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sábado, 9 de novembro de 2019

Justiça da Índia autoriza construção de templo onde havia mesquita

Numa decisão capaz de deflagrar uma onda de violência, por unanimidade, a Suprema Corte da Índia autorizou a construção de um templo hindu no local onde havia uma mesquita do século 16 destruída em 6 de dezembro de 1992, na cidade de Ayodhya, no estado de Uttar Predesh, reverenciada como lugar de nascimento do deus Rama.

A destruição da Mesquita de Babri por uma multidão, em 1992, provocou uma onda de violência em que cerca de 2 mil pessoas foram mortas. Agora, o tribunal autorizou a construção da mesquita em outro local da cidade. Para garantir a calma, 4 mil policiais foram enviados à região.

Foi mais uma vitória para o primeiro-ministro Narendra Modi e seu projeto de reconstruir a Índia com base no nacionalismo hindu, minando o secularismo dos líderes da independência do país, Mohandas Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) venceram as eleições parlamentares de abril e maio com uma plataforma nacionalista hindu. Reeleito para um segundo mandato, Modi acabou com a autonomia regional que a região da Caxemira, de maioria muçulmana, tinha desde a independência da Índia do Império Britânico e da divisão do país entre Índia e Paquistão, em 1947.

O fim da autonomia da Caxemira provocou grandes protestos do Paquistão, que defende a realização de um plebiscito para que a população local decida se quer ficar na Índia ou aderir ao Paquistão. A questão da Caxemira é a mais explosiva entre os dois inimigos históricos, que possuem armas nucleares e já travaram quatro guerras, três delas pela Caxemira.

A ala mais extremista do movimento nacionalista hindu considera a construção do templo no local de nascimento do deus Rama uma etapa fundamental da conversão da Índia num país hindu depois do que descrevem como séculos de opressão do Império Mughal e do Império Britânico. O Império Mughal destruiu um templo que havia no local para construir a Mesquita de Babri em 1528-29.

O processo judicial estava em andamento desde os anos 1950. Em 2010, chegou à Suprema Corte.

Para a minoria de mais de 200 milhões de muçulmanos (14%), a mudança de status da Caxemira e a decisão da Suprema Corte indicam que eles estão sendo rebaixados a cidadãos de segunda classe na Índia. Os indus são 80% da população do país, que tem 1,371 milhões de habitantes.

"Hoje é mensagem é unir, se associar e viver junto", declarou o primeiro-ministro, tentando acalmar a situação. "Na nova Índia, o medo, a animosidade e a negatividade não têm lugar."

domingo, 19 de março de 2017

Fundamentalista hindu vai governar estado mais populoso da Índia

O partido nacionalista hindu que governa a Índia indicou o clérigo fundamentalista Yogi Adityanath para governador do estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país, com 220 milhões de habitantes, noticiou o jornal The New York Times.

A Índia tem uma minoria de 180 milhões de muçulmanos. Eles são cerca de 20% dos moradores de Uttar Pradesh, um estado do tamanho de São Paulo com uma população maior do que o Brasil.

Adityanath faz parte da ala mais radical do Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), quer transformar a Índia numa nação hindu. Ele é a favor da construção de um templo em Ayodhya, no local onde teria nascido o deus Rama. O problema é que havia uma mesquita no lugar, demolida por hindus fanáticos em 6 de dezembro de 1992.

Sua indicação é resultado da ampla vitória obtida pelo BJP, do primeiro-ministro Narendra Modi, nas recentes eleições estaduais em Uttar Pradesh. Além de reforçar a ideia de que Modi está mais preocupado com o nacionalismo hindu do que com a democracia, a nomeação sugere que o chefe de governo atribui a vitória aos eleitorado hindu radical de direita.