O ex-presidente George Herbert Walker Bush (1989-93) vai votar na candidata democrata Hillary Clinton na eleição presidencial de 8 de novembro nos Estados Unidos, anunciou a ex-vice-governadora do estado de Maryland, Kathleen Hartington Kennedy Townsend, que vem de outra família coroada da política americana.
"O presidente me disse que vai votar em Hillary", afirmou Kathleen, sobrinha do presidente John Fitzgerald Kennedy (1961-63) no Facebook ao lado de uma foto dos dois juntos no estado do Maine. Um porta-voz da família Bush não confirmou nem desmentiu: "O voto do presidente Bush será um voto privado de um cidadão."
Bush tem motivos de sobra para não votar em Donald Trump, candidato de seu partido. No início das eleições primárias, seu filho Jeb Bush, ex-governador da Flórida, era considerado o favorito entre os republicanos. Foi duramente atacado por Trump. Sua candidatura não decolou. Os Bush jamais perdoarão Trump.
Pela mesma razão, Hillary evita comparar o governo Obama com o último governo republicano, de George Walker Bush (2001-9), responsável pela desastrosa invasão do Iraque e pela crise econômica internacional desde a Grande Depressão (1929-39).
O apoio dos Bush pode ser decisivo na Flórida, um estado-chave onde as últimas pesquisas dão uma pequena vantagem à democrata.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2016
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Presidente da Câmara dos EUA nega apoio a Trump
Em uma rejeição ao provável candidato do Partido Republicano à Casa Branca, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, deputado Paul Ryan, declarou ontem que "não está pronto" para apoiar Donald Trump. Primeiro, quer que o bilionário una o partido.
Como o republicano com o mais alto cargo nos EUA, Ryan é o segundo na linha de sucessão do presidente e será o presidente da Convenção Nacional Republicana, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio.
Durante entrevista à televisão americana CNN, o presidente da Câmara declarou querer "um porta-bandeira que carregue nossas bandeiras". Nas eleições primárias do partido, Trump insultou as mulheres, os latinos, os muçulmanos, o México e a China, entre outros alvos.
Quando o magnata imobiliário propôs impedir temporariamente a entrada de muçulmanos nos EUA, o presidente da Câmara protestou: "Isto não é conservadorismo. O que foi proposto ontem não é o que nosso partido e, mais importante, o nosso país defendem", declarou Ryan em dezembro.
"Penso que os conservadores querem saber: ele compartilha nossos valores e princípios sobre governo limitado, o papel adequado do Executivo e adesão à Constituição?", questionou Ryan. "Acredito ser necessário unificar o partido, e penso que a maior parte desta tarefa cabe ao provável candidato."
Trump reagiu meia hora depois, dizendo: "Não estou pronto para apoiar a agenda de Ryan." E acrescentou: "Talvez no futuro possamos trabalhar juntos e chegar a um acordo sobre o que é melhor para o povo americano. Ele tem sido tratado tão mal por tanto tempo que é hora dos políticos o colocarem em primeiro lugar."
Depois dos violentos ataques ao ex-governador da Flórida Jeb Bush, os ex-presidentes George Herbert Walker Bush e George Walker Bush, pai e irmão de Jeb, anunciaram que não vão apoiar Trump sob hipótese alguma.
Haveria inclusive uma conspiração em marcha articulada pela cúpula do Partido Republicano para lançar um candidato conservador independente que roube votos de Trump à direita, impedindo sua vitória em 8 de novembro.
Como o republicano com o mais alto cargo nos EUA, Ryan é o segundo na linha de sucessão do presidente e será o presidente da Convenção Nacional Republicana, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio.
Durante entrevista à televisão americana CNN, o presidente da Câmara declarou querer "um porta-bandeira que carregue nossas bandeiras". Nas eleições primárias do partido, Trump insultou as mulheres, os latinos, os muçulmanos, o México e a China, entre outros alvos.
Quando o magnata imobiliário propôs impedir temporariamente a entrada de muçulmanos nos EUA, o presidente da Câmara protestou: "Isto não é conservadorismo. O que foi proposto ontem não é o que nosso partido e, mais importante, o nosso país defendem", declarou Ryan em dezembro.
"Penso que os conservadores querem saber: ele compartilha nossos valores e princípios sobre governo limitado, o papel adequado do Executivo e adesão à Constituição?", questionou Ryan. "Acredito ser necessário unificar o partido, e penso que a maior parte desta tarefa cabe ao provável candidato."
Trump reagiu meia hora depois, dizendo: "Não estou pronto para apoiar a agenda de Ryan." E acrescentou: "Talvez no futuro possamos trabalhar juntos e chegar a um acordo sobre o que é melhor para o povo americano. Ele tem sido tratado tão mal por tanto tempo que é hora dos políticos o colocarem em primeiro lugar."
Depois dos violentos ataques ao ex-governador da Flórida Jeb Bush, os ex-presidentes George Herbert Walker Bush e George Walker Bush, pai e irmão de Jeb, anunciaram que não vão apoiar Trump sob hipótese alguma.
Haveria inclusive uma conspiração em marcha articulada pela cúpula do Partido Republicano para lançar um candidato conservador independente que roube votos de Trump à direita, impedindo sua vitória em 8 de novembro.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015
George Bush pai culpa Cheney e Rumsfeld por fracasso do filho
A "arrogância" e a "linha-dura" do vice-presidente Dick Cheney e do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, na resposta aos atentatos terroristas de 11 de setembro de 2001 prejudicaram o governo de seu filho e os Estados Unidos, acusa uma nova biografia chamada Destino e Poder: a odisseia americana de George Herbert Walker Bush.
O livro escrito por Jon Meacham se baseia em gravações diárias feitas durante a presidência de George Bush sênior (1989-93) e entrevistas com o ex-presidente e sua mulher, Barbara Bush, noticia hoje o jornal inglês The Guardian.
Richard Cheney foi secretário da Defesa de Bush sr. Teria mudado depois do 11 de setembro: "Não sei, ele se tornou muito linha-dura e muito diferente do Dick Cheney que eu conhecia e com quem tinha trabalhado na reação e no que fazer com o Oriente Médio. Foi muito cu-de-ferro. Aparentemente se rendeu aos durões que querem lutar em todos os casos, usar a força para conseguir o que queremos no Oriente Médio."
Ao mesmo tempo, ele defendeu George Walker Bush: "Ele é meu filho, fez o melhor e o apoio. É simples assim". Mas criticou o filho por permitir que Cheney criasse "uma espécie de seu próprio Departamento de Estado" e pelo discurso inflamado na resposta aos atentados de 2001.
"Preocupo-me com parte da retórica daquele tempo, em parte dele e também das pessoas ao redor dele. Uma retórica inflamada chega às manchetes com grande facilidade, mas não necessariamente resolve os problemas diplomáticos", declarou Bush pai ao biógrafo.
O famoso discurso sobre o Estado da União feito pelo filho perante o Congresso em janeiro de 2002 denunciando um suposto eixo do mal (Coreia do Norte, Irã e Iraque) não escapou da crítica: "Pode ficar provado historicamente que não ajudou em nada."
De fato, depois do discurso e da invasão do Iraque em 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram o desenvolvimento de armas atômicas como única garantia contra uma intervenção dos EUA.
Rumsfeld, secretário da Defesa durante a maior parte dos governos do filho, é descrito como um "cara arrogante": "Não gosto do que ele fez e acredito que ele prejudicou o presidente. Nunca fui próximo a ele, de qualquer maneira. Há uma falta de humildade, de ouvir o que os outros pensam. Ele é mais de chutar traseiros, pegar nomes e números. Pagou um preço por isso."
Em entrevista à televisão conservadora Fox News, Cheney considerou a acusação de cu-de-ferro um elogio: "Recebi com um orgulho. O ataque de 11 de setembro foi pior do que o que Pearl Harbor em termos do número de mortos e dos danos produzidos. Penso que muita gente acreditava então, e acredita até hoje, que fui agressivo na defesa e implementação das políticas que eu pensava serem corretas."
O ex-vice-presidente recomendou a leitura: "O diário é fascinante porque você pode ver como ele se sentiu em vários momentos-chaves de sua vida. Estou apreciando o livro. Recomendo aos meus amigos e tenho orgulho de fazer parte dele."
Cheney negou que ele e a filha Liz Cheney fossem eminências pardas do governo de Bush júnior: "Talvez seja sua visão do que aconteceu, mas minha família não estava conspirando para de alguma forma me tornar num indivíduo mais duro, mais nariz-de-ferro. Cheguei lá por mim mesmo."
George W. Bush declarou que seu pai "nunca diria para mim: 'Ei, você precisa controlar Cheney. Ele está arruinando seu governo.' Seria algo que não faz parte do seu caráter. Tomei minhas decisões. Era minha filosofia. É verdade que minha retórica foi muito forte e pode ter incomodado algumas pessoas. Obviamente incomodou, inclusive meu pai, mas ele nunca mencionou isso."
Bush sr. chegou à Casa Branca depois de uma longa carreira. Foi deputado federal, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador na China e na ONU, e vice-presidente nos governos Ronald Reagan (1981-89). Estava preparado para ser presidente. Foi um conservador moderado num partido que se radicalizava desde a era Reagan.
Ex-governador do Texas, Bush jr. era simplesmente o "candidato conservador mais elegível do país" em 2000, depois de dois governos democratas de Bill Clinton, nas palavras de um líder da Coalizão Cristã na época. Playboy, foi alcoólatra e usuário de drogas na juventude até se converter a um cristianismo reacionário.
Desde a batalha judicial em torno dos votos na Flórida que garantiram sua vitória sobre o então vice-presidente Al Gore na eleição presidencial de 2000, quando perdeu nacionalmente no voto popular, Bush jr. deixou claro que confiava nos amigos do pai para se livrar de problemas. Seu advogado perante a Suprema Corte foi o ex-secretário de Estado e ex-secretário do Tesouro James Baker.
Sem experiência internacional, ao convidar Cheney para vice, colocou uma sombra sobre si mesmo. Foi presa fácil dos neoconservadores convencidos de que os EUA não tinham tirado todo o proveito da vitória na Guerra Fria e queriam usar a força para impor suas ideias em escala planetária.
O livro escrito por Jon Meacham se baseia em gravações diárias feitas durante a presidência de George Bush sênior (1989-93) e entrevistas com o ex-presidente e sua mulher, Barbara Bush, noticia hoje o jornal inglês The Guardian.
Richard Cheney foi secretário da Defesa de Bush sr. Teria mudado depois do 11 de setembro: "Não sei, ele se tornou muito linha-dura e muito diferente do Dick Cheney que eu conhecia e com quem tinha trabalhado na reação e no que fazer com o Oriente Médio. Foi muito cu-de-ferro. Aparentemente se rendeu aos durões que querem lutar em todos os casos, usar a força para conseguir o que queremos no Oriente Médio."
Ao mesmo tempo, ele defendeu George Walker Bush: "Ele é meu filho, fez o melhor e o apoio. É simples assim". Mas criticou o filho por permitir que Cheney criasse "uma espécie de seu próprio Departamento de Estado" e pelo discurso inflamado na resposta aos atentados de 2001.
"Preocupo-me com parte da retórica daquele tempo, em parte dele e também das pessoas ao redor dele. Uma retórica inflamada chega às manchetes com grande facilidade, mas não necessariamente resolve os problemas diplomáticos", declarou Bush pai ao biógrafo.
O famoso discurso sobre o Estado da União feito pelo filho perante o Congresso em janeiro de 2002 denunciando um suposto eixo do mal (Coreia do Norte, Irã e Iraque) não escapou da crítica: "Pode ficar provado historicamente que não ajudou em nada."
De fato, depois do discurso e da invasão do Iraque em 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram o desenvolvimento de armas atômicas como única garantia contra uma intervenção dos EUA.
Rumsfeld, secretário da Defesa durante a maior parte dos governos do filho, é descrito como um "cara arrogante": "Não gosto do que ele fez e acredito que ele prejudicou o presidente. Nunca fui próximo a ele, de qualquer maneira. Há uma falta de humildade, de ouvir o que os outros pensam. Ele é mais de chutar traseiros, pegar nomes e números. Pagou um preço por isso."
Em entrevista à televisão conservadora Fox News, Cheney considerou a acusação de cu-de-ferro um elogio: "Recebi com um orgulho. O ataque de 11 de setembro foi pior do que o que Pearl Harbor em termos do número de mortos e dos danos produzidos. Penso que muita gente acreditava então, e acredita até hoje, que fui agressivo na defesa e implementação das políticas que eu pensava serem corretas."
O ex-vice-presidente recomendou a leitura: "O diário é fascinante porque você pode ver como ele se sentiu em vários momentos-chaves de sua vida. Estou apreciando o livro. Recomendo aos meus amigos e tenho orgulho de fazer parte dele."
Cheney negou que ele e a filha Liz Cheney fossem eminências pardas do governo de Bush júnior: "Talvez seja sua visão do que aconteceu, mas minha família não estava conspirando para de alguma forma me tornar num indivíduo mais duro, mais nariz-de-ferro. Cheguei lá por mim mesmo."
George W. Bush declarou que seu pai "nunca diria para mim: 'Ei, você precisa controlar Cheney. Ele está arruinando seu governo.' Seria algo que não faz parte do seu caráter. Tomei minhas decisões. Era minha filosofia. É verdade que minha retórica foi muito forte e pode ter incomodado algumas pessoas. Obviamente incomodou, inclusive meu pai, mas ele nunca mencionou isso."
Bush sr. chegou à Casa Branca depois de uma longa carreira. Foi deputado federal, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador na China e na ONU, e vice-presidente nos governos Ronald Reagan (1981-89). Estava preparado para ser presidente. Foi um conservador moderado num partido que se radicalizava desde a era Reagan.
Ex-governador do Texas, Bush jr. era simplesmente o "candidato conservador mais elegível do país" em 2000, depois de dois governos democratas de Bill Clinton, nas palavras de um líder da Coalizão Cristã na época. Playboy, foi alcoólatra e usuário de drogas na juventude até se converter a um cristianismo reacionário.
Desde a batalha judicial em torno dos votos na Flórida que garantiram sua vitória sobre o então vice-presidente Al Gore na eleição presidencial de 2000, quando perdeu nacionalmente no voto popular, Bush jr. deixou claro que confiava nos amigos do pai para se livrar de problemas. Seu advogado perante a Suprema Corte foi o ex-secretário de Estado e ex-secretário do Tesouro James Baker.
Sem experiência internacional, ao convidar Cheney para vice, colocou uma sombra sobre si mesmo. Foi presa fácil dos neoconservadores convencidos de que os EUA não tinham tirado todo o proveito da vitória na Guerra Fria e queriam usar a força para impor suas ideias em escala planetária.
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Terrorismo
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Senado dos EUA acusa CIA de tortura
A Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço secreto da Presidência dos Estados Unidos, usou técnicas de interrogatório que caracterizam tortura na luta contra o terrorismo deflagrada pelos atentados de 11 de setembro de 2001 sem obter informações relevantes sobre ataques iminentes por causa disso, está denunciando neste momento em Washington a senadora Dianne Feinstein, do Partido Democrata, presidente da Comissão de Inteligência do Senado. Os abusos foram mais amplos e mais brutais do que divulgado anteriormente, sem qualquer supervisão crítica.
O relatório de 6 mil páginas, resultado de cinco anos de investigações, teve trechos vazados com antecedência e foi objeto de espionagem da CIA contra o próprio Senado dos EUA. "Não podemos apagar esta mancha, mas podemos mostrar que o país aprende com seus erros, é uma sociedade justa e legalista", observou Dianne Feinstein.
Em 1999, o Senado dos EUA havia ratificado a Convenção Internacional contra a Tortura, comprometendo-se a não recorrer à tortura como método de interrogação não importa que tipo de desafios enfrentasse. O ataque às Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono levaram ao emprego de "técnicas coercitivas e robustas de interrogatório", na descrição pasteurizada do governo George Walker Bush.
O programa incluiu a detenção e o transporte ilegal de suspeitos para países que toleram a tortura, onde eles foram submetidos a interrogatórios violentos com nudez, sufocamento com jatos d'água, proibição de dormir, frio, posições estressantes e outros métodos de tortura. Empresas privadas e psicólogo foram contratados para torturar a um custo de milhões de dólares. Das 119 detenções examinadas, pelo menos 26 prisões foram consideradas ilegais pela própria agência.
A CIA não só deteve muito mais suspeitos do que revelado anteriormente. Usou métodos "muito piores" do que admitiu e não teria conseguido informações relevantes dos presos torturados: "Os métodos muitas vezes levaram os interrogados a forjar respostas falsas", diz o relatório, e a agência acabou seguindo pistas erradas. Esta conclusão é contestada por alguns deputados e senadores republicanos.
O próprio presidente Bush, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, teriam sido enganados sobre a extensão das práticas. Bush teria sentido "desconforto" ao conhecer detalhes sobre a tortura. Várias gravações de interrogatórios foram apagadas para evitar que fossem divulgadas publicamente.
Alguns presos reclamaram que não puderam dormir durante uma semana. "Múltiplas técnicas de torturas foram usadas repetidamente sem parar contra determinados suspeitos durante dias e até semanas", afirmou a senadora. Ela citou o caso de Abu Zubaida, um saudita preso no Paquistão em 2002 e levado para o centro de detenção ilegal na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
Zubaida, diretor de um campo de treinamento da rede terrorista Al Caeda no Afeganistão, foi sufocado com jatos d'água pelo menos 83 vezes, foi deixado nu, impedido de dormir, não recebeu alimentos sólidos e foi obrigado a ficar em posições estressantes. As gravações de seu interrogatório foram destruídas em 2005. Dois anos depois, o tribunal militar que examinou seu caso concluiu ele não era um líder importante como a CIA supunha.
A CIA alardeou ter evitado atos terroristas com base em informações obtidas sob tortura, mas a comissão parlamentar de inquérito do Senado não identificou um único caso capaz de confirmar a alegação. Essa conclusão, contestada por republicanos, foi apoiada pelo senador John McCain, candidato derrotado pelo presidente Barack Obama na eleição de 2008, que ocupou a tribuna depois de senadora Feinstein.
McCain desprezou a alegação de que a divulgação do relatório agora, quando os EUA estão em guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, incentivaria novos ataques a americanos: "Eles não precisam de desculpas para nos atacar."
Na opinião do senador, um veterano de guerra que ficou cinco anos e meio preso no Vietnã, o que está em jogo é a imagem dos EUA e o compromisso com o respeito à dignidade humana: "Nossos inimigos agem sem consciência. Nós não podemos fazer isso."
ESTADO DE ALERTA
No mundo inteiro, embaixadas, consulados, bases militares e até mesmo empresas dos EUA estão em estado de alerta temendo retaliações por causa das denúncias de tortura.
O relatório de 6 mil páginas, resultado de cinco anos de investigações, teve trechos vazados com antecedência e foi objeto de espionagem da CIA contra o próprio Senado dos EUA. "Não podemos apagar esta mancha, mas podemos mostrar que o país aprende com seus erros, é uma sociedade justa e legalista", observou Dianne Feinstein.
Em 1999, o Senado dos EUA havia ratificado a Convenção Internacional contra a Tortura, comprometendo-se a não recorrer à tortura como método de interrogação não importa que tipo de desafios enfrentasse. O ataque às Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono levaram ao emprego de "técnicas coercitivas e robustas de interrogatório", na descrição pasteurizada do governo George Walker Bush.
O programa incluiu a detenção e o transporte ilegal de suspeitos para países que toleram a tortura, onde eles foram submetidos a interrogatórios violentos com nudez, sufocamento com jatos d'água, proibição de dormir, frio, posições estressantes e outros métodos de tortura. Empresas privadas e psicólogo foram contratados para torturar a um custo de milhões de dólares. Das 119 detenções examinadas, pelo menos 26 prisões foram consideradas ilegais pela própria agência.
A CIA não só deteve muito mais suspeitos do que revelado anteriormente. Usou métodos "muito piores" do que admitiu e não teria conseguido informações relevantes dos presos torturados: "Os métodos muitas vezes levaram os interrogados a forjar respostas falsas", diz o relatório, e a agência acabou seguindo pistas erradas. Esta conclusão é contestada por alguns deputados e senadores republicanos.
O próprio presidente Bush, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, teriam sido enganados sobre a extensão das práticas. Bush teria sentido "desconforto" ao conhecer detalhes sobre a tortura. Várias gravações de interrogatórios foram apagadas para evitar que fossem divulgadas publicamente.
Alguns presos reclamaram que não puderam dormir durante uma semana. "Múltiplas técnicas de torturas foram usadas repetidamente sem parar contra determinados suspeitos durante dias e até semanas", afirmou a senadora. Ela citou o caso de Abu Zubaida, um saudita preso no Paquistão em 2002 e levado para o centro de detenção ilegal na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
Zubaida, diretor de um campo de treinamento da rede terrorista Al Caeda no Afeganistão, foi sufocado com jatos d'água pelo menos 83 vezes, foi deixado nu, impedido de dormir, não recebeu alimentos sólidos e foi obrigado a ficar em posições estressantes. As gravações de seu interrogatório foram destruídas em 2005. Dois anos depois, o tribunal militar que examinou seu caso concluiu ele não era um líder importante como a CIA supunha.
A CIA alardeou ter evitado atos terroristas com base em informações obtidas sob tortura, mas a comissão parlamentar de inquérito do Senado não identificou um único caso capaz de confirmar a alegação. Essa conclusão, contestada por republicanos, foi apoiada pelo senador John McCain, candidato derrotado pelo presidente Barack Obama na eleição de 2008, que ocupou a tribuna depois de senadora Feinstein.
McCain desprezou a alegação de que a divulgação do relatório agora, quando os EUA estão em guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, incentivaria novos ataques a americanos: "Eles não precisam de desculpas para nos atacar."
Na opinião do senador, um veterano de guerra que ficou cinco anos e meio preso no Vietnã, o que está em jogo é a imagem dos EUA e o compromisso com o respeito à dignidade humana: "Nossos inimigos agem sem consciência. Nós não podemos fazer isso."
ESTADO DE ALERTA
No mundo inteiro, embaixadas, consulados, bases militares e até mesmo empresas dos EUA estão em estado de alerta temendo retaliações por causa das denúncias de tortura.
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