No fim de uma reunião de cúpula de dois dias com dirigentes africanos, o ditador Xi Kinping anunciou investimentos de US$ 60 bilhões da China na África, sendo US$ 20 bilhões como empréstimos. Eles se somam a dezenas de bilhões de dólares que a China empresta anualmente a países do continente para financiar obras de infraestrutura e desenvolvimento industrial. Com a "diplomacia da dívida", a China é a nova potência imperial a explorar a África.
Todos os 53 países africanos participaram do 7º Fórum de Cooperação Sino-Africano, realizado em Beijim. A China é hoje a grande investidora na África, na frente da Europa, dos Estados Unidos e do Banco Mundial.
Enquanto Xi acena com a possibilidade de "anular" parte da dívida externa dos países pobres, o que incluiria vários países africanos, o Chade, a República Democrática do Congo, o Sudão do Sul e o Zimbábue estão na lista dos superendividados.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa rejeitou a acusação de que há um "neocolonialismo" chinês no continente.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 4 de setembro de 2018
quinta-feira, 7 de junho de 2018
FMI dá empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje um acordo para emprestar até US$ 50 bilhões à Argentina em três anos, mais do que os US$ 30 bilhões previstos inicialmente. O presidente Mauricio Macri considerou "um ponto de partida importantíssimo".
"Este é um plano feito pelo governo argentino, com o objetivo de fortalecer a economia em benefício de todos os argentinos. Tenho satisfação de que possamos contribuir com este esforço oferecendo nosso apoio financeiro, que vai aumentar a confiança do mercado, dando às autoridades tempo de resolver uma série de antigas vulnerabilidades", declarou em nota a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.
O ajuste fiscal previsto para este ano mantém a meta de déficit primário já estabelecida pelo governo Macri em 2,7% do produto interno bruto. A meta para 2019 cai de 2,2% para 1,3%. Em 2020, as contas públicas da Argentina devem estar equilibradas.
As novas metas de inflação são 17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.
Em uma medida considera "histórica" pelo atual presidente do banco central argentino, Federico Sturzenegger, o BC não poderá mais financiar o déficit público imprimindo dinheiro. Isso reforça a autonomia operacional da autoridade monetária.
As negociações foram rápidas. Em 8 de maio, o presidente argentino avisou que recorreria ao FMI, causando a reação negativa da esquerda peronista, que associa o Fundo à crise deflagrada em 2001 pelo colapso da dolarização do governo Carlos Menem (1989-99).
"Este é um plano feito pelo governo argentino, com o objetivo de fortalecer a economia em benefício de todos os argentinos. Tenho satisfação de que possamos contribuir com este esforço oferecendo nosso apoio financeiro, que vai aumentar a confiança do mercado, dando às autoridades tempo de resolver uma série de antigas vulnerabilidades", declarou em nota a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.
O ajuste fiscal previsto para este ano mantém a meta de déficit primário já estabelecida pelo governo Macri em 2,7% do produto interno bruto. A meta para 2019 cai de 2,2% para 1,3%. Em 2020, as contas públicas da Argentina devem estar equilibradas.
As novas metas de inflação são 17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.
Em uma medida considera "histórica" pelo atual presidente do banco central argentino, Federico Sturzenegger, o BC não poderá mais financiar o déficit público imprimindo dinheiro. Isso reforça a autonomia operacional da autoridade monetária.
As negociações foram rápidas. Em 8 de maio, o presidente argentino avisou que recorreria ao FMI, causando a reação negativa da esquerda peronista, que associa o Fundo à crise deflagrada em 2001 pelo colapso da dolarização do governo Carlos Menem (1989-99).
quinta-feira, 8 de junho de 2017
Venezuela deu calote de US$ 1 bilhão na Rússia
Enquanto se esforça para cumprir os compromissos com o sistema financeiro internacional, o president Nicolás Maduro dá calote nos aliados. A Venezuela deixou de pagar à Rússia US$ 1 bilhão, forçando o governo Vladimir Putin a revisar o orçamento para 2017, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.
O Comitê de Auditoria da Rússia confirmou o calote a jornalistas russos. A emenda ao orçamento cita a queda de 53,9 bilhões de rublos, cerca de US$ 950 milhões, no ingresso de divisas "associada ao fracasso da República Bolivarista da Venezuela de honrar os termos do protocolo intergovernamental russo-venezuelano nº 23/26, de setembro de 2016."
Por este acordo, a Rússia concordou em renegociar uma dívida de US$ 2,84 bilhões, com o reescalonamento de US$ 530 milhões de 2019 a 2021. Os outros US$ 2,2 bilhões seriam pagos em cinco anos. A primeira parcela, de US$ 362 milhões, era devida em 31 de março de 2017. Não foi paga.
O empréstimo original, de US$ 4 bilhões, foi concedido pela Rússia ao então presidente Hugo Chávez, em 2011, principalmente para a compra de armas e equipamentos militares. O governo russo aceitar renegociar em setembro do ano passado por causa de uma "crise de liquidez" na Venezuela e das "relações de amizade" entre os dois países.
A Venezuela vive a pior crise de sua história independente, com inflação de 900% ao ano, queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos dois anos e desabastecimento de 80% dos produtos básicos, inclusive remédios e alimentos.
O Comitê de Auditoria da Rússia confirmou o calote a jornalistas russos. A emenda ao orçamento cita a queda de 53,9 bilhões de rublos, cerca de US$ 950 milhões, no ingresso de divisas "associada ao fracasso da República Bolivarista da Venezuela de honrar os termos do protocolo intergovernamental russo-venezuelano nº 23/26, de setembro de 2016."
Por este acordo, a Rússia concordou em renegociar uma dívida de US$ 2,84 bilhões, com o reescalonamento de US$ 530 milhões de 2019 a 2021. Os outros US$ 2,2 bilhões seriam pagos em cinco anos. A primeira parcela, de US$ 362 milhões, era devida em 31 de março de 2017. Não foi paga.
O empréstimo original, de US$ 4 bilhões, foi concedido pela Rússia ao então presidente Hugo Chávez, em 2011, principalmente para a compra de armas e equipamentos militares. O governo russo aceitar renegociar em setembro do ano passado por causa de uma "crise de liquidez" na Venezuela e das "relações de amizade" entre os dois países.
A Venezuela vive a pior crise de sua história independente, com inflação de 900% ao ano, queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos dois anos e desabastecimento de 80% dos produtos básicos, inclusive remédios e alimentos.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Câmara Federal da Alemanha aprova ajuda à Grécia
Por 545-113, com 18 abstenções, a Câmara Federal da Alemanha aprovou ontem o terceiro empréstimo à Grécia. A oposição se manteve no mesmo nível desde o início dos programas de ajuda ao governo grego.
Os parlamentos da Áustria, Espanha e Estônia aprovaram a ajuda anteontem. A Grécia precisa de 3,2 bilhões de euros para pagar hoje o Banco Central Europeu. Se calotear, perde o direito à linha de crédito usada pelos bancos gregos como boia de salvação.
Mesmo com a ajuda plenamente ratificada pelos outros 18 países da Zona do Euro, a crise da Grécia continua.
Os parlamentos da Áustria, Espanha e Estônia aprovaram a ajuda anteontem. A Grécia precisa de 3,2 bilhões de euros para pagar hoje o Banco Central Europeu. Se calotear, perde o direito à linha de crédito usada pelos bancos gregos como boia de salvação.
Mesmo com a ajuda plenamente ratificada pelos outros 18 países da Zona do Euro, a crise da Grécia continua.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Grupo do Euro ajuda de emergência de 7 bilhões à Grécia
Os outros 18 países da Zona do Euro aprovaram hoje um empréstimo de emergência de 7 bilhões de euros para a economia da Grécia funcionar enquanto conclui as negociações do terceiro programa de resgate financeiro, no valor de 86 bilhões de euros.
Em nota, o Grupo do Euro declarou que, "depois da avaliação positiva das instituições", deu o aval ao empréstimo, que tem prazo de três anos. Esse dinheiro será liberado até segunda-feira, em tempo para o governo grego honrar um pagamento de 3,5 bilhões de euros devido ao Banco Central Europeu (BCE) com vencimento em 20 de julho de 2015.
As instituições são a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.
Em nota, o Grupo do Euro declarou que, "depois da avaliação positiva das instituições", deu o aval ao empréstimo, que tem prazo de três anos. Esse dinheiro será liberado até segunda-feira, em tempo para o governo grego honrar um pagamento de 3,5 bilhões de euros devido ao Banco Central Europeu (BCE) com vencimento em 20 de julho de 2015.
As instituições são a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Recuperação de Portugal surpreende
O crescimento de 1,6% na comparação anual no fim de 2013 foi o melhor da Zona do Euro. O avanço de 0,5% no último trimestre do ano passado foi o segundo melhor da Eurozona, atrás apenas da Holanda.
Três anos depois de pedir uma ajuda de emergência de 78 bilhões de euros à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional, de passar pela pior recessão em 40 anos, ver o desemprego chegar a 18% e seus jovens mais talentos saírem do país, Portugal é "a nossa estrela do crescimento na Europa", descreveu o economista Christian Schulz, do banco Berenberg, de Londres.
Na sua opinião, a crise obrigou os países da periferia da Eurozona a fazer profundas reformas estruturais e aumentar a competitividade das exportações. "Portugal, e não a Espanha, é a grande surpresa positiva", comenta o economista Ralph Solveen, do banco alemão Commerzbank, citado pelo jornal inglês Financial Times, principal diário econômico europeu.
Se nos 10 anos desde a introdução do euro, a economia portuguesa se estagnou e se endividou, incubando a crise, desde 2010, as exportações cresceram 24,2%, enquanto as importações caíram 5,1%. Pela primeira vez em duas décadas, Portugal teve saldo comercial positivo. As exportações representam hoje 41% do PIB; em 2008, eram 28%.
No último trimestre de 2013, o consumo doméstico voltou a ter um peso positivo no crescimento do produto interno bruto português.
O setor de calçados, que estava deprimido pelo concorrência chinesa, cresceu 28% nos últimos quatro anos. Tem cerca de 1,7 mil empresas, que exportam 98% da produção.
No turismo, o faturamento de 2013 foi recorde, de 9 bilhões de euros, quase 14% do total das exportações.
O preço do ajuste foram 400 medidas tomadas pelo governo conservador para aumentar a competitividade, inclusive cortes de salários, pensões e benefícios sociais. Dezenas de milhares de pequenas empresas quebraram. Muitos trabalhadores jamais vão recuperar seus empregos. A desigualdade social aumentou, mas Portugal sai mais fortalecido para a competição econômica do mundo globalizado.
Agora, o desafio é atrair indústria de alta tecnologia para dar um salto de qualidade que o país ainda está devendo.
Três anos depois de pedir uma ajuda de emergência de 78 bilhões de euros à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional, de passar pela pior recessão em 40 anos, ver o desemprego chegar a 18% e seus jovens mais talentos saírem do país, Portugal é "a nossa estrela do crescimento na Europa", descreveu o economista Christian Schulz, do banco Berenberg, de Londres.
Na sua opinião, a crise obrigou os países da periferia da Eurozona a fazer profundas reformas estruturais e aumentar a competitividade das exportações. "Portugal, e não a Espanha, é a grande surpresa positiva", comenta o economista Ralph Solveen, do banco alemão Commerzbank, citado pelo jornal inglês Financial Times, principal diário econômico europeu.
Se nos 10 anos desde a introdução do euro, a economia portuguesa se estagnou e se endividou, incubando a crise, desde 2010, as exportações cresceram 24,2%, enquanto as importações caíram 5,1%. Pela primeira vez em duas décadas, Portugal teve saldo comercial positivo. As exportações representam hoje 41% do PIB; em 2008, eram 28%.
No último trimestre de 2013, o consumo doméstico voltou a ter um peso positivo no crescimento do produto interno bruto português.
O setor de calçados, que estava deprimido pelo concorrência chinesa, cresceu 28% nos últimos quatro anos. Tem cerca de 1,7 mil empresas, que exportam 98% da produção.
No turismo, o faturamento de 2013 foi recorde, de 9 bilhões de euros, quase 14% do total das exportações.
O preço do ajuste foram 400 medidas tomadas pelo governo conservador para aumentar a competitividade, inclusive cortes de salários, pensões e benefícios sociais. Dezenas de milhares de pequenas empresas quebraram. Muitos trabalhadores jamais vão recuperar seus empregos. A desigualdade social aumentou, mas Portugal sai mais fortalecido para a competição econômica do mundo globalizado.
Agora, o desafio é atrair indústria de alta tecnologia para dar um salto de qualidade que o país ainda está devendo.
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