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sexta-feira, 25 de maio de 2018

López Obrador pode ter maioria no Congresso do México

O candidato populista de esquerda José Manuel López Obrador pode não apenas ser eleito presidente do México em 1º de julho. Pode conseguir maioria na Câmara e no Senado, indica uma pesquisa do instituto Consulta Mitofsky. Assim, se for eleito, poderá revogar as reformas de educação e energia feitas pelo atual governo, uma promessa de campanha.

A pouco mais de um mês da eleição, López Obrador lidera com uma vantagem média de dez pontos dependendo da pesquisa. Durante a campanha, ele prometeu auditar os contratos de petróleo e gás do atual governo, de Enrique Peña Nieto, reduzir o preço dos combustíveis e os gastos públicos. Tudo isso, inclusive a revogação das reformas nos setores de educação e energia, depende da aprovação do Congresso.

Se a coalização liderada pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena) conquistar maioria apenas na Câmara, ficará sob pressão dos grandes partidos de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e o Partido de Ação Nacional (PAN), que governou de 2000 a 2012.

Duas pesquisas recentes dão 60 das 128 cadeiras do Senado e uma pequena maioria 260 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados à aliança entre o Morena, o Partido Encontro Social e o Partido do Trabalho, que apoia a candidatura presidencial de AMLO, como é conhecido no México. A confirmação dessas previsões nas urnas facilitariam a aprovação de novas leis.

Os investidores estrangeiros temem mais a aprovação de leis restritivas do que as auditorias porque tem impacto em prazos mais longos. As classes empresariais apostam em Ricardo Anaya, ex-presidente da Câmara, candidato do PAN.

A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte imposta pelo presidente Donald Trump, além dos insultos aos imigrantes mexicanos desde o lançamento da campanha, favorecem a campanha de um candidato de esquerda no México. Quem quer que seja o vencedor, o Morena sairá fortalecido.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Juiz proíbe Trump de deportar ilegais que chegaram quando crianças

Durante um encontro com líderes do Congresso na Casa Branca, o presidente Donald Trump prometeu apoiar um projeto bipartidário para resolver a situação de cerca de 900 mil imigrantes ilegais que entraram nos Estados Unidos. À noite, um juiz federal de São Francisco, na Califórnia proibiu o governo tirar a proteção dos chamados sonhadores enquanto a questão não for decidida pela Justiça.

Em decisão liminar, o juiz William Alsup chamou a decisão do Departamento de Segurança Interna de "rescindir a DACA [Ação Diferida para Chegadas na Infância] se baseia numa premissa legal falsa".

Com a decisão, os sonhadores que não se registraram no fim do ano passado terão uma nova chance de apresentar seus requerimentos para se beneficiar do programa, mas não serão aceitos novos pedidos.

"As vidas dos sonhadores foram transformadas num caos quando o governo Trump decidiu encerrar o programa sem obedecer à lei", alegou o procurador-geral da Califórnia, Xavier Bacerra. "A decisão de hoje é um grande passo. Os EUA são o lar de sonhadores que tiveram a coragem de se apresentar pedir acesso à DACA e fizeram tudo o que o governo federal pediu."

Na opinião do chefe do Ministério Público Estadual da Califórnia, "eles seguiram as regras da DACA, fizeram sucesso na escola, no trabalho e nos negócios e contribuíram para construir um país melhor. Vamos lutar por seus direitos a cada etapa para defender seus direitos e oportunidades de contribuir com os EUA."

O governo Trump anunciou em setembro a intenção de acabar com a DACA. Quando a oposição democrata reagiu, o presidente acenou com a possibilidade de manter o programa se os democratas concordassem em alocar US$ 18 bilhões do orçamento para a construção de um muro na fronteira com o México.

É uma das principais promessas de campanha de Trump, que afirmou que o México pagaria a conta. O México não vai pagar nada e, se Trump endurecer nas negociações sobre o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), pode ajudar a eleger o esquerdista radical Andrés Manuel López Obrador.