Um tribunal de recursos da China negou hoje provimento a um recurso apresentado pelo ex-dirigente comunista Bo Xilai contra sua condenação à prisão perpétua por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito, acabando com uma carreira meteórica de estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista. Quando caiu em desgraça, ele era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, candidato ao Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que mandam na China.
Como líder do partido e governador da província de Xunquim, Bo Xilai resgatou métodos, a cultura vermelha do tempo de Mao Tsé-tung e até hinos de propaganda da Revolução Cultural a pretexto de combater a corrupção. Tentou criar uma nova esquerda mais estatizante, alternativa às políticas econômicas liberais adotadas a partir das reformas de Deng Xiaoping, sem abrir mão do investimento estrangeiro. Hoje a China é outra.
Bo Xilai investiu maciçamente em obras públicas, com casas subsidiadas para os pobres, e numa imagem de rigoroso e implacável com a corrupção. Em 2008, nas estatísticas oficiais, Xunquim cresceu 14,3%, acima dos cerca de 8% da China como um todo.
Na luta pelo poder, Bo montou um esquema de espionagem que teria escutado clandestinamente telefonemas do presidente Hu Jintao. Talvez essa infração à disciplina e à hierarquia interna do PC chinês tenha sido fatal para suas ambições.
Sua administração policialesca, marcada por abusos de poder e perseguições políticas, terminou quando seu vice e chefe de polícia pediu asilo num consulado dos Estados Unidos para denunciar Gu Kailai pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, encontrado morto em 14 de novembro de 2011 num quarto de hotel em Xunquim.
Heywood era intermediário de negócios internacionais ilícitos do casal, que teria US$ 136 milhões no exterior, de acordo com reportagem da agência de notícias Bloomberg na época. Estaria pedindo comissões maiores, sob ameaça de revelar a trilha do dinheiro sujo de Bo Xilai e Gu Kailai. Foi envenenado por ela em cumplicidade com um assessor e o chefe de polícia de Xunquim.
Quando a Comissão Central de Inspeções Disciplinares do PC iniciou investigações na cidade de Xunquim, no início de 2012, um dos alvos eram Wang Lijun, o chefe de polícia e vice-governador que tinha sido o segundo de Bo nas campanhas anticorrupção.
Sob pressão da investigação aberta pelo governo central, em 16 de janeiro de 2012, Wang teria confrontado Bo, dizendo que tinha provas do crime cometido por Gu. No primeiro momento, o chefe teria mandado prosseguir o inquérito mas, a partir daí, começou a obstruir a investigação.
Em 2 de fevereiro de 2012, Wang foi afastado do inquérito, nomeado vice-governador para educação, ciência e meio ambiente, e colocado sob vigilância. Temendo pela vida, em 6 de fevereiro, pediu asilo ao Consulado Americano em Chengdu.
Bo foi afastado do cargo de líder regional do PC e governador provincial em 15 de março de 2012. Teve apenas um voto a favor no Comitê Permanente, na época com nove membros ou nove imperadores.
Em 10 de abril de 2012, Bo foi suspenso temporariamente do Comitê Central e do Politburo por estar sendo investigado por "sérias violações disciplinares". Em 28 de setembro, o Politburo decidiu pediu sua expulsão do partido. Em 26 de outubro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, retirou-lhe os últimos cargos públicos.
Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte em agosto de 2012 pelo assassinato de Heywood, com sentença convertida temporariamente em prisão perpétua, o que dificilmente aconteceria se o marido não tivesse caído em desgraça.
Dias antes do início do 18º Congresso Nacional do PC da China, em 4 de novembro de 2012, Bo foi formalmente expulso do partido. Isso abriu caminho para seu julgamento por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito que o condenou, em 23 de setembro de 2013, a ficar preso até o fim da vida.
Foi o processo mais politizado desde que a Gangue dos Quatro, liderada pela viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por mortes, traição e abuso de poder, em 1981.
No tribunal, Bo rejeitou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição política. Agora, perdeu o último recurso. Acabou ele próprio servindo de exemplo para a campanha anticorrupção lançada pelo novo presidente Xi Jinping.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
China condena Bo Xilai à prisão perpétua
Há um ano e meio, ele era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, saudosa do tempo de Mao Tsé-tung. Hoje, Bo Xilai foi condenado à prisão perpétua por aceitar suborno no valor de US$ 3,6 milhões, desviar US$ 800 mil em dinheiro público e abusar do poder para encobrir o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto por sua mulher em novembro de 2011.
Foi a queda do poder mais espetacular desde que a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por alta traição, em 1981.
Bo era governador e líder do partido na cidade-estado de Xunquim, onde aplicou os métodos policiais da era maoísta para combater a corrupção e resgatou músicas patrióticas do tempo da Revolução Industrial (1966-76), o período mais conturbado da revolução comunista na China.
Durante todo o processo, Bo desafiou o tribunal, apresentando-se como vítima de perseguição política e de um processo forjado. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de 25 membros, e ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, os agora "sete imperadores" que governam a China, no fim do ano passado.
Foi a queda do poder mais espetacular desde que a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por alta traição, em 1981.
Bo era governador e líder do partido na cidade-estado de Xunquim, onde aplicou os métodos policiais da era maoísta para combater a corrupção e resgatou músicas patrióticas do tempo da Revolução Industrial (1966-76), o período mais conturbado da revolução comunista na China.
Durante todo o processo, Bo desafiou o tribunal, apresentando-se como vítima de perseguição política e de um processo forjado. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de 25 membros, e ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, os agora "sete imperadores" que governam a China, no fim do ano passado.
domingo, 18 de agosto de 2013
Ex-dirigente chinês Bo Xilai começa a ser julgado
Começa nesta quinta-feira o julgamento do ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, denunciado por suborno, corrupção e abuso de poder. É o mais importante processo com implicações políticas desde que a Gangue dos Quatro, da qual participava a viúva de Mao Tsé-tung, foi condenada por alta traição, em 1981.
Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, cargo equivalente a governador, membro do Politburo do Comitê Central do PC e estrela em ascensão da esquerda maoísta. Ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, o grupo que realmente manda na China, e a dirigente máximo do país.
Sua mulher Gu Kailai foi condenada à morte com uma sentença suspensa e transformada provisoriamente em prisão perpétua pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria intermediário nos negócios internacionais do casal. A mãe de Heywood reclamou recentemente que os filhos dele ficaram desamparados.
O caso revelou aos chineses os desmandos e a vida luxuosa levada por altos dirigentes do partido com o enriquecimento do país.
Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, cargo equivalente a governador, membro do Politburo do Comitê Central do PC e estrela em ascensão da esquerda maoísta. Ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, o grupo que realmente manda na China, e a dirigente máximo do país.
Sua mulher Gu Kailai foi condenada à morte com uma sentença suspensa e transformada provisoriamente em prisão perpétua pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria intermediário nos negócios internacionais do casal. A mãe de Heywood reclamou recentemente que os filhos dele ficaram desamparados.
O caso revelou aos chineses os desmandos e a vida luxuosa levada por altos dirigentes do partido com o enriquecimento do país.
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domingo, 23 de setembro de 2012
Ex-chefe de polícia de Bo Xilai pega 15 anos de prisão
O ex-chefe de polícia e ex-vice-prefeito de Bo Xilai na cidade e província de Xunquim, na China, Wang Lijun foi condenado por um tribunal da cidade de Chengdu a 15 anos de prisão por quatro acusações: abuso de poder, corrupção, deserção e conspiração para ocultar o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto em 13 de novembro do ano passado pela mulher de Bo, Gu Kailai, informou há pouco a agência oficial de notícias Nova China.
Depois do crime, Wang Lijun conseguiu gravar uma confissão da mulher do chefe. Quando Wang comentou o assunto com Bo, no início de fevereiro, diante da reação violenta do então alto dirigente do Partido Comunista, ele se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Sob pressão das autoridades chinesas, saiu e entregou as provas que tinha à polícia. Isso foi decisivo para a condenação à morte de Gu Kailai, que está com a pena suspensa temporariamente com grande chance de ser convertida em prisão perpétua.
Bo era a grande estrela em ascensão da linha dura maoísta. Como membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, era um dos 25 homens mais poderosos da China. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente do Politburo, os nove imperadores que mandam de fato no país.
Em março de 2012, ele perdeu a liderança do partido e, em abril, todos seus outros cargos, no maior escândalo político em mais de 30 anos na China, desde que a viúva de Mao Tsé-tung e os outros membros da Gangue dos Quatro foram condenados, em 1981.
Depois do crime, Wang Lijun conseguiu gravar uma confissão da mulher do chefe. Quando Wang comentou o assunto com Bo, no início de fevereiro, diante da reação violenta do então alto dirigente do Partido Comunista, ele se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Sob pressão das autoridades chinesas, saiu e entregou as provas que tinha à polícia. Isso foi decisivo para a condenação à morte de Gu Kailai, que está com a pena suspensa temporariamente com grande chance de ser convertida em prisão perpétua.
Bo era a grande estrela em ascensão da linha dura maoísta. Como membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, era um dos 25 homens mais poderosos da China. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente do Politburo, os nove imperadores que mandam de fato no país.
Em março de 2012, ele perdeu a liderança do partido e, em abril, todos seus outros cargos, no maior escândalo político em mais de 30 anos na China, desde que a viúva de Mao Tsé-tung e os outros membros da Gangue dos Quatro foram condenados, em 1981.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Chefe de polícia de Bo Xilai é acusado na China
O ex-chefe de polícia da cidade e da província de Xunquim sob a liderança do ex-dirigente comunista Bo Xilai, Wang Lijun, que na prática era vice-prefeito e vice-governador, foi denunciado hoje pela Justiça da China de abuso de poder, corrupção e defecção. Não foi acusado de traição, geralmente punida com a pena de morte.
Wang colaborou com a mulher de Bo, Gu Kailai, na conspiração matar o empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, mas acabou gravando uma confissão de Gu, que entregou às autoridades chinesas em fevereiro de 2012, depois de se refugiar no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Em março deste ano, Bo, estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, foi afastado da liderança do Partido Comunista em Xunquim por "graves violações disciplinares", mas não foi acusado de nenhum crime. Em abril, Bo perdeu todos os outros cargos.
Bo Xilai era membro do Politburo, de 25 membros, o órgão encarregado de formular as políticas do partido. Sonhava em ser elevado para o Comitê Permanente do Politburo, formado por nove líderes, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.
"Para manter a unidade do PC" neste ano difícil de escolha dos dirigentes que devem dominar a política chinesa nos próximos dez anos, "porque Bo Xilai tem apoios poderosos, o presidente Hu Jintao teria decidido tratá-lo com leveza", declarou o analista Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong, citado pelo jornal The New York Times.
Hu deixa no fim do ano a liderança do partido. Deve ser substituído pelo vice-presidente Xi Jinping, que no próximo ano assume também a Presidência da China. Talvez Hu mantenha a presidência da comissão militar do comitê central, que supervisiona o Exército Popular de Libertação. Era o único cargo de Deng Xiaoping, que era o dirigente máximo do país, mas formalmente não tinha nenhum outro cargo.
Wang colaborou com a mulher de Bo, Gu Kailai, na conspiração matar o empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, mas acabou gravando uma confissão de Gu, que entregou às autoridades chinesas em fevereiro de 2012, depois de se refugiar no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Em março deste ano, Bo, estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, foi afastado da liderança do Partido Comunista em Xunquim por "graves violações disciplinares", mas não foi acusado de nenhum crime. Em abril, Bo perdeu todos os outros cargos.
Bo Xilai era membro do Politburo, de 25 membros, o órgão encarregado de formular as políticas do partido. Sonhava em ser elevado para o Comitê Permanente do Politburo, formado por nove líderes, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.
"Para manter a unidade do PC" neste ano difícil de escolha dos dirigentes que devem dominar a política chinesa nos próximos dez anos, "porque Bo Xilai tem apoios poderosos, o presidente Hu Jintao teria decidido tratá-lo com leveza", declarou o analista Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong, citado pelo jornal The New York Times.
Hu deixa no fim do ano a liderança do partido. Deve ser substituído pelo vice-presidente Xi Jinping, que no próximo ano assume também a Presidência da China. Talvez Hu mantenha a presidência da comissão militar do comitê central, que supervisiona o Exército Popular de Libertação. Era o único cargo de Deng Xiaoping, que era o dirigente máximo do país, mas formalmente não tinha nenhum outro cargo.
domingo, 19 de agosto de 2012
Gu Kailai pega pelo menos 40 anos de cadeia
Gu Kailai, a mulher do ex-direigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, foi condenada à morte pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, mas teve sua pena suspensa. Em dois anos, ela deve ser comutada para prisão perpétua, mas a recomendação é de que a ré fique pelo menos 40 anos na prisão.
Seu processo foi o mais espetacular em 30 anos na China, desde que a Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-ting, Jiang Ching, foi condenada em 1981 por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
Como a regra na China é que assassinato se pune com a pena de morte, há uma onda de protestos na Internet chinesa denunciando que a elite tem direito a um tratamento especial - tudo o que o PC quer evitar com um processo em que a riqueza do casal não foi investigada.
Seu processo foi o mais espetacular em 30 anos na China, desde que a Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-ting, Jiang Ching, foi condenada em 1981 por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
Como a regra na China é que assassinato se pune com a pena de morte, há uma onda de protestos na Internet chinesa denunciando que a elite tem direito a um tratamento especial - tudo o que o PC quer evitar com um processo em que a riqueza do casal não foi investigada.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Extorsão é apontada como causa do crime de Gu Kailai
Ao confessar sua culpa por assassinato num processo com todas as características dos processos da era de Josef Stalin na União Soviética, Gu Kailai, mulher do ex-dirigente da alta cúpula do Partido Comunista da China Bo Xilai, justificou o crime alegando que precisava proteger seu filho da extorsão e das ameaças do empresário britânico Neil Heywood.
Um dia depois, os detalhes do julgamento-relâmpago começam a vir a tona. Houve uma confissão de culpa, mas o veredito ainda não foi anunciado oficialmente.
O regime comunista chinês tenta enterrar rapidamente um escândalo que revela um pouco do seu lado obscuro e sinistro: a luta palaciana dentro do governo e do partido, um padrão de abuso de poder de quem confia na impunidade, privilégios feudais e uma riqueza pessoal incompatível com uma sociedade que ainda se apresenta como socialista.
Bo Xilai foi afastado em março da chefia do Partido Comunista na megacidade de Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, foi expurgado do Politburo do Comitê Central do PC, mas nenhum crime lhe foi imputado. A condenação de sua mulher, filha de um general do Exército Popular de Libertação, por assassinato sela o destino do casal que caiu em desgraça.
Na denúncia apresentada no tribunal da distante cidade de Hefei, na província de Anhui, os promotores sustentaram que o empresário pediu dezenas de milhões de dólares a Bo Guagua, de 24 anos, formado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e pós-graduado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Heywood chegou a prendê-lo em cárcere privado numa casa na Inglaterra e enviou emails ameaçando-o de morte.
A reação de Gu Kailai revelou um lado sombrio de prepotência e abuso de poder da alta cúpula do governo e do PC chineses. É o exercício do poder de forma crua e brutal. Ela conspirou com o chefe de polícia do governo de seu marido na cidade e província de Xunquim, que acabou gravando sua confissão.
Em novembro, Heywood, de 41 anos, foi encontrado morto no hotel de luxo em Xunquim. No primeiro momento, sua morte foi atribuída a um ataque cardíaco causado por excesso de álcool. Agora, a defesa voltou a insistir na tese da bebedeira como verdadeira causa da morte, argumentando que a quantidade de cianeto de potássio usada era insuficiente para matar um homem do peso do britânico.
Na manhã de hoje, Zhao Chiangcha, um estudante universitário da província de Anhui que disse ter estado no tribunal publicou um relato detalhado na rede social chinesa renren.com removido horas depois.
A maioria das informações, reporta o jornal The New York Times, foi confirmada pela agência de notícias oficial Nova China e pelo advogado Li Xiaolin, defensor de Zhang Xiaojun, um assessor de Bo e Gu que também foi processado.
Para especialistas em direito, a julgamento foi mais um teatro político previamente ensaiado do que uma tentativa de fazer justiça. O possível envolvimento de Bo jamais foi cogitado.
Pelos relatos do tribunal, Heywood morava há muitos anos na China quando conheceu Bo Guagua na Inglaterra em 2003 e se aproximou do filho do dirigente comunista na esperança de usar sua influência para fazer grandes negócios.
Quando a empreitada não deu certo, o empresário britânico teria exigido US$ 22 bilhões, cerca de 10% do que sonhava ganhar se o negócio desse certo. Heywood chegou a deter o jovem Bo numa casa na Inglaterra e mandou uma mensagem de correio eletrônico ameaçando "destruir você".
Neste momento, Gu Kailai achou que era hora de proteger seu "coelhinho", como ela chamou o filho num email. Na megacidade de Xunquim, Bo Xilai era chefe do PC; na prática, era prefeito e governador da província ao redor.
Gu pediu ajuda ao chefe de polícia de Xunquim, Wang Lijun, um subordinado de seu marido com papel importante nas campanhas de combate à corrupção lançadas por Bo Xilai, que resgatou práticas abusivas da era de Mao Tsé-tung e até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural. Houve protestos de neomaoístas em defesa de Bo Xilai, mas não no tribunal, onde ele não estava em julgamento.
Quando Wang Lijun disse que não poderia ajudar, Gu teria entrado em pânico. Ela decidiu agir por conta própria. Tentou armar um flagrante por tráfico de drogas em que a polícia de Xunquim atiraria alegando que Heywood tinha resistido à prisão - um "auto de resistência" no modelo chinês. Wang ajudou a conspirar, mas não quis executar o plano.
Talvez o envenenamento fosse uma alternativa mais discreta. Gu saiu atrás de veneno para cães e ratos. Ao todo, sete pessoas foram presas por ajudá-la a comprar a substância usada para matar Heywood.
Em 10 de novembro de 2011, prossegue a reconstituição do crime feita no tribunal, Zhang Xiaojun, um militar da reserva que tinha servido ao pai de Gu, foi a Beijim convidar o empresário britânico a visitar Xunquim. Gu revelou seus planos a Wang Lijun, o chefe de polícia, na tarde de 13 de novembro.
À noite, Gu Kailai jantou com sua vítima. Depois, pediu ao motorista que comprasse uma garrafa de uísque Royal Salute. Ela preparou o veneno e entregou tudo a Zhang, que sabia do plano e não queria participar, mas acabou concordando para não contrariar uma família tão poderosa, na descrição dos promotores.
Por volta das onze da noite, Gu levou Heywood até o exclusivo hotel Nanshan Lijing Resort, onde o empresário britânico estava hospedado na cabana 1605. Eles tomaram uísque até Heywood ficar bêbado a ponto de se deitar e pedir um copo d'água, o que para um britânico costuma exigir muitas doses de alcool.
Neste momento, Zhang chegaria com o veneno. A água que deveria saciar a sede de Heywood acabou por matá-lo. Gu espalhou drogas pelo quarto para simular a hipótese de envenenamento por álcool e drogas de farmácia. Teria abandonado a cena do crime às 23h38.
No dia seguinte, quando Gu contou o assassinato ao chefe de polícia, ele gravou a conversa. Esse relato chegou às autoridades chinesas. Foi uma das peças centrais da acusação.
O corpo de Heywood foi encontrado por funcionários do hotel em 15 de novembro. Quando a polícia chegou, Wang Lijun chefiou a investigação. Para encobrir o crime, eles coletaram provas para forjar uma perícia confirmando a versão de morte por embriaguez.
Quando Wang foi demitido por Bo Xilai, em janeiro de 2012, ele foi até o Consulado dos EUA em Chengdu e contou a história a diplomatas americanos antes de entregar a gravação com a confissão de Gu às autoridades chinesas.
Um dia depois, os detalhes do julgamento-relâmpago começam a vir a tona. Houve uma confissão de culpa, mas o veredito ainda não foi anunciado oficialmente.
O regime comunista chinês tenta enterrar rapidamente um escândalo que revela um pouco do seu lado obscuro e sinistro: a luta palaciana dentro do governo e do partido, um padrão de abuso de poder de quem confia na impunidade, privilégios feudais e uma riqueza pessoal incompatível com uma sociedade que ainda se apresenta como socialista.
Bo Xilai foi afastado em março da chefia do Partido Comunista na megacidade de Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, foi expurgado do Politburo do Comitê Central do PC, mas nenhum crime lhe foi imputado. A condenação de sua mulher, filha de um general do Exército Popular de Libertação, por assassinato sela o destino do casal que caiu em desgraça.
Na denúncia apresentada no tribunal da distante cidade de Hefei, na província de Anhui, os promotores sustentaram que o empresário pediu dezenas de milhões de dólares a Bo Guagua, de 24 anos, formado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e pós-graduado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Heywood chegou a prendê-lo em cárcere privado numa casa na Inglaterra e enviou emails ameaçando-o de morte.
A reação de Gu Kailai revelou um lado sombrio de prepotência e abuso de poder da alta cúpula do governo e do PC chineses. É o exercício do poder de forma crua e brutal. Ela conspirou com o chefe de polícia do governo de seu marido na cidade e província de Xunquim, que acabou gravando sua confissão.
Em novembro, Heywood, de 41 anos, foi encontrado morto no hotel de luxo em Xunquim. No primeiro momento, sua morte foi atribuída a um ataque cardíaco causado por excesso de álcool. Agora, a defesa voltou a insistir na tese da bebedeira como verdadeira causa da morte, argumentando que a quantidade de cianeto de potássio usada era insuficiente para matar um homem do peso do britânico.
Na manhã de hoje, Zhao Chiangcha, um estudante universitário da província de Anhui que disse ter estado no tribunal publicou um relato detalhado na rede social chinesa renren.com removido horas depois.
A maioria das informações, reporta o jornal The New York Times, foi confirmada pela agência de notícias oficial Nova China e pelo advogado Li Xiaolin, defensor de Zhang Xiaojun, um assessor de Bo e Gu que também foi processado.
Para especialistas em direito, a julgamento foi mais um teatro político previamente ensaiado do que uma tentativa de fazer justiça. O possível envolvimento de Bo jamais foi cogitado.
Pelos relatos do tribunal, Heywood morava há muitos anos na China quando conheceu Bo Guagua na Inglaterra em 2003 e se aproximou do filho do dirigente comunista na esperança de usar sua influência para fazer grandes negócios.
Quando a empreitada não deu certo, o empresário britânico teria exigido US$ 22 bilhões, cerca de 10% do que sonhava ganhar se o negócio desse certo. Heywood chegou a deter o jovem Bo numa casa na Inglaterra e mandou uma mensagem de correio eletrônico ameaçando "destruir você".
Neste momento, Gu Kailai achou que era hora de proteger seu "coelhinho", como ela chamou o filho num email. Na megacidade de Xunquim, Bo Xilai era chefe do PC; na prática, era prefeito e governador da província ao redor.
Gu pediu ajuda ao chefe de polícia de Xunquim, Wang Lijun, um subordinado de seu marido com papel importante nas campanhas de combate à corrupção lançadas por Bo Xilai, que resgatou práticas abusivas da era de Mao Tsé-tung e até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural. Houve protestos de neomaoístas em defesa de Bo Xilai, mas não no tribunal, onde ele não estava em julgamento.
Quando Wang Lijun disse que não poderia ajudar, Gu teria entrado em pânico. Ela decidiu agir por conta própria. Tentou armar um flagrante por tráfico de drogas em que a polícia de Xunquim atiraria alegando que Heywood tinha resistido à prisão - um "auto de resistência" no modelo chinês. Wang ajudou a conspirar, mas não quis executar o plano.
Talvez o envenenamento fosse uma alternativa mais discreta. Gu saiu atrás de veneno para cães e ratos. Ao todo, sete pessoas foram presas por ajudá-la a comprar a substância usada para matar Heywood.
Em 10 de novembro de 2011, prossegue a reconstituição do crime feita no tribunal, Zhang Xiaojun, um militar da reserva que tinha servido ao pai de Gu, foi a Beijim convidar o empresário britânico a visitar Xunquim. Gu revelou seus planos a Wang Lijun, o chefe de polícia, na tarde de 13 de novembro.
À noite, Gu Kailai jantou com sua vítima. Depois, pediu ao motorista que comprasse uma garrafa de uísque Royal Salute. Ela preparou o veneno e entregou tudo a Zhang, que sabia do plano e não queria participar, mas acabou concordando para não contrariar uma família tão poderosa, na descrição dos promotores.
Por volta das onze da noite, Gu levou Heywood até o exclusivo hotel Nanshan Lijing Resort, onde o empresário britânico estava hospedado na cabana 1605. Eles tomaram uísque até Heywood ficar bêbado a ponto de se deitar e pedir um copo d'água, o que para um britânico costuma exigir muitas doses de alcool.
Neste momento, Zhang chegaria com o veneno. A água que deveria saciar a sede de Heywood acabou por matá-lo. Gu espalhou drogas pelo quarto para simular a hipótese de envenenamento por álcool e drogas de farmácia. Teria abandonado a cena do crime às 23h38.
No dia seguinte, quando Gu contou o assassinato ao chefe de polícia, ele gravou a conversa. Esse relato chegou às autoridades chinesas. Foi uma das peças centrais da acusação.
O corpo de Heywood foi encontrado por funcionários do hotel em 15 de novembro. Quando a polícia chegou, Wang Lijun chefiou a investigação. Para encobrir o crime, eles coletaram provas para forjar uma perícia confirmando a versão de morte por embriaguez.
Quando Wang foi demitido por Bo Xilai, em janeiro de 2012, ele foi até o Consulado dos EUA em Chengdu e contou a história a diplomatas americanos antes de entregar a gravação com a confissão de Gu às autoridades chinesas.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
China tem maior julgamento político em décadas
O regime comunista da China dá início hoje a seu maior julgamento político desde 1981, quando a Gangue dos Quatro, à qual pertencia a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, foi condenada por atividades antipartidárias durante a Revolução Cultural (1966-76). Hoje, está no banco dos réus Gu Kailai, mulher do ex-dirigente comunista Bo Xilai, acusada de assassinar um empresário britânico.
Em nota, o tribunal informou que o julgamento está encerrado, mas ainda chegou a um veredito.
Bo era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, quando foi afastado, em março de 2012, da chefia do PC na cidade de Xunquim. Em abril, ele foi expurgado de todos os cargos que tinha no partido, onde era um dos 25 membros do Politburo.
Seu sonho era chegar ao Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China de fato, em eleições internas previstas para o fim do ano.
A queda espetacular de Bo Xilai é um dos temas mais importantes nas redes sociais chinesas, rigidamente controladas pela ditadura. Tanto ele quanto a mulher são filhos de altos dirigentes do partido, parte da aristocracia comunista.
Para abafar o julgamento, o processo corre em Hefei, uma pequena cidade do interior, distante dos grandes centros, com o objetivo de apresentar a morte de Neil Heywood como um episódio isolado, sem maior relação com a disputa de poder interna no partido e no governo. Ele seria um dos operadores das transações internacionais ilícitas do casal.
Em nota, o tribunal informou que o julgamento está encerrado, mas ainda chegou a um veredito.
Bo era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, quando foi afastado, em março de 2012, da chefia do PC na cidade de Xunquim. Em abril, ele foi expurgado de todos os cargos que tinha no partido, onde era um dos 25 membros do Politburo.
Seu sonho era chegar ao Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China de fato, em eleições internas previstas para o fim do ano.
A queda espetacular de Bo Xilai é um dos temas mais importantes nas redes sociais chinesas, rigidamente controladas pela ditadura. Tanto ele quanto a mulher são filhos de altos dirigentes do partido, parte da aristocracia comunista.
Para abafar o julgamento, o processo corre em Hefei, uma pequena cidade do interior, distante dos grandes centros, com o objetivo de apresentar a morte de Neil Heywood como um episódio isolado, sem maior relação com a disputa de poder interna no partido e no governo. Ele seria um dos operadores das transações internacionais ilícitas do casal.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Mulher de Bo Xilai é denunciada por homicídio
LONDRES - Em mais um lance do mais espetacular escândalo político em décadas na China, Gu Kailai, mulher do ex-dirigente do Partido Comunista Bo Xilai, foi acusada formalmente pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria um dos agentes das transações internacionais do casal, informou hoje a agência oficial Nova China.
Bo era a principal estrela da linha dura em ascensão no PC chinês. Como prefeito e governador da cidade-província de Xunquim, resgatou métodos políticos, lemas e até hinos do tempo da Revolução Cultural (1966-76). Era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do partido. Sonhava em ser eleito no fim deste ano para o Comitê Permanente do Politburo e tornar um dos chamados nove imperadores que governam a China.
Em março, ele foi afastado do governo de Xunquim. Em abril, perdeu todos os cargos que ainda tinha dentro do partido. Sua mulher foi presa por suspeita de envenenamento de Heywood.
A orientação interna do presidente Hu Jintao e do vice-presidente Xi Jinping, que deve assumir a liderança do partido no fim deste ano e a Presidência da China em 2013, é tratar a queda espetacular de Bo como um caso isolado, descartando a sugestão do primeiro-ministro Wen Jiabao de retomar a discussão sobre a reforma política.
Por mais que a China tenha se desenvolvido nas últimas décadas, a disputa pelo poder entre suas elites ainda é cruel e brutal. O escândalo também chamou a atenção da opinião pública chinesa, reprimida pela ditadura comunista, para os privilégios dos chamados principezinhos, os filhos de altos dirigentes da geração de Mao Tsé-tung, que fez a revolução.
Tanto Bo Xilai quanto Xi Jinping foram vítimas de perseguição a seus pais durante a Revolução Cultural. Mas depois que os pais foram reabilitados, ajudaram seus filhos a subir na hierarquia do partido e do governo.
Bo era a principal estrela da linha dura em ascensão no PC chinês. Como prefeito e governador da cidade-província de Xunquim, resgatou métodos políticos, lemas e até hinos do tempo da Revolução Cultural (1966-76). Era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do partido. Sonhava em ser eleito no fim deste ano para o Comitê Permanente do Politburo e tornar um dos chamados nove imperadores que governam a China.
Em março, ele foi afastado do governo de Xunquim. Em abril, perdeu todos os cargos que ainda tinha dentro do partido. Sua mulher foi presa por suspeita de envenenamento de Heywood.
A orientação interna do presidente Hu Jintao e do vice-presidente Xi Jinping, que deve assumir a liderança do partido no fim deste ano e a Presidência da China em 2013, é tratar a queda espetacular de Bo como um caso isolado, descartando a sugestão do primeiro-ministro Wen Jiabao de retomar a discussão sobre a reforma política.
Por mais que a China tenha se desenvolvido nas últimas décadas, a disputa pelo poder entre suas elites ainda é cruel e brutal. O escândalo também chamou a atenção da opinião pública chinesa, reprimida pela ditadura comunista, para os privilégios dos chamados principezinhos, os filhos de altos dirigentes da geração de Mao Tsé-tung, que fez a revolução.
Tanto Bo Xilai quanto Xi Jinping foram vítimas de perseguição a seus pais durante a Revolução Cultural. Mas depois que os pais foram reabilitados, ajudaram seus filhos a subir na hierarquia do partido e do governo.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Arquiteto francês é preso no caso Bo Xilai
A pedido da China, o Camboja prendeu o arquiteto francês Patrick Devillers, acusado de envolvimento com o ex-dirigente do Partido Comunista chinês Bo Xilai, um expoente da linha dura que caiu em desgraça em março de 2012 em meio a um escândalo de abuso de poder, assassinato e corrupção.
Em Paris, o Ministério do Exterior da França prometeu todo o apoio consular ao arquiteto.
Devillers era um dos dois estrangeiros ligados a Gu Kailai, esposa de Bo, presa sob suspeita de participação no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, acusado de intermediar transações internacionais ilícitas do casal.
Bo Xilai era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC chinês. Articulava apoio para ser eleito no fim do ano para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China, hoje o segundo país mais rico e poderoso do mundo, rumo ao primeiro lugar.
Como líder do partido e governador da cidade-província de Xunquim, Bo resgatou políticas da linha dura da era maoísta. Perseguiu empresários denunciados por corrupção e adversários políticos, sendo acusado de abuso de poder. Até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural eram entoadas.
Em março deste ano, Bo foi removido da liderança do partido em Xunquim. No mês seguinte, foi afastado também do Politburo, na queda mais espetacular de um dirigente chinês desde que o então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, foi deposto, em 1989, por se recusar a apoiar a repressão do Exército Popular de Libertação ao movimento dos estudantes pela democracia e liberdade que resultou no massacre na Praça da Paz Celestial.
Devillers foi advertido várias vezes de que corria perigo no Camboja por causa das boas relações do governo deste país com o regime comunista chinês. Sua prisão foi anunciada seis dias depois da visita a Phnom Penh, a capital cambojana, de Hu Guoqiang, membro do Comitê Permanente e Chefe da Comissão Central para Inspeções Disciplinares.
Quando Gu Kailai abriu uma empresa no Reino Unido para contratar arquitetos para realizar projetos na China, deu o mesmo endereço, em Bournemouth, usado por Devillers. Em 2006, quando ele e seu pai criaram uma companhia imobiliária em Luxemburgo, deram como endereço principal da firma um escritório de Gu em Beijim.
A China tem regras estritas para investimentos no exterior e fiscaliza de perto a participação de funcionários públicos nestes negócios, observa o jornal The New York Times.
Em Paris, o Ministério do Exterior da França prometeu todo o apoio consular ao arquiteto.
Devillers era um dos dois estrangeiros ligados a Gu Kailai, esposa de Bo, presa sob suspeita de participação no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, acusado de intermediar transações internacionais ilícitas do casal.
Bo Xilai era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC chinês. Articulava apoio para ser eleito no fim do ano para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos chamados nove imperadores que governam a China, hoje o segundo país mais rico e poderoso do mundo, rumo ao primeiro lugar.
Como líder do partido e governador da cidade-província de Xunquim, Bo resgatou políticas da linha dura da era maoísta. Perseguiu empresários denunciados por corrupção e adversários políticos, sendo acusado de abuso de poder. Até canções triunfalistas do tempo da Revolução Cultural eram entoadas.
Em março deste ano, Bo foi removido da liderança do partido em Xunquim. No mês seguinte, foi afastado também do Politburo, na queda mais espetacular de um dirigente chinês desde que o então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, foi deposto, em 1989, por se recusar a apoiar a repressão do Exército Popular de Libertação ao movimento dos estudantes pela democracia e liberdade que resultou no massacre na Praça da Paz Celestial.
Devillers foi advertido várias vezes de que corria perigo no Camboja por causa das boas relações do governo deste país com o regime comunista chinês. Sua prisão foi anunciada seis dias depois da visita a Phnom Penh, a capital cambojana, de Hu Guoqiang, membro do Comitê Permanente e Chefe da Comissão Central para Inspeções Disciplinares.
Quando Gu Kailai abriu uma empresa no Reino Unido para contratar arquitetos para realizar projetos na China, deu o mesmo endereço, em Bournemouth, usado por Devillers. Em 2006, quando ele e seu pai criaram uma companhia imobiliária em Luxemburgo, deram como endereço principal da firma um escritório de Gu em Beijim.
A China tem regras estritas para investimentos no exterior e fiscaliza de perto a participação de funcionários públicos nestes negócios, observa o jornal The New York Times.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Bo Xilai grampeou telefone de líderes da China
Quando o presidente Hu Jintao ligou para um investigador anticorrupção que inspecionava a cidade de Xunquim em agosto de 2011, equipamentos de contraespionagem detectaram que o telefone tinha sido grampeado pela polícia local, a serviço de Bo Xilai.
Até agora, o expurgo de Bo tinha sido atribuído a um suposto neomaoísmo, com defesa da economia estatal, combate impiedoso à corrupção e um culto de personalidade com cantorias do tempo da Revolução Cultural (1966-76).
A primeira revelação do escândalo foi a morte do empresário britânico Neil Heywood, em novembro, inicialmente atribuída ao abuso de álcool. Neste mês, a mulher de Bo, Gu Kailai, foi presa e acusada pelo assassinato. O britânico seria o elo internacional com os negócios sujos do casal. Teria sido envenenado, mas seu corpo foi cremado. Não há provas.
A escuta telefônica clandestina de altos dirigentes, até agora só mencionada em documentos sigilosos do Partido Comunista teria sido crucial para deflagrar a destruição do Bo Xilai.
Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC, candidato a ser escolhido até o fim do ano como um dos nove membros do Comitê Permanente, os nove imperadores que governam a China.
Até agora, o expurgo de Bo tinha sido atribuído a um suposto neomaoísmo, com defesa da economia estatal, combate impiedoso à corrupção e um culto de personalidade com cantorias do tempo da Revolução Cultural (1966-76).
A primeira revelação do escândalo foi a morte do empresário britânico Neil Heywood, em novembro, inicialmente atribuída ao abuso de álcool. Neste mês, a mulher de Bo, Gu Kailai, foi presa e acusada pelo assassinato. O britânico seria o elo internacional com os negócios sujos do casal. Teria sido envenenado, mas seu corpo foi cremado. Não há provas.
A escuta telefônica clandestina de altos dirigentes, até agora só mencionada em documentos sigilosos do Partido Comunista teria sido crucial para deflagrar a destruição do Bo Xilai.
Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC, candidato a ser escolhido até o fim do ano como um dos nove membros do Comitê Permanente, os nove imperadores que governam a China.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Crescimento da China cai para 8,1% ao ano
A China cresceu no primeiro trimestre de 2012 num ritmo anual de 8,1% ao ano, o menor em três anos, abaixo da expectativa do mercado.
O país ainda vive uma situação política conturbada, com o expurgo do alto dirigente do Partido Comunista Bo Xilai, que caiu em desgraça no mês passado. Sua mulher foi presa há dias como suspeita da morte do empresário britânico Neil Heywood, que faria negócios internacionais sujos para o casal.
Neste ano, o regime comunista escolhe o futuro líder do PC, que será o próximo presidente chinês, assim como o primeiro-ministro e os outros sete dirigentes do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do partido. Eles são conhecidos popularmente como os nove imperadores que governam a China.
É um ano eleitoral e de luta pelo poder. Num regime fechado, o desfecho é menos previsível.
O país ainda vive uma situação política conturbada, com o expurgo do alto dirigente do Partido Comunista Bo Xilai, que caiu em desgraça no mês passado. Sua mulher foi presa há dias como suspeita da morte do empresário britânico Neil Heywood, que faria negócios internacionais sujos para o casal.
Neste ano, o regime comunista escolhe o futuro líder do PC, que será o próximo presidente chinês, assim como o primeiro-ministro e os outros sete dirigentes do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do partido. Eles são conhecidos popularmente como os nove imperadores que governam a China.
É um ano eleitoral e de luta pelo poder. Num regime fechado, o desfecho é menos previsível.
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