O protoditador Vladimir Putin organizou a maior parada militar da história da Rússia para festejar hoje os 70 anos da vitória da União Soviética e seus aliados sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A seu lado, estava o ditador da China, Xi Jinping, que cultiva como novo aliado. Mas nenhuma demonstração de força consegue esconder a crise econômica do país.
Na Rússia, a Segunda Guerra Mundial é chamada de Grande Guerra Patriótica, o momento de maior glória e sacrifício da URSS. A pátria do comunismo perdeu 27 milhões de habitantes no pior conflito da história, cerca de 15% de sua população. Várias cidades soviéticas, como Kiev, a capital da Ucrânia; Leningrado, hoje São Petersburgo; e Stalingrado, hoje Volgogrado; foram declaradas "cidades heroicas".
Em 1995, Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia pós-soviética, recebeu os líderes mundiais para a festa dos 50 anos da vitória na Europa.
O tom da comemoração russa começou a mudar em 2005, quando George W. Bush estava a seu lado na Praça Vermelha. Depois da Revolução Rosa (2003) na ex-república soviética da Geórgia e da Revolução Laranja (2004) na ex-república soviética da Ucrânia, Putin agradeceu a ajuda dos aliados ocidentais, mas atribuiu a vitória à bravura dos povos russo e soviéticos.
Na sua opinião, o fim da URSS foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Putin tenta desesperadamente restaurar parte do poder imperial soviético. Quer manter zonas de influência e trata ex-repúblicas soviéticas como províncias, a pretexto de proteger os 25 milhões de russos que hoje moram no "exterior próximo", expressão usada para designar as outras ex-repúblicas da URSS.
Agora, Putin reescreve a história para apresentar o conflito na Ucrânia como uma continuação da luta contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. A anexação da Crimeia, em março de 2014, foi a primeira mudança de fronteiras na Europa à força desde 1945, uma violação da Carta das Nações Unidas e da ordem internacional do pós-guerra.
Mais de 6 mil pessoas foram mortas nos últimos 13 meses no Leste da Ucrânia. Sob o peso das sanções ocidentais contra a intervenção militar russa no país vizinho e da queda nos preços do petróleo, a Rússia entrou na segunda recessão em seis anos.
Dos 68 convites enviados, só cerca de 20 líderes mundiais apareceram hoje em Moscou, na maioria ditadores como Xi Jinping, da China; Raúl Castro, de Cuba; e Nursultan Nazarbaiev, recentemente reeleito com 98% dos votos no Casaquistão. Rejeitaram o convite Alemanha, Austrália, Bélgica, Bielorrúsia, Bulgária, Canadá, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, EUA, Estônia, Finlândia, Geórgia, Holanda, Israel, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Noruega, Reino Unido, República Tcheca e Suécia.
O Brasil mandou o ministro da Defesa, Jacques Wagner. Apesar da aliança no grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne grandes países emergentes, o governo Putin acredita que o Brasil cedeu à pressão dos EUA na questão ucraniana.
Amanhã, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, coloca flores num monumento em homenagem aos mortos. Ela é a principal negociadora entre Moscou e Kiev e Moscou e o Ocidente na crise atual.
Entre as estrelas da festa de Putin, além dos 16 mil soldados com diferentes uniformes da história da Rússia, estão os novos tanques T-14 Armata, o blindado Kurganets-25, o sistema de artilharia Koalitsiya e as plataformas móveis de lançamento de mísseis nucleares intercontinentais balísticos RS-24 Yars. Mais de 140 aviões de combate sobrevoaram a Praça Vermelha, inclusive os bombardeiros estratégicos que hoje invadem o espaço aéreo europeu como no tempo da Guerra Fria.
Sem conseguir concorrer economicamente com a Ásia e o Ocidente, o homem-forte do Kremlin tratou de fortalecer a indústria bélica da Rússia, um dos poucos setores competitivos da economia. Não basta para voltar a ser uma potência mundial, mas ajuda a ameaçar e desestabilizar os vizinhos e a ordem internacional.
A parada militar de hoje mostra que a Rússia continua sendo uma superpotência militar e está desenvolvendo equipamentos para modernizar suas Forças Armadas. Mas uma grande potência não se sustenta sem uma base econômica forte. Com a demonstração de força, o Kremlin tenta provar que, apesar da crise econômica, consegue mobilizar seus recursos para novas batalhas heroicas, como Stalin nos anos 1930s.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 9 de maio de 2015
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Merkel rejeita eurobônus "enquanto eu estiver viva"
A União Europeia realiza amanhã e depois de amanhã mais uma reunião de cúpula incapaz de tomar medidas para controlar a crise das dívidas públicas, consolidar a união monetária, retomar o crescimento e gerar empregos. Enquanto a Itália e a Espanha esperam um alívio nos juros que pagam para rolar suas dívidas, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, rejeitou mais uma vez a possibilidade de lançamento de eurobônus, bancados por todos os países da Zona do Euro.
Durante encontro com parlamentares alemães, Merkel assumiu sua postura mais dura contra a divisão da dívida entre todos os países europeus, rejeitando a possibilidade de lançamento de eurobônus "enquanto eu estiver viva".
Isso a coloca na contramão em relação ao presidente da França, François Hollande, e os primeiros-ministros da Itália, Mario Monti, e da Espanha, Mariano Rajoy.
Na visão de Merkel, só uma disciplina fiscal rígida vai resolver os problemas da Europa em longo prazo. O problema é que Itália e Espanha estão sendo obrigadas a pagar juros mais altos a cada leilão de títulos de suas dívidas. Precisam de alívio imediato e não de novas regras que exigem mudanças nos tratados constitutivos da União Europeia. Eles precisam ser aprovados pelos 27 países-membros, ou pelo menos pelos 17 países da que usam o euro como moeda.
Haverá mais tensão e poucas soluções reais para a crise das dívidas públicas da Europa amanhã e depois em Bruxelas, antecipa a revista alemã Der Spiegel.
Monti e Rajoy têm medo do colapso de suas economias. Merkel está mais preocupada com o eleitorado alemão, que não quer pagar a conta de outros povos que considera indisciplinados como gregos, portugueses, italianos e espanhóis.
Durante encontro com parlamentares alemães, Merkel assumiu sua postura mais dura contra a divisão da dívida entre todos os países europeus, rejeitando a possibilidade de lançamento de eurobônus "enquanto eu estiver viva".
Isso a coloca na contramão em relação ao presidente da França, François Hollande, e os primeiros-ministros da Itália, Mario Monti, e da Espanha, Mariano Rajoy.
Na visão de Merkel, só uma disciplina fiscal rígida vai resolver os problemas da Europa em longo prazo. O problema é que Itália e Espanha estão sendo obrigadas a pagar juros mais altos a cada leilão de títulos de suas dívidas. Precisam de alívio imediato e não de novas regras que exigem mudanças nos tratados constitutivos da União Europeia. Eles precisam ser aprovados pelos 27 países-membros, ou pelo menos pelos 17 países da que usam o euro como moeda.
Haverá mais tensão e poucas soluções reais para a crise das dívidas públicas da Europa amanhã e depois em Bruxelas, antecipa a revista alemã Der Spiegel.
Monti e Rajoy têm medo do colapso de suas economias. Merkel está mais preocupada com o eleitorado alemão, que não quer pagar a conta de outros povos que considera indisciplinados como gregos, portugueses, italianos e espanhóis.
domingo, 13 de maio de 2012
Partido de Merkel perde eleição estadual na Alemanha
A União Democrata-Cristã (CDU), liderada pela primeira-ministra Angela Merkel, perdeu hoje as eleições no estado da Renânia do Norte-Vestfália, o mais populoso da Alemanha, onde ficam cidades domo Colônia e Dusseldorf. Ganhou o Partido Social-Democrata (SPD), que é contra as políticas de austeridade fiscal adotada para conter a crise das dívidas públicas na Europa.
Como faltam um ano e quatro meses para as eleições nacionais, toda votação estadual é vista como uma prévia do que pode acontecer em 2013. Foi a nona derrota da CDU. O partido de Merkel perdeu oito pontos, caindo para 26,3%, seu pior desempenho até hoje numa das principais regiões industriais da Alemanha.
O SPD avançou quatro pontos percentuais e meio em relação a 2010 para 39%.
Como faltam um ano e quatro meses para as eleições nacionais, toda votação estadual é vista como uma prévia do que pode acontecer em 2013. Foi a nona derrota da CDU. O partido de Merkel perdeu oito pontos, caindo para 26,3%, seu pior desempenho até hoje numa das principais regiões industriais da Alemanha.
O SPD avançou quatro pontos percentuais e meio em relação a 2010 para 39%.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Esquerda radical não forma governo na Grécia
Como previsto, a aliança de esquerda radical Syriza desistiu hoje de tentar formar um novo governo na Grécia, depois de ameaçar estatizar os bancos e romper os acordos firmados com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional para o país receber empréstimos de 230 bilhões de euros e evitar um calote de sua dívida pública. O líder do partido de centro-direita Nova Democracia já tinha fracassado.
Cabe agora ao líder do Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), terceiro colocado nas eleições de domingo passado, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, a tarefa de formar um governo. Venizelos foi o principal negociar dos pacotes de ajuda.
Caso contrário, o que é mais provável, a Grécia terá de realizar novas eleições legislativas daqui a um mês, provavelmente em 17 de junho. Mas é difícil imaginar que os 60% do eleitorado que votaram contra o programa para equilibrar as contas públicas mudem de posição.
Da Alemanha, mais uma vez, a primeira-ministra Angela Merkel advertiu a Grécia de que precisa honrar os acordos para continuar participando da união monetária europeia.
Cabe agora ao líder do Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), terceiro colocado nas eleições de domingo passado, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, a tarefa de formar um governo. Venizelos foi o principal negociar dos pacotes de ajuda.
Caso contrário, o que é mais provável, a Grécia terá de realizar novas eleições legislativas daqui a um mês, provavelmente em 17 de junho. Mas é difícil imaginar que os 60% do eleitorado que votaram contra o programa para equilibrar as contas públicas mudem de posição.
Da Alemanha, mais uma vez, a primeira-ministra Angela Merkel advertiu a Grécia de que precisa honrar os acordos para continuar participando da união monetária europeia.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Alemanha rejeita renegociar pacto fiscal da UE
A Alemanha considera "impossível renegociar o pacto orçamentário europeu", já "assinado por 25 dos 27 países-membros da União Europa", afirmou hoje de manhã um porta-voz da primeira-ministra Angela Merkel.
Durante a campanha eleitoral na França, o candidato socialista, François Hollande, defendeu a renegociação do pacto fiscal que sustenta o euro para introduzir elementos que estimulem o crescimento.
Ontem, no discurso da vitória, Hollande declarou que "a austeridade não pode mais ser uma fatalidade na Europa" e pediu um "novo recomeço" para a UE. Faltou combinar com os alemães. Na sua primeira viagem ao exterior depois da posse, marcada para 15 de maio, ele vai a Berlim discutir a questão com Merkel.
Nos últimos dias, o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, e a própria Merkel admitiram que a Europa precisa voltar a crescer para os países endividados conseguirem pagar suas dívidas com menos sacrifício.
Durante a campanha eleitoral na França, o candidato socialista, François Hollande, defendeu a renegociação do pacto fiscal que sustenta o euro para introduzir elementos que estimulem o crescimento.
Ontem, no discurso da vitória, Hollande declarou que "a austeridade não pode mais ser uma fatalidade na Europa" e pediu um "novo recomeço" para a UE. Faltou combinar com os alemães. Na sua primeira viagem ao exterior depois da posse, marcada para 15 de maio, ele vai a Berlim discutir a questão com Merkel.
Nos últimos dias, o presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, e a própria Merkel admitiram que a Europa precisa voltar a crescer para os países endividados conseguirem pagar suas dívidas com menos sacrifício.
domingo, 6 de maio de 2012
Pesquisa de boca de urna dá vitória a Hollande
O candidato socialista, François Hollande, ganhou a eleição presidencial na França e os partidos tradicionais sofreram um derrota na Grécia, indicam pesquisas de boca de urna divulgadas na Bélgica e na Suíça, onde não há restrições para divulgar sondagens antes do fechamento das urnas.
Hollande teria 52% a 53% dos votos válidos, conquistando a "ampla vitória" que pediu aos franceses, informa o sítio da companhia jornalística americana McClatchy Newspapers.
Na Grécia, a situação é mais complicada. Os partidos tradicionais, Nova Democracia (centro-direita) e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), teriam recebido apenas 30% dos votos. Com a vitória dos partidos contrários aos acordos que impuseram uma rigorosa austeridade fiscal ao povo grego, todo o plano de resgate da dívida pública do país está sendo questionado.
O partido radical de esquerda Syriza, contrário ao ajuste fiscal "bárbaro" mas a favor de continuar adotando o euro como moeda, pode ser o mais votado na Grécia. Disputa a liderança com a Nova Democracia. Ambos têm cerca de 19% nas pesquisas de boca de urna.
A primeira conclusão é que os europeus rejeitam as políticas de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos adotadas para tentar reduzir os déficits orçamentários e as dívidas públicas públicas, que provocaram a volta da recessão em vários países. A Grécia não chegou nem a sair temporariamente da crise. Sua economia está em contração há cinco anos.
É preciso um novo plano para tirar a Europa da crise com crescimento econômico, como propõe o novo presidente da França. A própria primeira-ministra Angela Merkel, que condicionou a ajuda da Alemanha a um rigoroso ajuste fiscal, já acenou com a possibilidade de um novo plano para incentivar o crescimento para evitar uma implosão da Zona do Euro e da União Europeia.
Hollande teria 52% a 53% dos votos válidos, conquistando a "ampla vitória" que pediu aos franceses, informa o sítio da companhia jornalística americana McClatchy Newspapers.
Na Grécia, a situação é mais complicada. Os partidos tradicionais, Nova Democracia (centro-direita) e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), teriam recebido apenas 30% dos votos. Com a vitória dos partidos contrários aos acordos que impuseram uma rigorosa austeridade fiscal ao povo grego, todo o plano de resgate da dívida pública do país está sendo questionado.
O partido radical de esquerda Syriza, contrário ao ajuste fiscal "bárbaro" mas a favor de continuar adotando o euro como moeda, pode ser o mais votado na Grécia. Disputa a liderança com a Nova Democracia. Ambos têm cerca de 19% nas pesquisas de boca de urna.
A primeira conclusão é que os europeus rejeitam as políticas de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos adotadas para tentar reduzir os déficits orçamentários e as dívidas públicas públicas, que provocaram a volta da recessão em vários países. A Grécia não chegou nem a sair temporariamente da crise. Sua economia está em contração há cinco anos.
É preciso um novo plano para tirar a Europa da crise com crescimento econômico, como propõe o novo presidente da França. A própria primeira-ministra Angela Merkel, que condicionou a ajuda da Alemanha a um rigoroso ajuste fiscal, já acenou com a possibilidade de um novo plano para incentivar o crescimento para evitar uma implosão da Zona do Euro e da União Europeia.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Merkel quer enquadrar EUA em acordo pós-Quioto
A chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, acredita ser possível atrair os Estados Unidos para as negociações realizadas dentro das Nações Unidas para fechar um acordo para suceder o Protocolo de Quioto, que tenta controlar a emissão dos gases que provocam o aquecimento global - e considera inegociável o limite de dois graus centígrados no aumento da temperatura média do planeta. O assunto será um dos temas centrais da reunião de cúpula do Grupo dos Oito (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia) em Heiligendamm, na Alemanha, de 6 a 8 de junho.
"Não estou esperando uma solução nesta semana", ressalva a chanceler alemã.
Na semana passada, o presidente George Walker Bush, que não assinou o Protocolo de Quioto, anunciou publicamente sua primeira proposta para conter o efeito estufa: uma ampla negociação entre os 15 países mais poluidores do mundo, o que inclui grandes nações em desenvolvimento, como a Brasil, a China e a Índia.
O processo da ONU reconhece que os países pobres não são responsáveis pelo aquecimento global por causa de sua industrialização tardia, pressupondo-se que ação humana que alterou o clima foi a Revolução Industrial. Mas os EUA temem ficar em desvantagem competitiva, sobretudo diante da China, se tiver de cortar emissões sem que os chineses sejam obrigados a fazer o mesmo.
Além disso, em 2008, a China deve superar os EUA como maior emissor dos gases que aquecem a Terra.
Para cumprir a meta de limitar o aumento da temperatura em dois graus, calcula-se que será necessário cortar as emissões à metade.
Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, Merkel, anfitriã do evento marcado por uma onda de protestos antiglobalização, fala da ameaça russa de apontar mísseis nucleares para a Europa, propõe negociações com o Irã sobre a questão nuclear mas declarou que "a construção de um sistema de trens de alta velocidade num país onde o presidente vive ameaçando destruir Israel é totalmente inaceitável".
"Não estou esperando uma solução nesta semana", ressalva a chanceler alemã.
Na semana passada, o presidente George Walker Bush, que não assinou o Protocolo de Quioto, anunciou publicamente sua primeira proposta para conter o efeito estufa: uma ampla negociação entre os 15 países mais poluidores do mundo, o que inclui grandes nações em desenvolvimento, como a Brasil, a China e a Índia.
O processo da ONU reconhece que os países pobres não são responsáveis pelo aquecimento global por causa de sua industrialização tardia, pressupondo-se que ação humana que alterou o clima foi a Revolução Industrial. Mas os EUA temem ficar em desvantagem competitiva, sobretudo diante da China, se tiver de cortar emissões sem que os chineses sejam obrigados a fazer o mesmo.
Além disso, em 2008, a China deve superar os EUA como maior emissor dos gases que aquecem a Terra.
Para cumprir a meta de limitar o aumento da temperatura em dois graus, calcula-se que será necessário cortar as emissões à metade.
Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, Merkel, anfitriã do evento marcado por uma onda de protestos antiglobalização, fala da ameaça russa de apontar mísseis nucleares para a Europa, propõe negociações com o Irã sobre a questão nuclear mas declarou que "a construção de um sistema de trens de alta velocidade num país onde o presidente vive ameaçando destruir Israel é totalmente inaceitável".
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Ségo e Sarko fazem debate equilibrado
Durante mais de duas horas e meia, os dois candidatos que disputam domingo o segundo turno da eleição presidencial na França duelaram ao vivo agora há pouco na televisão francesa sem que tenha havido um nocaute.
A candidata socialista, Ségolène Royal, mostrou mais paixão e emoção, enquanto o ex-ministro conservador Nicolas Sarkozy pareceu mais frio, calculista e presidencial. Fez questão de enunciar claramente suas idéias e propostas políticas, tentando passar a idéia de que sua adversária é despreparada para o cargo.
Ségo quis chamar a atenção para o autoritarismo de Sarko, um linha dura em questões como imigração e polícia, que promete enfrentar os sindicatos para reduzir os direitos trabalhistas, facilitando contratações e demissões para combater o desemprego superior a 8%.
Na mensagem final aos eleitores, Sarko apresentou-se como um homem de ação: "A fatalidade não existe. Vou agir para resolver a crise moral da França. É a crise do trabalho". Mais adiante, disse não acreditar em "igualitarismo" mas em "meritocracia", e prometeu: "Tudo que lhes digo eu farei".
Sua adversária, que está atrás em todas as pesquisas, fez um apelo aos indecisos para que "façam a escolha da audácia, do futuro". Citou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que apóia Sarkozy, como exemplo de que um governo chefiado por uma mulher pode ser eficaz. Apresentou-se como "uma mãe de família com quatro filhos", reforçando valores tradicionais como família, escola e trabalho como base de sua ação política, prometendo "uma França imaginativa e criativa" e "reformar sem brutalizar", numa advertência para os riscos que as reformas liberalizantes de Sarkozy e sua posição linha-dura em imigração polícia podem trazer para o tecido social francês.
Um dos temas importantes foi o futuro da União Européia (UE). Sarkozy descartou a possibilidade de ressuscitar a Constituição da Europa porque "ela foi rejeitada pelos franceses por 55%, então está fora de questão". O candidato da União por um Movimento Popular (UMP) defende a adoção de um tratado modificado e a suspensão do processo de expansão da UE enquanto não for resolvido o problema interno do bloco. Ele é contra a entrada da Turquia, alegando que é um país muçulmano e não é europeu.
"A ampliação sem limites é a morte da Europa política", alegou Sarko. "As negociações com a Turquia começaram em 1964. Até quando vão? Sou contra a entrada da Turquia na UE e não vou mudar de opinião."
Ségolène não quis adotar uma posição definitiva, argumentando que "há um processo de negociações em andamento e a França precisa manter sua palavra. Há um processo. Há condições. No final, o povo francês terá o direito de se manifestar em plebiscito. Há uma aspiração dos turcos de aderir à Europa. Vimos nos últimos dias uma onda de manifestações para defender uma Turquia laica e secularista".
O candidato conservador contra-atacou dizendo que, com a Turquia, as fronteiras da Europa ficariam no Iraque e na Síria, e a UE importaria o problema curdo. Ele descreveu o risco de que o Irã produza armas nucleares como "a questão mais perigosa hoje nas relações internacionais".
Sarkozy procurou explorar as contradições do discurso de Ségolène ao longo da campanha. Primeiro, ela elogiou a rapidez de decisão da Justiça comercial na China; depois, propôs um boicote à Olimpíada de Beijim, em 2008, o que seu adversário considerou demagógico, já que é "um encontro pacífico de confraternização da juventude". Ela disse que lutou pela libertação de presos políticos na China. Ambos defenderam o desenvolvimento da África como forma de reduzir a imigração ilegal para a Europa.
O rigor contra os imigrantes ilegais é um dos pontos fortes do discurso de Sarkozy, ele próprio um filho de imigrantes que adota uma política linha-dura a gosto da classe média e do operariado francês: "Não haverá uma legalização geral dos imigrantes ilegais. Isso aconteceu três vezes sob governos socialistas. Pagamos caro. Quero uma França aberta e generosa, mas não podemos acolher todo o mundo, toda a miséria do mundo".
Mas isso não justifica a prisão de um avô diante da escola de seu neto, alfinetou Ségolène, chamando a atenção, mais uma vez, para a truculência das políticas de Sarkozy como ministro do Interior, responsável pela polícia: "Essa não é a República francesa". Há poucos dias, ela usou a tática de aterrorizar o eleitorado afirmando que, se seu adversário vencer no domingo, os jovens da periferia voltarão a se rebelar, incendiar carros e saquear lojas.
Ela quer os votos da periferia mas quer também os dos estudantes de classe média que no ano passado rejeitaram o contrato do primeiro emprego numa de protestos de rua que lembrou a revolução de maio de 1968, com a diferença de que agora os jovens defendem o status quo, os direitos sociais ameaçados pela globalização econômica.
Conservador, Sarkozy é contra uma reforma política profunda. Entende que as instituições da 5ª República funcionam bem e que a participação de 85% no primeiro turno da eleição presidencial, em 22 de abril, é uma prova do vigor da democracia francesa, prometendo fazer "um governo muito aberto, de união porque o presidente não é presidente de um partido mas da nação".
Para Ségolène, "a mudança das instituições é necessária porque o mundo mudou". É preciso reformar a democracia social e aumentar os mecanismos de democracia participativa, convocando mais plebiscitos. Citou a rejeição da Lei do Primeiro Emprego como exemplo da "pressão das ruas" sobre o Parlamento.
A candidata socialista, Ségolène Royal, mostrou mais paixão e emoção, enquanto o ex-ministro conservador Nicolas Sarkozy pareceu mais frio, calculista e presidencial. Fez questão de enunciar claramente suas idéias e propostas políticas, tentando passar a idéia de que sua adversária é despreparada para o cargo.
Ségo quis chamar a atenção para o autoritarismo de Sarko, um linha dura em questões como imigração e polícia, que promete enfrentar os sindicatos para reduzir os direitos trabalhistas, facilitando contratações e demissões para combater o desemprego superior a 8%.
Na mensagem final aos eleitores, Sarko apresentou-se como um homem de ação: "A fatalidade não existe. Vou agir para resolver a crise moral da França. É a crise do trabalho". Mais adiante, disse não acreditar em "igualitarismo" mas em "meritocracia", e prometeu: "Tudo que lhes digo eu farei".
Sua adversária, que está atrás em todas as pesquisas, fez um apelo aos indecisos para que "façam a escolha da audácia, do futuro". Citou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que apóia Sarkozy, como exemplo de que um governo chefiado por uma mulher pode ser eficaz. Apresentou-se como "uma mãe de família com quatro filhos", reforçando valores tradicionais como família, escola e trabalho como base de sua ação política, prometendo "uma França imaginativa e criativa" e "reformar sem brutalizar", numa advertência para os riscos que as reformas liberalizantes de Sarkozy e sua posição linha-dura em imigração polícia podem trazer para o tecido social francês.
Um dos temas importantes foi o futuro da União Européia (UE). Sarkozy descartou a possibilidade de ressuscitar a Constituição da Europa porque "ela foi rejeitada pelos franceses por 55%, então está fora de questão". O candidato da União por um Movimento Popular (UMP) defende a adoção de um tratado modificado e a suspensão do processo de expansão da UE enquanto não for resolvido o problema interno do bloco. Ele é contra a entrada da Turquia, alegando que é um país muçulmano e não é europeu.
"A ampliação sem limites é a morte da Europa política", alegou Sarko. "As negociações com a Turquia começaram em 1964. Até quando vão? Sou contra a entrada da Turquia na UE e não vou mudar de opinião."
Ségolène não quis adotar uma posição definitiva, argumentando que "há um processo de negociações em andamento e a França precisa manter sua palavra. Há um processo. Há condições. No final, o povo francês terá o direito de se manifestar em plebiscito. Há uma aspiração dos turcos de aderir à Europa. Vimos nos últimos dias uma onda de manifestações para defender uma Turquia laica e secularista".
O candidato conservador contra-atacou dizendo que, com a Turquia, as fronteiras da Europa ficariam no Iraque e na Síria, e a UE importaria o problema curdo. Ele descreveu o risco de que o Irã produza armas nucleares como "a questão mais perigosa hoje nas relações internacionais".
Sarkozy procurou explorar as contradições do discurso de Ségolène ao longo da campanha. Primeiro, ela elogiou a rapidez de decisão da Justiça comercial na China; depois, propôs um boicote à Olimpíada de Beijim, em 2008, o que seu adversário considerou demagógico, já que é "um encontro pacífico de confraternização da juventude". Ela disse que lutou pela libertação de presos políticos na China. Ambos defenderam o desenvolvimento da África como forma de reduzir a imigração ilegal para a Europa.
O rigor contra os imigrantes ilegais é um dos pontos fortes do discurso de Sarkozy, ele próprio um filho de imigrantes que adota uma política linha-dura a gosto da classe média e do operariado francês: "Não haverá uma legalização geral dos imigrantes ilegais. Isso aconteceu três vezes sob governos socialistas. Pagamos caro. Quero uma França aberta e generosa, mas não podemos acolher todo o mundo, toda a miséria do mundo".
Mas isso não justifica a prisão de um avô diante da escola de seu neto, alfinetou Ségolène, chamando a atenção, mais uma vez, para a truculência das políticas de Sarkozy como ministro do Interior, responsável pela polícia: "Essa não é a República francesa". Há poucos dias, ela usou a tática de aterrorizar o eleitorado afirmando que, se seu adversário vencer no domingo, os jovens da periferia voltarão a se rebelar, incendiar carros e saquear lojas.
Ela quer os votos da periferia mas quer também os dos estudantes de classe média que no ano passado rejeitaram o contrato do primeiro emprego numa de protestos de rua que lembrou a revolução de maio de 1968, com a diferença de que agora os jovens defendem o status quo, os direitos sociais ameaçados pela globalização econômica.
Conservador, Sarkozy é contra uma reforma política profunda. Entende que as instituições da 5ª República funcionam bem e que a participação de 85% no primeiro turno da eleição presidencial, em 22 de abril, é uma prova do vigor da democracia francesa, prometendo fazer "um governo muito aberto, de união porque o presidente não é presidente de um partido mas da nação".
Para Ségolène, "a mudança das instituições é necessária porque o mundo mudou". É preciso reformar a democracia social e aumentar os mecanismos de democracia participativa, convocando mais plebiscitos. Citou a rejeição da Lei do Primeiro Emprego como exemplo da "pressão das ruas" sobre o Parlamento.
domingo, 1 de abril de 2007
Israel convoca líderes árabes para negociar a paz
Ao receber em Jerusalém a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, atual presidente da União Européia, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, convocou os líderes dos países árabes para uma conferência internacional de paz. Disse que gostaria de trocar idéias para resolver o conflito árabe-isralense, com cada parte apresentando suas exigência e nenhum tentando ditar os termos.
"Queria aproveitar esta oportunidade importante com a presença da presidente da UE para convidar todos os chefes de Estado árabes, inclusive o rei da Arábia Saudita, para um encontro para dialogar", declarou Olmert.
Na semana passada, uma reunião de cúpula da Liga Árabe relançou o plano de paz proposto em 2002 pelos sauditas, que oferece o reconhecimento pleno de Israel em troca da devolução dos territórios árabes ocupados e de uma solução justa para os refugiados palestinos.
Olmert saudou a decisão mas insistiu que Israel não pode aceitar o "direito de retorno" exigido pelos palestinos. Com 5 milhões de refugiados palestinos e seus descendentes voltando, os árabes passariam a ser maioria em Israel, o que seria totalmente inaceitável.
Também está no Oriente Médio a presidente da Câmara dos EUA, deputada Nancy Pelosi, que esteve hoje em Israel e deve visitar a Síria, na tentativa de abrir diálogo com um dos países mais hostis a seu país na região.
Em sua coluna no New York Times, Thomas Friedman, autor de O Mundo é Plano, defendeu o plano de paz proposto em 2000 pelo então presidente americano Bill Clinton, que previa a retirada israelenses de toda a Faixa de Gaza, do setor oriental de Jerusalém e de 95% da Cisjordânia, onde seria criado um Estado palestino.
Os refugiados teriam o direito de voltar, mas não para Israel. Seriam mantidas apenas as colônias judaicas mais populosas situadas perto de Jerusalém e Telavive. Em troca, Israel teria pleno reconhecimento. Os palestinos seriam compensados e receberiam outras terras em troca das que seriam anexadas definitivamente a Israel.
O primeiro-ministro israelense negou que haja planos para um ataque coordenado dos Estados Unidos contra o Irã e de Israel contra a Síria e a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), no Líbano.
"Queria aproveitar esta oportunidade importante com a presença da presidente da UE para convidar todos os chefes de Estado árabes, inclusive o rei da Arábia Saudita, para um encontro para dialogar", declarou Olmert.
Na semana passada, uma reunião de cúpula da Liga Árabe relançou o plano de paz proposto em 2002 pelos sauditas, que oferece o reconhecimento pleno de Israel em troca da devolução dos territórios árabes ocupados e de uma solução justa para os refugiados palestinos.
Olmert saudou a decisão mas insistiu que Israel não pode aceitar o "direito de retorno" exigido pelos palestinos. Com 5 milhões de refugiados palestinos e seus descendentes voltando, os árabes passariam a ser maioria em Israel, o que seria totalmente inaceitável.
Também está no Oriente Médio a presidente da Câmara dos EUA, deputada Nancy Pelosi, que esteve hoje em Israel e deve visitar a Síria, na tentativa de abrir diálogo com um dos países mais hostis a seu país na região.
Em sua coluna no New York Times, Thomas Friedman, autor de O Mundo é Plano, defendeu o plano de paz proposto em 2000 pelo então presidente americano Bill Clinton, que previa a retirada israelenses de toda a Faixa de Gaza, do setor oriental de Jerusalém e de 95% da Cisjordânia, onde seria criado um Estado palestino.
Os refugiados teriam o direito de voltar, mas não para Israel. Seriam mantidas apenas as colônias judaicas mais populosas situadas perto de Jerusalém e Telavive. Em troca, Israel teria pleno reconhecimento. Os palestinos seriam compensados e receberiam outras terras em troca das que seriam anexadas definitivamente a Israel.
O primeiro-ministro israelense negou que haja planos para um ataque coordenado dos Estados Unidos contra o Irã e de Israel contra a Síria e a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), no Líbano.
sábado, 10 de março de 2007
Europa quer reduzir emissões em 20% até 2020
Os líderes da União Européia decidiram ontem combater o aquecimento global cortando as emissões dos gases que provocam o efeito estufa em 20% e retirar pelo menos 20% de sua energia de fontes alternativas até 2020. É uma vitória pessoal de Angela Merkel, chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, que ocupa a presidência rotativa da UE até a metade do ano.
"Podemos evitar o que seria uma catástrofe para a humanidade", festejou a chanceler alemã.
A UE fará uma nova proposta quando vencer o Protocolo de Quioto, em que 46 países se comprometeram a reduzir em 5% entre 2008 e 2012 as emissões dos gases que provocam o efeito estufa. Quer que os países ricos cortem suas emissões em 30%. Mas os Estados Unidos nunca aderiram ao protocolo e exigem que os grandes países em desenvolvimento, como China e Índia, tenham de se submeter às mesmas restrições impostas aos países ricos.
Pela lógica do Protocolo de Quioto, o ônus do corte de emissões cabe aos países ricos, que poluíram a atmosfera em seu desenvolvimento industrial.
Merkel sugeriu a seus colegas europeus que incentivem a substituição das lâmpadas de filamento pelas lâmpadas mais econômicas. A Europa vai seguir o exemplo da Austrália, que decidiu aposentar as lâmpadas criadas em 1879 por Thomas Alva Edison.
"Podemos evitar o que seria uma catástrofe para a humanidade", festejou a chanceler alemã.
A UE fará uma nova proposta quando vencer o Protocolo de Quioto, em que 46 países se comprometeram a reduzir em 5% entre 2008 e 2012 as emissões dos gases que provocam o efeito estufa. Quer que os países ricos cortem suas emissões em 30%. Mas os Estados Unidos nunca aderiram ao protocolo e exigem que os grandes países em desenvolvimento, como China e Índia, tenham de se submeter às mesmas restrições impostas aos países ricos.
Pela lógica do Protocolo de Quioto, o ônus do corte de emissões cabe aos países ricos, que poluíram a atmosfera em seu desenvolvimento industrial.
Merkel sugeriu a seus colegas europeus que incentivem a substituição das lâmpadas de filamento pelas lâmpadas mais econômicas. A Europa vai seguir o exemplo da Austrália, que decidiu aposentar as lâmpadas criadas em 1879 por Thomas Alva Edison.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Merkel quer restaurar relações Europa-EUA
A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, que acaba de assumir a presidência rotativa da União Européia por seis meses, vai lançar neste mês uma iniciativa para harmonizar as legislações da Europa e dos Estados Unidos, de modo a estimular os fluxos de comércio e investimento entre os dois maiores blocos comerciais do mundo - a UE e o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, do inglês).
O objetivo maior é restaurar as relações EUA-Europa, abaladas pela decisão do presidente George W. Bush de invadir o Iraque contra a vontade do Conselho de Segurança das Nações Unidas, criando uma "parceria econômica transatlântica", que no futuro poderiam formar uma área de livre comércio transatlântica, revelou a chanceler alemã em entrevista ao jornal Financial Times, de Londres.
Merkel, que também preside este ano o Grupo dos Oito (G-8), que reúne a Rússia e as maiores potências industriais (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), com a exceção da China, dá importância especial às relações com os EUA. Por isso, viaja hoje para Washington.
Primeiro, serão discutidas a regulamentação dos mercados financeiros, especialmente as regras para empresas venderem ações em bolsas de valores, assim como as questões de propriedade intelectual. Merkel luta pelo reconhecimento mútuo dos padrões técnicos adotados na Europa e nos EUA para produtos industriais como automóveis.
Sua ambição é criar um mercado únido transatlântico para investidores. Deve enfrentar resistências de outros países europeus e dos EUA, mais protecionistas com o Partido Democrata assumindo o controle da Câmara e do Senado neste dia 4 de janeiro.
"Nossos sistemas econômicos se baseiam nos mesmos valores", argumentou a chanceler alemã. "Precisamos estar atentos para que não se afastem e que se aproximem onde houver claras vantagens para ambos os lados. Temos uma experiência acumulada sobre mercados únicos na Europa. Aprendemos a combinar o sistema legal anglo-saxônico com o da Europa continental, que são diferentes".
As negociações formais começam numa reunião de cúpula EUA-UE em maio. O deputado Mathias Wissmann, da Comissão de Europa da Câmara Federal da Alemanha, acredita que até 2015 seja possível integrar os mercados financeiros, o que reduziria o custo das transações transatlânticas em 60%.
Angela Merkel também pretende negociar uma parceria estratégica com a Rússia na base da reciprocidade. Se a Rússia proteger suas empresas estratégicas, os países da UE podem impor restrições semelhantes aos investidores russos.
Outro tema importante em sua ambiciosa agenda para a UE é a tentativa de ressuscitar a Constituição da Europa, derrotada em plebiscitos na França e na Holanda, em 2005.
O objetivo maior é restaurar as relações EUA-Europa, abaladas pela decisão do presidente George W. Bush de invadir o Iraque contra a vontade do Conselho de Segurança das Nações Unidas, criando uma "parceria econômica transatlântica", que no futuro poderiam formar uma área de livre comércio transatlântica, revelou a chanceler alemã em entrevista ao jornal Financial Times, de Londres.
Merkel, que também preside este ano o Grupo dos Oito (G-8), que reúne a Rússia e as maiores potências industriais (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), com a exceção da China, dá importância especial às relações com os EUA. Por isso, viaja hoje para Washington.
Primeiro, serão discutidas a regulamentação dos mercados financeiros, especialmente as regras para empresas venderem ações em bolsas de valores, assim como as questões de propriedade intelectual. Merkel luta pelo reconhecimento mútuo dos padrões técnicos adotados na Europa e nos EUA para produtos industriais como automóveis.
Sua ambição é criar um mercado únido transatlântico para investidores. Deve enfrentar resistências de outros países europeus e dos EUA, mais protecionistas com o Partido Democrata assumindo o controle da Câmara e do Senado neste dia 4 de janeiro.
"Nossos sistemas econômicos se baseiam nos mesmos valores", argumentou a chanceler alemã. "Precisamos estar atentos para que não se afastem e que se aproximem onde houver claras vantagens para ambos os lados. Temos uma experiência acumulada sobre mercados únicos na Europa. Aprendemos a combinar o sistema legal anglo-saxônico com o da Europa continental, que são diferentes".
As negociações formais começam numa reunião de cúpula EUA-UE em maio. O deputado Mathias Wissmann, da Comissão de Europa da Câmara Federal da Alemanha, acredita que até 2015 seja possível integrar os mercados financeiros, o que reduziria o custo das transações transatlânticas em 60%.
Angela Merkel também pretende negociar uma parceria estratégica com a Rússia na base da reciprocidade. Se a Rússia proteger suas empresas estratégicas, os países da UE podem impor restrições semelhantes aos investidores russos.
Outro tema importante em sua ambiciosa agenda para a UE é a tentativa de ressuscitar a Constituição da Europa, derrotada em plebiscitos na França e na Holanda, em 2005.
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