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segunda-feira, 29 de julho de 2024

Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anuncia vitória de Maduro

Depois de muita tensão e ataques de encapuçados a lugares de votação, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela acaba de anunciar a vitória do ditador Nicolás Maduro. Com 80% das urnas apuradas, supostamente Maduro recebeu 5.150.092 votos (51,2%) contra 4.496.978 (44,2%) para o oposicionista Edmundo González. É mais uma eleição fraudada pela ditadura chavista.

O CNE declarou que houve um ataque terrorista ao sistema de votação que será investigado. Maduro prometeu uma punição rigorosa. O alvo de sua ameaça é a líder oposicionista María Corina Machado, que era a favorita para ser a candidata da oposição, mas foi considerada inelegível pela Corte Suprema, conivente com a ditadura.

A oposição convocou o povo a sair às ruas pacificamente com toda a família para evitar uma repressão violenta e acusações do governo de que querem a violência, "É uma festa cívica", disse María Corina, e "ninguém leva a família para atos de violência".
 
O governo brasileiro, aliado da ditadura de Maduro, enviou o assessor de política internacional do Palácio do Planalto, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, como observador da eleição. Vamos ver qual a reação do governo Lula diante de mais uma farsa eleitoral na Venezuela.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Barragem explode no início da contraofensiva da Ucrânia

A Rússia e a Ucrânia se acusam pela destruição parcial da barragem da usina hidrelétrica de Nova Kakhovka, no Rio Dnipro, o maior da Ucrânia, no terceiro dia de uma contraofensiva ucraniana para tentar recuperar os territórios ocupados pela invasão russa. 

A dimensão real da catástrofe só será conhecida nos próximos dias, quando a água se estabilizar. Cerca de 25 mil pessoas podem ser afetadas diretamente. Estão sento retiradas da região.

Com a inundação, fica mais difícil um avanço das forças ucranianas na região de Kherson, o que interessa à Rússia. Mas, ao mesmo tempo, a barragem é a principal fonte de abastecimento de água da Península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014. Pode ser o pior acidente ecológico na Ucrânia desde a explosão na usina nuclear de Chernóbil, em 1986, ainda na era soviética.

Em última análise, como observou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, "esta é mais uma consequência arrasadora da invasão russa à Ucrânia."

Os mercenários da empresa de segurança russa Wagner, do senhor da guerra Yevgueni Prigojin, prenderam o comandante de uma brigada do Exército da Rússia, em mais de um desafio à cúpula militar russa, acusada por ele pelo fracasso na guerra até aqui.

A França se opõe à abertura em Tóquio de um escritório de ligação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Como a guerra começou dias depois que os ditadores Xi Jinping e Vladimir Putin anunciaram uma "parceria ilimitada", o Japão e a Coreia do Sul, aliados dos EUA, praticamente dobraram os orçamentos militares.

Depois de incidentes no Mar do Sul da China e no Estreito de Taiwan, o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, criticou o governo chinês por rejeitar o diálogo para evitar que esses casos degenerem em conflito.

Em entrevista ao jornal Financial Times, o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores, hoje principal assessor internacional do governo Lula, reiterou a disposição do Brasil de mediar o fim da guerra, responsabilizou os EUA e a expansão da OTAN, e afirmou que as preocupações de segurança da Rússia precisam ser levadas em conta. Meu comentário:

sexta-feira, 12 de maio de 2023

EUA e China retomam diálogo de alto nível

O embaixador dos Estados Unidos em Beijim, Nicholas Burns, se encontrou nesta semana com o ministro do Exterior da China, Qin Gang. Foi o primeiro contato direto de alto nível entre as duas superpotências desde o abate de um balão-espião chinês que entrou no espaço aéreo norte-americano há três meses e meio. Num mundo que voltou a falar em guerra nuclear, o diálogo e a diplomacia são fundamentais para desarmar crises.

No Dia da Vitória, o ditador Vladimir Putin descreveu a invasão da Ucrânia como uma guerra civilizacional contra "elites globalistas ocidentais" que querem "destruir e família" e os "valores tradicionais".

A Ucrânia declara que precisa esperar a chegada de novas armas prometidas pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), inclusive tanques alemães Leopard de última geração, para lançar uma esperada contraofensiva de primavera. 

O Reino Unido anunciou o envio de mísseis com até 500 quilômetros de alcance. O governo ucraniano se compromete a não usar as armas para atacar o território da Rússia, só as forças invasoras russas.

Depois de ir a Moscou, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim foi a Kiev oferecer a mediação do Brasil ao presidente Volodymyr Zelensky.

O jornalista francês Arman Soldin, de 32 anos, coordenador de vídeo da Agência France Presse (AFP), é o 11º membro de uma equipe jornalística a morrer na guerra. Estava perto da cidade de Bakhmut, onde acontece a batalha mais encarniçada da guerra.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump foi condenado por abuso sexual e difamação e responde a vários outros processos que não o inabilitam a concorrer à Casa Branca em 2024. 

Em patética entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, Trump repetiu as mentiras sobre fraude na eleição que perdeu e alegou perseguição política e "caça às bruxas" para explicar as investigações de que é alvo.

Com o fim da emergência de saúde pública da pandemia, caduca um decreto do governo Trump que autorizava a rejeitar a entrada de imigrantes como medida preventiva contra a covid-19. O governo Biden deportou 2,7 milhões de imigrantes com base neste decreto.

O fim da medida deve provocar um grande fluxo de imigrantes para a fronteira do México com os EUA. Mas a regra agora exige que os candidatos a asilo ou imigração façam o pedido antecipadamente pela Internet. Quem tentar entrar ilegalmente será deportado automaticamente.

A Turquia realiza no domingo uma eleição presidencial decisiva para o futuro do país, que é uma ponte entre a Europa e a Ásia. O presidente Recep Tayyip Erdogan, do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder há 20 anos e cada vez mais ditatorial. 

Erdogan enfrenta o oposicionista Kemal Kiliçdaroglu, do secularista Partido Popular Republicano (CHP), fundado em 1923 por Mustafá Kemal Ataturk, o pai da Pai da República da Turquia depois da dissolução do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Kiliçdaroglu promete unir o país e enfrentar a crise econômica, com inflação de mais de 40% ao ano.

Na Nicarágua, o ditador Daniel Ortega dissolveu a Cruz Vermelha. Meu comentário:

sábado, 6 de maio de 2023

Rússia acusa Ucrânia e EUA por ataque ao Kremlin

Guerra, fim da emergência da pandemia e coroação no Reino Unido

O ex-presidente Dimitri Medvedev, hoje vice-presidente do Conselho de Segurança Nacional, declarou que a Rússia deve matar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em resposta a um suposto ataque de drones ao Kremlin.

Na próxima semana, o assessor de relações internacionais do Palácio do Planalto, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, deve ir a Kiev retomar os contatos para tentar negociar o fim da guerra.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou ontem o fim da emergência de saúde pública internacional declarada em janeiro de 2020, no início da pandemia do coronavírus de 2019. A pandemia amainou, mas a covid-19 continua por aí, ameaçando não vacinados, idosos e pessoas com outras doenças. Só 20% dos brasileiros que podem tomaram a vacina bivalente.

Em cerimônia marcada pela pompa imperial de um império que não existe mais, Charles III foi coroado hoje rei da Inglaterra e do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, talvez o país mais importante do mundo no milênio que passou. Sua missão é preservar a monarquia. Meu comentário:

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Brasil abandona a neutralidade na Guerra da Ucrânia

Ao declarar que a Ucrânia é corresponsável pela guerra em que foi invadida, rejeitar o convite para visitar Kiev e receber em Brasília o ministro do Exterior russo sem dar a mesma oportunidade ao ucraniano, o Brasil se alinha às posições da China e da Rússia.

Se a defesa do diálogo e de uma solução negociada é elogiável, uma mediação equilibrada exige o tratamento equitativo das duas partes, o respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas.

Enquanto o chanceler Serguei Lavrov estava em Brasília, a Rússia condenava o oposicionista Vladimir Kara Murza a 25 anos por criticar a invasão da Ucrânia. Ontem, o primeiro jornalista norte-americano preso na Rússia sob a acusação de espionagem desde o fim da Guerra Fria aparecia num tribunal de Moscou que lhe negou o direito de responder ao processo em liberdade.

O ditador Vladimir Putin visitou pela segunda vez zonas de guerra na Ucrânia para tentar levantar o moral da tropas antes de uma esperada contraofensiva de primavera da Ucrânia.

A economia da China cresceu em ritmo de 4,5% ao ano no primeiro trimestre deste ano, depois de avançar apenas 3% no ano passado por causa da política de covid-zero.

Em tom professoral e arrogante, o presidente Emmanuel Macron foi à televisão defender sua impopular reforma previdenciária. As centrais sindicais planejam grandes protestos para 1º de maio, Dia do Trabalho.

A Justiça da França absolveu a companhia aérea Air France e a fabricante Airbus pelo acidente com o voo AF-447 (Rio-Paris), que matou todas as 228 pessoas a bordo em 31 de maio de 2009. Meu comentário:

sábado, 20 de janeiro de 2018

Ditador da Guiné Equatorial anuncia prisão de 20 oposicionistas

Pelo menos 20 opositores da ditadura de Teodoro Obiang na Guiné Equatorial foram presos durante a semana. Desde as eleições de 12 de novembro de 2017, em que o governo conquistou 99 das 100 cadeiras no Parlamento, mais de 200 militantes do principal partido de oposição foram presos, noticiou a Agência France Presse (AFP).

Na segunda-feira passada, os Cidadãos para a Inovação (CI) anunciaram a morte do dissidente Santiago Ebee Ela, preso em 2 de janeiro, depois de ter sido torturado na sede central da Polícia de Malabo.

Teodoro Obiang, no poder desde 1979, financiou com R$ 10 milhões o carnaval da escola de samba Beija-Flor em 2015. Seu filho Teodorin Obiang alugou sete suítes do Hotel Copacabana Palace para hospedar sua gangue.

Obiang, o oitavo governante mas rico do mundo é um dos ditadores africanos amigos do ex-presidente Lula, que foi a Malabo em 13 de março de 2013 em jato fretado pela construtora Odebrecht, como ex-presidente, depois de ter se encontrado com Obiang quando era presidente, em 2010. Na época, os dois países divulgaram nota conjunta comprometendo-se com "o respeito à democracia e aos direitos humanos".

Esses contatos com ditadores odiosos que massacram seus povos foram uma marca da política externa descrita com "ativa, altiva e soberana" pelo embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores no governo Lula.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Brasil precisa negociar com mundo inteiro sem discriminação

A proposta do novo ministro das Relações Exteriores, senador José Serra, de dar mais destaque ao Itamaraty e usar a política externa para ampliar as relações econômicas do país foi tema de matéria do jornal  O Globo de 22 de maio de 2016 em que fui citado. Abaixo, outras considerações além do que foi publicado.

Em princípio, é uma boa ideia um ministro do Exterior que não seja diplomata de carreira por causa do corporativismo do Itamaraty, mas Serra não é lá muito diplomático.

Foi correta a resposta pronta aos governos latino-americanos que denunciam golpe no Brasil, mas conceder passaporte diplomático a um pastor evangélico num Estado laico é um erro. Sou a favor de taxar as religiões e não de fazer concessões eleitoreiras.

É importante retomar as relações com as grandes potências democráticas, falo de EUA, Europa, Canadá, Japão e Austrália. Temos em comum a defesa da democracia liberal e dos direitos humanos. Devemos rejeitar atitudes colonialistas, mas não hostilizar EUA e Europa como potências imperiais como fazia o PT.

A Guerra Fria acabou. No mundo globalizado, é preciso negociar soberanamente com o mundo todo.

O grupo BRICS me parece mais um instrumento de política externa da China, com quem precisamos manter boas relações por causa da importância econômica, mas China e Rússia são defensoras de um autoritarismo que não interessa a países verdadeiramente democráticos. De acordo com a Constituição, os direitos humanos são um pilar importante da política externa brasileira.

A cooperação econômica é importante, mas a aliança política com qualquer potência não pode ser automática. Não pode haver alinhamento automático nem com China nem com EUA e o maior desafio será sempre negociar com as superpotências.

Precisamos de uma política externa independente, soberana e flexível. O Brasil é um ator global e precisa continuar sendo.

Serra sempre foi contra o Mercosul, o que me parece um equívoco. Sob a orientação do embaixador Rubens Ricupero, reconhece a importância do bloco na arquitetura da política externa brasileira, que desde a redemocratização reconhece a importância da região, especialmente da América do Sul.

Seria importante resgatar a proposta original do bloco, o regionalismo aberto, onde um grupo de países que se une para ter voz mais forte e maior poder de barganha em negociações e foros internacionais. A Venezuela de Maduro atrapalha, mas de que servem Mercosul, Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), se não forem capazes de negociar uma transição pacífica na Venezuela?

É o problema mais urgente no nosso entorno. Do jeito que vai, o derramento de sangue parece inevitável. O governo Dilma Rousseff estava muito mais qualificado para fazer isso por causa da identidade ideológica. Perdeu a oportunidade pelo desinteresse de Dilma com a política externa.

A política externa é uma política de Estado, que requer continuidade. Dilma esvaziou o Itamaraty, que hoje tem excesso de terceiros-secretários porque sob Lula o Rio Branco admitia cem pessoas por ano e Dilma teria reduzido para 20. Dilma desmontou o árduo trabalho de Celso Amorim para aumentar a internacionalização do Brasil.

Em seu estilo pouco diplomático, Serra mandou fazer logo uma análise de custos com o objetivo evidente de fechar embaixadas. Todo orçamento tem limite, mas fechar as portas é dar um tapa na cara de países com que o Brasil tentou reforçar os laços.

Imagino que o continente mais afetado seja a África, onde Lula estabeleceu “amizades” com ditadores sanguinários como Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, e Denis Sassou-Nguesso, do Congo (ex-Francês). Não dá para ignorar graves violações dos direitos humanos enquanto se faz negócios, mas se pode usar a influência para tentar melhorar a situação ao contrário do que faz a China, que ignora tudo em nome da soberania nacional.

A África é o próximo continente que pode sofrer um crescimento acelerado, até mesmo por partir de um nível muito baixo. O Brasil, como segundo maior país africano do mundo em população, deve participar deste processo.

Se olharmos um mapa da África à noite, veremos uma escuridão quase total. O ex-ministro francês Jean-Louis Borloo lançou a proposta de um Plano Marshall para a eletrificação do continente, Energias para a África. Com energia e mão de obra barata, pode ser um salto no desenvolvimento africano. O Brasil deveria se associar a este projeto. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

TV Senado discute espionagem dos EUA

A espionagem eletrônica feita pelos Estados Unidos monitorou as reuniões do G-20, grupo que reúne o Brasil e outras 19 potências econômicas emergentes. Quem revela é o ministro da Defesa, Celso Amorim no Diplomacia-Entrevista. O Senado Federal quer abrir CPI para apurar o caso.
A seção o Dossiê diplomático relembra o trágico acidente na Base de Alcântara em 2003. Após 10 anos, o Programa Espacial Brasileiro ainda contabiliza prejuízos e acordo internacional com Estados Unidos é questionado por especialistas.
Peru, Chile, Colômbia e México avançam com a aliança do pacífico. O tema é alvo de preocupação da Comissão de Relações Exteriores, que recebeu o chanceler Antônio Patriota. E veja reportagem sobre as conseqüências das manifestações no Brasil e em outros países para a jovem democracia da América Latina.
No Arte & Diplomacia, retratos que mostram a atuação da mulher angolana. Nas colunas culturais acompanhe a ópera inspirada em Olga Benário, esposa do líder comunista Luiz Carlos Prestes. E veja também as análises do filme "geração roubada" sobre o genocídio de aborígenes na Austrália, e do livro "Breves narrativas diplomáticas" de Celso Amorim.

Serviço:
O programa Diplomacia, a revista de Política Internacional da TV Senado, vai ao ar no fim de semana: sábado, dia 20/07, às 12h30, e às 22h30; domingo, dia 21/07, às 9h e às 17h. Com reprises nos finais de semana seguintes: sábado, dia 27/07, às 17h; domingo, dia 28/07, às 3h e sábado, dia 03/08, às 3h.

A TV Senado pode ser sintonizada em canal aberto (UHF) nas seguintes cidades:
·         16 UHF (Rio Branco – AC)
·         36 UHF (Gama-DF)
·         40 UHF (João Pessoa-PB)
·         43 UHF (Fortaleza-CE)
·         49 UHF (Rio de Janeiro-Zona Oeste)
·         51 UHF (Brasília-DF)
·         52 UHF (Natal-RN)
·         53 UHF (Salvador-BA)
·         55 UHF (Recife-PE)
·         56 UHF (Cuiabá-MT)
·         57 UHF (Manaus-AM)

Também nos canais 07 (Net Brasília), 118 (Sky), 217 (Direct TV) e 17 (TECSAT), 121 (Vivo TV), 903 (OI-TV), 231 (GVT-TV) e na Internet pelowww.senado.gov.br/tv.

sábado, 6 de agosto de 2011

El País vê crise militar na nomeação de Amorim

Para o jornal espanhol El País, a presidente Dilma Rousseff trocou uma crise por outra ao substituir Nelson Jobim por Celso Amorim como ministro da Defesa.

Jobim foi "o primeiro ministro da Defesa que não teve problemas com a cúpula militar", diz o jornal em matéria do correspondente no Brasil publicada neste sábado. É "prestigiado e de indiscutível capacidade profissional".

Como ministro das Relações Exteriores, Amorim comandou a guinada da política externa à esquerda no governo Lula.

Na visão de El País, o ex-chanceler é ligado à "ala mais esquerdista do Partido dos Trabalhadores", considerado "antiamericano" e responsável pela aproximação com os regimes autoritários de Cuba, do Irã e da Venezuela de Hugo Chávez.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Irã condena cineasta a seis anos de prisão

O cineasta iraniano Jaafar Panahi foi condenado ontem a seis anos de prisão por ter ousado fazer um filme sobre os protestos contra a reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 12 de junho de 2009.

De nada adiantaram os apelos do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, amigo pessoal de Panahi. Além da prisão, ele foi proibido de filmar, escrever roteiros, dar entrevistas e sair do país durante 20 anos pelo regime fundamentalista iraniano.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Brasil boicota cúpula do G-20

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai à reunião cúpula do Grupo dos Vinte (19 países mais rico do mundo e União Europeia) a ser realizada amanhã e depois de amanhã, em Toronto, no Canadá.

A explicação oficial é que Lula ficou por causa da trágica enchente no Nordeste. Dá para acreditar?

É difícil. O ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, também não vai. Uma delegação chefiada pelo medíocre e incompetente ministro da Fazenda, Guido Mantega, nem de longe tem o mesmo peso.

Lula e Amorim estão desgastados internacionalmente pela tentativa fracassada de mediação da crise em torno do programa nuclear do Irã. Preferiram esvaziar a participação brasileira.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Obama enviou carta a Lula apoiando missão no Irã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou há 15 dias uma carta ao presidente Luiz Inacio Lula da Silva apoiando o esforço conjunto do Brasil e da Turquia para convencer o Irã a enviar parte de seu urânio para enriquecimento como uma forma de "aumentar a confiança" mútua, ajudando uma solução pacífica da crise, revelou hoje a agência internacional de notícias Reuters.

Hoje, o ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, afirmou que o Irã vai cumprir o acordo, apesar da ameaça de sanções propostas pelos EUA com o apoio das outras grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Irã se considera herdeiro do Império Persa

O Irã é a antiga Pérsia. Considera-se herdeiro do mais antigo império multinacional da História e de seus grandes reis-heróis, Dario, Xerxes e Ciro, que enfrentaram os gregos nas Guerras Médicas ou Medo-Persas ou Greco-Persas (499-449AC), em batalhas famosas como Maratona, Salamina e Termópilas.

Há um filme de Hollywood recente sobre essa guerra, 300, em referência aos 300 de Esparta, que sob o comando de Leônidas resistiram a um Exército persa muito mais numeroso. O filme é criticado como uma peça de guerra subliminar que visa a demonizar o inimigo, no caso o Irã.

Rodrigo Santoro, travestido como um homossexual escandaloso, é o imperador Xerxes, enquanto os gregos, fundadores da civilização ocidental, são os heróis brancos e americanizados.

As guerras estão contadas em História, de Xenofonte, um dos pais da História.

Contra todas as previsões, as cidades-estado gregas derrotaram o maior império da época, tornaram-se imperialistas e brigaram entre si na Guerra do Peloponeso, acabando com o período áureo da Grécia Antiga. O país seria conquistado por Felipe da Macedônia.

Seu filho, Alexandre, o Grande, um dos maiores generais de todos os tempos, derrotou e conquistou o Império Persa e o vizinho Afeganistão (foi o único ocidental a fazer isso antes da invasão americana pós-11 de setembro. A Batalha de Gaugamela, em que derrotou Dario III, em 331 AC, marca o fim do Império Persa da Antiguidade.

O Irã também é berço do Zoroastrismo.

Depois do fim do Império Persa,  a região foi incorporada ao Império Helenístico deixado por Alexandre, que morreu em Babilônia em 323AC.

Mais tarde, foi dominada pelo Império Romano, na época de sua major expansão, sob Trajano (98-117 DC). Com a decadência do império, ressurgem dinastias tribais locais, que enfrentam o Império Bizantino.

A grande mudança vem na Batalha de Kassídia, em 637, com a expansão árabe para propagar o Islamismo. Durante um século, o país é dominado pelo Califado de Damasco e depois passa para o Califado Abácida, que funda Bagdá para ser sua capital em 742.

É no Irã, e em seguida no Norte da África e na Península Ibérica, e mais tarde na Europa, que o Islamismo saiu do mundo árabe para se tornar uma religião internacional, uma das maiores da humanidade, com 1,3 bilhão de seguidores.

Só no final do primeiro milênio a Pérsia conquistou independência de Bagdá, sob os Samânidas, que tinham como capital Bukhara. Mas essa dinastia foi vencida por tribos turcas.

Nesta época, agia na região a seita dos Assassinos, considerados precursores do terrorismo político que hoje é endêmico no Oriente Médio.

Em 1256, são os mongóis que invadem a Pérsia e depois o Império Otomano.

FUNDAÇÃO DA MONARQUIA
Só em 1501, sob a dinastia Safavida, que tornou o xiismo a religião oficial do país, o Irã recuperou sua independência e lançou as bases da monarquia que vigorou até a revolução islâmica de 1979.

A partir do século 17, entram na disputa por influência sobre o país as potências europeias, notadamente nos Impérios Britânico e Russo, que fariam o Grande Jogo na região, incluindo o Afeganistão.

No início do século 20, de 1905 a 1911, houve a chamada Revolução Constitucionalista contra o absolutismo da dinastia Kajar e o país passa a ter um parlamento. O xá seria submetido à lei e a coroa passa a ser “uma dávida divina dada ao xá pelo povo”.

Em 1921, sob um clima de caos gerado pela ameaça da invasão de um exército guerrilheiro soviético, Reza Shah Pahlevi, um oficial da Brigada Cossaca Persa, treinada pela Rússia, dá um golpe de estado, assina um tratado de amizade com os soviéticos e funda a dinastia Pahlevi.

Reza Shah é coroado em 15 de dezembro de 1925 e impõe um regime autoritário, nacionalista, militarista, secularista e anticomunista, com censura pesada e muita propaganda governista. Foi sucedido em 1941 pelo filho Mohamed Reza Pahlevi, depois de uma invasão anglo-soviética.

O Xá dos Xás, Sua Majestade Imperial, a Luz dos Arianos e o Chefe dos Guerreiros. Na sua releitura do passado, celebrou os “2,5 mil anos da continua monarquia”, desde a fundação do Império Persa por Ciro.

Reza Pahlevi fez uma série de reformas econômicas promovendo uma modernização conservadora. Essas políticas e o reconhecimento de Israel o levaram a se distanciar do clero xiita.

Com o golpe contra o primeiro-ministro nacionalista Mohamed Mossadegh, que nacionalizou o petróleo e foi derrubado numa conspiração anglo-americana, em 1953, o Xá assumiu poderes absolutos, baniu o Partido Comunista e governou com o apoio de uma temida polícia política, a Savak, acusada por até 100 mil mortes. Era a instituição mais odiada do país.

Sob o Xá, o Irã era o país do Oriente Médio que mais recebia ajuda dos EUA, que chegou a US$ 11 bilhões por ano. O presidente Jimmy Carter elogiou o regime como um exemplo de estabilidade na região.

A  onda de protestos começou em janeiro de 1978. De agosto de 1978 a janeiro de 1979, uma onda de greves paralisou o país, especialmente o setor petrolífero. Os sindicatos começaram a revolução, que reunia desde liberais pró-Ocidente até extremistas religiosos.

Foram as maiores manifestações de massa de História, uma multidão nas ruas.

REPÚBLICA DOS AIATOLÁS
Os aiatolás, sob a liderança de Khomeini, eram a única instituição organizada para substituir o regime que desabava. Em 11 de fevereiro de 1979, o Xá entregou o país aos aiatolás e foi-se embora.

Com o passar do tempo, a linha dura tomou conta. Houve choques nas ruas de Teerã entre liberais descontentes com o regime, devidamente massacrados pela Guarda Revolucionária e suas milícias associadas.

A meta da ideologia de Khomeini é derrubar a ideia de que o progresso traz junto a ocidentalização da sociedade. É preciso reislamizar a umma, o conjunto de todos os muçulmanos, que era a proposta de Hassan al-Bana, fundador do primeiro grupo fundamentalista islâmico, a Irmandade Muçulmana, no Egito, em 1928.

Era uma primeira reação organizada contra a modernização imposta pelo colonialismo europeu desde a invasão do Egito por Napoleão em 1798.

Outro ideólogo importante do jihadismo e do ben-ladismo é Said Kutub, um egípcio que apoiou a revolução que derrubou a monarquia no Egito em 1952, mas rompeu com Gamal Abdel Nasser, o grande líder do nacionalismo pan-árabe, um nacionalista de esquerda que não queria mistura política e religião.

Na visão dos fundamentalistas, a religião deve orientar toda a vida social e política. Kutub escreveu na cadeia uma série de livros que lança as bases ideológicas do terrorismo muçulmano, partindo do princípio de que é preciso combater incessantemente os infiéis no mundo inteiro. A solução não está mais em islamizar a umma.

É preciso islamizar o mundo inteiro. Khomeini foi o tradutor de Kutub para o persa. Misturou o Corão, o xiismo, as ideias radicais do sunita Kutub e elementos da Revolução Francesa (revolução e república) para fazer a primeira revolução islâmica, com a tomada do poder e a mudanças na estrutura do Estado iraniano.

Nem Ocidente. Nem Comunismo. O mundo precisava de uma Revolução Islâmica. Khomeini introduziu a charia, o direito islâmico, e o conceito de velayat-e fakih, a sociedade precisa ser supervisionada por um Conselho de Guardiães da fé e da revolução, os sábios, juristas e doutores do Islã.

Esta é a base da ditadura teocrática, em que o presidente, o governo, o Parlamento, a Justiça, as Forças Armadas, a Polícia, todas as instituições estão subordinadas ao Supremo Líder Espiritual, posição ocupada por Ali Khamenei desde a morte de Khomeini, em 1989.

A revolução iraniana foi das primeiras a se submeter ao teste das urnas, mas o regime veta milhares de candidatos, cerca de mil na primeira eleição de Ahmadinejad e  mais de 400 na do ano passado.

Naturalmente, a revolução desagradou as diferentes ditaduras que governam os países muçulmanos, nem as superpotências da Guerra Fria. Todos apoiaram o ditador iraquiano, Saddam Hussein, quando ele invadiu o Irã, em 22 de setembro de 1980.

GUERRA ENTRE MUÇULMANOS
Essa guerra brutal durou oito anos. Matou quase 1 milhão de muçulmanos. Foi alimentada pelos dois lados por interessados em ver dois países muçulmanos se degladiando.

Dentro dela, houve uma Guerra dos Petroleiros, com ataque a navios-taque no Golfo Pérsico, e uma Guerra das Cidades, bombardeios maciços contra centros urbanos, de lado a lado, inclusive com armas químicas.

Em 1987, Khomeini teria vencido suas resistências e autorizado a Guarda Revolucionária a desenvolver armas nucleares.

Como a revolução passou a apoiar grupos radicais que seqüestraram americanos no Líbano, o governo Reagan vendeu armas e peças de reposição para os arsenais comprados pelo xá em troca da libertação de reféns.

Depois de dois governos do reformista Mohamed Khatami, eleito contra a vontade da linha dura, com 70% dos votos, no primeiro turno, quando parecia que o regime evoluiria gradativamente para uma liberalização, as invasões do Iraque e do Afeganistão levaram a nova radicalização interna e à eleição do ex-prefeito de Teerã Mahmoud Ahmadinejad, tema que exploro num capítulo do meu livro.

Foi uma eleição difícil, em segundo turno, de um cara de fora do círculo íntimo do regime mas seu fiel seguidor, um ex-guarda revolucionário que acenou com um programa de renda mínima no interior e bateu as pesquisas de opinião oficiais.

Ahmadinejad nega o Holocausto e ameaça varrer Israel do mapa. Isso aumenta a preocupação com o programa nuclear do Irã, que já foi alvo de três rodadas de sanções do Conselho de Segurança da ONU para pressionar o regime a parar de enriquecer urânio.

No ano passado, dentro das negociações propostas por Obama, Rússia e França se ofereceram para processar urânio até 20%. Em outubro, Ahmadinejad aceitou em princípio, mas foi bombardeado internamente por governo e oposição.

Dentro do xadrez político interno, a questão nuclear é peça fundamental. Há duas semanas, Khamenei descartou totalmente a possibilidade de mandar urânio para fora do país.

Na semana passada, o ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, advertiu Lula de que ele será enganado em Teerã porque o Irã não tem interesse em aceitar plenamente as regras do TNP.

Na abertura da conferência que revista o tratado até o fim deste mês, tanto o secretário-geral da ONU quanto o diretor-geral da AIEA disseram que “cabe ao Irã provar que seu programa nuclear é inteiramente pacífico”.

O Irã não abre suas instalações a inspeções da agência nem responde às dúvidas da agência.

Soma-se a isso um endurecimento do regime diante dos protestos contra a reeleição fraudulenta de Ahmadinejad.

FRAUDE ELEITORAL
Como na questão nuclear, não há nenhum revólver fumegante, nenhuma prova defnitiva de que o Irã esteja fazendo a bomba nem de que a eleição foi roubada. Mas todos os indícios levam a essas conclusões.

O regime sente nos EUA uma ameaça existencial, e quem quiser enfrentar os EUA precisa de armas de destruição em massa, como conclui o ex-ministro da Defesa da Índia Jaswant Singh.

Teerã não abre as instalações nucleares e desenvolve uma tecnologia de uso duplo. Para fazer a bomba, é preciso enriquecer urânio acima de 90% O Irã está em 3,5% e já anuncia capacidade de enriquecer a 20%.

A Europa e os EUA, inclusive França e Alemanha, países que não apoiaram a invasão do Iraque, não acreditam nas negativas de Teerã.

Já a fraude eleitoral foi revelada num estudo da Chatham House, o Royal Institute of International Affairs, uma das muitas instituições que premiaram o presidente Lula. É altamente improvável que Ahmadinejad tenha ganho no primeiro turno, quando precisou de um segundo turno numa eleição em que não havia nenhum reformista forte.

A apuração centralizada não permitiria apurar 46 milhões de votos em poucas horas. Ao longo de toda a apuração anunciada oficialmente, a distribuição percentual de votos entre os candidatos não variou, como se uns não fossem mais fortes do outros em diferentes regiões do país. Há vários cálculos que indicam a virtual impossibilidade de se acreditar no resultado oficial.

Os protestos foram violentamente reprimidos, o número de execuções dobrou, pelo oito dissidentes foram executados, a censura aumentou, especialmente na Internet, a milícia Bassij matou pelo menos 20 dissidentes, inclusive Neda Soltan, que virou o símbolo da revolta popular.

Isso não significa que o regime esteja ameaçado. Mas é uma ditadura com peso cada vez maior da Guarda Revolucionária, como mostra a vitória de Ahmadinejad contra antigos líderes do regime, sem qualquer perspectiva de reformas ou de submeter o programa nuclear a um controle democrático ou civil.

Israel e os EUA já examinaram a possibilidade de bombardear 100 a 200 alvos do programa nuclear. Mas há muitas instalações em cidades e universidades. Seria preciso atacar as defesas antiaéreas para minimizar o risco aos pilotos atacantes. E o Irã tem aliados capazes de lançar contra-ataques terroristas.

O resultado mais provável seria uma conflagração generalizada no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, o Irã não colabora para a paz com Israel, que não reconhece e chama de “entidade sionista”, arma grupos xiitas no Iraque, o Hesbolá e o Hamas. Seu ministro da Defesa, Ahmed Vahidi, tem prisão decretada na Argentina por atentados contra alvos judaicos em Buenos Aires nos anos 90.

Além da ameaça a Israel e do terrorismo nuclear, uma bomba iraniana deflagraria uma corrida nuclear no Oriente Médio, com Síria, Egito, Turquia e Arábia Saudita querendo equilibrar o poder de fogo do vizinho persa.

Em tese, uma negociação global com o Irã capaz de reduzir a paranoia do regime seria altamente benéfica em várias frentes. É o que buscam Lula e Celso Amorim. A questão é se isso é possível.

O Brasil e a Turquia são os únicos países democráticos que ainda estendem a mão ao Irã. A resposta positiva ao presidente Lula foi anunciada ontem à noite pelo ministro do Exterior da Turquia.

A Turquia é extremamente cética. Ainda desconfia do Irã. Teme que o regime fundamentalista iraniano esteja enrolando para ganhar tempo.

É provável que os EUA rejeitem a proposta iraniana e continuem pressionando o Conselho de Segurança das Nações Unidas a aprovar uma quarta rodada de sanções contra o Irã.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Irã quer punir ameaça de uso de armas nucleares

Ao discursar na conferências das Nações Unidas sobre a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) , o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu punição aos países que ameaçam usar armas atômica.

Foi uma referência à nova doutrina nuclear do presidente Barack Obama, que prometeu não usar armas nucleares contra quem não tenha, mas admitiu que os Estados Unidos podem usar contra violadores do TNP, no caso, contra o Irã e a Coreia do Norte.

Ao abrir a conferência, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, delcarou que cabe ao Irã provar que seu programa nuclear não tem objetivos militares. Ele pediu à república islâmica que:
• respeite as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
• coopere com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA); e
• aceite a proposta para mandar enriquecer urânio no exterior.

Já o dirigente iraniano acusou os EUA de terem criado a bomba atômica, promovido uma corrida armamentista e de ameaçarem usá-la, inclusive contra o Irã.

Num discurso de 35 minutos, Ahmadinejad pediu que os EUA sejam suspensos do Conselho de Governadores da AIEA.

Em sinal de protesto, as delegações dos EUA, do Reino Unido e da França abandonaram o plenário.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, declarou estar cansada do que chamou de "mentiras e manobras do Irã para esconder os fatos e tentar evadir-se de suas responsabilidades".

O Irã "desafia o Conselho de Segurança e a AIEA, colocando em risco o regime de não proliferação nuclear. Mas o Irã não terá sucesso nos seus esforços para desviar a atenção e dividir".

Para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Celso Amorim, que tenta mediar o conflito entre EUA e Irã, "o TNP é um tratamento intrincesamente injusto porque divide o mundo entre os países e os países que não têm armas nucleares".

Ao mesmo tempo, acrescentou o chanceler brasileiro, o TNP prevê o desarmamento nuclear, única maneira, na lógica de Amorim, de acabar com a desigualdade entre potências nucleares e os países que não podem ter a bomba atômica.

Numa visão realista das relações internacionais, é difícil acreditar na extinção das armas nucleares, como promete o presidente Obama. Parece mais uma jogada para enquadrar a Coreia do Norte e o Irã.

Do lado brasileiro, há um certo idealismo por querer se tornar uma potência mundial desarmada. Amorim comentou que todos os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU são potências reconhecidas pelo TNP.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Conferência promete US$ 5,3 bilhões ao Haiti

A Conferência Internacional para a Reconstrução do Haiti realizada hoje em Nova York terminou com promessas de ajuda de US$ 5,3 bilhões nos próximos dois anos, acima dos US$ 3,8 bilhões que era a meta do encontro.

Num prazo mais longo, o total prometido ao Haiti chega a US$ 9,9 bilhões, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon. Mas a porta-voz para assuntos humanitários, Elizabeth Byrs, lembrou que até agora só foram obtidos 48% dos US$ 1,4 bilhão de ajuda de emergência que a ONU pediu em fevereiro, um mês depois do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas.

Ao abrir a conferência, co-presidida pelo Brasil e os Estados Unidos, Ban afirmou que o objetivo é "criar um novo Haiti, um trabalho de construção nacional numa escala que não é vista a gerações".

Em nome dos EUA, a secretária de Estado, Hillary Clinton, prometeu US$ 1,15 bilhão. A União Europeia ofereceu US$ 1,7 bilhão. O Brasil, representado pelo ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, doou US$ 172 milhões.

Quem está sob enorme pressão é o presidente haitiano, René Préval. O primeiro-ministro Jean-Max Bellerive quer bilhões para fechar o orçamento deste ano, mas a sociedade internacional teme o desvio do dinheiro num dos países mais corruptos do mundo, com uma pequena elite e uma imensa maioria miserável.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hillary acusa Irã de virar ditadura militar

Durante visita ao Oriente Médio, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, acusou o Irã de estar se transformando numa ditadura militar, com o poder sendo exercido cada vez mais pela Guarda Revolucionária Iraniana.

Em Madri, ao ser recebido pelo ministro do Exterior da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, e a comissária europeia para política externa, Lady Catherine Ashton, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Celso Amorim, voltou a defender o diálogo como forma para desarmar o progrma nuclear iraniano, suspeito de desenvolver armas atômicas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Manter multilateralismo é desafio para o Brasil

A defesa do multilateralismo e a integração sul-americana são os maiores desafios da diplomacia, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na abertura do seminário que festejou os 10 anos do Centro Brasileiro de Relações Internacionais no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 2008.

O chanceler brasileiro defendeu sua decisão de priorizar as negociações de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que este é um foro internacional multipolar por excelência. As Nações Unidas são dominadas pelas grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança e as outras instituições econômicas internacionais - o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial - têm voto ponderado, com mais peso para os países ricos.

Amorim ainda tem uma última esperança de que seja possível chegar a um acordo na Rodada Doha da OMC até o final de setembro. Se não der, a conclusão da rodada ficará adiada por alguns anos, com risco de aumento do protecionismo e fragmentação do sistema multilateral de comércio.

Com a mudança de governo nos Estados Unidos, o embaixador acredita serem necessários dois a três. Neste período, podem surgir outras prioridades.

“A OMC é fundamental para nossa busca do multilateralismo”, declarou. “Essa é uma política de todos os governos brasileiros. O multilateralismo é a expressão de uma multipolaridade”.

Para o chanceler, a ONU tem “um papel inspiracional”. Sem negar a importância de grandes eventos como a Cúpula da Terra, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), Amorim observa que o único órgão mandatório é o Conselho de Segurança, onde as grandes potências têm poder de veto.

“A OMC, ainda que imperfeita, tem mecanismos de solução de controvérsia”, argumentou o chanceler. “As ações de implementação de suas decisões lhe dão um poder que outras organizações internacionais não têm.”

Na sua visão, a política externa deve ter um “caráter universalista”, no sentido de melhorar as relações com todos os outros países.

Só neste ano, lembrou o ministro, o presidente Lula foi duas vezes à Ásia. A crescente importância internacional do Brasil traz cada vez mais desafios: “A presença do Brasil é requisitada.”

Amorim rejeitou no dia seguinte a acusação do governador de São Paulo, José Serra, de que a política externa do governo Lula fracassou ao não fechar novos acordos comerciais.

“O Brasil nunca deixou de buscar a abertura de mercados em outras areas”, sustentou o ministro. “O primeiro memorando de entendimento com a União Européia foi feito no governo Itamar. Quando estivemos perto de um acordo, o setor agrícola brasileiro considerou a abertura insuficiente”.

Na sua opinião, “as principais distorções do comércio internacional, como os subsídios agrícolas, só podem ser resolvidos na OMC, através de um acordo conjunto. Se queremos valorizar o sistema multilateral, a OMC é importante. Se não conseguirmos chegar a um acordo em comércio, em segurança, o que dizer de outras questões, como mudança do clima…”

Com a fragmentação do sistema multilateral, “ficaremos sujeitos a ações unilaterais”, profetizou. “Sem a ONU, algumas ações internacionais seriam impossíveis, como a missão de paz no Haiti, uma nova forma de missão de paz, com ênfase no desenvolvimento social.”

A integração sul-americana é importante porque “eu moro aqui”, resumiu o chanceler brasileiro: “A idéia de que a gente pode se isolar… Pode haver algum descolamento mas, do ponto de vista mais amplo, é uma necessidade, um desdobramento do Mercosul. O Brasil não pode mais ficar limitado ao Cone Sul.”

Amorim entende que o Conselho de Defesa recebeu “excessiva exposição midiática”, mas festejou: “É a primeira vez em 200 anos que temos um tratado assinado por toda a América do Sul.” E defende “uma integração lastreada em fatos reais e na prática comercial. A América do Sul comprou 20% das nossas exportações e 93% das exportações de manufaturados; os EUA, menos de 15%”.

Este esforço de integração “coincide com o aprofundamento da democracia depois de um ciclo de ditaduras, com ressentimentos em relação a potências externas”.

O ministro contou que passa três a quatro horas por dia ao telefone para falar dos problemas da região: “O remédio não é se retrair, é organizar nossa região. A solução do conflito Colômbia-Equador foi uma rara resolução da OEA (Organização dos Estados Americanos) aprovada por consenso com o apoio dos EUA”.

A própria OMC é um exemplo para Amorim: “Antes os EUA e a Europa se reuniam, depois chamavam o Japão e o Canadá. Hoje, o Brasil e a Índia estão no centro das negociações. O Brasil está lá também por sua capacidade de articulação política e diplomática, sua luta por justiça social e sua seriedade econômica.”

• Na mesa redonda sobre O Brasil na América Latina, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, sustentou que diversos países do subcontinente não terão condições de se desenvolver sem a ajuda dos vizinhos maiores e mais ricos. Ele antevê um futuro com o mundo dividido em blocos.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vice da Colômbia considera relação Chávez-FARC "uma bomba prestes a explodir"

O vice-presidente da Colômbia, Fernando Santos, declarou na quinta-feira que as relações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são "uma bomba prestes a explodir".

Em Caracas, Chávez recebeu a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em viagem previamente agendada. Os dois assinaram acordos para tirar a Argentina de sua grave crise energética.

Chávez ameaçou nacionalizar as empresas colombianas, alimentando ainda mais a tensão.

Hoje os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela devem se encontrar na reunião de cúpula do Grupo do Rio em São Domingos, na República Dominicana. É um encontro potencialmente explosivo.

O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim.