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sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Alemanha dissolve Parlamento e antecipa eleições em plena crise

 O presidente Frank-Walter Steinmeier dissolveu hoje o Parlamento Federal da Alemanha. As eleições gerais foram antecipadas em sete meses depois da queda do chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz. Serão realizadas em 23 de fevereiro de 2025, em meio a uma crise do modelo econômico alemão e de ascensão da extrema direita. A favorita é a União Democrata-Cristão (CDU), o partido tradicional da direita conservadora, liderado por Friedrich Merz, que deve ser o próximo chefe de governo.

Maior economia da Europa e terceira do mundo, a Alemanha enfrenta uma crise de seu modelo econômico por causa da concorrência dos países da Ásia, especialmente da China, e do fim da energia barata da Rússia. O governo Scholz caiu por causa da discordância dos liberais-democratas sobre a recuperação da economia.

A CDU de Merz faz campanha com a defesa do neoliberalismo econômico, com cortes de impostos e gastos públicos, e contra a imigração. A onda de refugiados que entrou no governo Angela Merkel (2005-21) é a principal causa do surgimento e ascensão do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em segundo lugar nas pesquisas.

Com o fragmentação do sistema política e a recusa dos partidos tradicionais de formar governo com a extrema direita, há uma expectativa de que sejam necessários meses após as eleições até a Alemanha ter um novo governo. Como a França também está em crise, com um governo sem maioria na Assembleia Nacional, o eixo central da União Europeia está enfraquecido no momento da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Voto de desconfiança derruba primeiro-ministro conservador da Áustria

O mais jovem líder eleito do mundo, o chanceler (primeiro-ministro) da Áustria, Sebastian Kurz, de 32 anos, caiu hoje depois de um escândalo corrupção envolvendo o vice-chanceler e líder do Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita. 

Kurz, que chegou ao poder em 2017, foi o primeiro líder austríaco afastado com um voto de desconfiança do Parlamento no pós-guerra. Para derrubar Kurz, a oposição social-democrata se aliou ao FPÖ para aprovar uma moção de desconfiança.

O estopim do escândalo chamado de Ibizagate foi uma gravação de julho de 2017, feita em Ibiza, na Espanha, em que o então vice-chanceler de ultradireita Hans-Christian Strache negociava contratos públicos e a compra de um jornal com uma mulher que se fez passar por sobrinha a de um oligarca russo.

Quando o escândalo veio à tona, Strache caiu e o FPÖ retirou seus outros ministros do governo, que ficou em minoria. Ficaram evidentes as ligações da extrema direita austríaca com a Rússia. Na gravação, ele manifestou a intenção de tornar o jornalismo da Áustria igual ao da Hungria, onde o primeiro-ministro de ultradireita Viktor Orbán cerceia a liberdade de imprensa.

Até setembro, quando haverá novas eleições, a Áustria, um país de 9 milhões de habitantes, deve ser administrada por um governo tecnocrático. Kurz será candidato à reeleição e as pesquisas apontam a vitória do seu Partido Popular Austríaco (ÖVP).

Nas eleições para o Parlamento Europeu no último fim de semana, o ÖVP venceu com 35%, seguido pelo Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) com 23,4%, o FPÖ com 17,2% e os Verdes com 14%.

Para revigorar o partido, ao se tornar líder, Kurz tomou algumas bandeiras da extrema direita como a linha dura contra imigrantes em à crise com a tentativa de entrada na Europa de uma onda de refugiados das guerras na África e no Oriente Médio. Ele também abraçou as guerras culturais, proibindo o véu islâmico em escolas primárias.

Ao contrário dos populistas de extrema direita, o ex-chanceler austríaco evita a retórica inflamada e o tom estridente. Tenta passar a imagem de um conservador moderno, claramente à direita da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, (Angela Merkel), mas dentro de um partido tradicional.

Depois das eleições de 2017, ele preferiu se aliar à ultradireita a formar uma grande coalizão com os sociais-democratas, reunindo os dois partidos que dominaram a política austríaca no pós-guerra.

Agora, o SPÖ propôs a moção de desconfiança alegando que Kurz precisa ser responsabilizado por se aliar à extrema direita.

sábado, 4 de maio de 2019

Conservadores e trabalhistas perdem eleições municipais no Reino Unido

Os dois maiores partidos do Reino Unido perderam vereadores nas eleições municipais de quinta-feira, 2 de maio de 2019, por causa da indefinição quanto à saída do país da União Europeia (UE). Os liberais-democratas e os verdes, a favor de continuar fazendo parte da Europa unida, foram os maiores vencedores.

A maior derrota foi do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, grande responsável pelo plebiscito e toda a confusão em torno das relações com a Europa. Os tories perderam 1.332 nas câmaras municipais de todo o país. Foi seu pior desempenho em eleições municipais desde 1995, quando o Reino Unido se preparava para eleger Tony Blair em 1997.

Com o domínio dos grandes partidos por causa do sistema de eleição distrital em turno único, era de se esperar que a derrota conservadora levasse à vitória do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Ele é considerado um radical de esquerda indeciso em relação à Brexit e à convocação de uma segunda consulta popular. Os trabalhistas elegeram 81 vereadores a menos.

O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), grande defensor da Brexit, perdeu 145 cadeiras em relação a 2015, seu melhor resultado em eleições municipais anteriores.

Com um ganho de 700 vereadores, o Partido Liberal-Democrata, centrista e pró-europeu, ressurge depois de sofrer uma grande derrota nas eleições gerais de 2015, pagando o preço de ser o parceiro menor da coalizão com o Partido Conservador no primeiro governo David Cameron (2010-15).

Os Verdes ganharam 194 cadeiras e foram eleitos 615 vereadores independentes.

"Foi um voto para barrar a Brexit", declarou o líder liberal-democrata, Vince Cable, punindo conservadores e trabalhistas pela total incapacidade de chegar a um consenso mínimo para sair da UE ou convocar uma segunda consultar popular, um referendo sobre o acordo de divórcio ou a anulação do resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.

Nos dois casos, o desgaste para os grandes partidos será enorme. A questão europeia dividiu o país, provocando sua pior crise política depois da Segunda Guerra Mundial.

Cameron convocou o plebiscito depois de sua segunda vitória na expectativa de pacificar o partido, radicalmente dividido em torno da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Estendeu a divisão interna do partido a todo o país.

Como em tantos outros países, o eleitorado britânico está insatisfeito.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Primeira-ministra Angela Merkel anuncia retirada da vida pública

Diante de mais uma grande perda da União Democrata-Cristã ontem nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel anunciou hoje que este será seu último mandato como chefe de governo. Ela deixa o cargo em 2021 e não vai concorrer à reeleição como líder do partido em dezembro de 2018, informou a televisão pública britânica BBC.

"Não vou mais postular nenhum cargo político quando meu mandato acabar", declarou Merkel hoje em Berlim. "Como chanceler e líder da CDU, sou responsável por tudo, por seus fracassos e seus sucessos."

Tanto a CDU como o Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro na grande coalizão que governo a Alemanha, perderam dez pontos percentuais em relação às eleições anteriores em Hesse, onde fica Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha e sede do Banco Central Europeu (BCE).

Duas semanas antes, a União Social-Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, sofrera uma perda semelhante e também o SPD nas eleições estaduais bávaras. Nos dois casos, os grandes beneficiários foram os Verdes à esquerda e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel sofre um desgaste por ter acolhido 1,1 milhão de refugiados das guerras no Oriente Médio  por causa das leis de asilo político generosas adotadas pela Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) para expiar a culpa pelos crimes do Nazismo.

A inesperada ascensão da AfD a partir das eleições gerais de 2017, quando a extrema direita voltou ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o fim da guerra, foi um sinal claro de insatisfação. Agora, depois das eleições na Baviera e em Hesse, a AfD tem deputados em todas as assembleias legislativas regionais.

Com a forte queda dos dois partidos de centro, a grande coalizão é abalada. Se o SPD retirar o apoio, a aliança CDU-CSU terá de decidir se tenta governar em minoria ou se convoca novas eleições em que Merkel não seria candidato.

Neste clima, eleições gerais antecipadas tendem a produzir um Parlamento fragmentado, com negociações difíceis para formar um governo de maioria, provavelmente frágil. Como a Alemanha é a maior economia da Europa e a líder da União Europeia, a integração europeia também fragilizada no momento das negociações para a saúda do Reino Unido e de desafios dos governos de extrema direita da Itália, da Hungria e da Polônia.

domingo, 9 de setembro de 2018

Ultradireita cresce e pode ser fiel da balança na Suécia

A temida ascensão da extrema-direita neofascista aconteceu. Os Democratas Suecos, um partido supremacista branco, cresceram de 12,9% para 18% nas eleições hoje, principalmente por causa da crise dos refugiados. Podem ser o fiel da balança na Suécia. 

Com 40,6% dos votos, a coalizão governista de centro-esquerda, formada pelos partidos Social-Democrata, Verdes e de Esquerda, elegeu 144 deputados. A Aliança, de centro-direita, recebeu 40,3% dos votos e conquistou 143 cadeiras, e pediu ao primeiro-ministro social-democrata Stefan Lofven que renuncie, num sinal de que pode formar governo com a ultradireita.

"Queremos fazer parte do governo", declarou o secretário dos Democratas, Richard Jomshof, no início da apuração, quando tinha a esperança de que o partido pudesse passar de 20%.

A Suécia, um país de 10 milhões de habitantes, recebeu 163 mil solicitantes de asilo político em 2015, proporcionalmente a maior quantidade na União Europeia.

O país já teve um partido de extrema direita. A Nova Democracia conquistou 7% dos votos em 1991 prometendo reduzir a imigração, baixar o preço das bebidas alcoólicas e estacionamento grátis, mas ficou fora do Parlamento nas eleições seguintes.

Se os Democratas Suecos conseguirem mesmo o apoio de cerca de um quinto do eleitorado, superando com ampla margem os 12,6% da Alternativa para a Alemanha (AfD), vão abalar a imagem da Suécia como um paraíso social-democrata.

O aumento do tempo de espera para cirurgias não emergenciais, a escassez de médicos e professores, e problemas de violência em áreas mais põem em dúvida o modelo sueco. A ultradireita descreveu as eleições como uma escolha entre a imigração e o bem-estar social. Não quer desmontar o Estado social-democrata, quer manter seus benefícios, mas só para os suecos étnicos.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Tribunal constitucional anula eleição presidencial na Áustria

Em uma decisão sem precedentes, a pedido do Partido da Liberdade, de extrema direita, o Tribunal Constitucional da Áustria anulou hoje o resultado do segundo turno da eleição presidencial, realizado em 22 de maio de 2016, quando o candidato independente e verde Alexander Van der Bellen venceu o ultradireitista Norbert Hofer por 50,3% a 49,7%, com uma vantagem de apenas 30.863 votos.

A decisão, baseada em denúncias de irregularidades na apuração em várias seções eleitorais, lança uma nova incerteza na tumultuada política austríaca. Van der Bellen deveria tomar posse em 8 de julho. Ele foi a solução para evitar o ascensão da extrema direita à Presidência de um país da União Europeia.

"As eleições são o fundamento da nossa democracia", justificou o presidente do supremo tribunal austríaco, Gerhart Holzinger. "A garantia deste fundamento é nosso dever. (...) Não há perdedores nem ganhadores. Nossa decisão não deve servir que a um objetivo: reforçar a confiança no Estado de Direito e em nossa democracia."

Nenhuma fraude nem manipulação dos resultados foi detectada. O tribunal constatou negligência na apuração em algumas zonas eleitorais e nos votos enviados pelo correio.

Com a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio em busca de uma vida nova na Europa, 90 mil pediram asilo à Áustria no ano passado. O discurso anti-imigração da ultradireita ajudou a derrotar os partidos tradicionais, o Partido Social-Democrata (centro-esquerda) e o Partido Popular (centro-direita) no primeiro turno, em 24 de abril.

Em 9 de maio, o chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Werner Faymann pediu demissão, sendo substituído por Christian Kern, do mesmo partido.

Apesar da pequena margem, a vitória de Van der Bellen no segundo turno era vista como uma vitória da Europa e da tolerância com os refugiados. Mesmo assim, o neofascista Partido da Liberdade firmava-se como maior partido da Áustria. Agora, terá uma segunda chance de conquistar a Presidência de um país da UE.

domingo, 24 de abril de 2016

Extrema direita vence primeiro turno da eleição presidencial na Áustria

De acordo com as projeções dos primeiros resultados, o candidato ultranacionalista Norbert Hofer, do Partido da Liberdade, conquistou 37% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial na Áustria. A outra vaga no segundo turno ficou com o verde Alexander Van der Bellen.

Será a primeira vez desde 1945 que a Presidência da Áustria sairá das mãos dos partidos tradicionais, o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores e o Partido Popular, democrata-cristão.

Esse resultado reflete o crescente desprestígio dos partidos tradicionais, a exemplo do que acontece em quase toda a Europa, onde a neofascista Frente Nacional tem cerca de 25% do eleitorado da França e o Partido da Independência do Reino Unido foi o mais votado no país nas eleições para o Parlamento Europeu há dois anos.

Como a Áustria adota um regime parlamentarista, o cargo de presidente ou chefe de Estado é cerimonial. Mesmo assim, a vitória da ultradireita é um sinal de alerta.

A Áustria está na linha de frente dos países afetados pelo movimento de refugiados e imigrantes da África e da Ásia, que aumenta com a Primavera no Hemisfério Norte. Hofer centrou sua campanha na luta contra a imigração,

O segundo turno da eleição presidencial austríaca será realizado em 22 de maio de 2016.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Governo de Portugal perde maioria em eleições parlamentares

A coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho venceu as eleições parlamentares de domingo, mas elegeu apenas 104 dos 230 deputados, perdendo a maioria na Assembleia da República.

Sob a liderança do ex-prefeito de Lisboa António Costa, o Partido Socialista (PS) elegeu 85 deputados com uma campanha denunciado o programa de ajuste fiscal imposto pelos credores em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros. A liderança de Costa pode ser desafiada, noticiou o jornal português Público, que observou um avanço de alianças mais à esquerda.

O Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes, conquistaram 36 cadeiras. Se as esquerdas se unirem, podem barrar a coalizão de Passos Coelho, entre o Partido Social-Democrata (PSD) e o Centro Democrático-Social (CDS).

No fim da noite de ontem, o primeiro-ministro anunciou que pretende chegar a um acordo com o PS para formar um governo minoritário e obter apoio da oposição mais moderada para ajudar Portugal a sair da crise.

"Nossas obrigações como governo nos obrigam a deixar de lado as bandeiras partidárias e nos unir a todos que querem construir um país melhor", declarou Passos Coelho.

Depois do acordo com os credores, em 2011, Portugal voltou a crescer, mas ainda não chegou ao nível anterior à crise. A economia avança hoje num ritmo de 1,5% ao ano. O desemprego caiu de 17,5% para 11,9%.

domingo, 4 de outubro de 2015

Direita vence eleições e pode ter maioria absoluta em Portugal

A coligação Portugal à Frente, do primeiro-ministro conservador Pedro Passos Coelho, venceu as eleições parlamentares deste domingo em Portugal e pode conquistar a maioria absoluta na Assembleia da República, informa o jornal Público.

De acordo com a pesquisa de boca de urna da empresa Intercampus, a aliança entre o Partido Social-Democrata (PSD) e o Centro Democrático-Social (CDS) obteve de 36,8% a 41,6% e deve eleger de 106 a 118 deputados, o que lhe daria a maioria absoluta no parlamento.

Sob a liderança de António Costa, o Partido Socialista (PS) conquistou entre 29,5% a 33,9% dos votos e deve ter de 77 a 89 deputados.

A grande surpresa foi o Bloco de Esquerda (BE), que pode chegar a 12% e eleger de 15 a 23 deputados, superando a Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes. A CDU deve ter no máximo 10% dos votos e de 12 a 20 deputados.

Quarenta anos depois das eleições para a Assembleia Constituinte que consolidaram a transição de Portugal para a democracia, os portugueses elegeram o 15º parlamento. A abstenção foi de 44,7%.

O grande tema da campanha foi o programa de austeridade fiscal imposto pelos sócios da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros.

Com déficit orçamentário de 9,4% do produto interno bruto, em setembro de 2010, o então primeiro-ministro socialista José Sócrates, hoje preso por corrupção, anunciou um plano de ajuste fiscal com aumentos de impostos e cortes de salários do setor público.

Em maio de 2011, com Sócrates demissionário, foi anunciado o acordo com os credores. Desde então, Portugal voltou a crescer. O último trimestre de contração foi o primeiro de 2014. No momento, avança num ritmo de 1,5% ao ano.

O PIB projetado para 2015 é de 229,6 bilhões de euros (R$ 1,014 trilhão), abaixo do recorde de 262 bilhões de euros, em 2009.

A taxa de desemprego caiu do pico de 17,5% em 2013 para 11,9% em julho deste ano, mas ainda não voltou aos índices pré-crise.

domingo, 22 de março de 2015

FN vai ao 2º turno em 52% das eleições departamentais na França

A ultradireitista Frente Nacional não é o maior partido político da França, como afirmou na campanha. Ficou em segundo lugar em total de votos no primeiro turno das eleições departamentais, realizado neste domingo. Mas foi primeira em 233 cantões e vai para o segundo turno, disputado no próximo domingo, em 1,1 mil ou 52% dos cantões que formam os 60 departamentos franceses.

"A direita na cabeça, a esquerda resiste e a FN em alta", resumiu a manchete do jornal francês Libération.

Por causa da crise econômica e do desgaste do governo socialista do presidente François Hollande, a direita obteve uma ampla vitória. A União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, ficou em primeiro com 30% dos votos.

Com 25,7%, superando o desempenho das eleições para o Parlamento Europeu no ano passado, a FN se firma como uma grande força da política francesa, batendo o Partido Socialista, que teve 21,8% dos votos. A Frente de Esquerda recebeu 6,5% e os verdes foram votados por apenas 1,9% dos franceses. Esses números foram corrigidos ao longo da apuração.

Os resultados parciais deixaram a UMP em primeiro lugar em 41% dos cantões. Em segundo, está o PS, à frente em 27,5% dos cantões. A FN liderou em 14,5% dos cantões.

A abstenção foi de 49% em eleições que os franceses não entendem direito. Os departamentos estão entre os municípios e o governo central, mas não têm a autonomia dos estados do Brasil ou dos Estados Unidos. Dentro da reforma do Estado para cortar os gastos públicos, o governo socialista está propondo fusões para reduzir o número de cantos. Saboia e Alta Saboia seriam unidas num só.

Suas atribuições se concentram na área da ação social (ajuda a crianças, famílias, idosos e deficientes, proteção materno-infantil e planejamento familiar), saúde e prevenção, planejamento habitacional, planejamento de transportes intradepartamentais, transporte interurbano, transporte escolar fora das cidades, pequenos portos e aeroportos regionais, canais e vias navegáveis.

Desde 1986, os departamentos são responsáveis pela construção, reconstrução, ampliação, reforma, fornecimento de equipamentos e funcionamento dos colégios e alojamentos estudantis, as escolas técnicas e as instalações esportivas em escolas. Também têm competência nas áreas de energia, meio ambiente e telecomunicações.

domingo, 22 de setembro de 2013

Merkel vence eleições na Alemanha

A conservadora União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e sua aliada na Baviera, a União Social-Cristã (CSU), ganharam as eleições parlamentares deste domingo na Alemanha com 41,5% dos votos.

Foi o segundo melhor resultado da aliança desde a reunificação do país, em 1990, oito pontos percentuais acima das eleições de 2009. Dá a Merkel um terceiro mandato consecutivo de quatro anos para governar o país mais rico da Europa e liderar a União Europeia, que ainda não saiu da crise econômica.

Em segundo lugar, com 25,7%, ficou o Partido Social-Democrata (SPD), seguido por A Esquerda (8,5%) e Os Verdes (8%). Os liberais-democratas do FDP, aliados de Merkel no atual governo, e o partido antieuropeu Alternativa para a Alemanha (AfD) lutam para chegar aos 5% mínimos para conseguir representação na Câmara Federal.

Com os problemas do FDP, que está com apenas 4,7% dos votos, não está certo se a coligação de centro-direita terá condições de formar o novo governo ou se Merkel terá de se aliar ao SPD, refazendo a grande coalizão que comandou a Alemanha em seu primeiro governo, de 2005 a 2009.

Os sociais-democratas exigem a introdução de um salário mínimo para aderir ao governo. Mas algumas projeções indicam que Merkel poderia ter maioria absoluta sem o FDP. Desde 1945, só o democrata-cristão Konrad Adenauer conseguiu maioria absoluta, em 1957.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Esquerda lidera sem ampla vantagem na França

A relação de forças favorece a esquerda nas eleições para a Assembleia Nacional da França em 10 e 17 de junho, mas não será uma vitória esmagadora, prevê uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, que ouviu 962 eleitores franceses em 26 e 27 de maio.

Cerca de 35% pretendem votar na União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy e seus aliados. O Partido Socialista e seus aliados teriam 31% dos votos, seguidos pela Frente Nacional, de extrema direita, com 15%; a Frente de Esquerda, com 8%; os Verdes, com 6% e a extrema esquerda, com 1,5%.

Na comparação bloco a bloco, a direita teria 50% contra 46,5% para a esquerda. Como a UMP se nega a fazer uma coalizão com a extrema direita e pode até apoiar a esquerda para barrar o acesso dos neofascistas ao parlamento, a vitória final deve ser da esquerda, reporta o jornal Le Monde.

Para obter maioria, o PS teria de fazer um acordo com a Frente de Esquerda e os Verdes, seus aliados naturais, que apoiaram François Hollande no segundo turno da eleição presidencial, em 6 de maio, deixando a ultraesquerda fora do governo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eva Joly ganha prévia dos Verdes na França

Com 49,75% dos votos, Eva Joly venceu o primeiro turno da eleição prévia da coligação Europa Ecologia-Os Verdes para escolher seu candidato à Presidência da França em 2012.

O líder dos Verdes, Nicolas Hulot, ficou em segundo lugar com 40,22%. Vai haver segundo turno para que um candidato obtenha maioria absoluta.

domingo, 7 de junho de 2009

Centro-direita vence eleições europeias

O bloco de centro-direita venceu as eleições para o Parlamento Europeu, de 736 deputados. Mas a abstenção recorde e o voto de protesto por causa da crise econômica ajudaram a extrema direita, que elegeu eurodeputados na Áustria, Holanda, Hungria e no Reino Unido.

As eleições europeias começaram na quinta-feira na Holanda e no Reino Unido e terminaram neste domingo, quando 19 dos 27 países da União Europeia foram às urnas.

Pelas projeções dos resultados iniciais, a bancada conservadora aumenta às custas do bloco socialista no parlamento da UE. O Partido Popular Europeu, bloco de centro-direita que reúne os países conservadores e democratas-cristãos, terá 264 deputados seguido pelos blocos socialista com 183, liberal com 84 e verde com 50.

Fazem parte do PPE a aliança União Democrata-Cristã-União Social-Cristã da primeira-ministra Angela Merkel, que venceu na Alemanha com 38,5% dos votos, e a União por um Movimento Popular, do presidente Nicolas Sarkozy, na França, também vitoriosa hoje.

O Parlamento Europeu não tem amplos poderes legislativos. É mais uma assembléia de debates. Se o Tratado de Lisboa, que substituiu o fracassado projeto de uma Constituição da Europa, for ratificado, passará a ter competência para revisar determinadas leis comunitárias.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Alemanha tem pior recessão desde 1945

O governo da Alemanha, quarta maior economia do mundo, previu hoje uma queda de 2,25% no produto interno bruto deste ano de 2009, depois de um crescimento de 1,3% no ano passado.

Com a crise, o total de desempregados chegou a 3,1 milhões. A expectativa é que 500 mil pessoas percam o emprego em 2009. A taxa de desemprego deve subir de 7,8% da população economicamente ativa no fim do ano passado para 8,4%.

A crise será o foco da campanha para as eleições parlamentares de 27 de setembro, que devem escolher os partidos para formar um novo governo.

No momento, há uma grande aliança dos dois maiores partidos alemães, a União Democrata-Cristã (CDU) da primeira-ministra Angela Merkel e o Partido Social-Democrata (SPD) do ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier.

A conservadora CDU gostaria de formar o governo com os liberais-democratas do FDP, mas talvez a coalizão não consiga maioria na Câmara Federal da Alemanha. O parceiro ideal do SPD é Os Verdes, o partido ecologista, na chamada coligação verde-vermelha.

Há um partido novo na jogada, A Esquerda, que reúne a dissidência da social-democracia liderada pelo ex-ministro das Finanças Oskar Lafontaine e o antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental, reformado para se adaptar aos tempos modernos.

Assim, no momento, o mais provável parece uma reedição da grande aliança. A crise vai pesar na Alemanha e isso vai se refletir nas urnas quando chegar o outono no Hemisfério Norte.

domingo, 17 de junho de 2007

Direita vence eleições legislativas na França

A União por um Movimento Popular, o partido conservador do presidente Nicolas Sarkozy, terá entre 340 e 380 deputados na Assembléia Nacional da França, de 577 cadeiras, indicam as primeiras estimativas dos institutos de pesquisa, depois do início da apuração do segundo das eleições legislativas, realizadas hoje.

O principal bloco de oposição, reunindo o Partido Socialista, o Partido Comunista Francês e os Verdes, terá de 190 a 230 deputados. A esquerda saiu melhor do que esperado, sinal de que seus eleitores se mobilizaram diante da perspectiva de mais uma vitória avassaladora do sarkozismo.

Já o Movimento Democrático, do centrista François Bayrou, terceiro colocado no primeiro turno da eleição presidencial, conquistou apenas duas ou três cadeiras.

França vota para dar ampla maioria a Sarkozy

Os franceses votam hoje no segundo turno das eleições legislativas, que devem dar uma maioria de cerca de 400 deputados à União por um Movimento Popular (UMP), partido do novo presidente Nicolas Sarkozy, na Assembléia Nacional, de 577 cadeiras. Isto lhe dará plenas condições para realizar uma reforma trabalhista que facilite contratações e demissões, e cortar impostos.

Apesar da derrota, o Partido Socialista deve aumentar sua bancada de 149 para algo entre 153 a 195 deputados, às custas de pequenos partidos como o Comunista e os Verdes. A grande batalha dos socialistas nesta campanha foi motivar seu eleitorado a não se abster diante da tsunâmi política provocada pela vitória de Sarkozy na eleição presidencial de 22 de abril e 6 de maio.

A candidata socialista derrotada, Ségolène Royal, quer se firmar como líder da oposição. Afinal, ela conseguiu resgatar a honra da esquerda, depois da humilhante derrota do então primeiro-ministro Lionel Jospin para o neofascista Jean-Marie Le Pen, no primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Mas sua ambição pode ser abortada pela demissão de seu marido, François Hollande, da liderança do partido.