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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Espanha convoca eleições antecipadas para 28 de abril

Dois dias depois de sua proposta de orçamento ser rejeitada pelo Parlamento da Espanha, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez convocou hoje eleições gerais antecipadas par 28 de abril, noticiou o jornal espanhol El País.

Nas duas últimas eleições, o resultado foi um Parlamento fragmentado pelo surgimento de novos partidos em consequência da Grande Recessão (2008-14), Podemos, de esquerda, e Cidadãos, de centro-direita.

Acabou com o duopólio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do conservador Partido Popular (PP), que se alternavam no poder desde 1982 com maioria no Congresso dos Deputados, de 350 cadeiras.

Nas eleições regionais na Andaluzia, em 2 de dezembro de 2018, pela primeira vez desde o fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, em 1975, a ultradireita voltou a um parlamento regional. O partido Vox ficou em quinto lugar, mas foi o fiel da balança para a formação de um governo de direita. O mesmo pode acontecer a nível nacional.

A ascensão da extrema direita, a exemplo do que acontece na maioria dos países da Europa, é atribuída, no caso da Espanha, à crise econômica, à onda de imigração da África e do Oriente Médio, e ao movimento pela independência da Catalunha.

O movimento nacionalista catalão apoiou Sánchez para derrubar, através de uma moção de desconfiança no Congresso. em junho de 2018, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, que adotara uma política intransigente, de linha dura contra os separatistas.

Sánchez, autor da moção de desconfiança, formou um governo de minoria sem convocar eleições. Dependia do apoio de outros partidos, inclusive do movimento nacionalista catalão.

Agora, quando começam no Tribunal Supremo da Espanha os processos contra os líderes separatistas, os partidos catalães votaram contra a proposta orçamentária dos socialistas para derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições.

As pesquisas colocam o PSOE em primeiro lugar, com 24% das preferências do eleitorado, mas é mais provável a formação de um governo conservador com PP (21%), Cidadãos (18%) e Vox (11%).
Eles somam 50% contra 39% da esquerda.

Unidos Podemos (UP), o partido formado pela fusão do Podemos com a Esquerda Unida, possível parceiro dos socialistas num governo de esquerda, está com 15%.

Um governo de direita deve manter a linha dura contra o movimento pela independência da Catalunha, levando a questão para a Justiça, onde seus líderes são acusados de traição. A esquerda buscaria um diálogo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Extrema direita apoia governo regional da Andaluzia

O partido Vox, ultranacionalista, eurocético e anti-imigrantes, anunciou hoje apoio ao novo governo conservador da região da Andaluzia, na Espanha, formado pelo Partido Popular e os Cidadãos, que precisa ser confirmado pela assembleia regional na próxima semana.

Mesmo ficando em quinto lugar nas eleições regionais de 2 de dezembro de 2018, Vox entrou pela primeira vez na assembleia regional andaluza e se tornou o fiel da balança por causa da fragmentação do sistema político espanhol depois da crise econômica de 2011.

Mas depois de fazer um acordo de 37 pontos com o PP para endossar a candidatura de seu líder, Juan Manuel Moreno, Vox entrou em atrito come Cidadãos, e acusou seu líder nacional, Albert Rivera, de "manobrar para diluir" a proposta de criação de uma Secretaria da Família.

Pela manhã, o líder regional dos Cidadãos, Juan Marín, declarou que, "em nosso pacto programático, não se contempla uma Secretaria da Família independente", respondendo a Javier Ortega, secretário do Vox.

"Cidadãos quer integrar esta pasta em Igualdade. Isso é não entender das coisas nem do jogo democrático. A prepotência de Cidadãos não cabe no jogo democrático", protestou Ortega. A criação da Secretaria de Políticas Sociais, Igualdade, Conciliação e Família é uma proposta dos Cidadãos.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) foi o mais votado, mas perdeu a maioria necessária para governar a Andaluzia. Mesmo numa aliança com a Esquerda Unida, não teria o controle do parlamento. A ex-governadora socialista, Susana Díaz, será líder da oposição.

A ultradireita não vai participar do governo andaluz, mas seu apoio será decisivo para aprovar o novo governo regional direitista. Com a fragmentação política do país, Vox pode integrar um governo conservador nacional depois das próximas eleições gerais, podem ser antecipadas porque o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez lidera um governo de minoria.

A ascensão do Vox é resultado da crise econômica, da onda migratória no Mar Mediterrâneo, que no ano passado chegou mais à Espanha, e do movimento pela independência da Catalunha. Seu programa defende o fim das autonomias regionais e o fortalecimento do governo central, em Madri.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Extrema direita ressurge na política da Espanha

O ultranacionalismo de caráter neofascista que assombra a Europa chegou à Espanha. Pela primeira vez desde a morte do ditador Francisco Franco, em 1975, e da redemocratização do país, um partido de extrema direita entra numa assembleia regional. Com 11% dos votos, o partido Vox elegeu 12 deputados na região da Andaluzia.

Vox será o quinto partido na assembleia regional, de 109 cadeiras, atrás do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, de centro-esquerda, que elegeu 33 deputados; do conservador Partido Popular (PP), de direita, com 26 cadeiras; do liberal de centro-direita Cidadãos, com 21 deputados; e da aliança esquerdista Avante Andaluzia, formada pelo Podemos e a Esquerda Unida, com 17.

Apesar da derrota, a governadora socialista Susana Díaz pretende formar o novo governo. Para isso, terá de formar uma ampla aliança com o AA e os Cidadãos. Mas o PP e os Cidadãos, que apoiavam o governo nacional do ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, estão dispostos a se aliar ao Vox para derrubar o PSOE, noticiou o jornal El País.

Juan Manuel Moreno, do PP, e Juan Marín, dos Cidadãos, precisam formar uma aliança para afastar Susana Díaz. Até agora, nenhum dos dois quer abrir mão da chefia do governo.

Os Cidadãos não pretendem apoiar o PSOE. Seu líder nacional, Albert Rivera, não repudiou a entrada no parlamento regional do Vox, liderado por Santiago Abascal, mas na política europeia seu partido faz parte da Aliança Liberal. Tem como sócio o presidente da França, Emmanuel Macron, e sua República em Marcha, que com certeza deve rejeitar uma aliança com a extrema direita.

Susana Díaz se aproveitou da situação para se apresentar como um freio à ascensão ao poder dos ultranacionalistas: "Não imagino Macron aceitando a extrema direita." Em seu raciocínio oportunista, "se eliminamos os 12 deputados de Vox, a esquerda teria ganho. Está em suas mãos parar a direita, mas se o que lhes importa é o poder a qualquer custo, ao custo de apoiar a extrema direita, vão em frente."

Se apoiarem o PSOE, os Cidadãos correm o risco de perder os eleitores que deixaram o PP nas últimas eleições nacionais. O PSOE e do PP se alternam no poder desde 1982, mas desde 2015 não conseguem maioria absoluta.

A ascensão da ultradireita é um reflexo da fragmentação da política espanhola depois da grave crise econômica de 2011 e uma reação ao movimento da independência da Catalunha e ao aumento do fluxo de refugiados.

Para conter o separatismo basco e catalão, Vox defende um regime centralizado, em que o governo nacional de Madri assuma o controle da educação, da saúde e da segurança pública. Quer reduzir a entrada de imigrantes, deportar os ilegais e combater as organizações não governamentais a favor da acolher refugiados que chegam da África e do Oriente Médio pelo Mar Mediterrâneo.

É contra a proposta de transformar a União Europeia numa federação. Defende a Europa das Nações. É contra o Acordo de Schengen, que aboliu o controle nas fronteiras internas da UE. Mas, ao contrário dos partidos de extrema direita da França, Reunião Nacional (antiga Frente Nacional), e da Holanda, Partido da Liberdade, abandonar o euro e a UE não estão entre suas prioridades. Seu foco é na política interna espanhola.

A Andaluzia é a região mais populosa e mais pobre da Espanha e uma das mais pobres da Europa. Suas eleições são uma prévia das próximas eleições gerais no país. Como o governo socialista de Pedro Sánchez não tem minoria no Parlamento, as eleições nacionais podem ser realizadas antes do fim do mandato do atual Congresso de Deputados, em 2020.

O próximo teste serão as eleições europeias maio de 2019, quando Vox poderá conquistar suas primeiras cadeiras no Parlamento Europeu, consolidando a posição da extrema direita na quarta maior economia da Zona do Euro e fortalecendo o bloco antifederalista, contrário a uma integração maior do continente.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Socialistas vencem eleições na Andaluzia

Com 35,4% dos votos, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda, venceu as eleições na região da Andaluzia sob a liderança regional de Susana Díaz, anunciou hoje o jornal espanhol El País.

O Partido Popular, de direita, pagou o preço do desgaste pelos cortes de gastos e aumentos de impostos para combater a crise econômica que elevou o desemprego acima de 25% da população em idade de trabalhar e acima de 50% entre os jovens. Ficou em segundo, com 26,7% dos votos, enquanto o novo partido esquerdista Podemos teve 14,8% e o novo partido liberal Cidadãos recebeu 9%.

As eleições municipais e regionais estão sendo examinadas como prévias das eleições nacionais previstas para dezembro de 2015.

Em 2011, sob a crise das dívidas públicas da periferia da Zona do Euro, o PP do atual primeiro-ministro Mariano Rajoy derrotou o governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero. Desde então, houve um forte desgaste dos partidos tradicionais e surgiram novas opções.

O Podemos acompanha as negociações do governo de esquerda radical da Grécia com o Grupo do Euro. Hoje a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, recebe em Berlim o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. Quer manter a Grécia na Eurozona, mas não está disposta a abrir mão dos princípios adotados no socorro aos países com problemas para saldar suas dívidas.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Morre o guitarrista flamenco Paco de Lucía

O guitarrista espanhol Paco de Lucía, que revolucionou o flamenco, uma música e dança de origem cigana, morreu hoje aos 66 anos de ataque cardíaco em Cancún, no México, noticiou o jornal espanhol El País.

Francisco Sánchez Gómez nasceu em Algeciras, na província de Cádiz, na Andaluzia, no Sul da Espanha, começou a tocar aos cinco anos sem ter estudado música. Nunca aprendeu a ler partituras. Era o maior representante da música flamenca, que popularizou e enriqueceu com influência de outros estilos como o jazz, a bossa nova e os blues.

Confira o show de um dos melhores violonistas do mundo no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, em 2012.