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terça-feira, 28 de junho de 2011

Martine Aubry lança candidatura na França

O líder socialista Martine Aubry lançou hoje oficialmente em Lille, no Norte da França, sua campanha para disputar a candidatura do partido à Presidência do país na eleição do ano que vem.

Com a prisão do favorito, Dominique Strauss-Kahn, num escândalo sexual em Nova York, Aubry, filha do ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors, vai disputar as eleições prévias do partido com o ex-presidente do PS François Hollande e Ségolène Royal, candidata derrotada pelo presidente Nicolas Sarkozy no segundo turno em 2007.

Se Strauss-Kahn sem ficha criminal seria um bom candidato, é difícil que algum dos outros três aspirantes socialistas consiga derrotar o conservador Sarkozy, apesar de sua impopularidade.

Pode haver uma candidatura de centro, do ex-ministro da Economia, do Emprego e do Meio Ambiente Jean-Louis Borloo, do Partido Radical. Borloo deixou a coalizão de centro-direita que apoia o presidente Sarkozy e pode fazer uma aliança com os Verdes.

Os partidos tradicionais franceses também enfrentam mais uma vez o desafio da extrema direita, que apela para o nacionalismo, o voto anti-imigrante e consegue galvanizar o apoio de uma parte do eleitorado da classe trabalhadora que no passado votou no Partido Comunista Francês e hoje teme perder o emprego no mundo globalizado.

Sob a liderança de Marion Anne (Marine) Le Pen, filha do líder histórico da Frente Nacional, o neonazista Jean-Marie Le Pen, a extrema direita francesa tenta se mostrar mais civilizada e palatável, com um discurso que procura apresentar respostas fáceis aos anseios e medos da classe média.

Sua lógica é racional e supostamente humanitária: "Não somos contra os imigrantes, mas a França não tem lugar para todo o mundo".

Ao tentar retirar o estigma de racista do partido, Marine tenta ampliar sua penetração junto ao eleitorado que associa ao país às grandes ideias liberais e democráticas, e tem vergonha de apoiar uma plataforma xenófoba e divisionista.

Várias pesquisas a colocam no segundo turno. O PS que não repita os erros de 2002, quando Len Pen, o pai, bateu o primeiro-ministro Lionel Jospin e chegou ao segundo turno contra o desmoralizado presidente Jacques Chirac.

Para barrar a ascensão da extrema direita, a esquerda francesa foi obrigada a tapar o nariz e votar no corrupto Chirac para um segundo mandato, de cinco anos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Diretor do FMI será apresentado à Justiça

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, deve ser apresentado hoje em Nova York à Justiça, onde é acusado de agressão sexual, sequestro e tentativa de estupro de uma camareira do hotel onde estava hospedado.

Sua mulher, Anne Sinclair, afirmou em comunicado que “nem por um segundo” acreditou nas acusações contra o marido.

A França está chocada ao ver o favorito para a eleição presidencial de 2012 preso e algemado por atacar sexualmente uma camareira.

No Partido Socialista, a candidata presidencial derrotada em 2007, Ségolène Royal, insistiu no princípio de que todo mundo é inocente até prova em contrário, enquanto a líder Martine Aubry confessou estar “estupefata”.


O escândalo afeta também o combate à crise das dívidas públicas dos países da Zona do Euro. Strauss-Kahn estava embarcando para a Alemanha, onde discutiria no domingo com a primeira-ministra Angela Merkel o socorro aos países endividados, especialmente Grécia, Irlanda e Portugal.

sábado, 22 de novembro de 2008

Martine Aubry é primeira líder socialista francesa

Por apenas 42 votos, a ex-ministra Martine Aubry derrotou a ex-candidata presidencial Ségolène Royal no segundo turno da eleição para a liderança do Partido Socialista da França. Será a primeira mulher a dirigir o maior partido da esquerda francesa.

Os partidários de Ségolène exigem uma terceira votação.

"Perderemos todos, se não nos unirmos", disse Aubry, numa breve declaração.

O tom dos royalistas é bem diferente: "Estamos decididos a não deixar que nos roubem esta vitória", declarou Manuel Valls.

Filha de Jacques Delors, ex-ministro das Finanças da França e ex-presidente da Comissão Européia, Martine Aubry é prefeita de Lille, no Norte da França.

Ela estudou na Escola Nacional de Administração onde se formam as elites políticas e empresariais francesas. Foi ministra do Trabalho no governo Edith Cresson; e ministra do Emprego e da Solidariedade no governo Lionel Jospin.

Como ministra de Jospin, propôs e conseguiu a aprovação no ano 2000 da jornada semanal de trabalho de 35 horas, que o atual presidente Nicolas Sarkozy praticamente acabou.

terça-feira, 22 de abril de 2008

PS adota linha reformista na França

O Partido Socialista francês está preparando uma nova "declaração de princípios" para o século 21 que o afasta do radicalismo socialista revolucionário para uma linha reformista.

Pela primeira vez, não se fala em luta de classes nem a palavra revolução.

A meta do socialismo é "a emancipação completa do ser humano e a proteção do planeta". Os socialistas rejeitam a idéia de que uma nação pode ser "uma justaposição de comunidades". Descrevem-na como "um contrato entre cidadãos livres e responsáveis".

O PS defende uma "economia social e ecológica de mercado regulada pelos poderes públicos e os interlocutores sociais". E assume definitivamente seu caráter "reformista", abandonando o recurso à revolução e à luta armada para chegar ao poder.

Este documento, de 21 pontos, está sendo elaborado por uma comissão presidida por Alain Bergounioux, secretário de Estudos do PS. Será submetido aos militantes através da estrutura regional e municipal do partido para ser aprovado em convenção nacional no próximo 14 de junho.

É o início da renovação dos socialistas franceses. Em breve, eles terão de escolher um novo líder para presidir a mudança e levá-los de volta ao poder.

A candidata derrotada pelo presidente Nicolas Sarkozy, Ségolène Royal, é forte candidata, assim como o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, a ex-ministra Martine Aubry, que propôs a jornada semanal de trabalho de 35 horas, e até mesmo o atual líder, François Hollande, ex-marido de Ségolène.

Ségolène acredita que precisa do controle do partido para destronar Sarkozy em 2012. Afinal, o atual presidente começou a reta final de sua marcha para o Palácio do Eliseu assumindo o controle da União pelo Movimento Popular, partido gaulista criado pelo então presidente Jacques Chirac.

domingo, 16 de março de 2008

Socialistas vencem Sarkozy em eleições locais

Dez meses depois de sua vitória na eleição presidencial, o presidente conservador Nicolas Sarkozy sofreu uma derrota para o Partido Socialista nas eleições municipais na França.

A esquerda manteve a Prefeitura de Paris e conquistou cidades importantes como Estrasburgo e Toulouse.

Em defesa do governo, o primeiro-ministro François Fillon afirmou que as eleições muncipais discutem temas locais que não devem ser confundidos com as grandes questões nacionais. Mas a líder socialista Ségolène Royal, derrotada por Sarkozy na eleição presidencial de 2007, declarou que "o povo francês exige respeito".

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Strauss-Kahn é escolhido para dirigir o FMI

O ex-ministro das Finanças da França Dominique Strauss-Kahn foi oficialmente escolhido hoje para substituir no final do mês o atual diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ex-ministro das Finanças da Espanha Rodrigo Rato. Seu desafio será adaptar o FMI ao mundo globalizado.

Hoje, com países da América Latina como Brasil e Argentina pagando suas dívidas antecipadamente, o FMI tem poucos clientes e os países-membros da Ásia, África e América Latina não entendem a regra não-escrita que estabelece que o diretor-geral será sempre europeu, cando aos americanos a presidência do Banco Mundial, um acordo feito quando essas instituições foram criadas, no fim da Segunda Guerra Mundial.

A reforma do FMI deve começar por aí. O direito de voto também deve ser reexaminado. Mesmo que os EUA detenham oficialmente apenas 18% das cotas do Fundo, ele é considerado por muitos um instrumento da política econômica externa americana.

Strauss-Kahn, que se apresentava como candidato a liderar a renovação do Partido Socialista francês, depois de perder a candidatura presidencial para Ségolène Royal, foi indicado para o cargo pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, que afastou assim um inimigo em potencial.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Sarkozy vai salvar o Partido Socialista?

Enquanto o hiperativo presidente conservador da França, Nicolas Sarkozy, surfa numa onda de popularidade depois de 100 dias de governo, o Partido Socialista ainda amarga sua terceira derrota consecutiva. "A liderança socialista está dividida, deprimida e privada de qualquer visão ou perspectiva", adverte o professor Zaki Laïdi, do Sciences Po, o instituto de ciências políticas de Paris, em artigo publicado quinta-feira no Financial Times.

Ségolène Royal tentou transformar sua derrota eleitoral numa campanha pela liderança do partido, raciocina Laïdi, mas continua enfrentando dura resistência dos caciques do partido. Pretende assim usar a mesma fórmula que a levou à candidatura à Presidência: vender-se diretamente ao eleitorado, por cima e apesar dos caciques socialistas.

Ela esqueceu que "para ganhar eleições é preciso ter um partido forte".

Para Laïdi, "a crise de liderança é agravada por dois fatores. Ao contrário do que geralmente se acredita, as divisões no Partido Socialista são borradas. Não é o caso de conservadores de um lado e modernistas do outro. Todos os socialistas se apresentam como 'reformistas'. Mas a agenda da reforma é vazia, ambígüa ou limitada a slogans. É chocante ouvir os modernistas falarem de um projeto social-democrata num partido que não tem credenciais históricas na social democracia, num momento em que a própria democracia social está em crise por causa da globalização."

Outra crítica feroz do professor do Sciences Po ao Partido Socialista francês é que as alianças internas raramente tem base ideológica, o que tem duas conseqüências. Por um lado, como é amorfo ideologicamente, o PS não implode. Do outro, não consegue formular uma ideologia clara sobre o socialismo do mundo globalizado do século 21.

Um problema adicional, comenta Laïdi, é que os socialistas esperavam um presidente Sarkozy thatcherista e brutal: "Ele tem seguido um programa reformista que não pode ser chamado de neoliberal."

Na opinião do professor, o governo Sarkozy tem quatro características principais:
• um programa forte de segurança pública para evitar o ressurgimento da Frente Nacional;
• uma desregulamentação cautelosa do mercado de trabalho;
• uma transferência de recursos para os ricos com o corte de importos; e
• um apelo aos valores tradicionais.

A questão da segurança pública e da violência urbana é uma preocupação do eleitorado de esquerda como da direita. Com a desregulamentação do mercado de trabalho, a esquerda terá um tema para atacar o governo. Mas já há um consenso de que a situação atual é insustentável.

"Sarkozy", define o professor Laïdi, "é um negociador em busca de resultados. A reforma das universidades ilustra bem seus métodos: forte nos princípios mas pragmáticos na implementação. Sua capacidade de chegar a um acordo é ilimitada, desde que ele aparece como vencedor", o que sugere um oportunismo político.

Como a França tem um grande eleitorado de esquerda, ele acredita que o problema seja "mais ideológico do que sociológico". O partido tem um forte apoio local e muitas prefeituras. "Desde sua fundação, em 1905, cultivou esse 'socialismo municipal'."

Ninguém deve esperar um 'big bang' ideológico na esquerda francesa, prevê: "O Partido Socialista não é suficientemente fraco para revisar suas posições em relação ao mercado, à globalização e ao individualismo. Mas não suficientemente forte para ser uma alternativa real a Sarkozy. E não deve revogar suas reformas quando voltar ao poder".

A esperança do cientista político é que, se Sarkozy modernizar a França como promete, terá também um efeito modernizador sobre o Partido Socialista.

Leia aqui a íntegra do artigo, publicado hoje no Financial Times.

domingo, 17 de junho de 2007

Ségolène quer disputar liderança socialista

A candidata derrotada à Presidência da França, Ségolène Royal, anunciou hoje que está separada do primeiro-secretário do Partido Socialista, François Hollande, e que pretende disputar o cargo, se seu "projeto de renovação tiver o apoio da maioria" no próximo congresso do partido.

O PS francês perdeu a eleição presidencial para Nicolas Sarkozy em 6 de maio e as eleições legislativas cujo segundo turno foi realizado hoje. Mas acabou elegendo mais deputados do que se esperava.

De qualquer maneira, o PS precisa passar por uma profunda reformulação interna e Ségolène se dispõe a liderar esse processo de modernização.

No lado governista, o ex-primeiro-ministro e Alain Juppé, resgatado por Sarkozy depois de ter caído por corrupção na década passada, foi derrotado e vai pedir demissão dos cargos de vice-primeiro-ministro e de ministro da Energia e Meio Ambiente.

França vota para dar ampla maioria a Sarkozy

Os franceses votam hoje no segundo turno das eleições legislativas, que devem dar uma maioria de cerca de 400 deputados à União por um Movimento Popular (UMP), partido do novo presidente Nicolas Sarkozy, na Assembléia Nacional, de 577 cadeiras. Isto lhe dará plenas condições para realizar uma reforma trabalhista que facilite contratações e demissões, e cortar impostos.

Apesar da derrota, o Partido Socialista deve aumentar sua bancada de 149 para algo entre 153 a 195 deputados, às custas de pequenos partidos como o Comunista e os Verdes. A grande batalha dos socialistas nesta campanha foi motivar seu eleitorado a não se abster diante da tsunâmi política provocada pela vitória de Sarkozy na eleição presidencial de 22 de abril e 6 de maio.

A candidata socialista derrotada, Ségolène Royal, quer se firmar como líder da oposição. Afinal, ela conseguiu resgatar a honra da esquerda, depois da humilhante derrota do então primeiro-ministro Lionel Jospin para o neofascista Jean-Marie Le Pen, no primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Mas sua ambição pode ser abortada pela demissão de seu marido, François Hollande, da liderança do partido.

domingo, 13 de maio de 2007

Ségolène não será candidata à Assembléia Nacional

A candidata derrotada à Presidência da França, Ségolène Royal, não vai concorrer nas eleições parlamentares de 10 e 17 de junho. Não será assim líder da oposição ao presidente eleito, Nicolas Sarkozy.

Quem se apresenta liderar a bancada do Partido Socialista na nova Assembléia Nacional é o ex-ministro das Finanças Dominique Strauss-Kahn, derrotado por Ségolène nas eleições prévias do PS, em novembro do ano passado. Ele pretende trazer o partido mais para o centro, transformando-o de socialista em social-democrata. Promete uma oposição "ancorada na realidade".

domingo, 6 de maio de 2007

Sarkozy: "Ganhei um mandato para a mudança"

Ao agradecer à vitória, o presidente eleito da França, Nicolas Sarkozy, declarou: "O povo francês pediu a mudança. Vou realizar esta mudança porque este é o mandato que recebi do povo francês."

Conservador, Sarkozy pretende reformar a legislação trabalhista na França para reduzir o desemprego e usá-lo como arma para integrar os excluídos da sociedade francesa.

As palavras-chaves de seu discurso foram:
• trabalho,
• autoridade,
• moral,
• respeito e
• mérito.

O novo presidente propõe reformas liberalizantes para a economia francesa, como cortes de impostos e facilitação de contratações e demissões, sem abrir mão do nacionalismo econômico, da proteção a grandes empresas do país e à agricultura. Aproximar-se dos Estados Unidos em política externa. E adotar a linha dura em questões domésticas, como segurança pública, imigração ilegal e direito de greve.

Como fez a primeira-ministra Margaret Thatcher na Grã-Bretanha, terá de enfrentar o poder dos sindicatos. Por isso, sua adversária, a socialista Ségolène Royal, advertiu na antevéspera da eleição que sua vitória acirraria os conflitos sociais.

Ségolène pediu a seus eleitores que "continuem mobilizados", tendo em vista as eleições legislativas de 10 e 17 de junho, que darão ou não maioria parlamentar ao novo presidente.

Por outro lado, a França precisa mudar. Os dois candidatos finalistas expressavam esse desejo de mudança. Ségolène teria mais dificuldades em propor reformas por causa da divisão interna do Partido Socialista. Mas Sarkozy também deve enfrentar sérias resistências.

Sarkozy é eleito presidente da França

Com 53,1% dos votos válidos, na média das pesquisas de boca-de-urna, o ex-ministro das Finanças e do Interior Nicolas Sarkozy, da conservadora União por um Movimento Popular, foi eleito hoje presidente da França por um período de cinco anos, derrotando a candidata socialista, Ségolène Royal, que recebeu 46,9%.

A participação foi de 84% dos 44,5 milhões de eleitores franceses.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Pesquisas confirmam favoritismo de Sarkozy

As últimas pesquisas para o segundo turno da eleição presidencial na França, a ser realizado neste domingo, 6 de maio, dão a vitória ao candidato conservador Nicolas Sarkozy, da governista União por um Movimento Popular, sobre a socialista Ségolène Royal, com vantagens de seis a nove pontos percentuais, portanto, além da margem de erro. Mas, observa o jornal Le Monde, "os franceses adoram contrariar eleições decididas antes da hora".

No último dia da campanha, sentindo a pressão, Ségolène disse que a vitória do seu adversário ameaça jogar a França num ciclo de violência. Sarkozy é um conservador que promete botar a polícia na rua, ser rigoroso com imigrantes ilegais e combater o poder dos sindicatos para reduzir o desemprego.

Sua possível vitória acirra esses conflitos sociais. Mas hoje ele bancou o conciliador, dizendo que sua política é de união e concórdia, e não de violência.

Por outro lado, seu eleição significa a ruptura com a estagnação econômica da França, o sexto país mais rico do mundo, mas que cresce pouco e tem sérios problemas para manter o atual nível de vida de sua população.

Sarkozy promete curar a "doença francesa" com empregos, à custa da redução de direitos trabalhistas e da precarização do mercado de trabalho. Mas a mudança é inevitável.

De certa, os dois candidatos, relativamente jovens, com pouco mais de 50 anos, representam uma mudança de geração e um desejo de mudança do povo francês. Ségolène promete "reformar sem brutalizar".

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Ségo e Sarko fazem debate equilibrado

Durante mais de duas horas e meia, os dois candidatos que disputam domingo o segundo turno da eleição presidencial na França duelaram ao vivo agora há pouco na televisão francesa sem que tenha havido um nocaute.

A candidata socialista, Ségolène Royal, mostrou mais paixão e emoção, enquanto o ex-ministro conservador Nicolas Sarkozy pareceu mais frio, calculista e presidencial. Fez questão de enunciar claramente suas idéias e propostas políticas, tentando passar a idéia de que sua adversária é despreparada para o cargo.

Ségo quis chamar a atenção para o autoritarismo de Sarko, um linha dura em questões como imigração e polícia, que promete enfrentar os sindicatos para reduzir os direitos trabalhistas, facilitando contratações e demissões para combater o desemprego superior a 8%.

Na mensagem final aos eleitores, Sarko apresentou-se como um homem de ação: "A fatalidade não existe. Vou agir para resolver a crise moral da França. É a crise do trabalho". Mais adiante, disse não acreditar em "igualitarismo" mas em "meritocracia", e prometeu: "Tudo que lhes digo eu farei".

Sua adversária, que está atrás em todas as pesquisas, fez um apelo aos indecisos para que "façam a escolha da audácia, do futuro". Citou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que apóia Sarkozy, como exemplo de que um governo chefiado por uma mulher pode ser eficaz. Apresentou-se como "uma mãe de família com quatro filhos", reforçando valores tradicionais como família, escola e trabalho como base de sua ação política, prometendo "uma França imaginativa e criativa" e "reformar sem brutalizar", numa advertência para os riscos que as reformas liberalizantes de Sarkozy e sua posição linha-dura em imigração polícia podem trazer para o tecido social francês.

Um dos temas importantes foi o futuro da União Européia (UE). Sarkozy descartou a possibilidade de ressuscitar a Constituição da Europa porque "ela foi rejeitada pelos franceses por 55%, então está fora de questão". O candidato da União por um Movimento Popular (UMP) defende a adoção de um tratado modificado e a suspensão do processo de expansão da UE enquanto não for resolvido o problema interno do bloco. Ele é contra a entrada da Turquia, alegando que é um país muçulmano e não é europeu.

"A ampliação sem limites é a morte da Europa política", alegou Sarko. "As negociações com a Turquia começaram em 1964. Até quando vão? Sou contra a entrada da Turquia na UE e não vou mudar de opinião."

Ségolène não quis adotar uma posição definitiva, argumentando que "há um processo de negociações em andamento e a França precisa manter sua palavra. Há um processo. Há condições. No final, o povo francês terá o direito de se manifestar em plebiscito. Há uma aspiração dos turcos de aderir à Europa. Vimos nos últimos dias uma onda de manifestações para defender uma Turquia laica e secularista".

O candidato conservador contra-atacou dizendo que, com a Turquia, as fronteiras da Europa ficariam no Iraque e na Síria, e a UE importaria o problema curdo. Ele descreveu o risco de que o Irã produza armas nucleares como "a questão mais perigosa hoje nas relações internacionais".

Sarkozy procurou explorar as contradições do discurso de Ségolène ao longo da campanha. Primeiro, ela elogiou a rapidez de decisão da Justiça comercial na China; depois, propôs um boicote à Olimpíada de Beijim, em 2008, o que seu adversário considerou demagógico, já que é "um encontro pacífico de confraternização da juventude". Ela disse que lutou pela libertação de presos políticos na China. Ambos defenderam o desenvolvimento da África como forma de reduzir a imigração ilegal para a Europa.

O rigor contra os imigrantes ilegais é um dos pontos fortes do discurso de Sarkozy, ele próprio um filho de imigrantes que adota uma política linha-dura a gosto da classe média e do operariado francês: "Não haverá uma legalização geral dos imigrantes ilegais. Isso aconteceu três vezes sob governos socialistas. Pagamos caro. Quero uma França aberta e generosa, mas não podemos acolher todo o mundo, toda a miséria do mundo".

Mas isso não justifica a prisão de um avô diante da escola de seu neto, alfinetou Ségolène, chamando a atenção, mais uma vez, para a truculência das políticas de Sarkozy como ministro do Interior, responsável pela polícia: "Essa não é a República francesa". Há poucos dias, ela usou a tática de aterrorizar o eleitorado afirmando que, se seu adversário vencer no domingo, os jovens da periferia voltarão a se rebelar, incendiar carros e saquear lojas.

Ela quer os votos da periferia mas quer também os dos estudantes de classe média que no ano passado rejeitaram o contrato do primeiro emprego numa de protestos de rua que lembrou a revolução de maio de 1968, com a diferença de que agora os jovens defendem o status quo, os direitos sociais ameaçados pela globalização econômica.

Conservador, Sarkozy é contra uma reforma política profunda. Entende que as instituições da 5ª República funcionam bem e que a participação de 85% no primeiro turno da eleição presidencial, em 22 de abril, é uma prova do vigor da democracia francesa, prometendo fazer "um governo muito aberto, de união porque o presidente não é presidente de um partido mas da nação".

Para Ségolène, "a mudança das instituições é necessária porque o mundo mudou". É preciso reformar a democracia social e aumentar os mecanismos de democracia participativa, convocando mais plebiscitos. Citou a rejeição da Lei do Primeiro Emprego como exemplo da "pressão das ruas" sobre o Parlamento.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Bayrou não apóia ninguém na França

O candidato centrista François Bayrou, terceiro colocado no primeiro turno da eleição presidencial na França, realizado no domingo passado, com 18,6% dos votos, não vai apoiar nem o conservador Nicolas Sarkozy nem a socialista Ségolène Royal no segundo turno, em 6 de maio. Em entrevista hoje, Bayrou anunciou a intenção de criar um novo partido para disputar as eleições parlamentares.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Rumo ao centro: Sarkozy e Ségolène lutam pelos eleitores de Bayrou

Depois do primeiro turno, em que os candidatos à Presidência da França radicalizam à direita e à esquerda para garantir vaga no segundo turno, a partir de hoje o conversador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal começam a briga pelos votos do centro, especialmente pelos eleitores do terceiro colocado na eleição de ontem, François Bayrou.

Segundo pesquisa do instituto IFOP, 54% dos eleitores de Bayrou votarão em Sarkozy no dia 6 de maio, enquanto 46% devem optar por Ségolène. Outro instituto, CSA, prevê que 45% votarão na socialista, 39% no ex-ministro do Interior e 16% vão se abster, votar em branco ou anular o voto.

domingo, 22 de abril de 2007

Sarkozy e Ségolène vão a segundo turno na França

O ex-ministro das Finanças e do Interior conservador Nicolas Sarkozy e a candidata socialista Ségolène Royal disputam em 6 de maio o segundo turno da eleição presidencial na França. Se vencer, Ségolène será a primeira mulher a presidir a França.

Pelas pesquisas de boca-de-urna, Sarkozy teve 29,9% dos votos. Ségolène ficou em segundo, com 25,8%. O candidato centrista François Bayrou é o terceiro, com 18,5%, enquanto o neofascista Jean-Marie Le Pen teve 11%.

Mais tarde, o Ministério do Interior da França confirmou a vitória de Sarkozy, da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), com 30,46%. Ségolène, do Partido Socialista (PS), teve 25,9%. Em terceiro, ficou o centrista Bayrou, da União pela Democracia Francesa (UDF), com 18,2%. Le Pen, da Frente Nacional (FN), foi o quarto, com 11%.

O índice de participação, de 85%, o maior em mais de 40 anos, mostra a importância que os franceses estão dando a esta eleição.

Uma pesquisa do instituto Ipsos divulgada neste domingo prevê a vitória de Sarkozy no segundo turno por 54% a 46%. As dúvidas agora são se Sarkozy, que foi muito para a direita no primeiro turno, será capaz de atrair o eleitorado de centro, e se Ségolène conseguirá superar as desconfianças quanto à sua qualificação para o cargo.

Sarkozy e Ségolène são favoritos na França

Os dois candidatos dos grandes partidos, o ex-ministro do Interior conservador Nicolas Sarkozy e a governadora regional socialista Ségolène Royal, chegam hoje como favoritos para o primeiro turna da eleição presidencial na França. Nas últimas pesquisas, estão praticamente empatados.

Pela sondagem do instituto CSA, Sarkozy tem 26,5% das preferências. Está tecnicamente empatado com Ségolène, que tem 25,5%. A grande surpresa na reta final é a ascensão do neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, que superou o candidato centrista François Bayrou, com 16,5% a 16%.

Como os eleitores de Le Pen às vezes tem vergonha de revelar seu voto, ele aparece como principal candidato capaz de ser uma 'zebra' e tirar um dos favoritos do segundo turno, como fez em 2002 com o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin.

Num segundo turno, marcado para 6 de maio, Sarkozy e Ségolène estão empatados.

Para o instituto Ipsos, Sarkozy chega a 30%, enquanto Ségolène, com 23,5%, poderia ser ameaçada por Bayrou, com 17%. Sarkozy venceria Ségolène no segundo turno por 53,5% a 46,5%.

Pela pesquisa do BVA, Sarkozy tem 29%, Ségolène 26%, Bayrou 17% e Le Pen 12,5%. No segundo turno, daria Sarkozy por 52%-48%.

Nenhum outro candidato chegou a 5% em nenhuuma pesquisa.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

França vota para fugir do declínio

Doze candidatos disputam no domingo, 22 de abril, o primeiro turno da eleição presidencial na França. Só três têm condições de ganhar e um quarto de afetar o resultado. A expectativa é que o ex-ministro do Interior conservador Nicolas Sarkozy enfrente a candidata socialista Ségolène Royal no segundo turno, em 6 de maio.

Quem quer que seja o vencedor terá de atacar os problemas crônicos deste país assombrado pelos fantasmas da globalização: o desemprego, a desindustrialização, a queda no padrão de vida, a ameaça de uma explosão da periferia, o risco de colapso do sistema previdênciario e a perda de confiança no sistema político.

Com produto interno bruto de cerca de US$ 2 trilhões, a França é a segunda maior economia da zona do euro e a sexta do mundo. Dez das 50 maiores empresas européias são francesas. Suas 40 maiores companhias têm obtido lucros recordes. O trem-bala francês acaba de bater o recorde mundial de velocidade sobre trilhos, com 575 quilômetros por hora. Mas a França tem a menor taxa de crescimento entre os países ricos. Nos últimos 25 anos, em renda média por habitante, os franceses caíram do 7º para o 17º lugar. Coincidência ou não, nenhum governo foi reeleito nesse período.

Se no plano econômico o declinismo é justificado, a França tem hospitais públicos excelentes e um sistema de creches que elevou sua taxa de natalidade a uma das maiores da Europa. O intervencionismo estatal que caracteriza a economia francesa desde que Jean-Baptiste Colbert era ministro das Finanças de Luís XIV criou uma sociedade moderna, com trens de alta velocidade, que tira 80% de sua energia do átomo. Seu maior desafio é acelerar o crescimento, dinamizar a economia sem abrir mão do Estado do bem-estar social.

O favorito nesta luta, com quase 30% dos votos na média das pesquisas, é o ex-ministro das Finanças e do Interior Nicolas Sarkozy, da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), herdeira da corrente política do general Charles de Gaulle.

Em segundo lugar, está a primeira mulher com chances de chegar à Presidência da França, a socialista Ségolène Royal, com cerca de 25% dos votos, seguida pelo centrista François Bayrou, da União pela Democracia Francesa (UDF), com 18%.

O quarto candidato influente é o neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, que derrotou o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin em 21 de abril de 2002, passando para o segundo turno. Le Pen tem 15% das preferências.

Leia a íntegra em minha coluna no Baguete.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Ségolène rejeita aliança contra Sarkozy no 1º turno

Sob a ameaça de não chegar ao segundo turno da eleição presidencial francesa, a exemplo do que aconteceu com o primeiro-ministro Lionel Jospin em 2002, a candidata socialista Ségolène Royal rejeitou uma aliança com o candidato centrista François Bayrou. Afinal, no momento, é ele quem mais ameaça sua vaga no segundo turno.

A votação em primeiro turno será realizada no próximo domingo, 22 de abril.

Pelas pesquisas, o candidato conservador Nicolas Sarkozy, ex-ministro do Interior, deve ser o primeiro com quase 30% dos votos. Duas pesquisas divulgadas ontem apontavam tendências diferentes na disputa pelo segundo lugar entre Ségolène e Bayrou. Numa, a vantagem da candidata do PS aumentava. Na outra, diminuía.

Na média das pesquisas, Sarkozy tem 28,3 % (entre 26% et 30 %, segundo os institutos BVA, Ipsos, Ifop, CSA et TNS-Sofres) contra 24,4% para Ségolène (23% a 26%), 18,4 % para Bayrou (17% à 21%) e 13,5% para o neofascista Jean-Marie Le Pen (12% a 15%).

Se cair, Ségolène fica num empate técnico com Bayrou, o que deixa a corrida em suspenso até a contagem dos votos na urna
No domingo, o presidente do PS, François Hollande, marido de Ségolène, declarou que sua presença no segundo turno, em 6 de maio, "não está certa".

Ao todo concorrem 12 candidatos, da esquerda radical à extrema direita representada por Le Pen, que tirou Jospin do segundo turno em 2002. À esquerda, disputando o voto com os socialistas, há três partidos trotskistas, o Partido Comunista Francês, que foi o segundo maior PC do Ocidente e hoje é quase inexpressivo, os Verdes e o candidanto antiglobalização José Bové. Eles somam 13% dos votos.

Ainda há 37% de indecisos. A expectativa dos analistas é que eles se dividam na mesma proporção que o resto do eleitorado, não afetando significativamente o resultado da pesquisa.

A proposta de uma aliança com Bayrou partiu de um dos caciques do PS, o ex-primeiro-ministro Michel Rocard. Nas pesquisas do instituto Ipsos sobre um possível segundo turno, Sarkozy bateria Ségolène por 53% a 47% mas perderia para Bayrou por 53,5% a 46,5%.

Então, como observou o jornal Le Monde, Ségolène corre risco no primeiro turno e Sarkozy no segundo, quando todos, menos a extrema direita, devem se unir contra ele.