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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Turquia liberta pastor americano condenado por espionagem

Para melhorar as relações com os Estados Unidos no momento em que denuncia o assassinato de um jornalista dentro do Consulado da Arábia Saudita em Istambul, a Turquia libertou hoje o pastor americano Andrew Brunson, condenado a três anos de prisão por espionagem e apoio a grupo terrorista por supostas ligações com o movimento gulenista.

O governo cada vez mais autoritário do presidente Recep Tayyip Erdogan acusa o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, exilado nos EUA, pelo fracassado golpe de Estado de 15 de julho. Cerca de 400 pessoas foram mortas e quase 16 mil foram presas. Mais de 48 mil trabalhadores e funcionários públicos foram demitidos.

A Turquia pediu oficialmente a extradição de Gülen, mas a Justiça dos EUA não viu indícios suficientes de envolvimento do clérigo na conspiração golpista. Os EUA entendem que a punição ao pastor é uma retaliação de Erdogan.

Irritado, o presidente Donald Trump ameaçou impor sanções, o que agravou a difícil situação econômica da Turquia.

Hoje, depois do assassinato político do jornalista Jamal Khashoggi no consulado em Istambul por um esquadrão da morte saudita, a Justiça da Turquia confirmou a condenação de Brunson, mas ordenou sua libertação por causa do tempo que ele já passou na prisão.

O pastor já seguiu viagem para os EUA. Trump festejou no Twitter e negou ter feito qualquer concessão a Erdogan. A rede de televisão americana ABC disse que houve acordo.

sábado, 11 de agosto de 2018

Erdogan acusa Trump de atacar aliado da OTAN "por causa de um pastor"

O presidente Recep Tayyip Erdogan criticou hoje os Estados Unidos, acusando-os de tentar coagir a Turquia, aliada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), "por causa de um pastor", ameaçando procurar amigos em outro lugar, numa clara referência à Rússia, informou o jornal turco Hürriyet

Ontem, em nome da segurança nacional, o presidente Donald Trump impôs tarifas de 20% sobre o alumínio e 50% sobre o aço importados da Turquia. Trump exige a libertação incondicional do pastor americano Andrew Brunson, detido em outubro de 2016, na onda de prisões que se seguiu à tentativa de golpe militar de 15 de julho daquele ano. Mais de 50 mil pessoas foram presas desde então.

"Só nos ajoelhamos diante de Deus", declarou Erdogan em ato público na província de Ordu, na costa do Mar Negro. "É errado tentar castigar a Turquia por causa de um pastor. Estou me dirigindo aos EUA mais uma vez: é uma vergonha. Está mudando a parceria estratégica da OTAN por causa de um pastor. Faremos o que a Justiça decidir."

Em artigo publicado hoje no jornal The New York Times, Erdogan advertiu que, "a menos que os EUA comecem a respeitar a soberania da Turquia e a provar que entendem as ameaças que nossa nação enfrenta, nossa parceria será prejudicada."

Erdogan compara o golpe de 2016 ao ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que fez os EUA entrarem na Segunda Guerra Mundial. Reclama que os EUA "não condenaram o ataque e não expressaram solidariedade inequivocamente à liderança eleita da Turquia".

O líder turco acusa o clérigo Fethullah Gülen, exilado na Pensilvânia, pelo golpe. A Justiça dos EUA rejeitou o pedido de extradição por não ver indícios suficientes da participação de Gülen na conspiração, apesar do envolvimento de membros do movimento gulenista na Turquia.

Outro problema citado por Erdogan é a aliança dos EUA com as Unidades de Proteção Popular, braço armado do movimento nacionalista curdo na Síria, ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que durante décadas apoiou a luta armada contra o governo turco.

Os curdos são maioria nas Forças Democráticas da Síria (FDS), uma milícia árabe-curda articulada pelos EUA para a guerra contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante dentro da guerra civil da Síria.

A Turquia teme uma aliança entre a região autônoma curda no Norte do Iraque com a região curda da Síria para proclamar a independência do Curdistão, que reivindicaria soberania sobre o Sudeste da Turquia, onda a maioria da população é curda.

"Em vez de respeitar o devido processo judicial, como pedi ao presidente Trump em inúmeros encontros e conversas, os EUA fazem ameaças flagrantes e impõe sanções a vários membros do meu gabinete. Esta decisão é inaceitável, irracional e, em última análise, prejudicial à nossa longa amizade", protestou o presidente turco.

E arrematou: "Num momento em que o mal continua a espreitar ao redor do mundo, ações unilaterais contra a Turquia de parte dos EUA, nosso aliado há décadas, só vai minar os interesses e a segurança dos EUA. Antes que seja tarde demais, os EUA devem abandonar a noção equivocada de que nossa relação possa ser assimétrica e entender que a Turquia tem alternativas. Se não reverter esta tendência de unilateralismo e desrespeito, vai nos obrigar a procurar novos amigos e aliados."

A China e a Rússia, adversárias estratégicas dos EUA, estão sempre prontas a oferecer opções. Diante do tarifaço de Trump, Erdogan ligou para Vladimir Putin em Moscou.

domingo, 24 de junho de 2018

Turquia anuncia a reeleição do presidente Recep Tayyip Erdogan

Apesar do autoritarismo crescente desde o golpe militar fracassado de 15 de julho de 2016, com 50 mil mil presos e 160 mil expurgados de empregos públicos, o presidente Recep Tayyip Erdogan declarou vitória na eleição presidencial de hoje. Com 97,7% dos votos apurados, o Supremo Conselho Eleitoral anunciou a reeleição de Erdogan para um novo mandato de cinco anos,  com 53%. A oposição denuncia fraude.

Em segundo lugar, com 31%, ficou o social-democrata Muharrem Inge, do Partido Popular Republicano (CHP), o partido laico criado por Mustafá Kemal Ataturk, o fundador da República Turca, em 1923, depois da dissolução do Império Otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial.

A seguir, vieram Sehalattin Demirtes, do majoritariamente curdo Partido Democrático Popular (HDP), com 8%, que está preso sob a acusação de conspiração e apoio ao terrorismo, e Meral Aksener, da Aliança Nacional, a mulher mais votada, com 7,4%.

No poder desde 2003, Erdogan foi primeiro-ministro por três mandatos, o limite constitucional. Em 2014, depois de aumentar os poderes do Executivo, foi eleito presidente.

Líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamista moderado, Erdogan foi se tornando cada vez mais autoritário, aumentou a influência da religião na política e resgatou símbolos do Império Otomano, o que lhe valeu o apelido de Sultão.

O golpe de 2016 foi deflagrado em protesto contra a erosão do secularismo e da democracia, o desrespeito aos direitos humanos e a perda de credibilidade internacional do país. Erdogan atribuiu o golpe ao Movimento Gulenista, liderado por Fethullah Gülen, um clérigo turco que foi seu aliado e hoje exilado nos Estados Unidos.

Desde então, a Turquia pede a extradição de Gülen, negada pelos EUA pela falta de provas convincentes da ligação do clérigo com a conspiração. A tentativa de golpe foi um sinal da disputa de poder entre os islamistas turcos.

Numa guinada autoritária, por causa do atrito com os EUA, com cada vez menos esperança de levar a Turquia à União Europeia, Erdogan se aproximou da Rússia e do Irã, em parte por causa do apoio americano a uma milícia curda que atuou como força terrestre na guerra dos EUA e aliados contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Erdogan decreta estado de emergência por 90 dias na Turquia

No meio a uma onda de prisões e expurgos de mais de 60 mil pessoas em reação ao fracassado golpe militar de 15 de julho, o presidente Recep Tayyip Erdogan decretou estado de emergência na Turquia por três meses, aumentando o autoritarismo que marca seu governo nos últimos anos.

Durante um discurso encerrado pouco antes da meia-noite pela hora local, Erdogan insistiu em que as medidas visam apenas a proteger a democracia no país, mas é evidente que o presidente aproveita a oportunidade para concentrar mais poderes.

"Nosso Conselho de Ministros decidiu instaurar o estado de emergência por três meses", afirmou o presidente, declarando ser "necessário para erradicar rapidamente todos os elementos da organização terrorista implicada na tentativa de golpe de Estado".

O governo turco acusa o movimento gulenista Hixmat de criar um "Estado paralelo" e de ser responsável pela tentativa de golpe. Um ministro chegou a acusar os Estados Unidos, onde Mohamed Fethullah Gülen vive em autoexílio desde que rompeu com Erdogan.

Mais cedo, em entrevista à televisão árabe especializada em jornalismo Al Jazira, o Sultão, como Erdogan é chamado ironicamente pelos críticos, sugeriu que "outros países podem estar implicados". Apesar da recente reaproximação com Israel, analistas políticos israelenses temem que, além dos EUA, o país possa ser usado como bode expiatório na histeria pós-golpe.

Desde que retomou o poder, Erdogan promove uma verdadeira caça às bruxas. Começou por 15 mil militares e policiais, inclusive 80 generais. Prosseguiu expurgando 2,7 mil juízes e promotores, 6,5 mil professores, inclusive reitores de universidades, e outros funcionários públicos. Todos os acadêmicos estão proibidos de sair do país.

"Há três tipos de pessoas do Judiciário sendo processadas", observa Mehmet Ozgür, de uma associação de advogados progressistas. "Os juízes e procuradores da confraria gulenista foram os primeiros a ser presos. Em seguida, foi a vez dos oposicionistas, que podem ser de esquerda ou kemalistas" [secularistas].

"Por fim, os magistrados independentes", acrescentou. "Dá para imaginar que as penas de cada categoria serão diferentes. Alguns vão ser presos, outros vão apenas perder o cargo. Erdogan vai aproveitar a oportunidade para substituí-los por juristas leais ao AKP" (Partido da Justiça e do Desenvolvimento).

terça-feira, 19 de julho de 2016

Turquia pede oficialmente extradição de Gülen aos EUA

A Turquia encaminhou oficialmente um pedido aos Estados Unidos de extradição do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan de liderar a tentativa de golpe de 15 de julho de 2016.

Erdogan e seus aliados acusam Gülen, líder de um grande movimento islamista moderado e ex-aliado do presidente, de estar por trás do golpe fracassado. Os EUA admitem examinar o pedido, mas querem provas concretas de participação de Gülen na conspiração. A simples participação de membros do movimento gulenista não basta.

O pedido de extradição é enfraquecido pelo clima de caça às bruxas imposto pelo presidente na reação ao golpe. Entre prisões e expurgos, Erdogan já puniu 35 mil militares, juízes, promotores, policiais, professores e outros funcionários públicos que acusa de colaborar com o golpe.

A Europa e os EUA cobram o respeito à lei e aos princípios básicos da democracia. A comissária europeia de Relações Exteriores, Federica Mogherini, advertiu que a reintrodução da pena de morte fechará as portas da União Europeia para a Turquia.

Por outro lado, o governo turco usa a base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Incirlik para pressionar os EUA. Ela é importante na guerra aérea dos EUA contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

domingo, 17 de julho de 2016

Turquia prende 6 mil depois do golpe fracassado

O governo da Turquia prendeu pelo menos 6 mil pessoas desde o fracassado golpe militar de 15 de julho de 2016 contra o presidente Recep Tayyip Erdogan e deve haver mais, anunciou hoje o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, noticiou a televisão pública britânica BBC. O expurgo inclui altos comandantes militares e 2,7 mil juízes.

Mais de 50 militares golpistas foram detidos hoje na província de Denizli, inclusive o comandante da guarnição, general Ozhan Ozbakir.

Também foram presos nos últimos dias o ministro do Supremo Tribunal Alparslan Altan; o comandante do 2º Exército, general Adem Huduti; o comandante do 3º Exército, general Erdal Ozturk; e o brigadeiro Akin Ozturk, ex-comandante da Força Aérea, apontado como líder do golpe..

Pelo menos 290 pessoas morreram na tentativa de golpe, sendo mais de 100 rebeldes. Erdogan acusou o clérigo dissidente Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos, e pediu sua extradição. O governo americano pediu provas de seu envolvimento.

A tentativa de golpe divide ainda mais a Turquia e suas Forças Armadas no momento em que o país está envolvido nas guerras civis da Síria e do Iraque, reiniciou há um ano sua própria guerra civil com os curdos e enfrenta a ameaça terrorista do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

O presidente vai aproveitar o golpe para fortalecer seu regime autoritário, dividindo e fragilizando ainda mais a Turquia.

sábado, 16 de julho de 2016

Erdogan pede aos EUA a extradição de Fethullah Gülen

Em seu primeiro pronunciamento público desde a tentativa de golpe militar na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou há pouco que "estamos todos unidos sob a mesma bandeira" e chamou os golpistas de "terroristas", prometendo desmantelar o que chamou de Estado paralelo.

Erdogan responsabilizou seu antigo aliado Fethullah Gülen, um clérigo muçulmano exilado nos Estados Unidos, pelo golpe e pediu ao governo americano sua prisão e extradição.

Quatro partidos divulgaram manifesto hoje em apoio ao governo democraticamente eleito, o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), o Partido Popular Republicano (CHP), o Partido Democrático Popular (HDP), curdo moderado, e o Partido Movimento Nacionalista (MHP).

O apoio dos três principais partidos de oposição ao governo vai marcar o início de uma nova era de cooperação, declarou o primeiro-ministro Binali Yildirim. Mas a expectativa dos analistas é de fortalecimento do regime autoritário de Erdogan, que está no poder desde 2003, primeiro como primeiro-ministro e desde 2014 como presidente.

Três horas depois do início do golpe, os EUA divulgaram nota em apoio ao governo eleito da Turquia. Hoje, pediram moderação e respeito à lei na reação ao golpe. De acordo com a televisão americana CNN, o governo Barack Obama está disposto a examinar o pedido de extradição. Quer ver os indícios e provas que a Turquia tem contra Gülen.

Golpe na Turquia termina com 265 mortos e 2.839 militares presos

O governo da Turquia reassumiu totalmente hoje o controle do país depois de uma tentativa de golpe militar ontem à noite, quando soldados rebeldes ocuparam o aeroporto de Istambul e as pontes que ligam a Europa à Ásia, e atacaram forças legalistas na capital, Ancara. 

Pelo menos 265 pessoas foram mortas, inclusive 20 líderes golpistas, e 1.440 feridas. Com o colapso do golpe, 2.839 militares foram presos e cerca de 2,7 mil juízes foram demitidos. 

Em pronunciamento à nação, o primeiro-ministro Binali Yildirim declarou que a situação está sob controle e que a tentativa de golpe foi "uma mancha negra na democracia". Ele descreveu os mortos como "161 mártires e 104 golpistas", e chamou os golpistas de "terroristas".

Todos os partidos de oposição apoiaram o governo, que acusa o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos, de liderar a conspiração. Ela nega.

Quando os tanques tomaram as ruas de Ancara e Istambul, o presidente Recep Tayyip Erdogan convocou a população a sair às ruas e resistir ao golpe. Foi atendido. Milhares de pessoas cercaram os tanques, bloquearam sua passagem e desarmaram soldados rebeldes.

Ao reaparecer no aeroporto de Istambul durante a madrugada, Erdogan chamou os golpistas de "traidores" e prometeu um duro tratamento do caso pela Justiça.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Governo da Turquia manda abater aviões de militares rebelados

Com uma multidão nas ruas de Ancara e Istambul para resistir ao golpe, o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, declarou que a situação está praticamente sob controle depois de uma rebelião militar e mandou a Força Aérea abater aviões militares rebeldes que sobrevoam as maiores cidades do país.

Pelo menos 46 pessoas morreram na tentativa de golpe na Turquia, a maioria na capital, Ancara.

Os golpistas tiveram a vantagem inicial da surpresa. Rapidamente tanques ocuparam as ruas das principais cidades, as pontes ligando a Europa à Ásia, o aeroporto e meios de comunicação. Mas há um contragolpe em marcha com o apoio dos partidos secularistas que fazem oposição ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Para a empresa de análise estratégica Stratfor, o golpe fracassa porque ao que tudo indica é liderado por uma pequena facção de militares ligados ao movimento gulenista, um grupo político islamista liderado por Fethullah Gülen, um clérigo muçulmano, escritor e pensador turco exilado nos Estados Unidos.

De aliado do presidente Erdogan, Gülen virou inimigo quando seu poder começou a incomodar. Seus seguidores foram expurgados da mídia e do governo em 2014, mas mantêm influência nas Forças Armadas.

Assim, o golpe não seria liderado pela ala secularista do Exército que se considera guardiã dos princípios da República Turca criada em 1923 por Mustafá Kemal Ataturk. Por isso, não tem o apoio da oposição civil.

Ao contrário, os principais partidos de oposição se unem ao governo e aos setores legalistas das Forças Armadas para o contragolpe, que parece estar vencendo a batalha. Ainda há combate nas ruas de Istambul. O presidente Erdogan reapareceu no aeroporto da cidade, que estava sob o controle dos golpistas, mas não reassumiu o governo em Ancara, sinal de problemas na capital.

Erdogan atribuiu o golpe a um pequeno grupo de militares e prometeu processá-los e puni-los: "Eles vão pagar por esta traição da maneira mais dura."