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quarta-feira, 25 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

FUNDAÇÃO DE VENEZA

 
    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto. Situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, é centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ponte cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais. uma cidade sem automóveis. Construída sobre ilhas e um solo instável, fica ao abrigo dos exércitos de cavalaria, a tecnologia militar dominante da Idade Média.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação Pentecostes

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês

FIM DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravizados. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma a Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.

De volta à Casa Branca, Trump, supremacista branco e fascista, tenta apagar todas as manifestações da cultura negra nos EUA.

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terça-feira, 25 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

 FUNDAÇÃO DE VENEZA

    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto, situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, que foi centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ligação cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação Pentecostes

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês

TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravos. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma e Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

FUNDAÇÃO DE VENEZA

    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto, situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, que foi centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ligação cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorou o interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação e Pentecostes

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtém informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton em 1327, quando o o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês

TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depos em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje parte dos Estados Unidos. Quando eles voltaram para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgatou 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos foi atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravos.. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma e Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei do Direito de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição.

sábado, 25 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE), uma iniciativa para promover a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Reino Unido inicia negociações para deixar a União Europeia

A primeira-ministra Theresa May assinou a carta que será entregue hoje em Bruxelas ao presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, dando início ao processo formal de saída do Reino Unido da União Europeia, noticiou a televisão pública britânica.

As negociações da Brexit (British exit = saída britânica, em inglês) devem durar pelo menos dois anos. May pretende negociar um acordo de livre comércio. Será difícil. O mercado único europeu, na verdade mercado comum, tem como regra básica a livre circulação de capitais, mercadorias e pessoas.

Para não comprometer o processo de integração do continente, abalado por múltiplas crises, da periferia da Zona do Euro, dos refugiados, do terrorismo, do avanço da extrema direita, os líderes da UE pretendem jogar duro, a começar pela Alemanha, como indicaram a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel e o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble.

Se não querem uma Europa à la carte, onde cada país escolhe os aspectos da integração que lhe interessem, os líderes europeus tendem a cobrar um preço elevado pela saída do Reino Unido, a primeira desde a assinatura do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia, em 1957.

O primeiro-ministro Winston Churchill previu depois da guerra a provável formação de uma espécie de Estados Unidos da Europa, mas o Reino Unido ficou fora do grupo inicial de seis países fundadores da CEE. Em 1963 e 1967, o presidente da França, Charles de Gaulle, vetou o ingresso do Reino Unido.

Em 1973, depois da queda de De Gaulle, em 1969, em consequência da Revolução dos Estudantes, em maio de 1968, finalmente o Reino Unido entrou para o mercado comum europeu durante o governo conservador de Edward Heath.

A oposição trabalhista era contra a adesão à CEE. Com a vitória de Harold Wilson nas eleições de 1974, foi convocado um plebiscito. Em 1975, os britânicos votaram a favor de se integrar à Europa, mas a insularidade do país sempre alimentou a ideia de separação.

O antieuropeísmo tornou-se uma tendência dominante no Partido Conservador no fim do governo Margaret Thatcher (1979-90). Como primeira-ministra, Thatcher exigiu uma devolução de parte do dinheiro que o Reino Unido dava ao orçamento da UE, sob a alegação de que o país recebia muito menos subsídios da política agrícola comum do que a Alemanha e a França. E lutou para evitar uma transferência maior de poderes para Bruxelas.

Thatcher resistiu à ideia de "uma união cada vez maior" e à união monetária europeia. Foi derrubada por seu ex-ministro Michael Heseltine, da ala europeísta do partido. O regicídio da grande líder dividiu o partido irremediavelmente, criando uma ala ferozmente antieuropeia.

Quando convocou o plebiscito de 23 de junho de 2016, o então primeiro-ministro David Cameron pretendia pacificar o Partido Conservador. Foi o maior erro político de sua até então bem-sucedida carreira. Com a vitória do não por 52% a 48%, o Reino Unido deixa seu maior mercado e começa um futuro incerto. Não tem muito a ganhar com a Brexit.

Ontem, o Parlamento da Escócia aprovou a realização de novo plebiscito sobre a independência. Há três, os escoceses optaram por continuar no Reino Unido por 55% a 45%, mas, no ano passado, 62% votaram a favor de manter o país na UE. Se o Reino Unido deixar o mercado comum europeu, é provável que a Escócia aprove a independência.

A consulta popular depende da aprovação do Parlamento Britânico, que só deve discutir a questão quando os termos do divórcio com a Europa estiverem definidos.

sábado, 25 de março de 2017

Integração da Europa faz 60 anos em meio à sua maior crise

A União Europeia festeja hoje os 60 anos do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia, em meio às maiores ameaças à sua sobrevivência, com a crise econômica dos países da periferia da Zona do Euro, a onda de refugiados das guerras do Grande Oriente Médio, o terrorismo dos extremistas muçulmanos, o ressurgimento da extrema direita e a saída do Reino Unido.

O processo de integração europeia foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, pelo Plano Schuman, iniciativa do então ministro do Exterior da França, Robert Schuman, para evitar novas guerras na Europa a partir de uma reconciliação entre França e Alemanha.

No ano seguinte, o Tratado de Paris, assinado por Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. O objetivo era controlar o comércio destas matérias-primas para impedir o rearmamento da Alemanha.

Em 25 de março de 1957, os mesmos seis países pioneiros assinaram o Tratado de Roma, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1958 fundando a CEE, e dois dias depois a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom). A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entraram nos anos 1970s. Grécia, Espanha e Portugal, nos anos 1980s.

A União das Comunidades Europeias ganhou este nome no Tratado de Maastricht, em 1991. Com o fim da Guerra Fria no mesmo ano, em 1995, entraram países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia.

A grande expansão veio em 2004, com o ingresso de três ex-repúblicas soviéticas (Estônia, Letônia e Lituânia), quatro países do antigo Bloco Soviético (Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca), uma ex-república da Iugoslávia (Eslovênia) e duas ilhas do Mar Mediterrâneo (Chipre e Malta).

A Bulgária e a Romênia entraram em 2007 e a Croácia, em 2013. Montenegro, Sérvia e Turquia negociam a associação. A ex-república soviética da Ucrânia gostaria de entrar, mas enfrenta forte oposição da Rússia

No caso da Turquia, com o autoritarismo crescente do presidente Recep Tayyip Erdogan, a adesão está cada vez mais distante. A Grécia veta a Macedônia para evitar reivindicações territoriais sobre a região grega do mesmo nome.

Hoje, 27 países festejam os 60 anos. Deveriam ser 28, se 52% dos britânicos que foram às urnas em 23 de junho de 2016 não tivessem votado a favor da saída do país da UE. A primeira-ministra Theresa May não foi convidada para a festa.

Daqui a quatro dias, ela vai acionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regulamenta a saída de países da UE, deflagrando um processo de negociação que deve durar dois anos. Como uma das principais razões da vitória do não à Europa foi reassumir o controle da imigração, é provável que o Reino Unido deixe também o mercado comum europeu.

Uma regra básica do processo de integração da Europa é a livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. Assim, o Reino Unido deve deixar o segundo maior mercado do mundo, depois dos Estados Unidos e ainda corre o risco de perder a Escócia, que vai convocar novo plebiscito sobre a independência para tentar ficar na Europa.

Com a vitória da Brexit (British exit = saída britânica, em inglês), os movimentos nacionalistas e antieuropeus de ultradireita cresceram. O Partido da Liberdade, neonazista, quase venceu a eleição presidencial na Áustria. Na Holanda, o Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders levou apenas 13% e ficou longe do poder.

Na França, a candidata da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, chegou a liderar as pesquisas sobre o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 23 de abril de 2017. No momento, está em segundo, atrás do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que concorre como independente e é favorito para vencer no segundo turno, em 7 de maio.

Se vencer, Le Pen promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e convocar um plebiscito para tirar a França da UE. Ontem, foi a Moscou, receber o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que trabalha ativamente para destruir a UE e sabotar a democracia liberal do Ocidente. A saída da França seria o fim do processo de integração da Europa.

A UE é uma experiência inédita na história da humanidade. É uma entidade supranacional, um grupo de países que se associaram para resolver seus conflitos pacificamente e garantir a paz através da superação dos nacionalismos extremados que destruíram o continente em duas guerras mundiais e do desenvolvimento econômico integrado.

No modelo europeu, a economia social de mercado, os países mais ricos financiam o desenvolvimento dos países e das regiões mais pobres. Teve extraordinário sucesso na integração de países como Grécia, Irlanda e Portugal, depois atingidos pela crise do euro.

Esse modelo foi abalado pela entrada de países muito mais pobres da Europa Oriental, mas ainda é o melhor modelo para uma globalização social-democrata, essencial para evitar ondas de refugiados e imigrantes de países pobres e falidos onde o Estado entrou em colapso.

Aos 60 anos, a Europa unida mas nem tanto discute um futuro em "velocidades diferentes" ou geometria variável para dar flexibilidade ao bloco de 28 países. Na prática, já existe um núcleo central, os agora 19 países que adotaram o euro como moeda comum.

Durante cinco séculos, a Europa dominou o mundo a partir da expansão colonial marítima, da Revolução Comercial e da Revolução Industrial, antes de quase se suicidar em duas guerras e perder a supremacia. Os mesmos nacionalismos que causaram duas guerras mundiais voltam a mostrar as caras.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

UE ganha Prêmio Nobel da Paz de 2012

No momento mais difícil de sua história, diante da ameaça de dissolução sob o peso da crise das dívidas  públicas da Zona do Euro, a União Europeia ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz, um justo reconhecimento de seu papel na promoção da paz, da democracia e dos direitos humanos na Europa depois do continente ter causado duas guerras mundiais.

O comitê norueguês do Nobel, que dá o prêmio da paz, destaca a importância da integração europeia para acabar com o conflito histórico entre a Alemanha e a França, e levar a democracia ao Sul, Centro e Leste do continente.

Esse processo começa com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), que pretendia controlar essas duas substâncias essenciais para a fabricação de armas e, portanto, para o rearmamento da Alemanha.

Em 1957, Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo assinaram o Tratado de Roma fundando a Comunidade Econômica Europeia, instalada em 1958. Nos anos 70, entraram a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido.

Como a UE tem uma cláusula democrática, a Grécia, a Espanha e Portugal foram aceitos nos anos 80, depois de se livrar de suas ditaduras nos anos 70, elevando para 12 o número total de países-membros.

Depois do fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a extinção da União Soviética, em 1991, entraram primeiro os países neutros - Áustria, Finlândia e Suécia - e, no século 21, dez países das Europas Central e Oriental - Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, as ex-repúblicas soviética da Estônia, da Letônia e da Lituânia, a Bulgária e a Romênia - e as ilhas de Chipre e Malta. A Croácia, a Sérvia e a Turquia estão negociando a associação.

Em 1991, o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias (UE), com o objetivo de aprofundamentar a integração política e econômica, criando uma moeda e políticas externas e de segurança comuns. Mas o colapso do comunismo na Europa Oriental, a reunificação da Alemanha e a necessidade de se abrir para o Leste mudaram o curso do projeto europeu.

Com as crises das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, e a resistência da Alemanha e de outros países do Norte a emprestar o dinheiro necessário, a integração europeia vive sua pior crise. O Comitê do Nobel resolveu lembrar o mundo de sua importância.

A UE é um modelo único. É uma entidade supranacional de países que decidiram ceder parte de sua soberania para uma organização interestatal de modo a garantir a paz. Entre suas principais características, estão a economia social de mercado e o fundo estrutural para transferir recursos para o desenvolvimento dos países pobres.

Neste sentido, a UE é um modelo para uma globalização social-democrata.

terça-feira, 3 de abril de 2007

União política é desafio da Europa aos 50 anos

A Europa festejou em 25 de março os 50 anos da assinatura do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Européia (CEE), como o maior bloco comercial do mundo e um continente livre da guerra.

Mais do que uma prosperidade sem precedentes, a integração regional consolidou a paz no continente que provocou duas guerras mundiais e criou um contraponto à dominação da União Soviética sobre a Europa Oriental durante a Guerra Fria. Seu desafio é a união política. Caso contrário, a Europa corre o risco de se tornar irrelevante.

“Nos próximos 50 anos, o grande desafio é a integração política”, declarou no Rio o diretor-geral de Relações Exteriores da Comissão Européia, Eneko Landáburu, ao participar do seminário 50 Anos dos Tratados de Roma, realizado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Fundação Konrad Adenauer.

O sonho de Jean Monnet de uma Europa unida começou a tomar forma com o Plano Schuman. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, quando pertencia ao Comitê de Libertação Nacional, ele foi profético: “Não haverá paz na Europa se os países foram reconstituídos na base da soberania nacional. Os países europeus são muito pequenos para garantir a seus povos a prosperidade e o desenvolvimento social necessários. Devem formar uma federação”.

Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o ministro do Exterior da França, Robert Schuman, lançava seu plano. Para prevenir uma nova guerra, uma única autoridade controlaria a produção de carvão e aço na Alemanha e na França.

Daí surge, em 1951, a Comunidade Européia do Carvão e do Aço, precursora da CEE, que iniciaria a integração econômica do continente com apenas seis países: Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. Nos anos 60, o presidente francês, Charles de Gaulle, vetou duas vezes o ingresso da Grã-Bretanha, temendo a influência dos EUA.

A primeira onda de expansão viria nos anos 70, quando entraram Dinamarca, Grã-Bretanha e Irlanda. Nos anos, foi a vez dos países europeus que se livraram de ditaduras de direita. Em 1981, a Grécia é aceita na CEE. Portugal e Espanha entram em 1986.

Em 1987, entra em vigor o Ato Único Europeu, que cria o mercado único europeu, acabando com as restrições internas ao comércio de bens, e institucionaliza o fundo de desenvolvimento estrutural empregado para estimular as economias mais pobres, com efeitos notáveis em Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda.

Eram 12 países-membros da CEE quando caiu o Muro de Berlim, em 1989, alargando o horizonte de expansão da Europa unida para a Europa Oriental. Em 1991, o Tratado de Maastricht tentava aprofundar a integração. Criava a União das Comunidades Européias ou União Européia (UE), lançava a união monetária e econômica, e a política externa de defesa e segurança comum.

Leia a íntegra em minha coluna de política internacional no Baguete.