Depois de vencer o primeiro turno em seis regiões e de obter no segundo turno a maior votação de sua história (6,82 milhões ou 28%), a Frente Nacional, de extrema direita, não conseguiu no segundo turno, realizado neste domingo, conquistar o governo de nenhuma das 13 regiões da França metropolitana.
Com 40% da votação total, a coalizão de centro-direita comandada pelo partido Os Republicanos ganhou em sete regiões e a aliança de centro-esquerda liderada pelo Partido Socialista em cinco com 29,3%. Os nacionalistas venceram na ilha da Córsega. A taxa de participação foi de 59%.
O primeiro-ministro socialista Manuel Valls saudou "os eleitores que responderam ao apelo claro, nítido e corajoso da esquerda para barrar a extrema direita, que não conquistou nesta noite nenhuma região." Ao mesmo tempo, ele advertiu para o risco da complacência e do "triunfalismo. A ameaça da extrema direita não está afastada."
Nas duas regiões onde a FN tinha mais chance, o PS retirou suas listas de candidatos para barrar a ultradireita, recomendando a seu eleitorado votar na aliança de centro-direita liderada pelo partido Os Republicanos, do ex-presidente Nicolas Sarkozy.
A própria líder neofascista, Marine Le Pen, era candidata na região do Norte-Passo de Calais-Picardia. A lista da FN teve 43% dos votos, sendo superada pelos Republicanos em aliança com a União Democrática Independente (UDI), sob a liderança de Xavier Bertrand, que receberam 57% da votação.
Na região da Provença-Alpes-Costa Azul, a cabeça da chapa da FN era Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha da chefe do partido. Ficou em 47,8%. Perdeu para a coalizão de centro-direita, chefiada na região por Christian Estrosi, que levou 52,2%.
A centro-direita também ganhou na Ilha da França, a região mais populosa, que inclui Paris, na Alsácia-Champanhe-Ardenas-Lorena, no País do Loire, em Auvergne-Rhône-Alpes e na Normandia.
O PS e aliados ganharam na Bretanha, onde a lista foi liderada pelo ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, na Aquitânia-Limousine-Poitou-Charantes, na Borgonha-Franco-Condado, em Languedoc-Roussillion-Meio-Pirineus e no Centro-Vale do Loire
Irritada, Marine atacou o "regime falido" e voltou a falar na "ascensão irresistível" do que chama de movimento nacionalista. Ela sonha com o Palácio do Eliseu, mas deve enfrentar a mesma frente republicana na eleição presidencial de 2017.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 13 de dezembro de 2015
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Governo de Portugal perde maioria em eleições parlamentares
A coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho venceu as eleições parlamentares de domingo, mas elegeu apenas 104 dos 230 deputados, perdendo a maioria na Assembleia da República.
Sob a liderança do ex-prefeito de Lisboa António Costa, o Partido Socialista (PS) elegeu 85 deputados com uma campanha denunciado o programa de ajuste fiscal imposto pelos credores em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros. A liderança de Costa pode ser desafiada, noticiou o jornal português Público, que observou um avanço de alianças mais à esquerda.
O Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes, conquistaram 36 cadeiras. Se as esquerdas se unirem, podem barrar a coalizão de Passos Coelho, entre o Partido Social-Democrata (PSD) e o Centro Democrático-Social (CDS).
No fim da noite de ontem, o primeiro-ministro anunciou que pretende chegar a um acordo com o PS para formar um governo minoritário e obter apoio da oposição mais moderada para ajudar Portugal a sair da crise.
"Nossas obrigações como governo nos obrigam a deixar de lado as bandeiras partidárias e nos unir a todos que querem construir um país melhor", declarou Passos Coelho.
Depois do acordo com os credores, em 2011, Portugal voltou a crescer, mas ainda não chegou ao nível anterior à crise. A economia avança hoje num ritmo de 1,5% ao ano. O desemprego caiu de 17,5% para 11,9%.
Sob a liderança do ex-prefeito de Lisboa António Costa, o Partido Socialista (PS) elegeu 85 deputados com uma campanha denunciado o programa de ajuste fiscal imposto pelos credores em troca de um empréstimo de 78 bilhões de euros. A liderança de Costa pode ser desafiada, noticiou o jornal português Público, que observou um avanço de alianças mais à esquerda.
O Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária (CDU), formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes, conquistaram 36 cadeiras. Se as esquerdas se unirem, podem barrar a coalizão de Passos Coelho, entre o Partido Social-Democrata (PSD) e o Centro Democrático-Social (CDS).
No fim da noite de ontem, o primeiro-ministro anunciou que pretende chegar a um acordo com o PS para formar um governo minoritário e obter apoio da oposição mais moderada para ajudar Portugal a sair da crise.
"Nossas obrigações como governo nos obrigam a deixar de lado as bandeiras partidárias e nos unir a todos que querem construir um país melhor", declarou Passos Coelho.
Depois do acordo com os credores, em 2011, Portugal voltou a crescer, mas ainda não chegou ao nível anterior à crise. A economia avança hoje num ritmo de 1,5% ao ano. O desemprego caiu de 17,5% para 11,9%.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Centro-direita faz maioria no Senado da França
Os partidos de centro-direita venceram as eleições realizadas nesse domingo na França para preencher a metade das 348 vagas do Senado, que no modelo constitucional francês atua como câmara revisora e pode ter suas decisões revogadas pela Assembleia Nacional. A Frente Nacional, de extrema direita, elegeu seus dois primeiros senadores, informou o jornal francês Le Monde.
A esquerda perde a maioria no Senado que tinha desde 2011. A maior bancada será da União por um Movimento Popular (UMP). É o partido gaulista de centro-direita que o ex-presidente Nicolas Sarkozy quer presidir para se relançar como candidato em 2017. A UMP elegeu 23 senadores e perdeu 11, ficando com um total de 145.
No centro do espectro político francês, a União Democrática Independente (UDI) ganhou oito senadores e perdeu dois. Passa a ser 38 senadores.
Com a popularidade do presidente François Hollande num recorde negativo de apenas 13%, o Partido Socialista foi o maior derrotado. Perdeu 24 senadores e ganhou oito, reduzindo a bancada para 112 cadeiras.
O Partido Comunista Francês (PCF) perdeu três senadores e agora tem 18, enquanto a bancada do grupo RDSE (Reunião Democrática e Social Europeia), uma coligação liderada pelo Partido Radical de Esquerda, caiu de 19 para 12 cadeiras. A bancada verde e ecologista ficou estável com 10 senadores.
Mais importante do que o resultado geral em si, que mantém o equilíbrio da política francesa entre centro-direita e centro-esquerda, neste caso pendendo para a direita por causa da crise econômica e da impopularidade do governo socialista, é a entrada da neofascista Frente Nacional no Senado da França pela primeira vez.
Depois de chegar ao segundo da eleição presidencial de 2002 com Jean-Marie Le Pen, a FN ganhou mais aceitação sob a liderança de sua filha, Marine Le Pen, que teve 18% dos votos no primeiro turno em 2012.
Nas eleições municipais de março de 2014, a FN conquistou 12 prefeituras e aumentou o total de vereadores para 1,5 mil. Em maio, ficou em primeiro lugar nas eleições para o Parlamento Europeu na França, com 25% dos votos.
Algumas pesquisas indicam que hoje Marine Le Pen venceria François Hollande numa eleição presidencial.
A derrota não deve impedir o primeiro-ministro Manuel Valls de seguir adiante com as reformas para enfrentar a estagnação econômica e o desemprego elevado, de cerca de 10%. O novo orçamento, a ser apresentado na quarta-feira, deve prever cortes de gastos públicos no valor de 21 bilhões de euros (R$ 64,5 bilhões) nos gastos públicos, reduções de impostos para empresas e pessoas físicas.
A esquerda perde a maioria no Senado que tinha desde 2011. A maior bancada será da União por um Movimento Popular (UMP). É o partido gaulista de centro-direita que o ex-presidente Nicolas Sarkozy quer presidir para se relançar como candidato em 2017. A UMP elegeu 23 senadores e perdeu 11, ficando com um total de 145.
No centro do espectro político francês, a União Democrática Independente (UDI) ganhou oito senadores e perdeu dois. Passa a ser 38 senadores.
Com a popularidade do presidente François Hollande num recorde negativo de apenas 13%, o Partido Socialista foi o maior derrotado. Perdeu 24 senadores e ganhou oito, reduzindo a bancada para 112 cadeiras.
O Partido Comunista Francês (PCF) perdeu três senadores e agora tem 18, enquanto a bancada do grupo RDSE (Reunião Democrática e Social Europeia), uma coligação liderada pelo Partido Radical de Esquerda, caiu de 19 para 12 cadeiras. A bancada verde e ecologista ficou estável com 10 senadores.
Mais importante do que o resultado geral em si, que mantém o equilíbrio da política francesa entre centro-direita e centro-esquerda, neste caso pendendo para a direita por causa da crise econômica e da impopularidade do governo socialista, é a entrada da neofascista Frente Nacional no Senado da França pela primeira vez.
Depois de chegar ao segundo da eleição presidencial de 2002 com Jean-Marie Le Pen, a FN ganhou mais aceitação sob a liderança de sua filha, Marine Le Pen, que teve 18% dos votos no primeiro turno em 2012.
Nas eleições municipais de março de 2014, a FN conquistou 12 prefeituras e aumentou o total de vereadores para 1,5 mil. Em maio, ficou em primeiro lugar nas eleições para o Parlamento Europeu na França, com 25% dos votos.
Algumas pesquisas indicam que hoje Marine Le Pen venceria François Hollande numa eleição presidencial.
A derrota não deve impedir o primeiro-ministro Manuel Valls de seguir adiante com as reformas para enfrentar a estagnação econômica e o desemprego elevado, de cerca de 10%. O novo orçamento, a ser apresentado na quarta-feira, deve prever cortes de gastos públicos no valor de 21 bilhões de euros (R$ 64,5 bilhões) nos gastos públicos, reduções de impostos para empresas e pessoas físicas.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Sarkozy aceita participar de eleição primária
Durante uma reunião política em Lambersart, o ex-presidente Nicolas Sarkozy aceitou, em princípio, participar de uma eleição primária para escolher o candidato de centro-direita à Presidência da França em 2017, informou há pouco o jornal francês Le Monde.
O ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores Alain Juppé, do mesmo partido, a União por um Movimento Popular, já manifestou a intenção de concorrer ao Palácio do Eliseu. Sarkozy era alvo de um inquérito judicial sobre abuso de poder e corrupção eleitoral foi arquivada ontem por um tribunal de Paris.
Com a popularidade do presidente socialista François Hollande em apenas 13%, a menor de um chefe de Estado da 5ª República, fundada em 1958, o candidato de centro-direita é desde já o favorito. E sempre existe o fantasma de Marine le Pen, da Frente Nacional, de extrema direita, que venceu as eleições para o Parlamento Europeu com 25% dos votos em maio de 2014.
O ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores Alain Juppé, do mesmo partido, a União por um Movimento Popular, já manifestou a intenção de concorrer ao Palácio do Eliseu. Sarkozy era alvo de um inquérito judicial sobre abuso de poder e corrupção eleitoral foi arquivada ontem por um tribunal de Paris.
Com a popularidade do presidente socialista François Hollande em apenas 13%, a menor de um chefe de Estado da 5ª República, fundada em 1958, o candidato de centro-direita é desde já o favorito. E sempre existe o fantasma de Marine le Pen, da Frente Nacional, de extrema direita, que venceu as eleições para o Parlamento Europeu com 25% dos votos em maio de 2014.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Sarkozy é candidato a líder do partido gaulista
Em uma tentativa de relançar sua carreira política depois da derrota para François Hollande na eleição presidencial de 2007, o ex-presidentef Nicolas Sarkozy anunciou há pouco a intenção de se candidatar à presidência da União por um Movimento Popular (UMP), principal partido de centro-direita da França na linha política do presidente Charles de Gaulle, que refundou o país no pós-guerra.
Com a queda da popularidade de Hollande para apenas 13% do eleitorado, a menor de um presidente francês desde 1958, a UMP tem grandes expectativas de retomar o Palácio do Eliseu em 2017.
Com a queda da popularidade de Hollande para apenas 13% do eleitorado, a menor de um presidente francês desde 1958, a UMP tem grandes expectativas de retomar o Palácio do Eliseu em 2017.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Centro-direita francesa se divide na eleição de líder
Com uma vantagem de apenas 98 votos e 50,03% do total, Jean-François Copé foi eleito ontem novo líder da União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotando o ex-primeiro-ministro François Fillon. Para unir o partido rachado ao meio, ofereceu a vice-presidência a Fillon, que contesta o resultado.
No domingo à noite, os dois candidatos cantaram a vitória. Com a vitória consumado, num gesto de conciliação, Copé disse que estendia a mão para o rival: "Já é tempo que a oposição republicana que encarnamos comece a trabalhar. É com este espírito que peço a Fillon que se junte a mim. Estou de mãos e braços abertos", reportou o jornal Le Monde.
Diante do avanço da neofascista Frente Nacional, que obteve 18% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial de 2012 depois de chegar ao segundo turno em 2002, alguns observadores temem o fim da UMP.
A adoção do discurso da extrema direita por Sarkozy na luta pela reeleição favorece os adversários. Na opinião do cientista político Dominique Reynié, isso ameaça implodir o partido.
O ex-ministro Jean-Louis Borloo, líder do partido centrista União de Democratas e Independentes (UDI), comentou que "a ilusão de um partido único que tenta reunir a direita sem complexos, a direita moderada e a centro-direita não se sustenta mais".
A UMP foi fundada em 2002 para garantir uma maioria parlamentar estável para o segundo governo Jacques Chirac (2002-7), que no primeiro mandato (1995-2002) fora obrigado a "coabitar" com o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, reagrupando as direitas centrista, gaulista e liberal.
No domingo à noite, os dois candidatos cantaram a vitória. Com a vitória consumado, num gesto de conciliação, Copé disse que estendia a mão para o rival: "Já é tempo que a oposição republicana que encarnamos comece a trabalhar. É com este espírito que peço a Fillon que se junte a mim. Estou de mãos e braços abertos", reportou o jornal Le Monde.
Diante do avanço da neofascista Frente Nacional, que obteve 18% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial de 2012 depois de chegar ao segundo turno em 2002, alguns observadores temem o fim da UMP.
A adoção do discurso da extrema direita por Sarkozy na luta pela reeleição favorece os adversários. Na opinião do cientista político Dominique Reynié, isso ameaça implodir o partido.
O ex-ministro Jean-Louis Borloo, líder do partido centrista União de Democratas e Independentes (UDI), comentou que "a ilusão de um partido único que tenta reunir a direita sem complexos, a direita moderada e a centro-direita não se sustenta mais".
A UMP foi fundada em 2002 para garantir uma maioria parlamentar estável para o segundo governo Jacques Chirac (2002-7), que no primeiro mandato (1995-2002) fora obrigado a "coabitar" com o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, reagrupando as direitas centrista, gaulista e liberal.
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