A missão de paz das Nações Unidas no Mali vai criar uma zona de segurança de 20 quilômetros de raio ao redor da cidade de Kidal, no Norte do país, noticiou o sítio de notícias sul-africano News 24.
O objetivo é proteger a zona para impedir combates entre os rebeldes separatistas tuaregues, que lutam pela independência de um país que chamam de Azawade, na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.
De acordo com um porta-voz do governo, os combates na área cessaram, mas pelo menos dez pessoas foram mortas na última onda de violência.
Os rebeldes do Movimento Nacional de Libertação de Azawade e a milícia pró-governamental Plataforma assinaram um acordo de paz em junho. Assim, o governo tenta pacificar o Norte do Mali para o Exército se concentrar na luta contra extremistas muçulmanos no Oeste do país.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 18 de agosto de 2015
sábado, 8 de agosto de 2015
Forças do Mali atacam hotel onde jihadistas mantinham reféns
As forças de segurança do Mali atacaram hoje o Hotel Byblos, na cidade de Sévaré, no centro do país, onde rebeldes islamitas mantinham reféns desde ontem, noticiou a televisão pública britânica BBC. Pelo menos cinco soldados, três milicianos, três civis e um funcionário das Nações Unidas foram mortos.
Quatro funcionários da ONU, dois sul-africanos, um russo e um ucraniano, foram resgatados, informou o porta-voz da missão de paz no Mali.
Antes de tomar o hotel, os rebeldes mataram outras 13 pessoas nas ruas e numa importante base aérea. Podem ser ligados ao grupo de Amadou Koufa, que matou 10 soldados num ataque em Nampala em janeiro de 2015.
Um dos países mais pobres do mundo, o Mali enfrenta uma rebelião dos tuaregues, conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, que querem criar um país independente chamado Azawade. Com o apoio de milícias extremistas muçulmanas como Al Caeda no Magrebe Islâmico, dominaram as principais cidades do Norte do Mali em 2012.
Em janeiro de 2013, quando os rebeldes e aliados jihadistas ameaçavam marchar até a capital, Bamako, a França interveio militarmente no Norte do Mali, mas o Exército Nacional nunca conseguiu reimpor sua autoridade na região.
Quatro funcionários da ONU, dois sul-africanos, um russo e um ucraniano, foram resgatados, informou o porta-voz da missão de paz no Mali.
Antes de tomar o hotel, os rebeldes mataram outras 13 pessoas nas ruas e numa importante base aérea. Podem ser ligados ao grupo de Amadou Koufa, que matou 10 soldados num ataque em Nampala em janeiro de 2015.
Um dos países mais pobres do mundo, o Mali enfrenta uma rebelião dos tuaregues, conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, que querem criar um país independente chamado Azawade. Com o apoio de milícias extremistas muçulmanas como Al Caeda no Magrebe Islâmico, dominaram as principais cidades do Norte do Mali em 2012.
Em janeiro de 2013, quando os rebeldes e aliados jihadistas ameaçavam marchar até a capital, Bamako, a França interveio militarmente no Norte do Mali, mas o Exército Nacional nunca conseguiu reimpor sua autoridade na região.
domingo, 1 de março de 2015
Rebeldes tuaregues examinam proposta de paz do Mali
A principal coligação de rebeldes tuaregues, inclusive o Movimento Nacional de Libertação de Azawade (MNLA), pediu tempo ao governo do Mali para responder a uma proposta de paz aceita por vários pequenos grupos armados em ação no Norte do país, noticiou hoje a televisão árabe Al Jazira.
Um acordo dará mais autonomia e mais representação no governo central à região do Norte do Mali que os tuaregues chamam de Azawade.
Mais conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, os tuaregues são na verdade um povo bérbere seminômade originário da região de Targa, no Sul da Líbia, que se espalhou pela Argélia, Burkina Fasso, Chade, Líbia, Mali, Níger e Nigéria.
Os rebeldes iniciaram a guerra pela independência de Azawade em 16 de janeiro de 2012. Em 22 de março daquele ano, um golpe de Estado de militares descontentes com a falta de recursos para combater os rebeldes derrubou o ditador Amadou Touré na capital, Bamako, que fica no Sul do país.
Com o colapso do governo central, os rebeldes tomaram o Norte do Mali com o apoio de grupos jihadistas como a rede terrorista Al Caeda no Magreb. A história desse período, a vida sob o jugo de extremistas muçulmanos, está no filme Timbuktu, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e não ganhou, mas levou sete Cesars na França.
Timbuktu é um patrimônio cultural da humanidade, uma cidade que ficava na rota das caravanas que cruzavam o Deserto do Saara rumo ao Egito. No seu apogeu, no fim da Idade Média e início da Idade Moderna, tinha uma das maiores bibliotecas do mundo, parcialmente destruída pelos jihadistas, assim como mesquitas históricas sufistas, uma corrente do islamismo repudiada pelos salafistas da rede Al Caeda.
Quando os rebeldes e os jihadistas avançaram rumo à capital, a França interveio militarmente em 11 de janeiro de 2013 em apoio ao governo central. Em junho, foi assinado um acordo de paz repudiado pelos rebeldes em setembro daquele mesmo ano.
As atuais negociações, realizadas na Argélia com mediação das Nações Unidas, são mais uma tentativa de pôr fim à guerra na região do Sahel, onde a miséria e o subdesenvolvimento criaram um ambiente fértil para o extremismo muçulmano, do Boko Haram, na Nigéria; a Al Chababe, na Somália.
Um acordo dará mais autonomia e mais representação no governo central à região do Norte do Mali que os tuaregues chamam de Azawade.
Mais conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, os tuaregues são na verdade um povo bérbere seminômade originário da região de Targa, no Sul da Líbia, que se espalhou pela Argélia, Burkina Fasso, Chade, Líbia, Mali, Níger e Nigéria.
Os rebeldes iniciaram a guerra pela independência de Azawade em 16 de janeiro de 2012. Em 22 de março daquele ano, um golpe de Estado de militares descontentes com a falta de recursos para combater os rebeldes derrubou o ditador Amadou Touré na capital, Bamako, que fica no Sul do país.
Com o colapso do governo central, os rebeldes tomaram o Norte do Mali com o apoio de grupos jihadistas como a rede terrorista Al Caeda no Magreb. A história desse período, a vida sob o jugo de extremistas muçulmanos, está no filme Timbuktu, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e não ganhou, mas levou sete Cesars na França.
Timbuktu é um patrimônio cultural da humanidade, uma cidade que ficava na rota das caravanas que cruzavam o Deserto do Saara rumo ao Egito. No seu apogeu, no fim da Idade Média e início da Idade Moderna, tinha uma das maiores bibliotecas do mundo, parcialmente destruída pelos jihadistas, assim como mesquitas históricas sufistas, uma corrente do islamismo repudiada pelos salafistas da rede Al Caeda.
Quando os rebeldes e os jihadistas avançaram rumo à capital, a França interveio militarmente em 11 de janeiro de 2013 em apoio ao governo central. Em junho, foi assinado um acordo de paz repudiado pelos rebeldes em setembro daquele mesmo ano.
As atuais negociações, realizadas na Argélia com mediação das Nações Unidas, são mais uma tentativa de pôr fim à guerra na região do Sahel, onde a miséria e o subdesenvolvimento criaram um ambiente fértil para o extremismo muçulmano, do Boko Haram, na Nigéria; a Al Chababe, na Somália.
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
Tuaregues declaram independência de Azawade
Os tuaregues proclamaram a independência da região que chamam de Azawade, no Norte do Máli, no sul do Deserto do Saara, no Oeste da África. A declaração deve ser rejeitada no mundo inteiro.
"Em nome do livre e desafiante povo azawade e depois de consultar o comitê executivo, o conselho revolucionário, o conselho consultivo, os escritórios provinciais e o comandante do Exército Nacional de Libertação decidem irrevogavelmente declarar a independência do estado de Azawade, a partir de hoje", afirma o comunicado escrito em árabe.
Os rebeldes prometem "reconhecer" e "respeitar" as fronteiras com os países vizinhos, assumem o compromisso de "aceitar totalmente" a Carta das Nações Unidas e pedem o "reconhecimento sem demora" do país que pretendem fundar.
A nota acena com "uma Constituição democrática para um Azawade independente", informa a TV árabe de notícias Al Arabiya, sem falar na realização de eleições. O Movimento Nacional de Libertação pretende governar Azawade "até a indicação de uma autoridade nacional".
Na Europa e nos Estados Unidos, há um medo cada vez maior de infiltração da rede terrorista Al Caeda no Deserto do Saara e na região do Sahel, logo ao sul. Al Caeda no Magreb seria uma das forças por trás da rebelião.
Aliados históricos do coronel Muamar Kadafi, que financiava guerrilhas muçulmanas na África, os tuaregues ajudaram a defender o ditador na revolução do ano passado na Líbia. Com a derrota do antigo padrinho, voltaram para o Norte do Máli carregados de armas saqueadas dos arsenais líbios.
O fortalecimento dos rebeldes e a incapacidade e a falta de equipamento do Exército do Máli para enfrentá-los provocou um golpe de Estado no mês passado contra o presidente Amadou Touré, liderado pelo capitão Amadou Sanogo. Ele se nega a devolver o poder, apesar da pressão irresistível da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (Ecowas, do inglês).
Hoje o Itamaraty divulgou nota pedindo a restauração da normalidade democrática e constitucional no Máli, ignorando as reivindicações do movimento rebelde. O Brasil e o resto do mundo não aceitam a criação de novos países à força, o que é proibido pela Carta da ONU.
"Em nome do livre e desafiante povo azawade e depois de consultar o comitê executivo, o conselho revolucionário, o conselho consultivo, os escritórios provinciais e o comandante do Exército Nacional de Libertação decidem irrevogavelmente declarar a independência do estado de Azawade, a partir de hoje", afirma o comunicado escrito em árabe.
Os rebeldes prometem "reconhecer" e "respeitar" as fronteiras com os países vizinhos, assumem o compromisso de "aceitar totalmente" a Carta das Nações Unidas e pedem o "reconhecimento sem demora" do país que pretendem fundar.
A nota acena com "uma Constituição democrática para um Azawade independente", informa a TV árabe de notícias Al Arabiya, sem falar na realização de eleições. O Movimento Nacional de Libertação pretende governar Azawade "até a indicação de uma autoridade nacional".
Na Europa e nos Estados Unidos, há um medo cada vez maior de infiltração da rede terrorista Al Caeda no Deserto do Saara e na região do Sahel, logo ao sul. Al Caeda no Magreb seria uma das forças por trás da rebelião.
Aliados históricos do coronel Muamar Kadafi, que financiava guerrilhas muçulmanas na África, os tuaregues ajudaram a defender o ditador na revolução do ano passado na Líbia. Com a derrota do antigo padrinho, voltaram para o Norte do Máli carregados de armas saqueadas dos arsenais líbios.
O fortalecimento dos rebeldes e a incapacidade e a falta de equipamento do Exército do Máli para enfrentá-los provocou um golpe de Estado no mês passado contra o presidente Amadou Touré, liderado pelo capitão Amadou Sanogo. Ele se nega a devolver o poder, apesar da pressão irresistível da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (Ecowas, do inglês).
Hoje o Itamaraty divulgou nota pedindo a restauração da normalidade democrática e constitucional no Máli, ignorando as reivindicações do movimento rebelde. O Brasil e o resto do mundo não aceitam a criação de novos países à força, o que é proibido pela Carta da ONU.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Países vizinhos impõem sanções ao Máli
Durante reunião de emergência de três horas hoje de manhã em Dacar, no Senegal, a Comunidade Econômica da África Ocidental (Ecowas, do inglês) impôs uma série de sanções aos golpistas que tomaram o poder no Máli.
As medidas entram em vigor imediatamente. Elas incluem o fechamento das fronteiras e o congelamento dos bens do governo malinês no banco central regional. Parecem ser suficientes para sufocar a economia do país, que não tem saída para o mar. Também podem deixar no escuro os 15 milhões de habitantes do Máli por falta de óleo diesel para os geradores de eletricidade.
Os golpistas derrubaram o presidente Amadou Touré sob o argumento de que as Forças Armadas estão mal equipadas para enfrentar os rebeldes tuaregues que lutam pela independência de uma região que chamam de Azawade. No fim de semana, os rebeldes tomaram três cidades importantes do Norte do Máli; Kidal, Gao e Timbuktu.
Sob intensa pressão internacional, o líder golpista, capitão Amadou Sanogo, prometeu ontem reinstaurar a Constituição e devolver o poder aos civis.
As medidas entram em vigor imediatamente. Elas incluem o fechamento das fronteiras e o congelamento dos bens do governo malinês no banco central regional. Parecem ser suficientes para sufocar a economia do país, que não tem saída para o mar. Também podem deixar no escuro os 15 milhões de habitantes do Máli por falta de óleo diesel para os geradores de eletricidade.
Os golpistas derrubaram o presidente Amadou Touré sob o argumento de que as Forças Armadas estão mal equipadas para enfrentar os rebeldes tuaregues que lutam pela independência de uma região que chamam de Azawade. No fim de semana, os rebeldes tomaram três cidades importantes do Norte do Máli; Kidal, Gao e Timbuktu.
Sob intensa pressão internacional, o líder golpista, capitão Amadou Sanogo, prometeu ontem reinstaurar a Constituição e devolver o poder aos civis.
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