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domingo, 24 de agosto de 2014

Brasil despreza patrimônio histórico e artístico

Só dará para acreditar nas promessas dos candidatos de dar prioridade à educação quando os políticos eleitos passarem a preservar o patrimônio histórico e artístico nacional, nossa identidade e história. Lugares que deveriam estar cheios de crianças e jovens estudando nossas origens são mais um exemplo do complexo de vira-latas que assola o Brasil.

Enquanto foram construídos estádios faraônicos e aeroportos suntuosos para a Copa do Mundo, as igrejas e mosteiros barrocos de Salvador, Olinda e Recife estão em péssimo estado, e os fortes que um dia defenderam a integridade territorial da América Portuguesa estão em ruínas.

A Catedral e as igrejas de São Francisco e da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, na Bahia; a Capelo Dourada da Ordem Terceira de São Francisco e os Conventos de Santo Antônio e do Carmo, no Recife; e as igrejas de São Francisco e São Bento, em Olinda, Pernambuco; para lembrar apenas algumas das maiores joias do patrimônio histórico, arquitetônico e artístico nacional, dão pena.

A imponente Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo ou Igreja do Passo, cuja escadaria foi o principal cenário de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, único filme brasileiro a ganhar a Palma da Ouro em Cannes, está fechada desde 1998, quando o teto, corroído por cupins, desabou.

Dos cerca de 900 fortes construídos ao longo da costa para defender o Império Português na América, mais de ainda existem, a maioria em péssimas condições.

No Nordeste, os fortes de Santa Maria, no Porto da Barra, em Salvador, na Bahia; Orange, em Itamaracá, Pernambuco; de Santa Catarina, em Cabedelo, na Paraíba, de onde Maurício de Nassau embarcou de volta para a Europa depois de governar o Brasil Holandês no seu período de maior glórica (1637-44); e dos Reis Magos, marco da fundação de Natal, estão em ruínas.

Na entrada do Forte Orange, um funcionário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) dá uma tirinha de papel com o endereço na Internet, deixando claro que não há informações disponíveis no local.

Em Cabedelo, o local é aberto. Um guia caça-turistas oferece algumas explicações, mas o ambiente é desolador. Restam alguns canhões jogados, mas a grama avança.

Na entrada do Forte dos Reis Magos, está o primeiro marco da coroa portuguesa reivindicando soberania sobre o Brasil. Uma guia conta a história do cerco da guarnição portuguesa durante a Segunda Invasão Holandesa (1630-54) para um grupo de crianças de escolas públicas de Natal mais interessadas em tirar fotos com celulares.

Alguns abnegados se esforçam para manter a história viva. Na entrada, há uma mesa e cadeiras de plásticos onde três mulheres se acomodam entre pedras e grama. Ao lado, há uma mesa com vários livros interessantes sobre o patrimônio arquitetônico de diferentes regiões do Brasil. Mas, lá dentro, o panorama é desolador.

Há uma moto estacionado dentro de uma das salas. Elas estão identificadas como prisões para oficiais ou soldados, salas de reuniões do estado-maior, do comando, mas uma prisão virou banheiro. O descaso é total.

Quem já cruzou a fronteira sul, com o Uruguai, e esteve nos fortes de São Miguel e Santa Teresa, a poucos quilômetros ddo Chuí, vai encontrar armas, bandeiras, escudos e insígnias. O cenário está pronto. Se entrar um grupo de atores, a história do país pode ser reencenada aos visitantes. Dá para usar como sala de aula, cenário de filmes.

Na Inglaterra, é comum a contratação de atores para dar vida a prédios, monumentos e cidades históricas. No Castelo de Leeds, em Maidstone, Kent, além do fosso e dos animais para alimentar os moradores, aias falam da rainha e seus caprichos como se Ana Bolena fosse aparecer na sala ao lado.

Um ator encarnando Robin Hood circula regularmente pelas ruas de Nottingham, recontando a história do herói que roubava dos ricos para dar aos pobres, uma lenda provavelmente inspirada num dos nobres que se revoltou contra João Sem Terra e entrou na clandestinidade.

No Brasil, onde as empresas da construção civil ganhou tanto dinheiro e fazem tantas contribuições lícitas e ilícitas para as campanhas eleitorais, poderiam cuidar do patrimônio histórico e artístico nacional para que os estudantes possam entender como e por que o Brasil deu no que deu.

Com a inflação da Copa do Mundo e a insegurança nas capitais brasileiras, talvez seja mais barato e prudente viajar a Portugal para conhecer o lado que não estudamos da História do Brasil. Ou então ir para Aruba, Curaçao e Nova York, para onde foram holandeses e judeus depois da vitória da Insurreição Pernambucana, em 1654, quando o Recife era mais rico e próspero do que Nova Amsterdã, a futura Nova York.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Holandeses dominam Nordeste e Nassau é aplaudido

Prestes a embarcar mais uma vez para o Recife, transcrevo aqui este texto escrito na primeira viagem a Pernambuco, publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 dezembro de 1978:

Por volta de 1530, Dom João III, rei de Portugal, percebe que colonizar é a melhor maneira para garantir o domínio sobre suas possessões na América. Institui, então, o sistema de capitanias hereditárias e recomenda aos donatários que introduzam a agricultura como forma de fixar o homem à terra. O açúcar é um produto em ascensão no mercado internacional e a cana, já plantada com sucesso nas ilhas da Madeira e dos Açores, logo se adapta aos solo fértil da Zona da Mata nordestina. O Brasil lidera a produção mundial e Pernambuco se torna a capitania mais florescente da colônia no século 16. Cem anos mais tarde, quando o Brasil está sob o domínio espanhol, esse mesmo açúcar atrai a cobiça dos holandeses, que invadem o Nordeste em 1624-25 e 1630-54. Nesse período, o conde Maurício de Nassau, mais mercenário do que príncipe, inicia o desenvolvimento do Recife, como governador dos territórios ocupados. As relíquias desse passado histórico em que o açúcar foi a mercadoria mais importante do comércio marítimo mundial estão em Olinda e Recife.

À época do descobrimento do Brasil, todas as atenções de Portugal se voltam para o Oriente, onde o comércio das especiarias atinge o apogeu. Ninguém quer saber do Brasil, a não ser os traficantes de madeira. Pelo sistema de capitanias, o rei cede alguns direitos ao mesmo tempo em que passa os encargos financeiros com transporte e povoação aos donatários.

Poucos se candidatam. Segundo a História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., entre os 12 pretendentes não figura nenhum nome da grande nobreza e do alto comércio - são todos indivíduos de pequena expressão econômica e social.

AÇÚCAR
O açúcar é o grande negócio. Em 1440, uma arroba (15 quilos) vale 18,30 gramas de ouro em Londres. Como não existe o hábito de consumi-lo, o desenvolvimento da produção logo traz a queda nos preços. Portugal já é o maior produtor e o Brasil assume essa condição entre suas colônias.

Duarte Pereira Coelho, donatário de Pernambuco, é homem de armas com experiência em navegações. Jovem, em 1519, vai à Índia. Em 1516-17, desempenha missão diplomática no distante e desconhecido reino do Sião. Navega o mar da China e percorre as costas da África, passando a comandar a frota guarda-costas do Brasil, quando conhece a futura capitania de Pernambuco, em 1530, durante lutas contra índios em Igaraçu.

Cinco anos depois, Duarte Coelho recebe a Fortaleza de Pernambuco, que tem esse nome porque um extenso recife passa rente à praia, com uma abertura para dar vazão às aguas dos rios Capibaribe e Beberibe (em tupi, parana puca significa mar furado).

TRADIÇÃO
Mais preocupado com a defesa militar do que com o comércio (homem de armas, confiava nelas), o donatário transfere a feitoria para uma colina na margem esquerda do Beberibe, lugar de bela paisagem. Surge a primeira capital de Pernambuco, Olinda, assim batizada porque um colonizador teria se maravilhado com a vista e exclamado: "Ó linda!" - segunda a versão do Frei Vicente Salvador, consagrada pela tradição oral.

Junto ao porto natural, existe uma povoação desde 1927, mas o Recife é fundado oficialmente em 12 de março de 1537 com o nome de Arrecife dos Navios, espremido entre os rios e o mar, com seus armazéns, suas tendas vagabundas e a vulgaridade de seus comerciantes - contrastando com a aristocrática Olinda dos nobres senhores de engenho.

A cana assume seu papel. Lentamenta a agroindústria dá seus primeiros passos na planície do Beberibe. Os engenhos passam de 23 em 1576 para 50 dez anos depois e na virada do século são mais de 100. Em 1583, foram exportadas 3 mil arrobas de açúcar.

INVASÃO
Com a morte de Dom Sebastião, rei de Portugal, em 1580, sem deixar sucessor, Felipe II, da Espanha, reivindica e leva a coroa portuguesa, disse se aproveitando a Holanda, inimiga da Espanha, para invadir o Brasil com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, empresa colonizadora e exploradora. O primeiro alvo é Salvador, que como capital da colônia era bem fortificada, reage e repele o invasor em um ano com o apoio de uma esquadra luso-espanhola.

Com 3.780 marinheiros e 3.500 homens bem armados em 35 naus, 15 iates, 35 chalupas e duas embarcações capturadas, os holandeses atacam Pernambuco, "a mais rica das províncias ultramarinas portuguesas". Em 13 de fevereiro de 1630, o almirante Lonch avista Olinda, mas o governador Matias de Albuquerque protege o porto. Enquanto Lonch visa os fortes do Recife de longe, Wardenburch desembarca 3 mil homens ao norte, onde hoje fica o Forte Pau Amarelo, guiado por um cristão novo (judeu convertido), Antônio Dias Papa-robalos.

Explica-se: O fantasma da Inquisição apavora a Espanha e suas colônias, e o Brasil há havia recebido a Visitação do Santo Ofício em 1591-5. Para os judeus, a presença holandesa seria tranquilizadora. Atacando violentamente pelo lado norte, desguarnecido, os holandeses incendeiam e destroem Olinda.

PRÍNCIPE
O Recife é escolhido para capital da Nova Holanda em função da importância do porto para o comércio, principal interesses dos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma multinacional da época. As capitanias de Itamaracá, Paraíba e Rio Grande são dominadas. Para consolidar suas posições, a empresa nomeia governador-geral o conde João Maurício de Nassau-Siegen.

Segundo o historiador Hélio Vianna, Nassau não passa de um fidalgo alemão que recebe honrarias de príncipe do Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico, em 1674, muito depois de deixar o Brasil, sem no entanto jamais ter reinado sobre terra alguma. Não é, portanto, da família real holandesa, mas, sim, "um ex-combatente da Guerra dos Trinta Anos, como outros mercenários que a Cia. das Índias Ocidentais enviou para a América".

O mesmo Hélio Vianna entende que não foi o administrador extraordinário que alguns pretendem: inteligente, procura desempenhar bem sua missão, embora sempre atendendo às conveniências meramente utilitárias da empresa.

Talvez pensando em viver na América, Nassau constroi um palácio, planta 700 coqueiros e outras árvores frutíferas, parreirais para fazer vinho na Ilha de Itamaracá. Dá liberdade religiosa aos judeus e a outras minorias perseguidas para atrair migrantes. Sua obra mestra é a Ponte dos Arcos, que custa 100 mil florins e liga as ilhas do Recife e de Santo Antônio, onde cria a Cidade Maurícia. Além disso constroi o porto, antes natural.

Mas os acionistas da Companhia das Índias Ocidentais queriam remessas de lucros e não despesas com colônias distantes. Em 1644, Nassau é chamado para prestar contas. Antes de partir, é carregado em triunfo nos braços do povo, que soube reconhecer sua preocupação com o desenvolvimento e não apenas com a exploração. Durante seu governo (1937-44), houve florescimento das artes, mas os engenhos nunca funcionaram como antes de 1630.

INSURREIÇÃO
A volta de Nassau deteriora a ocupação holandesa. Portugal, independente da Espanha desde 1640, apoiava decisivamente a expulsão do invasor. Organiza-se a Insurreição Pernambucana, fato histórico apontado como primeira manifestação do sentimento nacionalista no Brasil.

Os pretos de Henrique Dias, os índios de Felipe Camarão, os portugueses liderados pelo poderoso senhor de engenho João Fernandes Vieira e os brasileiros de André Vidal de Negreiros se unem sob a chefia do mestre de campo e marechal Francisco Barreto, nomeado pelo rei Dom João IV.

A vitória decorre de duas derrotas sofridas pelos holandeses em batalhas nos Montes Guararapes, a primeira em 18 de abril de 1648 e a segunda em 18 de fevereiro de 1649. Debilitados, os invadores ainda resistem cinco anos até a rendição final, assinada na Campina da Taborda, atrás do Forte das Cinco Pontas, no centro do Recife, em 1654.

Minhas primeiras impressões do Recife

Esta reportagem, feita na minha primeira viagem ao Recife, foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 de dezembro de 1978:

RECIFE - É no Parque Nacional dos Guararapes, que diversas placas assinalam ser o local onde nasceu o Exército Brasileiro e o sentimento nacionalista, o desejo de integração nacional, que começa o roteiro histórico da visita a Recife e Olinda.

Do alto daquelas colinas cobertas por coqueiros, no município de Jaboatão, no Grande Recife, se tem um amplo panorama da capital pernambucana e cidades vizinhas. De um lado, fica a colonial Olinda e do outro o distrito industrial de Jaboatão, ao fundo o mar o no meio a concentração urbana do Recife.

A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1782, substitui uma capela mandada construir em 1656 pelo mestre-de-campo e general Francisco Barreto em homenagem à padroeira do dia em que foi conquistada a vitória final contra os holandeses, 27 de janeiro de 1654. Seu estilo é barroco, com o altar-mor todo trabalhado em madeira entalhada.

CANHÕES
Ao redor da igreja, árvores de frutas da terra - abacate, manga, sapoti, banana - realçam a beleza do lugar. Durante as obras para a abertura das pistas asfaltadas que levam ao Parque dos Guararapes, foram encontrados canhões provavelmente usados nas batalhas. Foram restaurados e estão ali para mostrar que a área foi um campo de batalha. Também foram encontrados cadáveres com medalhas penduradas no pescoço, mas estas foram para museus em São Paulo.

O Recife é uma cidade pobre que recebe milhares de migrantes afugentados do interior pelas secas nordestinas e não tem emprego para eles. Então, garotos rondam os pontos turísticos na tentativa de ganhar alguns trocados. O Parque dos Guararapes está cheio deles. Decoram meia dúzia de informações históricas e as reproduzem apressadamente, em tom de voz mecânico. Confusos, se repetem e atropelam modinhas - mas de qualquer forma espelham uma realidade social, ainda que incômoda para os que pretendem apresentar o Nordeste de hoje como uma região progressista que abandona os problemas do passado.

Pelas ruas e avenidas que se percorre até chegar ao centro, as visões da pobreza se reproduzem casa por casa. São os mocambos do Recife, moradia dos severinos que o sertão repeliu.

No Centro, passsa-se pelo Forte das Cinco Pontas e pela Campina da Taborda a caminho da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a mais rica em barroco no Brasil e também a mais alta. Seu teto conserva as pinturas originais de João de Deus Sepúlveda.

PONTE
As grandes obras de Maurício de Nassau estão na Ilha de Santo Antônio, onde hoje se situa o comércio popular do Recife. Destacam-se o Palácio das Torres e a Ponte dos Arcos. Esta última foi uma obra milionária, concluída em 1643. Entretanto, os recifenses contam que ninguém queria atravessá-la porque Nassau instituiu uma espécie de pegádio.

Mas o representante holandês era inteligente e sabia manobrar a vontade popular. Espalhou a notícia de que um boi voava do outro lado da ponte. Para alimentar as ilusões, fez um boi de cortiça e pano, e levantou-o com cordas. Resultado: todos passavam e pagavam a taxa com satisfação.

Além disso, Nassau colocou pedras sobre os arrecifes naturais para fortalecer o porto. Canhões fincados em pé serviam para amarrar os navios.

Para o guia turístico, Pernambuco é pioneiro em tudo no Brasil. Teve o primeiro parlamento, a primeira faculdade de direito e a primeira televisão educativa, agora também a primeira em cores. Só não se iludam se ele disser que foi o Diário de Pernambuco foi o primeiro jornal impresso no Brasil, pois foi a Gazeta do Rio de Janeiro, na época de Dom João VI, em 1808. O Diário de Pernambuco é apenas o mais antigo em atividade.

Como não poderia deixar de ser, o ufanismo pernambucano se manifesta também na voz dos locutores de rádio. A Rádio Jornal do Comércio dá o prefixo e anuncia estar transmitindo em quatro diferentes frequências de ondas curtas: "Não há distância que nos separe."

Talvez as maiores relíquias históricas do Recife estejam no Museu e Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na Rua do Imperador. Ali fica a Capela Dourada, toda resplandescente de tanto ouro que reveste as formas barrocas em estilo rococó esculpidas em cedro. Do século 18, é a obra máxima do período em que o açúcar concedeu aos senhores de engenho a supremacia econômica dentro do Brasil Colônia.

Ao lado, existe o Museu Franciscano de Arte Sacra, rico em esculturas, paramentos e peças de igrejas, com castiças e cálices em ouro e prata.

PATRIMÔNIO
A parte antiga de Olinda está totalmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (e hoje também pela ONU como patrimônio da humanidade).

As casas grudadas umas às outras, as ruas aladeiradas e estreita constituem uma paisagem que dá ares de Salvador. Na Rua Bernardo Vieira de Melo, o antigo Mercado da Ribeira, onde eram negociados os escravos, agora é usado por artesãos. As ruínas do antigo Senado resistem, embora só reste um paredão.

O casarão colonial onde viveu João Fernandes Vieira, na Rua de São Bento, com dois andares, varanda e jardim ao lado, também merece uma parada. A Igreja de São Pedro dos Clérigos de Olinda (1590) é mais antiga do que a do Recife; entretanto, sua arquitetura sofreu diversas alterações com o tempo, As portas esculpidas em madeira mantêm o aspecto original.

Mas é na frente do Mosteiro de São Bento e da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1540) que se abre um panorama que justifica a exclamação "Ó linda!", que teria sido, segundo a tradição oral, a origem do nome da cidade. O aspecto de cidade grande e moderna do Recife se contrapõe à quietude colonial das igrejas que emergem por entre os coqueiros das colinas de Olinda.

INCÊNDIO
A parede frontal da Igreja da Misericórdia foi enegrecida pelas chamas quando os holandeses incendiaram Olinda, testemunha até hoje aquela agressão. Mas o prédio resistiu e foi reconstruído por Nassau.

Já o Mosteiro de São Bento (1599) foi erguido onde antes havia uma ermida a São Roque. Obra-prima do barroco brasileiro, sediou o primeiro curso de Direito do país e hoje abriga a Faculdade de Ciências Humanas de Olinda.

A Rua de São Francisco é uma ladeira íngreme que leva até o primeiro convento franciscano do Brasil, em estilo barroco rococó, com claustro decorado com azulejos portugueses. Dentro dele, está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, muito antiga, do tempo dos holandeses. A pintura original ainda não foi restaurada.

Outro prédio histórico que vale a pena conhecer em Olinda é o seminário, antigo colégio jesuíta situado na parte norte da cidade velha, por onde os holandeses atacaram por ser o flanco menos protegido. Seu estilo é clássico, quinhentista.

Descendo para a parte plana, chega-se à Nova Olinda, que antigamente seria submersa e hoje está seriamente ameaçada pelas ressacas. Os bares, restaurantes e boates limitam-se uns aos outros na beira-mar. É uma zona residencial e de veraneio, com os edifícios disputando os espaços palmo a palmo como em Copacabana.

Alguns quilômetros mais ao norte, quando as construções de alvenaria dão lugar às choupanas de pau-a-pique e sapê cobertas por palha de coqueiros, no local onde os holandeses desembarcaram em 1630, fica o Forte Pau Amarelo, já no município vizinho de Paulista. Construção portuguesa de 1719, é um excelente local para terminar o passeio dando uma caminhada pela areia, por entre jangadas e coqueiros, observandoo pôr-do-sol.