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quarta-feira, 25 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

FUNDAÇÃO DE VENEZA

 
    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto. Situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, é centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ponte cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais. uma cidade sem automóveis. Construída sobre ilhas e um solo instável, fica ao abrigo dos exércitos de cavalaria, a tecnologia militar dominante da Idade Média.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação e Pentecostes. 

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês. 

FIM DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravizados. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma a Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.

De volta à Casa Branca, Trump, supremacista branco e fascista, tenta apagar todas as manifestações da cultura negra nos EUA.

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terça-feira, 25 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

 FUNDAÇÃO DE VENEZA

    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto, situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, que foi centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ligação cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação e Pentecostes. 

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês. 

TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravos. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma e Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

FUNDAÇÃO DE VENEZA

    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto, situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, que foi centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ligação cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorou o interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação e Pentecostes. 

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtém informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton em 1327, quando o o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês. 

TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depos em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje parte dos Estados Unidos. Quando eles voltaram para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgatou 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos foi atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravos.. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma e Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei do Direito de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição.

sábado, 25 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Theresa May tem apoio do ministério para saída suave da UE

Depois de nove horas de negociações na casa de campo oficial da primeira-ministra britânica, Theresa May, em Chequers, os ministros aprovaram uma saída suave da União Europeia que preserve o acesso do Reino Unido ao mercado comum europeu, para onde vai a maior parte de suas exportações.

Num momento decisivo das negociações da Brexit (saída britânica, do inglês), a primeira-ministra resistiu à pressão dos radicais a favor de um rompimento total com a Europa, como o ministro do Exterior, Boris Johnson, e obteve o apoio do ministério para negociar um "acordo de livre comércio com a UE" cobrindo produtos agrícolas e industriais. O setor de serviços ficaria de fora.

Johnson e outros cinco minutos se reuniram quinta-feira à noite no Ministério do Exterior para traçar uma estratégia em defesa de uma Brexit dura. Mas a ala mais antieuropeia do Partido Conservador sabe que não pode derrubar um governo agora. Novas eleições dariam grande chance de vitória ao Partido Trabalhista, no momento liderado pelo socialista assumido Jeremy Corbyn.

"As pessoas não felizes com o que está sendo proposto, mas querem manter o governo unido", declarou sem se identificar um dos ministros que foi à reunião em Chequers.

Os rebeldes foram advertidos de que não teriam seus carros oficiais para voltar a Londres como ministros, se ficassem contra a proposta de May. A primeira-ministra anunciou a vitória de um "modelo aduaneiro favorável aos negócios" que manteria aberta a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

Com a criação de uma fronteira dura entre as Irlandas, o risco de recuo no estagnado processo de paz na Irlanda do Norte ganharia mais um elemento.

A estratégia de May deve ser expressa em detalhes na próxima semana, num documento de 120 páginas que os eurocéticos rejeitam e não tem a menor garantia de que será aceito pela UE. A saída britânica da UE está marcada para o fim de março de 2019. Até lá, as novas relações econômicas terão de ser acertadas com o bloco europeu.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Escócia vai convocar novo plebiscito sobre independência

A primeira-ministra Nicola Sturgeon anunciou hoje a convocação de um novo plebiscito sobre a independência da Escócia depois que forem conhecidos os termos da saída do Reino Unido da União Europeia, a ser realizado provavelmente no início de 2019.

No plebiscito de 23 de junho de 2016, a retirada da UE (Brexit = British exit, saída britânica em inglês) foi aprovada por 52% a 48% dos votos, com 62% dos escoceses votando a favor de ficar no projeto de integração da Europa e no mercado comum europeu.

Um novo plebiscito teria de ser aprovado pelo Parlamento Britânico, onde a primeira-ministra conservadora Theresa May se opõe firmemente. Mas, se o Reino Unido sair efetivamente do mercado comum, o que parece provável, a Escócia deve optar pela independência e pelo mercado europeu.

Com a independência da Escócia, que os britânicos chamam de "última descolonização", maior império que o mundo já viu seria reduzido ao centro-sul de uma pequena ilha.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Divórcio Reino Unido-UE será submetido ao Parlamento Britânico

A primeira-ministra conservadora Theresa May anunciou hoje em discurso a diplomatas estrangeiros na sede do Ministério do Exterior, o rompimento total dos laços entre o Reino Unido e a União Europeia. Ela propôs um acordo de livre comércio com o bloco europeu e prometeu submeter o acordo final ao Parlamento Britânico.

A libra esterlina subiu 2%, depois de cair abaixo de US$ 1,20 nos últimos dias com a expectativa de uma saída dura em que o RU deixe o mercado único europeu, com o qual tem hoje a maior parte de seu comércio exterior.

O mercado aposta assim numa possível reversão do resultado plebiscito de 23 de junho de 2016, quando 52% dos votantes optaram pela saída do Reino Unido da UE.

Para evitar a fragmentação do bloco, os líderes da UE pretendem jogar duro. Se quiser ficar na UE, o RU terá de aceitar a livre circulação de pessoas dos países-membros. Como o controle da imigração foi tema central da campanha vitoriosa no referendo, isso é praticamente impossível.

Sob o argumento de que o centro financeiro de Londres seria abalado, o ministro das Finanças, Philip Hammond, defendeu a permanência no mercado comum. Foi voto vencido. A primeira-ministra rejeitou uma associação parcial em que o país fique "meio dentro, meio fora" do projeto de integração da Europa.

A dívida a ser cobrada do Reino Unido pode chegar de 40 a 60 bilhões de euros. Será um processo longo e doloroso. Na minha opinião, tende a acentuar o declínio e até dividir o país se a Escócia convocar novo plebiscito sobre a independência.

O processo de divórcio deve durar pelo menos dois anos a partir do momento em que a primeira-ministra recorrer ao artigo 50 do Tratado de Lisboa, um dos tratados constitutivos da UE. May deve fazer isso no fim de março.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Reino Unido pode perder 10 bilhões de libras em imposto por sair da UE

O Reino Unido, quinta maior economia do mundo e segunda da Europa, pode perder 10 bilhões de libras (US$ 12,7 bilhões) por ano e 75 mil empregos no centro financeiro de Londres se ficar totalmente fora do mercado único europeu com uma Brexit (saída britânica) dura, concluiu um relatório da consultoria Oliver Wyman e do grupo de pressão CityUK.

No fim de semana, ao abrir a convenção anual do Partido Conservador, a primeira-ministra Theresa May indicou que será uma saída dura ao dizer que o país votou pela saída da União Europeia em plebiscito realizado em 23 de junho de 2016 para ser totalmente independente e soberano, sem se submeter a instituições supranacionais.

Desde esse resultado inesperado, economistas tentam avaliar o impacto da Brexit sobre a economia britânica. A grande dúvida é que tipo de relação o país terá com o mercado comum europeu. Para continuar sendo parte do mercado, precisa aceitar a livre circulação de capitais, mercadorias e pessoas - e uma das principais razões de vitória da Brexit foi a promessa de controle da imigração.

May também revelou no fim de semana que pretende invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, um dos tratados constitutivos da UE, em março. Ontem, a libra caiu a US$ 1,27, a menor cotação desde 1984.

O centro financeiro de Londres e as grandes empresas britânicas se articulam para manter o Reino Unido no mercado comum. O mesmo receio atinge entre empresas das três maiores economias do mundo, Estados Unidos, China e Japão, que usam o Reino Unido como base de suas operações no mercado comum.

As negociações devem durar dois anos, um período de grande incerteza que deve adiar investimentos. Com o esvaziamento da economia do país, o relatório prevê uma perda de 10 bilhões de libras e com impostos e 75 mil empregos, em contraste com uma queda de 500 milhões de libras e 3 a 4 mil empregos com uma Brexit suave, caso as empresas britânicas mantenham seu "passaporte para fazer negócios na UE".

domingo, 2 de outubro de 2016

Reino Unido começa a negociar saída da UE em março

As negociações formais para a saída do Reino Unido da União Europeia devem começar em março de 2017, anunciou a primeira-ministra Theresa May antes do início da convenção anual do Partido Conservador, a primeira sob sua liderança. Ela indicou a intenção deixar o mercado comum europeu, uma Brexit (saída britânica) dura.

O primeiro passo será no processo legislativo interno, com a revogação da Lei das Comunidades Europeias, aprovada em 1972 para autorizar o ingresso do país na então Comunidade Econômica Europeia. A medida só entra em vigor quando o Reino Unido deixar efetivamente o bloco europeu, provavelmente dois anos depois.

May assumiu a liderança do partido e do governo em 11 e 13 de julho, com a renúncia do primeiro-ministro conservador David Cameron depois da derrota no plebiscito que decidiu pela saída da UE em 23 de junho. Inicialmente, ela anunciou que as negociações não começariam antes do fim deste ano para dar tempo ao governo de definir sua posição.

A grande dúvida é que tipo de relacionamento o Reino Unido terá com o mercado comum europeu. Para ser membro pleno, o governo britânico precisa aceitar a livre circulação de bens, serviços, mercadorias e pessoas, além de contribuir para o orçamento comunitário. Isso é inaceitável para os antieuropeus. O país manteria suas obrigações sem ter direito a participar na discussão e definição as regras do jogo.

Alguns partidários da Brexit (do inglês, saída britânica) defendem uma ruptura total com a Europa e a adoção de uma política irrestrita de livre comércio. Os trabalhadores afetados pela globalização econômica, que votaram majoritariamente contra a UE, seriam simplesmente ignorados.

Ao colocar o controle da imigração como elemento central da negociação, May indica a intenção de abandonar o mercado comum europeu e já enfrenta resistência na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

"Somos a quinta economia do mundo", afirmou May com orgulho, desprezando o papel da relação com a Europa na globalização da economia britânica e sua prosperidade. "Não estamos deixando a UE para ceder de novo o controle sobre a imigração. Vamos nos tornar um país totalmente independente e soberano - um país que não faz mais parte de uma união política com instituições supranacionais que podem se sobrepor às cortes e aos parlamentos nacionais."

Com medo do impacto econômico, que ainda não veio, há uma mobilização para tentar reverter a decisão do plebiscito. Seu resultado poderia ser anulado pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Seria um tapa na cada do eleitorado. Outra possibilidade seria submeter o acordo final do divórcio com a UE a um segundo plebiscito, depois do resultado das negociações com o bloco comercial.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, candidato na eleição do próximo ano, já acenou com a possibilidade de uma reforma constitucional na UE, com a assinatura de um novo tratado que atenderia às exigências do Reino Unido de maior independência e soberania, permitindo reverter o processo.

Como a eleição na França será em 23 de abril e 7 de maio, ao marcar o início das negociações para maio, Theresa May fecha esta brecha para manter o Reino Unido na UE.

Além da perda de investimentos externos de empresas de países como os Estados Unidos, a China e o Japão, as maiores economias do mundo, que usam o Reino Unido como base de suas operações na Europa, a saída da UE deve tirar de Londres a posição de maior centro financeiro da Europa e causar um empobrecimento geral da população.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

UE acusa Google de abuso de poder econômico

Depois de cinco anos de investigações, a comissária europeia para livre concorrência, a dinamarquesa Margrete Vestager, notificou hoje a megaempresa de informática americana Google por abusar de sua posição dominante no mercado comum europeu, onde é responsável por 90% das buscas na Internet, para favorecer seu serviço de compras e de comparação de preços.

"A empresa dá uma vantagem injusta a seu próprio serviço de comparação de preços, em violação das regras da União Europeia em matéria de pesquisas, abusando assim de sua posição dominante", declarou a comissária. Desta maneira, os usuários do Google "não veem necessariamente os resultados mais pertinentes em resposta a suas pesquisas".

Mais de 30 empresas de setor, entre elas a Microsoft, que disputa o mercado de buscas com o Bing, denunciaram o Google por abuso de poder econômico.

A partir da notificação, o Google tem dois meses para apresentar uma defesa prévia. Esse prazo pode ser prorrogado por um mês. A comissão ainda pode convocar diretores do Google para depor numa audiência antes de tomar sua decisão, esperada até o fim do ano.

Se for condenado, o Google poderá ser multado em até 10% do seu faturamento no mundo inteiro, que foi de US$ 66 bilhões em 2014, com lucro de US$ 14 bilhões.

A UE pode ainda impor sanções "corretivas" para obrigar o Google a alterar seu sistema de buscas para "separar radicalmente os resultados patrocinados dos outros resultados de uma pesquisa". E até exigir o desmantelamento da empresa por concorrência desleal.

Em novembro de 2014, os deputados do Parlamento Europeu aprovaram simbolicamente uma divisão do Google para separar o mecanismo de busca das outras atividades comerciais do grupo. Isso é improvável.

Outra investigação será aberta pela Comissão europeia, órgão executivo da UE, sobre possíveis infrações à lei antimonopólio pelo sistema operacional Android, usado em tabuletas e telefones inteligentes.

No início do século, a Microsoft foi multada em mais de 2 bilhões de euros por concorrência desleal e abuso do poder de mercado com o sistema operacional Windows.

Há várias ações na Europa contra abusos de empresas americanas de tecnologia da informação, da proibição das atividades do Uber em países como a França e da imposição de impostos sobre operações do Google na Alemanha e na Espanha a investigações sobre a possível ajuda governamental ilegal à Apple na Irlanda e ao Facebook em Luxemburgo.