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segunda-feira, 5 de junho de 2023

Lula sabota sua própria reunião de cúpula da América do Sul

 A iniciativa de reunir os presidente da América do Sul em Brasília foi importante. O governo Jair Bolsonaro isolou o Brasil internacionalmente. Não tinha uma visão geopolítica. Não valorizou o subcontinente como área de importância econômica, política, ambiental e de segurança. Mas, ao dar palanque ao ditador Nicolás Maduro e afirmar que a Venezuela é uma democracia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, boicotou sua própria cúpula.

Ao exaltar uma ditadura com presos políticos, fome, miséria, tortura e execuções sumárias, um regime do qual fugiram 7,5 milhões de pessoas, Lula dividiu a reunião, perdeu a neutralidade para mediar uma solução para a crise venezuelana, reduziu a capacidade de liderar a integração regional e deu munição à extrema direita. 

A integração regional depende de resultados práticos. Meu comentário:

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Croácia torna-se 28º país da União Europeia

A ex-república iugoslava da Croácia entrou hoje oficialmente para a União Europeia (UE). É o 28º país-membro do maior bloco comercial do mundo, com produto regional bruto de mais de US$ 18 trilhões, que enfrenta o pior momento de sua história com a crise das dívidas públicas dos países do Sul da Zona do Euro.

Ao mesmo tempo, sua inimiga histórica, a ex-república iugoslava da Sérvia, está iniciando negociações de adesão. São sinais de que, apesar da crise, o projeto de integração regional da Europa ainda atrai interesse.

Para ser membro da UE, o candidato precisa respeitar suas regras, a começar pela cláusula democrática. Não pode ter pena de morte nem ingerência dos militares em assuntos políticos. Depois da repressão à onda de protestos contra o autoritarismo do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, por iniciativa da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, as negociações com a Turquia foram suspensas.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

UE ganha Prêmio Nobel da Paz de 2012

No momento mais difícil de sua história, diante da ameaça de dissolução sob o peso da crise das dívidas  públicas da Zona do Euro, a União Europeia ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz, um justo reconhecimento de seu papel na promoção da paz, da democracia e dos direitos humanos na Europa depois do continente ter causado duas guerras mundiais.

O comitê norueguês do Nobel, que dá o prêmio da paz, destaca a importância da integração europeia para acabar com o conflito histórico entre a Alemanha e a França, e levar a democracia ao Sul, Centro e Leste do continente.

Esse processo começa com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Ceca), que pretendia controlar essas duas substâncias essenciais para a fabricação de armas e, portanto, para o rearmamento da Alemanha.

Em 1957, Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo assinaram o Tratado de Roma fundando a Comunidade Econômica Europeia, instalada em 1958. Nos anos 70, entraram a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido.

Como a UE tem uma cláusula democrática, a Grécia, a Espanha e Portugal foram aceitos nos anos 80, depois de se livrar de suas ditaduras nos anos 70, elevando para 12 o número total de países-membros.

Depois do fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a extinção da União Soviética, em 1991, entraram primeiro os países neutros - Áustria, Finlândia e Suécia - e, no século 21, dez países das Europas Central e Oriental - Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, as ex-repúblicas soviética da Estônia, da Letônia e da Lituânia, a Bulgária e a Romênia - e as ilhas de Chipre e Malta. A Croácia, a Sérvia e a Turquia estão negociando a associação.

Em 1991, o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias (UE), com o objetivo de aprofundamentar a integração política e econômica, criando uma moeda e políticas externas e de segurança comuns. Mas o colapso do comunismo na Europa Oriental, a reunificação da Alemanha e a necessidade de se abrir para o Leste mudaram o curso do projeto europeu.

Com as crises das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, e a resistência da Alemanha e de outros países do Norte a emprestar o dinheiro necessário, a integração europeia vive sua pior crise. O Comitê do Nobel resolveu lembrar o mundo de sua importância.

A UE é um modelo único. É uma entidade supranacional de países que decidiram ceder parte de sua soberania para uma organização interestatal de modo a garantir a paz. Entre suas principais características, estão a economia social de mercado e o fundo estrutural para transferir recursos para o desenvolvimento dos países pobres.

Neste sentido, a UE é um modelo para uma globalização social-democrata.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

França veta Schäuble para chefe do Grupo do Euro

Em mais um sinal da ruptura no eixo França-Alemanha que sempre esteve no centro das decisões sobre a integração da Europa, a França vetou a candidatura do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, à presidência do Grupo do Euro.

O novo primeiro-ministro socialista da França, Jean-Marc Ayrault, criticou o "clima de austeridade sem perspectiva" imposto pela Alemanha como receita para conter a crise das dívidas públicas na Zona do Euro com uma rigorosa disciplina fiscal.

Se não houver entendimento entre os dois maiores países da Eurozona, o mandato do atual presidente do Grupo do Euro, Jean-Claude Juncker, pode ser prorrogado.

Hoje foi mais um dia de turbulência nos mercados financeiros por causa da crise das dívidas públicas de países que adotam o euro como moeda.

Se as últimas pesquisas são vantagem aos conservadores que querem manter a Grécia na união monetária, os problemas dos bancos da Espanha se agravam, e também o refinanciamento das dívidas da Espanha e da Itália.

Os juros cobrados pelo mercado para comprar títulos da dívida pública da Espanha subiram para 6,7% para bônus de dez anos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Lula leva US$ 1 bi e conselho a Morales

Além de um investimento de US$ 1 bilhão que o presidente Evo Morales não merecia depois de ocupar militarmente instalações da Petrobrás em 1º de maio do ano passado, o presidente Lula aproveitou sua visita à Bolívia para aconselhar paciência e prudência ao líder boliviano, acossado por declarações de autonomia dos departamentos mais ricos de seu pobre país.

Mais uma vez, Lula foi conciliador e magnânimo, entre outras razões para conter a expansão do chavismo na região da Cordilheira dos Andes. Usou a Petrobrás como instrumento de política externa, mas isso é natural nesta época de ascensão do nacionalismo energético.

Há poucos meses, um cientista político boliviano disse no Rio de Janeiro que o Brasil tinha três políticas externa para a Bolívia, "da Petrobrás, do [assessor presidencial para política externa] Marco Aurélio Garcia e do Itamaraty".

As presenças de Lula e do ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, em La Paz, anunciando investimentos de US$ 1 bilhão da Petrobrás na Bolívia unificam o discurso e mostram a Morales quem é dependente.

Depois de sérios equívocos - especialmente a ocupação militar de instalações da Petrobrás e a expectativa do governo brasileiro de que a Petrobrás seria tratada de forma diferente na nacionalização do petróleo e do gás da Bolívia -, as relações bilaterais voltam á normalidade.

Também é uma vitória do modelo de integração latino-americana defendido pelo Brasil, o chamado regionalismo aberto. É uma integração com claros objetivos políticos mas baseada no mercado e na economia. Visa a aumentar o poder de barganha dos países-membros nas grandes negociações internacionais.