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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Extrema direita vence eleições na Holanda

Num resultado surpreendente, o neofascista Partido da Liberdade (PVV), antieuropeu, anti-imigrantes e islamofóbico, liderado por Geert Wilders, ficou em primeiro lugar nas eleições de quarta-feira na Holanda, um dos países com a mais longa tradição liberal da Europa. Conquistou 23,6% dos votos e elegeu 37 dos 150 deputados da Câmara, mais do que dobrando sua bancada, mas talvez não consiga articular uma maioria para formar um governo.

Em segundo lugar, 15,5% dos votos, ficou a aliança entre o Partido Verde (GL) e o Partido Trabalhista (PvdA), liderada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, com 25 deputados.

O Partido Popular pela Liberdade e Democracia (VVD), do primeiro-ministro Mark Rutte, agora sob a liderança de Dilan Yesilgoz Zegerius, uma imigrante turca naturalizada holandesa, veio logo atrás, com 15,2% dos votos e 23 deputados. Ela descartou a possibilidade de se aliar à extrema direita.

A extrema direita governa três países da União Europeia, a Hungria do primeiro-ministro Viktor Orbán, a Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni e a Eslovênia, com o primeiro-ministro Robert Fico, eleito no mês passado. Perdeu na Polônia, que governava há oito anos. Faz parte do governo como parceira menor na Finlândia e na Letônia.

Na Espanha, o Vox ficou em terceiro lugar, mas sua aliança com o Partido Popular, de direita, que foi o mais votado, não conseguiu maioria absoluta na Câmara de Deputados e o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez conquistou um terceiro mandato.

Com 21% das preferências nas pesquisas, a Alternativa para a Alemanha (AfD) é o segundo partido mais popular da Alemanha hoje, atrás apenas da coalizão União Democrata-Cristã-União Social-Cristã (CDU-CSU) com 29%. Está na frente dos três partidos que apoiam o governo Olaf Scholz. O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) tem 16% nas pesquisas, Os Verdes 14% e o Partido Liberal-Democrata (FDP) 5%.

Ao festejar o resultado, Wilders prometeu acabar com o "tsuname de asilo" para garantir que "os holandeses tenham seu país de volta". Também quer convocar um plebiscito para retirar a Holanda da UE.

Islamofóbico, Wilders vive sob proteção policial desde 2004. Quer proibir o Corão, o livro sagrado do islamismo, sobretaxar o véu muçulmano, fechar mesquistas e escolas religiosas islâmicas. Para ter alguma chance de ser primeiro-ministro, terá de moderar suas propostas.

domingo, 19 de julho de 2020

UE não chega a acordo sobre plano de recuperação

Apesar de enfrentar a pior crise econômica de sua história, os líderes dos 27 países da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo neste fim de semana sobre um plano de recuperação. A Alemanha e a França propuseram a mobilização de 750 bilhões de euros, cerca de R$ 4,615 trilhões, sendo 500 bilhões em ajuda direta e 250 bilhões em empréstimos. 

Quatro países ricos, os quatro frugais (Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia), resistem a dar ajuda sem contrapartida e os dois governos de extrema direita (Hungria e Polônia) rejeitam a exigência de respeitar as regras do Estado de Direito. As negociações continuam nesta segunda-feira.

Na reunião de cúpula de emergência realizada em Bruxelas, na Bélgica, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, porta-voz dos quatro frugais, sugeriu uma redução da ajuda direta, sem contrapartida, a 350 bilhões de euros, pouco mais de R$ 2,153 trilhões, e mais 350 bilhões em empréstimos. Quer também condicionar o desembolso a reformas nos países mais atingidos pela doença do coronavírus de 2019: Itália e Espanha.

A Alemanha, a Espanha, a França e a Itália querem um mínimo de 400 bilhões de euros, pouco mais de R$ 2,461 trilhões, em ajuda direta. Houve um avanço. Quando a proposta foi feita pela chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, em maio, Rutte e o primeiro-ministro austríaco, Sebastian Kurz, rejeitaram toda ajuda direta.

Merkel e Macron defendem que a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, tome empréstimos de 500 bilhões de euros coletivamente, em nome dos 27 países-membros. Desta maneira, conseguiriam juros muito mais baixos do que seriam obtidos pelos países em maiores dificuldades econômicas, como Espanha, Itália e Grécia.

Enquanto os líderes da Alemanha e da França estão extremamente frustrados com os quatro frugais, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, adverte que está em jogo o futuro da UE.

Já o primeiro-ministro fascistoide Viktor Orbán acusou seu colega holandês de odiar a Hungria. Ele exige que qualquer suspensão dos desembolsos por desrespeito ao Estado de Direito precise de  unanimidade. Assim, os governos de extrema direita da Hungria e da Polônia, que atacam a liberdade de imprensa e a independência do Poder Judiciário, poderiam vetar a sanção.

A Hungria e Polônia podem querer barganhar uma ajuda maior, disse ao jornal inglês Financial Times um diplomata que participou das negociações.

Um acordo "não será construído sacrificando as ambições da Europa", desabafou o presidente Macron. "Não por uma questão de princípios, mas porque estamos enfrentando uma crise de saúde, econômica e social sem precedentes, porque nossos países precisam e porque a unidade da Europa precisa."

Se a União das Comunidades Europeias não for capaz de dar uma resposta conjunta num momento destes, para que serve a UE? Corre o risco de virar apenas uma zona de livre comércio. Deixaria de ser uma comunidade.

Para o jornal liberal alemão Süddeutsche Zeitung, "foi um dia de cólera entre governos e modelos europeus divergentes" e "uma tragédia porque mostra a impotência da Alemanha e da França", eixo central da UE, que mostraram uma "rara unidade" ao formular a proposta.

O problema acontece no momento de maior crise do projeto de integração da Europa. Além da pandemia do novo coronavírus, a UE está sob o impacto da saída do Reino Unido, a segunda maior economia do continente, num mundo em que os Estados Unidos de Donald Trump se afastam dos aliados europeus, sabotam a integração e acirram o conflito com a China, cada vez mais agressiva sob a ditadura de Xi Jinping.

Mais do que nunca, a Europa precisa de união para se apresentar como um modelo alternativo às superpotências que fomentam uma nova guerra fria.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Governo da Holanda derrota partido neonazista

O primeiro-ministro democrata-cristão, Mark Rutte venceu as eleições parlamentares na Holanda, afastando a possibilidade de que o líder neonazista Geert Wilders governe o país nos próximos anos. É uma derrota do ultranacionalismo que levou os britânicos a aprovar a saída do Reino Unido da União Europeia e os Estados Unidos a eleger o bilionário Donald Trump para a Casa Branca.

Com 28 partidos disputando as eleições, o vencedor VVD (Partido Popular para Liberdade e Democracia) teve, de acordo com as pesquisas de boca de urna, cerca de 20% dos votos e deve conquistar 31 cadeiras no Parlamento, de 150 deputados. A participação do eleitorado superou 80%.

Na pesquisa, três partidos ficaram empatados em terceiro lugar, cada um com 13 cadeiras. Entre eles, está o Partido da Liberdade, da extrema direita e anti-imigrantes, liderado por Wilders, que prometeu banir o islamismo da Holanda e retirar o país da UE. A ultradireita acabou ficando em segundo.

Rutte, no poder desde outubro de 2010, ganhou prestígio nos últimos dias ao barrar a entrada no país de ministros da Turquia que pretendiam participar de comícios para o plebiscito feito sob medida para dar poderes ditatoriais ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Ao impedir que um autocrata muçulmano e a ultradireita transformassem a Holanda, país com a mais longa tradição liberal na Europa, num campo de batalha, o primeiro-ministro reafirmou suas credenciais como um homem firme e decidido capaz de garantir as liberdades públicas que seus cidadãos tanto prezam.

O grande derrotado foi o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, um parceiro menor na coalizão de governo, que caiu de 38 para apenas nove cadeiras no novo Parlamento. A esquerda está sendo destruída pelo líder trabalhista Jeremy Corbyn no Reino Unido e não deve chegar ao segundo turno da eleição presidencial da França, mas na Alemanha o candidato social-democrata Martin Schulz mostra-se um candidato à altura da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.

A próxima batalha contra o populismo neofascista na Europa será na eleição presidencial da França. O primeiro turno será realizado em 23 de abril e a líder da ultranacionalista Frente Nacional, Marine Le Pen, deve chegar ao segundo turno. De acordo com as pesquisas, ela será derrotada.

sábado, 19 de julho de 2014

Holanda acusa Rússia de descaso com mortos

Diante do caos no local onde caiu um Boeing 777 da Malaysia Airlines em território dominado por rebeldes ucranianos aliados à Rússia, o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, afirmou hoje que o presidente Vladimir Putin tem uma última chance de mostrar que está interessado no resgate dos corpos e numa investigação independente. A maioria dos 298 mortos (192) era holandesa.

O avião fazia o voo MH17 entre Amsterdã, a capital de Holanda, e Kuala Lumpur, a capital da Malásia, quando foi abatido a 10 mil metros de altitude por um míssil terra-ar provavelmente disparado por engano pelos rebeldes apoiados pelo Kremlin. Ontem, uma missão de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) foi hostilizada pelo rebeldes e obrigada a deixar a área.

Como há denúncias de que os corpos estão sendo retirados do local e os pertences da vítimas estão sendo roubados, Rutte não escondeu sua revolta. O avião levava passageiros e tripulantes de 11 países. Não havia nenhum brasileiro a bordo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Holanda quer xerife para a Eurozona

O primeiro-ministro e o ministro das Finanças da Holanda defendem a criação de um órgão independente para fiscalizar as regras sobre dívida e déficit do pacto de estabilidade que sustenta a união monetária europeia, com poder para aplicar penas que iriam até a expulsão da Zona do Euro.

Em artigo no jornal inglês Financial Times, o primeiro-ministro Mark Rutte e o ministro Jan Kees de Jager manifestam a intenção de submeter os orçamentos nacionais dos países da Eurozona à aprovação de um xerife, czar ou comissário para disciplina fiscal.

“Os países que não quiserem se submeter a este regime devem deixar a Eurozona”, propõem. “No futuro, a sanção máxima seria obrigar os países a deixar o euro”.