidos como a Reunião Nacional, na França, a Liga, na Itália, a Alternativa para a Alemanha e a pequena Vox, na Espanha.

Se a Alemanha se recusar a contribuir para superar o impacto econômico do Grande Confinamento, as consequências serão terríveis. No início do ano, a Comissão Europeia esperava um crescimento de 1,1% para a Eurozona em 2020. Com a pandemia, a expectativa é de uma recessão de 7,4% na UE e de 7,75% na Europa. O BCE admite que possa chegar a uma queda de 12%.

O risco é que os países do Sul da Europa, a Grécia, a Itália e a Espanha, que devem perder perto de 10% do produto interno bruto, e também Portugal e até a França não consigam arcar com as despesas de reconstrução, aprofundando o fosso com os países do Norte.

A união monetária e o mercado único, que pressupõem uma convergência econômica, sofreriam um golpe potencialmente fatal. A França e uma dezena de países propuseram criar um fundo de recuperação de um a um trilhão e meio de euros com um grande empréstimo tomado pela Comissão Europeia com o aval dos 27 países-membros da UE. Isto permitiria obter taxas de juros muito inferiores às que seriam cobradas dos países em maiores dificuldades.

Diante desta bomba jurídica, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, está entre o dilema de enfrentar a "bomba jurídica" dos juízes de Karlsruhe, o que deflagaria uma crise política e institucional na Alemanha, ou recusar a solidariedade. Nesta hipótese, o sonho de uma Europa unida pode virar pesadelo e fragmentar o continente.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Parlamento Europeu aprova nova presidente da Comissão Europeia

Por 383 a 327, apenas nove votos a mais do que necessário, o Parlamento Europeu aprovou hoje a indicação da ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, para ser a próxima presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia (UE), por um período de cinco anos, a partir de outubro. Será a primeira mulher a ocupar o cargo.

Aliada da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, na União Democrata-Cristão (CDU), Von der Leyen é conservadora. Enfrentou forte resistência das bancadas de centro-esquerda (socialista, social-democrata e verdes) no Parlamento Europeu.

Filha de um embaixador alemão junto à UE, Ernst Albrecht, Ursula Gertrud Albrecht, seu nome de soltleira, nasceu em Ixelles, na Grande Bruxelas, em 8 de outubro de 1958. Aos 13 anos, voltou para a Alemanha, onde o pai foi governador da Baixa Saxônia.

Ursula Albrecht, estudou economia na Universidade de Göttingen, na Alemanha. No auge do terrorismo de grupos de extrema esquerda, o pai esteve sob ameaça da Facção do Exército Vermelho.

Em 1978, ela foi para o Reino Unido, onde viveu mais de um ano com o nome falso de Rose Laden, sobrenome da família de uma bisavó americana com origem no condado de Northampton, na Inglaterra, e estudou na London School of Economics.

Londres foi para ela "a epítome da modernidade: liberdade, alegria de viver e de experimentar tudo". Deu-lhe "a liberdade interior que tenho até hoje".

De volta à Alemanha em 1979, Ursula Albrecht se casou em 1986 com Heiko von der Leyen, de uma família aristocrática, comerciante de seda no tempo da Liga Hanseática. Ela mudou de carreira e estudou medicina na Universidade de Hanôver, onde concluiu o doutorado em 1991. Acusada de plágio, a Comissão de Ensino Superior da Alemanha encontrou apenas três erros graves em sua tese.

Filiada à CDU desde 1990, Ursula von der Lyen foi eleita em 2003 deputada na assembleia legislativa estadual da Baixa Saxônia. Foi ministra do Trabalho do governo Merkel antes de se tornar a primeira mulher a comandar o Ministério da Defesa.

Sua nomeação foi fruto de um acordo entre as duas potências que formam o eixo central da UE: Alemanha e França. Em troca, a ex-ministra das  Finanças francesa Christine Lagarde, hoje diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), será presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Desde a Crise do Euro, a UE enfrenta a pior crise de sua história, com a decisão do Reino Unido de deixar o bloco, a crise dos refugiados e a volta de um ultranacionalismo de extrema direita que lembra a ascensão do fascismo nos anos 1930s e gostaria de implodir o projeto de integração da Europa.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

G-20 inicia com ameaça de guerra comercial virar guerra cambial

A reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) será realizada nesta sexta-feira e no sábado em Osaka, no Japão, sob o risco de que as guerras comerciais deflagradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, degenerem em guerras cambiais com grandes prejuízos para a economia global e forte impacto político.

A esperança é que um encontro paralelo de Trump com o ditador da China, Xi Jinping, encaminhe uma solução para o conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo. Mas há várias nuvens negras pairando sobre a economia mundial.

O principal comentarista econômico do jornal inglês Financial Times aponta sete grandes riscos para a economia global: o excesso de endividamento, a chamada estagnação secular, o populismo, a fraqueza da economia europeia, a fricção entre as grandes potências, o protecionismo e a incerteza. Meu comentário:

quinta-feira, 7 de junho de 2018

FMI dá empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje um acordo para emprestar até US$ 50 bilhões à Argentina em três anos, mais do que os US$ 30 bilhões previstos inicialmente. O presidente Mauricio Macri considerou "um ponto de partida importantíssimo".

"Este é um plano feito pelo governo argentino, com o objetivo de fortalecer a economia em benefício de todos os argentinos. Tenho satisfação de que possamos contribuir com este esforço oferecendo nosso apoio financeiro, que vai aumentar a confiança do mercado, dando às autoridades tempo de resolver uma série de antigas vulnerabilidades", declarou em nota a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.

O ajuste fiscal previsto para este ano mantém a meta de déficit primário já estabelecida pelo governo Macri em 2,7% do produto interno bruto. A meta para 2019 cai de 2,2% para 1,3%. Em 2020, as contas públicas da Argentina devem estar equilibradas.

As novas metas de inflação são  17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.

Em uma medida considera "histórica" pelo atual presidente do banco central argentino, Federico Sturzenegger, o BC não poderá mais financiar o déficit público imprimindo dinheiro. Isso reforça a autonomia operacional da autoridade monetária.

As negociações foram rápidas. Em 8 de maio, o presidente argentino avisou que recorreria ao FMI, causando a reação negativa da esquerda peronista, que associa o Fundo à crise deflagrada em 2001 pelo colapso da dolarização do governo Carlos Menem (1989-99).

terça-feira, 8 de maio de 2018

Argentina volta ao FMI em busca de US$ 30 bilhões

Em meio à pior crise em dois anos e meio de governo, o presidente Mauricio Macri anunciou hoje um pedido de empréstimo de US$ 30 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para conter a desvalorização do peso e evitar problemas de financiamento. O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, viajou para Washington para discutir as condições e o valor da linha de crédito.

O dólar passava de 23 pesos quando o presidente revelou o acordo de "financiamento preventivo" acertado hoje de manhã num telefonema de Dujovne e Macri à diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França.

"Isto vai nos permitir avançar neste plano de crescimento e desenvolvimento, dando-nos apoio para enfrentar este cenário global e evitar a crise", declarou Macri na Casa Rosada.

Na noite anterior, diante de nova queda do peso, o ministro das Finanças, Luis Caputo, alertara para a dificuldade de obter financiamento externo neste momento difícil. Com o FMI, pode tomar empréstimo a juros de 4% ao ano, observou a deputada governista Elisa Carrió.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

FMI inclui iuane chinês entre moedas de reserva

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje a inclusão do iuane entre as moedas de reserva, ao lado do dólar, do euro, do iene e da libra esterlina a partir de 1º de outubro de 2016. A moeda chinesa deve passar a ser mais usada em transações internacionais e como reserva cambial, noticia o jornal The New York Times.

Para o iuane ser reconhecido como moeda de reserva, a China abre mão de parte de seu controle, liberalizando o regime cambial. Isso pode causar volatilidade num momento de desaceleração e transição de uma economia baseada no investimento para um modelo mais orientado para o consumo interno.

A moeda chinesa passa a fazer parte da cesta de moedas usada pelo FMI para calcular o valor de sua própria moeda contábil, os direitos especiais de saque (DES). Será a primeira mudança na cesta desde a inclusão do euro em 1999.

O dólar continua a ter peso de 42% no valor dos DES, o euro cai de 37% para 31%, a libra de 11% para 8% e o iene de 9% para 8%, abrindo espaço para o iuane, que terá peso de 11%.

"É um reconhecimento do progresso que as autoridades chinesas fizeram nos últimos anos para reformar os sistemas monetário e financeiro da China", declarou a diretora-geral do Fundo, a ex-ministra das Finanças da França Christine Lagarde. "A continuação e o aprofundamento destes esforços vai criar um sistema internacional mais robusto, o que vai sustentar o crescimento e a sustentabilidade da China e da economia mundial."

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Credores pedem mais cortes de gastos à Grécia

O Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) exigiram ontem novos cortes de gastos da Grécia, especialmente em aposentadorias e pensões, para evitar que o país quebre outra vez no futuro e não consiga honrar suas dívidas.

Sob pressão ala mais à esquerda de sua Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras acusou a chamada troika de não querer chegar a um acordo. Mas a expectativa é de que haja acordo.

"Ainda existem diferenças, mas não são insolúveis", declarou o ministro das Finanças da Espanha, Luis de Guindos.

Quando o acordo político sobre a dívida grega foi anunciado, na segunda-feira, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, deu seu aval: "A proposta da Grécia é uma boa base para a negociação". Mas a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, observou que ainda havia "muito trabalho a fazer".

A crise da Grécia acabou sequestrando a reunião de cúpula de fim de semestre da União Europeia, que em 2015 tem na pauta uma série de problemas: a agressividade da Rússia na crise da Ucrânia, a migração em massa de refugiados e miseráveis no Mar Mediterrâneo e a ameaça de saída do Reino Unido.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Grécia anuncia acordo e bolsas da Europa sobem

Horas antes de uma reunião de cúpula de emergência da União Europeia, o governo radical de esquerda da Grécia apresentou um novo plano para equilibrar as contas públicas criando um clima de otimismo quanto a um acordo para continuar recebendo ajuda internacional e evitar um calote de sua dívida pública no fim de junho de 2015.  As bolsas europeias fecharam em forte alta, com avanços de 9% em Atenas, de 3,8% em Frankfurt e de 2,5% na média.

Desde que entrou em crise por não conseguir rolar sua dívida pública, em 2009, a Grécia recebeu empréstimos de emergência no valor de 240 bilhões de euros (R$ 847 bilhões) e renegociou uma redução da dívida. Mas teve de se submeter a um rigoroso programa de austeridade imposto pela UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE). A dívida está hoje em 320 bilhões de euros (R$ 1,12 trilhão).

Em consequência da dureza do ajuste, a economia grega encolheu 25% nesse período e o desemprego superou os 25% entre a população adulta e chegou a 56% entre os jovens. Por esse motivo, em janeiro de 2015, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) venceu as eleições e Alexis Tsipras virou primeiro-ministro com a promessa de romper com o programa de austeridade.

O governo grego se recusa a promover um amplo programa de privatizações e a reduzir aposentadorias e pensões. Mas precisa fazer uma proposta realista baseada em números para convencer os credores e as instituições que fiscalizam o plano de resgate ao país.

A Grécia deve pagar 1,6 bilhão de euros (R$ 5,6 bilhões) no dia 30 ao FMI. Precisa de uma parcela de 7,2 bilhões de euros (R$ 25,4 bilhões) que só será liberada se houver acordo.

Às 11h de hoje em Bruxelas (6h em Brasília), Tsipras se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde; o presidente do BCE, Mario Draghi; e o presidente do Grupo do Euro, Jeroen Dijsselbloem; para apresentar a nova proposta da Grécia.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Índia cresceu 7,3% no ano fiscal encerrado em março

A economia da Índia cresceu 7,3% no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2015, anunciou hoje o ministério de estatísticas do país, superando os 6,9% registrados no ano anterior. Foi o maior avanço desde o ano fiscal que acabou em março de 2011.

Tudo indica que a Índia esteja ultrapassando a China como a grande economia emergente que mais cresce no mundo. No primeiro trimestre de 2014, a economia chinesa avançou em ritmo de 7% ao ano.

"Neste horizonte global nebuloso, a Índia é um ponto brilhante", comentou a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, em palestra recente a estudantes em Nova Déli, a capital indiana.

O resultado é atribuído às políticas de estímulo ao investimento do primeiro-ministro nacionalista e conservador Narendra Modi, no poder há um ano. A produção industrial cresceu 7,1% e o setor de serviços, 11,5%. O pior desempenho foi no setor primário. Com a falta de chuva no ano passado, a produção agrícola avançou apenas 0,2%, o contrário do que aconteceu no Brasil.

Pelos dados do produto interno bruto do primeiro trimestre de 2015, divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura brasileira se expandiu em 4,7%, enquanto os serviços recuaram 0,7% e a indústria, 0,3%. A geração de riqueza recuou 0,2%.

Com a crise nos países ricos e a desaceleração do crescimento na China, a economia mundial precisa de um novo polo de forte crescimento. A Índia, com PIB de cerca de US$ 2,3 trilhões, ainda é cinco vezes menor do que a China, que tem um PIB de US$ 11,2 trilhões, mas ultrapassou o Brasil, estagnado em US$ 1,9 trilhão, para se tornar a sétima maior economia do mundo.

O Brasil cai para o oitavo lugar. Ainda é o sétimo pelo critério de paridade do poder de compra, mas nesta lista a Índia fica em terceiro, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ministros da Zona do Euro prorrogam socorro à Grécia

Os ministros das Finanças dos outros 18 países da Zona do Euro concordaram hoje com uma extensão de quatro meses no programa de ajuda à Grécia, de 240 bilhões de euros (R$ 775 bilhões), depois de aprovar uma série de reformas proposta pelo governo grego, noticiou o jornal The Wall St. Journal.

Vários parlamentos nacionais devem ratificar o acordo. A expectativa é que seja aprovado.

A Grécia ganhou um fôlego, mas a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, observou que as medidas proposta pelo governo radical de Atenas não são específicas. As promessas terão de ser traduzidas em resultados antes que o país receba dinheiro novo.

"Convocamos as autoridades da Grécia a desenvolver a ampliar a lista de reformas, baseado no acordo atual, em coordenação próxima com as instituições para permitir uma conclusão rápida e bem-sucedida da revisão", declararam em nota os ministros da Eurozona.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), prometeu aumentar a disciplina nos gastos, orçamento e arrecadação de impostos, mantendo o direito de tomar medidas para combater a "crise humanitária" provocada por uma queda de 25% no produto interno bruto grego nos últimos seis anos.

Tsipras pretende manter o aumento do salário mínimo e se comprometeu a manter o programa de privatizações, mas ficou de revisar a venda de empresas estatais tendo em vista "aos benefícios de longo prazo ao Estado".

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Diretora do FMI é investigada por fraude na França

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, é alvo de uma investigação criminal por negligência num escândalo de corrupção do tempo em que era ministra das Finanças da França, no governo Nicolas Sarkozy.

É a quarta vez que Lagarde é intimida a depor. Ela alega que a acusação não tem base e promete recorrer a um tribunal superior.

O inquérito examina um acordo de arbitragem que beneficiou o empresário Bernard Tapie. Em 2008, ele ganhou 400 milhões de euros, sendo 45 milhões por "danos morais", para encerrar uma disputa com o banco Crédit Lyonnais relativa à venda da empresa de equipamentos esportivos Adidas.

Agora, a Justiça da França quer esclarecer se a decisão foi um "simulacro" de arbitragem arranjado pelo governo da época para beneficiar um dos grandes patrocinadores da campanha presidencial de Sarkozy, que governou o país de 2007 a 2012.

Em 2011, Lagarde substituiu na direção do FMI outro francês, Dominique Strauss-Kahn, que pediu demissão em meio a um escândalo sexual, depois de ser acusado de atacar uma camareira num hotel de Nova York, alegação que se mostrou falsa, mas foi suficiente para enterrar sua candidatura à Presidência da França pelo Partido Socialista.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

FMI adverte para risco de crise da dívida dos EUA

Se o Congresso dos Estados Unidos não chegar a um acordo com a Casa Branca para ampliar o limite da dívida pública do país, toda a economia mundial será ameaçada, advertiu hoje a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

"O fechamento do governo é muito ruim, mas o fracasso em elevar o teto da dívida pública seria muito pior", alertou Lagarde em pronunciamento hoje na Universidade George Washington antes da reunião anual do Banco Mundial e do FMI a ser realizada na próxima semana na capital dos EUA. "É uma missão crítica resolver este problema o mais rápido possível".

Pelos cálculos do Tesouro dos EUA, em 17 de outubro de 2013, a dívida pública americana deve atingir o teto de US$ 16,7 trilhões. Sem sua elevação, o governo não terá como honrar suas dívidas. Pela primeira vez na História, os EUA dariam calote.

Ao fazer novo apelo hoje à oposição republicana, que domina a Câmara, o presidente Barack Obama insistiu em que está apenas pedindo que o Congresso autorize o pagamento de despesas já aprovadas pelo Poder Legislativo: "Você não reduz sua dívida deixando de pagar as contas. Se fizer isso, vai abalar seu crédito. Na próxima vez que for tomar dinheiro emprestado, terá de pagar juros maiores".

segunda-feira, 25 de março de 2013

Chipre fecha acordo com Eurozona para salvar bancos

Depois de 12 horas de negociações tensas, os ministros das Finanças da Zona do Euro e o governo do Chipre chegaram a um acordo na madrugada de hoje para salvar o sistema financeiro da ilha, que está à beira do colapso, com um empréstimo de emergência de 10 bilhões de euros. O governo cipriota terá de levantar 5,8 bilhões como sua contribuição para o resgate.

"Todos os depósitos até 100 mil euros estão garantidos" e não serão submetidos a impostos ou confiscos, assegurou a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ao explicar os termos do acordo. "O saneamento financeiro vai se concentrar em dois bancos". Quem tiver dinheiro não segurado nestes dois bancos estará sujeito a perdas.

Com o acordo, o Banco Central Europeu vai manter sua linhas de crédito de emergência para os bancos cipriotas, que seriam suspensas nesta segunda-feira no caso contrário, levando Chipre à falência.

Os bancos cipriotas reabrem amanhã depois de dez dias de feriados bancários. Para evitar uma corrida bancária os saques em caixas automáticos estão limitados a cem euros

Durante as negociações, o presidente Nicos Anatasiades ameaçou retirar o país da união monetária europeia, para tentar proteger os grandes depositantes. Não conseguiu.

Cerca de 4,2 bilhões de euros de depósitos não segurados do Banco Laiki, o segundo maior do Chipre e o mais problemático, que será fechado, serão transferidos para um "banco ruim". Isso significa que podem ser considerados perdidos. Os ativos bons serão transferidos para o Banco do Chipre.

A última exigência do governo cipriota foi a sobrevivência do Banco do Chipre, o maior do país, mas o dinheiro do empréstimo de emergência não poderá ser usado para salvá-lo.

O governo vai decidir quanto terá de cobrar de impostos sobre os depósitos não garantidos pela UE, acima de 100 mil euros, para levantar sua parcela do plano de salvação financeira do Chipre e recapitalizar o banco de acordo com as novas regras do bloco europeu. Os analistas estimam que possa chegar a 40%.

No pacote anterior, rejeitado nas ruas e no Parlamento do Chipre, as contas acima de 100 mil serão taxadas em 9,9% e abaixo disso em 6,75%, o que provocou revolta por contrariar o princípio de que depósitos até cem mil euros estão garantidos.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

G-20 promete mais US$ 430 bilhões ao FMI

Os membros do Grupo dos Vinte (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) prometeram hoje dar mais US$ 430 bilhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI) emprestar a países em crise.

Essa era a principal reivindicação da diretora-geral do Fundo, a ex-ministra das Finanças da França Christine Lagarde: "Foi uma demonstração de confiança da comunidade internacional". Ela agradeceu a China, Rússia, Brasil, Índia, Indonésia, Malásia e Tailândia por contribuições.

Em entrevista a Richard Quest, da rede de TV americana CNN, Lagarde rejeitou ontem o uso de palavras de guerra para falar do atual momento da economia mundial. Disse que é preciso "ampliar o guarda-chuva do FMI para proteger os países-membros do mau tempo".

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lagarde: ajuste fiscal não pode matar recuperação

A economia mundial vive um  novo momento de crise com elevado endividamento dos governos dos países ricos que exige um ajuste fiscal prudente para não matar a retomada do crescimento, adverte a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde.

Em artigo no jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa, a ex-ministra das Finanças da França rejeitou o argumento de que os instrumentos políticos estejam esgotados e que os governos não possam fazer nada além de equilibrar o orçamento.

Lagarde defende a adoção de medidas de curto prazo que estimulem o crescimento e a geração de emprego ao mesmo tempo em que outras sinalizem um compromisso de equilibrar as contas públicas a médio prazo. Ela nega que esta estratégica seja incoerente, alegando que a retomada do crescimento permitiria aumentar a arrecadação, facilitando o ajuste das contas públicas.

"Afinal, quem vai acreditar que o compromisso de cortar gastos sobreviva a um longo período de estagnação, com desemprego elevado e insatisfação social?", pergunta.

A diretora do Fundo não acredita que baste cortar gastos públicos. Será preciso aumentar impostos nos países ricos e isso deve ser feito de modo a não prejudicar a demanda.

Não será fácil. O peso das dívidas públicas sobre o produto interno bruto dos países ricos cresceu em média 30 pontos percentuais com a crise. Essa carga terá de ser aliviada aos poucos. Procuram-se líderes políticos criativos com ideias inteligentes e visão de futuro.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

França abre inquérito sobre diretora do FMI

Um mês depois de suceder Dominique Strauss-Kahn, derrubado por um escândalo sexual, a nova diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, será alvo de um inquérito aberto hoje pela Justiça da França.

A questão é se ela abusou do poder em 2008, quando autorizou um pagamento de US$ 400 milhões ao empresário Bernard Tapie, amigo pessoal do presidente Nicolas Sarkozy, num processo contra o banco Crédit Lyonnais, que o teria lesado na venda da empresa de material esportivo Adidas, em 1993.

Tapie, um empresário famoso por suas ligações políticas e negócios escudos, era próximo do Partido Socialista na era François Mitterrand (1981-95). Na última eleição presidencial, apoiou Sarkozy.

Depois do escândalo envolvendo Strauss-Kahn, o FMI adotou normas mais rígidas para garantir a integridade moral de seu diretor.

terça-feira, 28 de junho de 2011

FMI elege Lagarde para diretora-geral

O Fundo Monetário Internacional (FMI) escolheu hoje a ministra da Economia e das Finanças da França, Christine Lagarde, como sua primeira diretora-geral. Ela substitui Dominique Strauss-Kahn, que pediu demissão depois de ser preso em Nova York sob a acusação de atacar sexualmente uma camareira de hotel.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil declarou que Lagarde era "a melhor opção". Seu único adversário era Agustín Carstens, presidente do Banco Central do México, país considerado rival na disputa pela liderança na América Latina.

No fim das contas, além dos países ricos da Europa e da América do Norte, Brasil, China e Rússia votaram com o status quo.

Durante a discussão sobre a reforma das instituições econômicas internacionais suscitada pela crise, os grandes emergentes do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) exigiram o fim de uma uma convenção adotada na Conferência de Bretton Woods, em 1944, que criou a ordem econômica mundial do pós-guerra: o presidente do Banco Mundial é sempre americano e um europeu dirige o FMI.

Os países da periferia da Europa (Grécia, Irlanda e Portugal) são hoje os maiores clientes do FMI. Até isso foi usado para defender a candidatura europeia. Ninguém pensou nisso quando os países da América Latina, da Ásia e da África pediam empréstimo ao Fundo.

EUA apoiam Lagarde para o FMI

Os Estados Unidos anunciaram hoje o apoio à candidatura da ministra da Economia e Finanças da França, Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), garantindo sua eleição e a manutenção de uma convenção de que a instituição seja sempre dirigida por um europeu.

Vários países em desenvolvimento queriam mudar essa regra. A candidatura alternativa é do presidente do Banco Central do México, Agustín Carsten, mas grandes economias emergentes, inclusive o Brasil, a Rússia e a China, decidiram apoiar Lagarde com a contrapartida de prosseguimento das reformas no Fundo.

Lagarde é a primeira mulher a dirigir o FMI. Formada em Direito, foi advogada de grandes empresas transnacionais e não é economista, ao contrário de seus antecessores.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

China apoia Christine Lagarde para o FMI

A China abandonou sua neutralidade. Vai apoiar a candidatura da ministra da Economia e das Finanças da França, Christine Lagarde, para diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), revelou hoje o presidente do Banco Popular da China (banco central), Zhou Xiaochuan.

Apesar da retórica terceiro-mundista dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil também vai apoiar Lagarde contra o presidente do Banco Central do México, Agustín Carsten. O Brasil e o México disputam a liderança da América Latina.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lagarde abre espaço para emergentes no FMI

Para garantir apoio à sua candidatura a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, prometeu dar mais voz às grandes economias emergentes, oferecendo-lhes posições de destaque na hierarquia da instituição.

Antes de visitar o Brasil e a China, Christine Lagarde deu entrevista ao jornal inglês Financial Times.

No início da semana, os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) divulgaram nota repudiando "uma convenção não escrita e obsoleta que diz que o diretor-geral do FMI deve ser europeu".