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domingo, 18 de maio de 2025

Direita se reelege em Portugal em derrocada da esquerda

O primeiro-ministro conservador Luís Montenegro foi reeleito hoje em Portugal, mas a Aliança Democrática, de direita, não terá maioria absoluta na Assembleia da República, de 230 cadeiras. Com 226 resultados definidos, elegeu 89 deputados, nove a mais, mas ficou longe da maioria de 116 cadeiras. 

As eleições foram marcadas pelo avanço da extrema direita, que passou a ter o mesmo número de deputados do Partido Socialista (PS), numa derrocada da esquerda, que fica com apenas 27% dos parlamentares.

Desde a Revolução dos Cravos (1974), que democratizou o país, o PS foi o partido que governou Portugal por mais tempo. Hoje, perdeu 20 cadeiras, caindo de 78 para 58, o mesmo resultado obtido pelo partido de extrema direita Chega, liderado por André Ventura, que tinha 49 deputados. Nas quatro cadeiras a decidir, com votos do exterior, a ultradireita levou duas nas últimas eleições.

Com o PS correndo o risco de ser rebaixado a terceiro maior partido no parlamento português, seu líder e candidato a chefe de governo, Pedro Nuno Santos, renunciou.

O Partido Comunista Português (PCP), que teve papel de destaque na revolução e que de 2015 a 2019 participou da Geringonça, a coalizão de governo do primeiro-ministro socialista António Costa, elegeu apenas três deputados. E o Bloco de Esquerda, outro parceiro daquela coligação, só um.

É a segunda eleição de Montenegro, de 52 anos, ambas com o marqueteiro brasileiro Sérgio Guerra, com o lema "Deixa o Luís trabalhar". Geralmente, em Portugal, os políticos são conhecidos pelo sobrenome. Usar o prenome foi uma jogada para dar a impressão de maior intimidade com o eleitor. 

Montenegro não é um líder carismático. Sempre foi homem da máquina do partido. Lidera a Aliança Democrática, formada por seu Partido Social-Democrata (PSD), de centro-direita, e o conservador Partido Popular (CDS-PP), o antigo Centro Democrático Social, que mudou de nome mas manteve as iniciais na sigla. O ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva (1985-95), líder histórico do PSB, deu uma contribuição importante.

Ele chegou ao poder em abril de 2024. Tinha grande popularidade até estourar o Caso Spinumviva, um escândalo envolvendo uma empresa da família do primeiro-ministro que fazia negócios com empresas com interesses junto ao governo, entre elas um cassino. Sua popularidade caiu, mas não o prestígio do governo.

NOTA: Os resultados finais, divulgados em 28 de maio, deixaram a extrema direita como a segunda maior força política de Portugal, com 22,7% dos votos e 60 cadeiras na Assembleia da República.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Socialistas vencem e fazem maioria absoluta em Portugal

 O Partido Socialista (PS), do primeiro-ministro António Costa, venceu amplamente as eleições em Portugal. Com 42% dos votos e maioria de 117 deputados na Assembleia da República, de 230 cadeiras, poderá governar sem depender de outros apoios. 

O partido Chega, da extrema direita, recebeu 7,15% dos votos e cresceu de um para 12 deputados. Será a terceira força no Parlamento, depois do PS e Partido Social-Democrata (PSD), de centro-direita, o maior da oposição, que obteve 29% dos votos e terá 76 cadeiras. 

Em quarto lugar, com 5%, ficou a Iniciativa Liberal, um partido que defende um liberalismo econômico radical. Ficou à frente do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português (PCP), que tiveram cerca de 4,5% cada um.

Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Esquerda deve derrubar governo de centro-direita em Portugal

A coalizão entre o Partido Social-Democrático (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS) liderada pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho apresenta hoje e amanhã seu projeto de governo à Assembleia da República de Portugal, onde será rejeitado pelos partidos de esquerda.

No sábado, o diretório nacional do Partido Socialista (PS) aprovou um acordo com o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda para formar uma maioria parlamentar e entregar a chefia do governo ao secretário-geral do PS, António Costa. No domingo, o PCP deu seu consentimento.

Seu compromisso central é o repúdio às medidas de austeridade econômica adotadas a partir de 2011 para enfrentar a crise em troca de uma ajuda de 78 bilhões de euros da Zona do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE).

Durante o debate na Assembleia da República, Passos Coelho acusou a oposição de estar a "jogadas políticas do governo" e defendeu sua administração, alegando que as medidas de austeridade foram impostas "por necessidade".

Em resposta, a deputada Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, afirmou que "não são jogadas políticas, é a democracia a funcionar".

Entre as medidas negociadas para articular a coligação de esquerda, estão o aumento do salário mínimo para 600 euros por mês até 2019, a reposição em 2016 dos salários dos funcionários públicos que tiveram seus ganhos reduzidos, o aumento de valor de vários benefícios sociais e a redução do imposto sobre valor agregado (IVA) cobrado de restaurantes de 23% para 13%.

Mesmo sem maioria absoluta, a aliança de centro-direita recebeu instruções do presidente conservador Aníbal Cavaco Silva para formar um novo governo. Ele acusa a esquerda de romper compromissos internacionais de Portugal ao repudiar os programas de austeridade fiscal para equilibrar as contas do setor público.

Para o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, o presidente da República não tem "nenhuma razão política ou institucional" para rejeitar um governo de esquerda.

Diante da expectativa de um governo de esquerda, a Bolsa de Valores de Lisboa caiu cerca de 3% e os juros pagos para refinanciamento da dívida pública de Portugal subiram.