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sábado, 30 de junho de 2012

Família do futuro líder da China é milionária

Até o fim do ano, o vice-presidente Xi Jinping deve ser elevado ao cargo de líder do Partido Comunista  e proclamado futuro presidente da China. Durante uma conferência contra a corrupção em 2004, ele alertou altos funcionários do regime para "controlar esposas, filhos, parentes, amigos e assessores". Mas não conseguiu segurar sua própria família.

A exemplo de Bo Xilai, o dirigente afastado por abuso de poder e corrupção em março, Xi também é filho de um herói da revolução. Ambos são dos chamados principezinhos. Sofreram com a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), o período de maior turbulência da história recente da China. Depois, com seus pais reabilitados, tiveram uma ascensão protegida por privilégios e favoritismos assegurados pelas relações familiares.

Agora, a agência de notícias Bloomberg revela que a grande família de Xi tem negócios no valor de US$ 376 milhões, inclusive 18% de uma empresa que trabalha com os elementos químicos conhecidos como terras raras com valor total de US$ 1,73 bilhão e US$ 20,2 milhões de uma empresa de alta tecnologia cotada em bolsa de valores.

O que mais revoltou a opinião pública chinesa no escândalo político que derrubou Bo foi a vida de luxo e riqueza que seus altos dirigentes e suas famílias levam.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Caso Bo revela privilégios de 'principezinhos' chineses

O regime comunista da China apresenta a fortuna acumulada pelo ex-dirigente Bo Xilai como prova da corrupção e abuso de poder que levaram à sua queda espetacular em março, em meio a um escândalo que inclui o assassinato do empresário britânico Neil Heywood. Mas o enriquecimento das famílias dos altos dirigentes é mais norma do que exceção na chamada "economia de mercado socialista".

Quando a empresa de Hollywood DreamWorks Animation fechou um contrato de US$ 330 milhões para criar um estúdio de produção de desenhos animados em Xangai, não revelou que um dos seus principais sócios chineses é Jiang Mianheng, filho do ex-presidente e ex-secretário-geral do partido Jiang Zemin, um dos homens mais poderosos da China depois da morte de Deng Xiaoping.

Jiang Mianheng não é sócio só da DreamWorks. Tem negócios com a Microsoft e a Nokia, além de participações em empresas e projetos de telecomunicações, semicondutores e construção civil.

Outro exemplo: Wen Yungson, filho do primeiro-ministro Wen Jiabao, um reformista que cobrou maior reforma política durante a última sessão anual do Congresso Nacional do Povo, dirige uma empresa estatal que se apresenta como a maior operadora de satélites de telecomunicações na Ásia.

"Sempre que surge uma oportunidade de lucro na economia, eles estão na frente da fila", observa o sinólogo Minxin Pei, professor do Claremont McKenna College, na Califórnia, citado pelo jornal The New York Times.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

EUA negaram asilo a chefe de polícia de Bo Xilai

A queda espetacular do dirigente comunista Bo Xilai, num escândalo de assassinato e corrupção atinge até o presidente dos Estados Unidos. Barack Obama está sendo acusado pela oposição porque o chefe de polícia da cidade de Xunquim se refugiou num consulado americano, mas teve seu pedido de asilo negado.

Depois da morte do empresário britânico Neil Heywood, envenenado em novembro num hotel, supostamente a mando da mulher de Bo, Gu Kailai, o império do casal começou a desmoronar.

Em 6 de fevereiro de 2012, temendo por sua vida, Wang Lijun, vice-prefeito e chefe de polícia de Bo, se refugiou no no Consulado Americano em Chengdu. A polícia chinesa rapidamente cercou o prédio e pressionou os diplomatas dos EUA a entregá-lo.

Trinta e seis horas depois, um alto funcionário de um ministério vindo especialmente de Beijim furou o cerco da polícia de Bo e levou Wang para a capital. Ao lhe negar asilo, os EUA o entregaram às autoridades centrais da China, que agora o acusam de tentar passar segredos de Estado aos americanos.

Se for denunciado por traição, Wang Lijun pode ser condenado a morte, informa o jornal The New York Times.

Os republicanos argumentam que Wang poderia passar detalhes sobre a luta pelo poder na China, onde até o fim do ano serão indicados o novo líder do Partido Comunista e presidente do país, ao que tudo indica Xi Jinping, um novo primeiro-ministro e os outros sete membros do Comite Permanente do Politburo do Comitê Central. É uma renovação da liderança que gera instabilidade maior num regime fechado.

A tentativa de pedir asilo aconteceu uma semana antes da visita do vice-presidente e provável futuro presidente Xi Jinping aos EUA.

Acima de tudo, a desgraça de Bo Xilai revelou as entranhas do regime comunista chinês numa trama de abuso de poder, favoritismo, corrupção e assassinato.

Quando Heywood morreu, Bo tentou encobrir o crime, descrito inicialmente como morte por embriaguez. O caso só veio à tona porque criou uma oportunidade para tirar a estrela em ascensão da linha dura da luta pelo poder na China.

Mais do que exceção, essa é a norma dentro do regime comunista chinês. Sem transparência, liberdade de expressão e regras claras para disputar o poder, as crises da transição serão sempre inevitáveis, colocando em dúvida a legitimidade do Partido Comunista para governar a segunda maior potência capitalista do mundo rumo ao primeiro lugar.

A questão é até quando a nova elite econômica e a classe média ascendente vão tolerar um sistema intrinsecamente corrupto que só investiga e desmascara seus líderes quando eles perdem o poder.