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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

França e países africanos apelam a EUA para não deixar do Sahel

A França e cinco países da África pediram hoje aos Estados Unidos que não abandonem a luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Em reunião de cúpula na cidade de Pau, no Sul da França, o presidente Emmanuel Macron e os líderes de cinco países do Sahel (Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger) resolveram reforçar a cooperação militar na luta contra o extremismo muçulmano.

O Grupo dos Cinco decidiu “manifestar o desejo de manter o engajamento da França no Sahel”, apesar do sentimento antifrancês nas antigas colônias africanas. Também considera crucial o apoio dos Estados Unidos, que anunciaram a intenção da retirar suas forças da região numa revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional. 

Macron prometeu enviar mais 2.200 soldados da França, que já tem 4,5 mil tropas na Operação Barkhane, patrulhando uma área do tamanho da Europa. Meu comentário:

terça-feira, 26 de junho de 2018

Suprema Corte mantém vetos à entrada nos EUA impostos por Trump

Numa vitória do presidente Donald Trump, por 5 a 4, a Suprema Corte manteve hoje a proibição de entrada nos Estados Unidos de cidadãos de cinco países de maioria muçulmana (Iêmen, Irã, Líbia, Síria e Somália) mais Coreia do Norte e Venezuela.

Foi o segundo decreto de Trump sobre o assunto. O primeiro foi derrubado por discriminação religiosa ao visar apenas países muçulmanos. O Iraque foi excluído na segunda versão por causa dos iraquianos que atuaram e atuam junto às forças dos EUA no país.

O Chade fazia parte da primeira versão do segundo decreto. Foi retirado em abril por ser outro país onde há tropas dos EUA para combater o terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, na África.

A sentença, apoiada pela maioria conservadora e redigida pelo ministro Anthony Kennedy, rejeita o argumento de discriminação e estabelece que o presidente tem autoridade, nos termos da Constituição dos EUA, para impor vetos à entrada no país de cidadãos de determinados países, supostamente considerados inimigos dos EUA.

Para o jornal Los Angeles Times, foi a maior vitória jurídica de Trump. A proibição é mais uma face de sua tortuosa política de imigração.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Presidente de Burkina Fasso renuncia

Depois de um dia de revolta em que a sede do Parlamento foi incendiada e os militares dissolveram o governo e a Assembleia Nacional de Burkina Fasso, um país da África Ocidental, o presidente Blaise Compaoré renunciou ao cargo oficialmente hoje.

O comandante das Forças Armadas, general Nabéré Honoré Traoré, prometeu formar um governo provisório para devolver o poder aos civis em no máximo 12 meses.

Compaoré, no poder desde um sangrento golpe de Estado em que o então presidente foi morto, em 1987, era o principal aliado dos Estados Unidos e da França na luta contra extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Sua queda foi provocada por uma revolta popular contra uma proposta de emenda constitucional para autorizar Compaoré a concorrer a um quinto mandato. A multidão festejou hoje nas ruas da capital, Uagadugu. Agora, há uma expectativa de que a revolta inspire outros países africanos onde os presidentes se negam a deixar o cargo.

Burkina Fasso é um dos países mais pobres do mundo, o 181º no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que prometeram enviar uma força de paz em conjunto com a União Africana.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Voo da Argélia com 116 pessoas cai no Saara

Um avião da empresa espanhola SwiftAir fretado pela companhia aérea argeliana Air Algérie caiu à 1h55 da madrugada de hoje pelo hora local (22h55 de ontem em Brasília) no Deserto do Saara, na África, quando ia da Uagadugu, capital de Burkina Fasso, para Argel, a capital da Argélia, com 110 passageiros e seis tripulantes a bordo.

No último contato, 50 minutos depois da decolagem, o Boeing MD-83 sobrevoava a cidade de Gao, no Mali. A queda foi em Tilemsi, a cerca de 100 km de Gao.

Há um conflito na região, onde jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda e rebeldes tuaregues do Movimento Nacional pela Libertação de Azawade lutam contra o governo central do Mali com o apoio da França. Mas os rebeldes não têm armas para abater aviões em alta altitude. As primeiras informações são de que havia uma tempestade de areia na região, o que teria levado o voo 5017 a pedir autorização para mudar de rota poucos antes de desaparecer dos radares.

Cerca de 50 passageiros a bordo eram franceses, 24 burquinenses, oito libaneses, seis argelianos, cinco canadenses, quatro alemães e dois luxemburgueses. Também havia a bordo cidadãos da Bélgica, Camarões, Egito, Níger, Romênia, Suíça e Ucrânia. Os seis tripulantes eram espanhóis da empresa SwiftAir.

Mais tarde, o governo do Mali anunciou que os destroços do avião foram encontrados e não há sobreviventes.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

EUA ampliam presença militar na África

Os Estados Unidos assinaram na segunda-feira, 28 de janeiro de 2013, um acordo com o Níger para estabelecer uma presença militar permanente no Deserto do Saara e na região do Sahel, onde é cada vez maior a atividade de extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda.

Assim, os americanos estarão perto do Norte do Máli, no momento alvo de uma intervenção militar francesa para combater jihadistas, e das jazidas de urânio do Níger.

O maior temor dos EUA hoje é que armas de destruição em massa caiam em poder de terroristas. O urânio, carga da bomba atômica, é um desses materiais sensíveis. As usinas nucleares da França, responsáveis por 80% da geração de energia elétrica no país, se abastecem com urânio do Níger.

Depois da intervenção no Máli, os EUA e a França devem criar um centro de informações no Níger, talvez com uma base de onde aeronaves americanas não tripuladas possam patrulhar o Saara e o Sahel.

Com a fuga dos extremistas muçulmanos, a França espera que uma força de países da Comunidade Econômica da África Ocidental (Ecowas, do inglês), uma organização regional liderada pela Nigéria, ajude o Exército do Máli a manter a integridade territorial do país.

Mas o objetivo maior da intervenção francesa é evitar que Al Caeda tenha bases e centros de treinamento na vastidão do deserto do Norte da África, de onde poderia lançar ataques contra a Europa e os EUA.

Depois da morte de Ossama ben Laden, seu sucessor, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri teria reorientado Al Caeda para a África, onde haveria mais chance de penetração do extremismo muçulmano, especialmente em Estados em colapso como a Somália ou o Máli depois do golpe militar de março de 2012.

Não está claro quanto militares americanos serão baseados no Níger. No momento, há mais de 50. Algumas pistas de pouso próximas à fronteira com o Máli já foram escolhidas para operações com drones, as aeronaves não tripuladas, ou mesmo de comandos de elite. Estão mais perto da região que tinha sido tomada pelos salafistas do que o aeroporto da capital, Bamako.

Os EUA também querem a ajuda da Argélia, que enfrentou uma violenta guerra civil contra os islamistas com mais de 100 mil mortes, para combater Al Caeda no Magreb Islâmico. Seu governo costuma ser implacável com os rebeldes muçulmanos.

O comando militar americano para a África fica na Alemanha. A maior concentração de equipamento militar americano na África neste momento está em Camp Lemonnier, uma base militar francesa no Djibuti usada para lançar ataques de drones no Iêmen.

Além do pessoal que está no Níger, o governo Barack Obama enviou um batalhão com uns 100 homens para ajudar a combater o Exército de Libertação do Senhor, um grupo guerrilheiro acusado de graves violações dos direitos humanos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Tuaregues declaram independência de Azawade

Os tuaregues proclamaram a independência da região que chamam de Azawade, no Norte do Máli, no sul do Deserto do Saara, no Oeste da África. A declaração deve ser rejeitada no mundo inteiro.

"Em nome do livre e desafiante povo azawade e depois de consultar o comitê executivo, o conselho revolucionário, o conselho consultivo, os escritórios provinciais e o comandante do Exército Nacional de Libertação decidem irrevogavelmente declarar a independência do estado de Azawade, a partir de hoje", afirma o comunicado escrito em árabe.

Os rebeldes prometem "reconhecer" e "respeitar" as fronteiras com os países vizinhos, assumem o compromisso de "aceitar totalmente" a Carta das Nações Unidas e pedem o "reconhecimento sem demora" do país que pretendem fundar.

A nota acena com "uma Constituição democrática para um Azawade independente", informa a TV árabe de notícias Al Arabiya, sem falar na realização de eleições. O Movimento Nacional de Libertação pretende governar Azawade "até a indicação de uma autoridade nacional".

Na Europa e nos Estados Unidos, há um medo cada vez maior de infiltração da rede terrorista Al Caeda no Deserto do Saara e na região do Sahel, logo ao sul. Al Caeda no Magreb seria uma das forças por trás da rebelião.

Aliados históricos do coronel Muamar Kadafi, que financiava guerrilhas muçulmanas na África, os tuaregues ajudaram a defender o ditador na revolução do ano passado na Líbia. Com a derrota do antigo padrinho, voltaram para o Norte do Máli carregados de armas saqueadas dos arsenais líbios.

O fortalecimento dos rebeldes e a incapacidade e a falta de equipamento  do Exército do Máli para enfrentá-los provocou um golpe de Estado no mês passado contra o presidente Amadou Touré, liderado pelo capitão Amadou Sanogo. Ele se nega a devolver o poder, apesar da pressão irresistível da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (Ecowas, do inglês).

Hoje o Itamaraty divulgou nota pedindo a restauração da normalidade democrática e constitucional no Máli, ignorando as reivindicações do movimento rebelde. O Brasil e o resto do mundo não aceitam a criação de novos países à força, o que é proibido pela Carta da ONU.