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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Índia reafirma que o tempo da guerra passou

Ao receber as delegações dos países do Grupo dos Vinte (G-20) em Bengaluru, o ministro da Informação da Índia, Anurag Thakur, declarou em entrevista que "hoje não é mais tempo para a guerra. A democracia, o diálogo e a democracia são o caminho à frente."

A reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G-20, que inclui os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia, coincide com o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia. A Índia é neutra, não aderiu às sanções internacionais, compra petróleo russo com desconto, mas o primeiro-ministro Narendra Modi já deu o mesmo recado ao ditador Vladimir Putin.

O Congresso do México aprovou hoje uma reforma que enfraquece o Instituto Nacional Eleitoral ao reduzir o orçamento, o quadro de funcionários e o poder de punir políticos. A iniciativa é do presidente Andrés Manoel López Obrador, um populista de esquerda. Com seu Movimento de Reneração Nacional (Morena) liderando as pesquisas para a eleição de 2024, por que suscitar dúvidas sobre a lisura do pleito?

Na Argentina, a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, criticou a convocação pelo movimento peronista La Cámpora de uma manifestação em 24 de março em defesa da vice-presidente Cristina Kirchner, denunciada por corrupção. 24 de março é a data do golpe militar de 1976. É o dia da marcha anual Memória, Verdade e Justiça.

A semana com quatro dias de trabalho é uma ideia em teste em vários países europeus. Já foi adotada na Bélgica e na Islândia. A proposta é simples: para ganhar o mesmo salário trabalhando menos, é preciso fazer o mesmo trabalho em menos tempo, aumentando a produtividade. Meu comentário:

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Presidente das Avós da Praça de Maio encontra neto

Depois de 36 anos, a presidente da organização de defesa dos direitos humanos Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, encontrou seu neto. Sua filha, Laura Carlotto, morreu na prisão durante a guerra suja da ditadura militar da Argentina contra as esquerdas, em junho de 1978, dois meses depois do nascimento de Guido.

"O resultado é positivo. Encontramos o meu sobrinho", festejou hoje Kivo Carlotto, irmão de Laura e secretário de Direitos Humanos da província de Buenos Aires. "Ele se apresentou voluntariamente, fez o teste de DNA e deu 99,9% de compatibilidade. É uma emoção enorme", acrescentou o tio em entrevista ao canal de televisão Todo Noticias.

Guido foi batizado pela família que o adotou como Ignacio Hurban. É músico, noticia o jornal argentino Clarín.

Sem alternativa para reencontrar seus filhos, em 1977, as mães dos sequestrados e desaparecidos pela ditadura militar argentina passaram a se encontrar e circular toda quinta-feira pela Praça de Maio, diante da Casa Rosada, sede do governo, com lenços brancos na cabeça com o nome dos filhos. Como os filhos desses filhos também desapareceram, em outubro de 1977, surgia o movimento das Avós da Praça de Maio.

Guido Carlotto é o 111º neto resgatado pelas Avós da Praça de Maio de um total de mais de 500 bebês e crianças raptados pela última ditadura militar argentina.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Argentina condena ex-ditadores por sequestro de bebês

O general Jorge Rafael Videla, primeiro presidente da Argentina depois do golpe militar de 1976, foi condenado hoje a 50 anos de prisão pelo sequestro de 35 bebês nascidos nos cárceres da ditadura e entregues a aliados do regime. No mesmo processo, o último ditador, general Reynaldo Bignone, pegou 15 anos de cadeia.

Foi o primeiro grande julgamento do desaparecimento de crianças e bebês durante a última ditadura militar argentina (1976-83), uma vitória das Avós da Praça de Maio.

Depois de 15 anos de investigação, o chefe de inteligência da sinistra Escola de Mecânica da Armada (Esma), o maior centro de detenção e tortura, Jorge Tigre Acosta, pegou 30 anos de cadeia; o almirante Oscar  Antonio Vañek, 40 anos; o médico da Esma Jorge Magnacco, 15 anos; o capitão Víctor Gallo, 15 anos; e sua mulher, Suzana Colombo, 5 anos.

Impassível, Videla, que já cumpre duas penas de prisão perpétua por outros crimes do regime, negou que houvesse um plano sistemático de sequestro de crianças e insistiu que seus pais eram terroristas.

Dos 35 casos investigados neste processo - de um total estimado em 400 sequestros de crianças, com mais de 100 netos devolvidos -, 28 pessoas conseguiram recuperar sua identidade. Entre elas, estão os deputados Juan Cabandié e Victoria Donda, nascidos na Esma, informa o jornal argentino Clarín.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ditadores argentinos voltam ao banco dos réus

No Tribunal Federal de Buenos Aires, começou hoje o julgamento dos ex-ditadores argentinos Jorge Videla e Reynaldo Bignone pelo sequestro de 34 filhos de desaparecidos políticos.

Cerca de 500 crianças foram sequestradas pela ditadura militar argentina. As Avós da Praça de Maio conseguiram identificar e recuperar 102 já jovens.

Agora, pela primeira vez, o sequestro dos bebês nascidos nos porões da ditadura chega aos tribunais. Nos próximos meses, 370 testemunhas vão contar a história de 34 crianças desaparecidas depois do assassinato de seus pais.

"Conseguimos processar os repressores por sequestro, tortura, estupro, assassinato e roubo", comentou Rosa Roisinblit, vice-presidente das Avós da Praça de Maio. "Tínhamos essa dívida com as nossas crianças. Decidimos processá-los mais uma vez, pelo sequestro sistemático de crianças.

A deputada Victoria Donda era uma dessas crianças. Só em 2003 ela descobriu quem eram seus verdadeiros pais.

"É uma demonstração de que a justiça pode ser feita mesmo depois de muito tempo e que a verdade e  justiça são as únicas maneiras de curar uma sociedade", disse a deputada. "É um exemplo para outros países onde crianças foram sequestradas, como a Alemanha e a Espanha."

O general Videla foi condenado no governo Raúl Alfonsín (1983-89), a primeiro após a ditadura. Recebeu indulto do presidente Menem (1989-99). No governo Néstor Kirchner, o indulto foi anulado e os processos foram reabertos.

No ano passado, Videla foi condenado à prisão perpétua por 31 assassinatos. Ao todo, cerca de 30 mil foram mortas na guerra suja argentina.