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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Parlamento Europeu suspende negociações UE-Turquia

Diante da onda de repressão e perseguição política desencadeada depois da tentativa de golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan, o Parlamento Europeu pediu hoje à Comissão Europeia que suspenda as negociações para a adesão da Turquia à União Europeia.

Em 15 de julho, um grupo de oficiais militares supostamente ligados ao clérigo Fetullah Gulen, asilado nos Estados Unidos, tentou derrubar o governo. Mais de 300 pessoas foram mortas e outras 2 mil feridas.

Uma onda de expurgos e prisões sacudiu o setor público, a academia e o jornalismo. Mais de 100 mil turcos perderam seus empregos sob a acusação de colaborar ou simpatizar com o golpe fracassado. Pelo menos 40 mil pessoas foram presas.

O respeito à democracia e aos direitos humanos é um ponto fundamental para fazer parte da UE.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Governo da Turquia manda abater aviões de militares rebelados

Com uma multidão nas ruas de Ancara e Istambul para resistir ao golpe, o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, declarou que a situação está praticamente sob controle depois de uma rebelião militar e mandou a Força Aérea abater aviões militares rebeldes que sobrevoam as maiores cidades do país.

Pelo menos 46 pessoas morreram na tentativa de golpe na Turquia, a maioria na capital, Ancara.

Os golpistas tiveram a vantagem inicial da surpresa. Rapidamente tanques ocuparam as ruas das principais cidades, as pontes ligando a Europa à Ásia, o aeroporto e meios de comunicação. Mas há um contragolpe em marcha com o apoio dos partidos secularistas que fazem oposição ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Para a empresa de análise estratégica Stratfor, o golpe fracassa porque ao que tudo indica é liderado por uma pequena facção de militares ligados ao movimento gulenista, um grupo político islamista liderado por Fethullah Gülen, um clérigo muçulmano, escritor e pensador turco exilado nos Estados Unidos.

De aliado do presidente Erdogan, Gülen virou inimigo quando seu poder começou a incomodar. Seus seguidores foram expurgados da mídia e do governo em 2014, mas mantêm influência nas Forças Armadas.

Assim, o golpe não seria liderado pela ala secularista do Exército que se considera guardiã dos princípios da República Turca criada em 1923 por Mustafá Kemal Ataturk. Por isso, não tem o apoio da oposição civil.

Ao contrário, os principais partidos de oposição se unem ao governo e aos setores legalistas das Forças Armadas para o contragolpe, que parece estar vencendo a batalha. Ainda há combate nas ruas de Istambul. O presidente Erdogan reapareceu no aeroporto da cidade, que estava sob o controle dos golpistas, mas não reassumiu o governo em Ancara, sinal de problemas na capital.

Erdogan atribuiu o golpe a um pequeno grupo de militares e prometeu processá-los e puni-los: "Eles vão pagar por esta traição da maneira mais dura."