Mostrando postagens com marcador Turismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Turismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Brasileiro é o mais barrado no exterior na pandemia

 Portugal se reabriu para turistas brasileiros vacinados contra a doença do coronavírus de 2019, mas o Brasil é, ao lado da África do Sul, o país que mais sofre restrições de viagem, inclusive com a obrigação de fazer quarentena.

Com mais 703 mortes e 25.805 casos novos, o Brasil chegou a 20.803.672 casos confirmados e 581.228 mortes. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 643. A média diária de casos novos baixou para 22.660. É a menor desde 11 de novembro. 

No mundo, já são 218.516.990 casos confirmados e 544.777 mortes. Pouco menos de 196 milhões de pacientes se recuperaram, a maioria dos hospitalizados com sequelas de longo prazo, e 104.816 estão em estado grave.

Os Estados Unidos registaram mais 203.811 casos e 1.403 mortes nesta quarta-feira. Têm mais casos confirmados (39.399.080) e mais mortes (642.093) do que qualquer outro país. A média diária de casos novos dos últimos dias subiu 18% em duas semanas para 166.080. A média diária de casos novos dos últimos sete dias cresceu 75% em duas semanas para 1.418.

A Índia registrou mais 47.092 diagnósticos positivos e 509 mortes nesta quarta-feira. O país tem o segundo maior número de casos (32.856.863) e o terceiro de mortes (439.459).

Mais de 5,34 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo; 39,6% da população mundial receberam ao menos uma dose, mas só 1,8% nos países pobres.

A China lidera a vacinação com 2,08 bilhões, seguida pela Índia, com mais 8,11 milhões, num total de 663 milhões, e a União Europeia, com 532,1 milhões. Nos EUA, 205,5 milhões tomaram a primeira dose e 174,6 milhões (52,67% da população americana) completaram a vacinação.

O Brasil aplicou a primeira dose em 132,17 milhões de pessoas e 63,55 milhões (29,8% da população brasileira) estão plenamente vacinados. Meu comentário:

domingo, 26 de julho de 2020

Brasil chega a 87 mil mortes e 2,4 milhões de casos covid-19

O Brasil registrou neste domingo mais 556 mortes e 23.647 casos da doença do coronavírus de 2019, elevando o total para 87.052 mortes, 1.634.274 pessoas curadas e 2.419.901 casos confirmados da pandemia, informou um consórcio de empresas jornalísticas. A média de mortes dos últimos sete dias caiu para 1.074.

Mais de 50 entidades e sindicatos, representantes de mais de um milhão de trabalhadores da saúde, apresentaram queixa-crime ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda, acusando o presidente Jair Bolsonaro por crimes contra a humanidade e genocídio.

No mundo inteiro, o total de casos confirmados chegou a 16.418.867, com 652.256 mortes e 10.047.304 doentes curados. Os Estados Unidos são o país mais atingido, com 4.371.839 casos confirmados, 149.849 mortes e 2.090.129 pacientes recuperados.

A Coreia do Norte declarou estado de emergência na fronteira sul, num sinal de que a pandemia penetrou no país mais fechado no mundo.

O Partido Republicano deve apresentar nesta segunda-feira um novo pacote de estímulo de US$ 1 trilhão, inclusive pagamentos diretos de US$ 1,2 mil por pessoa com renda de menos de US$ 100 mil por ano.

Um gráfico do jornal Financial Times indica que na Suécia, onde não houve confinamento, depois de uma queda, o consumo pessoal aumentou 2%. Hoje está em baixa de 4% na Alemanha, 7% na França, 8% na Itália, 12% no Japão, 15% nos EUA, 19% na Espanha, 35% no Reino Unido, 38% no Brasil e 61% na Índia em relação ao período pré-crise, depois de quedas de 62% por cento na Alemanha, 88% na França, 89% na Itália, 38% no Japão, 46% nos EUA, 92% na Espanha, 78% no Reino Undo, 69% no Brasil e 86% na Índia.

O consumo pessoal é o maior responsável pelo produto interno bruto desses países.

O turismo foi um dos setores mais abalado. Deve cair de 58% a 78%. Um novo surto na Espanha está alarmando os europeus. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, aconselhou os franceses a evitar a costa da Catalunha, enquanto a ministra do Turismo espanhola afirma que o país é seguro, mas não são apenas casos isolados. O Reino Unido impôs 14 dias de quarentena a quem chegar da Espanha.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

EUA perdem 701 mil vagas de emprego em um mês

Sob o impacto da pandemia do novo coronavírus, os Estados Unidos fecharam 701 mil postos de trabalho no mês passado. É a maior queda mensal desde março de 2009, desde a Grande Recessão. 

Mais da metade dos empregos fechados era em bares e restaurantes. A taxa de desemprego subiu de 3,5% para 4,4%, o maior aumento desde janeiro de 1975, durante a primeira crise do petróleo.

Por causa da data da pesquisa, a queda no mercado de trabalho não reflete tudo o que aconteceu no mês, como a demissão de quase 10 milhões de pessoas em duas semanas, com um saltos nos pedidos semanais de seguro-desemprego de 281 mil para 3,3 milhões e para 6,6 milhões na última contagem.

A expectativa é que a paralisação de amplos setores da maior economia do mundo - de bares e restaurantes a grande fábricas e o setor de turismo - está destruindo empregos num ritmo que não era visto desde a Grande Depressão (1929-39).

Pelas previsões da empresa Oxford Economics, em maio, os EUA terão perdido 27,9 milhões de empregos. O índice de desemprego deve subir para 16%, eliminando todos os ganhos desde outubro de 2010, quando chegou a 10%.

Agora, o mercado espera que passe de 10% no segundo trimestre. Na Grande Recessão (2007-9), foram necessários dois anos e um mês para chegar a este índice.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Coronavírus pode causar sério prejuízo à economia mundial

Os analistas procuram estimar o impacto econômico da epidemia do coronavírus. A hipótese mais provável é de uma pandemia com baixo índice de mortalidade.

O total de pessoas infectadas pelo coronavírus chegou a 7 mil e 700 na China, com 170 mortes. No Brasil, há nove casos suspeitos em observação. A taxa de mortalidade está em 2% a 3%, menos do que a gripe asiática ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, que matou quase 800 pessoas em 2002 e 2003, com taxa de mortalidade de quase 10%.

Normalmente uma crise dessas tem um efeito sobre a economia em forma de V. Há uma forte queda num primeiro momento e uma forte alta quando o problema for superado. As bolsas de valores perderam um trilhão e meio de dólares, mas se recuperam parcialmente. 

O impacto econômico depende da rapidez com que a epidemia for controlada. A China é hoje a fábrica do mundo, a maior potência industrial do planeta, com 9 por cento da produção total. 

Mais de 50 milhões de chineses estão no isolamento e as companhias aéreas estão suspendendo os voos para a China. Várias cidades estão prorrogando a semana de folga para festejar o Ano Novo Lunar para duas semanas, até 9 de fevereiro. É uma época do ano em que 250 milhões de chineses costumam visitar a família, na maior movimentação de seres humanos no mundo inteiro.

Com as restrições de viagem, as perdas do setor serão de bilhões de dólares na China, na Ásia e no resto do mundo. O produto interno bruto da China, de mais de 14 trilhões de dólares, pode perder até dois pontos percentuais no crescimento previsto para este ano, de 6 por cento. Meu comentário:

sábado, 11 de maio de 2019

Dois soldados franceses morrem em resgate de reféns na África

Uma operação de resgate de turistas franceses sequestrados por terroristas muçulmanos no Benin, na África, mobilizou 20 soldados especializados em resgate de reféns, drones e helicópteros das Forças Armadas da França no Norte de Burkina Fasso, na África Ocidental. 

Quatro reféns foram libertados, entre eles dois franceses, uma americana e uma sul-coreana, mas dois soldados franceses morreram em ação, noticiou o jornal francês Le Monde. É mais um sinal de que a guerra contra o terrorismo se dá cada vez mais na África.

Laurent Lassimouillas e Patrick Picque faziam um safári no Parque da Pendjari, no Norte do Benin, uma das últimas reservas de vida selvagem na África Ocidental, que fica ao longo da fronteira com Burkina Fasso. Na noite de 1º de maio, eles não voltaram ao acampamento. Dias depois, foi encontrado corpo seviciado de seu guia.

A operação de resgate foi realizada pela força francesa na região Sahel, no Sul do Deserto do Saara, chamada Barkhane e a Força-Tarefa Sabre, com a participação de 20 especialistas do Comando Hubert, uma das sete unidades comandos da Marinha e talvez a tropa de elite mais prestigiada das Forças Armadas da França.

Tudo foi planejado e feito com a cooperação da inteligência militar dos Estados Unidos na região e com o Exército de Burkina Fasso. Desde que os reféns foram sequestrados, os serviços secretos formaram uma rede para obter informações sobre seu paradeiro.

Um oficial francês revelou que os reféns em trânsito em Burkina Fasso. Os terroristas pretendiam levá-los para o Norte do Mali. Em 7 de maio, os franceses foram localizados no Norte de Burkina Fasso. Enquanto o comboio estava em movimento, era impossível agir sem ameaçar a vida dos reféns, explicou o comandante militar da operação.

Na quinta-feira, o comandante de operações especiais viu que os sequestradores haviam parado e pediu a autorização ao presidente Emmanuel Macron para atacar. À noite, Macron deu a ordem.

A decisão foi tomada antes que os reféns fossem entregues a outra grupo terrorista mais poderoso, a katiba Macina ou Frente de Libertação do Macina, uma milícia islamista ligada à rede terrorista Al Caeda que atua no Norte do Mali e teria encomendado o sequestro.

Seu líder, Amadou Koufa, é considerado mais do que um comandante militar. É um guia espiritual, um catalisador das frustrações dos jovens da região. Em janeiro de 2015, ele lançou sua insurreição, que no ano passado causou a morte de cerca de 500 civis.

Em março de 2017, Koufa apareceu ao lado de líderes tuaregues do Mali e da rede Al Caeda no Magreb e Al Mourabitoun, unindo suas forças no Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos. Todos estavam sob o comando de Ag Ghali dentro de Al Caeda no Magreb Islâmico.

Mas, de acordo com o serviço secreto burkinense, o sequestro no Norte do Benin foi realizado pelo Estado Islâmico no Grande Saara. Se for o caso, a Frente Macina, afiliada a Al Caeda, mantém ligações com outros grupos jihadistas como o burkinense Ansaroul Islam e com o Estado Islâmico, concorrente da Caeda.

Sob a noite escura, os comandos franceses avançaram 200 metros a céu aberto e passaram por um sentinela para chegar às quatro barracas do acampamento. Quando estavam a cerca de 10 metros, foram percebidos. Os sequestradores engatilharam suas armas. Mesmo assim, os franceses decidiram não abrir fogo para preservar os reféns.

Neste momento, os soldados Cédric de Pierrepont e Alain Bertoncello foram mortos, cada um em uma barraca. Quatro terroristas foram mortos e dois conseguiram fugir. A presença das duas outras reféns, a americana e a sul-coreana, não era esperada. Elas eram reféns há 28 dias.

O presidente Macron "curva-se com emoção e gravidade diante do sacrifício de nossos dois militares", declarou em nota o Palácio do Eliseu. Em 14 de maio, às 11h em Paris (6h em Brasília), Macron vai presidir uma homenagem aos mortos no Palácio dos Inválidos, onde fica o túmulo de Napoleão Bonaparte.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Trump vai reduzir abertura em relação a Cuba

CAMBRIDGE-MA, EUA - O presidente Donald Trump deve anunciar amanhã sua política para Cuba. Deve restringir o turismo, a remessa de dinheiro e qualquer negócio com empresas ligadas às Forças Armadas, mas não reverter totalmente o reatamento realizado pelo governo Barack Obama, noticiou o boletim de notícias The Hill.

Em discurso em Miami, na Flórida, onde se concentra a maior comunidade cubano-americana, o presidente deve anunciar "marcos de referência" nas relações entre os dois países, exigindo a libertação de todos os presos políticos e a realização de eleições diretas na ilha, governada há 58 anos pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

Trump não vai ressuscitar a polícia conhecida como "pé seco, pé molhado", revogada por Obama, pela qual cubanos que colocassem o pé em terra tinham direito de asilo automático nos Estados Unidos. As visitas individuais de americanos serão proibidas. Em grupo, as visitas serão permitidas. Os voos comerciais entre os dois países também serão mantidos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Turismo em Paris caiu 6% em 2016

Sob o impacto dos atentados terroristas de 13 de novembro de 2015, quando 130 pessoas foram mortas, o movimento turístico na capital da França caiu 6% neste ano, mas o Observatório do Escritório de Turismo e Congressos vê sinais de recuperação.

A análise não leva em conta as consequências do atentado terrorista de dois dias atrás em Berlim, onde um caminhão foi jogado contra uma feira de Natal, matando 12 pessoas e ferindo outras 48, a exemplo do que aconteceu, em Nice, no Sul da França, durante a festa de aniversário da Revolução Francesa de 1789, quando 86 pessoas morreram.

O fantasma do terrorismo volta a assombar a Europa. Desde segunda-feira, Londres, Paris e outras grandes cidades reforçaram a segurança. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelos atentados de Paris, Nice e Berlim.

Em Nice e Berlim, as autoridades acreditam que os autores foram inspirados pelo Estado Islâmico, mas não foram treinados nem financiados pelo grupo. Os atentados de Paris foram realizados por terroristas que lutaram na guerra civil da Síria.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Morre o rei mais antigo do mundo

 O rei da Tailândia Bhumibol Adulyadej, o monarca que estava há mais tempo no trono no mundo inteiro, morreu hoje aos 88 anos. Durante seu reinado, o país passou de um ponto de passagem num dos tigres do Sudeste Asiático, um importante centro industrial, comercial e turístico.

Bhumibol ascendeu ao trono em 1946, depois da Segunda Guerra Mundial, e atravessou a Guerra Fria, onde houve guerras nos vizinhos Camboja, Laos e Vietnã, como aliado dos Estados Unidos. Ele sobreviveu a 12 golpes de Estado, muitos dados em seu nome, inclusive o último, em maio de 2014.

Visto como uma figura unificadora do país, sua morte deixa um perigoso vácuo político. A ditadura militar anunciou que seu filho e sucessor, Maha Vajiralongkorn, de 64 anos, será coroado rei, de acordo com a Constituição.

Pela tradição tailandesa, o luto deve durar um ano. Durante este período, a expectativa é de fortalecimento do primeiro-ministro e general Prayuth Chan-ocha.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

OMS declara emergência mundial por causa do vírus zika

A Organização Mundial da Saúde declarou hoje que a epidemia do vírus zika é uma "emergência internacional de saúde pública, noticiou o jornal americano The Washington Post

É a terceira vez que este órgão das Nações Unidas faz isso. A primeira vez foi contra a pandemia da gripe suína (vírus H1N1), em 2009, e a mais recente foi por causa da epidemia do vírus ebola no Oeste da África, em 2014 e 2015.

A decisão foi tomada numa reunião do comitê de emergência da OMS diante da "propagação explosiva" do vírus zika nas Américas Central e do Sul, principalmente no Brasil, onde foram detectados 4 mil casos de bebês nascidos com microcefalia por causa da doença em suas mães durante a gravidez.

Com a declaração da emergência, a OMS deve agilizar a ajuda aos 22 países mais afetados e preparar outros países para enfrentar a propagação da doença. Também haverá ênfase nos impactos sobre fetos, crianças e adultos.

O vírus zika, identificado pela primeira vez em florestas de Uganda, no Centro da África, só foi ligado à microcefalia no ano passado por médicos do Nordeste do Brasil alarmados com a explosão dos casos em recém-nascidos na região mais pobre do Brasil.

Desta vez, a OMS foi mais rápida, depois de ser muito criticada por demorar a reagir à epidemia de ebola.

Diante da certeza de que a doença deve chegar à Flórida e ao Texas, estados do Sul dos Estados Unidos onde os verões são quentes e há pântanos infestados de mosquitos, o presidente Barack Obama se mobilizou para que seja desenvolvida uma vacina contra o vírus zika. Mas isso pode demorar alguns anos.

No momento, as autoridades de vários países desaconselham viagens aos países infectados, o que pode ter um impacto sobre o turismo e a Olimpíada do Rio de Janeiro. Este momento que serviria para celebrar a ascensão do Brasil no cenário internacional pode virar motivo de vergonha nacional.

As mulheres grávidas com suspeita de zika devem fazer exames médicos. Se a doença for confirmada, devem fazer ultrassonografia para saber se o feto foi atingido. A expectativa é de um grande aumento no número de abortos, que são permitidos nos EUA, mas proibidos nos países onde a situação é mais grave hoje.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Espanha cresceu 3,2% em 2015

O crescimento da Espanha se acelerou no ano passado, passando de 1,4% em 2014 para 3,2% em 2015, confirmando a recuperação econômica do país depois de uma profunda crise que elevou o desemprego para 25% e acima de 50% entre os jovens, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

No último trimestre de 2015, a expansão foi de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O desemprego sofreu uma queda recorde, mas ainda é elevado, baixou de 23,71% para 20,9%.

Quarta maior economia da Zona do Euro, a Espanha passou por cinco anos de recessão e só voltou a crescer em 2014. Agora, o avanço foi sustentado por um aumento do consumo interno, pelo setor de turismo, que responde por 14% do produto interno bruto, pelas baixíssimas taxas de juros da Eurozona e pela queda nos preços do petróleo.

Em 2015, a Espanha recebeu 68,1 milhões de turistas estrangeiros, novo recorde em termos absolutos, numa alta de 4,9% em relação a 2014, quando 65 milhões visitaram o país.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Fortaleza, uma cidade para curtir de dia e de noite

Esta reportagem foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 19 de novembro de 1978, depois da primeira visita a Fortaleza. Republico na minha volta ao Ceará:

FORTALEZA - Lindas mulheres dourando seus corpos ao sol escaldante à beira de verdes mares. Velas fazendo-se ao mar de madrugada para voltar à tarde carregadas de peixes. Pessoas se embalando preguiçosamente à sombra dos coqueirais. Uma noite enfeitada por um luar de prata que se prolonga até o raiar do dia nos movimentados bares e restaurantes da beira-mar.

Você está no Ceará, terra de José de Alencar, da lagosta e de muitas lendas, de Iracema ao Padre Cícero. Lá o aguardam um sol que brilha o ano todo, ar despoluído, hotéis de boa qualidade (mas caros), uma culinária variada da carne-de-sol à lagosta ao Thermidor, um povo aberto e comunicativo.

Uma das cidades que mais cresceu no Brasil nas últimas décadas, enfrenta graves problemas de violência, saneamento, habitações, comunicações, trânsito e transportes públicos, que preocupam as autoridades, interessadas em fazer do turismo uma importante fonte de renda.

Fortaleza é uma cidade onde há o que fazer de dia e à noite. O calor equatorial permite que se vá à praia quase todo dia. Depois que cai o sol, uma brisa fresca retempera o ambiente.

Orgulhoso, o cearense diz que qualquer época do ano é boa para visitar Fortaleza - mas de julho a janeiro quase não chove, as praias enchem de dia e os bares vão pela madrugada. No interior, há as vaquejadas municipais, "pegas de boi" e nos fins de semana os forrós. O Ceará é animado.

Nesta época do ano, o céu está sempre azul e o mar sempre verde, convidando a um mergulho ou a que apenas se olhe para ele debaixo de uma tenda à beira-mar coberta com palha de coqueiro enquanto se toma cerveja ou água de coco e engana o estômago com camarões, patinhas de caranguejo e agulhas fritas.

Os aterros que foram feitos, para melhor ou para pior, numa cidade construída sem planejamento que cresce em ritmo de embolada, condenaram a praia de Iracema ao ostracismo nas narrativas dos poetas, em prateleiras empoeiradas ou em rodas de som nos botecos.

A praia do Mucuripe também não resistiu ao progresso. Sua forma é bonita. Há muitos coqueiros plantados na areia branca, bares e restaurante no outro lado da Avenida Presidente Kennedy. Mas o movimento do porto e a falta de saneamento básico (entenda-se rede de esgotos) a comprometem. Resta sentar num dos bares à tarde e observar o "arrastão" das jangadas. Ou ver os pescadores partindo às cinco da madrugada. O mar está sujo.

Os jovens preferem a praia do Futuro, principalmente a parte fronteiriça à Praça 31 de março - o ponto da moda. Durante o período escolar, é ali que os namorados marcam encontro no sábado. Também é ali que desfilam as cearenses mais bonitas. Barraquinha vendem bebidas e tira-gostos.

Mas os jornais de Fortaleza não se cansam de registrar protestos contra aqueles que praticam esportes fora dos locais determinados, desrespeitando adultos e ameaçando crianças. Isso provoca discussões e bolas furadas.

TIRA-GOSTO
Quando a barriga roncar e não se satisfizer mais com frugais tira-gostos, uma boa pedida é comer nos simpáticos restaurantes à beira-mar. Fique de olho nos preços.

Durante uma refeição à beira-mar, vão desfilar à sua frente pequenos artesãos oferecendo suas mercadorias: entalhes, rendas, bordados, quadros ou simplesmente colares de conchas. Os preços são razoáveis, melhores em geral do que em Salvador e no Recife. Quanto à qualidade, o gosto de cada um que julgue.

Fortaleza também é conhecida como a "cidade dos clubes", vários deles situados à beira-mar com restaurantes abertos ao público.

PASSEIOS
Uma boa volta pela cidade inclui o Mausoléu do Presidente Castelo Branco, o Palácio da Abolição, o Museu Histórico e Antropológico do Ceará, o Teatro José de Alencar, as praias, os novos bairros residenciais, o centro e a barra do Rio Ceará, onde começa o retorno.

O mausoléu e o palácio, sede do governo estadual, são construídos em estilo arquitetônico moderno, concebidos pelo arquiteto Sérgio Bernardes. No primeiro, além do túmulo do presidente, estão expostas cartas, fotos, documentos, medalhas e placas com os pensamentos do marechal Castelo Branco.

Do palácio, se conhece apenas o aspecto externo, onde estátuas de Zenon Barreto representam as figuras características do Ceará: o cafuné, a mulher carregando a moringa, a mulher pulando para fazer passoca, o jangadeiro, a mulher rendeira. Árvores da terra como o acácia imperial, o peão roxo e o cacto nordestino dão o acabamento paisagístico.

O Museu Histórico e Antropológico, na Avenida Barão de Studart, mostra peças e pertences das mais variadas personalidades cearenses, do presidente Castelo Branco ao Padre Cícero, de Chico Anysio a Dom Hélder Câmara.

Ali estão expostas armas usadas nas mais diferentes revoltas, das quais participaram "coronéis" até hoje muito influentes, a ponto do historiador Clóvis Silva, funcionário do museu, prevenir-se contra microfones antes de abrir a boca.

MERCADO
Depois de uma parada para um sorvete de caju, goiaba ou graviola, o passeio segue pelas praias até a Praia do Futuro. Então, por entre morros em cima dos quais se erguem luxuosas mansões, tomam-se as avenidas que levam ao centro.

No burburinho do Mercado Central, o turista encontra os diversos objetos a que a criatividade popular deu forma: vestidos rendados ou bordados, sacolas e cestas de palha, estatuetas de barro do Padim Ciço, redes para se embalar. Nas proximidades, fica o imponente Teatro José de Alencar, um dos passeios obrigatórios da cidade.

Em estilo art nouveau, foi inaugurado em 1910. Suas frisas, escadarias, camarotes e balcão nobre são de ferro fundido. Na plateia, há uma impressionante estrutura metálica importada da Escócia. À saída do teatro, todos os caminhos levam à Praça do Ferreira, onde as antigas construções revelam uma Fortaleza histórica - diferente da Fortaleza das praias, dos jangadeiros, das rendeiras e dos coqueirais.

GUARANI
Depois de uma rápida passada pelo forte que deu nome à cidade, quando o sol estiver caindo, se o passeio for à tarde, você avistará a barra do rio Ceará, onde estarão fundeados pequenos barcos. A uns 10 quilômetros do centro urbano, ela conta a história dos primeiros colonizadores nas ruínas quase encobertas do primeiro fortim, construído por Pero Coelho de Souza.

Durante a travessia, os barcos contam que por ali José de Alencar passou e se inspirou para escrever O Guarani.

Jangadeiros do Mucuripe lutam pela vida

Esta reportagem, feita na primeira viagem ao Ceará, foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 26 de novembro de 1978. De volta a Fortaleza, relembro as primeiras impressões:

"As velas do Mucuripe
vão sair para pescar
eu vou levar minhas mágoas
p'ras águas fundas do mar.

FORTALEZA - Entre uma e cinco da manhã, dependendo do vento, o homem solta as cordas do tauaçu, amarra bem o samburá à jangada e põe a vela no mar para voltar à tarde com o peixe que lhe garantirá o pão. A muié fica na paria esperando, a tecer o seu amor com bilros, fazendo as rendas que encantarão a todos. 

Esta é a imagem idealista que os poetas e prosadores românticos, como José de Alencar, "teceram" sobre os tipos humanos mais característicos do Ceará: o jangadeiro e a rendeira. Mas a fantasia não sobrevive ao sobrevive ao cotidiano. Para descobrir uma rendeira na zona urbana de Fortaleza é preciso escalar os morros do Mucuripe (morro de areia na língua dos índios) e entrar numa favela.

É dali mesmo que devem partir homens como José Armando Pacheco - 40 anos de vida e 28 de jangada -, que confessa continuar pescando porque "não tem outro jeito mesmo". De qualquer forma, comprar rendas e bordados e assistir à chegada das jangadas são maneira de conhecer a cultura cearense que o turista não dispensa.

As jangadas já perderam muito da primitiva pureza, assim como perderam importância com a pesca industrial. Suas velas estampam anúncios comerciais desde que foram instituídas as corridas de jangadas. Há patrocinadores por trás disso. E os homens que as manobram enfrentando os perigos do mar dividem metade dos prêmios - o resto fica com os proprietários. O mesmo ocorre com a pesca diária.

Pacheco, que diz ter 40 anos mas aparenta no mínimo uns 10 a mais, explica esta relação de produção:

- Hoje vendemos Cr$ 800,00. Entre quatro, dá Cr$ 100,00 para cada um.

- Mas como? 800 divididos por quatro dá 100?

- Não. É que o patrão ganha sempre a metade. Se a gente não traz nenhum peixe, não ganha nada. Em dia que morre muito, o preço baixa. Se morre pouco, sobe. Agora, se o pescador quiser de volta um peixe que ele mesmo pegou, vai pagar no mínimo o dobro. Do contrário, não come.

ARRASTÃO
São cerca de duas horas de uma tarde de pleno sol e a praia do Mucuripe está coalhada de gente esperando os jangadeiros. Uns ajudam no "arrastão", outros fazem a seleção e a partilha dos peixes capturados, alguns apenas observam.

A cada samburá emborcado, os olhos e as mãos dos comerciantes se avivam em busca dos peixes mais valiosos. A poucos metros da praia, em pequenas embarcações, pescadores jogam suas tarrafas.

Os peixes variam com a época do ano. Em agosto, quem não vai muito longe pega cavalas e serras, além de espécies de baixo valor comercial. O dia foi bom e indiferente ao reboliço José Armando fuma um cigarro de palha, o chapéu também de palha enterrado na testa, sentado na jangada. Sua pele escura está precocemente enrugada pelo contato diário com os raios de sol em 28 anos de pesca. O olhar sofrido e vago se perde no horizonte das águas.

Com voz firme e pausada, vai contando aspectos da vida de jangadeiro no Ceará:

- A vida aqui é essa mesmo de pescá, não tem outra, não. Tirô de pescá, outro trabalho aqui não se encontra, não. Eu gosto um tanto, se tivesse outro melhor gostaria menos, mas não tem outro jeito.

Desde os 10 ou 12 anos, quando já tiver força para içar um peixe de tamanho médio e não atrapalhar, o menino começa a aprender a ganhar a vida em cima de uma jangada. Será uma vida dura, sem descanso, sem férias, sem folga semanal remunerada.

APOSENTADORIA
Aos 60 anos, o homem ainda sai para o mar porque precisa. Na verdade, já não tem mais condições físicas e muitas vezes os outros não querem levá-lo:

- Com 60 anos, o que um homem vai fazer no mar? Se é para atrapalhar os outros, que fique em terra. Mas, como a família vai passá fome e tudo, ele se obriga a ir.

Hoje a Previdência Social garante a aposentadoria para os pescadores artesanais, mas um jovem jangadeiro se intromete na conversa com o argumento de que o tempo de serviço exigido deveria ser de apenas 25 anos:

- A pesca envelhece muito a gente. O cara vai para o mar hoje e volta daqui a três, barbado, descabelado e sujo. Com 25 anos de mar, era pra se aposentar.

Lá em alto mar, o sangue dos animais feridos atrai cardumes de tubarões ferozes. Mas o jangadeiro, acostumado a lutar contra diversos problemas, não se assusta com esses companheiros indesejáveis de jornada. Manobra a cai fora:

- Quando eles estão muito chegados à navegação, a gente procura saí. Não tem medo, não.

Rendeiras do Ceará: os segredos de uma arte

Esta reportagem, feita na primeira viagem ao Ceará, foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 26 de novembro de 1978. De volta a Fortaleza, relembro as primeiras impressões:

"Olê, muié rendeira,
Olê muié rendá,
Tu me ensina a fazer renda
que eu te ensino a namorá"

FORTALEZA - As rendas e bordados nascidos da criatividade cearense estão espalhadas por toda a capital do Ceará e concentradas no Mercado Popular e no centro da artesanato da Emcetur (Empresa Cearense de Turismo) - um antigo presídio -, principalmente sob a forma de roupas femininas: vestidos, saias, lenços, blusas, saídas de banho - mas também em toalhas, cortinas e redes. Talvez muitas mercadorias sejam produzidas em "fábricas de artesanato", mas fascinam o visitante que não resiste à tentação de levar alguma lembrança para casa.

BILROS
Na favela do Mucuripe, as meninas informam que a renda autêntica do Ceará é feitas nas praias de Mandaú, Trairi e Canaã - todas relativamente distantes de Fortaleza. Os motoristas de táxi convidam para um passeio a Aracati, onde fica a praia de Canoa Quebrada, mas as rendas do morro afirmam que ali a renda não presta.

Uma almofada cilíndrica ou arredondada feia com lona ou estopa, de extremidades cosidas e cheias de capim ou palha de bananeira, serve de base para os bilros. Estes são hastes finas de madeira com uma esfera de coco de buriti ou de macaúba na extremidade, onde se prende a linha. Indispensável é o papelão - um cartão picotado com o motivo da peça que se quer tecer.

Pronta a almofada, dispõe-se sobre ela um pano fino e por cima deste o papelão, preso por espinhos de cardeiro. Trocando cerca de 200 bilros com polegares e indicadores das duas mãos, dá-se início ao trabalho.

MOTIVOS
Antigamente as rendeiras guardavam os papelões com os desenhos picotados como segredos profissionais. Hoje, trocam entre si; recriam motivos. Os mais conhecidos são: jasmin, margarida, dadinho, rio de janeiro, ponta de navio, tijolinho, estrela, palha de coqueiro, amor de pobre, pé de galinha, onda de flores, pingo de ouro, amor perfeito, cinquentinha e cor-de-rosa.

Mas a vida não é nada fácil para uma rendeira num estado atrasado como o Ceará e elas são forçadas a migrar do interior em busca de uma vida melhor na capital, onde precisam trabalhar fora, dedicando-se à sua arte "por esporte" - como diz Lucineide Viana da Silva, 18 anos, aprendiz desde os nove, falando de sua mãe.

Durante o dia, a mãe sai para trabalhar e ela fica trocando 60 bilros. Ainda não aprendeu a manipular 200 bilros. Com essa técnica incipiente dá apenas para fazer palas para roupas. Lucineide não ganha nada diretamente por sua atividade. A mãe recebe Cr$ 50,00 a Cr$ 70,00 por peça.

A produção é comercializada no Mercado Central de Fortaleza, na Praça da Sé, por preços bastante superiores, "é claro", mas Lucineide não se espanta. Está acostumada desde que nasceu com esta relação de trabalho. E confessa que não dá para viver disso.

LABIRINTO
Ela veio em fevereiro para a grande cidade e está achando "legal, a vida é melhor porque tem muitas coisas, mas lá também é bom". Garante que no interior ainda tem muita gente fazendo renda. Em Fortaleza, não, as artesãs estão desaparecendo, em vez de rendas estão fazendo "labirintos", trabalho que consiste em desfiar um tecido para depois encher os espaços abertos com motivos de um desenho previamente traçado.

Para encontrar Lucineide, foi necessário enfrentar o calor do sol do início da tarde e escalar os cômoros do Mucuripe, passando por entre barracos construídos com materiais usados, onde os jegues são convocados a transportar água durante todo o dia.

Quem compra na Emcetur ou no Mercado Central não se preocupa com essas coisas. Talvez nem se questione sobre como e onde surgiu esta arte popular. Ali, as peças são produtos acabados, convites ao consumo. E não interessa, a não ser em termos de preço, de uma toalha de banquete exigiu até seis meses de trabalho dedicado e persistente.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Tunísia estima prejuízo de 450 milhões de euros com terrorismo

O prejuízo com o atentado terrorista que matou 39 pessoas na praia de Sousse, no Mar Mediterrâneo, pode custar 450 milhões de euros (R$ 1,56 bilhão) à Tunísia, estimou ontem a ministra do Turismo do país, Selma Elloumi Rekik.

O turismo foi responsável por 14,5% do produto interno bruto tunisiano em 2015. Gera mais de 400 mil empregos diretos e indiretos.

A maioria dos mortos era de turistas britânicos: 22 foram identificados. O governo do Reino Unido espera que o total chegue a 30. O atirador, um estudante de 23 anos, tinha ligações com a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ataque terrorista a museu deixa 23 mortos na Tunísia

Um ataque terrorista contra o Museu do Bardo, no centro de Túnis, perto do Parlamento da Tunísia, terminou com a morte de 20 turistas estrangeiros, um tunisiano e dois extremistas muçulmanos, confirmou há pouco o primeiro-ministro Habib Essid. Ele acrescentou que três jihadistas conseguiram escapar do cerco policial. Outras 22 pessoas saíram feridas.

A Tunísia foi o país onde começou a chamada Primavera Árabe, uma onda de revoltas contra governos autoritários do Norte da África e do Oriente Médio. Os protestos começaram quando um jovem universitário desemprego se ateou fogo em reação aos achaques de fiscais do governo.

Quando ele morreu, três semanas depois, a revolta estourou. Em 14 de janeiro de 2011, o ditador Zine al-Abidine Ben Ali fugiu do país. Hoje, a Tunísia é o único país árabe onde a revolta popular levou à democracia.

O Egito voltou à ditadura militar com o golpe de 2013 contra a Irmandade Muçulmana. A Líbia e o Iêmen vivem na anarquia, sem governo estável. E a Síria é palco da maior tragédia humanitária em andamento hoje no mundo, com 220 mil mortes nos últimos quatro anos e 11 milhões de refugiados e desalojados de suas casas.

Por outro lado, estima-se que a Tunísia tenha sido o país de onde saíram mais voluntários para aderir à milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, cerca de 3 mil. Uma suspeita é que esses voluntários enrijecidos pela brutalidade das guerras no Oriente Médio tenham decidido atacar seu próprio país. Os terroristas também podem ter vindo de países vizinhos com fortes movimentos jihadistas como a Argélia e a Líbia.

Os terroristas esperaram a chegada de ônibus de turismo e abriram fogo. Em seguida, invadiram o prédio, onde havia cerca de 100 turistas. O atentado é uma tentativa de boicotar a única democracia nascida da Primavera Árabe. O turismo é uma das principais fontes de renda da jovem democracia.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

EUA aliviam restrições econômicas a Cuba

Os departamentos do Comércio e do Tesouro dos Estados Unidos adotaram hoje uma série de medidas que entram em vigor amanhã dentro do reatamento de relações com Cuba anunciado pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro.

A partir de amanhã, os americanos podem viajar a Cuba para visitar a família ou com objetivos culturais ou religiosos sem necessidade de permissão especial do governo dos EUA. Nos outros casos, as restrições ou turismo estão mantidas por enquanto.

Cada cidadão americano poderá enviar até US$ 8 mil por ano a Cuba, quatro vezes mais do que o limite atual. Também poderá usar cartões de crédito na ilha.

As novas regras ainda autorizam empresas americanas a exportar equipamentos de telecomunicações e oferecer serviços de Internet em Cuba.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Cuba recebeu três milhões de turistas em 2014

Cuba recebeu em 2014 um número recorde de cerca de 3 milhões de turistas e a tendência é de um aumento em 2015 com o reatamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos.

O turismo é a terceira maior fonte de renda da ilha do Mar do Caribe, depois da exportação de serviços médicos, inclusive para o Brasil, e das remessas de cubanos residentes nos exterior, especialmente nos EUA.

Com o reatamento, os americanos poderão usar cartões de crédito em Cuba, um estímulo para a economia da ilha, mas o embargo econômico imposto a partir de 1960 depende do Congresso dos EUA, onde o Partido Republicano terá maioria em 2015.

A situação política na ilha não muda, como declarou o ditador Raúl Castro. Vários dissidentes foram presos ontem, quando tentavam organizar um protesto na Praça da Revolução, no centro de Havana, abrindo um microfone para populares darem depoimentos sobre a reaproximação com os EUA.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Brasileiros lideram turismo de fora da Europa em Portugal

Os turistas brasileiros foram responsáveis por mais de 119 mil pernoite nos hotéis portugueses em agosto de 2014. Desde o início do ano, o Brasil foi o sexto país que mais enviou turistas a Portugal e o maior de fora da Europa, revelou ontem o Instituto Nacional de Estatística.

Na comparação com agosto do ano passado, o turismo brasileiro em Portugal cresceu 20,2%. Como um todo, o turismo estrangeiro em Portugal avançou 8,6%.

Nos primeiros oito meses do ano, brasileiros pernoitaram mais de 870 mil noites em hotéis portugueses, uma alta de 10,1%., com pico em maio (149 mil) Os únicos países com crescimento maior foram Bélgica (18,5%), Espanha (17,1%), França (13,7%) e Reino Unido (11,2%).

Até agosto deste ano, os hotéis portugueses faturaram 1,53 bilhão de euros, 12,2% acima do mesmo período em 2013.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Minhas primeiras impressões do Recife

Esta reportagem, feita na minha primeira viagem ao Recife, foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 de dezembro de 1978:

RECIFE - É no Parque Nacional dos Guararapes, que diversas placas assinalam ser o local onde nasceu o Exército Brasileiro e o sentimento nacionalista, o desejo de integração nacional, que começa o roteiro histórico da visita a Recife e Olinda.

Do alto daquelas colinas cobertas por coqueiros, no município de Jaboatão, no Grande Recife, se tem um amplo panorama da capital pernambucana e cidades vizinhas. De um lado, fica a colonial Olinda e do outro o distrito industrial de Jaboatão, ao fundo o mar o no meio a concentração urbana do Recife.

A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1782, substitui uma capela mandada construir em 1656 pelo mestre-de-campo e general Francisco Barreto em homenagem à padroeira do dia em que foi conquistada a vitória final contra os holandeses, 27 de janeiro de 1654. Seu estilo é barroco, com o altar-mor todo trabalhado em madeira entalhada.

CANHÕES
Ao redor da igreja, árvores de frutas da terra - abacate, manga, sapoti, banana - realçam a beleza do lugar. Durante as obras para a abertura das pistas asfaltadas que levam ao Parque dos Guararapes, foram encontrados canhões provavelmente usados nas batalhas. Foram restaurados e estão ali para mostrar que a área foi um campo de batalha. Também foram encontrados cadáveres com medalhas penduradas no pescoço, mas estas foram para museus em São Paulo.

O Recife é uma cidade pobre que recebe milhares de migrantes afugentados do interior pelas secas nordestinas e não tem emprego para eles. Então, garotos rondam os pontos turísticos na tentativa de ganhar alguns trocados. O Parque dos Guararapes está cheio deles. Decoram meia dúzia de informações históricas e as reproduzem apressadamente, em tom de voz mecânico. Confusos, se repetem e atropelam modinhas - mas de qualquer forma espelham uma realidade social, ainda que incômoda para os que pretendem apresentar o Nordeste de hoje como uma região progressista que abandona os problemas do passado.

Pelas ruas e avenidas que se percorre até chegar ao centro, as visões da pobreza se reproduzem casa por casa. São os mocambos do Recife, moradia dos severinos que o sertão repeliu.

No Centro, passsa-se pelo Forte das Cinco Pontas e pela Campina da Taborda a caminho da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a mais rica em barroco no Brasil e também a mais alta. Seu teto conserva as pinturas originais de João de Deus Sepúlveda.

PONTE
As grandes obras de Maurício de Nassau estão na Ilha de Santo Antônio, onde hoje se situa o comércio popular do Recife. Destacam-se o Palácio das Torres e a Ponte dos Arcos. Esta última foi uma obra milionária, concluída em 1643. Entretanto, os recifenses contam que ninguém queria atravessá-la porque Nassau instituiu uma espécie de pegádio.

Mas o representante holandês era inteligente e sabia manobrar a vontade popular. Espalhou a notícia de que um boi voava do outro lado da ponte. Para alimentar as ilusões, fez um boi de cortiça e pano, e levantou-o com cordas. Resultado: todos passavam e pagavam a taxa com satisfação.

Além disso, Nassau colocou pedras sobre os arrecifes naturais para fortalecer o porto. Canhões fincados em pé serviam para amarrar os navios.

Para o guia turístico, Pernambuco é pioneiro em tudo no Brasil. Teve o primeiro parlamento, a primeira faculdade de direito e a primeira televisão educativa, agora também a primeira em cores. Só não se iludam se ele disser que foi o Diário de Pernambuco foi o primeiro jornal impresso no Brasil, pois foi a Gazeta do Rio de Janeiro, na época de Dom João VI, em 1808. O Diário de Pernambuco é apenas o mais antigo em atividade.

Como não poderia deixar de ser, o ufanismo pernambucano se manifesta também na voz dos locutores de rádio. A Rádio Jornal do Comércio dá o prefixo e anuncia estar transmitindo em quatro diferentes frequências de ondas curtas: "Não há distância que nos separe."

Talvez as maiores relíquias históricas do Recife estejam no Museu e Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na Rua do Imperador. Ali fica a Capela Dourada, toda resplandescente de tanto ouro que reveste as formas barrocas em estilo rococó esculpidas em cedro. Do século 18, é a obra máxima do período em que o açúcar concedeu aos senhores de engenho a supremacia econômica dentro do Brasil Colônia.

Ao lado, existe o Museu Franciscano de Arte Sacra, rico em esculturas, paramentos e peças de igrejas, com castiças e cálices em ouro e prata.

PATRIMÔNIO
A parte antiga de Olinda está totalmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (e hoje também pela ONU como patrimônio da humanidade).

As casas grudadas umas às outras, as ruas aladeiradas e estreita constituem uma paisagem que dá ares de Salvador. Na Rua Bernardo Vieira de Melo, o antigo Mercado da Ribeira, onde eram negociados os escravos, agora é usado por artesãos. As ruínas do antigo Senado resistem, embora só reste um paredão.

O casarão colonial onde viveu João Fernandes Vieira, na Rua de São Bento, com dois andares, varanda e jardim ao lado, também merece uma parada. A Igreja de São Pedro dos Clérigos de Olinda (1590) é mais antiga do que a do Recife; entretanto, sua arquitetura sofreu diversas alterações com o tempo, As portas esculpidas em madeira mantêm o aspecto original.

Mas é na frente do Mosteiro de São Bento e da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1540) que se abre um panorama que justifica a exclamação "Ó linda!", que teria sido, segundo a tradição oral, a origem do nome da cidade. O aspecto de cidade grande e moderna do Recife se contrapõe à quietude colonial das igrejas que emergem por entre os coqueiros das colinas de Olinda.

INCÊNDIO
A parede frontal da Igreja da Misericórdia foi enegrecida pelas chamas quando os holandeses incendiaram Olinda, testemunha até hoje aquela agressão. Mas o prédio resistiu e foi reconstruído por Nassau.

Já o Mosteiro de São Bento (1599) foi erguido onde antes havia uma ermida a São Roque. Obra-prima do barroco brasileiro, sediou o primeiro curso de Direito do país e hoje abriga a Faculdade de Ciências Humanas de Olinda.

A Rua de São Francisco é uma ladeira íngreme que leva até o primeiro convento franciscano do Brasil, em estilo barroco rococó, com claustro decorado com azulejos portugueses. Dentro dele, está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, muito antiga, do tempo dos holandeses. A pintura original ainda não foi restaurada.

Outro prédio histórico que vale a pena conhecer em Olinda é o seminário, antigo colégio jesuíta situado na parte norte da cidade velha, por onde os holandeses atacaram por ser o flanco menos protegido. Seu estilo é clássico, quinhentista.

Descendo para a parte plana, chega-se à Nova Olinda, que antigamente seria submersa e hoje está seriamente ameaçada pelas ressacas. Os bares, restaurantes e boates limitam-se uns aos outros na beira-mar. É uma zona residencial e de veraneio, com os edifícios disputando os espaços palmo a palmo como em Copacabana.

Alguns quilômetros mais ao norte, quando as construções de alvenaria dão lugar às choupanas de pau-a-pique e sapê cobertas por palha de coqueiros, no local onde os holandeses desembarcaram em 1630, fica o Forte Pau Amarelo, já no município vizinho de Paulista. Construção portuguesa de 1719, é um excelente local para terminar o passeio dando uma caminhada pela areia, por entre jangadas e coqueiros, observandoo pôr-do-sol.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Turismo brasileiro bate recorde em Portugal

O número de pernoites de turistas brasileiros em hotéis de Portugal passou de 151 no mês maio, 16% a mais do que em abril, informa o Instituto Nacional de Estatísticas. É um recorde. Indica que 2014 deverá ser o melhor ano da história.

O resultado de maio foi 11% superior ao de maio no ano passado, batendo o recorde anterior, de 144 mil pernoites, registrado em outubro de 2013. Nos primeiros cinco meses de 2014, o total de pernoites de brasileiros em hotéis portugueses chegou a 521 mil, 19% acima do ano passado. Em 2013 como um todo, foram 1,2 milhão de pernoites.

Na lista de países que enviam mais turistas a Portugal, o Brasil ficou em sexto lugar até maio deste ano, depois do Reino Unido (2,48 milhões), da Alemanha (1,63 milhão), da Espanha (986 mil), da França (925 mil) e da Holanda (747 mil).

Do jeito que estão os preços no Brasil, em muitos casos vale mais a pena viajar ao exterior.