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sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Ampliação do BRICS reflete aumento do poder da China

 A 15ª reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terminou ontem em Joanesburgo, na África do Sul, com o anúncio da entrada de seis países a partir do próximo ano: Argentina, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã.

O Brasil, a Índia e a África do Sul resistiram inicialmente porque a expansão dilui sua força dentro do grupo, criado a partir de um memorando de 2001 de um analista do banco de investimentos Goldman Sachs prevendo que Brasil, Rússia, Índia e China, as grandes economias emergentes, seriam os principais motores do crescimento mundial no início do século 20. O BRICS nasceu de uma ideia da Wall Street, o centro financeiro de Nova York, e não no Sul Global.

No centro da expansão, está a determinação da China e da Rússia de desafiar a ordem internacional dominada pelos Estados Unidos e a Europa nos últimos 500 anos. São duas ditaduras. Dos novos membros, só a Argentina é uma democracia. O projeto é da esquerda peronista, que deve perder a eleição presidencial de outubro e novembro deste ano. Os candidatos favoritos, Javier Milei e Patricia Bullrich, são contra.

Entre as propostas citadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão a reforma do Conselho de Segurança das Nações e a criação de uma moeda contábil para desdolarizar as transações comerciais dos países-membros. Ambas têm pouca chance de acontecer, pelo menos em curto e médio prazos. Meu comentário:

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Cúpula UE-CELAC evita acusar a Rússia pela guerra na Ucrânia

O documento final da conferência de cúpula da União Europeia (UE) e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) realizada nos últimos dois dias em Bruxelas, na Bélgica, manifestou "profunda inquietude" com a guerra na Ucrânia e defendeu uma "paz justa", mas não condenou a Rússia pela agressão a um país soberano.

Em encontro paralelo, Argentina, Brasil, Colômbia e França pediram o fim das sanções à Venezuela se a ditadura de Nicolás Maduro realizar uma eleição presidencial livre e democrática em 2024.

Depois de um ataque à ponte que liga a Rússia à Crimeia, o ditador russo, Vladimir Putin, anunciou o fim do acordo para permitir a exportação de grãos ucranianos através da Turquia.

A África do Sul declarou que não pode prender Putin durante a reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) marcada para agosto em Joanesburgo porque a Rússia ameaça declarar guerra se o ditador for preso. Putin teve a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo sequestro de menores ucranianos.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump recebeu uma carta do Departamento da Justiça que indica que deve ser denunciado pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Apesar dos vários processos, Trump é o favorito para conquistar a candidatura do Partido Republicano à Casa Branca em 2024.

A China, maior economia do mundo, cresceu apenas 0,8% no segundo trimestre deste ano. O politburo do Partido Comunista se reúne no fim deste mês. Pode anunciar medidas de incentivo.

Em visita-supresa a Beijim, o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger declarou que os EUA e a China precisam acabar com os desentendimentos, coexistir pacificamente e evitar uma confrontação. Uma guerra entre as duas superpotências seria um conflito nuclear de consequências arrasadores para seus povos e o mundo inteiro. Meu comentário:

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Guerra, juros e inflação devem manter crescimento mundial baixo

 Apesar do maciço apoio dos Estados Unidos e aliados a Kiev e da rebelião dos mercenários do grupo Wagner, não se esperam grandes avanços na contraofensiva da Ucrânia contra a invasão russa no terceiro trimestre de 2023. A inflação, os juros e a guerra devem manter a economia mundial em ritmo lento.

As grandes economias e os países emergentes em boa situação macroeconômica, inclusive o Brasil, devem enfrentar bem a situação, mas há riscos em países em desenvolvimento como a Argentina, o Egito e o Paquistão.

Os riscos e as questões éticas relativas à inteligência artificial devem ampliar os esforços de regulamentação do setor, diminuindo o ritmo de inovação.

Com as altas temperaturas do verão no Hemisfério Norte – e 3 julho foi considerado o ano mais quente da história –, a seca vai se agravar no Sul da Europa e no Norte da África. Pode gerar crises econômicas e políticas na orla do Mar Mediterrâneo.

A China vai continuar retaliando as empresas ocidentais, em resposta às restrições ao acesso à tecnologia de microprocessadores, que o regime comunista chinês vê como uma ameaça ao desenvolvimento do país.

Diante do apoio chinês à guerra da Rússia, o Japão e a Coreia do Sul aumentam a cooperação militar entre si e com os Estados Unidos, o que pode provocar reações da Coreia do Norte.

Na reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a ser realizada em Joanesburgo, na África do Sul de 22 a 24 de agosto, a China e a Rússia devem fazer pressão para a entrada de novos membros. O Brasil e a Índia temem uma diluição da influência num grupo muito grande.

A Espanha realiza eleições em 23 de julho e a Argentina faz primárias em 13 de agosto. Nos dois países, há uma expectativa de vitória da direita e de ascensão da extrema direita. Meu comentário:

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

BRICS é instrumento de política externa da China

O Brasil assinou nove acordos sobre investimentos, transportes, comunicações, saúde, segurança, agricultura e serviços com a China durante a reunião de cúpula do grupo BRICS, do qual também fazem parte a Índia, a Rússia e a África do Sul. Mas o BRICS é cada vez mais um instrumento de política externa da China.

O governo Jair Bolsonaro aproveitou a reunião para consolidar a aproximação, depois da visita do presidente à China no mês passado, quando descobriu que a superpotência ascendente é um país capitalista.

O Brasil se afasta assim do alinhamento automático com os Estados Unidos, que até agora não rendeu frutos para a economia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a intenção de iniciar negociações de livre comércio com a China. Sem as devidas salvaguardas, o livre comércio com os chineses pode arruinar a indústria nacional.

O BRICS é a primeira organização internacional criada por inspiração de um analista de investimentos do mercado financeiro. Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill escreveu um texto afirmando que o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, as grandes economias emergentes, seriam os grandes motores do crescimento da economia mundial no início do século 21. 

BRIC, a sigla criada pelas iniciais desses países, significa tijolo em inglês. Seriam os tijolos que construiriam a economia globalizada.Meu comentário:

terça-feira, 24 de maio de 2016

Brasil precisa negociar com mundo inteiro sem discriminação

A proposta do novo ministro das Relações Exteriores, senador José Serra, de dar mais destaque ao Itamaraty e usar a política externa para ampliar as relações econômicas do país foi tema de matéria do jornal  O Globo de 22 de maio de 2016 em que fui citado. Abaixo, outras considerações além do que foi publicado.

Em princípio, é uma boa ideia um ministro do Exterior que não seja diplomata de carreira por causa do corporativismo do Itamaraty, mas Serra não é lá muito diplomático.

Foi correta a resposta pronta aos governos latino-americanos que denunciam golpe no Brasil, mas conceder passaporte diplomático a um pastor evangélico num Estado laico é um erro. Sou a favor de taxar as religiões e não de fazer concessões eleitoreiras.

É importante retomar as relações com as grandes potências democráticas, falo de EUA, Europa, Canadá, Japão e Austrália. Temos em comum a defesa da democracia liberal e dos direitos humanos. Devemos rejeitar atitudes colonialistas, mas não hostilizar EUA e Europa como potências imperiais como fazia o PT.

A Guerra Fria acabou. No mundo globalizado, é preciso negociar soberanamente com o mundo todo.

O grupo BRICS me parece mais um instrumento de política externa da China, com quem precisamos manter boas relações por causa da importância econômica, mas China e Rússia são defensoras de um autoritarismo que não interessa a países verdadeiramente democráticos. De acordo com a Constituição, os direitos humanos são um pilar importante da política externa brasileira.

A cooperação econômica é importante, mas a aliança política com qualquer potência não pode ser automática. Não pode haver alinhamento automático nem com China nem com EUA e o maior desafio será sempre negociar com as superpotências.

Precisamos de uma política externa independente, soberana e flexível. O Brasil é um ator global e precisa continuar sendo.

Serra sempre foi contra o Mercosul, o que me parece um equívoco. Sob a orientação do embaixador Rubens Ricupero, reconhece a importância do bloco na arquitetura da política externa brasileira, que desde a redemocratização reconhece a importância da região, especialmente da América do Sul.

Seria importante resgatar a proposta original do bloco, o regionalismo aberto, onde um grupo de países que se une para ter voz mais forte e maior poder de barganha em negociações e foros internacionais. A Venezuela de Maduro atrapalha, mas de que servem Mercosul, Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), se não forem capazes de negociar uma transição pacífica na Venezuela?

É o problema mais urgente no nosso entorno. Do jeito que vai, o derramento de sangue parece inevitável. O governo Dilma Rousseff estava muito mais qualificado para fazer isso por causa da identidade ideológica. Perdeu a oportunidade pelo desinteresse de Dilma com a política externa.

A política externa é uma política de Estado, que requer continuidade. Dilma esvaziou o Itamaraty, que hoje tem excesso de terceiros-secretários porque sob Lula o Rio Branco admitia cem pessoas por ano e Dilma teria reduzido para 20. Dilma desmontou o árduo trabalho de Celso Amorim para aumentar a internacionalização do Brasil.

Em seu estilo pouco diplomático, Serra mandou fazer logo uma análise de custos com o objetivo evidente de fechar embaixadas. Todo orçamento tem limite, mas fechar as portas é dar um tapa na cara de países com que o Brasil tentou reforçar os laços.

Imagino que o continente mais afetado seja a África, onde Lula estabeleceu “amizades” com ditadores sanguinários como Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, e Denis Sassou-Nguesso, do Congo (ex-Francês). Não dá para ignorar graves violações dos direitos humanos enquanto se faz negócios, mas se pode usar a influência para tentar melhorar a situação ao contrário do que faz a China, que ignora tudo em nome da soberania nacional.

A África é o próximo continente que pode sofrer um crescimento acelerado, até mesmo por partir de um nível muito baixo. O Brasil, como segundo maior país africano do mundo em população, deve participar deste processo.

Se olharmos um mapa da África à noite, veremos uma escuridão quase total. O ex-ministro francês Jean-Louis Borloo lançou a proposta de um Plano Marshall para a eletrificação do continente, Energias para a África. Com energia e mão de obra barata, pode ser um salto no desenvolvimento africano. O Brasil deveria se associar a este projeto. 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Líderes da China e da Índia se reúnem em Fortaleza

O presidente da China, Xi Jinping, é o novo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, realizaram hoje seu primeiro encontro bilateral, durante a reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que vai até 17 de julho em Fortaleza.

Modi declarou que, se os dois países conseguirem chegar a um acordo sobre um litígio de fronteira, darão um bom exemplo de solução pacífica dos conflitos. Em 1962, os dois países travaram uma guerra rápida vencida pela China e até hoje não definiram a fronteira.

A reunião de cúpula sino-indiana durou um hora e 20 minutos, o dobro do tempo previsto, e também tratou de comércio e cooperação econômica. A China é o segundo maior parceiro da Índia.

Xi vai à Índia em setembro. Ele convidou Modi a participar da próxima reunião de cúpula do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) em novembro, e pediu maior envolvimento da Índia com a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que reúne China, Rússia, Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão - todos países sem tradição democrática.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Índia repudia mapa da China incluindo área em disputa

O Ministério do Exterior da Índia protestou no sábado contra mapas que incluem regiões em disputa do estado de Arunachal Pradesh como se fossem parte da China, afirmando que "mudanças cartográficas não vão alterar a realidade".

A nota oficial indiana foi além: "O fato de que Arunachal Pradesh é uma parte integral e inalienável da Índia já foi comunicado várias vezes às autoridades chinesas, inclusive do mais alto nível", acrescentou o governo do primeiro-ministro Narendra Modi, do partido nacionalista hindu BJP.

Também houve reações negativas na sociedade civil da Índia. A União Estadual de Estudantes de Arunachal Pradesh condenou a "atitude expansionista" da China.

Antes de vir ao Brasil para a reunião de cúpula do fórum BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Modi vai ao Japão fortalecer os laços com um possível aliado para tentar equilibrar o crescente poderio chinês no Leste da Ásia. Isso revela a fragilidade das relações entre os BRICS.

A julgar pelo comportamento agressivo da China nas disputas territoriais que tem com o Japão, as Filipinas, o Vietnã, a Malásia e Brunei, a Índia deve se preparar para medidas de força. O regime comunista chinês não mostra nenhuma disposição para ceder.

Diante do recuo dos Estados Unidos, o Japão aprovou hoje novas regras para permitir o uso de suas Forças Armadas no exterior, o que em princípio era proibido pelo Art. 9 da Constituição de 1947, imposta durante a ocupação americana.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Putin apela ao triunfalismo na festa do Dia da Vitória

Ao presidir hoje em Moscou o desfile militar comemorativo da vitória da União Soviética sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, o presidente Vladimir Putin destacou a "força triunfal do patriotismo russo", lembrando o papel decisivo do Exército Vermelho.

Putin afirmou que a Rússia salvou a Europa do nazismo. Cerca de 27 milhões de soviéticos morreram na guerra, mas o apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido foi determinante para garantir suprimentos, armas e munições à URSS.

Em seguida, Putin fez sua primeira visita à Crimeia desde que a península foi anexada à Rússia, em 17 de março de 2014. Lá, fez mais um de seus pronunciamentos ficcionistas afirmando que "tratamos todos os povos e países com respeito. Respeitamos seus interesses e direitos legais. Mas pedimos que todos tratem nossos interesses legais, inclusive a restauração de injustiças históricas e o direito à autodeterminação da mesma maneira".

Mesmo que a Crimeia tenha pertencido historicamente à Rússia desde que foi conquistada por Catarina a Grande, em 1783, foi doada pelo líder comunista soviético Nikita Kruschev à Ucrânia em 1954. Putin atropelou as regras básicas do sistema internacional ao ignorar a independência ucraniana e o Memorial de Budapeste, assinado em 1994, para que a Rússia ficasse com todas as armas nucleares da extinta URSS.

Em artigo nO Globo de sábado, Monica Herz e João Nogueira, diretores do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ, consideraram inaceitável a violação de fronteiras internacionalmente reconhecidas, da soberania nacional da Ucrânia e do princípio da Carta das Nações Unidas que proíbe a guerra de conquista.

É uma vergonha o silêncio do governo brasileiro sobre a atuação abusiva da Rússia, que desrespeitou pontos-chaves da política externa do Brasil, como a solução pacífica dos conflitos, a soberania nacional e a não interferência nos assuntos internos de outros países.

A presidente Dilma Rousseff não quer melindrar o presidente russo para que Putin venha à Copa do Mundo e participe de uma reunião do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) marcada para Fortaleza em 15 e 16 de julho de 2014, logo depois do mundial de futebol. É um preço alto demais a pagar por uma aliança incerta.

terça-feira, 8 de abril de 2014

FMI reduz previsão de crescimento para o Brasil

Pela terceira vez, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento para a economia brasileira em 2014, que no ano passado era de 3,2% e agora ficou em 1,8%. Na sua Perspectiva Econômica Mundial divulgada hoje, o Fundo espera que o mundo como um todo avance 3,6% em 2014 e 3,9% em 2015.

Ao justificar a queda na expectativa em relação ao Brasil, o FMI observou que "a demanda é apoiada pela alta de salários e pelo consumo", mas "o investimento privado continua fraco, refletindo a baixa confiança do empresariado".

O Fundo recomenda ao Brasil novos ajustes "porque, apesar das altas nas taxas de juros, a inflação se manteve no topo da meta", inclusive maior equilíbrio nas contas públicas. As intervenções do Banco Central no mercado de câmbio devem ser "seletivas"

Entre os grandes emergentes do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), só a Rússia, abalada pelas sanções impostas pelo Ocidente em razão da crise da Ucrânia, teve uma redução de expectativa maior do que o Brasil, de 0,6 ponto percentual. No caso brasileiro, foi de 0,5 ponto.

A Ásia deve puxar o crescimento mundial, com 5,3% neste ano e 5,7% no próximo. Em 2014, a China deve avançar 7,5% e a Índia, 5,4%.

Na América do Sul, o Brasil só está à frente de dois países com políticas econômicas populistas catastróficas, a Venezuela, que vai encolher 0,5%, e a Argentina, onde a expansão será de 0,5%. No último boletim Focus, do Banco Central, baseado nas previsões dos analistas do mercado, a previsão de crescimento do Brasil para este ano caiu nesta semana para 1,63%.

A América Latina como um todo deve crescer 2,5% em 2014 e 3% em 2015. Neste ano, o México deve avançar 3% por causa das reformas estruturais e da recuperação americana. Os maiores índices ficaram com Peru (5,5%), Bolívia (5,1%), Colômbia (4,5%), Equador (4,2%) e Chile (3,6%).

Com aumento da renda familiar e valorização dos imóveis, os EUA devem crescer 2,8% em 2014 e 3% em 2015, bem acima da Alemanha (1,7%) e da França (1%), as duas maiores economias da Zona do Euro. Fora da Euzona, o Reino Unido avançará 2,9%.

quarta-feira, 27 de março de 2013

BRICS criam fundo de emergência contra crises

No primeiro resultado concreto desde sua associação, em 2006, o fórum de grandes países emergentes chamado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) decidiu em reunião de cúpula realizada em Duban, na África do Sul, criar um fundo de emergência de US$ 100 bilhões para situações de crise alternativo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), dominado pelos Estados Unidos e a Europa.

A China, o mais rico dos BRICS, contribuirá com US$ 41 bilhões, o Brasil, a Índia e a Rússia com US$ 18 bilhões cada, e a África do Sul, prima pobre que entrou pela janela num agrado à África, com apenas US$ 5 bilhões.

Outra proposta, de criação de um banco de desenvolvimento, foi acertada, mas não há prazo para sua criação. A questão será examinada em detalhes pelos países.

O grupo surgiu de um relatório interno do banco de investimentos Goldman Sachs, um dos vilões da crise financeira internacional de 2008. Em 2001, o economista britânico Jim O'Neill previu que quatro grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) seriam os maiores responsáveis pelo crescimento da economia mundial até 2050, quando seriam grandes potências ao lado dos EUA, da Europa e do Japão.

Em inglês, brick quer dizer tijolo. Os BRICs seriam os tijolos da construção da economia mundial do século 21. A África do Sul entrou para dar uma satisfação à África, que se considera vítima do neocolonialismo chinês. Pelo critério de potencial de crescimento, o quinto bric deveria ser a Indonésia.

sexta-feira, 1 de março de 2013

FT ironiza Mantega por crescimento medíocre do PIB

Nem o crescimento medíocre de 0,9% da economia brasileira no ano passado tira o sorriso e o otimismo vazio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ironizou hoje o blog Além dos BRICS, do jornal inglês Financial Times.

Há dois anos, Mantega prevê crescimento de 4% para o produto interno bruto do Brasil, a soma de todas as riquezas que o país produz num ano menos as importações. Em 2011, foram apenas 2,7%; em 2012, 0,9%. Essa sucessão de erros derrubaria um ministro em outro país.

Desta vez, a desculpa de Mantega vem do exterior. É a crise financeira internacional. Os Estados Unidos, onde a crise começou, avançaram 2,2% no ano passado, quase duas vezes e meia a mais do que o Brasil, apesar do conflito permanente entre o presidente Barack Obama e a maioria republicana na Câmara em torno do déficit orçamentário. E o Japão cresceu 1,9%, mesmo enfrentando problemas crônicos de estagnação e deflação.

Na comparação com os emergentes, o Brasil fica muito pior.

O México, principal adversário na luta pela liderança econômica da América Latina, cresceu 3,9%. Entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apontados no início da década passada como os tijolos (bricks, em inglês) que construíram o crescimento econômico mundial até 2050, a China avançou 7,8%, a Índia 5% e a Rússia 3,4%

Outros sinais negativos, aponta o FT, são a queda de 17,2% para 14,8% do PIB na taxa de poupança e de 19,3% para 18,1% no investimento. As políticas de expansão do crédito de Lula e Dilma favorecem o consumo e não a poupança e o investimento.

Para o jornal inglês, porta-voz do centro financeiro de Londres, em vez de cortar despesas correntes, o governo acaba reduzindo seus próprios investimentos. Sem investimento, não há crescimento.

Os primeiros indicadores econômicos de 2013 apontam uma aceleração da atividade econômica. Mas não se deve esperar um crescimento significativo nem acreditar em Mantega.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

TV Senado fala do mercado comum do Magreb

Passada a Primavera Árabe, o Marrocos quer articular uma espécie de Mercosul dos países do Norte africano: o Mercado Comum do Magreb. Seriam cinco países com 100 milhões de habitantes. Os detalhes desta iniciativa estão no programa Diplomacia, a revista de política Internacional da TV Senado, que vai ao ar neste fim de semana e que entrevistou o presidente da Câmara de Conselheiros – o Senado marroquino – Mohamed Biadilah.

Diplomacia traz ainda um debate entre economistas e parlamentares sobre a decisão dos países membros do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul em criar um banco de desenvolvimento próprio. Uma alternativa ao Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.

No âmbito do Mercosul, o tema ainda é a política comercial argentina que vem provocando dificuldades no comércio bilateral. Enquanto caminhões aguardam na fronteira autorização para entrar no país vizinho, a presidente Cristina Kirchner aporta em terras angolanas tendo negociar com o principal parceiro do Brasil na África.

No Arte & Diplomacia, o olhar do fotógrafo sueco, Ake Borglund, sobre três capitais brasileiras no final da década de 50: Brasília, Rio de Janeiro e Salvador. O programa traz ainda em suas colunas culturais as análises do documentário Cuba Libre, de Evaldo Macarzel e do livroOccupy, além do som equatoriano de Juan Fernando Velasco.

Serviço:
O programa Diplomacia, a revista de Política Internacional da TV Senado, vai ao ar neste final de semana: sábado, dia 16/06, às 12h30, e às 22h30; Domingo, dia 17/06, às  9h e às 17h. Com reprises nos finais de semana seguintes: sábado, dia 23/06, às 17h; domingo, dia 24/06, às 3h e sábado, dia 30/06, às 3h.

A TV Senado pode ser sintonizada em canal aberto (UHF) nas seguintes cidades:
·         16 UHF (Rio Branco – AC)
·         36 UHF (Gama-DF)
·         40 UHF (João Pessoa-PB)
·         43 UHF (Fortaleza-CE)
·         49 UHF (Rio de Janeiro-Zona Oeste)
·         51 UHF (Brasília-DF)
·         52 UHF (Natal-RN)
·         53 UHF (Salvador-BA)
·         55 UHF (Recife-PE)
·         56 UHF (Cuiabá-MT)
·         57 UHF (Manaus-AM)
Também nos canais 07 (Net Brasília), 118 (Sky), 217 (Direct TV) e 17 (TECSAT), 121 (VIA-Embratel), 903 (OI-TV), 231 (GVT-TV) e na Internet pelo www.senado.gov.br/tv.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Otimismo sobre crescimento do Brasil diminui, diz FT

Com o agravamento da crise econômica internacional e a falta de competitividade da indústria manufatureira, os analistas reduzem suas expectativas sobre a economia brasileira, observa o jornal inglês Financial Times na edição desta terça-feira.

Uma série de políticas intervencionistas - para enfraquecer o real, baixar as taxas de juros e aumentar o protecionismo - desagradou o mercado, decepcionado com o crescimento de apenas 0,2% do produto interno bruto no primeiro trimestre de 2012.

Há uma década, quando o economista do banco Goldman Sachs Jim O'Neill criou a sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) para reunir as grandes economistas emergentes que seriam responsáveis pela maior parte do crescimento mundial nas próximas décadas, foi criticado por incluir o Brasil. Na época, as taxas de crescimento do Brasil eram medíocres, muito abaixo da China, Índia e Rússia.

O'Neill alegou na época que o Brasil tinha controlado a inflação e criado as condições para um novo período de crescimento. Agora, a taxa de crescimento voltou a cair a um nível inferior às dos Estados Unidos e até mesmo de alguns países europeus, em meio à pior crise do euro.

quinta-feira, 29 de março de 2012

BRICS querem seu próprio banco de desenvolvimento

Durante reunião de cúpula em Nova Déli, os líderes dos países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), inclusive a presidente Dilma Rousseff, anunciaram hoje a intenção de criar seu próprio desenvolvimento dentro de uma estratégia para reduzir sua dependência dos Estados Unidos e da Europa.

Os BRICS têm 40% da economia mundial e são responsáveis hoje por 25% do crescimento internacional, mas sua unidade não vai muito além do repúdio à dominação das relações internacionais pelas potências ocidentais.

A China e a Índia são inimigas históricas e travam uma competição na Ásia. O Brasil critica as práticas comerciais e a manipulação do câmbio pela China. E a África do Sul não está nem perto do dinamismo econômico das outras economias do bloco. Foi convidada a fazer parte do grupo como um gesto em relação à África, cada vez mais explorada pela China e a Índia.

Quem vai contribuir com a maior parte do capital para o banco: a China? Como o país mostra pouco interesse em assumir um papel de liderança internacional, seria mais um instrumento de sua política econômica externa, cada vez vista como neoimperialismo no resto do mundo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

BRICS devem se concentrar numa agenda comum

Os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm 25% da superfície da Terra e 40% de sua população. Seus produtos internos brutos somam US$ 8,5 trilhões. Mas é difícil criar uma agenda comum entre países tão diferentes, com histórias e culturas tão distintas quanto distantes.

Por isso, os BRICS devem se concentrar nos pontos de comum acordo, concluíram participantes de uma mesa redonda organizada pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o Centro de Estudos e Pesquisas sobre os BRICS para discutir a agenda da quarta reunião de cúpula do grupo, marcada para 29 de março de 2012, em Nova Déli, a capital da Índia.

As preocupações centrais dos grandes países emergentes, que se tornam mais importantes com a crise econômica entre os ricos, são estabilidade, segurança e crescimento. Mesmo assim, é difícil chegar a um nível de consenso para forjar uma agenda comum, como ficou evidente na votação sobre a Síria no Conselho de Segurança das Nações.

Enquanto a China e a Rússia vetaram a resolução que condenava o regime e exigia a renúncia do ditador Bachar Assad, a África do Sul e a Índia votaram a favor, assim como todo o resto do Conselho de Segurança. O Brasil deixou de ser um membro permanente no fim do ano passado. Provavelmente votaria com a Índia e a África do Sul, ao lado da Europa, dos EUA e da Liga Árabe.

O grupo BRICS nasceu sem o S, que apresenta a África do Sul (South Africa). Foi ideia de um economista do hoje famigerado banco de investimento Goldman Sachs.

Em 2001, Jim O'Neill escreveu um artigo prevendo que Brasil, Rússia, Índia e China seriam responsáveis pela maior parte do crescimento da economia mundial nas próximas décadas. Em inglês, brick significa tijolo. São os tijolos que vão construir o futuro.

O que parecia óbvio, talvez com a exceção do Brasil, assumiu um caráter profético. O'Neill virou um dos gurus econômicos favoritos, e os países resolveram formar um grupo para aproveitar o momento de alta de seu poder real no sistema internacional.

Ao abrir o encontro realizado ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o embaixador Luiz Augusto Castro Neves, presidente do Conselho Curador do Cebri, observou que a Rússia busca se adaptar ao mundo pós-Guerra Fria, a China tornou-se a fábrica do mundo, a Índia tem uma importante economia de serviços e a África do Sul ainda procura seu papel na África depois do fim do apartheid.

Para o embaixador João Pontes Nogueira, supervisor geral do Centro de Estudos dos BRICS, com sede no Rio de Janeiro, o grupo deve "focar em como os países podem se ajudar e não na reforma do sistema internacional, coordenador suas posições em relação à crise na Europa e ao papel do Fundo Monetário Internacional".

O maior desafio, acrescentou, é consolidar a cooperação, por exemplo, adotando uma agenda comum para a Conferência Rio + 20", que vai retomar o debate internacional sobre desenvolvimento sustentável.

Apesar das limitações impostas por histórias e culturas tão diferentes, Alexandra Arkhangelkaya, da Academia de Ciências da Rússia, pesquisadora convidada do Centro de Estudos dos BRICS vê grandes oportunidades para "diálogo e cooperação". Cita como exemplos as mudanças necessárias na governança global para garantir a estabilidade financeira e manter o crescimento mundial, apoiando a Europa, se preciso, através do FMI e sob condições.

A Rússia está entrando para a Organização Mundial do Comércio (OMC) e defende "a paz e a segurança globais sem ingerência, sem diluir o princípio da soberania nacional, mas os BRICS não votaram juntos".

O desenvolvimento sustentável não é a preocupação de países obcecados com o crescimento elevado para combater a pobreza. A economia verde já é uma realidade. A China investe maciçamente em energias solar e eólica. Alexandra Arkhangelkaya vê oportunidade de cooperação tecnológica em segurança alimentar, água, saúde pública, carvão limpo, biodiversidade e nos desafios da urbanização.

"Os BRICS se encontram numa estrada multipolar", conclui a cientista política russa. "Não convergem em muitos pontos, mas têm um terreno comum a explorar".

Outros países, como a Indonésia e o México, já pediram acesso ao grupo, e o próprio O'Neill acredita que a Indonésia merece muito mais do que a África do Sul. É a maior economia do Sudeste Asiático e chegou a US$ 1 trilhão.

"Pode ter nascido no banco Goldman Sachs, mas tem significado real", comentou Ravni Thakur, da Universidade de Déli, pesquisadora convidada do Centro dos BRICS.

Na sua opinião, seria interessante a criação de um banco de desenvolvimento. Como a China tem hoje 70% dos PIBs do grupo somados, dependeria dos chineses: "Sem o C de China, os BRICS são apenas um queijo mole", um queijo francês tipo brie, ironizou a cientista política indiana.

Ravni Thakur defendeu ainda maior cooperação tecnológica e gerencial nas diferentes áreas de excelência de cada país, como a indústria da China, o setor de informática da Índia, as energias alternativas do Brasil e o desenvolvimento científico da Rússia.

"Até 2006, a China dava pouca importância à ideia", contou Zhou Zhiwei, especialista em Brasil da Academia de Ciências da China e pesquisador convidado do Centro dos BRICS. Com a crise internacional, a China dediciu aumentar sua cooperação.

Zhou lembrou que a cooperação Sul-Sul é uma tradição da política externa chinesa: "A China reconheceu o Brasil, na Índia, na Rússia e na África do Sul como potência econômicas regionais importantes.

Ao mesmo tempo, a China quer preservar a vitalidade da economia global como uma garantia de seu próprio crescimento, e isso inclui a governança global, embora o país ainda relute em assumir um papel mais destacado alegando que ainda está em desenvolvimento. Sua agenda é muito focada no interesse nacional, sem uma perspectiva global.

Em Nova Déli, Zhou acredita que "a China vai querer discutir a crise da União Europeia, maior mercado para suas exportações, o fortalecimento da coordenação macroeconômica, o combate ao protecionismo, a cooperação energética com o Brasil e a Rússia, a mudança do clima e a conferência Rio + 20".

A questão cambial não está na pauta chinesa, mas é a grande preocupação do Brasil e pode afetar a cooperação comercial, notou a coordenadora executiva do Cebri, Adriana de Queiroz. É um foco de tensão entre o Brasil e a China.

O problema do comércio nas moedas poderia ser resolvido, opinou o professor Alexander Zhebit, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se as moedas fossem conversíveis.

"Não peçam muito. Em momentos de crise, é difícil encontrar terreno comum", alertou Alexandra Arkhangelskaya.

A saída, sintetizou Ravni Thakur, é construir a cooperação entre os BRICS tijolo a tijolo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Poder do grupo BRICS é limitado

O grupo BRICS é a primeira organização internacional criada por ideia de um analista do banco Goldman Sachs, Jim O'Neill, que simplesmente calculou em 2001 que Brasil, Rússia, Índia e China seriam os principais motores do crescimento da economia mundial nas próximas décadas.

Para que o grupo funcione, é essencial que seus países-membros tenham interesses comuns. Eles têm alguns, como lutar contra o domínio das potências ocidentais sobre o sistema internacional, ter mais voz e voto nas organizações econômicas internacionais como o FMI e o Banco Mundial, tentar tirar o dólar da função de principal moeda internacional, o que dá um poder enorme aos EUA.

É útil numa política externa de geometria variável em que o Brasil deve ter parceiros diferentes em questões diferentes. O problema é achar que o grupo BRICS significa mais do que realmente é.

Os interesses da China são globais. Ao convidar a África do Sul, que não tem peso econômico nem de longe comparável aos BRIC, a China indica uma intenção de fazer da organização um instrumento de sua política externa, no caso, de tentar parecer que está realmente comprometida com o desenvolvimento da África, já que sua atitude imperial e colonialista já desperta reações negativas.

A China e a Índia são inimigas históricas. Travaram uma guerra de fronteiras em 1962. O projeto da bomba atômica indiana nasceu desta derrota. Depois da explosão da bomba indiana (o país teria desde 1974, mas assumiu abertamente o status nuclear em 1998), os EUA inicialmente impuseram sanções. Mais tarde, fizeram uma aliança estratégica que tem como um dos objetivos conter a China superpotência.

O presidente Barack Obama defendeu a entrada da Índia como membro permanente do Conselho de Segurança. A China provavelmente vetaria, assim como vetou o Japão. Fez alianças com uma série de países vizinhos da Índia, o chamado colar de pérolas: Paquistão, Bangladesh, Nepal, Mianmar, Sri Lanka - pérolas chinesas para sufocar a Índia.

Há uma corrida armamentista na Ásia, onde os países acreditam que o declínio relativo dos EUA levará a uma retirada de suas forças na região no momento em que a China desenvolve uma Marinha de águas profundas.

Recentemente a Índia anunciou manobras navais conjuntas com o Vietnã, inimigo histórico com quem a China travou uma guerra em 1979, depois que o Vietnã invadiu o Camboja para derrubar a ditadura sanguinária de Pol Pot, aliado de Pequim, que tem uma disputa territorial em torno de ilhas do Mar da China Meridional, que a China considera seu. Beijim reagiu furiosamente

Na última Conferência do Forte de Copacabana, realizada em 3 e 4 de novembro de 2011 no Rio de Janeiro, um dos temas levantados foi a volta do Atlântico Sul como uma zona de segurança. O Brasil teme que a China e a Índia, na disputa pelos recursos naturais da África, acabem projetando seu poderio naval.

A China e a Rússia têm conflitos históricos de fronteiras que quase levaram à guerra em 1969 e não acabaram com o fim da URSS. Para se opor aos EUA, os dois países criaram a Organização de Cooperação de Xangai, outro grupo destinado a defender os interesses chineses pintando-os como multilaterais.

Sedenta de energia, a China está ávida de fazer negócios com a Rússia, mas os russos não querem um vazamento do extraordinário desenvolvimento econômico chinês para dentro de suas fronteiras numa região pouco povoada. Não querem maquiladoras que aproveitem os recursos naturais locais para produzir com mão de obra chinesa para o mercado chinês.

O quinto BRIC deveria ser a Indonésia, quarto maior país do mundo em população, com quem o Brasil e a Índia já negociaram juntos no GATT, com uma agenda negativa para impedir uma abertura de seus mercados industriais e a introdução de temas como trabalho e meio ambiente nas negociações de comércio internacional.

A Indonésia tem uma grande diáspora chinesa, de mais de 40 milhões, com forte presença no comércio.

Então, o alcance e a utilidade dos BRICS são limitados. Na luta pela vaga no Conselho de Segurança, estamos com Alemanha, Índia e Japão. A China é contra esses dois últimos e não nos apoia.

As expedições imperiais dos EUA tinham terminado com a derrota no Vietnã. Houve intervenções menores na era Reagan. Quando Saddam invadiu o Kuwait, em agosto de 1990, George Bush sr. organizou uma aliança de 28 países para dar legitimidade à guerra de 1991, uma das poucas aprovadas pelo Conselho de Segurança porque Gorbachev mandou a URSS votar a favor e a China se absteve.

Depois de 11 de setembro de 2001, de um ataque sem precedentes contra seu território, era natural e praticamente inevitável que a superpotência voltasse a promover uma expedição colonial como a invasão do Iraque, entre outras coisas para mostrar ao mundo árabe que os americanos estavam dispostos a matar e morrer pela pátria.

Não é novidade agora o que já era parte de um recuo estratégico decorrente do fim da Guerra Fria, quando os EUA deixaram de ter inimigos estratégicos. O governo Bill Clinton (1993-2001) foi caracterizado por um multilateralismo usado como melhor maneira de defender os interesses dos EUA, como observou o embaixador Rubens Ricupero, notando que os EUA já não tinham recursos para impor um unilateralismo puro.

Mesmo tentando voltar ao unilateralismo, Bush invadiu o Iraque ao lado do Reino Unido, Espanha, Japão, Polônia, República Tcheca, Itália. No caso, precisava de cobertura política. Assim que a ocupação começou a apresentar problemas, recorreu à ONU.

A ASEAN (Associação dos Países do Sudeste da Ásia) nasceu nos anos 60, em plena Guerra Fria, como uma instituição ligada à defesa que temia tanto o comunismo no Vietnã quanto o generais da Indonésia. Evoluiu para a economia quando a região se estabilizou e seus países se tornaram em tigres asiáticos.

A APEC (Fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) por sua vez começou em torno do diálogo de questões como o programa nuclear da Coreia do Norte, comércio e cooperação econômica. Já em 1993, Clinton começou a turbinar reuniões de cúpula, numa indicação dos EUA de que acreditam que o futuro está na Ásia e no Pacífico.

No momento, há uma paralisia do Conselho de Segurança. Rússia e China vetam uma simples condenação à ditadura síria com o beneplácito do Brasil, enquanto os EUA proíbem a entrada da Palestina por força de sua aliança incondicional com Israel. 

Na semana passada, quando o Conselho de Segurança discutiu a proteção a civis, a propósito da intervenção na Líbia, a embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti fez um discurso com viés claramente antiocidental. Afirmou que "uma morte de civil a mais é uma morte demais". A mesma lógica não se aplica à Síria, onde o total de mortos chega a 4 mil desde 15 de março de 2011.

Em segurança, não há acordo. É importante coordenar as posições no G-20, que só foi efetivo no auge da crise porque os interesses são divergentes, mas há problemas sérios. Quando o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, fala em "guerra cambial" e propõe compensações comerciais diante de oscilações das moedas, a China não gosta. Afinal, a manipulação do câmbio é um elemento central da política que transformou o país numa máquina de exportar.

Não estou dizendo que não serve para nada, mas não confio muito no poder do BRICS nem na sua união. O Brasil parece ficar eufórico ao se tornar membro de cada novo clube, como se isso bastasse para ser grande potência mundial. Temos inúmeras vulnerabilidades que não serão superadas com alianças frouxas com países que em muitas esferas são concorrrentes.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

África do Sul nega visto ao Dalai Lama

Como diz uma piada cheia de ironia muito citada hoje na África do Sul, "se a gente ainda estivesse lutando contra o apartheid, este governo não nos apoiaria". O Congresso Nacional Africano virou um partido do status quo, incapaz por exemplo de negociar uma solução para a crise do vizinho Zimbábue, que agoniza há uma década sob a ditadura de Robert Mugabe.

Agora, um dos heróis da luta contra o regime segregacionista da minoria branca, o arcebispo Desmond Tutu, declara que "este governo é pior do que o do apartheid porque pelo menos a gente sabia o que esperar dele".

Sob pressão da China, sua mais nova aliada estratégica, o governo do CNA acaba de negar um pedido de visto para que Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, participasse da festa de 80 anos de Tutu.

O Dalai Lama luta pacificamente pela autonomia do Tibete, que só existe no papel. Na prática, a ditadura militar chinesa impõe uma política de assimilação forçada que os tibetanos acusam de destruir sua cultura.

Por iniciativa da China, a África do Sul foi convidada a participar do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o S, de South Africa, do inglês). A sigla reunia as quatro grandes economias emergentes que, na opinião de um economista do banco de investimentos Goldman Sachs, serão responsáveis pela maior parte do crescimento mundial nas próximas décadas.

A África do Sul entrou de carona no grupo. Seu desempenho econômico não justifica o convite. A Indonésia tem peso muito maior na economia mundial, mas o regime comunista de Beijim preferiu fazer média com o continente africano, que explora impiedosamente como qualquer potência imperial, humilhando inclusive um dos grandes heróis da história recente da África.

Ao vetar ontem, ao lado da Rússia, a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a violência da ditadura da Síria e pressionar a África do Sul a não receber o Dalai Lama, que luta pacificamente pela democracia, a ditadura militar da China mostra a verdadeira natureza da superpotência ascendente do século 21. Quem quiser que ignore ou baixe a cabeça.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Europa ameniza resolução condenando Síria

Os membros europeus do Conselho de Segurança das Nações Unidas amenizaram nesta quinta-feira um projeto de resolução condenando a ditadura da Síria pela onda de repressão contra os oposicionistas que desde 15 de março lutam pela liberalização do país.

Mesmo assim, a Rússia promete vetar a proposta. Até hoje o Conselho de Segurança não tomou nenhuma medida, apesar do total de mortos estimado pela ONU ser de 2,7 mil pessoas.

A Europa tem hoje quatro votos no Conselho de Segurança. O Reino Unido e a França são membros permanentes, com direito de veto. Alemanha e Portugal são membros temporários.

Na votação prevista para esta sexta-feira, esses países contam com o apoio dos Estados Unidos, que estariam insatisfeitos com as concessões feitas para conseguir o apoio ou ao menos a abstenção de África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia os chamados BRICS.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Crise orienta para prioridades domésticas e gera grande incerteza no cenário internacional

Em contraste com o liberalismo dos anos 90, sob pressão da crise internacional,  os países dão hoje total prioridade às agendas domésticas, criando um “cenário de muita incerteza” de “vulnerabilidade, insegurança e falta de confiança”, observou hoje o economista Pedro da Motta Veiga, no seminário A agenda econômica internacional do Brasil - desafios para os próximos anos.

“Hoje, acordos internacionais para alavancar mudanças domésticas são impensáveis”, disse Motta Veiga no encontro, realizado para comemorar os cinco anos do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), do qual é fundador. Seriam politicamente inviáveis.

No comércio, acrescentou, “há uma reversão de tendência, agravada pela crise de 2008, um cenário desfavorável à cooperação internacional, uma crise profunda do transnacional e do pós-nacional, representado pela União Europeia. Há um fortalecimento dos estados nacionais”, constata.

Se os anos 90 foram favoráveis ao comércio e aos investimentos, agora a prioridade é segurança econômica, enenrgética, militar, analisou o diretor do Cindes. “É uma agenda estatal.”

As grandes economias emergentes se organizaram no grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas “são diferentes entre si. Mesmo que tenham sucesso econômico, o futuro do bloco é incerto. A dimensão nacional conta muito”, prevê.

Na sua opinião, “o futuro está sendo jogado no Norte, nos EUA e na UE, uma visão moderna, pós-nacional”, e “os emergentes têm hoje grande interesse na manutenção do sistema internacional”.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lagarde abre espaço para emergentes no FMI

Para garantir apoio à sua candidatura a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, prometeu dar mais voz às grandes economias emergentes, oferecendo-lhes posições de destaque na hierarquia da instituição.

Antes de visitar o Brasil e a China, Christine Lagarde deu entrevista ao jornal inglês Financial Times.

No início da semana, os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) divulgaram nota repudiando "uma convenção não escrita e obsoleta que diz que o diretor-geral do FMI deve ser europeu".