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domingo, 5 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Julho

PRIMEIRO BIQUÍNI

     Em 1946, o estilista francês Louis Réard apresenta numa piscina popular de Paris, no corpo da dançarina Micheline Bernardini, um ousado maiô de duas peças que chama de "biquíni" inspirado pelo Atol de Bikíni, no Oceano Pacífico, onde os Estados Unidos testavam bombas atômicas.

As mulheres europeias começam a usar maiôs de duas peças nos anos 1930, mas eles só mostram um pedaço da barriga e cobrem o umbigo. Nos EUA, eles aparecem durante a Segunda Guerra Mundial, quando há racionamento de tecidos no país e as praias europeias são zonas de guerra.

No primeiro ano do pós-guerra, os estilistas franceses produzem roupas que refletem o espírito de alegria da libertação, inclusive "os menores trajes de banho do mundo". O biquíni de Réard era um sutiã na parte de cima e dois triângulos unidos por um cordão.

Para apresentar sua criação, o estilista não consegue nenhuma modelo profissional. Recorre, então, a Micheline Bernardini, uma dançarina do Cassino de Paris que não tinha escrúpulos para aparecer nua em público.

O biquíni é um sucesso, especialmente entre os homens. Micheline recebe cerca de 50 mil cartas de fãs. Logo, as mulheres mais ousadas adotam o biquíni nas praias do Mar Mediterrâneo. A Itália e a Espanha proíbem até os anos 1950, quando o biquíni toma conta das praias europeias.

Com o puritanismo americano, nos EUA, o biquíni só emplaca com o espírito rebelde dos jovens dos anos 1960 e é imortalizado na música pop, especialmente da Califórnia.

No Brasil, uma das medidas medidas moralistas do presidente Jânio Quadros, em seu breve governo de sete meses, em 1961, é proibir o uso de biquínis nas praias, além de corridas de cavalo em dias de semana e outras bizarrices.

ASHE É PRIMEIRO HOMEM NEGRO A GANHAR WIMBLEDON

    Em 1975, o americano Arthur Ashe vence o compatriota Jimmy Connors, que era o favorito, e se torna o primeiro e único homem negro a ganhar o Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. A primeira mulher negra foi a norte-americana Althea Gibson, em 1957.

Ashe começa a jogar tênis na sua cidade natal, Richmond, na Virgínia, e ganha uma bolsa de estudos para a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em 1968, é o primeiro negro a vencer o Torneio Aberto dos EUA. Dois anos depois, ganha o Aberto a Austrália.

Nos próximos sete anos, não ganha mais nenhum torneio do Grand Slam (Austrália, França, Inglaterra e EUA). Aos 31 anos, chega à final de Wimbledon contra o jovem Connors, de 22. Nunca passara da semifinal em Londres.

Connors defende o título, tem três vitórias sobre Ashe e passa por Roscoe Tanner, um dos saques mais poderosos da história de Wimbledon. Mas era o dia de Ashe, que vence por 3-1 (6-1, 6-1, 5-7, 6-4).

Depois de sofrer um ataque cardíaco, Ashe deixa o tênis em 1980. Ele escreve o livro de três volumes Um Duro Caminho para a Glória, sobre a luta dos atletas negros nos EUA. Ashe morre em fevereiro de 1993 de aids, contraída numa transfusão de sangue. Em 1997, uma nova quadra onde se joga o Torneio Aberto dos EUA é batizada com seu nome.

NASCE OVELHA CLONADA

    Em 1996, nasce no Instituto Roslin, na Escócia, a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. O líder do grupo de pesquisadores é o biólogo Ian Wilmut.

É batizada em homenagem à cantora e atriz americana Dolly Parton. O nome é sugerido por uma pessoa ao saber que a clonagem partiu de uma célula mamária.

As células mamárias saem do ubre de uma ovelha de seis anos e são cultivadas em laboratório com técnicas desenvolvidas para tratamentos de fertilidade humana nos anos 1970. Depois de produzir um certo número de ovos, eles são implantados no útero de outras ovelhas, que fazem o papel de barrigas de aluguel. Dolly nasce 148 dias depois.

É uma revolução. Os defensores da experiência argumentam que a clonagem pode ser um avanço extraordinário da medicina, permitindo produzir tecidos e órgãos humanos sem rejeição para transplantes e tratar deficiências e doenças degenerativas. Os críticos advertem para as questões éticas suscitadas pela possibilidade de clonar seres humanos para eliminar doenças e criar seres humanos biologicamente superiores.

Sua vida é curta. Dolly cruza com um carneiro chamado David e tem quatro cordeirinhos. Em janeiro de 2002, é diagnosticada com artrite, levantando dúvidas sobre anomalias genéticas causadas pela clonagem. Com uma doença respiratória, Dolly é sacrificada aos seis anos em 14 de fevereiro de 2003. É empalhada. Está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

SARS SOB CONTROLE

    Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, do inglês) está sob controle, depois de matar 11% de um total de 8.422 casos confirmados.

Com uma taxa de letalidade tão elevada, por sorte, ou talvez por isso mesmo, pela letalidade, o coronavírus causador da SARS (SARS-CoV-1) não se propaga como o SARS-CoV-2, causa da doença do coronavírus de 2019 (Covid-19).

Os primeiros casos da SARS, uma pneumonia aguda grave, aparecem na China em novembro de 2002. Em 15 de fevereiro de 2003, a China registrara 305 casos. O regime comunista chinês é criticado por demorar a comunicar a doença à Organização Mundial da Saúde (OMS). Naquela época, é criada a regra de que surtos desta gravidade precisam ser avisados à OMS em 24 horas, o que mais uma vez a China não fez com a covid-19.

A SARS  chega a Hong Kong, Taiwan e Vietnã, e viaja pelo mundo de avião. Em março, uma mulher idosa que fora a Hong Kong morre de SARS em Toronto, no Canadá. Há um surto na maior cidade canadense, com 44 mortes. Em 12 de março de 2003, a OMS faz um alerta de saúde global.

Na China, morrem cerca de 350 pessoas. A Copa do Mundo de futebol feminino de 2003 é transferida para os Estados Unidos. O Campeonato Mundial Feminino de Hóquei no Gelo, que seria realizado em Beijim, é cancelado, entre tantas conferências, convenções e reuniões de negócios, com perdas de milhões de dólares. Até os restaurantes chineses sofreram.

Os principais sintomas da SARS são de início semelhantes aos de uma gripe: febre alta, tosse seca e, em alguns casos, dor de cabeça, diarreia, rigidez muscular, alergia, confusão e perda de apetite. Os problemas respiratórios surgiu entre 2 e 10 dias. Os últimos quatro casos foram diagnosticados na China em abril de 2004.

TRABALHISTAS VOLTAM AO PODER

    Em 2024, Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, se torna primeiro-ministro do Reino Unido depois de 14 anos de governos conservadores.

Starmer nasce em 2 de setembro de 1962 em Londres. Ele estuda direito e é procurador-geral do país de 2008 a 2013 antes de se eleger deputado da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 2015. No ano seguinte, é nomeado ministro da Imigração do governo paralelo da oposição, uma tradição do sistema político do país para preparar o futuro governo. Os ministros do governo paralelo fazem sombra aos ministros no poder.

Ele é eleito líder trabalhista em 4 de abril de 2020 e se torna primeiro-ministro depois de uma grande vitória do partido nas eleições de 4 de julho de 2024, quando os trabalhistas conquistam 33,7% dos votos e elegem 411 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns contra 121 do Partido Conservador, liderado pelo então primeiro-ministro Rishi Sunak, o primeiro chefe de governo britânico de origem indiana, que sofreu a pior derrota da história.

Esta maioria avassaladora é fruto do sistema político britânico, de voto distrital com turno único, que permite a formação de grandes maiorias no Parlamento sem maioria absoluta dos votos.

Keir Starmer defende maior investimentos públicos, especialmente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá cobertura universal sem custo para os pacientes, o fim do pagamento de anuidades nas universidades, aumento de impostos para os mais ricos e medidas mais duras contra a evasão fiscal de empresas.

No poder, ele corta auxílio para aquecimento durante o inverno, uma medida impopular, e liberta milhares de presos para reduzir a superlotação das prisões. Em política externa, apoia a Ucrânia contra a invasão da Rússia e o direito de Israel de ir à guerra depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que gera muito repúdio dentro da própria esquerda, mas critica a condução da guerra por Israel.

Um ano depois, Starmer enfrenta uma revolta da esquerda do partido e é obrigado a recuar numa reforma da Previdência Social. Isto suscita dúvidas sobre a capacidade de governar o país num momento em que o partido de extrema direita Reforma do Reino Unido, liderado pelo neofascista Nigel Farage, um dos líderes do movimento pela saída da União Europa (U), está na frente nas pesquisas de opinião.

Em 19 de maio de 2025, Starmer faz um acordo para melhorar as relações comerciais com a UE. Com o afastamento dos Estados Unidos da Europa no segundo governo Donald Trump, especialmente em questões comerciais e de segurança, o Reino Unido se reaproxima da UE.

Com a derrota do Partido Trabalhista nas eleições municipais e a liderança do partido de extrema direita Reforma UK nas pesquisas, há um movimento dentro do partido para substituir Starmer. Ele anuncia que vai sair. O próximo líder trabalhista e primeiro-ministro deve ser Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, que acaba de ser eleito deputado da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

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quinta-feira, 4 de julho de 2024

Partido mais bem-sucedido do Ocidente sofre maior derrota

Depois de 14 anos na oposição, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, vai voltar a governar o Reino Unido com seu líder Keir Starmer como primeiro-ministro. 

Com o resultado das eleições desta quinta-feira, os trabalhistas elegeram 412 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Ganharam 211 cadeiras.

O Partido Conservador, o partido que ficou mais tempo no poder no Ocidente nos últimos 190 anos, sofre sua maior derrota. Perdeu 251 cadeiras, elegendo 121     deputados.

Em terceiro lugar, ficou o Partido Liberal-Democrata, que se recuperou do desgaste de formar coalizão com os conservadores no primeiro governo Cameron (2010-15) e terá sua maior bancada, passando de 8 para 72 deputados, superando o Partido Nacional Escocês (SNP), que caiu de 48 para 10 cadeiras. 

O Partido Nacional Escocês, que defende a independência da Escócia, teve menos votos do que o partido Reforma Reino Unido (RUK), o antigo Partido da Independência do Reino Unido e Partido da Brexit, conservador e eurocético, liderado por Nigel Farage, que tirou votos dos conservadores e chegou a 15%, mas só elegeu 5 deputados. 

O Sinn Féin (SF), o partido católico, republicano e nacionalista irlandês que luta pela reunificação da Irlanda, ganhou 7 cadeiras na Irlanda do Norte. Ficou na frente do Partido Unionista Democrático, o maior da comunidade protestante, que elegeu 5 deputados e perdeu 3. Os deputados do SF nunca assumem seus mandatos no Parlamento Britânico porque se negam a jurar lealdade à coroa britânica. 

O Plaid Cymru, partido nacionalista do País de Gales, elegeu 4 deputados e o Partido Verde 4.

Esta maioria formidável conquistada pelos trabalhistas se deve ao sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital num turno único. Como vários partidos disputam cada distrito, o vencedor às vezes tem em torno de 30%.

Na contagem nacional de votos, os trabalhistas tiveram apenas 2% votos a mais do que na eleição anterior e chegaram a 35% contra 24% para os conservadores, 15% para Reform UK, que mesmo assim só terá 5 deputados, e 13% para os liberais-democratas, que elegeram 71 deputados. 

Em 1983, depois da Guerra das Malvinas, o Partido Conservador teve 46% dos votos com Margaret Thatcher. O neotrabalhismo de Tony Blair foi eleito com 43% do voto popular em 1997. Com o sistema eleitoral britânico, ambos tiveram maiorias de mais de 100 deputados.

A vitória esmagadora, a avalanche trabalhista, é resultado em parte da volta do domínio do Partido Trabalhista na Escócia às custas do SNP, que perdeu 38 cadeiras, e da votação do partido Reform UK, responsável por um terço das 122 derrotas conservadoras. Somando a votação dos conservadores com o partido Reforma, dá 39%, mais do que os 35% dos trabalhistas.

Os conservadores deixam como herança maldita a saída do Reino Unido da União Europeia, uma crise econômica com queda de produtividade e alta do custo de vida, e uma queda na qualidade dos serviços públicos que vem desde que o primeiro-ministro David Cameron (2010-16) adotou uma política de austeridade fiscal, uma das razões de sua derrota no plebiscito sobre a UE. 

Desde 2010, o Reino Unido teve cinco primeiros-ministros conservadores, só dois eleitos, pelo voto popular, Cameron e Boris Johnson. Enfrentou duas crises financeiras, austeridade fiscal, Brexit e a pandemia.

O último primeiro-ministro foi Rishi Sunak, um multimilionário de origem indiana com patrimônio de 730 milhões de libras (R$ 5,111 bilhões). Foi o primeiro primeiro-ministro não cristão. Fez seu primeiro juramento como deputado sobre o Bhagavad Gita, um livro sagrado do hinduísmo. Não adiantou..

Diante da queda da inflação e de outros indicadores econômicos positivos, Sunak decidiu antecipar as eleições, que precisavam ser realizadas até janeiro de 2025. Foi um erro comparável aos de Cameron com a Brexit e do presidente da França, Emmanuel Macron. Mas alguns meses a mais não melhorariam a sorte dos conservadores.

Pelo ritual da monarquia constitucional britânica, Sunak vai ao Palácio de Buckingham nesta sexta-feira pedir demissão. Em seguida, o líder trabalhista vai pedir a autorização do rei Carlos III para formar o novo governo, que será aprovado pela nova maioria parlamentar.

Keir Starmer, de 61 anos, foi advogado defensor dos direitos humanos. Em 2002, foi nomeado conselheiro da rainha. De 2008 a 2013, foi procurador-geral do Reino Unido. Entrou na Câmara dos Comuns em 2015, na segunda eleição de Cameron, como representante de um distrito do Centro de Londres. Foi porta-voz para imigração do governo paralelo da oposição, uma tradição britânica para fazer sombra ao governo e preparar um possível futuro ministério.

Ele saiu do governo paralelo em 2016 por discordar da liderança de Corbyn. Depois da derrota trabalhistas nas eleições de 2019, Starmer foi eleito líder do partido em abril de 2020.

Suas principais promessas de campanha são aumentar os investimentos no setor público, especialmente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), acabando com a austeridade fiscal dos conservadores, o fim do pagamento de anuidade nas universidades, aumento de impostos para os ricos, combate à evasão fiscal das empresas, à desigualdade social, à falta de moradia e ao aquecimento global.