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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Crise dos Mísseis deixou mundo à beira de uma guerra nuclear

Há exatamente 60 anos, um avião espião dos Estados Unidos fotografou obras para a instalação de mísseis nucleares da União Soviética em Cuba. Foi o momento mais tenso da Guerra Fria. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear.

Dois dias depois, as fotos e relatórios de inteligência foram entregues ao presidente John Kennedy, com o alerta de que os mísseis, com alcance de 2 mil a 4,5 mil quilômetros, dariam à URSS a capacidade de lançar um primeiro ataque contra quase todo o território.

Kennedy convocou um gabinete de guerra, que se dividiu entre as pombas, a favor de uma solução diplomática, e os falcões, defensores de uma invasão da ilha para depor o regime comunista de Fidel Castro e remover os mísseis.

Em 22 de outubro, Kennedy fez um pronunciamento à nação e anunciou um bloqueio aeronaval para interceptar qualquer navio que se aproximasse de Cuba e fazer uma revista para ver se não levava armas nucleares. 

Dois dias depois, o primeiro-ministro Nikita Kruschev descreveu a medida como pirataria, mas começaram negociações secretas que acabaram por desarmar a crise. Meu comentário:

Hoje na História do Mundo: 14 de Outubro

 CRISE DOS MÍSSEIS EM CUBA

    Em 1962, um avião-espião norte-americano U-2 fotografa a construção de silos para mísseis que a União Soviética está construindo em Cuba, deflagrando a pior crise da Guerra Fria, que deixa o mundo mais do que nunca à beira de uma guerra nuclear. 

A tensão entre os EUA e a URSS em torno de Cuba se agrava com a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1991, uma operação articulada pela Agência Central Inteligência (CIA) com refugiados cubanos, um projeto do vice-presidente Richard Nixon, um ferrenho anticomunista, no governo Dwight Eisenhower (1953-61). O presidente John Kennedy (1961-63) herdou a operação.

Vitorioso, o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, pede proteção à URSS. Em um ano, o número de assessores militares soviéticos em Cuba sobe para mais de 20 mil.

Fidel e o líder soviético, Nikita Kruschev, estão certos de que os EUA tentariam invadir de novo. Sob pressão da linha dura, Kruschev pensa em se fortalecer e neutralizar a presença de mísseis nucleares norte-americanos perto do território soviétivo, na Turquia.

Dois dias depois, devidamente analisadas por oficiais de inteligência, as fotos chegam à mesa do presidente Kennedy no Salão Oval da Casa Branca. Os mísseis dão à URSS a condição de lançar um primeiro ataque de uma distância de 140 quilômetros.

Kennedy cria um gabinete de guerra, onde pombas e falcões travam um duelo entre diplomacia e uso da força e decidem impor um bloqueio aeronaval em Cuba. Em 22 de outubro, Kennedy faz um pronunciamento na televisão comunicando ao povo norte-americano que a URSS está instalando mísseis nucleares em Cuba e anuncia o que chamou de "quarentena", na verdade um bloqueio.

Todo navio soviético que se aproximar de Cuba está sujeito a abordagem e inspeção dos EUA para que não levar mais equipamentos nucleares à ilha. Kennedy exige a retirada dos mísseis e a destruição dos silos.

São os dias mais tensos da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Diante do impasse, os EUA se preparam para invadir Cuba. Um jornalista soviético, todo jornalista soviético era também agente secreto, estranha a ausência de jornalistas no café do Capitólio e comenta com um garçom, que avisa: "Está todo o mundo indo para Cuba porque os EUA vão invadir.

Este jornalista liga para Moscou e Kruschev finalmente cede. Em 27 de outubro, a URSS anuncia a retirada dos mísseis de Cuba e os EUA se comprometem a remover os mísseis instalados na Turquia, que eram obsoletos e seriam retirados mesmo, e fazem um acordo tácito para não invadir Cuba.

Depois desta crise, as superpotência instalam o telefone vermelho, uma linha direta entre o Kremlin e a Casa Branca para os líderes resolverem pessoalmente as crises mais graves. Enfraquecido, Kruschev cai dois anos depois. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Mundo vive nova era de instabilidade estratégica e nuclear

Risco de guerra nuclear é o maior desde o fim da Guerra Fria

As hostilidades entre os Estados Unidos e a China aumentam enquanto caducam os tratados de desarmamento e controle de armas que puseram fim à confrontação estratégica entre os EUA e a União Soviética, que estruturou as relações internacionais na segunda metade do século 20.

Leia mais em Quarentena News.

domingo, 21 de outubro de 2018

Rússia adverte EUA a não romper acordo nuclear

A Rússia alertou hoje o presidente Donald Trump de que retirar os Estados Unidos do acordo bilateral que proibiu os mísseis nucleares baseada em terra de curto e médio alcances, de 500 a 5 mil quilômetros, sob o risco de iniciar uma nova corrida armamentista capaz de abalar a segurança internacional.

Trump anunciou ontem a intenção de sair do Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado em 8 de dezembro de 1987 na Casa Branca pelo presidente Ronald Reagan e o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev. Os russos advertem que é "um passo muito perigoso".

Primeiro acordo a eliminar armas nucleares, foi um dos marcos do fim da Guerra Fria. O risco é que outros acordos sejam abandonados, como o que limita o número de armas nucleares estratégicas, a ser renovado até 2021.

A reação da Rússia acontece no momento em que o assessor de Segurança Nacional de Trump, o linha-dura John Bolton, crítico do acordo de desarmamento nuclear, chega a Moscou para dois dias de conversas sobre as relações bilaterais.

"Ao contrário dos nossos colegas americanos, entendemos toda a seriedade da questão e seu significado para a segurança e a estabilidade estratégica", afirmou o vice-primeiro-ministro Serguei Riabkov.

O vice-primeiro-ministro acrescentou: "Se os americanos continuarem a agir com esta crueza e se retirarem unilateralmente de todos os tipos de acordos e mecanismos, do acordo nuclear com o Irã ao Tratado Postal Internacional, estão só nos resta realizar ações em resposta, inclusive de natureza militar. Mas não queremos ir tão longe."

Entre as missões de Bolton, está pressionar a Rússia a não ajudar o Irã a se evadir das sanções impostas pelos EUA ao sair do acordo nuclear assinado em 2015 pela República Islâmica, as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

A partir de 5 de novembro, o governo Trump quer sufocar as exportações do petróleo do Irã.

Para justificar a retirada dos EUA do acordo Reagan-Gorbachev, Trump acusou o Kremlin de desrespeitá-lo: "Não vamos deixar que violem o acordo nuclear e fabriquem armas enquanto nós não podemos."

Na última década, os EUA acusaram a Rússia de violar o acordo com a fabricação de novos mísseis. Os russos insistem que o escudo de defesa antimísseis instalado em países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), especialmente numa base na Romênia e em outra em construção na Polônia, rompem o acordo.

Com o risco para a Europa, o ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Mass, admitiu que, embor a Europa "frequentemente exigiu que a Rússia respondesse às acusações de violar Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias", a decisão dos EUA é "lamentável": "O tratado é um pilar importante da arquitetura de segurança da Europa há 30 anos."

O senador russo Alexei Puchkov adveriu para o risco de "volta do mundo à Guerra Fria": "Esta retirada pode ser o segundo golpe mais forte contra todo o sistema de estabilidade estratégica. O primeiro foi a retirada dos EUA do Acordo de Mísseis Antibalísticos (ABM)" em 2001, no início do governo George W. Bush. "Mais uma vez, a iniciativa de sair do tratado parte dos EUA."

Maior responsável pelo fim da Guerra Fria, Gorbachev questionou a inteligência do atual presidente dos EUA: "É realmente tão difícil de entender que rejeitar esses acordos não é, como as pessoas dizem, o trabalho de uma grande mente? Será que não entendem em Washington aonde isto pode nos levar?"

Gorbachev foi definitivo: "Sob nenhuma circunstância, devemos rasgar acordos de desarmamento. Todos os acordos de desarmamento nuclear e limitação de armas nucleares devem ser preservados para preservar a vida na Terra."

terça-feira, 27 de março de 2018

Kim Jong Un vai à China antes do encontro com Trump

Em sua primeira viagem ao exterior desde que virou ditador da Coreia do Norte, em 2011, Kim Jong Un foi ontem a Beijim, deixando claro que a China terá um peso importante nas negociações de sua aliada com os Estados Unidos. Kim deve receber o presidente Donald Trump até o fim de maio.

A presença de um trem blindado norte-coreano na estação central da capital da China suscitou especulações ontem. O regime comunista chinês confirmou a visita de Estado de dois dias, parte da preparação para a reunião de cúpula EUA-Coreia do Norte. Pelo esquema de segurança, Kim deve ter se encontrado com o ditador chinês, Xi Jinping.

Os dois países são antigos aliados. Durante a Guerra da Coreia (1950-53), quando a aliança liderada pelos EUA cruzou o paralelo 38º Norte na linha que divide as duas Coreias, a China entrou no conflito. Queria e conseguiu impedir a reunificação da Península Coreana sob o controle dos EUA, que ocupavam militarmente o Sul desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra particular entre a China e os EUA - e a China ganhou. Conquistou o objetivo estratégico de empurrar os americanos e aliados para baixo do paralelo 38º N, restaurando a situação anterior à guerra. Nunca mais os EUA e a China estiveram em guerra.

Depois dos testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, que aumentaram o risco de guerra, a China concordou com as sanções propostas pelos EUA dentro do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Maior parceira comercial de Pyongyang, a China é decisiva para a aplicação das sanções.

Sob pressão das sanções e das ameaças de guerra de Trump, no discurso de Ano Novo, Kim abandonou o discurso belicista, enviou uma delegação à Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, marcou um encontro de cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae In, e finalmente convidou Trump a ir à Coreia do Norte.

Ao mesmo tempo em que pressiona a China a enquadrar Kim, Trump anunciou a imposição de tarifas de US$ 60 bilhões sobre os produtos chineses. As duas maiores potências econômicas do planeta já estão negociando em sigilo, mas a ameaça de guerra comercial deteriorou as relações EUA-China.

Kim pode usar o encontro com Trump para alegar que está pronto para negociar a paz e assim pedir à China para aliviar as sanções. Na carta-convite, ele acenou com a possibilidade de abandonar as armas nucleares em troca de garantias de segurança.

Se Kim exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, hoje cerca de 28 mil soldados, a resposta certamente será não. Durante a Guerra Fria, as forças americanas estavam no Leste da Ásia para proteger seus aliados do Japão e da Coreia do Norte. Hoje, fazem parte da estratégia para conter a China. Uma retirada dos EUA deixaria o controle estratégico da região nas mãos da China.

"A visita de Kim a Beijim mostra a todos os países interessados que a China é um ator central na geopolítica do Nordeste da Ásia e que qualquer solução sobre a Coreia do Norte vai precisar da aprovação chinesa", declarou Dennis Wilder, ex-assessor do governo George W. Bush (2001-9) para a Ásia.

Há muito tempo, a China defende negociações diretas entre os EUA e a Coreia do Sul. Quando a hora chegou, não quer ficar de fora. "A China quer voltar ao jogo. Beijim não gosta a ideia de ficar nas laterais", comentou Paul Haenle, diretor do Centro Carnegie-Tsinghua para a Política Global, com sede em Beijim.

"Os chineses devem andar aliviados porque, pelo menos por enquanto, o governo Trump não numa ação militar contra a Coreia do Norte e a diplomacia está de volta", observou Bonnie Glaser, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington. "Por outro lado, entendem que não podem proteger seus interesses se não estiverem envolvidos."

Beijim viu um Kim sorridente, mais autoconfiante com suas armas nucleares e sua nova estratégia diplomática.

De outra parte, o novo assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, ex-embaixador do governo George W. Bush na ONU, deixou claro seu conselho ao presidente Trump sobre o encontro com Kim: "Vamos entrar e perguntar a ele se está realmente disposto a abrir mão das armas nucleares. Em cinco minutos, o problema estará resolvido ou a reunião será encerrada."

quinta-feira, 1 de março de 2018

Putin ameaça os EUA em sua campanha eleitoral

A 17 dias da eleição presidencial na Rússia, em que é franco favorito, o protoditador Vladimir Putin aproveitou o Discurso sobre o Estado da União para ameaçar o Ocidente, advertindo que o país tem uma nova geração de armas nucleares capaz de furar quaisquer defesas.

"Os esforços para conter a Rússia fracassaram", vangloriou-se Putin num discurso de duas horas em que apresentou videoclipes das novas armas, inclusive drones submarinos, mísseis intercontinentais e um sistema hipersônico que "voa para o alvo como um meteorito".

Putin chegou ao poder em 1999 como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, afastado em seguida por motivo de saúde. Esta será sua quarta eleição presidencial. Depois de dois mandatos, de 2008 a 2012, ele trocou de lugar com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev. Mas sempre mandou na Rússia.

O atual czar de todas as Rússias trabalhava no escritório da polícia política soviética, o KGB (Comitê de Defesa do Estado), em Dresden, na Alemanha Oriental, quando sentiu a força do poder popular, como revela este perfil da televisão pública britânica BBC.

Em 5 de novembro de 1989, quatro dias antes da abertura do Muro de Berlim, a multidão tomou as ruas de Dresden, atacou o Ministério de Segurança do Estado (Stasi), a polícia política da Alemanha Oriental. O escritório do KGB, do outro lado da rua, logo se tornou alvo.

Quando o ataque parecia inevitável, Putin avisou os manifestantes que seus homens estavam armados e reagiriam a bala. Ele ligou para a guarnição mais próxima do Exército Vermelho pedindo apoio.

"Não podemos fazer nada sem a autorização de Moscou", respondeu o oficial do outro lado da linha, e Moscou está em silêncio."

Essa frase assombrou Putin. Mais tarde, quando era vice-prefeito de São Petersburgo, declarou num debate público que o fim da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Antes de virar primeiro-ministro, ele foi chefe do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB.

Sua obsessão desde que chegou ao poder é restaurar o poder imperial da Rússia czarista e da URSS. Putin acabou com as eleições diretas para governador das 85 unidades administrativas da Federação Russa, a pretexto de evitar o surgimento de movimentos nacionalistas como na Chechênia.

Sob Putin, o Kremlin voltou a intervir diretamente nos assuntos internos dos países que considera parte de sua esfera de influência. Isso inclui tanto das ex-repúblicas soviéticas, o antigo império interior soviético, chamado hoje na Rússia de "exterior próximo", quanto os países do antigo Bloco Soviético, como a Hungria e a Polônia, onde Putin apoia governos de ultradireita contrários à União Europeia e à democracia liberal.

Depois do liberalismo caótico da era Yeltsin, Putin aproveitou a bonança dos anos de petróleo caro para recuperar a economia e recolocar o Estado no centro de tudo. A prosperidade econômica lhe valeu popularidade. Com o fracasso de Yeltsin, os russos queriam um líder autoritário e linha dura.

A Rússia que ameaça o Ocidente é governada por um ex-oficial do KGB ressentido com a perda de poder e prestígio de seu império decadente. Com uma população de 145 milhões de habitantes e uma economia baseada em produtos primários, a Rússia só é superpotência hoje no plano militar.

Na sua visão estreita e autoritária do mundo, Putin considera as revoluções Rosa, na ex-república soviética da Geórgia, em 2003, e Laranja, na ex-república soviética da Ucrânia, em 2004, como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia.

Por isso, a Rússia atacou a Geórgia em agosto de 2008, aproveitando uma tentativa do presidente Mikheil Saakachvili de tentar retomar o controle de regiões controladas por rebeldes fantoches do Kremlin.

Em 2011, quando, em plena Primavera Árabe, multidões protestaram contra as eleições parlamentares da Rússia, Putin viu a influência maligna do Ocidente, em especial da então secretária de Estado americano, Hillary Clinton. Isso ajudaria a explicar, em parte, a campanha russa para sabotar a candidatura democrata na última eleição presidencial nos EUA.

Diante da nova revoltar popular na Ucrânia, Putin interveio militarmente e anexou a região da Crimeia em março de 2014. Em seguida, fomentou uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil que se arrasta até hoje.

A reação ocidental, com a imposição de sanções à Rússia, rebaixou as relações do Kremlin com os EUA e a Europa ao pior nível desde o fim da URSS e da Guerra Fria, em 1991. Bombardeiros russos voltaram a fazer voos provocadores no espaço aéreo de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. E a Rússia interveio decisivamente na guerra civil da Síria, a partir de setembro de 2015.

Com a modernização das Forças Armadas depois da vergonhosa derrota na Primeira Guerra da Chechência (1994-96), Putin não só ganhou a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000), que consolidou seu poder. Recolocou a indústria bélica da Rússia entre as maiores exportadoras de armas do mundo.

O único setor industrial em que a Rússia compete no mercado internacional é o de armas. Como ninguém vai testar em curto prazo a eficácia dos novos mísseis e drones, Putin pode marchar tranquilo para mais uma reeleição.

A investigação sobre um possível conluio do Kremlin com a candidatura do presidente Donald Trump para derrubar Hillary Clinton rendeu a maior propaganda que Putin poderia esperar. Os meios de comunicação dos EUA não param de falar em como a Rússia usou as redes sociais para manipular a democracia americana, apresentando Putin como o super-homem de seus sonhos.

domingo, 1 de outubro de 2017

Trump desautoriza secretário de Estado sobre Coreia do Norte

Com sua arma predileta, o Twitter, o presidente Donald Trump atacou hoje o secretário de Estado, Rex Tillerson, desautorizando como inúteis seus contatos com o regime comunista da Coreia do Norte para resolver a questão nuclear.

Durante visita ao Leste da Ásia, Tillerson revelou ontem em Beijim que os Estados Unidos abriram "canais de comunicação" com a ditadura stalinista de Pionguiangue. Em nota, o próprio Departamento de Estado esclareceu que "os oficiais norte-coreanos não mostraram nenhum interesse de conversar sobre a desnuclearização".

No Twitter, Trump considerou os contatos com a Coreia do Norte "uma perda de tempo", prometendo agir quando necessário, numa ameaça implícita de uso da força para neutralizar a ameaça das armas nucleares e dos mísseis norte-coreanos.

"Poupe sua energia, Rex", escreveu o presidente. "Faremos o que tiver de ser feito."

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Bandeira de Cuba tremula em Washington

Com a reabertura das embaixadas, os Estados Unidos e Cuba reataram hoje as relações diplomáticas, rompidas há 54 anos, depois da vitória da revolução liderada por Fidel Castro. 

Em Washington, a bandeira cubana foi hasteada numa cerimônia com a presença de centenas de pessoas. Pouco antes, foi colocada na entrada do Departamento de Estado.

A embaixada dos EUA em Havana abriu logo depois da meia-noite sem uma cerimônia oficial. O secretário de Estado americano, John Kerry, visita Cuba em 14 de agosto para celebrar o reatamento. Ainda não há um embaixador indicado. A maioria oposicionista no Senado ameaça dificultar e nomeação.

No auge da Guerra Fria, de 14 a 27 de outubro de 1962, a tentativa de instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba deixou o mundo mais perto do que nunca de uma guerra nuclear entre os EUA e a União Soviética.

A ruptura de relações diplomáticas era anterior, de 3 de janeiro de 1961. Em 17 de dezembro de 2014, o presidente Barack Obama e o ditador Raúl Castro anunciaram o reatamento.

O pleno restabelecimento das relações bilaterais ainda dependem do fim do embargo econômico imposto pelos EUA em retaliação à estatização de propriedades de americanos na ilha. Isso depende do Congresso dos EUA, onde a oposição conservadora é maioria.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Coreia do Sul acusa a do Norte de fabricar mísseis nucleares

A Coreia do Norte já miniaturizou a bomba atômica e tem capacidade de fazer mísseis nucleares, afirmou hoje em Seul Kim Min Seok, porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, citado pela agência de notícias Yonhap.

Em três testes nucleares, em 2006, 2009 e 2013, o regime comunista norte-coreano provou sua capacidade de realizar explosões atômicas. Agora, seria capaz de fazer uma bomba atômica pequena, capaz de ser transportada em mísseis nucleares.

Para ampliar sua influência no Oceano Pacífico, a Rússia, que faz parte das negociações hexapartites (China, Coreia do Norte Coreia do Sul, EUA, Japão e Rússia) quer aumentar a participação na questão coreana. Um enviado especial da Coreia do Sul está visitando Moscou para discutir formas de retomar as negociações.

Em semanas, começam as manobras militares conjuntas anuais da Coreia do Sul com os Estados Unidos, que o regime stalinista de Pionguiangue denuncia como um "treinamento para invadir o país". Serão mais momentos de tensão na última fronteira da Guerra Fria.

Desde o colapso da União Soviética, em 1991, a ditadura comunista da Coreia do Norte perdeu o patrocinador e faz uma chantagem atômica com o resto do mundo, especialmente os países vizinhos considerados inimigos históricos, a Coreia do Sul e o Japão, acusados de serem fantoches do verdadeiro inimigo, os EUA.

Em troca de ajuda em energia e alimentos, a dinastia comunista da família Kim - o ditador Kim Jong Un é filho de Kim Jong Il e neto do fundador do país, Kim Il Sung - prometeu não se tornar uma potência nuclear. O resultado está aí.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

China equipa submarinos nucleares com armas atômicas

Num passo decisivo para neutralizar a superioridade estratégica dos Estados Unidos, a China deve armar ainda em 2014 os submarinos a propulsão nuclear de sua Marinha de Guerra com mísseis nucleares, adverte o Escritório de Inteligência Naval da Marinha dos EUA.

A China não esconde seus submarinos nucleares, observa o jornal conservador americano The Wall St. Journal. Turistas que estiveram numa estação de veraneio na província de Hainan podiam vê-los claramente no último verão no Hemisfério Norte. Na praia, guias orientavam quem alugava motos aquáticas a tomar cuidado para não se aproximar dos submarinos.

Em dezembro de 2013, o Ministério da Defesa da China tinha convidado os assessores militares estrangeiros para uma reunião em seu quartel-general, em Beijim. Para surpresa geral, anunciou que um submarino nuclear chinês passaria em breve pelo Estreito de Málaca, entre a Indonésia e a Malásia, uma das principais rotas do comércio internacional.

Dias depois de submergir no estreito, o submarino nuclear chinês veio à tona perto do Sri Lanka e a seguir no Golfo Pérsico, antes de voltar por Málaca, em fevereiro de 2014. Foi a primeira viagem revelada publicamente de um submarino nuclear da China pelo Oceano Índico.

A China realizava o sonho de ter uma Marinha de águas profundas. Não precisava na era maoísta quando era um país introvertido preocupado apenas com a defesa de seu território.

Hoje, como uma grande potência comercial, quer garantir a segurança das grandes rotas comerciais, reafirmar, à força se necessário, suas reivindicações sobre territórios e mares territoriais em disputa com países vizinhos, e impedir intervenções militares dos Estados Unidos contrárias a seus interesses no Leste da Ásia. Já tem porta-aviões, mísseis e submarinos para isso.

Da costa da China, os submarinos nucleares chineses logo serão capazes de bombardear os estados americanos do Havaí e do Alasca. Do meio do Oceano Pacífico, podem atingir o continente americano.

"É uma carta na manga que orgulha a pátria e aterroriza nossos adversários", escreveu o comandante da Marinha, almirante Wu Shengli, numa revista do Partido Comunista. "É uma força estratégica que simboliza o status de grande potência e sustenta a segurança nacional."

Os EUA entenderam: "Eles foram muito claros na mensagem", comentou o vice-almirante Robert Thomas, um ex-oficial de submarinos que hoje comanda a 7ª Frota dos EUA, baseada em Yokosuka, no Japão, com 60 navios, 300 aviões de combate e 40 mil soldados da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais distribuídos também por outras bases na Coreia do Sul e do Japão.

Nos últimos dias, a Índia e o Vietnã reafirmaram uma aliança militar destinada sobretudo a conter a China, que começou a explorar petróleo em ilhas disputadas com o Vietnã e reagiu à força diante da aproximação de navios vietnamitas.

Em 2011, a China protestou contra a presença de um navio de guerra indiano no Vietnã. Quando a Índia e o Vietnã assinaram um acordo para explorar petróleo, em setembro daquele ano, o regime comunista chinês reafirmou que "a China tem soberania indiscutível sobre o Mar da China Meridicional".

A China também tem disputas territoriais com a Coreia do Norte, o Japão, Taiwan, Brunei, as Filipinas, a Índia, a Indonésia e a Malásia. Todos observam com atenção e, à exceção da Índia, com uma sensação de impotência para o desenvolvimento dos submarinos chineses.

Com o aumento do poderio militar chinês, cada vez menos os outros países asiáticos confiam nos EUA para garantir sua segurança. Não acreditam que os americanos estejam dispostos a enfrentar a China se a segurança nacional dos EUA não estiver diretamente em jogo.

Meses atrás, ao comentar a decisão do presidente Barack Obama de não bombardear a Síria apesar de ter ameaçado fazer isso se o governo usasse armas químicas na guerra civil, um general e professor da Academia Militar da China ironizou, dizendo que os EUA estão com um problema de "disfunção erétil". Já o regime comunista chinês está disposto a esmagar quem ousar se atravessar na sua marcha para se tornar uma superpotência.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Paquistão testa míssil nuclear com sucesso

As Forças Armadas do Paquistão testaram com sucesso hoje o míssil balístico Haft-4, com capacidade nuclear e alcance de 900 quilômetros, o suficiente para atingir a vizinha Índia, que experimentou arma semelhante recentemente.

Os dois inimigos históricos, que já travaram três guerras, não entram em guerra desde que desenvolveram armas atômicas. A Índia teria a bomba desde 1974 e o Paquistão desde 1975. Em maio de 1998, os dois países fizeram testes nucleares para mostrar ao mundo que são potências atômicas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

EUA e Rússia anunciam novo acordo nuclear

Os Estados Unidos e a Rússia estão prestes a fechar um acordo para reduzir os arsenais nucleares estratégicos dos dois países em um quarto. Um novo tratado de redução de armas estratégicas deve ser assinado no início de abril em Praga, na República Tcheca.

Este novo acordo vai substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start-1), assinando em 1991 pelos então presidentes dos EUA, George Herbert Walker Bush, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, cinco meses antes do fim da superpotência comunista.

É o primeiro passo na ofensiva diplomática do presidente Barack Obama para melhorar as relações com a Rússia, de quem precisa do apoio para  impedir que o Irã faça armas nucleares.

O máximo de ogivas nucleares estratégicas (aquelas que podem atingir diretamente o inimigo) será reduzido de 2,2 mil para 1,6 mil para cada país. O total de veículos para lançamento - mísseis e aviões bombardeiros estratégicos - cai pela metade, de 1,6 mil para 800 para cada país.

Ainda faltam detalhes finais, que devem ser acertados diretamente por Obama e Medvedev. Mas os negociadores russos e americanos estão convencidos de que o Start-2 será mesmo assinado em breve em Praga.

sábado, 25 de agosto de 2007

Paquistão testa novo míssil nuclear

O governo do Paquistão anunciou hoje que testou com sucesso um novo míssil ar-terra capaz de carregar ogivas nucleares.

Como o Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares, é considerado um país-chave pelos Estados Unidos na guerra contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos que atacaram Nova Iorque e o Pentágono em 11 de setembro de 2001, além de ser vizinho do Afeganistão, na época a base da rede terrorista Al Caeda.

Nos seus delírios de grandeza, Ossama ben Laden e seus seguidores por todo o planeta sonham com a criação de uma superpotência muçulmana, o Califado, com a renda do petróleo e as armas nucleares do Paquistão.

sábado, 2 de junho de 2007

Teste do escudo antimísseis americano fracassa

A Agência de Defesa de Mísseis (MDA) dos Estados Unidos foi obrigada a cancelar o teste de um sistema interceptador baseado em terra, depois que o míssil que seria atacado saiu da rota sobre o Oceano Pacífico, em 25 de maio.

O míssil-alvo "não atingiu altitude suficiente para ser considerado uma ameaça, assim o Sistema de Defesa contra Mísseis Balísticos não o detectou como previsto", declarou o comandante da MDA, general Henry Obering.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Aviador desmoralizou defesa aérea soviética

Há 20 anos, um jovem aventureiro alemão pilotava um avião monomotor para entrar na História da Guerra Fria.

Mathias Rust, na época com apenas 19 anos, saiu de Helsinque, na Finlândia num Cessna dizendo que ia para Estocolmo, na Suécia, alterou seu plano de vôo e invadiu a União Soviética, terminando por pousar na Praça Vermelha, junto ao Kremlin, no coração do poder soviético, em 26 de maio de 1987.

O episódio desmoralizou a defesa antiaérea da superpotência comunista, levando seu dirigente máximo, o secretário-geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev, a demitir o ministro da Defesa, que resistia a seus projetos de abertura democrática (glasnost) e reestruturação econômica (perestroika).

Desapontado com o fracasso da reunião de cúpula de Gorbachev com o presidente americano Ronald Reagan em Reikjavic, na Islândia, em 1986, Rust, hoje um investidor bem-sucedido, revela suas motivações: "Estava cheio de sonhos. Acreditava que tudo era possível. Minha intenção com o vôo era estabelecer uma ponte imaginária entre o Ocidente e o Oriente", declarou Rust em entrevista ao jornal The Washington Post, por telefone, de sua casa, em Hamburgo, na Alemanha.

Rust teve sorte de sair vivo. Em 1º de setembro de 1983, a defesa aérea soviética na costa do Pacífico derrubara um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air, matando todos os passageiros e tripulantes.

Reagan e Gorbachev assinariam, em 8 de dezembro de 1987, o primeiro acordo para eliminar armas nucleares, na verdade toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de médio alcance (de 500 a 5 mil km).

Agora, diante da instalação de estações e radares do sistema de defesa antimísseis dos EUA na Europa Oriental, a Rússia acaba de tester um míssil balístico intercontinental, ameaça abandonar o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (1990) e voltar a produzir mísseis de médio alcance.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

EUA temem mísseis chineses de longo alcance

Há o risco de uma nova guerra fria no ar. Os Estados Unidos estão preocupados com o desenvolvimento pela China de mísseis intercontinentais baseados em terra ou no mar com capacidade de atingir o território americano, diz um novo relatório que está sendo preparado pelo Departamento da Defesa.

O relatório anual de 2007 do Pentágono sobre o poderio militar chinês vai destacar o desenvolvimento de uma nova classe de submarinos Jin capazes de carregar mísseis nucleares balísticos com mais de 8 mil quilômetros de alcance. Serão cinco ao todo. Um está em testes e pode entrar em operação no próximo ano.

Outra preocupação é com as implicações estratégicas da instalação pela China ainda este ano de mísseis balísticos intercontinentais terrestres móveis DF-31A. Eles também podem atingir os EUA.

Para o secretário da Defesa, Robert Gates, o relatório não exagera a ameaça chinesa: "Pinta um quadro em que um país está dedicando recursos substanciais às Forças Armadas e desenvolvendo algumas capacidades muito sofisticadas".

Os analistas americanos assinalam o fortalecimento da China junto ao Estreito de Taiwan, que o regime comunista considera uma província rebelde, o recente teste chinês com um míssil anti-satélite e o desenvolvimento de tecnologias para impedir acesso ao espaço.

A China acusou relatórios anteriores do Pentágono de fomentar uma nova guerra fria, e insiste sempre em que o orçamento militar chinês é uma fração do americano.

Em 2005, o general Zhu Chenghu disse que a China teria de usar armas nucleares se fosse atacada pelos EUA numa guerra com Taiwan. O governo chinês resistiu. Insiste em que sua política é de não ser o primeiro a usar armas atômicas. Mas os analistas militares acreditam que a China pode desenvolver uma força nuclear mais flexível e muito mais poderosa.

Com seu extraordinário crescimento, a China já é uma superpotência econômica. Tem dinheiro e capacidade tecnológica para se tornar uma superpotência militar, desafiando a supremacia americana.

Uma nova guerra fria depende do grau de hostilidade entre essas superpotências: elas vão cooperar, reforçando a interdependência econômica, ou disputar a supremacia mundial numa nova corrida armamentista.