O presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou duramente o presidente Donald Trump por os Estados Unidos reconheceram a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas durante a Guerra dos Seis Anos, em 1967, e anexadas em 1981 à revelia do direito internacional, que proíbe a guerra de conquista. As colônias pertenciam à Síria.
"Ninguém poderia imaginar que uma pessoa nos EUA viesse e desse terras de uma nação para um país ocupante, contra o direito e as convenções internacionais", declarou Rouhani. "É uma ação sem precedentes."
A Agência de Notícias República Islâmica citou o vice-primeiro-ministro e ministro do Exterior e dos Expatriados da Síria, Walid Moallem, para dizer que a decisão do presidente americano não muda a situação das Colinas do Golã.
Trump mudou uma política de décadas que previa que o status do território árabe ocupado seria definido em negociações de paz entre Israel e a Síria. Fez o anúncio no Twitter na quinta-feira passada e oficializou o reconhecimento ontem na Casa Branca, ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 26 de março de 2019
terça-feira, 15 de março de 2016
Guerra civil na Síria completa cinco anos sem expectativa de solução
A violenta repressão da ditadura de Bachar Assad a manifestações populares inspiradas pelas revoluções da Primavera Árabe na Tunísia e o Egito deu início em 15 de março de 2011 à mais violenta guerra em andamento hoje no mundo. Cinco anos depois, com mais de 260 mil mortes e 5 milhões de refugiados, começam negociações de paz sem perspectiva de acabar com o conflito.
Com o país destruído, uma tragédia humanitária desastrosa se abate principalmente sobre as crianças e uma onda de refugiados, mais de 1,2 milhão no ano passado, chega à Europa em busca de paz e oportunidades de vida.
É a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas a situação é muito pior no pequeno Líbano, que recebeu mais ou menos o mesmo número de refugiados, e na Turquia, que acolheu 2,7 milhões.
Como fruto da anarquia e do caos sírio, nasceu o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, a mais poderosa organização terrorista muçulmana. E a decisão do presidente Barack Obama de não bombardear as forças governistas depois do uso de armas químicas em agosto de 2013 deixou um flanco aberto.
Só no ano passado, houve 69 ataques com armas químicas, inclusive de grupos rebeldes como o Estado Islâmico. Durante toda a guerra civil, houve um total de 161 ataques químicos. Obama acabou aceitando um acordo negociado pela Rússia para a Síria se desfazer de seu arsenal químico. Ao que tudo indica, o governo sírio não entregou tudo.
Cerca de 77% dos ataques com armas químicas foram realizados depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 2119, em 27 de setembro de 2013, exigindo a destruição do arsenal químico do regime sírio.
Em 30 de setembro de 2015, a pretexto de "combater o terrorismo internacional", a Rússia interveio na guerra civil síria para sustentar o aliado Assad. Pouco atacou o alvo declarado, o Estado Islâmico, mas destruiu a capacidade de combate dos grupos aliados ao Ocidente, fortalecendo a posição de negociação do regime, que não mostra sinais de fazer qualquer concessão.
Ontem, o presidente Vladimir Putin anunciou o início da retirada das forças russas, que devem manter 800 soldados para cuidar de sua base aeronaval. A guerra marca então a reafirmação da Rússia como uma potência mundial no Oriente Médio, Não ocupava esta posição desde os tempos da União Soviética, em 1977, quando o presidente egípcio, Anuar Sadat, se aliou aos Estados Unidos para negociar a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai.
Agora, os EUA e a Europa insistem na saída de Assad mesmo que o regime seja o núcleo central de um governo de união nacional a ser criado no processo de paz. Mas o ministro do Exterior, Walid Muallem, declarou que a saída de Assad é uma "linha vermelha", um ponto inegociável pelo regime.
Desde 27 de fevereiro, há uma trégua parcial em vigor, a primeira esperança de paz, mas as chances de um acordo definitivo ainda são escassas. Sem a saída de Assad, é improvável que os grupos rebeldes sunitas financiados pelos países vizinhos abandonem a luta.
Com o país destruído, uma tragédia humanitária desastrosa se abate principalmente sobre as crianças e uma onda de refugiados, mais de 1,2 milhão no ano passado, chega à Europa em busca de paz e oportunidades de vida.
É a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas a situação é muito pior no pequeno Líbano, que recebeu mais ou menos o mesmo número de refugiados, e na Turquia, que acolheu 2,7 milhões.
Como fruto da anarquia e do caos sírio, nasceu o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, a mais poderosa organização terrorista muçulmana. E a decisão do presidente Barack Obama de não bombardear as forças governistas depois do uso de armas químicas em agosto de 2013 deixou um flanco aberto.
Só no ano passado, houve 69 ataques com armas químicas, inclusive de grupos rebeldes como o Estado Islâmico. Durante toda a guerra civil, houve um total de 161 ataques químicos. Obama acabou aceitando um acordo negociado pela Rússia para a Síria se desfazer de seu arsenal químico. Ao que tudo indica, o governo sírio não entregou tudo.
Cerca de 77% dos ataques com armas químicas foram realizados depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 2119, em 27 de setembro de 2013, exigindo a destruição do arsenal químico do regime sírio.
Em 30 de setembro de 2015, a pretexto de "combater o terrorismo internacional", a Rússia interveio na guerra civil síria para sustentar o aliado Assad. Pouco atacou o alvo declarado, o Estado Islâmico, mas destruiu a capacidade de combate dos grupos aliados ao Ocidente, fortalecendo a posição de negociação do regime, que não mostra sinais de fazer qualquer concessão.
Ontem, o presidente Vladimir Putin anunciou o início da retirada das forças russas, que devem manter 800 soldados para cuidar de sua base aeronaval. A guerra marca então a reafirmação da Rússia como uma potência mundial no Oriente Médio, Não ocupava esta posição desde os tempos da União Soviética, em 1977, quando o presidente egípcio, Anuar Sadat, se aliou aos Estados Unidos para negociar a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai.
Agora, os EUA e a Europa insistem na saída de Assad mesmo que o regime seja o núcleo central de um governo de união nacional a ser criado no processo de paz. Mas o ministro do Exterior, Walid Muallem, declarou que a saída de Assad é uma "linha vermelha", um ponto inegociável pelo regime.
Desde 27 de fevereiro, há uma trégua parcial em vigor, a primeira esperança de paz, mas as chances de um acordo definitivo ainda são escassas. Sem a saída de Assad, é improvável que os grupos rebeldes sunitas financiados pelos países vizinhos abandonem a luta.
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sábado, 12 de março de 2016
Ditadura rejeita antecipar eleição presidencial na Síria
O regime de Bachar Assad vai enviar representantes para as negociações sobre a paz na Síria marcadas para amanhã, 13 de março, em Genebra, na Suíça, mas não está disposto a fazer concessões, indicou o ministro do Exterior, Walid al-Moallem, citado pela agência Reuters.
A oposição deve chegar hoje a Genebra por causa da ameaça dos governistas de se retirar se a delegação oposicionista não se apresentar em 24 horas.
Moallem rejeitou de antemão a exigência da oposição de convocação de uma eleição presidencial dentro de um ano e meio. Ainda em clima de guerra, a Síria vai realizar eleições parlamentares em 13 de abril. A oposição vai boicotar o pleito.
O Alto Comitê de Negociação, principal grupo oposicionista nas negociações, quer o estabelecimento de um cronograma de transição para um novo governo enquanto o regime só aceita um governo de união nacional sob o controle de Assad.
Mais de 260 mil pessoas foram mortas na guerra civil da Síria, o conflito mais violento em andamento hoje no mundo, iniciado em 15 de março de 2011 com a violência reação do governo às manifestações pacíficas pela liberalização do regime na chamada Primavera Árabe.
A anarquia e o caos na Síria levaram ao surgimento do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o mais poderoso grupo terrorista muçulmano formado até hoje.
Desde 30 de setembro do ano passado, a Força Aérea da Rússia intervém militarmente na Síria em apoio ao aliado Bachar Assad, que parecia prestes a ser derrubado. Fortalecida, a ditadura não vê necessidade de fazer concessões.
Há uma trégua parcial em vigor desde 27 de fevereiro, várias vezes violada e ameaça de entrar em colapso. O Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista Al Caeda na guerra civil da Síria, estão excluídos do cessar-fogo.
A oposição deve chegar hoje a Genebra por causa da ameaça dos governistas de se retirar se a delegação oposicionista não se apresentar em 24 horas.
Moallem rejeitou de antemão a exigência da oposição de convocação de uma eleição presidencial dentro de um ano e meio. Ainda em clima de guerra, a Síria vai realizar eleições parlamentares em 13 de abril. A oposição vai boicotar o pleito.
O Alto Comitê de Negociação, principal grupo oposicionista nas negociações, quer o estabelecimento de um cronograma de transição para um novo governo enquanto o regime só aceita um governo de união nacional sob o controle de Assad.
Mais de 260 mil pessoas foram mortas na guerra civil da Síria, o conflito mais violento em andamento hoje no mundo, iniciado em 15 de março de 2011 com a violência reação do governo às manifestações pacíficas pela liberalização do regime na chamada Primavera Árabe.
A anarquia e o caos na Síria levaram ao surgimento do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o mais poderoso grupo terrorista muçulmano formado até hoje.
Desde 30 de setembro do ano passado, a Força Aérea da Rússia intervém militarmente na Síria em apoio ao aliado Bachar Assad, que parecia prestes a ser derrubado. Fortalecida, a ditadura não vê necessidade de fazer concessões.
Há uma trégua parcial em vigor desde 27 de fevereiro, várias vezes violada e ameaça de entrar em colapso. O Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista Al Caeda na guerra civil da Síria, estão excluídos do cessar-fogo.
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sábado, 8 de agosto de 2015
Líder da oposição na Síria vai a Moscou negociar a paz
O chefe da Coalizão Nacional da Revolução e das Forças de Oposição Sírias, Khaled al-Khoja, vai liderar uma delegação que vai a Moscou nos dias 12 e 13 de agosto de 2015 para encontros com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, na expectativa de começar a negociar o fim da guerra civil.
Diante do colapso iminente da ditadura de Bachar Assad, aliado da Rússia, que mantém no país sua única base naval no Mar Mediterrâneo, o Kremlin tenta articular uma solução diplomática para o conflito que matou mais de 230 mil pessoas nos últimos três anos e cinco meses, uma saída para a Síria pós-Assad.
Neste processo, o sultanato de Omã atua como um mediador neutro transmitindo mensagens entre a Arábia Saudita, os Estados Unidos, o Irã, a Rússia, a Síria e a Turquia. Mas é um esforço divorciado da realidade no campo de batalha, onde milícias jihadistas que não participam das negociações, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda, controlam vastos territórios.
Depois de uma viagem a Teerã, o ministro do Exterior da Síria, Walid Muallem, foi a Mascate falar com o ministro do Exterior de Omã, Yussuf ben Alawi ben Abdullah. Embora a Arábia Saudita prefira negociar em segredo, o governo sírio faz questão de divulgar a notícia para tentar romper anos de isolamento diplomático.
Os dois chanceleres discutiram a Síria pós-Assad. A proposta de realizar eleições com o atual ditador como candidato é rejeitada pelos EUA e seus aliados sunitas. Ele ainda busca uma saída honrosa, mas é improvável que Washington aceite uma anistia por causa dos crimes de guerra e do uso de armas químicas pelo regime sírio.
A Síria assinou mas não ratificou o Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional. Está fora da jurisdição do tribunal, a não ser que o Conselho de Segurança das Nações Unidas apresente o caso.
Diante do colapso iminente da ditadura de Bachar Assad, aliado da Rússia, que mantém no país sua única base naval no Mar Mediterrâneo, o Kremlin tenta articular uma solução diplomática para o conflito que matou mais de 230 mil pessoas nos últimos três anos e cinco meses, uma saída para a Síria pós-Assad.
Neste processo, o sultanato de Omã atua como um mediador neutro transmitindo mensagens entre a Arábia Saudita, os Estados Unidos, o Irã, a Rússia, a Síria e a Turquia. Mas é um esforço divorciado da realidade no campo de batalha, onde milícias jihadistas que não participam das negociações, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda, controlam vastos territórios.
Depois de uma viagem a Teerã, o ministro do Exterior da Síria, Walid Muallem, foi a Mascate falar com o ministro do Exterior de Omã, Yussuf ben Alawi ben Abdullah. Embora a Arábia Saudita prefira negociar em segredo, o governo sírio faz questão de divulgar a notícia para tentar romper anos de isolamento diplomático.
Os dois chanceleres discutiram a Síria pós-Assad. A proposta de realizar eleições com o atual ditador como candidato é rejeitada pelos EUA e seus aliados sunitas. Ele ainda busca uma saída honrosa, mas é improvável que Washington aceite uma anistia por causa dos crimes de guerra e do uso de armas químicas pelo regime sírio.
A Síria assinou mas não ratificou o Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional. Está fora da jurisdição do tribunal, a não ser que o Conselho de Segurança das Nações Unidas apresente o caso.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Síria rejeita apoio militar da Jordânia
A Síria não precisa da Jordânia na guerra contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, declarou hoje em Damasco o ministro do Exterior sírio, Walid Muallem, citado pelo jornal libanês The Daily Star.
O chanceler sírio acrescentou que o país não vai permitir a entrada de tropas estrangeiras na guerra civil: "Não vamos permitir que ninguém viole nossa soberania nacional e não precisamos da ajuda de nenhuma força terrestre para enfrentar o EIIL."
A Jordânia intensificou os bombardeios aéreos contra o grupo em retaliação pela morte do piloto jordaniano Muaz al-Kasseasbeh, capturado na véspera do Natal e queimado vivo dias depois pelos jihadistas. Muallem acusou o país, aliado dos Estados Unidos, de permitir a instalação de centros de treinamento de rebeldes perto das fronteiras da Síria.
Depois de quase quatro anos de uma guerra civil arrasadora, o governo Assad aposta no restabelecimento da comunicação direta com os EUA, que encontraram um inimigo mais perigoso no Estado Islâmico e estariam dispostos a aceitar a ditadura síria.
O governo Assad entende que a campanha aérea dos EUA vai enfraquecer o EIIL no Norte da Síria, mas não será possível derrotar o grupo sem uma força terrestre. Como os rebeldes não jihadistas não se mostram capazes, restaria a Washington uma recomposição com Damasco para evitar que o Estado Islâmico se reagrupe e rearticule no Norte da Síria.
O chanceler sírio acrescentou que o país não vai permitir a entrada de tropas estrangeiras na guerra civil: "Não vamos permitir que ninguém viole nossa soberania nacional e não precisamos da ajuda de nenhuma força terrestre para enfrentar o EIIL."
A Jordânia intensificou os bombardeios aéreos contra o grupo em retaliação pela morte do piloto jordaniano Muaz al-Kasseasbeh, capturado na véspera do Natal e queimado vivo dias depois pelos jihadistas. Muallem acusou o país, aliado dos Estados Unidos, de permitir a instalação de centros de treinamento de rebeldes perto das fronteiras da Síria.
Depois de quase quatro anos de uma guerra civil arrasadora, o governo Assad aposta no restabelecimento da comunicação direta com os EUA, que encontraram um inimigo mais perigoso no Estado Islâmico e estariam dispostos a aceitar a ditadura síria.
O governo Assad entende que a campanha aérea dos EUA vai enfraquecer o EIIL no Norte da Síria, mas não será possível derrotar o grupo sem uma força terrestre. Como os rebeldes não jihadistas não se mostram capazes, restaria a Washington uma recomposição com Damasco para evitar que o Estado Islâmico se reagrupe e rearticule no Norte da Síria.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Negociação de paz sobre Síria começa sem esperança
O governo e os rebeldes da Síria devem se reunir a partir de sexta-feira em Genebra, na Suíça, para discutir a paz na violenta guerra civil que, em dois anos e dez meses, matou mais de 100 mil pessoas de acordo com as Nações Unidas, 130 mil pelos cálculos do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, anunciou o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, no fim do primeiro dia de uma conferência de paz realizada em Montreux, também na Suíça.
"Depois de quase três dolorosos anos de conflito e sofrimento na Síria, hoje é um dia de esperança frágil, mas real", declarou Ban Ki Moon na abertura do encontro. "Pela primeira vez, o governo, a oposição, os países da região e uma ampla representação da comunidade internacional estão reunidos para buscar uma solução política para a morte e a destruição que são hoje a realidade terrível da vida na Síria."
Mais de 2,3 milhões de sírios fugiram do país. Outros 6,5 milhões e meio de sírios fugiram de casa, mas estão no país. Mais de 9,3 milhões precisam de ajuda humanitária.
Ban propôs que as negociações retomam as bases da primeira proposta de paz, formulada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan: cessar-fogo, diálogo nacional, libertação de todos os presos políticos, eleições e formação de um governo de transição. O mediador agora é o ex-ministro do Exterior da Argélia Lakhdar Brahimi.
Na mesa de negociações, os dois lados só trocaram ataques. O ministro do Exterior sírio, Walid Muallem, limitou-se a pedir ajuda para "combater o terrorismo", termo que a ditadura de Bachar Assad usa para se referir a toda e qualquer oposição, questionando o propósito da conferência.
O secretário de Estado americano, John Kerry, lamentou há pouco que "todas as partes menos uma" presentes à conferência de paz endossaram os termos da proposta anterior, chamada de Genebra I. Os EUA, a União Europeia e a rebelde Coalizão Nacional Síria exigem a saída de Assad como precondição para um acordo de paz. Por discordar, o Irã foi desconvidado na última hora, diante da ameaça dos rebeldes de não comparecerem.
Kerry revelou que os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, da Rússia, conversaram ontem por telefone e instruíram seus chanceleres a insistir nas negociações de paz. "Negociações tomam tempo", resignou-se o secretário de Estado. "O fardo sobre a Jordânia e o Líbano está aumentando. Esta crise está piorando, não melhorando."
"Depois de quase três dolorosos anos de conflito e sofrimento na Síria, hoje é um dia de esperança frágil, mas real", declarou Ban Ki Moon na abertura do encontro. "Pela primeira vez, o governo, a oposição, os países da região e uma ampla representação da comunidade internacional estão reunidos para buscar uma solução política para a morte e a destruição que são hoje a realidade terrível da vida na Síria."
Mais de 2,3 milhões de sírios fugiram do país. Outros 6,5 milhões e meio de sírios fugiram de casa, mas estão no país. Mais de 9,3 milhões precisam de ajuda humanitária.
Ban propôs que as negociações retomam as bases da primeira proposta de paz, formulada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan: cessar-fogo, diálogo nacional, libertação de todos os presos políticos, eleições e formação de um governo de transição. O mediador agora é o ex-ministro do Exterior da Argélia Lakhdar Brahimi.
Na mesa de negociações, os dois lados só trocaram ataques. O ministro do Exterior sírio, Walid Muallem, limitou-se a pedir ajuda para "combater o terrorismo", termo que a ditadura de Bachar Assad usa para se referir a toda e qualquer oposição, questionando o propósito da conferência.
O secretário de Estado americano, John Kerry, lamentou há pouco que "todas as partes menos uma" presentes à conferência de paz endossaram os termos da proposta anterior, chamada de Genebra I. Os EUA, a União Europeia e a rebelde Coalizão Nacional Síria exigem a saída de Assad como precondição para um acordo de paz. Por discordar, o Irã foi desconvidado na última hora, diante da ameaça dos rebeldes de não comparecerem.
Kerry revelou que os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, da Rússia, conversaram ontem por telefone e instruíram seus chanceleres a insistir nas negociações de paz. "Negociações tomam tempo", resignou-se o secretário de Estado. "O fardo sobre a Jordânia e o Líbano está aumentando. Esta crise está piorando, não melhorando."
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Ministro do Exterior nega que haja guerra civil na Síria
Em discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, representando o ditador Bachar Assad, o ministro do Exterior da Síria, Walid Muallem, negou que o país esteja em guerra civil, apesar das mais de 110 mil mortes nos últimos dois anos e meio: "É uma guerra contra o terrorismo, e não uma guerra civil".
Para negar legitimidade ao movimento inicialmente pacífico pela democracia, a ditadura de Bachar Assad acusa os oposicionistas de terrorismo. Mas foi sua brutal repressão e a sensação de que a Primavera Árabe acabou na Síria e não foi capaz de democratizar o Oriente Médio que levou a um renascimento do jihadismo, da rede terrorista Al Caeda e de seus seguidores.
Se a democracia não permite a ascensão de um partido islâmico, como indica o golpe militar de 3 de julho de 2013 no Egito, a luta armada volta a ser uma opção para os jovens árabes descontentes. Campos de batalha como a Síria são o terreno favorito para sua "guerra santa".
Para negar legitimidade ao movimento inicialmente pacífico pela democracia, a ditadura de Bachar Assad acusa os oposicionistas de terrorismo. Mas foi sua brutal repressão e a sensação de que a Primavera Árabe acabou na Síria e não foi capaz de democratizar o Oriente Médio que levou a um renascimento do jihadismo, da rede terrorista Al Caeda e de seus seguidores.
Se a democracia não permite a ascensão de um partido islâmico, como indica o golpe militar de 3 de julho de 2013 no Egito, a luta armada volta a ser uma opção para os jovens árabes descontentes. Campos de batalha como a Síria são o terreno favorito para sua "guerra santa".
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