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sábado, 18 de maio de 2019

Corrupção derruba o governo da Áustria

O chanceler (primeiro-ministro) conservador Sebastian Kurz convocou hoje eleições antecipadas na Áustria diante da divulgação de um vídeo em que o vice-chanceler Heinz-Christian Strache discute contratos públicos com uma mulher que se passou por sobrinha de um oligarca russo, noticiou a agência Reuters.

Strache entrou no governo como líder do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema direita, o mais bem-sucedido dos partidos ultranacionalistas anti-imigrantes da União Europeia. A uma semana das eleições para o Parlamento Europeu, o escândalo é um duro golpe.

Aliado da primeira hora da Reunião Nacional, de Marine Le Pen, na França, e da Liga de Matteo Salvini na Itália, Strache foi um dos arquitetos da aproximação da ultradireita europeia à Rússia de Vladimir Putin.

Kurz, do Partido Popular Austríaco (ÖVP), democrata-cristão, formou o governo de coalizão com o Partido da Liberdade há um ano e meio. Em entrevista coletiva, ele alegou que outros líderes da ultradireita não aceitaram fazer as mudanças que o chanceler considera necessárias para manter a aliança.

O vídeo foi gravado em julho de 2017 na ilha de Ibiza, na Espanha, e discutia o financiamento do FPÖ com caixa 2, o controle de um jornal e investimentos em obras públicas, meses antes das eleições de outubro daquele ano, quando o ÖVP venceu com 31,5% dos votos e 62 cadeiras. O FPÖ ficou em terceiro, com 26% e 51 deputados, atrás do Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ), com 27% e 52 cadeiras.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Extrema direita apoia governo regional da Andaluzia

O partido Vox, ultranacionalista, eurocético e anti-imigrantes, anunciou hoje apoio ao novo governo conservador da região da Andaluzia, na Espanha, formado pelo Partido Popular e os Cidadãos, que precisa ser confirmado pela assembleia regional na próxima semana.

Mesmo ficando em quinto lugar nas eleições regionais de 2 de dezembro de 2018, Vox entrou pela primeira vez na assembleia regional andaluza e se tornou o fiel da balança por causa da fragmentação do sistema político espanhol depois da crise econômica de 2011.

Mas depois de fazer um acordo de 37 pontos com o PP para endossar a candidatura de seu líder, Juan Manuel Moreno, Vox entrou em atrito come Cidadãos, e acusou seu líder nacional, Albert Rivera, de "manobrar para diluir" a proposta de criação de uma Secretaria da Família.

Pela manhã, o líder regional dos Cidadãos, Juan Marín, declarou que, "em nosso pacto programático, não se contempla uma Secretaria da Família independente", respondendo a Javier Ortega, secretário do Vox.

"Cidadãos quer integrar esta pasta em Igualdade. Isso é não entender das coisas nem do jogo democrático. A prepotência de Cidadãos não cabe no jogo democrático", protestou Ortega. A criação da Secretaria de Políticas Sociais, Igualdade, Conciliação e Família é uma proposta dos Cidadãos.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) foi o mais votado, mas perdeu a maioria necessária para governar a Andaluzia. Mesmo numa aliança com a Esquerda Unida, não teria o controle do parlamento. A ex-governadora socialista, Susana Díaz, será líder da oposição.

A ultradireita não vai participar do governo andaluz, mas seu apoio será decisivo para aprovar o novo governo regional direitista. Com a fragmentação política do país, Vox pode integrar um governo conservador nacional depois das próximas eleições gerais, podem ser antecipadas porque o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez lidera um governo de minoria.

A ascensão do Vox é resultado da crise econômica, da onda migratória no Mar Mediterrâneo, que no ano passado chegou mais à Espanha, e do movimento pela independência da Catalunha. Seu programa defende o fim das autonomias regionais e o fortalecimento do governo central, em Madri.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Coreia do Sul elege presidente dois meses após impeachment

A Coreia do Sul vota nesta terça-feira para escolher um novo presidente dois meses depois do impeachment de Park Geun Hye, a primeira mulher a ocupar o cargo no país. 

O favorito é o liberal Moon Jae In, um advogado defensor dos direitos humanos derrotado por Park na eleição presidencial de 19 de dezembro de 2012 por 52% a 48%. Ele é a favor do diálogo com a Coreia do Norte.

Park é filha do general Park Chung Hee, o ditador que governou a Coreia do Sul de 1961 a 1979, quando foi assassinado. Foi o período em que o país se reergueu depois da devastadora Guerra da Coreia (1950-53) e educou sua população para se tornar uma das poucas nações a vencer o subdesenvolvimento no século 20.

Desde 1960, a renda média por habitante aumentou 20 vezes para cerca de US$ 40 mil por ano pelo critério de paridade do poder de compra, o que deixa a Coreia do Sul em 30º lugar no mundo. O Brasil é o 80º na lista do FMI, com US$ 15.242 por pessoa.

Um novo golpe de Estado, em dezembro de 1979, levou ao poder outro general Chun Doo Hwan, que caiu com a democratização da Coreia do Sul, depois de uma grande onda de protestos liderados por estudantes, em 1987. Na época, as forças de segurança sul-coreanas usavam trajes inspirados pelo sinistro personagem Darth Vader, da série Guerra nas Estrelas.

Com a divisão das oposições, a primeira eleição presidencial democrática da história da Coreia do Sul, em 1987, foi vencida pelo general Roh Tae Woo, aliado de Chun no golpe de dezembro de 1979.

Trinta anos depois da democratização, um milhão de sul-coreanos voltaram a sair às ruas em massa para exigir a destituição da presidente Park Geun Hye, denunciada por corrupção e abuso de poder. Ela teria passado segredos de Estado a uma amiga a confidente, Choi Soon Sil, que subornou e extorquiu os grandes conglomerados industriais do país. Vai acompanhar a eleição do sucessor na cadeia.

Por 234 a 56, a Assembleia Nacional aprovou o impeachment da primeira mulher a presidir a Coreia do Sul, num caso comparado ao da presidente Dilma Roussef no Brasil. O vice-presidente, herdeiro e diretor executivo da Samsung, hoje a maior empresa de eletroeletrônicos do mundo, Lee Jae Yong, está preso. É o equivalente a Marcelo Odebrecht na Coreia do Sul, mas relativamente muito mais poderoso.

Há uma diferença importante. A Constituição da Coreia do Sul exige a ratificação do processo de impeachment pelo Supremo Tribunal. Os oito juízes foram unânimes em referendar o julgamento político da Assembleia Nacional.

O escândalo revelou os problemas da democracia do país, a corrupção endêmica, a sensação de que as elites se beneficiam da máquina do Estado. A Coreia do Sul tem um dos melhores níveis educacionais do mundo, 99% completaram o segundo grau, mas há 3,5 milhões de graduados em cursos superiores desempregados.

Enquanto o índice de desemprego geral da economia estava em 3,1% em março, entre os jovens subia para 11,3%.

Em uma pesquisa realizada em 44 países do Centro de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, a Coreia do Sul foi o único onde a maioria respondeu que subir na vida depende de conhecer as pessoas certas, em vez dos próprios méritos.

A ansiedade é maior entre os jovens. Só 20% estão satisfeitos com os rumos do país, em contraste com 40% entre quem tem mais de 50 anos, sem falar na ameaça existencial da Coreia do Norte na era de Donald Trump na Casa Branca.

Por causa da instalação do Terminal de Defesa Aérea de Alta Altitude, um sistema antimísseis desenvolvido pelos EUA para controlar a Coreia do Norte que pode ser usado contra a China, a China está hostilizando a Coreia do Sul em várias frentes, especialmente econômicas.

Os EUA, que mantêm uma presença militar no país desde a Guerra da Coreia, hoje de 28 mil soldados, ainda são a garantia de segurança para os sul-coreanos. Trump quer cobrar por isso.

Moon, do Partido Democrático, tem 40% das preferências nas pesquisas numa eleição em turno único, seguido por Ahn Cheol Soo, do Partido Popular, que fez fortuna como empresário de software, e Hong Jun Pyo, do Partido Liberal (conservador), ambos em torno de 20%.

O novo presidente chegará à Casa Azul em meio à estagnação econômica da Coreia do Sul, à aceleração do programa nuclear da Coreia do Norte na era Trump, que promete agir, e à crescente hostilidade da China.

Se as urnas confirmarem a previsão das pesquisas, Moon promete criar 810 mil empregos no setor públicos e em serviços sociais e 500 mil no setor privado com um "ecossistema econômico inovador". Vai aumentar o salário mínimo para 10 mil wons por hora, cerca de R$ 28. É a favor do diálogo com a Coreia do Norte, o que pode entrar em choque com a política de confrontação do governo Trump.

Ahn também quer reformar as megaempresas familias conhecidas como chaebóis. Promete investir 19 bilhões de wons (R$ 52 bilhões) para formar 100 mil jovens empresários no setor de alta tecnologia.

Hong falou em crescimento de 3% ao ano (no primeiro trimestre, ficou em 2,7% ao ano) e em 1,1 milhão de empregos, dos quais 50 mil em pequenas e médias empresas de alta tecnologia. Não mexeria na estrutura empresarial do país.

Depois de uma década de governos conservadores, Moon promete uma "mudança de regime", a começar pelo combate à corrupção das elites, a reforma dos chaebóis e o fim da "presidência imperial". Mas foi vago sobre a redução dos poderes do próximo imperador, que deve ser ele mesmo.

domingo, 30 de outubro de 2016

Espanha forma governo após 10 meses de impasse

Com a abstenção da maioria do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy conseguiu obter um voto de confiança do Parlamento para formar um governo de minoria e acabar com um impasse político de dez meses.

Na segunda votação, quando bastava maioria simples, o governo Rajoy obteve ontem 170 votos a favor e 111 contra, com 68 abstenções. Apesar da orientação da nova liderança colegiada do PSOE, 15 deputados dissidentes votaram contra o primeiro-ministro conservador, do Partido Popular (PP).

Como o Parlamento tem 350 deputados, será um governo de minoria. Vai ter de negociar com outros partidos para aprovar seus projetos.

Rajoy era presidente interino do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) desde as eleições de dezembro de 2015, quando nenhum partido conseguiu formar um governo de maioria. A aprovação do novo governo não acaba com a instabilidade política na Espanha.

A crise econômica deixou 25% dos espanhóis e mais da metade dos jovens sem emprego, minando o bipartidarismo que havia na prática. Desde a eleição do socialista Felipe González, em 1982, o PSOE e o PP se alternavam no poder.

Do Movimento dos Indignados, nasceram dois novos partidos, Podemos, de esquerda, e Cidadãos, de centro-direita. Nas duas últimas eleições, eles ficaram em terceiro e quarto lugares, negando maiorias estáveis aos partidos tradicionais.

O ex-líder socialista Pedro Sánchez se negou a formar uma grande aliança com Rajoy. Tentou ele mesmo se tornar primeiro-ministro com o apoio dos novos partidos depois das eleições de dezembro e junho. Não conseguiu e perdeu a liderança do PSOE, que parou de votar contra um novo governo Rajoy.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mais um líder da oposição de esquerda é morto na Tunísia

O líder do Partido Popular, Mohamed Brahmi, foi assassinado hoje quando saía de casa em Túnis. A morte do segundo alto dirigente oposicionista em cinco meses provocou protestos contra o partido islamita Nahda, tido como moderado, que chegou ao poder depois da primeira revolução da Primavera Árabe.

Brahmi, de 58 anos, foi morto a tiros diante de casa, da mulher e dos filhos por dois pistoleiros que fugiram de moto. A filha dele disse que ele tinha recebido um telefonema que o atraíra para a rua, diz o jornal The New York Times.

A sede do Nahda em Sid Bouzid foi atacada e incendiada por manifestantes que gritavam palavras de ordem contra o governo islamita. Esta sexta-feira será um dia de luto e protestos em toda a Tunísia.

Quando os militares derrubaram o presidente islamita Mohamed Mursi no vizinho Egito, em 3 de julho de 2013, as oposições tunisianas anunciaram a decisão de promover uma série de manifestações de protestos para derrubar o governo do Nahda. Têm agora mais um motivo.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Rajoy resiste a pressões para renunciar na Espanha

Ao receber hoje em Madri o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, passou a maior parte da entrevista coletiva dando explicações sobre um escândalo de corrupção envolvendo o financiamento ilegal do conservador Partido Popular e rejeitando as pressões para que se demita.

"O Estado de Direito não se submete a nenhum tipo de chantagem", defendeu-se o primeiro-ministro espanhol, acossado pela pior crise econômica desde a redemocratização da Espanha, em 1975.

No fim de semana, foram divulgadas mensagens de correio eletrônico trocadas entre Rajoy e o ex-tesoureiro do PP Luis Bárcenas, acusado de armar o esquema de corrupção que teria alimentado as contas bancárias da liderança do partido, inclusive do atual chefe de governo.

Hoje, em seu quarto depoimento à Justiça, o ex-tesoureiro declarou ter dado 32,5 mil euros em dinheiro a Rajoy só em 2010, informa o jornal El País, que revelou o escândalo em 31 de janeiro de 2013. Esses pagamentos "suplementavam" os salários dos dirigentes do partido. O dinheiro vinha principalmente de empresários e empresas do setor da construção civil.

A especulação imobiliária foi a maior causa da crise econômica em que a Espanha está desde a Grande Recessão mundial de 2008-9. Mais de 26% dos espanhóis em idade de trabalhar estão desempregados. Entre os jovens, o percentual passa de 55%. Em um quarto das famílias, ninguém está ganhando dinheiro regularmente.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Juiz Garzón é afastado por 11 anos na Espanha

O juiz de instrução Baltasar Garzón, que ficou famoso por mandar prender o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, foi condenado hoje por autorizar escutas telefônicas de conversas de suspeitos presos por corrupção e seus advogados. Ele foi afastado de suas funções por 11 anos.

Garzón é alvo de outro processo por investigar o desaparecimento de 114 mil pessoas do início da Guerra Civil Espanhola (1936-39) até 1951, no começo da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, violando uma lei de anistia aprovada em 1977.

Para o jornal The New York Times, o processo é uma reminiscência do fascismo. O escândalo político que levou à escuta telefônica envolve Partido Popular, de direita, que voltou ao poder em novembro passado por causa da crise econômica. É o herdeiro político do franquismo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Garzón nega ter ganho dinheiro do Santander

Em depoimento perante o Tribunal Supremo da Espanha, o juiz Baltasar Garzón negou hoje ter recebido dinheiro do banco Santander para organizar um curso de direito em Nova York.

Ao todo, o juiz mais famoso da Espanha enfrenta três processos Está sendo acusado de parar uma investigação contra o presidente Santander, de grampear telefones de membros do Partido Popular suspeitos de corrupção e de tentar investigar as 100 mil mortes atribuídas à ditadura do generalíssimo Francisco Franco.

Na saída do tribunal, o advogado de defesa afirmou que seu clientes declarou ao Supremo não ter recebido "nenhum dólar e nenhum centavo" do banco Santander ao organizar um curso patrocinado pelo banco. O juiz declarou que a administração financeira ficou toda a carta da Universidade de Nova York, que promoveu o curso.

Garzón ficou mundialmente conhecido quando mandou prender o general Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile (1973-90), detido em Londres em 16 de outubro de 1998, quando fazia tratamento médico na Inglaterra. Também investigou os crimes da última ditadura militar argentina (1976-83).

Quando quis fazer o mesmo na Espanha, Garzón esbarrou nos remanescentes do franquismo, que ainda dominam o lado mais conservador do espectro político espanhol.

A maioria dos crimes foi cometida durante a Guerra Civil (1936-39) e nos anos seguintes, na década de 40. Como o general Franco morreu em 1975 e a lei espanhola não permite punir delitos cometidos há mais de 30 anos, os crimes do franquismo estão prescritos.

Para as famílias que nunca souberam o destino final de seus filhos mortos, Garzón trouxe uma esperança. Seus partidários foram hoje para a frente do tribunal.

Se Garzón for suspenso de suas funções como querem seus acusadores, a única pessoa punida pelos crimes do franquismo será o juiz que tentou investigá-los.