Morreu ontem aos 94 anos George Herbert Walker Bush (1989-93) , talvez o mais bem-preparado de todos os presidentes dos Estados Unidos. Foi o último presidente da Guerra Fria e o último a lutar na Segunda Guerra Mundial, quando seu avião foi derrubado no Oceano Pacífico.
Seu filho George Walker Bush (2001-9), muito menos qualificado, governou por dois mandatos. O pai por apenas um. A dignidade com que Bush sênior se comportou no cargo contrasta com o arrivismo, o oportunismo e a corrupção do atual presidente, Donald Trump.
Aristocrata da Nova Inglaterra, Bush nasceu em Milton, no estado de Massachusetts, em 12 de junho de 1924. Contra a vontade do pai, que era senador, se alistou para lutar na Segunda Guerra Mundial. Era piloto da Marinha quando seu avião foi abatido, em setembro de 1944.
Depois da guerra, formou-se em economia em apenas dois anos meio na Universidade de Yale e foi para o Texas, onde fez sua própria fortuna na indústria do petróleo antes de entrar na política. Foi deputado, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador nas Nações Unidas e na China, e vice-presidente de Ronald Reagan (1981-89).
Durante as eleições primárias da campanha de 1980, criticou o que chamou de "economia vodu" de Reagan, a noção de que cortes de impostos eram uma panaceia para todos os males. Vice-presidente da Reagan, beneficiou-se do prestígio do chefe para ser um dos poucos vices a chegar à Casa Branca.
Na sua própria campanha, prometeu não aumentar impostos. Foi obrigado a fazê-lo para reduzir o déficit herdado de Reagan, que gastou US$ 2 trilhões em armas para pressionar a União Soviética no fim da Guerra Fria. Nunca foi perdoado pela ala mais à direita do Partido Republicano.
Conservador, ao aceitar a candidatura, no discurso na convenção republicana, falou em "mil pontos de luz", defendendo o voluntariado dos cidadãos como fórmula para atacar os problemas sociais, sendo alvo de duras críticas do Partido Democrata. Mesmo assim, obteve uma ampla vitória sobre o ex-governador Michael Dukakis.
Sua vida política foi marcada por guerras, da Segunda Guerra Mundial, quando serviu como aviador, à Guerra Fria, passando pela invasão do Panamá, em dezembro de 1989, para depor o ditador Manuel Noriega, ex-agente da CIA que se associara às máfias colombianas do tráfico de drogas, e a Guerra do Golfo (1991), para expulsar as forças do Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.
Bush estava no poder quando o regime comunista da China esmagou a revolta dos estudantes no Massacre na Praça da Paz Celestial, na noite de 3 para 4 de junho de 1989, o Muro de Berlim caiu, em 9 de novembro daquele ano, e as revoluções liberais acabaram com o comunismo na Hungria, que abriu primeiro a cortina de ferro, na Polônia, que realizou as primeiras eleições democráticas na Europa Oriental, na Alemanha Oriental, na Tcheco-Eslováquia, na Bulgária e na Romênia.
Ao lado do Reino Unido e da França, acabou com a ocupação militar da Alemanha Ocidental, permitindo a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990. A União Soviética acabaria em 31 de dezembro de 1991.
Antes, Bush assinou com o líder soviético Mikhail Gorbachev dois acordos fundamentais para o fim da Guerra Fria: o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (1990), que limitou o total de armas não nucleares no continente; e o Tratado de Redução de Armas Estratégias (1991), o START 1, que diminuiu a quantidade de armas nucleares capazes de atacar diretamente os EUA e a URSS.
Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait, em 2 de agosto de 1990, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, o advertiu: "Não é hora de ser mole, George."
Diante da ameaça de que Saddam tomasse a Arábia Saudita, o que lhe daria o controle sobre 40% das reservas mundiais de petróleo, em 6 de agosto de 1990, Bush lançou a Operação Escudo no Deserto e exigiu a retirada incondicional das forças iraquianas do Kuwait.
Como o Iraque não recuou, os EUA lideraram uma aliança de 33 países, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas para usar a força. A URSS de Gorbachev votou a favor e a China se absteve.
Em 17 de janeiro de 1991, usando a estrutura militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA iniciaram a Operação Tempestade no Deserto com uma intensa campanha de bombardeios aéreos que ficou conhecida como o videogame da guerra, uma grande propaganda da nova geração de armas inteligentes dos EUA. As imagens divulgadas pelo Departamento da Defesa dos EUA pareciam um videogame e não mostravam as mortes e a destruição em terra.
A invasão terrestre começou em 24 de fevereiro. Quatro dias depois, o Iraque se rendeu. O setor mais linha-dura do Partido Republicano nunca perdoou Bush por não ter marchado até Bagdá e deposto Saddam Hussein. O então presidente da França, François Mitterrand, era contra.
Bush preferiu não romper a coalizão. Apostou num golpe militar contra Saddam Hussein por causa da humilhação sofrida pelas Forças Armadas do Iraque. Foi muito criticado por incentivar as rebeliões de curdos e xiitas, esmagadas por Saddam com alto custo em vidas humanas.
A aliança com vários países árabes e a decisão de Israel de não entrar na guerra, apesar dos ataques iraquianos ao território israelense, permitiu o início do processo de paz no Oriente Médio na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991. Bush chegou a ameaçar com o corte de garantias de crédito para pressionar Israel.
Os EUA foram muito criticados por não intervirem militarmente para acabar com as guerras civis que destruíram a Iugoslávia. Na visão de Bush, no mundo pós-Guerra Fria, isso seria responsabilidade dos europeus. Seu sucessor, Bill Clinton (1993-2001), acabou intervindo ao descobrir que a política externa compensaria as derrotas em questões internas nos EUA.
Com o prestígio obtido na vitória esmagadora sobre Saddam Hussein, Bush dava a reeleição em 1992 como certa. Foi abatido pela recessão de 1990-91, que aumentou o desemprego até junho de 1992, e pela entrada de um candidato independente na corrida para a Casa Branca.
"É a economia, estúpido!", declarou James Carville, o estrategista da campanha de Bill Clinton. Mas o que roubou mesmo a vitória de Bush foi o candidato conservador independente Ross Perot.
Clinton venceu, em 3 de novembro de 1992, com 44,9 milhões de votos (43%), contra 39,1 milhões (37,4%) de Bush e 19,7 milhões (18,9%) de Perot.
Quando Clinton entrou na Casa Branca, em 20 de janeiro de 1993, encontrou uma carta pessoal de Bush desejando-lhe um bom governo e aconselhando-o a não se abalar com as críticas: "Seu sucesso agora é o sucesso do nosso país. Estou torcendo por você. Boa sorte, George."
Por iniciativa do presidente George Walker Bush, o filho, os dois fizeram campanhas para recolher doações para as vítimas do maremoto de 2004 no Sudeste Asiático, que matou mais de 200 mil pessoas, e para as vítimas do furacão Katrina, que atingiu o Sul dos EUA em 2005 e causou 1.833 mortes.
Mesmo sendo adversários políticos, os dois ex-presidentes se tornaram grandes amigos, provando, nas palavras de Bush sênior, que "a política não precisa ser mesquinha e horrível." Trump não aprendeu a lição. Nem o Brasil.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador George Herbert Walker Bush. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador George Herbert Walker Bush. Mostrar todas as postagens
sábado, 1 de dezembro de 2018
Morre George Bush, dos mais bem-preparados presidentes dos EUA
Marcadores:
Bill Clinton,
Casa Branca 1992,
Comunismo,
EUA,
Europa Oriental,
George Herbert Walker Bush,
Guerra do Golfo,
Guerra Fria,
Ross Perot,
Saddam Hussein,
Segunda Guerra Mundial,
URSS
terça-feira, 30 de maio de 2017
Morre ex-ditador do Panamá Manuel Noriega
O general Manuel Antonio Noriega, ditador do Panamá de 1983 a 1989, quando foi deposto e preso como traficante de drogas numa invasão dos Estados Unidos, morreu ontem aos 83 anos na Cidade do Panamá de complicações de uma cirurgia para remoção de um tumor cerebral.
Agente da Agência Central de Inteligência (CIA) desde os anos 1950s e contratado oficialmente em 1967, Noriega chegou a ser acusado pelo acidente aéreo que matou o ditador Omar Torrijos, a quem apoiara, em 1981. Torrijos negociou em 1977 com o então presidente americano Jimmy Carter a devolução do Canal do Panamá, em 1999. Os americanos não queriam deixar o canal nas mãos de Noriega.
Em 1984, Noriega fraudou uma eleição presidencial. No ano seguinte, foi acusado pela morte do líder oposicionista Hugo Spadafora. Por ligações com as máfias colombianas do tráfico de cocaína, foi denunciado em 1988 em tribunais dos EUA.
A mando do presidente George Herbert Walker Bush, o pai, 27,7 mil soldados dos EUA invadiram o Panamá em 20 de dezembro de 1989 a pretexto de defender a democracia e vidas de americanos que estariam em perigo, e combater o tráfico de drogas.
Noriega refugiou-se na Embaixada do Vaticano no quinto dia da invasão, a véspera do Natal. O prédio foi cercado pelos americanos, que o rodearam por enormes alto-falantes que tocavam rock'n'roll a todo o volume 24 por dia até o general se render, em 3 de janeiro.
A invasão acabou em 31 de janeiro de 1990. Pelo menos 236 soldados e 500 civis panamenhos e 26 soldados americanos morreram. Preso e levado para os EUA, Noriega foi condenado em 16 de setembro de 1992 a 40 anos de cadeia.
Sua pena nos EUA foi reduzida. Quando terminou, em setembro de 2007, havia pedidos de extradição da França e do Panamá. Ele chegou a Paris em abril de 2010, onde foi condenado a sete anos de prisão por assassinato e lavagem de dinheiro. Em 11 de dezembro de 2011, foi enviado ao Panamá para cumprir mais 20 anos de pena.
O general Cara de abacaxi, como era chamado por causa das espinhas, morreu segunda-feira à noite no Hospital São Tomás, na Cidade do Panamá, de uma hemorragia cerebral resultante depois de uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral benigno, sob custódia policial.
Agente da Agência Central de Inteligência (CIA) desde os anos 1950s e contratado oficialmente em 1967, Noriega chegou a ser acusado pelo acidente aéreo que matou o ditador Omar Torrijos, a quem apoiara, em 1981. Torrijos negociou em 1977 com o então presidente americano Jimmy Carter a devolução do Canal do Panamá, em 1999. Os americanos não queriam deixar o canal nas mãos de Noriega.
Em 1984, Noriega fraudou uma eleição presidencial. No ano seguinte, foi acusado pela morte do líder oposicionista Hugo Spadafora. Por ligações com as máfias colombianas do tráfico de cocaína, foi denunciado em 1988 em tribunais dos EUA.
A mando do presidente George Herbert Walker Bush, o pai, 27,7 mil soldados dos EUA invadiram o Panamá em 20 de dezembro de 1989 a pretexto de defender a democracia e vidas de americanos que estariam em perigo, e combater o tráfico de drogas.
Noriega refugiou-se na Embaixada do Vaticano no quinto dia da invasão, a véspera do Natal. O prédio foi cercado pelos americanos, que o rodearam por enormes alto-falantes que tocavam rock'n'roll a todo o volume 24 por dia até o general se render, em 3 de janeiro.
A invasão acabou em 31 de janeiro de 1990. Pelo menos 236 soldados e 500 civis panamenhos e 26 soldados americanos morreram. Preso e levado para os EUA, Noriega foi condenado em 16 de setembro de 1992 a 40 anos de cadeia.
Sua pena nos EUA foi reduzida. Quando terminou, em setembro de 2007, havia pedidos de extradição da França e do Panamá. Ele chegou a Paris em abril de 2010, onde foi condenado a sete anos de prisão por assassinato e lavagem de dinheiro. Em 11 de dezembro de 2011, foi enviado ao Panamá para cumprir mais 20 anos de pena.
O general Cara de abacaxi, como era chamado por causa das espinhas, morreu segunda-feira à noite no Hospital São Tomás, na Cidade do Panamá, de uma hemorragia cerebral resultante depois de uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral benigno, sob custódia policial.
Marcadores:
Cocaína,
ditador,
EUA,
França,
Gen. Manuel Noriega,
George Herbert Walker Bush,
Invasão Americana,
Lavagem de Dinheiro,
Panamá,
Tráfico de Drogas
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
George Bush sênior vai votar em Hillary, diz uma Kennedy
O ex-presidente George Herbert Walker Bush (1989-93) vai votar na candidata democrata Hillary Clinton na eleição presidencial de 8 de novembro nos Estados Unidos, anunciou a ex-vice-governadora do estado de Maryland, Kathleen Hartington Kennedy Townsend, que vem de outra família coroada da política americana.
"O presidente me disse que vai votar em Hillary", afirmou Kathleen, sobrinha do presidente John Fitzgerald Kennedy (1961-63) no Facebook ao lado de uma foto dos dois juntos no estado do Maine. Um porta-voz da família Bush não confirmou nem desmentiu: "O voto do presidente Bush será um voto privado de um cidadão."
Bush tem motivos de sobra para não votar em Donald Trump, candidato de seu partido. No início das eleições primárias, seu filho Jeb Bush, ex-governador da Flórida, era considerado o favorito entre os republicanos. Foi duramente atacado por Trump. Sua candidatura não decolou. Os Bush jamais perdoarão Trump.
Pela mesma razão, Hillary evita comparar o governo Obama com o último governo republicano, de George Walker Bush (2001-9), responsável pela desastrosa invasão do Iraque e pela crise econômica internacional desde a Grande Depressão (1929-39).
O apoio dos Bush pode ser decisivo na Flórida, um estado-chave onde as últimas pesquisas dão uma pequena vantagem à democrata.
"O presidente me disse que vai votar em Hillary", afirmou Kathleen, sobrinha do presidente John Fitzgerald Kennedy (1961-63) no Facebook ao lado de uma foto dos dois juntos no estado do Maine. Um porta-voz da família Bush não confirmou nem desmentiu: "O voto do presidente Bush será um voto privado de um cidadão."
Bush tem motivos de sobra para não votar em Donald Trump, candidato de seu partido. No início das eleições primárias, seu filho Jeb Bush, ex-governador da Flórida, era considerado o favorito entre os republicanos. Foi duramente atacado por Trump. Sua candidatura não decolou. Os Bush jamais perdoarão Trump.
Pela mesma razão, Hillary evita comparar o governo Obama com o último governo republicano, de George Walker Bush (2001-9), responsável pela desastrosa invasão do Iraque e pela crise econômica internacional desde a Grande Depressão (1929-39).
O apoio dos Bush pode ser decisivo na Flórida, um estado-chave onde as últimas pesquisas dão uma pequena vantagem à democrata.
Marcadores:
Casa Branca 2016,
Donald Trump,
EUA,
George Herbert Walker Bush,
George Walker Bush,
Hillary Clinton,
Jeb Bush,
Kathleen Kennedy Townsend
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Presidente da Câmara dos EUA nega apoio a Trump
Em uma rejeição ao provável candidato do Partido Republicano à Casa Branca, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, deputado Paul Ryan, declarou ontem que "não está pronto" para apoiar Donald Trump. Primeiro, quer que o bilionário una o partido.
Como o republicano com o mais alto cargo nos EUA, Ryan é o segundo na linha de sucessão do presidente e será o presidente da Convenção Nacional Republicana, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio.
Durante entrevista à televisão americana CNN, o presidente da Câmara declarou querer "um porta-bandeira que carregue nossas bandeiras". Nas eleições primárias do partido, Trump insultou as mulheres, os latinos, os muçulmanos, o México e a China, entre outros alvos.
Quando o magnata imobiliário propôs impedir temporariamente a entrada de muçulmanos nos EUA, o presidente da Câmara protestou: "Isto não é conservadorismo. O que foi proposto ontem não é o que nosso partido e, mais importante, o nosso país defendem", declarou Ryan em dezembro.
"Penso que os conservadores querem saber: ele compartilha nossos valores e princípios sobre governo limitado, o papel adequado do Executivo e adesão à Constituição?", questionou Ryan. "Acredito ser necessário unificar o partido, e penso que a maior parte desta tarefa cabe ao provável candidato."
Trump reagiu meia hora depois, dizendo: "Não estou pronto para apoiar a agenda de Ryan." E acrescentou: "Talvez no futuro possamos trabalhar juntos e chegar a um acordo sobre o que é melhor para o povo americano. Ele tem sido tratado tão mal por tanto tempo que é hora dos políticos o colocarem em primeiro lugar."
Depois dos violentos ataques ao ex-governador da Flórida Jeb Bush, os ex-presidentes George Herbert Walker Bush e George Walker Bush, pai e irmão de Jeb, anunciaram que não vão apoiar Trump sob hipótese alguma.
Haveria inclusive uma conspiração em marcha articulada pela cúpula do Partido Republicano para lançar um candidato conservador independente que roube votos de Trump à direita, impedindo sua vitória em 8 de novembro.
Como o republicano com o mais alto cargo nos EUA, Ryan é o segundo na linha de sucessão do presidente e será o presidente da Convenção Nacional Republicana, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio.
Durante entrevista à televisão americana CNN, o presidente da Câmara declarou querer "um porta-bandeira que carregue nossas bandeiras". Nas eleições primárias do partido, Trump insultou as mulheres, os latinos, os muçulmanos, o México e a China, entre outros alvos.
Quando o magnata imobiliário propôs impedir temporariamente a entrada de muçulmanos nos EUA, o presidente da Câmara protestou: "Isto não é conservadorismo. O que foi proposto ontem não é o que nosso partido e, mais importante, o nosso país defendem", declarou Ryan em dezembro.
"Penso que os conservadores querem saber: ele compartilha nossos valores e princípios sobre governo limitado, o papel adequado do Executivo e adesão à Constituição?", questionou Ryan. "Acredito ser necessário unificar o partido, e penso que a maior parte desta tarefa cabe ao provável candidato."
Trump reagiu meia hora depois, dizendo: "Não estou pronto para apoiar a agenda de Ryan." E acrescentou: "Talvez no futuro possamos trabalhar juntos e chegar a um acordo sobre o que é melhor para o povo americano. Ele tem sido tratado tão mal por tanto tempo que é hora dos políticos o colocarem em primeiro lugar."
Depois dos violentos ataques ao ex-governador da Flórida Jeb Bush, os ex-presidentes George Herbert Walker Bush e George Walker Bush, pai e irmão de Jeb, anunciaram que não vão apoiar Trump sob hipótese alguma.
Haveria inclusive uma conspiração em marcha articulada pela cúpula do Partido Republicano para lançar um candidato conservador independente que roube votos de Trump à direita, impedindo sua vitória em 8 de novembro.
Marcadores:
Casa Branca 2016,
Conservadorismo,
Donald Trump,
Eleições primárias,
EUA,
George Herbert Walker Bush,
George Walker Bush,
Partido Republicano,
Paul Ryan
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
George Bush pai culpa Cheney e Rumsfeld por fracasso do filho
A "arrogância" e a "linha-dura" do vice-presidente Dick Cheney e do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, na resposta aos atentatos terroristas de 11 de setembro de 2001 prejudicaram o governo de seu filho e os Estados Unidos, acusa uma nova biografia chamada Destino e Poder: a odisseia americana de George Herbert Walker Bush.
O livro escrito por Jon Meacham se baseia em gravações diárias feitas durante a presidência de George Bush sênior (1989-93) e entrevistas com o ex-presidente e sua mulher, Barbara Bush, noticia hoje o jornal inglês The Guardian.
Richard Cheney foi secretário da Defesa de Bush sr. Teria mudado depois do 11 de setembro: "Não sei, ele se tornou muito linha-dura e muito diferente do Dick Cheney que eu conhecia e com quem tinha trabalhado na reação e no que fazer com o Oriente Médio. Foi muito cu-de-ferro. Aparentemente se rendeu aos durões que querem lutar em todos os casos, usar a força para conseguir o que queremos no Oriente Médio."
Ao mesmo tempo, ele defendeu George Walker Bush: "Ele é meu filho, fez o melhor e o apoio. É simples assim". Mas criticou o filho por permitir que Cheney criasse "uma espécie de seu próprio Departamento de Estado" e pelo discurso inflamado na resposta aos atentados de 2001.
"Preocupo-me com parte da retórica daquele tempo, em parte dele e também das pessoas ao redor dele. Uma retórica inflamada chega às manchetes com grande facilidade, mas não necessariamente resolve os problemas diplomáticos", declarou Bush pai ao biógrafo.
O famoso discurso sobre o Estado da União feito pelo filho perante o Congresso em janeiro de 2002 denunciando um suposto eixo do mal (Coreia do Norte, Irã e Iraque) não escapou da crítica: "Pode ficar provado historicamente que não ajudou em nada."
De fato, depois do discurso e da invasão do Iraque em 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram o desenvolvimento de armas atômicas como única garantia contra uma intervenção dos EUA.
Rumsfeld, secretário da Defesa durante a maior parte dos governos do filho, é descrito como um "cara arrogante": "Não gosto do que ele fez e acredito que ele prejudicou o presidente. Nunca fui próximo a ele, de qualquer maneira. Há uma falta de humildade, de ouvir o que os outros pensam. Ele é mais de chutar traseiros, pegar nomes e números. Pagou um preço por isso."
Em entrevista à televisão conservadora Fox News, Cheney considerou a acusação de cu-de-ferro um elogio: "Recebi com um orgulho. O ataque de 11 de setembro foi pior do que o que Pearl Harbor em termos do número de mortos e dos danos produzidos. Penso que muita gente acreditava então, e acredita até hoje, que fui agressivo na defesa e implementação das políticas que eu pensava serem corretas."
O ex-vice-presidente recomendou a leitura: "O diário é fascinante porque você pode ver como ele se sentiu em vários momentos-chaves de sua vida. Estou apreciando o livro. Recomendo aos meus amigos e tenho orgulho de fazer parte dele."
Cheney negou que ele e a filha Liz Cheney fossem eminências pardas do governo de Bush júnior: "Talvez seja sua visão do que aconteceu, mas minha família não estava conspirando para de alguma forma me tornar num indivíduo mais duro, mais nariz-de-ferro. Cheguei lá por mim mesmo."
George W. Bush declarou que seu pai "nunca diria para mim: 'Ei, você precisa controlar Cheney. Ele está arruinando seu governo.' Seria algo que não faz parte do seu caráter. Tomei minhas decisões. Era minha filosofia. É verdade que minha retórica foi muito forte e pode ter incomodado algumas pessoas. Obviamente incomodou, inclusive meu pai, mas ele nunca mencionou isso."
Bush sr. chegou à Casa Branca depois de uma longa carreira. Foi deputado federal, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador na China e na ONU, e vice-presidente nos governos Ronald Reagan (1981-89). Estava preparado para ser presidente. Foi um conservador moderado num partido que se radicalizava desde a era Reagan.
Ex-governador do Texas, Bush jr. era simplesmente o "candidato conservador mais elegível do país" em 2000, depois de dois governos democratas de Bill Clinton, nas palavras de um líder da Coalizão Cristã na época. Playboy, foi alcoólatra e usuário de drogas na juventude até se converter a um cristianismo reacionário.
Desde a batalha judicial em torno dos votos na Flórida que garantiram sua vitória sobre o então vice-presidente Al Gore na eleição presidencial de 2000, quando perdeu nacionalmente no voto popular, Bush jr. deixou claro que confiava nos amigos do pai para se livrar de problemas. Seu advogado perante a Suprema Corte foi o ex-secretário de Estado e ex-secretário do Tesouro James Baker.
Sem experiência internacional, ao convidar Cheney para vice, colocou uma sombra sobre si mesmo. Foi presa fácil dos neoconservadores convencidos de que os EUA não tinham tirado todo o proveito da vitória na Guerra Fria e queriam usar a força para impor suas ideias em escala planetária.
O livro escrito por Jon Meacham se baseia em gravações diárias feitas durante a presidência de George Bush sênior (1989-93) e entrevistas com o ex-presidente e sua mulher, Barbara Bush, noticia hoje o jornal inglês The Guardian.
Richard Cheney foi secretário da Defesa de Bush sr. Teria mudado depois do 11 de setembro: "Não sei, ele se tornou muito linha-dura e muito diferente do Dick Cheney que eu conhecia e com quem tinha trabalhado na reação e no que fazer com o Oriente Médio. Foi muito cu-de-ferro. Aparentemente se rendeu aos durões que querem lutar em todos os casos, usar a força para conseguir o que queremos no Oriente Médio."
Ao mesmo tempo, ele defendeu George Walker Bush: "Ele é meu filho, fez o melhor e o apoio. É simples assim". Mas criticou o filho por permitir que Cheney criasse "uma espécie de seu próprio Departamento de Estado" e pelo discurso inflamado na resposta aos atentados de 2001.
"Preocupo-me com parte da retórica daquele tempo, em parte dele e também das pessoas ao redor dele. Uma retórica inflamada chega às manchetes com grande facilidade, mas não necessariamente resolve os problemas diplomáticos", declarou Bush pai ao biógrafo.
O famoso discurso sobre o Estado da União feito pelo filho perante o Congresso em janeiro de 2002 denunciando um suposto eixo do mal (Coreia do Norte, Irã e Iraque) não escapou da crítica: "Pode ficar provado historicamente que não ajudou em nada."
De fato, depois do discurso e da invasão do Iraque em 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram o desenvolvimento de armas atômicas como única garantia contra uma intervenção dos EUA.
Rumsfeld, secretário da Defesa durante a maior parte dos governos do filho, é descrito como um "cara arrogante": "Não gosto do que ele fez e acredito que ele prejudicou o presidente. Nunca fui próximo a ele, de qualquer maneira. Há uma falta de humildade, de ouvir o que os outros pensam. Ele é mais de chutar traseiros, pegar nomes e números. Pagou um preço por isso."
Em entrevista à televisão conservadora Fox News, Cheney considerou a acusação de cu-de-ferro um elogio: "Recebi com um orgulho. O ataque de 11 de setembro foi pior do que o que Pearl Harbor em termos do número de mortos e dos danos produzidos. Penso que muita gente acreditava então, e acredita até hoje, que fui agressivo na defesa e implementação das políticas que eu pensava serem corretas."
O ex-vice-presidente recomendou a leitura: "O diário é fascinante porque você pode ver como ele se sentiu em vários momentos-chaves de sua vida. Estou apreciando o livro. Recomendo aos meus amigos e tenho orgulho de fazer parte dele."
Cheney negou que ele e a filha Liz Cheney fossem eminências pardas do governo de Bush júnior: "Talvez seja sua visão do que aconteceu, mas minha família não estava conspirando para de alguma forma me tornar num indivíduo mais duro, mais nariz-de-ferro. Cheguei lá por mim mesmo."
George W. Bush declarou que seu pai "nunca diria para mim: 'Ei, você precisa controlar Cheney. Ele está arruinando seu governo.' Seria algo que não faz parte do seu caráter. Tomei minhas decisões. Era minha filosofia. É verdade que minha retórica foi muito forte e pode ter incomodado algumas pessoas. Obviamente incomodou, inclusive meu pai, mas ele nunca mencionou isso."
Bush sr. chegou à Casa Branca depois de uma longa carreira. Foi deputado federal, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador na China e na ONU, e vice-presidente nos governos Ronald Reagan (1981-89). Estava preparado para ser presidente. Foi um conservador moderado num partido que se radicalizava desde a era Reagan.
Ex-governador do Texas, Bush jr. era simplesmente o "candidato conservador mais elegível do país" em 2000, depois de dois governos democratas de Bill Clinton, nas palavras de um líder da Coalizão Cristã na época. Playboy, foi alcoólatra e usuário de drogas na juventude até se converter a um cristianismo reacionário.
Desde a batalha judicial em torno dos votos na Flórida que garantiram sua vitória sobre o então vice-presidente Al Gore na eleição presidencial de 2000, quando perdeu nacionalmente no voto popular, Bush jr. deixou claro que confiava nos amigos do pai para se livrar de problemas. Seu advogado perante a Suprema Corte foi o ex-secretário de Estado e ex-secretário do Tesouro James Baker.
Sem experiência internacional, ao convidar Cheney para vice, colocou uma sombra sobre si mesmo. Foi presa fácil dos neoconservadores convencidos de que os EUA não tinham tirado todo o proveito da vitória na Guerra Fria e queriam usar a força para impor suas ideias em escala planetária.
Marcadores:
11 de setembro,
biografia,
Coreia do Norte,
Dick Cheney,
Donald Rumsfeld,
Eixo do Mal,
EUA,
George Herbert Walker Bush,
George Walker Bush,
Irã,
Iraque,
Linha Dura,
Terrorismo
Assinar:
Postagens (Atom)