A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) multou a companhia de serviços do setor de petróleo Halliburton em US$ 29 milhões por corrupção e tráfico de influência num caso envolvendo a empresa estatal de petróleo de Angola, a Sonangol, e outra companhia angolana. O ex-vice-presidente da Halliburton Jeannot Lorenz vai pagar multa de US$ 75 mil.
De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.
A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.
Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.
Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.
O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.
A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.
Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.
No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.
Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.
"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 3 de agosto de 2017
terça-feira, 25 de novembro de 2014
EUA intimam Petrobrás a apresentar documentos sobre escândalo
CAMBRIDGE-MA, EUA - A Comissão de Valores Mobiliários (SEC, do inglês) dos Estados Unidos intimou a Petrobrás para ter acesso aos documentos relativos ao escândalo de corrupção envolvendo a maior empresa brasileira, noticia hoje o jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa.
A companhia admitiu ter recebido a intimação, sem entrar em detalhes. Limitou-se a dizer que vai "colaborar com as autoridades públicas americanas da mesma forma que está atendendo às autoridades brasileiras".
No início do mês, o FT informara que o Departamento da Justiça dos EUA está investigando a Petrobrás. Como a empresa vende ações na Bolsa de Valores de Nova York, está sujeita à legislação americana.
O jornal cita as acusações de que políticos do Partido dos Trabalhadores e de outros partidos aliados do governo brasileiro receberiam comissões ilegais de 3% de todos os contratos firmados pela empresa estatal brasileira. Registra ainda que o PT nega tudo, assim como a presidente Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás de 2003 a 2010, que promete não obstruir as investigações. Também cita o atraso na divulgação do último balancete trimestral da companhia depois que a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers se negou a assiná-lo.
Esse atraso pode dificultar o financiamento da Petrobrás no mercado até a solução do problema. De acordo com o banco americano Morgan Stanley, se o balanço não for divulgado até 30 de abril de 2015, os compradores de bônus da empresa podem cobrar US$ 57 bilhões e os bancos credores outros US$ 66 bilhões.
Em outra reportagem, o FT observa que, se as empreiteiras envolvidas forem declaradas inidôneas, obras e projetos no valor de R$ 871 bilhões podem ser paralisados, a não ser que o país contrate empresas estrangeiras. Nota ainda que o Tribunal de Contas da União sugeriu a renegociação dos contratos, mas isso pode não ser suficiente para os investidores estrangeiros.
A infraestrutura deficiente é um dos maiores problemas para o desenvolvimento do Brasil e uma das maiores oportunidades para investidores estrangeiros, comenta um analista internacional.
A companhia admitiu ter recebido a intimação, sem entrar em detalhes. Limitou-se a dizer que vai "colaborar com as autoridades públicas americanas da mesma forma que está atendendo às autoridades brasileiras".
No início do mês, o FT informara que o Departamento da Justiça dos EUA está investigando a Petrobrás. Como a empresa vende ações na Bolsa de Valores de Nova York, está sujeita à legislação americana.
O jornal cita as acusações de que políticos do Partido dos Trabalhadores e de outros partidos aliados do governo brasileiro receberiam comissões ilegais de 3% de todos os contratos firmados pela empresa estatal brasileira. Registra ainda que o PT nega tudo, assim como a presidente Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás de 2003 a 2010, que promete não obstruir as investigações. Também cita o atraso na divulgação do último balancete trimestral da companhia depois que a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers se negou a assiná-lo.
Esse atraso pode dificultar o financiamento da Petrobrás no mercado até a solução do problema. De acordo com o banco americano Morgan Stanley, se o balanço não for divulgado até 30 de abril de 2015, os compradores de bônus da empresa podem cobrar US$ 57 bilhões e os bancos credores outros US$ 66 bilhões.
Em outra reportagem, o FT observa que, se as empreiteiras envolvidas forem declaradas inidôneas, obras e projetos no valor de R$ 871 bilhões podem ser paralisados, a não ser que o país contrate empresas estrangeiras. Nota ainda que o Tribunal de Contas da União sugeriu a renegociação dos contratos, mas isso pode não ser suficiente para os investidores estrangeiros.
A infraestrutura deficiente é um dos maiores problemas para o desenvolvimento do Brasil e uma das maiores oportunidades para investidores estrangeiros, comenta um analista internacional.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
Investidores processam Facebook e bancos
A mais badalada oferta pública inicial de ações azedou. Nos dois primeiros dias de negociação na bolsa eletrônica Nasdaq, o Facebook perdeu 19% do valor, caindo de US$ 38 para US$ 31. Os investidores decidiram processar a empresa e os bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs, principais organizadores da abertura do capital da maior rede social da Internet.
Uma das acusações é que o Morgan Stanley e o Goldman Sachs teriam escondido informações de relatórios internos dos bancos reduzindo sua expectativa de faturamento do Facebook e colocando em dúvida o sucesso da empresa a longo prazo.
Ontem a presidente da Securities and Exchange Comission (Comissão de Valores Mobiliários) dos Estados Unidos, Mary Schapiro, autoridade reguladora do mercado financeiro, vai investigar o lançamento das ações do Facebook.
No momento, o papel está em alta de 3,5%.
Uma das acusações é que o Morgan Stanley e o Goldman Sachs teriam escondido informações de relatórios internos dos bancos reduzindo sua expectativa de faturamento do Facebook e colocando em dúvida o sucesso da empresa a longo prazo.
Ontem a presidente da Securities and Exchange Comission (Comissão de Valores Mobiliários) dos Estados Unidos, Mary Schapiro, autoridade reguladora do mercado financeiro, vai investigar o lançamento das ações do Facebook.
No momento, o papel está em alta de 3,5%.
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