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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ex-ministro da Segurança do Estado pega prisão perpétua na China

O ex-ministro da Segurança do Estado Zhou Yongkang foi condenado à prisão perpétua hoje por corrupção, abuso de poder e revelação de segredos de Estado. Ele teria confessado todos os crimes e não vai recorrer, informou a agência de notícias oficial Nova China. 

Zhou é o mais alto dirigente processado na China desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949. Chegou a ser membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove (agora são sete) imperadores que mandam de fato no país.

Seu julgamento foi o mais importante politicamente desde a condenação da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao, em 1981. Eles foram responsabilizados por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de perseguições políticas em que altos dirigentes foram expurgados e mortos.

Como ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou era chefe dos poderosos serviços secretos chineses. É o dirigente mais importante enquadrado na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar das moscas aos tigres" para moralizar o regime comunista da China no momento em que a desaceleração do crescimento reduz sua legitimidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

China prende presidente de estatal do petróleo por corrupção

O presidente e subdiretor-geral da empresa estatal Sinopec, a maior refinaria de petróleo da Ásia, é mais um tigre que cai na malha da campanha anticorrupção da China. Wang Tianpu foi detido por investigadores do Partido Comunista por "sérias violações da disciplina e da lei", linguagem usada pelo regime para falar de corrupção.

A investigação foi revelada por uma pequena nota divulgada no sítio de Internet da Comissão Central para Inspeção Disciplinar, o poderoso órgão da campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para se consolidar e se legitimar no poder.

No momento, um dos focos é o setor de energia. Neste mês, o ex-diretor da China National Petroleum Corporation, Jian Jiemin, preso em agosto de 2013, foi julgado por abuso de poder e aceitar suborno. Nas últimas semanas, o presidente do grupo China FAW, Xu Jianyi, e o vice-presidente do grupo Baostel, Cui Jian, passaram a ser investigados.

Muitos suspeitos são ligados a Zhou Yongkang, ex-todo-poderoso ministro da Segurança do Estado e ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, o seleto grupo de altos dirigentes que manda de fato na China. Ele será o mais alto funcionário do regime a ser processado desde a vitória da revolução liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

terça-feira, 17 de março de 2015

Campanha anticorrupção no Exército vai até o fim, diz editorial na China

A campanha anticorrupção no Exército Popular de Libertação da China só vai acabar quando a corrupção foi erradicada, afirmou o especialista em logística Xie Fan em editorial publicado no Diário do EPL, noticiou hoje em Hong Kong o jornal South China Morning Post.

O artigo anuncia que a campanha vai servir para criar um código de conduta para os militares chineses como parte de uma ampla reforma das Forças Armadas: "Alguns departamentos continuam com práticas ilegais: eles relutam em aplicar estritamente a lei porque o fenômeno da adoração do poder - em vez do respeito à lei - continua a existindo."

Na visão ocidental, o atual presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista, Xi Jinping, considerado o mais poderoso líder do país desde Deng Xiaoping, usa o combate à corrupção para consolidar o poder. Também reforçou a doutrinação ideológica dentro do Exército.

Xie tenta combater esta interpretação, num sinal de que também adeptos na China: "A campanha permanente contra a corrupção não é algo seletivo. Faz parte de um processo de reforma legal que não tem limites nem admite exceções."

Na linguagem figurada do regime comunista chinês, Xi prometeu caçar "das moscas aos tigres" na luta anticorrupção. Entre os tigres, depois do ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou Yongkang, o maior de todos, estão sendo investigados o ex-vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central, Xu Caihou, e Ju Gunshan, ex-subcomandante de logística do EPL.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ex-ministro do serviço secreto chinês vai a julgamento público

O ex-ministro da Segurança do Estado da China Zhou Yongkang, denunciado por corrupção, será submetido a um julgamento público, noticiou hoje a agência Reuters citando como fonte a mídia do regime comunista chinês.

Zhou Yongkang pertencia ao Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunistas, o seleto grupo de na época nove imperadores que realmente governavam a China, hoje reduzido a sete. É o mais alto funcionário atingido pela campanha anticorrupção usada pelo atual presidente do país e secretário-geral do PC, Xi Jinping, para consolidar o poder.

Seu processo será o mais importante politicamente desde o julgamento da Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, e foi condenada em 1981 por abuso de poder e violações dos direitos humanos cometidas durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

Na prática, Xi tenta destruir a base de poder de Zhou dentro do Ministério da Segurança do Estado, peça essencial no organograma do regime. Ele era aliado de Bo Xilai, o líder da ala neomaoísta que caiu em desgraça em 2012, quando articulava sua ascensão para o Comitê Permanente, foi expurgado e condenado à prisão perpétua. O mesmo destino aguarda Zhou.

terça-feira, 3 de março de 2015

China investiga 14 altos oficiais do Exército Popular de Libertação

O Exército Popular de Libertação (ELP) está investigando por corrupção 14 altos oficiais militares, inclusive o filho de um ex-vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central (CMC), revelou hoje o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

Uma grande campanha anticorrupção é a maneira usada pelo secretário-geral do Partido Comunista e presidente da China, Xi Jinping, no poder desde 2012, para consolidar seu comando sobre o Exército e o partido. Xi prometeu "caçar as moscas e os tigres".

Depois do ex-ministro da Segurança do Estado Zhou Yongkang, que pertenceu ao Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do PC, o seleto grupo que manda na China, e do chefe da espionagem interna, Ma Jian, o alvo agora é o filho do general da reserva Guo Boxiong.

Mas não é a a primeira vez. O ex-vice-presidente da CMC Xu Caihou está sendo investigado por corrupção há meses. Guo e Xu eram os dois vices, na comissão, do ex-presidente e ex-secretário-geral do PC Hu Jintao, o líder supremo do regime comunista antes de Xi.

A Comissão Militar Central é tão poderosa que hoje um líder chinês só tem pleno controle do poder quando acumula três cargos: presidente do país, secretário-geral do PC e presidente da CMC.

Durante o tempo em que foi o dirigente máximo da China, o todo-poderoso Deng Xiaoping (1978-1992), arquiteto das reformas que transformaram o país na segunda maior economia do mundo rumo ao topo, tinha como principal cargo oficial a presidência do CMC.

Xi foi escolhido líder do partido em novembro de 2012, tomou posse na presidência em março de 2013 e imediatamente virou presidente da CMC. Por isso, é considerado o dirigente chinês mais poderoso desde Deng.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

China afasta vice-ministro da Segurança do Estado por corrupção

Mais um tigre cai na campanha anticorrupção do secretário-geral do Partido Comunista e presidente da China, Xi Jinping, para consolidar o poder. O vice-ministro da Segurança do Estado, Ma Jian, foi afastado de um painel de assessores de alto nível depois que o Partido Comunista anunciou que ele está sendo investigado por corrupção.

Ma Jian é o mais alto funcionário enquadrado por corrupção desde a condenação do ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yangkang, que foi membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, os na época nove imperadores, hoje sete, que mandam realmente na China.

O inquérito sobre suas atividades indica que deve haver uma ampla reforma do Ministério da Segurança do Estado, que reúne a polícia política e o serviço secreto. Ma seria o chefe das operações de contraespionagem.

Em Governing China (Governando a China), o professor americano Kenneth Lieberthal observa que a sociedade chinesa conseguiu criar há mais de 2 mil anos uma burocracia para governar o país, mas não conseguiu até hoje criar um sistema político capaz de administrar a transferência de poder em sua elite.

As últimas transições, de Jiang Zemin (1992-2002) para Hu Jintao (2002-12), e de Hu Jintao para Xi Jinping, foram pacíficas, mas há uma luta interna que vem à tona com os expurgos e processos de corrupção, sempre seletivos, já que o enriquecimento da cúpula chinesa além do razoável está amplamente documentado.

Xi Jinping prometeu ir atrás de todos os corruptos, "das moscas aos tigres". Pegou mais um.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

China prende outro chefe da espionagem por corrupção

O secretário-executivo do Ministério da Segurança, Ma Jian, foi preso dentro da campanha anticorrupção movida pelo presidente da China, Xi Jinping, noticiou ontem o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

Ma trabalhou durante 30 anos no serviço secreto chinês. Em 2006, tornou-se um dos homens mais poderosos do regime comunista ao se tornar o secretário-executivo encarregado das operações de contrainteligência.

A prisão pode estar relacionada à investigação de uma empresa de alta tecnologia controlada pela Universidade de Beijim, o Founder Group, e seu diretor-presidente, Yu Li. Parentes de Ma Jian também são alvo de inquérito.

Em dezembro de 2014, a campanha anticorrupção prendeu o ex-ministro da Segurança Zhou Yongkang, que pertenceu ao Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, o pequeno grupo que manda de fato na China.

Ambos, Ma e Zhou, seriam ligados ao ex-dirigente Bo Xilai, expurgado em março de 2012, antes da ascensão de Xi, num escândalo de corrupção que incluiu o assassinato de um empresário britânico que seria intermediário de negócios escusos no exterior.

Ao lançar a campanha anticorrupção, uma forma de manter a legitimidade do PC numa sociedade cada vez mais rica e desigual, Xi prometeu "caçar das moscas aos tigres". Outros tigres sob investigação são o vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central, Xu Caihou, e o ex-secretário do ex-presidente Hu Jintao, Ling Jihua.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

China expurga ex-chefe do serviço secreto por corrupção

Sob acusações de corrupção, o Partido Comunista decidiu hoje expurgar o ex-chefe dos serviços secretos e da segurança interna da China e ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central Zhou Yongkang.

É a primeira vez em décadas que um dirigente da alta cúpula do regime pode ser processado criminalmente, desde o julgamento da Gangue dos Quatro, em 1981, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching. A facção foi condenada pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária

Dentro da grande campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para consolidar seu poder, Zhou foi apontado como suspeito em julho de 2014. Um relatório interno do PC o denunciou por "violar a disciplina do partido", a acusação genérica contra a corrupção no discurso do regime, aceitar suborno, dilapidar ativos do Estado, revelar segredos de Estado e do partido, promoção fraudulenta de parentes e atividade pessoal "salaciosa", um eufemismo para adultério.

Sob investigação, Zhou estava em prisão domiciliar há meses. Agora, foi preso formalmente. Era aliado do ex-dirigente Bo Xilai, um neomaoista que caiu em desgraça em março de 2012, foi expurgado, preso e condenado por corrupção, abuso de poder e o assassinado do empresário britânico Neil Heywood, suposto intermediário de seus negócios sujos no exterior.

terça-feira, 29 de julho de 2014

China investiga ex-ministro da Segurança por corrupção

O ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yongkang está sendo investigado por "violações disciplinares sérias", expressão usada pelo regime comunista chinês em denúncias de corrupção. Ele era membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores que governavam a China na presidência de Hu Jintao; hoje, são apenas sete.

Em uma nota curta, a agência oficial de notícias Nova China, citada pela televisão estatal britânica BBC, informou que o inquérito será realizado pela Comissão Central para Inspeção Disciplinar do partido.

Zhou é o mais alto dirigente comunista chinês sob inquérito desde o processo contra a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, em 1981. O grupo e o ex-expoente da linha dura Lin Piao, falecido num acidente de avião suspeito quando fugia do país, foram acusados pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A atual investigação faz parte da campanha de combate à corrupção do presidente Xi Jinping, que promete caçar de "moscas a tigres". Deflagrou uma onda de choque entre a elite dirigente chinesa, em que parentes de altos funcionários do partido fazem fortunas rapidamente sob a proteção da censura e da ditadura militar.

Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos meses. As autoridades chinesas apreenderam US$ 14,5 bilhões em bens e ativos de parentes e sócios de Zhou. Ele fez carreira no partido e no governo dentro do serviço secreto e da Companhia Nacional de Petróleo da China.

Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.

Alguns analistas acusam Xi de fazer uma manobra para consolidar seu poder. Ao alvejar dirigentes importantes como Zhou, o presidente quer indicar que desta vez será diferente. O dirigente que caiu em desgraça era ligado a Bo Xilai.

Bo era a estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo. Sonhava em ser líder do PC e presidente da China quando foi preso, em março de 2012, expurgado do partido em abril e condenado no mesmo ano por corrupção, abuso de poder e envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ordenado por sua mulher Gu Kailai.

terça-feira, 1 de abril de 2014

China toma US$ 14,5 bilhões de família de ex-dirigente

Na campanha anticorrupção deflagrada pelo presidente Xi Jinping, o regime comunista da China apreendeu US$ 14,5 bilhões de parentes e sócios do ex-chefe dos serviços secretos do país e membro do círculo íntimo do poder Zhou Yongkang, num dos maiores escândalos de corrupção no país desde a vitória da revolução comunista, em 1949, revelou a agência de notícias Reuters.

Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos quatro meses. Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.

O volume de recursos e o número de suspeitos investigados mostra a escala da campanha anticorrupção, uma jogada de Xi, na presidência há um ano, para consolidar o poder. Ao combater os abusos com dinheiro público, corre o risco de atrair a ira de outros dirigentes beneficiados por negócios escusos.

Hoje com 71 anos, Zhou foi responsável pelo setor de gás e petróleo e presidente da empresa estatal de petróleo antes de se tornar de 2007 a 2012 membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores (hoje são sete) que realmente mandavam na China. É o mais alto dirigente do partido derrubado por corrupção até hoje. Ainda não foi acusado formalmente, mas está em prisão domiciliar desde o fim do ano passado.

Zhou se opôs ao expurgo e condenação à prisão perpétua de Bo Xilai, o líder em ascensão da esquerda neomaoísta que caiu em desgraça há dois anos. Bo ambicionava a liderança do partido e do governo. Seu caso foi o processo de maior peso político na China desde o julgamento da Gangue dos Quatro, liderada por Jiang Ching, a viúva de Mao Tsé-tung, em 1981.

Em dezembro de 2013, Xi criou uma força-tarefa para investigar Zhou. Nem os órgãos de investigação do PC nem a família do ex-dirigente confirma. No regime comunista chinês, às vezes uma investigação leva meses e até anos até ser noticiada.

Zhou Yongkang não admite nada e se nega a colaborar com o inquérito. Considera-se vítima de perseguição política e da luta pelo poder. Há dois anos, era um dos homens mais poderosos da China. Administrava um orçamento de US$ 100 bilhões, maior do que o das Forças Armadas.

Xi Jinping prometeu pegar de "tigres de alto nível até moscas que voam baixo". Pegou um peso-pesado.

No ano passado, o jornal The New York Times publicou reportagens denunciando o enriquecimento ilícito de parentes e associados de altos dirigentes comunistas chineses, a começar pelo então primeiro-ministro Wen Jiabao, com fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões.

O ex-presidente Jiang Zemin, um dos hierarcas do regime, criticou a campanha, que estaria afetando veteranos líderes do partido. Jiang, que deixou o poder em 2003, teria mandado um recado no mês passado ao presidente Xi: "As pegadas de sua campanha anticorrupção não podem ser grandes demais." Abalariam as redes de patronagem e apoio político criadas pelos membros da cúpula do partido.

Outro ex-presidente, Hu Jintao, antecessor de Xi, pediu calma ao sucessor.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Aliado de Bo deixa chefia do aparelho de segurança

O poderoso chefe do aparelho de segurança do regime comunista da China, que inclui a Polícia, a Justiça e os serviços secretos, Zhou Yongkang, caiu em desgraça, a exemplo do que aconteceu com seu aliado, o membro do Politburo Bo Xilai, expurgado em março de 2012.

Zhou faz parte do seleto Comitê Permanente do Politburo, onde Bo esperava chegar na renovação a ser realizada no fim do ano. É um dos chamados nove imperadores que realmente governam a China. Foi o maior defensor de Bo no debate interno do PC chinês que precedeu seu afastamento, primeiro da chefia do partido em Xunquim, uma grande cidade com status de província, em março, e depois do Politburo do Comitê Central, no mês passado.

No papel, afirma hoje o jornal inglês Financial Times, Zhou mantém o cargo de secretário do comitê de assuntos políticos e legislativos do partido. Na prática, o controle do aparelho de segurança do Estado passou para o ministro da Segurança Pública, Meng Zianzhu, diz o jornal, citando como fontes altos funcionários do PC e diplomatas.

A defesa obstinada de Bo teria selado a sorte de Zhou.

O expurgo de Bo Xilai revelou as divisões na cúpula dirigente chinesa e os métodos brutais usados na luta pelo poder. Sua mulher, Gu Kailai, foi presa sob acusação de envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood.

Para não aumentar o descontentamento popular com as práticas arbitrárias e antidemocráticas do regime, Zhou deve manter o cargo sem nenhum poder real. Ele teria inclusive feito uma autocrítica diante do Comitê Permanente, reconhecendo o erro de tentar proteger Bo.

Por trás, há o duelo entre a ala reformista representada atualmente pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, defensora de reforma políticas liberalizantes, e a velha guarda maoísta, que aproveitou a crise financeira internacional para defender o aumento do controle do Estado sobre a economia.

As quedas de Bo e Zhou são derrotas dos saudosos do maoísmo e das canções - e também dos métodos - da Revolução Cultural. Esta batalha ideológica que marca as reformas promovidas por Deng Xiaoping a partir de 1978 recomeça e está longe de terminar. Em jogo, o futuro da China, que em breve será o país mais rico do mundo.