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domingo, 27 de outubro de 2024

Governo do Japão perde maioria absoluta no Parlamento

 Depois de chegar à liderança do Partido Liberal-Democrata (PLD) e à chefia do governo do Japão na quinta tentativa um mês atrás, o primeiro-ministro Shigeru Ishiba levou o partido que domina a política do país no pós-guerra à pior derrota em 15 anos. O PLD e seu aliado Komeito (Partido do Governo Limpo) perderam neste domingo a maioria na Dieta, a câmara baixa do Parlamento japonês, jogando o país na incerteza. Sua liderança está ameaçada.

De acordo com a televisão estatal NHK, com 41,1% dos votos, o PLD terá 191 deputados e o Komeito , com 5,2%, 24. Assim, a bancada governista fica com 215 cadeiras, 18 a menos do que as 223 necessárias para ter maioria. O Partido Democrático Constitucional do Japão (PDCJ) recebeu 31,8% dos votos e elegeu 148 deputados. Outros partidos tiveram 19,4% e elegeram 92 deputados.

Este resultado reflete o descontentamento da população com décadas de baixo crescimento econômico, combinado nos últimos anos com aumento no custo de vida e a corrupção crônica do sistema político japonês. 

Em dezembro do ano passado, estourou um escândalo. Duas facções do PLD deixaram de declarar 600 milhões de ienes (R$ 22,34 milhões) em contas de campanhas e depositaram o dinheiro em fundos secretos. Isso provocou a queda do primeiro-ministro Fumio Kishida, substituído por Ishiba, que decidiu convocar eleições para se legitimar.

Um parlamento fragmentado vai emperrar as reformas necessárias para resgatar um pouco do dinamismo da economia japonesa, considerada um exemplo para o mundo nos anos 1980, em crise desde 1991.

Para ter maioria, o PLD terá de atrair partidos que até agora não mostraram interesse em se aliar ao governo. O PLD tem um virtual monopólio do poder no Japão. Desde que foi criado, em 1955, numa fusão de governos conservadores, o PLD só deixou de governar o país por dois breves períodos, quando o primeiro-ministro foi o socialista Tomiichi Murayama (1994-96), e de 2009 a 2012, quando o PDCJ esteve no poder com os primeiros-ministros Yukio Hatoyama, Naoto Kan e Yoshihiko Noda, que ainda é o líder do partido e da oposição.

Desde 2012, quando voltou ao poder com Shinzo Abe, o PLD venceu todas as eleições nacionais no Japão. Esta derrota marca o fim da era Abe, morto em 16 de setembro de 2020, num raríssimo assassinato político no país.

Único país do mundo bombardeado até hoje com armas nucleares, o Japão é agora o principal aliado dos Estados Unidos, que ainda tem forças militares no país, no Leste da Ásia, uma peça fundamental na estratégia de Washington para conter a China, que inclui Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Índia e Vietnã. Estes dois últimos mantêm uma posição de independência entre EUA e China.

domingo, 7 de julho de 2024

Frente de esquerda e centro barra ascensão da ultradireita na França

A Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, e a aliança Juntos, do presidente Emmanuel Macron, venceram o segundo turno das eleições parlamentares na França e conseguiram barrar a ascensão ao poder da Reunião Nacional (RN), de extrema direita, que ficou em terceiro lugar. Há festa nas ruas de Paris e outras cidades.

A NFP elegeu 182 deputados na Assembleia Nacional, de 577 cadeiras. A aliança macronista Juntos terá 168 cadeiras, e a RN e aliados 143 deputados. Esse resultado só foi possível porque 210 candidatos desistiram para deixar o mais votado enfrentar a ultradireita. Todas alianças estão longe da maioria absoluta, de 289 cadeiras. A participação no segundo turno foi de 67,1%, a maior desde 1981.

O primeiro-ministro Gabriel Attal anunciou que vai pedir demissão amanhã para dar ao presidente maior margem de manobra para negociar a formação de um novo governo. A questão agora é que governo será possível.

O líder da França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, declarou que "o presidente tem o dever de convidar a NFP para governar", mas se recusou a formar coalizão com o macronismo "depois de lhe fazer oposição há sete anos".

Dentro da NFP, LFI elegeu pelo menos 71 deputados, o Partido Socialista (PS) 64 deputados, os Ecologistas conquistaram 33 cadeiras e o Partido Comunista Francês 9. Tendo em vista o radicalismo de Mélenchon, se Macron nomear um primeiro-ministro de esquerda, provavelmente será o socialista Raphael Glucksmann. A frente de esquerda promete apresentar um candidato em uma semana.

Sem esconder a frustração, o candidato da extrema direita a primeiro-ministro, Jordan Bardella, afirmou que "a aliança da desonra" vai "privar os franceses de uma política de recuperação". A líder da RN, Marine Le Pen, disse que a derrota "só adia nossa vitória". No momento, ela é a favorita para a eleição presidencial de 2027, mas é a única candidata declarada.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Partido mais bem-sucedido do Ocidente sofre maior derrota

Depois de 14 anos na oposição, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, vai voltar a governar o Reino Unido com seu líder Keir Starmer como primeiro-ministro. 

Com o resultado das eleições desta quinta-feira, os trabalhistas elegeram 412 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Ganharam 211 cadeiras.

O Partido Conservador, o partido que ficou mais tempo no poder no Ocidente nos últimos 190 anos, sofre sua maior derrota. Perdeu 251 cadeiras, elegendo 121     deputados.

Em terceiro lugar, ficou o Partido Liberal-Democrata, que se recuperou do desgaste de formar coalizão com os conservadores no primeiro governo Cameron (2010-15) e terá sua maior bancada, passando de 8 para 72 deputados, superando o Partido Nacional Escocês (SNP), que caiu de 48 para 10 cadeiras. 

O Partido Nacional Escocês, que defende a independência da Escócia, teve menos votos do que o partido Reforma Reino Unido (RUK), o antigo Partido da Independência do Reino Unido e Partido da Brexit, conservador e eurocético, liderado por Nigel Farage, que tirou votos dos conservadores e chegou a 15%, mas só elegeu 5 deputados. 

O Sinn Féin (SF), o partido católico, republicano e nacionalista irlandês que luta pela reunificação da Irlanda, ganhou 7 cadeiras na Irlanda do Norte. Ficou na frente do Partido Unionista Democrático, o maior da comunidade protestante, que elegeu 5 deputados e perdeu 3. Os deputados do SF nunca assumem seus mandatos no Parlamento Britânico porque se negam a jurar lealdade à coroa britânica. 

O Plaid Cymru, partido nacionalista do País de Gales, elegeu 4 deputados e o Partido Verde 4.

Esta maioria formidável conquistada pelos trabalhistas se deve ao sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital num turno único. Como vários partidos disputam cada distrito, o vencedor às vezes tem em torno de 30%.

Na contagem nacional de votos, os trabalhistas tiveram apenas 2% votos a mais do que na eleição anterior e chegaram a 35% contra 24% para os conservadores, 15% para Reform UK, que mesmo assim só terá 5 deputados, e 13% para os liberais-democratas, que elegeram 71 deputados. 

Em 1983, depois da Guerra das Malvinas, o Partido Conservador teve 46% dos votos com Margaret Thatcher. O neotrabalhismo de Tony Blair foi eleito com 43% do voto popular em 1997. Com o sistema eleitoral britânico, ambos tiveram maiorias de mais de 100 deputados.

A vitória esmagadora, a avalanche trabalhista, é resultado em parte da volta do domínio do Partido Trabalhista na Escócia às custas do SNP, que perdeu 38 cadeiras, e da votação do partido Reform UK, responsável por um terço das 122 derrotas conservadoras. Somando a votação dos conservadores com o partido Reforma, dá 39%, mais do que os 35% dos trabalhistas.

Os conservadores deixam como herança maldita a saída do Reino Unido da União Europeia, uma crise econômica com queda de produtividade e alta do custo de vida, e uma queda na qualidade dos serviços públicos que vem desde que o primeiro-ministro David Cameron (2010-16) adotou uma política de austeridade fiscal, uma das razões de sua derrota no plebiscito sobre a UE. 

Desde 2010, o Reino Unido teve cinco primeiros-ministros conservadores, só dois eleitos, pelo voto popular, Cameron e Boris Johnson. Enfrentou duas crises financeiras, austeridade fiscal, Brexit e a pandemia.

O último primeiro-ministro foi Rishi Sunak, um multimilionário de origem indiana com patrimônio de 730 milhões de libras (R$ 5,111 bilhões). Foi o primeiro primeiro-ministro não cristão. Fez seu primeiro juramento como deputado sobre o Bhagavad Gita, um livro sagrado do hinduísmo. Não adiantou..

Diante da queda da inflação e de outros indicadores econômicos positivos, Sunak decidiu antecipar as eleições, que precisavam ser realizadas até janeiro de 2025. Foi um erro comparável aos de Cameron com a Brexit e do presidente da França, Emmanuel Macron. Mas alguns meses a mais não melhorariam a sorte dos conservadores.

Pelo ritual da monarquia constitucional britânica, Sunak vai ao Palácio de Buckingham nesta sexta-feira pedir demissão. Em seguida, o líder trabalhista vai pedir a autorização do rei Carlos III para formar o novo governo, que será aprovado pela nova maioria parlamentar.

Keir Starmer, de 61 anos, foi advogado defensor dos direitos humanos. Em 2002, foi nomeado conselheiro da rainha. De 2008 a 2013, foi procurador-geral do Reino Unido. Entrou na Câmara dos Comuns em 2015, na segunda eleição de Cameron, como representante de um distrito do Centro de Londres. Foi porta-voz para imigração do governo paralelo da oposição, uma tradição britânica para fazer sombra ao governo e preparar um possível futuro ministério.

Ele saiu do governo paralelo em 2016 por discordar da liderança de Corbyn. Depois da derrota trabalhistas nas eleições de 2019, Starmer foi eleito líder do partido em abril de 2020.

Suas principais promessas de campanha são aumentar os investimentos no setor público, especialmente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), acabando com a austeridade fiscal dos conservadores, o fim do pagamento de anuidade nas universidades, aumento de impostos para os ricos, combate à evasão fiscal das empresas, à desigualdade social, à falta de moradia e ao aquecimento global.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Extrema direita é grande perdedora nas eleições na Espanha

Com um desempenho abaixo do esperado, a extrema direita ficou sem condições de formar um governo de maioria com o conservador Partido Popular (PP) depois das eleições gerais de ontem na Espanha. 

Líder do partido mais votado, Alberto Núñez Feijóo, do PP, tem prioridade para formar o novo governo. Se não conseguir, o atual primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, poderá continuar governando com apoio de partidos autonomistas que jamais farão acordo com a ultradireita.

Caso nenhum dos dois consiga os apoios necessários para governar, a Espanha poderá ser forçada a realizar novas eleições. Desde que a Crise do Euro (2008-14) desarticulou o sistema político espanhol, o país fez cinco eleições gerais.

Para o ex-primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, as eleições na Espanha são muito importantes na luta contra o ascensão do neofascismo na Europa. Meu comentário:

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Extrema direita leva Netanyahu de volta ao poder em Israel

 Nas quintas eleições gerais em quatro anos, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o chefe de governo com mais tempo no poder na história de Israel, prepara sua volta, mas a grande vencedora é extrema direita, que deve pular de 6 para 14 cadeiras e ter a terceira maior bancada na Knesset, o Parlamento de Israel. Será o governo mais à direita de história do país.

Líder do partido direitista Likud, Netanyahu governou Israel de 1996-97 e de 2009-21, superando o fundador de Israel, David Ben-Gurion. É o principal responsável pela estagnação e o fracasso do processo de paz com os palestinos.

No ano passado, caiu diante de uma coalizão ampla e frágil articulada pelo primeiro-ministro derrotado hoje, o centrista Yair Lapid, que reunia partidos de direita, centro, esquerda e árabes. Lapid defendia a paz com a criação de um Estado palestino. 

O novo governo fará o que puder para consolidar a ocupação e enterrar a solução com dois países, um árabe e um judeu, divindido o território histórico da Palestina, nos termos da decisão da ONU que criou o Estado de Israel, em 1947.

Para formar um governo, é necessária uma aliança com pelo menos 61 dos 120 deputados da Knesset. O Likud é o partido mais votado. Conquistou 32 cadeiras. Em segundo, ficou Yesh Atid (Há Futuro), de Lapid, com 24, seguido pela aliança Sionismo Religioso-Poder Judaico, com 14.

A Unidade Nacional, do ministro da Defesa Benny Gantz, aliado de Lapid, elegeu 12 deputados. Logo atrás, vem dois partidos religiosos da coligação de Netanyahu, Shas (11 cadeiras) e Judaísmo Unido da Torá (8). 

Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), do ex-ministro da Defesa linha-dura Avigor Lieberman, fundado por imigrantes da antiga União Soviética. Perdeu dois deputados e agora tem cinco.

A Lista Árabe Unida deve eleger cinco deputados, assim como a coalizão Hadash-Ta'al (Frente Democrática pela Paz e Igualdade, que inclui o Partido Comunista, e Movimento de Renovação Árabe), um a mais do que o Partido Trabalhista.

O partido que fundou e governou Israel nos primeiros 29 anos de sua história, e foi o grande responsável pelo processo de paz com os palestinos, perdeu três cadeiras e pode ter apenas quatro representantes no parlamento. O social-democrata Meretz não venceu a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Teve apenas 3,14% e ficou fora da Knesset.

Com 32 deputados do Likud, 14 da aliança Sionismo Religioso-Poder Judeu, 11 do Shas e 8 do Judaísmo Unido da Torá, Netanyahu pode formar um governo com uma maioria de 65 cadeira. Mas corre o risco de ficar refém de uma extrema direita supremacista, racista, xenófoba, misógina e homofóbica que defende a anexação da Cisjordânia ocupada e a expulsão de todos os árabes, que são cerca de 21% dos 9,6 milhões de israelenses.

O líder do Poder Judeu, Itamar Ben-Gvir, é discípulo de Meir Kahane, um rabino ultradireitista e deputado cujo partido Kach (Assim) foi banido por ser antidemocrático e racista. Os EUA o consideravam uma organização terrorista. Kahane foi assassinado em Nova York em 1990. Na sua sala, há uma foto do terrorista israelense Baruch Goldstein, que matou 29 palestinos num ataque à Tumba do Patriarca (Abraão), em Hebron, na Cisjordânia, em 1994.

Ben-Gvir defende a pena de morte para terroristas, pediu para as forças de segurança atirarem em palestinos que jogavam pedras e chegou a dizer que o resto da humanidade existe para "servir os judeus". É um discurso tão extremista que um deputado, respeitosamente, alegando não querer comparar com o supremacismo ariano do Nazismo, acabou comparando.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Extrema direita chega ao poder na Suécia

 Três dias depois das eleições gerais na Suécia, o resultado foi definido hoje. Com 99,95% das urnas apuradas, a aliança entre a direita e a extrema direita, liderada pelo conservador moderado Ulf Kristersson, terá maioria com 176 deputados contra 173 da esquerda no Parlamento, de 349 cadeiras. Pela primeira vez, a ultradireita chega ao poder.

A primeira-ministra esquerdista Magdalena Andersson (foto) pede demissão amanhã ao rei Carlos Gustavo, mas deve continuar na liderança do Partido Social-Democrata, que ainda é o maior do país, com 107 deputados, sete a mais do que antes. Sua aliança perdeu por causa de partidos menores da coalizão de governo.

O Centro perdeu 7 cadeiras, caindo para 24, o mesmo número de deputados da Esquerda, que perdeu 4. Os Liberais também perderam quatro deputados e agora têm 16. Os Verdes ganharam mais duas cadeiras, chegando a 18. Não foi suficiente.

O grande vitorioso foi o partido Democratas da Suécia, de extrema direita, anti-imigrantes, que se tornou o segundo maior do país, com 20,5% dos votos e 73 deputados, 11 a mais, e terá força para influir no programa do futuro governo.

“Agora, começa o trabalho para tornar a Suécia grande de novo”, declarou seu líder, Jimmie Akesson, reproduzindo o discurso do ex-presidente norte-americano Donald Trump. Ele promete ser uma “força construtiva, com iniciativa”.

Herdeiro de um grupo neonazista na sua origem, em 1988, os Democratas da Suécia foram pouco a pouco sendo aceitos, a exemplo de outros partidos e líderes de extrema nesta ascensão do neofascismo no século 21.

A esquerda governou a Suécia em 80 dos últimos 100 anos. Com 10,5 milhões de habitantes e renda média de US$ 60 mil por ano, o país tem o 7º maior índice de desenvolvimento humano.

Em 2010, a ultradireita entrou no Parlamento com 5,7% dos votos. Anti-imigrantes, explora a criminalidade cometida por gangues de estrangeiros. Neste ano, houve 44 homicídios até agora. No ano passado, foram 45.

“Nunca antes a segurança pública havia sido um tema central de uma eleição na Suécia”, observou o cientista político Henrik Oscarsson.

A extrema direita defende o Estado previdenciário, o bem-estar social do modelo social-democrata escandinavo, mas acusa os estrangeiros de sobrecarregar o sistema e quer limitar o acesso a benefícios aos suecos étnicos.

Historicamente, a Suécia tinha uma política de imigração liberal. Costumava acolher refugiados, inclusive das ditaduras da América Latina. Desde 2015, o país recebeu 150 mil candidatos a asilo político, principalmente da Síria, do Iraque e do Afeganistão. O eixo da campanha eleitoral mudou da questão social para imigração e identidade nacional.

Apesar do sucesso, Akesson não tem o apoio dos três partidos da direita republicana (Moderado, Democratas-Cristãos e Liberais) para se tornar chefe do governo, cargo prometido ao moderado Kristersson (foto), e talvez nem para formar parte do governo formalmente. Os Democratas da Suécia podem dar “apoio crítico” ao novo governo no Parlamento sem ter ministérios, desde que possam emplacar suas políticas.

A campanha durante o processo de adesão da Suécia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, em reação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, mas isso não foi objeto de grandes discussões. Os sociais-democratas, que historicamente eram contra, mudaram de posição com a guerra.

O sucesso da aliança da direita com a extrema direita empolgou estas correntes políticas na Itália, onde uma coligação entre partidos da mesma coloração política é favorita nas eleições de  25 de setembro.

“Mesmo na bela e democrática Suécia, as esquerdas foram derrotadas e mandadas para casa. O domingo 25 é nossa hora. Vamos ganhar”, festejou Matteo Salvini, líder da neofascista Liga, que não festeja a queda do ditador Benito Mussolini no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Quem lidera as pesquisas na Itália é o partido pós-fascista Irmãos da Itália, chefiado por Giorgia Meloni, provável futura primeira-ministra. A Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, também faz parte da aliança.

Se na Suécia a questão central que levou a extrema direita ao poder foi a imigração, causada especialmente pela guerra civil na Síria e outros conflitos do Grande Oriente Medio, na Itália, o peso maior é da guerra na Ucrânia. A Itália comprava 40% do gás que consome da Rússia. Sofre com a inflação de energia e alimentos, e corre risco de passar frio no inverno.

Um governo de extrema direita na Itália tende a ser mais favorável à Rússia. Pode se aliar ao primeiro-ministro neofascista da Hungria, Viktor Orbán, para dividir a frente contra a guerra de agressão de Vladimir Putin.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Socialistas vencem e fazem maioria absoluta em Portugal

 O Partido Socialista (PS), do primeiro-ministro António Costa, venceu amplamente as eleições em Portugal. Com 42% dos votos e maioria de 117 deputados na Assembleia da República, de 230 cadeiras, poderá governar sem depender de outros apoios. 

O partido Chega, da extrema direita, recebeu 7,15% dos votos e cresceu de um para 12 deputados. Será a terceira força no Parlamento, depois do PS e Partido Social-Democrata (PSD), de centro-direita, o maior da oposição, que obteve 29% dos votos e terá 76 cadeiras. 

Em quarto lugar, com 5%, ficou a Iniciativa Liberal, um partido que defende um liberalismo econômico radical. Ficou à frente do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português (PCP), que tiveram cerca de 4,5% cada um.

Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Direita vence eleições em Israel mas pode não ter maioria

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua aliança direitista conquistou o maior número de cadeira na Knesset, o Parlamento de Israel, nas eleições de hoje. Mas, mais uma vez, pode não ter maioria absoluta, indicam as pesquisas de boca de urna divulgadas há pouco pelas televisões israelenses.

Estas foram as terceiras eleições gerais em Israel em um ano. Tiveram a participação de 80% do eleitorado, a maior desde 1999. Talvez ainda não sejam capazes de romper o impasse, a exemplo do que ocorreu nas eleições de 9 de abril e 17 de setembro de 2019.

De acordo com as pesquisas, que erraram em eleições anteriores, o partido Likud, de Netanyahu, teria 37 deputados e sua coalizão chegaria a 60, uma abaixo da maioria na Knesset, de 120 cadeiras.

O partido Azul e Branco, liderado pelo general Benny Gantz, levaria 33 cadeiras e sua coalizão um total de 56 deputados.

Réu em quatro processos por corrupção, Netanyahu luta não só para manter o poder, mas para escapar da prisão. Ele espera conseguir o apoio necessário na Knesset para aprovar uma lei tornando o chefe de governo inimputável enquanto estiver no cargo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Vitória conservadora não tira incerteza sobre futuro do Reino Unido

O primeiro-ministro conservador Boris Johnson obteve uma grande vitória nas eleições de ontem para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro, mas o futuro do país é incerto e perigoso. O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte terá de se reinventar e pode perder a Escócia.

Triunfante, o primeiro-ministro Boris Johnson declarou diante da residência oficial que o resultado deve encerrar o debate em torno da saída britânica do bloco europeu e que é hora de curar as feridas causadas pela profunda divisão do país nos últimos anos.

Johnson prometeu restaurar o passado de glória. Mas pode ser uma vitória de Pirro, um general que derrotou o Império Romano duas vezes, mas sofreu tantas perdas que declarou: “Mais uma vitória dessas e estou perdido.” Na terceira batalha, foi derrotado.

O desafio de Johnson é reacomodar o país que um dia comandou o maior império da história num mundo globalizado, definir seu futuro a partir de uma negociação com a União Europeia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará tudo para boicotar.

A Escócia já manifestou a intenção de convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à União Europeia. O país pode ficar reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Pesquisa de boca de urna indica vitória conservadora no Reino Unido

A julgar pela pesquisa de boca de urna, o Partido Conservador obteve uma ampla vitória nas eleições gerais de hoje, dando um mandato ao primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.

De acordo com a pesquisa feita com 22 mil eleitores em 144 dos 650 distritos eleitorais do país, os conservadores ganharam 50 cadeiras e devem eleger 368 deputados contra 191 da oposição trabalhista, que perdeu 71 cadeiras sob a liderança de Jeremy Corbyn, um radical de esquerda.

Se as pesquisas forem confirmadas, será o pior resultado dos trabalhistas desde 1935, superando a derrota de outro radical de esquerda, Michael Foot, para a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher em 1983 e a maior vitória conservadora desde as últimas eleições sob a liderança de Thatcher, em 1987.

Com 55 deputados, 20 a mais do que nas últimas eleições, o Partido Nacional Escocês consolida seu domínio sobre a Escócia e se prepara para convocar um novo plebiscito sobre a independência com grandes chances de ser aprovada.

domingo, 28 de abril de 2019

Socialistas vencem eleições na Espanha

Dois anos depois de ser destituído da liderança do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de voltar numa eleição primária e de chegar ao poder numa moção de desconfiança, o primeiro-ministro Pedro Sánchez foi o grande vencedor das eleições gerais deste domingo na Espanha. 

Com 99,98% dos votos apurados, o PSOE elegeu 123 (28,7%) dos 350 membros do Congresso dos Deputados. Mas vai precisar fazer alianças para governar. Sua parceira natural, a frente de esquerda Unidos Podemos, conquistou 42 cadeiras. A soma dá 165.

Nas terceiras eleições gerais em quatro anos, a participação foi de 75%. O grande derrotado foi 0 Partido Popular (PP), conservador, que caiu de 135 para 66 deputados (16,7%), no pior desempenho de sua história. Os Cidadãos, de centro-direita, elegeram 58 deputados (15,8%).

A grande novidade foi a volta da extrema direita ao Parlamento da Espanha depois do fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco Bahamonde, em 1975. O partido Vox, que no ano passado entrara no parlamento regional da Andaluzia, elegeu agora 24 deputados nacionais (10,3%).

Em seguida, vieram partidos regionais como a Esquerda Revolucionária da Catalunha (ERC). Com 15 deputados, a ERC é agora o maior partido independentista catalão, à frente dos Juntos pela Catalunha, que ficaram com sete cadeiras.

O Partido Nacionalista Basco (PNV), de centro-direita, a favor da independência do País Basco mas contra a violência da ETA (Euskadi Ta Askatasuna), também elegeu sete deputados.

Com a derrota da direita, Sánchez é o único em condições de formar um governo de maioria. "Com Rivera, não! Com Rivera, não", gritavam os militantes do PSOE, rejeitando uma aliança com os Cidadãos, liderados por Albert Rivera. O próprio Rivera descartou esta possibilidade.

Uma aliança entre o PSOE e Unidos Podemos teria 165 deputados, 11 a menos do que a maioria absoluta. A direita somada chegaria a 148, com PP, Cidadãos e Vox.

Sánchez chegou ao poder em 2 de junho de 2018 depois de derrubar o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy com um voto de desconfiança, com o apoio dos partidos a favor da independência da Catalunha. Foi obrigado a convocar eleições antecipadas quando perdeu o apoio dos catalães, que exigem a realização de um plebiscito sobre a independência. Isso dificulta qualquer acordo.

Desde a redemocratização, o PSOE e o PP se alternavam no poder. A Grande Recessão (2008-14) explodiu a bolha imobiliária. O sistema bancário espanhol estava quebrado. Em 2012, a Espanha pediu 100 bilhões de euros ao Mecanismo Europeu de Estabilidade. O desemprego chegou a 27% no primeiro trimestre e passou de 55% entre os jovens.

A pior crise da era pós-Franco fragmentou o sistema político espanhol. Surgiram dois novos partidos, Podemos à esquerda e Cidadãos, de centro-direita. Com a reação conservadora ao movimento pela independência da Catalunha somada à crise econômica, a extrema direita está de volta ao Parlamento.

sábado, 6 de abril de 2019

Netanyahu promete anexar colônias da Cisjordânia ocupada

Sob pressão na reta final da campanha para as eleições de terça-feira, 9 de abril, com pesquisas indicando vitória da oposição, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje que vai "ampliar a soberania israelense", anexando definitivamente as colônias judaicas na Cisjordânia ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em entrevista ao canal 12 da televisão de Israel, Netanyahu descartou a criação de um Estado nacional palestino, prometeu controlar a segurança na Cisjordânia e estender a soberania israelense aos mais de 400 mil colonos assentados no território árabe ocupado. Na sua visão, um país palestino "ameaçaria nossa existência".

O reconhecimento pelos Estados Unidos no mês passado da anexação ilegal por Israel das Colinas do Golã, ocupadas na mesma guerra, criou um precedente perigoso ao violar uma norma da sociedade internacional pós-Segunda Guerra Mundial. A Carta das Nações diz expressamente que "é vedada a guerra de conquista".

Netanyahu havia avisado o presidente Donald Trump. Não pretende retirar nem nenhuma pessoa das colônias instaladas na Cisjordânia. O radicalismo de Netanyahu no fim da campanha é uma tentativa de tirar votos dos partidos de extrema direita e atraí-los para o Likud.

A coalizão Azul e Branco, liderada pelo general Benny Gantz, ex-comandante militar de Israel, e pelo ex-apresentador de televisão Yair Lapid, está na frente nas últimas pesquisas. Deve eleger entre 28 e 32 deputados, enquanto o Likud teria de 28% a 31%. Mas o primeiro-ministro tem mais chances de formar uma coalizão com pelo menos 61 deputados, a maioria absoluta da Knesset, de 120 cadeiras.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros para 6% ao ano

A uma semana do início das eleições gerais, o Banco da Reserva da Índia (BRI) reduziu ontem sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 6% ao ano e pressionou os bancos privados a repassarem o corte aos consumidores, noticiou o jornal The Economic Times.

Ao justificar a medida, o presidente do banco central, Shaktikanta Das, citou a desaceleração do crescimento, a debilidade do investimento e a redução no fluxo de crédito para pequenas e médias empresas.

Com a proximidade das eleições, a oposição deve acusar Das de fazer o jogo do primeiro-ministro Narendra Modi, que mudou o presidente do banco central na expectativa de que um crescimento mais robusto lhe garanta a reeleição. Nos Estados Unidos, o Conselho da Reserva Federal (Fed) não mexe nas taxas de juros em período eleitoral.

A estagnação da renda dos agricultores, a baixa geração de empregos e a fraqueza no investimento ameaçam a vitória do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu e conservador, parte da onda neopopulista de direita.

Modi se elegeu há cinco anos prometendo defender os valores tradicionais da Índia e acelerar o desenvolvimento econômico. Seu maior adversário é Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, filho, neto e bisneto dos primeiros-ministros Rajiv Gandhi, Indira Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Em 2014, Rahul liderou o Partido do Congresso em sua maior derrota. A bancada encolheu de 206 para 44 deputados na Lok Sabha, a Câmara do Parlamento da Índia, que tem hoje 545 cadeiras.

Nas últimas pesquisas, a Aliança Democrática Nacional, liderada pelo BJP de Modi, teve de 34% a 41% votos contra 28% a 31%  para a Aliança Progressista Unida, de Rahul, com 28% a 38% dos votos indo para partidos menores, alguns regionais. A metade das pesquisa indica que talvez nenhuma aliança consiga maioria absoluta.

A Índia é o país que mais cresce entre as dez maiores economias do mundo, mas ainda não é o suficiente para resgatar centenas de milhões de indianos que vivem na miséria.

O Escritório Central de Estatísticas reduziu de a estimativa de avanço do produto interno bruto de 7,2% para 7% no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2019 por causa do baixo crescimento das exportações em janeiro e fevereiro. A meta do governo é 7,5% ao ano.

Em 2018, o PIB indiano cresceu 7,3% para um total de US$ 2,69 trilhões. É a sétima maior economia do mundo, depois de EUA, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França, pelo ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ultrapassou a Itália e o Brasil.

Maior democracia do mundo, com 1,34 bilhão de habitantes e cerca de 900 mil eleitores. A votação será dividida em sete dias - 11, 18, 23 e 29 de abril e 6, 12 e 19 de maio - de modo que o Exército possa se deslocar pelo país para garantir a segurança das eleições. A apuração oficial começa em 23 de maio e os resultados devem sair três dias depois.

domingo, 24 de setembro de 2017

Merkel é reeleita e ultradireita volta ao Parlamento da Alemanha

Com cerca de 33% dos votos, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) garantiu a esperada reeleição da chanceler (primeira-ministra) conservadora Angela Merkel para um quarto mandato como chefe de governo da Alemanha. 

A grande novidade das eleições de 2017 foi a volta ao Parlamento alemão de um partido de extrema direita pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), surgida em reação à política de Merkel de acolher os refugiados de guerras no Oriente Médio e à crise do euro, ficou em terceiro lugar, com 12,6% dos votos e 94 deputados, atrás do Partido Social-Democrata (SPD), que teve 20,5% da votação e elegeu 153 deputados.

Também conquistaram assentos na Câmara Federal da Alemanha o Partido Liberal-Democrata (FDP),  com 10,7% dos votos, terá 80 deputados; a Esquerda, com 9,2%, elegeu 69 deputados; e os Verdes, com 8,9% da votação, terão 67 deputados.

Apesar da vitória, com 246 deputados na Câmara Federal (Bundestag) de 709 cadeiras, a aliança CDU-CSU obteve seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental.

Merkel pode tentar a aliança com os liberais-democratas, um antigo aliado de governos democratas-cristãos, mas não basta para ter maioria absoluta. Ela também precisaria do apoio da bancada verde para formar um governo de maioria, com 393 deputados.

Outra opção é manter a grande aliança com o SPD. Os sociais-democratas sofreram o desgaste de ser o parceiro menor na coalizão de governo. Devem preferir a oposição para reconstruir sua base de apoio. De qualquer maneira, Merkel sai enfraquecida das eleições.

Pela Constituição da República Federal da Alemanha, do pós-guerra, há uma cláusula de barreira. Para entrar na Câmara, um partido precisa de no mínimo 5% dos votos nacionalmente. Foi uma fórmula usada evitar o acesso de nazista e comunistas ao Parlamento.

É a primeira vez desde Hitler e do partido nazista que a extrema direita estará no Parlamento Alemão. Ao celebrar como vitória, os ultranacionalistas prometeram fazer uma oposição feroz a Merkel e investigar os últimos governos. Do lado de fora, manifestantes liberais e de esquerda gritavam: "Fora, nazistas!"

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Merkel vence único debate antes das eleições na Alemanha

Em campanha por um quarto mandato consecutivo, a chanceler (primeira-ministra) conservadora da Alemanha, Angela Merkel, levou a melhor no único debate televisivo da campanha, realizado ontem à noite. Ao responder sobre relações com a Turquia, ela descartou a possibilidade do país entrar na União Europeia.

O candidato social-democrata Martin Schulz atacou a política de refugiados, as relações com a Turquia e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Merkel usou sua experiência internacional e foi considerada vencedora.

Antes do debate, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã (CSU) tinha uma vantagem de 14 pontos nas pesquisas sobre o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Depois de debate, 55% deram vitória à chanceler e apenas 35% ao líder social-democrata.

Sob pressão de Schulz, Merkel declarou: "É claro que a Turquia não deve se tornar um membro da UE. Vou falar com meus colegas para ver se podemos chegar a uma posição conjunta e encerrar as negociações de acesso."

O governo turco reagiu com indignação. Merkel defendeu o acordo da UE com a Turquia para tentar conter a onda de refugiados da guerra civil na Síria.

Schulz também cobrou uma posição mais dura em relação a Trump por "colocar o mundo à beira de crises com seus tuítes" e prometeu trabalhar com seus parceiros europeus, o Canadá, o México e a oposição americana.

Merkel alegou "não acreditar que a crise na Coreia do Norte possa ser resolvida sem o presidente americano, mas penso que devemos dizer nos termos mais claros possíveis que só pode haver uma solução pacífica e diplomática."

No poder desde 2005, Merkel é a líder da Europa e uma das maiores lideranças mundiais. Diante do recuo do papel internacional dos EUA de Trump, ela está sendo pressionada a assumir o papel de líder do mundo ocidental.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Espanha fará terceiras eleições gerais num ano

O primeiro-ministro interino Mariano Rajoy fracassou hoje pela segunda vez na tentativa de obter aprovação do Parlamento da Espanha para formar um novo governo depois das últimas eleições legislativas. Assim, a Espanha deverá realizar suas terceiras eleições num ano, provavelmente em dezembro.

Por 180 a 170 votos, mesmo resultado da votação anterior, um Parlamento dividido frustrou mais uma vez a tentativa do primeiro-ministro conservador de se manter no poder, onde chegou em 2011 em meio à crise da periferia da Zona do Euro, que derrubou o primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

A crise desmoralizou os partidos tradicionais, o Partido Popular, de Rajoy, e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que se alternavam no poder em Madri desde a consolidação da remocratização da Espanha, em 1982.

Com desemprego acima de 25% e de 55% entre os jovens, o movimento dos indignados levou ao nascimento de dois novos partidos: Podemos, de esquerda, antiliberal, anticapitalista e antiglobalização; e Cidadãos, liberal, de centro direita.

Nesta nova realidade política, duas eleições levaram a parlamentos fragmentados, onde nenhum partido conseguiu formar um coligação majoritária. O líder do PSOE, Pedro Sánchez, se nega a formar uma grande coalizão com o PP. Uma aliança PSOE-Podemos-Cidadãos teria maioria, mas o líder do Podemos, Pablo Iglesias, recusa qualquer acordo com Cidadãos, de Alberto Rivera. Nem PP-Cidadãos nem PSOE-Podemos formam maiorias.

Nada indica que as próximas eleições rompam o impasse. Só resta à Espanha continuar votando.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fatah e Hamas marcam eleições para maio de 2012

O presidente da Autoridade Nacional Palestina e líder da Fatah (Luta), Mahmoud Abbas, e o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Khaled Mechal, acertaram nesta quinta-feira no Cairo a realização de eleições gerais nos territórios palestinos ocupados por Israel em maio de 2012.

Os dois maiores partidos políticos palestinos reafirmaram ainda sua reconciliação e a formação de um governo de união nacional, mas não anunciaram como seria a divisão dos ministérios. Tentam acabar com as hostilidades que levaram a uma verdadeira guerra civil palestina e a tomada do poder pelo Hamas na Faixa de Gaza, em julho de 2007.