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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Obras de Le Corbusier e Niemeyer são patrimônio da humanidade

As obras de dois mestres da arquitetura moderna, o franco-suíço Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier (1887-1965), e o brasileiro Oscar Niemeyer, passaram a ser consideradas desde domingo patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Capela em Ronchamps, na França
A arquitetura moderna surge depois da Primeira Guerra Mundial e busca o funcional, a pureza das linhas e o emprego de novos materiais como ferro, aço e concreto armado.

Dezessete obras de Le Corbusier situadas em sete países (França, Suíça, Bélgica, Alemanha, Argentina, Japão e Índia) foram inscritas como patrimônio da humanidade, entre elas a Cidade Radiante, em Marselha, e a Capela de Nossa Senhora do Alto, em Ronchamps, na França; a Casa Guiette, em Antuérpia, na Bélgica; e o Museu de Arte Ocidental, em Tóquio, no Japão.

O conjunto da Pampulha, projetado pelo arquiteto brasileiro na década de 1940, quando Juscelino Kubitschek de Oliveira era prefeito de Belo Horizonte, também passou a ser considerado patrimônio cultural da humanidade.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Líder rebelde do Mali admite crime contra patrimônio histórico

O comandante rebelde Ahmad al-Faki al-Mahdi declarou aos juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) que está pronto para confessar culpa por crimes de guerra, declarou hoje o procurador-geral do tribunal, Fatou Bensouda, citado pela agência Reuters.

Al-Mahdi é a primeira pessoa denunciada pelo TPI pelo crime de danificar o patrimônio histórico e cultural da humanidade. É acusado de liderar extremistas muçulmanos que destruíram mesquitas e mausoléus da cidade de Timbuktu.

O TPI começou a investigar crimes de guerra no Mali, um país pobre da África Ocidental, em 2012, quando grupos jihadistas ocuparam o Norte do país em aliança com milícias tuaregues.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ofensiva do regime sírio chega aos arredores de Palmira

Com cobertura aérea da Rússia, o Exército da Síria e milícias aliados chegaram hoje aos arredores da cidade de Palmira, situada em meio ao deserto na província de Homs, revelou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental que monitora a guerra civil no país.

Como Palmira fica num oásis, sua queda implicará uma grande redução no território controlado pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A cidade fica no meio de uma importante rodovia controlada pelo Estado Islâmico há quase um ano.

Palmira, tomada pelo Estado Islâmico em maio de 2015, é considerada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) patrimônio histórico da humanidade. Tem ruínas que datam do período Neolítico. Muitos monumentos foram destruídos pelo EI como "não islâmicos".

À medida que perde espaço no Oriente Médio e vê seu califado encolher, o Estado Islâmico tende a recorrer cada vez mais ao terrorismo com única saída para continuar sua luta e recrutar novos voluntários para o martírio.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Universidade de York ajuda a restaurar capital do Egito Antigo

Uma das capitais do Egito Antigo, Mênfis é considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), mas nas últimas três décadas a expansão urbana ameaçou seus monumentos. 

Agora, a Universidade de York, na Inglaterra, e o Ministério das Antiguidades do Egito conseguiram uma ajuda de US$ 1,43 milhão da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) para recuperá-los.


O projeto de dois anos vai criar um circuito para visitantes percorreram a pé as ruínas de Mênfis. A proposta é ligar oito monumentos, do Portão Oriental ao Grande Templo de Ptah.

Enquanto estudantes e pesquisadores investigam a área tombada, 120 trabalhadores locais foram contratados para limpar as ruínas de Mênfis. Uma escola vai treinar 80 funcionários do Ministério da Antiguidades do Egito para administrar o patrimônio histórico e cultural do país onde surgiu a mais antiga civilização.

A ideia também visa a beneficiar a população local com o aumento do turismo. "Mênfis é um sítio verdadeiramente fenomenal que já é conhecido na imaginação popular, mas agora tem o potencial de se tornar um importante destino do turismo cultural internacional", explicou a Dra Sara Perry, do Departamento de Arqueologia da Universidade de York.

"Os tempos de Mênfis estão entre os mais importantes do Egito Antigo. Só Luxor é comparável em importância política, econômica e religiosa. O deus criador Ptah é associado a Mênfis. Aqui, ficava um dos maiores templos erguidos em seu nome no Novo Reino [1550-1070 antes de Cristo]", acrescentou a pesquisadora.

"Na verdade, foi onde o Egito ganhou seu nome", ensinou Sara Perry. "Mênfis era chamada de Hikuptah, o Templo da Alma de Ptah, que os gregos chamavam de Aigyptos e hoje se traduz como Egito. Este projeto visa a inspirar as pessoas aqui e internacionalmente para a regeneração de um dos sítios arquelógicos mais importantes do Egito, dando ao mundo um novo olhar sobre seu significado para a história da humanidade."

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Estado Islâmico arrasa mais antigo mosteiro cristão do Iraque

Em mais um atentado contra o patrimônio histórico e cultural da humanidade, a organização
terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante destruiu o mais antigo mosteiro cristão do Iraque, que tinha 1.400 anos.

Como a fortaleza que foi no passado, o Mosteiro de Santo Elias, de 2.500 metros quadrados, ficava sob uma colina próxima de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, ocupada pelo Estado Islâmico desde junho de 2014. Estava parcialmente restaurado.

Embora o teto estivesse destruído, o mosteiro tinha 26 salas distintas, entre elas um santuário e uma capela. Foi usado como local de oração por soldados dos Estados Unidos durante a invasão do Iraque.

As imagens de satélite mostram hoje apenas um monte de poeira cinza. "As paredes de pedra foram literalmente pulverizadas", observou o analista de imagens Stephen Wood, diretor-presidente da empresa Allsource Analysis. "Retroescavadeiras, equipamento pesado e possivelmente explosivos transformaram aquelas paredes de pedra nesta poeira cinzenta. Eles o destruíram completamente."

Antes do mosteiro, o Estado Islâmico atacou outras cidades históricas, como Nimrod e Hatra, e as ruínas de Nínive, no Iraque; e Pamira, na Síria. Além de destruir templos e imagens consideradas profanas por sua versão radical do Islã, os jihadistas vendem relíquias históricas no mercado negro de antiguidades.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Hollande oferece asilo para obras de arte ameaçadas pelo terror

Em discurso na 70º Conferência Geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), com sede em Paris, o presidente François Hollande ofereceu ontem "asilo" na França para as obras de arte e o patrimônio histórico e cultural ameaçados pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

"O direito de asilo vale para as pessoas, mas deve valer igualmente para suas obras, para o patrimônio mundial", declarou Hollande. "É a razão pela qual este dispositivo fará parte da Lei de Liberdade de Criação que a ministra da Cultura, Fleur Pellerin, deve apresentar ao Parlamento.""

Em sua sanha para destruir tudo o que consideram profano e anti-islâmico, o Estado Islâmico destruiu, entre outros, monumentos históricos e artísticos em Hatra, Mossul, Nínive, Nimrod e Tal Afar, no Iraque; em Deir ex-Zor, Palmira e Rakka, na Síria; e até mesmo um santuário sufista em Trípoli, a capital da Líbia.

As correntes mais radicais do Islã proíbem a reprodução da figura humana para evitar a idolatria. Além de destruir parte do patrimônio histórico e cultural, o EI vende obras de arte saqueadas no mercado negro como fonte de renda adicional.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Estado Islâmico volta a entrar em Palmira

Milicianos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante entraram de novo hoje na cidade histórica de Palmira, no centro da Síria, noticiou a Agência France Presse (AFP). Os jihadistas tomaram a chefiatura de polícia antes de se infiltrar pelos bairros da Zona Norte da cidade, que tinham tomado em 16 abril e perdido em menos de 24 horas.

Cidade histórica ameaçada
Se o Estado Islâmico tomar o Sudoeste da cidade, há o temor de que destrua as ruínas de uma cidade histórica de mais de 2 mil anos, uma encruzilhada importante das culturas romana, árabe, persa e turca, considerada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Os terroristas já destruíram monumentos históricos que consideram profanos em Mossul, Nimrod, Nínive e Hatra.

Apesar das recentes vitórias na Síria e no Iraque, onde tomou Ramadi, capital da maior província iraquiana, analistas militares acreditam que o combate em duas frentes debilita o Estado Islâmico. No Iraque, milícias xiitas iraquianas financiadas e treinadas pelo Irã preparam uma contraofensiva.

Ontem, o Estado Islâmico anunciou na Internet que vai marchar rumo a Bagdá. Embora ainda pareça improvável que consiga tomar a capital do Iraque, pode aumentar sua capacidade de atacar a cidade com atos terroristas.

No fim do dia de hoje, o EI tomou toda a cidade de Palmira, onde fica uma das prisões da ditadura da Bachar Assad.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Estado Islâmico ameaça cidade histórica síria de Palmira

Os combates entre o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e as forças leais à ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria se aproximam das ruínas da antiga cidade de Palmira, do tempo do Império Romano, considerada patrimônio histórico e cultural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

A guerra está a dois quilômetros de Palmira, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres, citado pela Agência France Presse.

Neste momento, uma conferência internacional realizada no Cairo avalia os prejuízos causados pelo Estado Islâmico ao destruir as ruínas das cidades históricas de Nimrod e Hatra. Se Palmira cair, não será diferente.

"O sítio já sofreu com quatro anos de conflito, sofreu pilhagem. Representa um tesouro insubstituível para o povo sírio e para o mundo", declarou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova.

O salafismo, ideologia dos jihadistas do Estado Islâmico, considera heresia a representação de animais e seres humanos. Sua política é de terra arrasada. Saqueia o que puder vender para financiar a guerra e destrói o resto.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Estado Islâmico divulga vídeo sobre destruição de Hatra

Com machados, picaretas e fuzis de assalto, milicianos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante destruíram no mês passado a cidade romana de Hatra, tombada pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco) como patrimônio histórico e cultural da humanidade. Agora, os jihadistas divulgaram um vídeo de sete minutos do ataque, informa o jornal inglês The Guardian.

Hatra era uma cidade fortificada erguida pelo Império Selêucida no século 3 antes de Cristo. Capturada pelo Império Parta, foi capital do primeiro reino da Arábia. No século 2 depois de Cristo, suas muralhas resistiram a duas ofensivas do Império Romano. Conseguiu derrotar os persas em 238, mas caiu diante do Império Sassânida, em 241, e foi arrasada.

É mais uma da série de crimes contra a cultura e a civilização cometidos pelo Estado Islâmico. A pretexto de destruir ídolos para combater a idolatria, os terroristas atacaram as ruínas de Nínive e de Nimrod, as antigas capitais do Império Assírio, Hatra, o Mosteiro dos Mártires São Behnam e Sua Irmã Sara e o Museu de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque.

A gravação do "escritório de mídia do Rio Tigre" do Estado Islâmico, começa com uma imagem aérea de drone identificando os locais onde havia "ídolos" na fortaleza histórica. "O Estado Islâmico nos mandou até estes ídolos para destruí-los", diz um jovem terrorista em ação.

"Alguns organizações dos infiéis dizem que a destruição destes artefatos é um crime de guerra. Vamos destruir seus ídolos e artefatos em todos os lugares." E ameaça: "O Estado Islâmico vai mandar sua terra."

Os extremistas muçulmanos citam como exemplo o profeta Abraão, que destruiu os ídolos porque só Deus deveria ser adorado. Maomé fez o mesmo em Meca ao fundar o islamismo para combater a idolatria.

Com o ataque a Nínive, acabaram com uma convivência harmônia entre caldeus e cristãos siríacos num país majoritariamente árabe e muçulmano. Na ofensiva inicial contra Mossul, o Estado Islâmico massacrou o povo yazidi e escravizou suas mulheres, o que já foi denunciado como genocídio.

terça-feira, 10 de março de 2015

Extremista do Kuwait quer derrubar esfinge e pirâmides do Egito

Diante da onda de destruição de sítios e objetos históricos do Império Assírio no Iraque pela milícia terrorista Estado Islâmico, um pregador fundamentalista do Kuwait foi além: Ibrahim al-Kandari quer destruir os monumentos históricos do Egito Antigo, inclusive a esfinge e as pirâmides de Gizé.

"O fato de que os primeiros muçulmanos que eram seguidores do profeta Maomé não destruíram os monumentos aos faraós quando entraram no território do Egito não significa que não devemos fazê-lo agora", declarou Kandari, citado pelo jornal kuwaitiano Al Watan.

Depois de atacar monumentos históricos e ruínas das cidades de Nínive, Nimrod e Hatra, e o Museu de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, o Estado Islâmico destruiu hoje uma igreja católica caldeia do século 10 ao norte de Mossul.

As Pirâmides do Egito são a única das sete grandes maravilhas da Antiguidade ainda de pé. Os Jardins Suspensos da Babilônia, o Farol de Alexandria, o Templo de Diana em Éfeso, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Colosso de Rodes e o Mausoléu de Halicarnasso foram destruídos.

domingo, 8 de março de 2015

Estado Islâmico ataca mais uma cidade histórica no Iraque

A cidade de Hatra resistiu ao Império Romano, mas suas ruínas do primeiro século antes de Cristo soçobraram diante da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A destruição foi confirmada ontem, dois dias depois do anúncio da destruição de Nimrod, uma cidade de mais de 3 mil anos que foi capital do Império Assírio.

"Estamos desesperados com o governo", resumiu o historiador Ali al-Nashmi, professor da Universidade Mustansiriya, em Bagdá, entrevistado pelo jornal The New York Times. "Estamos perdendo o país."

Centenas de sítios arqueológicos da província de Nínive, tomada em junho de 2014 pelo Estado Islâmico, foram destruídos ou estão ameaçados.

Os terroristas alegam estar combatendo a idolatria com base no princípio de que o islamismo proíbe a representação de seres humanos e animais. Eles destroem os grandes monumentos e prédios, mas roubam objetos menores que possam ser vendidos no mercado negro.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Estado Islâmico ataca outro patrimônio cultural da humanidade

Em mais um crime contra o patrimônio histórico e cultural da humanidade, depois do Museu de Mossul e da cidade histórica de Nínive, a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante bombardeou e destruiu com veículos pesados as ruínas de Nimrod, segunda capital do Império Assírio, construída por volta de 1250 antes de Cristo e destruída no ano 612 da era cristã, noticiou a agência Reuters.

As ruínas de Nimrod, à margem do Rio Tigre, estão entre as descobertas arqueológicas mais importantes do século 20. São consideradas patrimônio histórico e cultural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura). Em nota, o Ministério do Turismo e das Antiguidades do Iraque acusou o Estado Islâmico de "desafiar a vontade do mundo e os sentimentos da humanidade".

A Assíria floresceu na Mesopotâmia, o território entre os rios Tigre e Eufrates, hoje parte do Iraque. Foi uma das grandes civilizações da Antiguidade. Suas imagens de homens e animais foram destruídas pelos extremistas muçulmanos sob o argumento de serem objetos de idolatria.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Bombardeios dos EUA mataram 1.119 jihadistas na Síria

Os bombardeios aéreos liderados pelos Estados Unidos causaram a morte de pelo menos 1.171 pessoas desde setembro, sendo 1.119 milicianos de grupos terroristas muçulmanos, anunciou hoje em Londres o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição à ditadura de Bachar Assad.

Os terroristas lutavam pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante e pela Frente al-Nusra, o braço armado da rede terrorista Al Caeda na guerra civil da Síria.

Hoje houve mais sete missões de bombardeio na Síria e três no Iraque contra posições do Estado Islâmico.

O governo sírio autorizou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a levar suprimentos médicos a três regiões do país que não estavam podendo receber ajuda humanitária, inclusiva a Alepo, a segunda maior cidade, e aos bairros de Muadamia e Guta Oriental, na capital, Damasco. Cerca de 4,7 milhões de sírios vivem em áreas de difícil acesso por causa da guerra.

Uma agência das Nações Unidas que examinou fotos de satélites conclui que 290 sítios de importância histórica e cultural da Síria foram danificados em três anos e meio de uma guerra civil brutal. Pelo menos 24 foram totalmente destruídos.

domingo, 24 de agosto de 2014

Brasil despreza patrimônio histórico e artístico

Só dará para acreditar nas promessas dos candidatos de dar prioridade à educação quando os políticos eleitos passarem a preservar o patrimônio histórico e artístico nacional, nossa identidade e história. Lugares que deveriam estar cheios de crianças e jovens estudando nossas origens são mais um exemplo do complexo de vira-latas que assola o Brasil.

Enquanto foram construídos estádios faraônicos e aeroportos suntuosos para a Copa do Mundo, as igrejas e mosteiros barrocos de Salvador, Olinda e Recife estão em péssimo estado, e os fortes que um dia defenderam a integridade territorial da América Portuguesa estão em ruínas.

A Catedral e as igrejas de São Francisco e da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, na Bahia; a Capelo Dourada da Ordem Terceira de São Francisco e os Conventos de Santo Antônio e do Carmo, no Recife; e as igrejas de São Francisco e São Bento, em Olinda, Pernambuco; para lembrar apenas algumas das maiores joias do patrimônio histórico, arquitetônico e artístico nacional, dão pena.

A imponente Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo ou Igreja do Passo, cuja escadaria foi o principal cenário de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, único filme brasileiro a ganhar a Palma da Ouro em Cannes, está fechada desde 1998, quando o teto, corroído por cupins, desabou.

Dos cerca de 900 fortes construídos ao longo da costa para defender o Império Português na América, mais de ainda existem, a maioria em péssimas condições.

No Nordeste, os fortes de Santa Maria, no Porto da Barra, em Salvador, na Bahia; Orange, em Itamaracá, Pernambuco; de Santa Catarina, em Cabedelo, na Paraíba, de onde Maurício de Nassau embarcou de volta para a Europa depois de governar o Brasil Holandês no seu período de maior glórica (1637-44); e dos Reis Magos, marco da fundação de Natal, estão em ruínas.

Na entrada do Forte Orange, um funcionário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) dá uma tirinha de papel com o endereço na Internet, deixando claro que não há informações disponíveis no local.

Em Cabedelo, o local é aberto. Um guia caça-turistas oferece algumas explicações, mas o ambiente é desolador. Restam alguns canhões jogados, mas a grama avança.

Na entrada do Forte dos Reis Magos, está o primeiro marco da coroa portuguesa reivindicando soberania sobre o Brasil. Uma guia conta a história do cerco da guarnição portuguesa durante a Segunda Invasão Holandesa (1630-54) para um grupo de crianças de escolas públicas de Natal mais interessadas em tirar fotos com celulares.

Alguns abnegados se esforçam para manter a história viva. Na entrada, há uma mesa e cadeiras de plásticos onde três mulheres se acomodam entre pedras e grama. Ao lado, há uma mesa com vários livros interessantes sobre o patrimônio arquitetônico de diferentes regiões do Brasil. Mas, lá dentro, o panorama é desolador.

Há uma moto estacionado dentro de uma das salas. Elas estão identificadas como prisões para oficiais ou soldados, salas de reuniões do estado-maior, do comando, mas uma prisão virou banheiro. O descaso é total.

Quem já cruzou a fronteira sul, com o Uruguai, e esteve nos fortes de São Miguel e Santa Teresa, a poucos quilômetros ddo Chuí, vai encontrar armas, bandeiras, escudos e insígnias. O cenário está pronto. Se entrar um grupo de atores, a história do país pode ser reencenada aos visitantes. Dá para usar como sala de aula, cenário de filmes.

Na Inglaterra, é comum a contratação de atores para dar vida a prédios, monumentos e cidades históricas. No Castelo de Leeds, em Maidstone, Kent, além do fosso e dos animais para alimentar os moradores, aias falam da rainha e seus caprichos como se Ana Bolena fosse aparecer na sala ao lado.

Um ator encarnando Robin Hood circula regularmente pelas ruas de Nottingham, recontando a história do herói que roubava dos ricos para dar aos pobres, uma lenda provavelmente inspirada num dos nobres que se revoltou contra João Sem Terra e entrou na clandestinidade.

No Brasil, onde as empresas da construção civil ganhou tanto dinheiro e fazem tantas contribuições lícitas e ilícitas para as campanhas eleitorais, poderiam cuidar do patrimônio histórico e artístico nacional para que os estudantes possam entender como e por que o Brasil deu no que deu.

Com a inflação da Copa do Mundo e a insegurança nas capitais brasileiras, talvez seja mais barato e prudente viajar a Portugal para conhecer o lado que não estudamos da História do Brasil. Ou então ir para Aruba, Curaçao e Nova York, para onde foram holandeses e judeus depois da vitória da Insurreição Pernambucana, em 1654, quando o Recife era mais rico e próspero do que Nova Amsterdã, a futura Nova York.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Guerra civil também destrói patrimônio cultural da Síria

Além das mais de 100 mil mortes, a guerra civil iniciada em março de 2011 está destruindo o patrimônio histórico e cultural da Síria, permitindo o roubo de objetos de milhares de anos.

"Um número incontável de pessoas morre nas batalhas e sua cultura, que tem 5 mil anos e inclui alguns dos textos mais antigos da humanidade, também está se perdendo", lamenta o professor Hans Neumann, da comissão organizadora da 32ª Conferência Alemã de Estudos Orientais, que deve reunir mais de mil especialista do mundo inteiro no próximo mês na Universidade de Münster.

As perdas irreparáveis são parte da destruição de um país, uma nação em que havia uma frágil aliança entre grupos étnicos e religiosos, e sua cultura.

"Muitos sírios sofrem com a destruição e as escavações ilícitas em sítios históricos", acrescenta o pesquisador alemão. "Eles têm muito orgulho de cidades que são patrimônio cultural da humanidade, como Alepo, Damasco e Palmira. São as bases de sua identidade na História do Antigo Oriente Médio".