A violenta repressão da ditadura de Bachar Assad a manifestações populares inspiradas pelas revoluções da Primavera Árabe na Tunísia e o Egito deu início em 15 de março de 2011 à mais violenta guerra em andamento hoje no mundo. Cinco anos depois, com mais de 260 mil mortes e 5 milhões de refugiados, começam negociações de paz sem perspectiva de acabar com o conflito.
Com o país destruído, uma tragédia humanitária desastrosa se abate principalmente sobre as crianças e uma onda de refugiados, mais de 1,2 milhão no ano passado, chega à Europa em busca de paz e oportunidades de vida.
É a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas a situação é muito pior no pequeno Líbano, que recebeu mais ou menos o mesmo número de refugiados, e na Turquia, que acolheu 2,7 milhões.
Como fruto da anarquia e do caos sírio, nasceu o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, a mais poderosa organização terrorista muçulmana. E a decisão do presidente Barack Obama de não bombardear as forças governistas depois do uso de armas químicas em agosto de 2013 deixou um flanco aberto.
Só no ano passado, houve 69 ataques com armas químicas, inclusive de grupos rebeldes como o Estado Islâmico. Durante toda a guerra civil, houve um total de 161 ataques químicos. Obama acabou aceitando um acordo negociado pela Rússia para a Síria se desfazer de seu arsenal químico. Ao que tudo indica, o governo sírio não entregou tudo.
Cerca de 77% dos ataques com armas químicas foram realizados depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 2119, em 27 de setembro de 2013, exigindo a destruição do arsenal químico do regime sírio.
Em 30 de setembro de 2015, a pretexto de "combater o terrorismo internacional", a Rússia interveio na guerra civil síria para sustentar o aliado Assad. Pouco atacou o alvo declarado, o Estado Islâmico, mas destruiu a capacidade de combate dos grupos aliados ao Ocidente, fortalecendo a posição de negociação do regime, que não mostra sinais de fazer qualquer concessão.
Ontem, o presidente Vladimir Putin anunciou o início da retirada das forças russas, que devem manter 800 soldados para cuidar de sua base aeronaval. A guerra marca então a reafirmação da Rússia como uma potência mundial no Oriente Médio, Não ocupava esta posição desde os tempos da União Soviética, em 1977, quando o presidente egípcio, Anuar Sadat, se aliou aos Estados Unidos para negociar a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai.
Agora, os EUA e a Europa insistem na saída de Assad mesmo que o regime seja o núcleo central de um governo de união nacional a ser criado no processo de paz. Mas o ministro do Exterior, Walid Muallem, declarou que a saída de Assad é uma "linha vermelha", um ponto inegociável pelo regime.
Desde 27 de fevereiro, há uma trégua parcial em vigor, a primeira esperança de paz, mas as chances de um acordo definitivo ainda são escassas. Sem a saída de Assad, é improvável que os grupos rebeldes sunitas financiados pelos países vizinhos abandonem a luta.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 15 de março de 2016
Guerra civil na Síria completa cinco anos sem expectativa de solução
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
EUA acusam Rússia por ataque contra base militar da Síria
A Rússia foi responsável por um bombardeio aéreo contra uma base militar do Exército da Síria em que três soldados morreram e outros 13 saíram feridos, noticiou a agência Reuters citando uma fonte militar dos Estados Unidos.
O governo sírio acusou a coalizão aérea de 65 países liderada pelos EUA para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante pelo ataque que atingiu uma base na província de Deir el-Zur, no Leste do país.
Se a Rússia atingiu o próprio aliado, será um novo revés para a intervenção militar iniciada em 30 de setembro de 2015 a pretexto de combater o Estado Islâmico, mas, na verdade, para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Desde então, um avião de passageiros com 224 civis russos a bordo foi derrubado pelo EI na Península do Sinai, no Egito, e a Turquia abateu um caça-bombardeiro russo acusado de invadir seu espaço aéreo.
O governo sírio acusou a coalizão aérea de 65 países liderada pelos EUA para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante pelo ataque que atingiu uma base na província de Deir el-Zur, no Leste do país.
Se a Rússia atingiu o próprio aliado, será um novo revés para a intervenção militar iniciada em 30 de setembro de 2015 a pretexto de combater o Estado Islâmico, mas, na verdade, para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Desde então, um avião de passageiros com 224 civis russos a bordo foi derrubado pelo EI na Península do Sinai, no Egito, e a Turquia abateu um caça-bombardeiro russo acusado de invadir seu espaço aéreo.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Estado Islâmico volta a entrar em Palmira
Milicianos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante entraram de novo hoje na cidade histórica de Palmira, no centro da Síria, noticiou a Agência France Presse (AFP). Os jihadistas tomaram a chefiatura de polícia antes de se infiltrar pelos bairros da Zona Norte da cidade, que tinham tomado em 16 abril e perdido em menos de 24 horas.
Se o Estado Islâmico tomar o Sudoeste da cidade, há o temor de que destrua as ruínas de uma cidade histórica de mais de 2 mil anos, uma encruzilhada importante das culturas romana, árabe, persa e turca, considerada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).
Os terroristas já destruíram monumentos históricos que consideram profanos em Mossul, Nimrod, Nínive e Hatra.
Apesar das recentes vitórias na Síria e no Iraque, onde tomou Ramadi, capital da maior província iraquiana, analistas militares acreditam que o combate em duas frentes debilita o Estado Islâmico. No Iraque, milícias xiitas iraquianas financiadas e treinadas pelo Irã preparam uma contraofensiva.
Ontem, o Estado Islâmico anunciou na Internet que vai marchar rumo a Bagdá. Embora ainda pareça improvável que consiga tomar a capital do Iraque, pode aumentar sua capacidade de atacar a cidade com atos terroristas.
No fim do dia de hoje, o EI tomou toda a cidade de Palmira, onde fica uma das prisões da ditadura da Bachar Assad.
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| Cidade histórica ameaçada |
Os terroristas já destruíram monumentos históricos que consideram profanos em Mossul, Nimrod, Nínive e Hatra.
Apesar das recentes vitórias na Síria e no Iraque, onde tomou Ramadi, capital da maior província iraquiana, analistas militares acreditam que o combate em duas frentes debilita o Estado Islâmico. No Iraque, milícias xiitas iraquianas financiadas e treinadas pelo Irã preparam uma contraofensiva.
Ontem, o Estado Islâmico anunciou na Internet que vai marchar rumo a Bagdá. Embora ainda pareça improvável que consiga tomar a capital do Iraque, pode aumentar sua capacidade de atacar a cidade com atos terroristas.
No fim do dia de hoje, o EI tomou toda a cidade de Palmira, onde fica uma das prisões da ditadura da Bachar Assad.
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terça-feira, 2 de abril de 2013
ONU aprova controle da venda de armas convencionais
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou hoje por ampla maioria um tratado pioneiro para regulamentar o comércio internacional de armas convencionais, relacionando-o pela primeira vez com os antecendentes dos compradores.
O tratado, negociado nos últimos sete anos, tenta impor regras a um mercado multibilionário. Mesmo sem criar um mecanismo de fiscalização, o acordo pede que seja examinado se as armas podem ser usadas para violar os direitos humanos, fomentar o genocídio, o terrorismo ou crimes de guerra, ou cair nas mãos do crime organizado.
"Finalmente os governos do mundo inteiro se juntar para dar um basta!", festejou Anna McDonald, chefe de controle de armas da organização não governamental Oxfam International. "É hora de acabar com o comércio de armas mal regulado e de colocá-lo sob controle".
Como exemplo, ela citou a guerra civil na Síria, onde mais de 70 mil pessoas foram mortas nos últimos dois anos, pela estimativa da ONU. O tratado pode complicar, por exemplo, a alegação da Rússia de que não refe o direito internacional ao vender armas para a ditadura de Bachar Assad, mas dificilmente impediria o tráfico ilegal de armas que alimenta o conflito.
"Este tratado não vai resolver o problema da Síria de um dia para outro. Nenhum tratado pode fazer isso, mas vai prevenir futuras guerras civis como a Síria", acrescentou Anna McDonald, citada pelo jornal The New York Times. "Vai ajudar a reduzir a violência armada. Vai ajudar a reduzir os conflitos".
O tratado, negociado nos últimos sete anos, tenta impor regras a um mercado multibilionário. Mesmo sem criar um mecanismo de fiscalização, o acordo pede que seja examinado se as armas podem ser usadas para violar os direitos humanos, fomentar o genocídio, o terrorismo ou crimes de guerra, ou cair nas mãos do crime organizado.
"Finalmente os governos do mundo inteiro se juntar para dar um basta!", festejou Anna McDonald, chefe de controle de armas da organização não governamental Oxfam International. "É hora de acabar com o comércio de armas mal regulado e de colocá-lo sob controle".
Como exemplo, ela citou a guerra civil na Síria, onde mais de 70 mil pessoas foram mortas nos últimos dois anos, pela estimativa da ONU. O tratado pode complicar, por exemplo, a alegação da Rússia de que não refe o direito internacional ao vender armas para a ditadura de Bachar Assad, mas dificilmente impediria o tráfico ilegal de armas que alimenta o conflito.
"Este tratado não vai resolver o problema da Síria de um dia para outro. Nenhum tratado pode fazer isso, mas vai prevenir futuras guerras civis como a Síria", acrescentou Anna McDonald, citada pelo jornal The New York Times. "Vai ajudar a reduzir a violência armada. Vai ajudar a reduzir os conflitos".
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Turquia bombardeia a Síria
A Turquia fez hoje disparos de artilharia pesada contra alvos da Síria, em retaliação a um ataque de morteiros sírios que matou cinco civis numa cidade turca próxima à fronteira entre os dois países, anunciou em Ancara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.
"Este ataque atroz teve uma resposta imediata e adequada de nossas Forças Armadas na região da fronteira", declarou uma nota distribuída pelo chefe de governo da Turquia. "Os alvos bombardeados foram identificados por radar."
Erdogan advertiu: "A Turquia, de acordo com suas regras de engajamento e o direito internacional, jamais vai deixar tais provocações do regime sírio contra nossa segurança nacional sem resposta".
Os dois países eram aliados, mas a Turquia é hoje o grande exemplo de democracia no mundo muçulmano, apesar do tratamento discriminatório à minoria curda e do eterno duelo político entre secularistas e islamitas. Quando o ditador Bachar Assad começou a usar a força bruta contra as manifestações da Primavera Árabe, a Turquia passou a apoiar os rebeldes.
Como a Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que tem uma cláusula que considera um ataque contra um ataque contra todos, o incidente poderia justificar uma intervenção militar na Síria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu o assunto em reunião de emergência.
Em Alepo, a segunda maior cidade do país, foco de uma violenta batalha, pelo menos 40 pessoas foram mortas ontem em três atentados arrasadores atribuídos aos rebeldes.
"Este ataque atroz teve uma resposta imediata e adequada de nossas Forças Armadas na região da fronteira", declarou uma nota distribuída pelo chefe de governo da Turquia. "Os alvos bombardeados foram identificados por radar."
Erdogan advertiu: "A Turquia, de acordo com suas regras de engajamento e o direito internacional, jamais vai deixar tais provocações do regime sírio contra nossa segurança nacional sem resposta".
Os dois países eram aliados, mas a Turquia é hoje o grande exemplo de democracia no mundo muçulmano, apesar do tratamento discriminatório à minoria curda e do eterno duelo político entre secularistas e islamitas. Quando o ditador Bachar Assad começou a usar a força bruta contra as manifestações da Primavera Árabe, a Turquia passou a apoiar os rebeldes.
Como a Turquia é um país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que tem uma cláusula que considera um ataque contra um ataque contra todos, o incidente poderia justificar uma intervenção militar na Síria.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu o assunto em reunião de emergência.
Em Alepo, a segunda maior cidade do país, foco de uma violenta batalha, pelo menos 40 pessoas foram mortas ontem em três atentados arrasadores atribuídos aos rebeldes.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Regime sírio retoma áreas em poder de rebeldes
Com tropas e tanques, o Exército da Síria retomou hoje o controle de alguns subúrbios da periferia da capital, Damasco, que estava sob controle dos rebeldes que lutam para derrubar a ditadura de Bachar Assad.
Pelo menos mais seis pessoas foram mortas hoje, depois de mais de 60 mortes no domingo, um dia depois que a Liga Árabe decidiu retirar sua missão observadora por falta de cooperação da ditadura síria.
"Se os observadores da Liga Árabe inibiam ataques das forças governamentais a bairros residenciais, esse constrangimento desapareceu", comentou o repórter John Muir, correspondente da televisão pública britânica BBC no vizinho Líbano.
Como a BBC e os jornalistas estrangeiros estão proibidos de trabalhar na Síria, essas informações não foram confirmadas.
A revista Time conseguiu furar o bloqueio e revelar um pouco mais sobre o regime de terror de Assad, acobertado pela Rússia, que ameaça vetar uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar um plano de paz da Liga Árabe que exige a renúncia do ditador.
Pelo menos mais seis pessoas foram mortas hoje, depois de mais de 60 mortes no domingo, um dia depois que a Liga Árabe decidiu retirar sua missão observadora por falta de cooperação da ditadura síria.
"Se os observadores da Liga Árabe inibiam ataques das forças governamentais a bairros residenciais, esse constrangimento desapareceu", comentou o repórter John Muir, correspondente da televisão pública britânica BBC no vizinho Líbano.
Como a BBC e os jornalistas estrangeiros estão proibidos de trabalhar na Síria, essas informações não foram confirmadas.
A revista Time conseguiu furar o bloqueio e revelar um pouco mais sobre o regime de terror de Assad, acobertado pela Rússia, que ameaça vetar uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar um plano de paz da Liga Árabe que exige a renúncia do ditador.
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