Em sua guerrinha fria inconsequente contra o Ocidente, o presidente Vladimir Putin anulou por decreto um acordo entre Estados Unidos e Rússia para eliminar excedentes de plutônio que não possam ser mais usados em armas nucleares.
Ao acusar os EUA de atitude "inamistosa", Putin indica que outros acordos de desarmamento e cooperação nuclear estão sob ameaça. Até mesmo o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro da história a eliminar armas atômicas, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente americano, Ronald Reagan, e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, corre risco de ser abandonado.
Aquele acordo eliminou os mísseis nucleares de curto e médio alcance das duas superpotências. Foi um marco do fim da Guerra Fria.
Putin subiu na vida como agente da polícia política soviética, o sinistro Comitê de Defesa do Estado (KGB) e considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Ele foi diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB, ainda o núcleo político do regime.
Desde que chegou ao poder no Kremlin, em 1999, Putin tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Faz isso ressuscitando a indústria bélica, intervindo política e militarmente nas outras ex-repúblicas soviéticas e, desde o ano passado, também na guerra civil da Síria.
Com a intervenção militar na Ucrânia e a anexação da Península da Crimeia, em 2014, Putin violou o acordo de 1994 que garantia a segurança do país em troca da entrega de todas as armas nucleares da antiga URSS à Rússia. Em resposta, os EUA e a União Europeia impuseram sanções econômicas à Rússia.
Sem sombra do poder econômico das superpotências de hoje, os EUA e a China, só resta ao protoditador do Kremlin fustigar as potências ocidentais. Suas bravatas servem mais para consumo interno, mas podem levar a incidentes que provoquem uma escalada.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador cooperação nuclear. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cooperação nuclear. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Rússia suspende cooperação nuclear com os EUA
Marcadores:
armas atômicas,
cooperação nuclear,
Crimeia,
Desarmamento,
EUA,
KGB,
plutônio,
Rússia,
Síria,
Ucrânia,
URSS,
Vladimir Putin
Assinar:
Postagens (Atom)