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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Vacinas Inglaterra e da China apresentam resultados promissores

As vacinas contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e o laboratório AstraZeneca, e a da companhia chinesa CanSino apresentaram resultados positivos relatados nesta segunda-feira na revista médica The Lancet. 

A empresa de biotecnologia americana Moderna também obteve boa resposta com uma vacina testada em 45 pessoas. Agora, as duas últimas vão passar à chamada fase 3, onde a vacina de Oxford já está, de testes em grande escala. A vacina de Oxford está sendo aplicada em mais de 10 mil pessoas, inclusive no Brasil. 

Ao todo, há pelo menos 163 vacinas em desenvolvimento, 23 na fase de testes em humanos. Quando elas estarão disponíveis para o público? Na melhor das hipóteses, no fim do ano. Com quase toda a certeza, dentro de um ano.

No mundo, o total de casos confirmados da doença do coronavírus de 2019 está em 14,813 milhões, com mais de 613 mil mortes e 8,9 milhões de pacientes curados.

No Brasil, foram registradas nesta segunda-feira mais 721 mortes e 21.749 casos novos. O total de mortes dobrou em 39 dias, chegando a 80.251 óbitos. A covid-19 atingiu mais de 2,121 milhões de pessoas, cerca de 1% da população brasileira.

Os Estados Unidos passaram de 3,8 milhões casos e 140 mil mortes. Em duas semanas, o número de casos novos aumentou 35% e o de mortes 64%.

O Congresso dos EUA debate um novo pacotão de US$ 1 trilhão, cerca de R$ 5,343 trilhões de reais, incluindo ajuda para pequenas e microempresas, escolas, hospitais e cidadãos de baixa renda. Já aprovou um plano de recuperação de US$ 3,3 trilhões.

Depois de uma reunião de cúpula de emergência de quatro dias, a União Europeia chegou a um acordo na madrugada de terça-feira sobre um plano de recuperação de 750 bilhões de euros, cerca de R$ 4,585 trilhões de reais, para consolidar a solidariedade do bloco. Serão 390 bilhões de euros em ajuda direta, sem contrapartida, e 360 bilhões empréstimos, tudo financiado coletivamente.

Também foi aprovado o orçamento plurianual de sete anos da União Europeia, no valor de 1 trilhão de euros, cerca de 6 trilhões 114 bilhões de reais, a serem gastos até 2027. Meu comentário:

domingo, 19 de julho de 2020

UE não chega a acordo sobre plano de recuperação

Apesar de enfrentar a pior crise econômica de sua história, os líderes dos 27 países da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo neste fim de semana sobre um plano de recuperação. A Alemanha e a França propuseram a mobilização de 750 bilhões de euros, cerca de R$ 4,615 trilhões, sendo 500 bilhões em ajuda direta e 250 bilhões em empréstimos. 

Quatro países ricos, os quatro frugais (Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia), resistem a dar ajuda sem contrapartida e os dois governos de extrema direita (Hungria e Polônia) rejeitam a exigência de respeitar as regras do Estado de Direito. As negociações continuam nesta segunda-feira.

Na reunião de cúpula de emergência realizada em Bruxelas, na Bélgica, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, porta-voz dos quatro frugais, sugeriu uma redução da ajuda direta, sem contrapartida, a 350 bilhões de euros, pouco mais de R$ 2,153 trilhões, e mais 350 bilhões em empréstimos. Quer também condicionar o desembolso a reformas nos países mais atingidos pela doença do coronavírus de 2019: Itália e Espanha.

A Alemanha, a Espanha, a França e a Itália querem um mínimo de 400 bilhões de euros, pouco mais de R$ 2,461 trilhões, em ajuda direta. Houve um avanço. Quando a proposta foi feita pela chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, em maio, Rutte e o primeiro-ministro austríaco, Sebastian Kurz, rejeitaram toda ajuda direta.

Merkel e Macron defendem que a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, tome empréstimos de 500 bilhões de euros coletivamente, em nome dos 27 países-membros. Desta maneira, conseguiriam juros muito mais baixos do que seriam obtidos pelos países em maiores dificuldades econômicas, como Espanha, Itália e Grécia.

Enquanto os líderes da Alemanha e da França estão extremamente frustrados com os quatro frugais, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, adverte que está em jogo o futuro da UE.

Já o primeiro-ministro fascistoide Viktor Orbán acusou seu colega holandês de odiar a Hungria. Ele exige que qualquer suspensão dos desembolsos por desrespeito ao Estado de Direito precise de  unanimidade. Assim, os governos de extrema direita da Hungria e da Polônia, que atacam a liberdade de imprensa e a independência do Poder Judiciário, poderiam vetar a sanção.

A Hungria e Polônia podem querer barganhar uma ajuda maior, disse ao jornal inglês Financial Times um diplomata que participou das negociações.

Um acordo "não será construído sacrificando as ambições da Europa", desabafou o presidente Macron. "Não por uma questão de princípios, mas porque estamos enfrentando uma crise de saúde, econômica e social sem precedentes, porque nossos países precisam e porque a unidade da Europa precisa."

Se a União das Comunidades Europeias não for capaz de dar uma resposta conjunta num momento destes, para que serve a UE? Corre o risco de virar apenas uma zona de livre comércio. Deixaria de ser uma comunidade.

Para o jornal liberal alemão Süddeutsche Zeitung, "foi um dia de cólera entre governos e modelos europeus divergentes" e "uma tragédia porque mostra a impotência da Alemanha e da França", eixo central da UE, que mostraram uma "rara unidade" ao formular a proposta.

O problema acontece no momento de maior crise do projeto de integração da Europa. Além da pandemia do novo coronavírus, a UE está sob o impacto da saída do Reino Unido, a segunda maior economia do continente, num mundo em que os Estados Unidos de Donald Trump se afastam dos aliados europeus, sabotam a integração e acirram o conflito com a China, cada vez mais agressiva sob a ditadura de Xi Jinping.

Mais do que nunca, a Europa precisa de união para se apresentar como um modelo alternativo às superpotências que fomentam uma nova guerra fria.