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domingo, 9 de junho de 2024

Ultradireita vence na Índia mas perde maioria absoluta

 O primeiro-ministro Narendra Modi, um ultranacionalista e fundamentalista hindu acusado de perseguir muçulmanos e de fomentar a violência política e religiosa, tomou posse hoje para um terceiro mandato consecutivo de cinco anos como chefe de governo da Índia. 

Mas, nas maiores eleições de história da humanidade, seu Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês) teve votação abaixo do esperado e perdeu a maioria absoluta na Lok Sabha, a Câmara dos Deputados do país, de 543 cadeiras.

Será primeira vez que Modi vai governar sem maioria absoluta desde que era primeiro-secretário (governador) do estado de Gujarat (2001-14). O lema da campanha era "conquistar mais de 400 cadeiras", bem acima de maioria de dois terços necessária para refomar a Constituição. Perdeu 63 deputados e ficou com 240.

Na maior democracia do mundo, com quase 1 bilhão de possíveis eleitores, a grande vitória foi da democracia. Modi conseguiu maioria com o apoio de partidos da Aliança Democrática Nacional. Mas a oposição renasceu. O Partido do Congresso, que conquistou a independência do Império Britânico e dominou a política indiana na maior parte da era pós-colonial, praticamente dobrou o tamanho da bancada.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Índia aprova nova lei de nacionalidade de caráter fascistoide

Em mais uma jogada do governo nacionalista hindu para acabar com a Índia pluralista, secular e multicultural criada pelos heróis da independência, até agora um exemplo de democracia para o mundo, o Parlamento indiano aprovou hoje uma lei de nacionalidade que facilita a naturalização de estrangeiros de seis religiões, mas exclui os muçulmanos.

O primeiro-ministro Narendra Modi leva adiante o projeto de transformar a Índia na pátria dos hindus, no Hindustão contrariando a proposta original dos fundadores do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma, e Jawaharlal Nehru.

É a primeira vez que a Índia estabelece critérios religiosos para cidadania. O processo de naturalização dará preferência a hindus e a outros religiões do chamado Sul da Ásia. É um claro sinal de marginalização dos muçulmanos, uma minoria de 201 milhões de pessoas.

A lei reabre as feridas e os traumas da independência da Índia do Império Britânico, em 1947, quando o país se dividiu em dois, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Na época, mais de 10 milhões migraram e cerca de dois milhões de pessoas foram mortas. Meu comentário:

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo

A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.

A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.

Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Índia aprova divisão de Jamu e Caxemira em dois territórios

A Lok Sabha, a Câmara dos Deputados da Índia, aprovou ontem a divisão do estado de Jamu e Caxemira em dois territórios federais, rebaixando-os e colocando-os sob administração direta do governo central. O Senado havia aprovado o projeto na véspera.

Depois de uma vitória esmagadora nas eleições de abril e maio passados, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) decidiram levar adiante o antigo projeto de integrar totalmente a região da Caxemira na união federal da Índia.

Na segunda-feira, o governo indiano havia revogado a autonomia regional do estado de Jamu e Caxemira, sob protestos do vizinho Paquistão, que reivindica a soberania sobre a região, onde a maioria da população é muçulmana.

Desde a independência do Império Britânico e da divisão do país, Índia e Paquistão disputam a região da Caxemira, objeto de três guerras entre os inimigos históricos, em 1947, 1965 e 1999. Na separação, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as áreas de maioria muçulmana, o Paquistão.

Na Caxemira, apesar da maioria muçulmana, o último governador imperial, marajá Hari Singh, optou por aderir à Índia, gerando esta guerra sem fim entre dois vizinhos que hoje têm armas nucleares. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito, mas a Índia não admite a possibilidade de ceder parte de seu território.

Antes do anúncio, Modi enviou 35 mil policiais militares a Jamu e Caxemira. Vários líderes políticos locais foram colocados em prisão domiciliar. Muita gente hoje na região defende a independência da Caxemira para sair do fogo cruzado deste conflito indo-paquistanês. A situação é tensa e o Paquistão vai reagir.

Desde 1989, uma facção do movimento muçulmano para tirar a Caxemira da Índia aderiu à luta armada. O poderoso Serviço de Inteligência das Forças Armadas do Paquistão arma vários grupos armados extremistas numa guerra indireta com a Índia.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros para 6% ao ano

A uma semana do início das eleições gerais, o Banco da Reserva da Índia (BRI) reduziu ontem sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para 6% ao ano e pressionou os bancos privados a repassarem o corte aos consumidores, noticiou o jornal The Economic Times.

Ao justificar a medida, o presidente do banco central, Shaktikanta Das, citou a desaceleração do crescimento, a debilidade do investimento e a redução no fluxo de crédito para pequenas e médias empresas.

Com a proximidade das eleições, a oposição deve acusar Das de fazer o jogo do primeiro-ministro Narendra Modi, que mudou o presidente do banco central na expectativa de que um crescimento mais robusto lhe garanta a reeleição. Nos Estados Unidos, o Conselho da Reserva Federal (Fed) não mexe nas taxas de juros em período eleitoral.

A estagnação da renda dos agricultores, a baixa geração de empregos e a fraqueza no investimento ameaçam a vitória do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu e conservador, parte da onda neopopulista de direita.

Modi se elegeu há cinco anos prometendo defender os valores tradicionais da Índia e acelerar o desenvolvimento econômico. Seu maior adversário é Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, filho, neto e bisneto dos primeiros-ministros Rajiv Gandhi, Indira Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Em 2014, Rahul liderou o Partido do Congresso em sua maior derrota. A bancada encolheu de 206 para 44 deputados na Lok Sabha, a Câmara do Parlamento da Índia, que tem hoje 545 cadeiras.

Nas últimas pesquisas, a Aliança Democrática Nacional, liderada pelo BJP de Modi, teve de 34% a 41% votos contra 28% a 31%  para a Aliança Progressista Unida, de Rahul, com 28% a 38% dos votos indo para partidos menores, alguns regionais. A metade das pesquisa indica que talvez nenhuma aliança consiga maioria absoluta.

A Índia é o país que mais cresce entre as dez maiores economias do mundo, mas ainda não é o suficiente para resgatar centenas de milhões de indianos que vivem na miséria.

O Escritório Central de Estatísticas reduziu de a estimativa de avanço do produto interno bruto de 7,2% para 7% no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2019 por causa do baixo crescimento das exportações em janeiro e fevereiro. A meta do governo é 7,5% ao ano.

Em 2018, o PIB indiano cresceu 7,3% para um total de US$ 2,69 trilhões. É a sétima maior economia do mundo, depois de EUA, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França, pelo ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ultrapassou a Itália e o Brasil.

Maior democracia do mundo, com 1,34 bilhão de habitantes e cerca de 900 mil eleitores. A votação será dividida em sete dias - 11, 18, 23 e 29 de abril e 6, 12 e 19 de maio - de modo que o Exército possa se deslocar pelo país para garantir a segurança das eleições. A apuração oficial começa em 23 de maio e os resultados devem sair três dias depois.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Banco central da Índia reduz taxa básica de juros

O Banco da Reserva da Índia anunciou hoje uma redução na taxa básica de juros que cobra para emprestar dinheiro aos bancos em 0,25 ponto percentual para 6,25% ao ano. A medida visa a esquentar a economia antes das eleições parlamentares, a serem realizadas provavelmente em abril e maio.

No último orçamento antes das eleições, de US$ 390 bilhões, o primeiro-ministro Narendra Modi, incluiu cortes de impostos para a classe média e subsídio aos agricultores.

Sob a liderança de Modi, em 2014, o Partido Bharatiya Janata (Partido do Povo Indiano), nacionalista hindu, se tornou o primeiro a obter maioria no Parlamento da Índia desde 1984, acabando com uma era de coalizões.

A Índia é um dos países que mais crescem no mundo, mas ficou abaixo da média prometida por Modi: 7,5% ao ano. Durante este governo do BJP, a Índia cresceu 8,1% em 2015, 7,1% em 2016, 6,6% em 2017 e 7,3% em 2018.

O BJP é o favorito, mas pesquisas recentes animaram o Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte de sua história independente, com Jawaharlal Nehru, Indira Gandhi e Rajiv Gandhi, hoje liderado por Rahul e Priyanka Gandhi, filhos de Rajiv.

Mesmo se vencer, o BJP deve perder a maioria absoluta.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Índia ultrapassa França e se torna sexta maior economia mundial

Com taxas de crescimento acima de 7% ao ano desde 2009, a Índia ultrapassou a França no ano passado. É a sexta maior economia do mundo, noticiou hoje o jornal indiano The Hindustan Times, citando como fonte dados revisados do Banco Mundial sobre 2017.

Enquanto o produto interno bruto da Índia chegou a US$ 2,597 trilhões, a França ficou em US$ 2,582 trilhões. Como a Índia tem 1,354 bilhões de habitantes e a França 65 milhões, a renda média dos franceses é 20 vezes maior.

O crescimento acelerado da Índia, o maior entre as grandes economias do mundo, é importante para os planos de reeleição do primeiro-ministro Narendra Modi, do Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu.

A produção industrial e o consumo pessoal foram os grandes motores da economia indiana em 2017, depois de uma desaceleração no fim de 2016, quando Modi mandou tirar de circulação as notas de maior valor, a pretexto de combater o crime.

Para este ano, a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de uma expansão de 7,4%, com alta de mais 7,8% em 2019. Como um todo, a economia mundial deve avançar 3,9% em 2018.

domingo, 19 de março de 2017

Fundamentalista hindu vai governar estado mais populoso da Índia

O partido nacionalista hindu que governa a Índia indicou o clérigo fundamentalista Yogi Adityanath para governador do estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país, com 220 milhões de habitantes, noticiou o jornal The New York Times.

A Índia tem uma minoria de 180 milhões de muçulmanos. Eles são cerca de 20% dos moradores de Uttar Pradesh, um estado do tamanho de São Paulo com uma população maior do que o Brasil.

Adityanath faz parte da ala mais radical do Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), quer transformar a Índia numa nação hindu. Ele é a favor da construção de um templo em Ayodhya, no local onde teria nascido o deus Rama. O problema é que havia uma mesquita no lugar, demolida por hindus fanáticos em 6 de dezembro de 1992.

Sua indicação é resultado da ampla vitória obtida pelo BJP, do primeiro-ministro Narendra Modi, nas recentes eleições estaduais em Uttar Pradesh. Além de reforçar a ideia de que Modi está mais preocupado com o nacionalismo hindu do que com a democracia, a nomeação sugere que o chefe de governo atribui a vitória aos eleitorado hindu radical de direita.

domingo, 8 de novembro de 2015

Primeiro-ministro da Índia perde eleições regionais

O Partido Bharatiya Janata (BJP), conservador, nacionalista e hindu, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, perdeu as eleições realizadas hoje no estado de Bihar, informou a agência de notícias Reuters. A derrota atrapalha a estratégia econômica do governo federal indiano.

Uma grande aliança anti-BJP chefiada pelo governador de Bihar, Nitish Kumar, elegeu 179 dos 243 deputados da Assembleia Legislativa estadual.

A derrota em Bihar, o terceiro estado mais populoso da Índia, vai galvanizar os partidos de oposição e mobilizar os rivais de Modi dentro de seu próprio partido, dificultando a aprovação das reformas econômicas prometidas pelo primeiro-ministro em sua campanha eleitoral.

O modelo da grande aliança de Kumar está aí para inspirar os políticos interessados em conter o poder de Modi a nível federal.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Partido anticorrupção impõe derrota esmagadora ao governo da Índia

O Partido do Homem Comum (Aam Adami Party), fundado há dois anos e três meses para combater a corrupção, conquistou uma vitória espetacular nas eleições para a Câmara Municipal de Nova Déli, obtendo 67 das 70 cadeiras, informa o jornal indiano Hindustan Times. Seu líder, Arvind Kerjriwal, vai governar a capital da Índia.

"Esta é uma vitória do povo. Minha prioridade será acabar com a corrupção", declarou o novo prefeito, que volta ao cargo 49 dias depois de ser afastado por não facilitar a tramitação de uma lei para combater o suborno de funcionários públicos. Durante a campanha, Kerjriwal prometeu água e energia baratas para os 18 milhões de habitantes de Nova Déli.

O Partido Bharatiya Janata (nacionalista hindu), do primeiro-ministro Narendra Modi, elegeu três vereadores e o Partido do Congresso, que governou o país durante a maior parte de sua historia independente, nenhum. Modi cumprimento Kerjriwal e prometeu apoio ao desenvolvimento de Nova Déli.

A derrota reduz as ambições do BJP de assumir o controle do segundo estado mais populoso da Índia, Bihar, neste ano.

Nos últimos dias, o governo indiano projetou um crescimento econômico de 7,5% para 2015. Neste ano ou no próximo, a Índia deve ultrapassar a China, passando a ser a grande economia que mais cresce no mundo.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Partido nacionalista hindu vence eleições na Índia

O Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), nacionalista hindu, obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares na Índia, realizadas nas últimas cinco semanas e pode obter maioria absoluta na Lok Sabha, a câmara dos deputados do país, o que não acontecia com nenhum partido desde 1989. O ex-governador Narendra Modi será eleito primeiro-ministro quando o novo Parlamento se reunir, em 2 de junho de 2014.

O BJP é o partido do fanático que assassinou o herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e que explodiu a bomba atômica, assumindo abertamente o status de potência nuclear em maio de 1998. Ex-governador do estado de Gujarat, Modi é acusado de ter fomentado e acobertado massacres de e mil muçulmanos em 2002. Até ser apontado nas pesquisas como futuro chefe de governo da Índia, era proibido de entrar nos Estados Unidos.

Sua vitória se deve sobretudo à queda do crescimento econômico da Índia de cerca de 9% ao ano antes da crise mundial de 2008-9 para pouco menos de 5% hoje. Diante da promessa de retomada do crescimento, a Bolsa de Valores de Mumbai teve forte alta nos últimos dias. Mas Modi é um personagem divisionista e os economistas consideram suas promessas exageradas.

"A Índia é um grande navio. Será necessário tempo para mudar de direção", comentou Gunjan Bagla, diretor da empresa de consultoria californiana Amritt Ventures.

Para recuperar a indústria manufatureira, serão necessárias grandes reformas estruturais para facilitar contratações e demissões. Fazem falta uma reforma agrária para dar terras a agricultores pobres e uma do sistema de impostos que contrarie interesses estabelecidos. Numa democracia, quaisquer mudanças são mais lentas.

Se a política econômica não der resultado, há o risco de que Modi caia na tentação populista e no sectarismo, por exemplo, abraçando o programa cultural de grupos nacionalistas hindus conservadores como Rashtriya Swayamsevak Sangh. Seria desastroso.

Os liberais e a minoria muçulmana, de 170 milhões, temem um ressurgimento do autoritarismo e do nacionalismo hindu. E também os vizinhos. O governo do Partido do Congresso era acusado pela direita nacionalista de ser "frouxo" com a China e o Paquistão, os vizinhos e inimigos históricos da Índia. Com o BJP no poder, pelo menos o discurso será mais agressivo.

Se houver um novo ataque terrorista cometido por paquistaneses como o de 26-29 de novembro de 2008 em Mumbai, que matou mais de 160 pessoas na maior e mais rica cidade indiana, a reação contra o Paquistão num governo Modi será certamente muito mais forte.

A derrota do Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte do tempo de sua história independente, desde 1947, o pressiona a fazer uma profunda transformação para ir além da dinastia Nehru-Gandhi, que o domina até hoje.

Com mais de 1,2 bilhão de habitantes, a Índia é o segundo país mais populoso do mundo. Pelo critério de paridade do poder de compra, é considerada pelo Banco Mundial a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA e da China. Em 67 anos de independência, mantém um regime democrático que acaba de realizar com sucesso as maiores eleições da história da humanidade.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Índia conclui votação de maiores eleições da história

Com a votação em 41 distritos dos estados de Bengala Ocidental, Bihar e Uttar Pradesh, a Índia concluiu hoje a maior eleição da história, com mais de 800 milhões de eleitores aptos a votar. O resultado sai na sexta-feira, 16 de maio, e o novo Congresso toma posse em 2 de junho de 2014.

O favorito para ser o próximo primeiro-ministro é Narenda Modi, líder do Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), nacionalista hindu. Ele enfrentou 41 candidatos na cidade de Varanase, principal foco da votação de hoje, um teste para sua popularidade.

Modi é acusado de sectarismo e de ter insuflado ou tolerado massacres de muçulmanos. Lidera as pesquisas por causa do desgaste do Partido do Congresso com a crise internacional, que reduziu o crescimento anual da economia indiana de cerca de 9% para 5%.

Durante as seis semanas de votação, nos 502 distritos que haviam votado antes, o comparecimento às urnas foi de 66%, acima do recorde de 64% registrado nas eleições de 1984 e 1985. Por causa do tamanho do eleitorado, o governo indiano distribui as eleições por nove dias de votação. Assim, pode mobilizar o Exército para garantir a segurança.

Pelo critério de paridade do poder de compra, a Índia acaba de ser considerada pelo Banco Mundial como a terceira maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Índia marca datas das eleições parlamentares

A Índia anunciou hoje as datas de suas próprias eleições parlamentares nacionais, que serão realizadas em nove dias de votação, entre 7 de abril e 12 de maio de 2014. Os resultados serão divulgados em 16 de maio.

Na maior democracia do mundo, mais de 800 milhões de eleitores estão aptos a votar em 930 mil urnas para escolher os 543 deputados da Lok Sabha (Câmara do Povo), equivalente à Câmara dos Deputados no regime parlamentarismo indiano.

O favorito é o Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu, hoje na oposição. O novo Parlamento se reúne em 31 de maio e deve eleger o líder do partido vencedor como novo primeiro-ministro.

Narendra Modi, líder do BJP, de 63 anos,  disputa o cargo com Rahul Gandhi, de 43 anos líder do Partido do Congresso, que governou a Índia durante a maior parte de sua história independente e herdeiro de uma dinastia de primeiros-ministros, o bisavô Jawaharlal Nehru, a avó Indira Gandhi e o pai Rajiv Gandhi.

Modi é acusado de sectarismo por supostamente incentivar o fundamentalismo hindu como governador do estado de Gujarat, em 2002, quando houve uma onda de massacres de muçulmanos. Pelos números oficiais, 790 muçulmanos e 254 hindus foram mortos. Os muçulmanos falam em 2 mil mortes. Até se tornar um sério candidato para governar a Índia, Modi estava proibido de entrar nos Estados Unidos.

Rahul Gandhi ainda precisa provar que é mais do que um simples herdeiro.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Líder nacionalista hindu critica expansionismo chinês

Numa rara incursão em política externa na campanha eleitoral, o favorito para ser o próximo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, líder do Partido Bhatatiya Janata (BJP, do inglês), Narendra Modi, exortou a China a abandonar sua "mentalidade expansionista" e trabalhar pelo "desenvolvimento e prosperidade".

"Nenhuma potência da Terra vai tomar sequer uma polegada da Índia", desafiou Modi em comício realizado no fim de semana no estado de Arunachal Pradesh, na Cordilheira do Himalaia, que a China chama de Tibete do Sul e do qual reivindica uma área de 89 mil quilômetros quadrados desde uma guerra entre os dois países, em 1962.

A China respondeu hoje, reafirmando seu compromisso com políticas de cooperação e boa vizinhança: "Acredito que todos vocês saibam que a China nunca travou uma guerra de agressão para tomar uma polegada de terra de outros países, declarou a porta-voz do Ministério do Exterior, Hua Chunying, citando o fato de não ter havido mais guerras na região como "forte evidência de que temos a capacidade de manter a paz lá".

As próximas eleições parlamentares da Índia, a maior democracia do mundo, serão realizadas em vários dias, de 16 de abril a 13 de maio de 2014. O oposicionista BJP é o favorito diante do Partido Congresso.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Abertura nuclear levará a eleições na Índia

A Índia deve iniciar em breve negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para abrir seu programa nuclear a inspeção internacional e cumprir um acordo assinado com os Estados Unidos. Mas isto deve provocar uma ruptura entre o Partido do Congresso e os comunistas, que se opõem à medida, a queda do governo de coalizão e a realização de eleições antecipadas.

Os partidos comunistas que integram a Aliança Progressista Unida, liderada pelo Partido do Congresso, de Sonia Gandhi e do primeiro-ministro Manmohan Singh, advertiram que haverá "sérias conseqüências" se o acordo de salvaguardas assinado com os EUA for aplicado. Mas o diretor-geral da AIEA, Mohamed el Baradei, chegou ontem à noite a Nova Déli para acertar detalhes das inspeções.

No domingo, Sonia Gandhi, a viúva do primeiro-ministro Rajiv Gandhi, atacou a esquerda como reacionária por se opor ao acordo nuclear firmado com o governo George Walker Bush, que pretende vê-lo totalmente implementado até o final de 2008: "Não são inimigos apenas do Partido do Congresso. São inimigos da paz e do desenvolvimento. Precisamos nos dar as mãos para lhes dar a resposta adequada".

Ela parece tranqüila porque o Partido Bharatiya Janata (BJP), o maior da oposição, nacionalista hindu, está em crise. Acaba de escolher o ex-vice-primeiro-ministro L.K. Advani, de 80 anos, como novo líder.

A esquerda alega que a Índia está abrindo mão de sua "política externa independente". Desde a independência, em 1947, rejeita todos os acordos e tratados que considera injustos, inclusive o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que criou países nucleares e não-nucleares. Durante a Guerra Fria, manteve o não-alinhamento.

Depois da derrota para a China, num conflito de fronteiras, em 1962, a Índia começou a desenvolver armas atômicas, passando a considerar seriamente a necessidade da dissuasão nuclear. Explodiu sua primeira bomba em 1974, no governo Indira Gandhi, mãe de Rajiv, mas só assumiu o status de potência nuclear sob o BJP, em 1998.

Apesar dos protestos iniciais do governo Bill Clinton, logo os EUA passaram a dar à Índia o reconhecimento de potência nuclear, aliada em potencial para conter a China. Bush negociou o acordo que está sendo implementado agora, que de modo algum afeta ou reduz a capacidade nuclear indiana. Precisa ser ratificado pelo Congresso dos EUA para permitir cooperação e negócios na área de tecnologia nuclear para fins pacíficos.